Friday, April 15, 2005

Memória Selectiva

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The Standard, 15-04-2005.

PE contra fim do embargo. Alemanha vacila

A votação foi esmagadora 431 contra 85. O Parlamento Europeu condenou a possibilidade dos 25 levantarem o embargo à venda de armas á China.
Os eurodeputados lamentam que as relações com a China tenham progredido apenas no aspecto económico e comercial sem progressos significativos nos direitos humanos e democracia. Por isso, o Parlamento de Estrasburgo pede aos Estadso membros da União que não terminem com a proibição e que encontrem meios para favorecer o diálogo, encorajar o desarmamento e apoiem Taiwan como modelo de democracia para a China.
Os deputados europeus defenderam ainda a adopção de um código europeu para reger as normas de exportações de armas.
Entretanto, a Alemanha veio defender que esta pode não ser a altura indicada para avançar com o levantamento do embrago. O ministro alemão dos negócios estrangeiros disse que quer que se chegue a um consenso sobre o assunto, mas para isso é preciso que todos votenma favor, o quenão vai acontecer no futuro próximo. Joschka Fisher alertou ainda que a China também tem que fazer algo para que o embargo seja levantado. Por exemplo assinar todas as convenções internaciansi de defensa e respeito pelos direitos humanos e reduzir as detenções arbitrárias por alegado delito de opinião. Mas o chefe de governo amelão tem uma posição diferente da do chefe da diplomacia. Gerard Schroeder argumentou no Parlamento germânico que o fim do embargo à venda de armas à China será uma mediada simbólica. O objectivo não é aumentar o volume de venda de armamento a Pequim, garante do líder do governo de Berlim.
O embargo à venda de armas e o futuro das relações entre a União Europeia e a China vai ser hoje discutido numa reunião informal de ministros dos negócios estrangeiros dos 25 no Luxemburgo.

China-Índia-Japão

"Sinais Contraditórios"

" aproximação entre a China e a Índia - as duas nações mais populosas do mundo representando as duas 45% da população mundial - dois países em vias de desenvolvimento que melhor estão colocados para liderar os respectivos sub-espaços regionais parece mostrar a atenuação de rivalidades e de nacionalismos exacerbados."

"É difícil entender que factos lamentáveis que aconteceram há 70 anos possam azedar, de uma forma tão dramática, o relacionamento entre os dois vizinhos, a ponto de tornarem qualquer aproximação desejável mas improvável. Sempre se dirá que a história pode ter várias leituras: os vencedores lêem-na de uma maneira, os derrotados de outra. Por isso importa, para lá do terçar das razões e das paixões, seguramente legítimas, fazer um apelo à memória colectiva"

Arnaldo Gonçalves no "Jornal Tribuna de Macau.

Thursday, April 14, 2005

Tensão crescente

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Uma provocação. É assim que o ministério chinês dos negócios estrangeiros classifica a atitude de Tóquio. O governo japonês aprovou a exploração de gás natural e petróleo numa área reclamada por Pequim e Tóquio no Mar da China Oriental. O ministro japonês da economia anuncou que vai começar a avaliar os pedidos de empresas interessadas em explorar gás e petróleo numa área classificada pelo Japão como zona económica exclusiva. Questionado se esta situação não vai piorar as relações coma China depois da polémica dos manuais de história, o primeiro-ministro nipónico Junishiro Koizumi defendeu que se trta de assuntos diferentes. O governo japonês adiantou ainda que já informou a China do projecto. Mas Pequim não aceita estas justificações. O porta-voz da diplomacia Chinesa disse que além de ser uma provocação, esta atitude do Japão desrespeita os direitos da China e as normas das relações internacionais. Por isso, o governo chinês já apresentou um protesto junto de Tóquo e reserva-se ao direito de retaliar diplomaticamente. Em causa está uma zona do Mar da China Oriental, que a China já começou a explorar parcialmente em 2003. Em 1999, um estudo japonês estimava que existem 200 mil milhões de metros cúbicos de gás natural nessa zona. Este assunto é por demais importante, uma vez que a China e o Japão são dos dos maiores importadores de energia do mundo. Precisam por isso de diversificar as fontes, e de reforçar a exploração doméstica. Esta polémica surge numa altura em que a história está a assombrar as relações sino-nipónicas, depois da aprovação dos manuais de história que supostamente omitem crimes de geurra japonmeses durante da IIGuerra Mundial e das manifestações anti-Japão do passado fim de semana na China. Quanto a esse assunto, o governo de Tóquio disse que os japoneses já reflectiram sobre os erros do passado e pediram desculpas aos países asiáticas invadidos nos anos 30 e 40.

O que fazer?

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The Standard, 14-04-2005.

Wednesday, April 13, 2005

Diálogo & Cooperação

Membros do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular reuniram-se ontem com 82 juristas de Hong Kong para discutir que interpretação deve ser feita da Lei Básica de Hong Kong acerca do mandato do próximo chefe de governo que vai ser "eleito" em Julho por um Comité Eleitoral. Com este gesto Pequim quis dar um sinal: o governo central está aberto ao diálogo e à cooperação com a comunidade jurídica de Hong Kong. O governo chinês deu a entender nas semanas anteriores que quer que o próximo líder do executivo sirva apenas por dois anos (o tempo que faltava ao ex chefe do governo, Tung Chee-hwa, para terminar o mandato), ao passo que vários grupos de juristas e peritos legais da Região têm afirmado que a Lei Básica indica que o escolhido deve gozar de um mandato de cinco anos. Ontem estiveram reunidas as duas partes. No final do encontro mantido em Shenzhen, Pequim não alterou a posição depois de um diálogo "frutuoso" e os representantes da comunidade jurídica disseram que o governo chinês não teve uma argumentação bem fundamentada no disposto na Lei Básica. É assim, diálogo e cooperação. Um país dois sistemas.

Branco é...

