Saturday, March 26, 2005

Salvem as óperas!

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A Academia de Artes da China lançou-se numa autêntica corrida contra o tempo para fazer um registo audio- visual dos mais de 200 estilos de óperas tradicionais chinesas, antes que desapareçam por completo.
O responsável pelo projecto, Liu Wenfeng, refere que as duas últimas décadas de reformas económica e a abertura da China ao mundo têm-se revelado "mais destruidoras" do que a violenta Revolução Cultural dos anos 60 e 70 para as óperas tradicionais.
No início dos anos 80, a China contava 367 estilos de óperas tradicionais vivas, mas mais de 100 géneros desapareceram nos últimos anos.
Durante "pelo menos cinco anos", Liu vai coordenar o trabalho de gravação dos espectáculos de óperas tradicionais, desde as mais famosas, como a Ópera de Pequim, às que sobem ao palco em pequenas comunidades remotas do país.
Os milhares de horas de espectáculos que serão filmadas e outras tantas que a Academia de Artes já possui, serão colocadas num arquivo digital, que Liu quer tornar acessível ao público através da Internet.Para o especialista, é urgente fazer este trabalho de recolha agora, porque na "Nova China" as óperas tradicioanis estãoa a ssistir a um grande declínio. (com Lusa)

Friday, March 25, 2005

Leituras para o fim de semana

"U-turn politics on EU-China arms ban" , Axel Berkofsky no Asia Times
"TV soaps feature good 'emperor Hu Jintao", Yan Hua no Asia Times
"In Europe, public turns toward U.S. on China", Judy Dempsey no International Herald Tribune "Chasing the dragon"Timothy Garton Ash e "Tiananmen's Legacy", Jim Hoagland através do Bloguítica.

Boa Páscoa! Fok Wood Tzi Fai Log em Cantonense ou Fu Huo Jie Kwai Le, em mandarim.
P.S. Romanização a la carte...

Thursday, March 24, 2005

Emergência Pacífica III

Não querendo tomar partido neste debate ( uma vez que a complexidade do assunto não se presta a adesões pouco reflectidas), saliento a contribuição de dois autores. O primeiro escreveu há quase 2500 anos - também citado por Nye. Tucídides, pai da História e grande inspirador dos realistas, no clássico "A Guerra do Peloponeso" salientava que "o que fez a guerra inevitável foi o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso causava em Sparta". O dilema securitário e a percepção da inevitabilidade podem tornar-se numa self-fulfill profecy. O segundo, Avery Goldstein: "enquanto as relações são mais cooperativas do que conflituais, o estimular a interdependência poderá ser atractivo. Mas o risco neste tipo de acordos é que qualquer problema tende a espalhar-se pelo sistema de modo imprevisível".
Nye termina o artigo a defender que não é inevitável uma guerra entre a China e os Estados Unidos, uma vez que se é verdade que há casos na História de poderes emergentes que entram em conflito com a principal potência (Alemanha e Inglaterra na Primeira Guerra Mundial), também temos exemplo da transiçao hegemónica dos ingleses para os americanos. Tendo em conta que a China fala insistentemente de uma emergência pacífica - já enunciada na década de 80 por Deng Xiapoping- e que Pequim está, desde 1996, a procurar dissipar o espectro da "ameaça China" nas relações internacionais, em que ficamos? O que está por detrás das intenções do discurso apaziguador da China? E o facto da China estar a financiar o défice norte americano, a par da crecente interdependência comercial entre os dois países não serão motivos mais que sificientes para que na avaliação custo-benefício uma guerra se afigure como uma hipótese pouco racional? Mas, e Taiwan? E a Coreia do Norte? E a disputa com o Japão pelas Ilhas Diaoyu? E o imbróglio em torno do arquipélago Sapartly? E a possível remilitarização nipónica?