Pequim, 13 Abr (Lusa) - A China publicou hoje um novo documento para defender a sua política em matéria dos direitos humanos, numa altura em que tenta obter o levantamento do embargo de venda de armas imposto pela União Europeia.
Num Livro Branco de 41 páginas, o governo lembra que 2004 foi o ano em que a questão dos direitos humanos passou a fazer parte da constituição chinesa e sublinha as campanhas desenvolvidas para combater os abusos dos direitos cometidos no sistema judicial.
Estes casos referem-se a detenções ilegais, extorsões de confissões sob tortura ou sevícias sobre os presos, assinala o documento.
Numa secção dedicada aos direitos políticos e civis, o Livro Branco afirma que as liberdades fundamentais dos cidadãos estão garantidas e protegidas.
"As liberdades de informação, de expressão e de imprensa são respeitadas", assegura o documento, que acrescenta que também a liberdade religiosa está garantida.
A publicação do documento, que já tinha tido uma primeira edição no ano passado, surge numa altura em que Pequim tenta obter da União Europeia o levantamento do embargo à venda de armas, imposto desde o massacre de Tiananmen, em 1989.
Vários países europeus têm-se mantido reticentes quanto ao levantamento do embargo devido à falta de progresso da China em matéria de direitos humanos, denunciada por numerosas organizações internacionais.
JPA.
Lusa/fim

Tuesday, April 12, 2005

A Ler

"A hipocrisia do comércio justo", de Teresa de Sousa, no PÚBLICO

"A China é rapidamente arvorada em "parceiro estratégico" quando se quer vender Airbus e comboios de alta velocidade ou mesmo armamento sofisticado. Passa a ser um reles violador dos direitos sociais, uma ameaça ao "justo" comércio internacional, quando se trata dos têxteis."
e
India sits pretty with US and China", B. Raman no Asia Times.

A China e o Quirgistão II

Por Matthew Oresman

"E enquanto, desde então (revolta de Asky) , a oposição raramente tem exibido essa retórica anti-China, a situação política pode restringir um discurso amigável para com a China, se um dos candidatos nas eleições ressuscitar o velho sentimento contra Pequim.
Em segundo, o governo central chinês vai prestar muita atenção ao modo como o novo governo quirguize vai lidar com a diáspora Uigur do Quirguistão. Com cerca de 50 mil uigures a viverem lá, ainda por cima com os milhares de mercadores e traficantes que cruzam a fronteira com Xinjiang, o Quirguistão representa uma das maiores comunidades uigures fora da China. Sob um novo, mais democrático governo, os grupos uigures podem desenvolver-se politicamente de modo mais fácil. E se lhes for permitido, pode tentar influenciar a situação em Xinjiang de modo agressivo ou organizar a diáspora de modo mais efectivo.
Em terceiro lugar, Pequim, como sempre, está preocupada com a potencial instabilidade criada por um vazio de poder no Quirguistão. A situação instável pode permitir que grupos fundamentalistas islâmicos se infiltrem de modo mais profundo e que redes de traficantes de droga estabeleçam a sua presença mais eficazmente.
Finalmente, a China está a observar os desenvolvimentos tendo em vista o significado deste processo de transição política na influência que exerce na região. Analistas em Pequim têm deixado transparecer receios que a revolução no Quirguistão se consubstancie numa oportunidade para Washington reforçar a sua presença e influência, à medida que o futuro poder democrático lança pontes como novos parceiros. Pequim suspeita que os Estados Unidos tenham sido a “mão escondida” por detrás desta reviravolta.
Neste momento, a China está a ter uma atitude de “esperar para ver”. É provável que continue a seguir a liderança russa e apenas quando a situação se voltar contra si é que Pequim vai decidir agir".

Matthew Oresman é o director do “China Eurasia Forum”.

Tradução adaptada do texto “Keeping China on the edge”, publicado hoje (12-14-2005) pelo South China Morning Post.

A China e o Quirguistão I

Por Matthew Oresman

“A surpreendente e rápida tomada do poder por parte da oposição no Quirguistão tem implicações relevantes para vários países e regiões na zona, incluindo a China, que tem observado estes acontecimentos de perto. Enquanto a Rússia e os Estados Unidos mantém bases militares no Quirguistão, a China é a única potência que de facto tem uma fronteira com o país.
A China tem reagido à revolução com um silêncio estratégico. Pequim deixou que Moscovo tomasse a dianteira na resposta aos desenvolvimentos e tem-se coibido de manifestar as suas preferências em público.
Enquanto o novo governo ganha forma, a China vai pesar vários factores na decisão de qual vai ser o próximo passo, incluindo a formação do novo executivo de Bishek, em especial no que diz respeito à atitude que vai ter para com a diáspora Uigur, as ameaças de segurança criadas pelo vácuo de poder e o efeito de um Quirguistão potencialmente democrático nos interesses estratégicos regionais de Pequim.
O primeiro factor que vai condicionar a posição de Pequim é a formação e composição do novo governo quirguize. Por agora, tudo indica que os futuros líderes não têm interesse em mudar a natureza das relações que têm com a China. No entanto, há que sublinhar que toda uma retórica anti-China tem estado na base do discurso da oposição.
As revoltas de Asky, em 2002, visavam criticar duramente o que os oposicionistas consideravam ser uma cedência desmesurada de territórios à China nas negociações, mas, de facto, no coração dos protestos estava o descontentamento face ao ex presidente Askayev".
(continua)

Tradução adaptada do texto “Keeping China on the edge”, publicado hoje (12-14-2005) pelo South China Morning Post.

Monday, April 11, 2005

Cheng Yizhong

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Chinese journalist Cheng Yizhong was named as the laureate of the 2005 UNESCO/Guillermo Cano World Press Freedom Prize by UNESCO Director-General Koïchiro Matsuura, on the recommendation of an independent jury of media professionals from all over the world.
Kavi Chongkittavorn executive editor of the Bangkok English-language daily The Nation, who chairs the jury, declared: “Mr Cheng represents Chinese journalism at its best; he speaks out for the weak and checks the strong. His courageous outspokenness has contributed to raising public awareness in China.” As editor of Nanfang Dushi Bao (Southern Metropolis Daily) Mr Cheng, 40, broke new ground in Chinese journalism. His editorial independence and professional know-how helped turn his paper into one of the most successful dailies in the country, publishing articles revealing the SARS epidemic and a case of death in a Canton police station.

Nacionalismos no Oriente Extremo ou as mil e uma feridas por sarar

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A recente exaltação nacionalista na China e no Japão contrasta com a intensificação e interdependência comercial e a nível de investimentos entre as duas potências do Extremo Oriente. Este paradoxo suscita um debate interessante sobre a relação entre o Presente em que cada vez mais as economias se tornam, de modo complexo, dependentes entre si, fazendo emergir de facto, um bloco econímico regional; e o Passado, marcado pelo imperialismo nipónico cujo apogeu aocnteceu aquando da ocupação japonesa da China (1931-1945). Os optimistas realçam que as relações económicas e comerciais vão criar inevitavelmente um spill over effect e assim, desanuviar as tensões entre os dois lados, já os pessimistas alertam para o path-dependence factor das relações sino-japonesas. As manifestações deste fim-de-semana vêm, por enquanto dar alguma razão aos segundos. O mesmo é válido quando analisamos as atitudes do governo de Junishiro Koizumi, quando este aprova um manual de história que já sabia ia irritar os chineses, quando fala recorrentemente da vontade de remilitarizar o Japão ou quando presta homenagem junto a túmulos de soldados imperiais acusados de crimes de guerra.

Na nova versão dos manuais de história japoneses, a China é culpada pelo começo da guerra sino-japonesa de 1894-1895 e o massacre de Nanjing executado, em 1937-1938, pelo exército imperial nipónico é descrito como inconclusivo e em debate. Isto quando entidades independentes têm mais que confirmadas as mortes de cerca de 300 mil chineses, a maioria dos quais civis e prisioneiros de guerra, além dos relatos de cerca de 20 mil violações perpetradas por japoneses a mulheres chinesas. Imagine se agora a Alemanha que viesse autorizar o ensino nas escolas de teses revisionistas sobre o Holocausto... Esta comparação pode parecer exagerada, mas serve para dar uma dimensão das feridas provocadas pelo exército nipónico durante a ocupação na memória colectiva da identidade chinesa.

É claro que o governo central de Pequim faz uso dessa memória com objectivos políticos a nível interno, para cimentar o sentimento de unidade patriótica a um regime que vive em crise de legitimidade ideológica, e do ponto de vista externo, para enviar uma mensagem forte à comunidade internacional, quando se discute a possibilidade do Japão ter acesso a um assento permanente no Conselho de Segurança. Neste cenário, de tendência revisionista de Tóquio e de apelo patriótico e à memória nacionalista da China, fervem os sentimentos que vimos ser extravazados com a complacência das autoridades chinesas, neste fim de semana. E, naturalmente, esta memória serve de impulso a outras causas anti-nipónicas na China, como a oposição firme à remilitarização do Japão, a uma eventual entrada de Tóquio no Conselho Permanente de Segurança da ONU, ou em torno da disputa pela soberania das ilhas Diaoyu.

Sunday, April 10, 2005

Relações sino-nipónicas (a História, sempre a História)

Passou-nos ao lado a aprovação de um livro de história por parte do governo japonês, que segundo as autoridades chinesas e sul-coreanas passa uma esponja e ignora as atrocidades cometidas pelos militares nipónicos durante a II Guerra Mundial.
Este sábado, milhares de Chineses protestaram contra Tóquio, por um lado, por causa da aprovação dos manuais de história, por outro, contra a possibilidade do Japão ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

O Diário do Povo pergunta:"Will China & Japan move toward confrontation?"

Para um entendimento do estado das relações sino-indianas...

"As China meets India, hints of a global shift", By Howard W. French
"Promise and problems" By Dr Jing-dong Yuan

Friday, April 08, 2005

Mercado Bombástico

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A China e a Índia estão a analisar a criação de uma zona de comércio livre, iniciativa que trará o primeiro ministro chinês, Wen Jiabao, a uma visita oficial à Índia na próxima semana. A concretizar-se o projecto representa a maior zona de livre comércio do mundo com mais de dois mil milhões de pessoas.

Sempre a bombar

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Em Macau, o Produto Interno Bruto cresceu 28 por cento em 2004.
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Bombas Chinesas

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Wednesday, April 06, 2005

Personalidades dos séculos

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A propósito do que postou o João Sousa André, no também desterrado e interessante À Deriva,

Se Karl Marx foi a figura mais influente do século XX, será Deng Xioaping a mais determinante do século XXI?

A afirmação em jeito de pergunta do JSA faz sentido, uma vez que se o Século XXI for mesmo o "Século da China", Deng Xiaoping terá tido um grande contributo ao ser o arquitecto do "renascimento" chinês depois dos conturbados anos de Mao Zedong. Ao teorizar sobre o "socialismo de mercado com características chinesas", Deng arranjou uma forma retórica airosa para manter um aparelho de estado "comunista", numa economia que caminha gradualmente para o capitalismo, ao ponto de hoje o comunismo já quase só se fazer sentir na bandeira, no hino e na designação do país e do partido e na estrutura estatal. Deng é o impulsionador das reformas económicas que abriram a China ao mundo, por isso merece um lugar de destaque já no século XX. Quanto à influência no século XXI, enfrentamos um problema: é que o pensamento "Denguista" é aplicável e absorvível apenas na China, ao contrário da trave-mestra de Marx: "trabalhadores de todo o mundo uni-vos contra a exploração capitalista". De qualquer modo, fica aqui um interessante ensinamento do "Pequeno Timoneiro", em 1982:

"If we want to change the international economic order, we must, above all, settle the question of relations between the South and the North, but at the same time we have to find new ways to increase South-South cooperation." (in "Deng Xiaoping's "Selected Works")

Quem sabe se não é por aí?