Emergêcia Pacífica II

Joseph S. Nye coloca em cima da mesa uma série de questões fulcrais para uma análise da emergência ou como prefere designar "re-emergência" da China não só como poder económico capaz de rivalizar com os Estados Unidos dentro de algumas décadas, mas também, como actor principal no sistema internacional, como poder militar. Neste caso como em muitos outros frente a frente estão as duas escolas de pensamento rivais, as duas mais importantes, no campo das teorias das relações Internacionais: o realismo e o liberalismo (sendo que dentro de cada uma delas há várias subdivisões rivais). Será quase inevitável um conflito com os Estados Unidos, ou vai vingar a tese da interdependência económica?
Reconheça-se que as teorias das Relações Internacionais não servem para profetizar coisa alguma, nem nos permitem fazer previsões com um elevado grau de confiança. Quanto muito, e já é muito, servem para darmos sentido ao que lemos, ouvimos e assistimos no universo das relações internacionais e inter-estatais. Nem o realismo, nem o liberalismo foram bem sucedidos na explicação do que se passou quando do desmoronamento do Bloco de Leste nem desta década e meia subsequente ao fim da Guerra Fria. Ao contrário do que um realismo mais rasteiro preveria, não foi disparado um tiro entre as duas superpotências- o império Soviético implodiu. E contrariamente ao que profetizariam alguns liberais, a abertura dos mercados e a regulação das instituições internacionais não parece estar (ainda) a amenizar os conflitos: está ainda por comprovar o sucesso das abordagens a la Shumpeter do pacifismo comercial ou das teses da paz democrática de de Michael Doyle ou Bruce Russet.
Serve este enquadramento para centrar a discussão na questão lançada por Nye: será o crescimento económico da China é "um Cavalo de Tróia" para a emergência de uma potência com ambições hegemónicas, cujo desenlace poderá ser um conflito com o poder hegemónico militar, os Estados Unidos ou com a integração de Pequim no sistema económico, financeiro e comercial internacional, a China vai adoptar uma postura de valorização do soft power em vez do hard power? Esta é uma das questões mais importantes que deveremos ver respondida ao longo deste século XXI.
(continua)

Emergência pacífica

Joseph S. Nye, autor da "Interdependência Complexa" e do "soft power" escreve sobre "O crescimento pacífico da China?". Um texto para ler e reflectir. Dentro de umas horas vamos olhar de novo para os implíctos e explícitos deste artigo...

Lisboa-Paris-Berlim-Pequim

Bruxelas, 23 Mar (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Diogo Freitas do Amaral, afirmou hoje que Portugal apoia o levantamento do embargo à venda de armas à China "no momento oportuno", embora defenda "prudência" na altura para tomar a decisão.
"Portugal já no governo anterior apoiou a proposta da França de, no momento oportuno, se levantar o embargo à venda de armas à China porque a situação em que se encontra hoje o país registou progressos no respeito dos direitos humanos e abertura do mercado", justificou o chefe da diplomacia portuguesa.

Sin embargo?

Mais um artigo interessante - este sobre o papel do Reino Unido- acerca do levantamento do embargo á venda de armas à China por parte da União Europeia. Este assunto está a tornar-se num dos maiores espinhos das relações transatlânticas e, simultaneamente, revela as divisões dentro da União Europeia sobre o ponto de equilíbrio entre a manutenção da aliança estrutural com os Estados Unidos e o aprofundamento da coopreação estratégica com a China. Europeístas, Atlanticistas, Sinófilos? Quid est et Quo vadis PESC?

Libertado mas ainda agrilhoado

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Chegaram ao fim os oito meses de prisão dimiciliária de Jiang Yanyong, o médico que ficou conhecido por denunciar o encobrimento feito pelas autoridades chinesas sobre a real dimensão da síndroma respiratória aguda, em Pequim, na primavera de 2003. Jiang esteve sujeito a sessões de reeducação num Hospital Militar após ter escrito uma carta ao governo central a pedir uma revisão oficial da atitude do exército na repressão às manifestações pró-democracia na praça de Tiananmen, em Junho de 1989. A decisão foi tomada pela Comissão Militar Central que mesmoa assim restringiu os movimentos e os contactos do médico que está já na pré-reforma. Jiang não pode falar com jornalistas chineses ou estrangeiros sem autorização do governo nem viajar para fora do país.
A esposa do médico garantiu que ele está bem de saúde e revelou que Jiang não pode proferir aformações contrárias à linha do Partido Comunista Chinês. Já em casa, terá ainda que assistir às chamadas sessões de estudo organizadas pelo partido com o objectivo de “educar” os potenciais dissidentes.
A Atitude de Jiang Yanyong em denuncia a verdadeira dimensão da pneumonia atípica mereceu elogios a nível internacional, sendo mesmo galardoado com o Prémio Ramon Magsaysay pelo serviço público, uma espécie de prémio Nobel da Ásia. Além da denúncia, a carta de Jiang foi inovadora uma vez que o médico assumiu na totalidade as críticas, assinando o nome completo, com morada e número de telefone, o que é muito raro na China. Quase sempre neste tipo de casos, as críticas ou denúncias são feitas de forma anónima