Guerras Comerciais ou como a liberalização só dá jeito de vez em quando

Esta semana está a ser rica em termos de trade conflicts:
Segunda-feira: O Comité de aplicação dos acordos têxteis (Committee for the Implementation of Textile Agreements, CITA) dos Estados Unidos lançou segunda-feira um inquérito para estabelecer se o mercado americano foi perturbado no caso dos têxteis e estabelecer a responsabilidade da China, que beneficia desde Janeiro último do final das quotas neste sector.

2. Terça-Feira: A China denunciou o lançamento pelos Estados Unidos de um procedimento de salvaguarda contra o aumento das importações têxteis chinesas qualificando-o de medida proteccionista contrária à liberalização do comércio mundial.

3. Quarta-feira: A Comissão Europeia vai divulgar em que condições vai recorrer às cláusulas de salvaguarda contra as importações têxteis chinesas, pedidas pelas associações empresariais europeias, mas considera ser cedo para este género de medidas.

Ou seja, o que dita políticas mais proteccionistas ou mais liberais quanto ao comércio é o interesse nacional(comunitário) e não qualquer profissão de fé no comércio livre mundial. Até porque não dá lá muito jeito que o comércio seja livre em condições competitivas tão desiguais. De qualquer modo fica o registo: norte americanos e europeus não abraçam a teoria das vantagens comparativas nem a consequente vantagem na especialização, como "arma" num mercado liberalizado a nível mundial. Mas é assim a vida, de incoerências está o inferno, perdão, o mercado cheio.

100 aldeias da luz

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A China vai desalojar à volta de 400.000 pessoas para construir o gigantesco projecto de desvio de águas do sul para o norte do país, anunciou hoje o governo.
Os desalojados chineses serão retirados de 100 localidades ao longo de sete províncias.
A obra, que arrancou em Dezembro de 2002, envolve a construção de três canais com mais de 1.000 quilómetros de comprimento para abastecer o seco norte do país, incluindo Pequim, com água dos abundantes rios do sul da China.
Esta será uma segunda grande deslocação forçada de população na China, depois de mais de um milhão de pessoas terem sido retiradas das suas casas para dar lugar ao gigantesco reservatório da Barragem das Três Gargantas do Iangtsé, no sudoeste do país.
(Lusa e China Daily)

Tuesday, April 05, 2005

O Dragão na loja de porcelanas II

A questão teórica diz respeito aos tempos de turbulência que se poderão fazer sentir numa possível era de transição de poder. Para os chamados realistas ofensivos como Mershmeirer a emergência de um poder numa estrutura internacional de cariz anárquico levará a uma competição "agressiva", a despeito da política interna. No extremo oposto, a chave da questão estará no modo como o comportamento da China vai ser modificado através da sua integração no sistema dominante (entrada para a OMC e participação em várias organizações e Fóruns multilaterais). Ou no limite se vai haver um "spill over effect" desse engagement. Este é um debate fascinante e há várias perspectivas em confronto - realistas, neorealistas, liberal-institucionalistas, teóricos da paz democrática, globalistas, neomarxistas, construtivistas ou mesmo bifurcacionistas. Noutra ocasião poderemos olhar para estas visões que competem no campo das teorias das relações internacionais. Por agora centramos a atenção na participação da China em estruturas multilaterais. Desde 1989, Pequim tem "abraçado" fóruns e lançado parcerias: em 1990 entrando para o Asia Pacific Economic Cooperation (APEC), em 1996 juntou-se ao ASEAN Regional Forum, em 1996 lançou o "Shanghai Five", mais tarde "Organização de Cooperação de Xangai", no mesmo ano foi país fundador do Asia-Europe Meeting (ASEM) e a coroação desta nova dinâmica da política externa Chinesa aconteceu em 2001 com a entrada na Organização Mundial de Comércio.
Uma das dúvidas que persiste é até que modo a entrada da China em organizações multilaterais deste tipo vai socializar Pequim e transformar a política interna e a política externa. Como sempre quando encetamos mini-análises neste blogue terminamos sempre com mais perguntas do que quando começamos. Mesmo assim finalizo com a citação de dois artigos na revista académica chinesa "Guoji Wenti Yanjiu" (pedindo emprestado o contributo de Wang Hongying em "Multilateralism in Chinese Foreign Policy: The limits of Socialization?":
Em 1995 um artigo expressava um forte cepticismo quanto ao multilateralismo. A organizações multilaterais eram vistas como meios para os Estados Unidos e aliados imporem os seus valores e interesses na Ásia e evitarem a emergência de um competidor sério - a China. Em 1998, a mesma revista, publicava um artigo em que o multilateralismo era elogiado, uma vez que servia a intenção de estimular a criação de um mundo Multipolar, constringindo a hegemonia norte-americana.
Em suma, será um multilateralismo com características chinesas.

O Dragão em lojas de procelanas I

Escreve Joana Amaral Dias , num artigo a ler no DN, que "nova obsessão norte-americana chama-se China". Não diria propriamente nova, uma vez que a utilização da "Ameaça-China" tem sido recorrente, em especial depois de Tiananmen, e, avulso ao longo dos últimos anos. Na literatura recente lembro-me do sensacionalista "The Coming Conflict with China", de Richard Bernstein e Ross Murno, em 1997. A nível oficial, apesar do discurso de "emergência pacífica" da liderança chinesa, sou levado a concordar com Avery Goldstein quando diz que "desde 1996, o desafio central de Pequim tem sido construir uma política externa que reforce a segurança do país e facilitar a sua emergência para o grupo dos grandes poderes numa era de hegemonia Americana", ou com Yong Deng: "A China intensificou a abertura do acesso ao mercado com o objectivo de enfraquecer a pressão da Europa-Estados Unidos e Japão para liberalização política e comercial da China". Uma das grandes preocupações de Pequim é dissipar o espectro da "Ameaça-China", da cena internacional, embora as situações por resolver de Taiwan, ilhas Diaoyu ou arquipélago Spartly comprometam a missão da diplomacia chinesa (já para não falar de questões internas como o Tibete e mesmo Xinjiang). Além do mais, o louco crescimento económico, o aumento dos gastos militares, a par da percepção, em estudos e previsões, que o século XXI vai ser mesmo o Século da China, são factores que deixam no ar dúvidas quanto ao modo como o poder hegemónico vai lidar com os que o desafiam. ( Continua)

Monday, April 04, 2005

China e Países Lusófonos (com adenda)

Analisa e bem o Paulo Gorjão que a principal razão para esta estratégia chinesa de cooperação com os países de língua portuguesa tem a ver coma necessidade de diversificar a rede de fontes energéticas. A título de exemplo, recentemente, a Sonagol, petrolífera estatal de Angola e a Sinopec, congénere chinesa, assinaram três acordos de fornecimento e exploração.
Essa linha tem sido seguida na cooperação de Pequim com os países da região do Golfo Pérsico, com nações da Ásia central (através da Organização de Cooperação de Xangai) e com acordos bilaterais com o Cazaquistão para o transporte de petróleo e gás natural do Mar Cáspio para a zona Noroeste da República Popular, além dos laços já frimados com vários países africanos.
Acerca da estratégia da China para os países de língua portuguesa, há que realçar que o "Fórum para a Cooperação Económica e Comercial", lançado em Outubro de 2003 em Macau, procura criar um mecanismo formal na Região Admistrativa Especial de Macau (RAEM) de modo a, por um lado, fazer de Macau uma plataforma de ligação para os países lusófonos, aproveitando o facto do português ser aqui língua oficial (a par do chinês) e tirando partido das ligações históricas a Portugal e a aos países lusófonos; por outro, é uma maneira de dar sentido político, na terminologia chinesa "face", a Macau, um território sobejamente conhecido pelo Jogo e afins, ao qual faltava uma dimensão mais estratégica. Certo é que, como seria de esperar, os grandes negócios continuam a fazer-se nos eixos "Pequim-Luanda" e "Pequim-Brasília". O que não retira a importância ao Fórum. Muitos já perceberam que pode ser uma boa porta de entrada para o mui apetecido mercado chinês. Quase todos, porque Lisboa às vezes parece negligenciar as potencialidades de um legado de mais de 400 anos de presença deste lado do mundo.

Adenda: São Tomé e Príncipe é o único país da CPLP que não faz parte do Fórum porque tem ligações dilpomáticas com Taiwan.

O outro lado: a margem (na periferia da Nova China)

As disparaidades socio-económicas numa China em rápida transformação:

"Average annual incomes for farmers rose 12 percent last year, but still total just 2,936 yuan, or $355, per person, according to Du. By contrast, the government says annual incomes in China's booming cities average more than $1,000 per person."

A Nova Revolução Cultural

Todas as manhãs, Wang Jian Shuo e a sua esposa saem do seu condominio nos subúrbios de Xangai, entram no seu Fiat e guiam o veículo até ao seu local de emprego na cidade. Há dois anos, viviam num decrépito e apertado apartamento no centro de Xangai e Wang, um engenheiro da Microsoft viajava de autocarro ou comboio.

Mais sobre esta história paradigmática da vida na nova China, ou melhor numa parte dela..

Bloggers for democracy

O "Standard" traz hoje um artigo sobre o papel do movimento de bloggers pela democractização de Hong Kong
Ficam aqui algumas ligações:
http://glutter.org/
www.t-salon.net
www.chattergarden.com

Andrea Leung desesperançada escreve:

Hong Kong has no future. It's not its own master.All the things are decided at the top.

A este propósito recordo aqui as palavras de Lee Kuan Yew, "pai fundador" e primeiro chefe do governo de Singapura:

you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give.

Sunday, April 03, 2005

Perigo Amarelo?

Escreve Paulo Pereira no Blogo Social Português:
"curiosamente, o perigo amarelo não está no Comunismo (como temia a minha mãezinha), mas na eventualidade de 1 bilião de chineses se converter ao capitalismo"
Uma pormenor: queres dizer mil milhões. Portanto, o que vai acontecer quando mil e trezentos milhões de chineses se converterem ao capitalismo? Ao certo não sei, mas por lá já vou vendo muita gente nestes sítios:
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Este Sábado

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Lembrei-me que estou aqui.

Friday, April 01, 2005

Aprendendo com Sun Tzu I

Na "Arte da Guerra"
"Do not repeat the tactics which have gained you one victory, but let your methods be regulated by the infinite variety of circumstances"

E no Afeganistão, o que se passa?

Três anos e meio depois da invasão norte-americana, Ramtanu Maitra analisa a situação e a estratégia de Washington no "grande xadrez" geopolítico da Ásia Central. No Asia Times.

Thursday, March 31, 2005

Perdoai-lhes Senhor

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Que eles (não) sabem o que fazem...

Pequim, 31 Mar (Lusa) - Um padre da igreja católica clandestina na China foi detido pela polícia chinesa, denunciou hoje uma fundação norte-americana de defesa de liberdades religiosas.O padre Zhao Kexun, 75 anos, da diocese Xuanjua, da Igreja Católica Romana, situada na província de Hebei, vizinha de Pequim, foi detido quarta-feira pela polícia, depois de celebrar uma missa."Esta é mais uma prova evidente dos esforços sistemáticos do governo chinês para esmagar e erradicar a Igreja Católica Romana", criticou Joseph Kung, presidente da Fundação Cardial Kung, citado num comunicado à imprensa.Segundo a Fundação Kung, só na província de Hebei, há cinco bispos e 24 padres católicos romanos detidos, enquanto outros quatro bispos estão sob forte vigilância."Muitos outros mais estão detidos em outras províncias", denuncia Joseph Kung.A China autoriza apenas a existência de organizações religiosas na condição de estas ficarem sob a tutela do governo.No caso da Igreja Católica da China, Pequim proíbe o uso do nome "Romana", já que não admite as relações das organizações religiosas do país com uma entidade externa, como o Vaticano.Milhares de crentes chineses desafiam as restrições do governo, mantendo práticas no seio de organizações clandestinas.A Fundação Kung estima que há 12 milhões de seguidores desta igreja clandestina, contra quatro milhões da governamental Igreja Católica Patriótica da China. (Lusa)

Já agora, o que diz o Deus Vermelho?