Wednesday, March 23, 2005

A batata quente

Está complicado o processo de levantamento do embargo da União Europeia à venda de armas à China. Quando os 25 pareciam estar a chegar a um entendimento para terminar com a proibição decretada em 1989, após o masacre de Tiananmen, nas últimas semanas dois acontecimentos fizeram brotar as divisões internas no seio da União Europeia sobre o assunto. Em Primeiro, na recente visita à Europa, o presidente Bush lembrou que Washington reprova veementemente o reinício da venda de armas a Pequim, tendo feito pressão, em especia, sobre os estados membros mais Filo-Americanos da União. Depois, a China aprovou a Lei Anti-secessão, que funciona como um motivo para que países como a Grã Bretanha, alguns dos estados de Leste e da Esandinávia (estes não por serem tão pró-americanos, mas pelas preocupações com os direitos humanos no "Império do Meio") possam adiar para as calendas uma intenção já anunciada quer pelo presidente da Comissão quer pelo senhor "PESC". Afinal em que ficamos?
Os estados mais entusiastas do fim do embargo- França e Alemanha- têm agora mais dificuldades em resolver o assunto antes de Junho, mês em que termina a presidência luxemburguesa. Depois, na segunda metade do ano, (altura em que Tony Blair assume a presidência da União Europeia) vai ser mais complicado, uma vez que o Reino Unido já fez marcha atrás, com Jack Straw, o chefe da diplomacia de Londres a defender que provavelmente é melhor deixar o assunto para outra ocasião.

Este artigo no International Herald Tribune explica o processo e os lobbies que estão a ser feitos por Washington e por Pequim junto dos estados da União.

Agradecimento

Ao bloguítica pela referência.

Imperdoável

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Ainda não ter referido aqui o livro de António Caeiro, "Pela China Dentro". Na primeira pessoa, com pena de escritor-jornalista, o antigo correspondente da Agência Lusa em Pequim partilha uma experiência única. Este site tem uma "review", a ler.

Tuesday, March 22, 2005

Aprendendo com Deng I

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"China's foreign policy can be summed up in two sentences. First, to safeguard world peace we oppose hegemony. Second, China will always belong to the Third World. It belongs to the Third World today, and it will do so even when it becomes prosperous and powerful, because it shares a common destiny with all Third World countries. China will never seek hegemony or bully others, but will always side with the Third World." (...) "we sincerely hope that no war will break out and that peace will be long-lasting, so that we can concentrate on the drive to modernize our country."

In Selected Works of Deng Xoaping, Vol III: "We Must safeguard world peace and ensure domestic developement",29-05-1984

The real bank robbers!

O International Herald Tribune publica uma reportagem sobre uma das endemias do sistema financeiro e bancário chinês: o desvio de dinheiro. São os verdadeiros bank robbers.