A Árvore das Patacas

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O João Paulo Meneses, jornalista da TSF e autor do Blogouve-se , lança hoje em Macau o livro "A Árvore das Patacas", uma das obras da série "5 Anos 5 livros", uma iniciativa do Jornal "Ponto Final".
Escreve JPM no Posfácio:

"Poderá haver sempre quem diga que foi um desperdício gastar uma oportunidade para escrever sobre algo que não é propriamente aquilo que Macau mais se pode orgulhar. Aceito. Mas, no jornalismo como na vida, nunca tive (até hoje…) uma puramente visão patriótica da realidade"

Minorias na China: os Yao

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Mulheres da comunidade Yao, num aldeamento nas montanhas perto da cidade de Dongxing, junto à Fronteira com o Vietnam.

A etnia yao é umas 7 principais minorias da Região Autónoma de Guangxi (ver mapa em baixo). Os yao são originários das províncias de Hunan e Jiangxi. Mas com o avanço dos chineses de etnia han, noventa e cinco por cento dos habitantes da China, os yao tiveram que fugir para o sudoeste.
Ao contrário dos Zhuang, a principal minoria de Guangxi, os yao não assimilaram os costumes da maioria chinesa: mantém uma cultura, língua e uma religião própria; muitos vivem nas montanhas, em condições precárias, sobrevivendo apenas da agricultura de subsistência.
Há relatos de, no século XIX, confrontos tribais com os chineses Han. Agora não há notícias de tensões, mas tendo em conta as más condições de vida da comunidade e de modo a evitar a instabilidade étnica, o governo central tem apoiado os yao, construindo aldeamentos com água potável e electricidade.
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As minorias

A ler no sempre interessante Tripping out of My space os posts sobre os nativos de Taiwan.
Também por aqui vamos falar de algumas das dezenas de minorias étnicas da China continental.

Palavras sábias

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Lee Kuan Yew, "pai fundador" e primeiro chefe do governo de Singapura, de visita a Hong Kong:
"I said then if Hong Kong offered opportunities of growth, prosperity, business, I will stay but if it didn't, I would leave. Would you consider politics? I said 'no', it's a thankless job, you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow."
Na mouche!

Wednesday, March 30, 2005

E se

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houvesse falta de mão de obra não-qualificada na província de Guangdong, no Sul da China?

Breves da Economia

1. A procura de petróleo deverá aumentar 10 por cento este ano na China, o segundo maior consumidor e importador do mundo, para atingir 354 milhões de toneladas. O presidente da Associação da Indústria Petroquímica, Tan Zhuzhou referiu que a China, afectada pela forte subida dos preços do petróleo nos últimos meses, vai tentar subir a produção própria de crude e obter energia de outras fontes, principalmente gás natural.

2.O Crescimento económico deverá abrandar para 8.8 por cento este ano. De cordo com um grupo de analistas de Pequim o ritmo da subida do PIB poderá ir ao encontro das previsões do Centro de Infromação de Estado.
Recorde-se que no ano passado a economia chinesa avançou 9 e meio por cento, quando o governo previa 8 por cento.

3.Face a este crecimento da economia chinesa e ao aumento imparável do investimento estrangeiro, a confederação europeia de moldes, a ISTMA Europa, actualmente presidida por Portugal, considera preocupante a deslocalização de grandes empresas para a China. O presidente da confederação europeia de moldes Joaquim Menezes reconhece que está preocupado que empresas como a Volkswagen, a General Motors, a Siemens, a Philips e outras, que são motores da economia europeia, estejam a deslocalizar-se para a China

Monday, March 28, 2005

C'est la vie, mon ami Koizumi

The European Union will probably lift its arms embargo against China by the end of June as scheduled, despite opposition from Japan and the United States, visiting French President Jacques Chirac told Prime Minister Junichiro Koizumi on Sunday evening.

Ó amigo, Isso é que era bom!?

"Prime Minister Junichiro Koizumi told visiting President Jacques Chirac of France on Sunday that Japan strongly opposed the lifting of a European embargo on arms sales to China. And he said his government would not give up its campaign to provide a site for an experimental fusion reactor also sought by France. "

Ironias do destino chinês

É uma viagem histórica. O vice presidente do Kuomintang desloca-se hoje à China continental onde se vai se poderá encontrar com representantes da administração chinesa. Chiang Pin Kung vai estar nos primeiros dias em Guangzhou e em Nanning para prestar tributo a Sun Yat Tsen, o pai da China moderna e fundador do Partido Nacionalista, o Koumintang, há 110 anos. Mais tarde desloca-se a Pequim onde vai estar três diasÀ partida Chiang afirmou que o objectivo da viagem é reduzir a tensão que tem aumentado dos dois lados do estreito, depois da aprovação pela Assembleia Nacional Popular da Lei Anti-Secessão e da manifestação deste fim de semana contra o diploma que admite uma intervenção militar chinesa em caso de declaração de independência da Ilha Formosa.O Vice presidente do Kuomitang deixa claro que se opõe à independência de Taiwan, e que está contra o uso da força das autoridades chinesas para obterem a reunificação.Recordou ainda que os nacionalistas não são pró-Pequim. São apenas pró-economia e pró-povo.Certo é que esta viagem será vista pelos sectores independentistas como uma traição, numa altura em que a China endurece o discurso contra Taiwan.

Exactamente o mesmo Kuomintang que, liderado por Chiang Kai Shek, travou a guerra civil com o Partido Comunista do "Grande Timoneiro" Mao Zedong , nos anos 4o.

Saturday, March 26, 2005

Tensão no estreito: "people power" ou manipulação?

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Hoje foi dia de grande manifestação, com centenas de milhar de pessoas, em Taipé contra a Lei Anti-secessão. Para o Governo de Chen Shui Bian, que encabeçou a marcha, tratou-se de uma gigantesca e vigorante demonstração da oposição popular à Lei Anti-secessão que prevê o uso de "meios não pacíficos". No entanto, o Kuomintang, partido da oposição, já se manifestou contra a manifestação pela "Paz e Democracia".
Do outro lado, Pequim critica a manifestação por agudizar ainda mais as relações entre o estreito, além de pretender manipular o sentido do diploma aprovado pela Assembleia Nacional Popular. O governo central apela às pessoas de Taiwan que percebam o sentido do discurso de Hu Jintao.
Acerca deste assunto, talvez outro poderá contar o que se passou e o que pensa o "homem da rua" da Ilha Formosa". Assim á distância de um par de milhares de quilómetros, parece-me que há uma grande divisão entre o campo "verde" das forças pró.indepednentistas e o campo azul-grená" do Kuomintang. É o que demosntram os resultados eleitorais. Mais: a fazer crer nas sondagens publicadas, a maioria da pipulação de Taiwan não deseja a declaração de independência, preferindo a manutenção do status quo. Ou seja: independentes de facto, mas não de jure. Até porque, para todos os efeitos, o nome oficial de Taiwan ainda é República da China.

Já agora...

A propósito de pesos e medidas, aqui está o site da Amnistia Internacional sobre a situação na China.

Os pesos e as medidas

Os Estado Unidos anunciaram que vão vender uma remessa de F-16 ao regime amigo do Paquistão como "rebuçado" pela contribuição na "Guerra contra o Terrorismo". Curioso, em especial depois de nestas semanas Washington ter feito um "xinfrim" por causa da intenção da União Europeia em levantar o embargo à venda de armas à China. Está certo, faz sentido e é coerente. A Índia é que não acha tanta piada.

Mon Ami Koizumi

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Jacques Chirac começou hoje uma visita oficial ao Japão. Nos próximos 3 dias o chefe de estado francês vai descolcar-se a empresas francesas com investimentos no "País do Sol Nascente".
Até aqui tudo bem. Mas há dois espinhos nas ralações franco-nipónicas. O primeiro diz respeito localização do futuro reactor experimental de fusão nuclear ITER. Em disputa estão duas localidades: Rokkashomura, no Japão e Cadarache na França. O dossier ITER é um assunto a seguir com muita atenção, uma vez que esta iniciativa multilateral que envolve além da União Europeia e o Japão, a Coreia do Sul, a Rússia e a China, "joga" com um novo tipo de energia que pode ser a panaceia para a crise energética a nível mundial do presente e, em especial, do futuro. Sobre este tema vale a pena espreitar a página do ITER e este artigo do Daily Yomiuri.
O segundo tem a ver com o possível fim do embargo da União Europeia à venda de armas à China. A frança lidera os países da UE que pretendem colocar um ponto final á proibição o mais rapidamente possível, ao passo que o Japão se opõe veementemente, por considerar que tal atitude poria em perigo a estabilidade na Região Ásia-Pacífico.

Wo men shi hao Li Hai *

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The Standard, 26-03-2005.
Nota: Okinotorishima faz parte do arquipélado Diaoyu, uma zona cuja soberania que é reclamada pela China e pelo Japão.

* Romanização do mandarim da expressão "Nós somos muito poderosos".

Salvem as óperas!

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A Academia de Artes da China lançou-se numa autêntica corrida contra o tempo para fazer um registo audio- visual dos mais de 200 estilos de óperas tradicionais chinesas, antes que desapareçam por completo.
O responsável pelo projecto, Liu Wenfeng, refere que as duas últimas décadas de reformas económica e a abertura da China ao mundo têm-se revelado "mais destruidoras" do que a violenta Revolução Cultural dos anos 60 e 70 para as óperas tradicionais.
No início dos anos 80, a China contava 367 estilos de óperas tradicionais vivas, mas mais de 100 géneros desapareceram nos últimos anos.
Durante "pelo menos cinco anos", Liu vai coordenar o trabalho de gravação dos espectáculos de óperas tradicionais, desde as mais famosas, como a Ópera de Pequim, às que sobem ao palco em pequenas comunidades remotas do país.
Os milhares de horas de espectáculos que serão filmadas e outras tantas que a Academia de Artes já possui, serão colocadas num arquivo digital, que Liu quer tornar acessível ao público através da Internet.Para o especialista, é urgente fazer este trabalho de recolha agora, porque na "Nova China" as óperas tradicioanis estãoa a ssistir a um grande declínio. (com Lusa)

Friday, March 25, 2005

Leituras para o fim de semana

"U-turn politics on EU-China arms ban" , Axel Berkofsky no Asia Times
"TV soaps feature good 'emperor Hu Jintao", Yan Hua no Asia Times
"In Europe, public turns toward U.S. on China", Judy Dempsey no International Herald Tribune "Chasing the dragon"Timothy Garton Ash e "Tiananmen's Legacy", Jim Hoagland através do Bloguítica.

Boa Páscoa! Fok Wood Tzi Fai Log em Cantonense ou Fu Huo Jie Kwai Le, em mandarim.
P.S. Romanização a la carte...