A propósito, anda aí algum fã dos The Clash?
"MY DADDY WAS A BANKROBBER
BUT HE NEVER HURT NOBODY
HE JUST LOVED TO LIVE THAT WAY
AND HE LOVED TO STEAL YOUR MONEY"

Condoleeza Rice Em Pequim

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Standard, 22-03-2005

China-Austrália: Comércio Livre

Pequim e Camberra ultimam os detalhes para a criação de uma zona de livre comércio (apesar de alguns problemas criados pelos receios da China quanto ao impacto na agricultura).
Depois do início das negociações para a criação da "China-ASEAN Free Trade Area", o governo chinês estende a rede do "win win" game. O objectivo é criar uma teia de interdependência económica e comercial com os poderes da região ásia-Pacífico de modo a balançar o poder dos Estados Unidos sobre alguns países da região. Há uma dupla intenção: por um lado, a China lança acordos bilaterais que beneficiam as ecomomias das duas partes, por outro, e como consequência, criam uma interdependência que limita qualquer tentativa de "cerco" baseado na percepção da "ameaça-China". Ou seja, para entender a rede de cooperações estratégicas lavadas a cabo pela China depois de 1996 é necessário articular as pespectivas realistas com uma dimensão liberal das relações internacionais, sendo que, em meu entender, os objectivos da segunda estão subjugados às intenções da primeira. Isso mesmo analisa Avery Goldstein em "Structural realism in China's Foreign Policy", texto incluído no livro "Perspectives on Structural Realism" editado por Andrew Hanami. Para uma análise da "Grande Estratégia da China" depois do fim da Guerra Fria, basta ler este artigo, do mesmo autor.

Monday, March 21, 2005

China e Estados Unidos: um duelo ao nascer do sol?

Apoio e compreensão foi o que pediu o presidente da China a condoleeza Rice a propósito da Lei anti secessão. O assunto tem gerado polémica entre Washington e Pequim, com a diplomacia norte americana a considerar a aprovação do dipoma um sinal errado que apenas contribiu para o aumento da tensão entre os dois aldos do estreito.
Ora, perante esras críticas, Hu Jintao avisou os Estados Unidos para não enviarem sinais errados às forças independentistas de Taiwan.
A questão da Ilha Formosa é, de resto, o principal espinho nas relações entre chineses e norte maericanos. Isso emsmo foi reconhecido ontem pelo chefe de estado de Pequim . Hu Jintao afirmou que lidar adequadamente com o problema de Taiwan é a chave para um relacionamento forte e estével com Washington. Recorde-se que apesar de reconhecerem o princípio de uma só China, os Estadso Unidos têm um vínculo legal para defedender a ilha formosa.
A crise nucelar na penísnula coreana é outro dos temas em foco nos encontros de Rice com os dirigentes chineses. Durante o périplo asiático, a secretária de estado norte americana tem insistido que a China deve ter um papel de maior relevãncia no processo negocial a seis sobre o programa nuclear da Corea do Norte. A visita de Condoleeza Rice em Pequim visa revitalizar as conversações qyue envolvem, a Chinam, os Estados Unidos, A Rússia, Japão, Coreia do Norte e Coreia do Sul. Em cima da mesa vai estra também o défice comercial norte americano. O valor record da balança comercial dos Estados Unidos é atribuído pelos dirigentes norte americanos ao valor do yuan. Espera-se por isso um novo pedido de Condoleeza Rice para que a China valorize o renmimbi face ao dólar.

Acerca da emergência da China e da "Grande Estratégia Chinesa

"China as n.1", Clyde Prestowitz in American Prospect

"The Diplomatic Face of China’s Grand Strategy", Avery Goldstein in China Quarterly 2001.

Thursday, March 17, 2005

O Imbróglio

A China pode intervir legalmente no processo de sucessão de Tung Chee hwa. Em Hong Kong, as opiniões estão divididas entre o governo e os partidos Pró-Pequim que apoiam a posição do Governo central- o novo chefe do governo deve ser eleito por apenas dois anos, o tempo que faltava a Tung para terminar o mandato - e vários juristas e parte da opição que pede que o próximo líder do executivo seja eleito para um mandato integral de cinco anos.
O cenário agora provável é um interpretação da Lei Básica pela Assembleia Ncaional Popular, uma situação que desagrada a muitos sectores em Hong Kong que estão reluctantes em ver mais uma vez Pequim interferir nos assuntos locais (depois do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular ter no ano passado decidido que está fora de questão a eleição directa e universal do chefe do executivo em 2007 e do Conseljo Legislativoem 2008). Por isso os dois lados da barricada já se prepara para uma batalha legal..

Olhares sobre a China

"India, China locked in energy game", Chietigj Bajpaee no Asia Times.