Thursday, March 24, 2005

Emergência Pacífica III

Não querendo tomar partido neste debate ( uma vez que a complexidade do assunto não se presta a adesões pouco reflectidas), saliento a contribuição de dois autores. O primeiro escreveu há quase 2500 anos - também citado por Nye. Tucídides, pai da História e grande inspirador dos realistas, no clássico "A Guerra do Peloponeso" salientava que "o que fez a guerra inevitável foi o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso causava em Sparta". O dilema securitário e a percepção da inevitabilidade podem tornar-se numa self-fulfill profecy. O segundo, Avery Goldstein: "enquanto as relações são mais cooperativas do que conflituais, o estimular a interdependência poderá ser atractivo. Mas o risco neste tipo de acordos é que qualquer problema tende a espalhar-se pelo sistema de modo imprevisível".
Nye termina o artigo a defender que não é inevitável uma guerra entre a China e os Estados Unidos, uma vez que se é verdade que há casos na História de poderes emergentes que entram em conflito com a principal potência (Alemanha e Inglaterra na Primeira Guerra Mundial), também temos exemplo da transiçao hegemónica dos ingleses para os americanos. Tendo em conta que a China fala insistentemente de uma emergência pacífica - já enunciada na década de 80 por Deng Xiapoping- e que Pequim está, desde 1996, a procurar dissipar o espectro da "ameaça China" nas relações internacionais, em que ficamos? O que está por detrás das intenções do discurso apaziguador da China? E o facto da China estar a financiar o défice norte americano, a par da crecente interdependência comercial entre os dois países não serão motivos mais que sificientes para que na avaliação custo-benefício uma guerra se afigure como uma hipótese pouco racional? Mas, e Taiwan? E a Coreia do Norte? E a disputa com o Japão pelas Ilhas Diaoyu? E o imbróglio em torno do arquipélago Sapartly? E a possível remilitarização nipónica?

Emergêcia Pacífica II

Joseph S. Nye coloca em cima da mesa uma série de questões fulcrais para uma análise da emergência ou como prefere designar "re-emergência" da China não só como poder económico capaz de rivalizar com os Estados Unidos dentro de algumas décadas, mas também, como actor principal no sistema internacional, como poder militar. Neste caso como em muitos outros frente a frente estão as duas escolas de pensamento rivais, as duas mais importantes, no campo das teorias das relações Internacionais: o realismo e o liberalismo (sendo que dentro de cada uma delas há várias subdivisões rivais). Será quase inevitável um conflito com os Estados Unidos, ou vai vingar a tese da interdependência económica?
Reconheça-se que as teorias das Relações Internacionais não servem para profetizar coisa alguma, nem nos permitem fazer previsões com um elevado grau de confiança. Quanto muito, e já é muito, servem para darmos sentido ao que lemos, ouvimos e assistimos no universo das relações internacionais e inter-estatais. Nem o realismo, nem o liberalismo foram bem sucedidos na explicação do que se passou quando do desmoronamento do Bloco de Leste nem desta década e meia subsequente ao fim da Guerra Fria. Ao contrário do que um realismo mais rasteiro preveria, não foi disparado um tiro entre as duas superpotências- o império Soviético implodiu. E contrariamente ao que profetizariam alguns liberais, a abertura dos mercados e a regulação das instituições internacionais não parece estar (ainda) a amenizar os conflitos: está ainda por comprovar o sucesso das abordagens a la Shumpeter do pacifismo comercial ou das teses da paz democrática de de Michael Doyle ou Bruce Russet.
Serve este enquadramento para centrar a discussão na questão lançada por Nye: será o crescimento económico da China é "um Cavalo de Tróia" para a emergência de uma potência com ambições hegemónicas, cujo desenlace poderá ser um conflito com o poder hegemónico militar, os Estados Unidos ou com a integração de Pequim no sistema económico, financeiro e comercial internacional, a China vai adoptar uma postura de valorização do soft power em vez do hard power? Esta é uma das questões mais importantes que deveremos ver respondida ao longo deste século XXI.
(continua)

Emergência pacífica

Joseph S. Nye, autor da "Interdependência Complexa" e do "soft power" escreve sobre "O crescimento pacífico da China?". Um texto para ler e reflectir. Dentro de umas horas vamos olhar de novo para os implíctos e explícitos deste artigo...

Lisboa-Paris-Berlim-Pequim

Bruxelas, 23 Mar (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Diogo Freitas do Amaral, afirmou hoje que Portugal apoia o levantamento do embargo à venda de armas à China "no momento oportuno", embora defenda "prudência" na altura para tomar a decisão.
"Portugal já no governo anterior apoiou a proposta da França de, no momento oportuno, se levantar o embargo à venda de armas à China porque a situação em que se encontra hoje o país registou progressos no respeito dos direitos humanos e abertura do mercado", justificou o chefe da diplomacia portuguesa.

Sin embargo?

Mais um artigo interessante - este sobre o papel do Reino Unido- acerca do levantamento do embargo á venda de armas à China por parte da União Europeia. Este assunto está a tornar-se num dos maiores espinhos das relações transatlânticas e, simultaneamente, revela as divisões dentro da União Europeia sobre o ponto de equilíbrio entre a manutenção da aliança estrutural com os Estados Unidos e o aprofundamento da coopreação estratégica com a China. Europeístas, Atlanticistas, Sinófilos? Quid est et Quo vadis PESC?

Libertado mas ainda agrilhoado

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Chegaram ao fim os oito meses de prisão dimiciliária de Jiang Yanyong, o médico que ficou conhecido por denunciar o encobrimento feito pelas autoridades chinesas sobre a real dimensão da síndroma respiratória aguda, em Pequim, na primavera de 2003. Jiang esteve sujeito a sessões de reeducação num Hospital Militar após ter escrito uma carta ao governo central a pedir uma revisão oficial da atitude do exército na repressão às manifestações pró-democracia na praça de Tiananmen, em Junho de 1989. A decisão foi tomada pela Comissão Militar Central que mesmoa assim restringiu os movimentos e os contactos do médico que está já na pré-reforma. Jiang não pode falar com jornalistas chineses ou estrangeiros sem autorização do governo nem viajar para fora do país.
A esposa do médico garantiu que ele está bem de saúde e revelou que Jiang não pode proferir aformações contrárias à linha do Partido Comunista Chinês. Já em casa, terá ainda que assistir às chamadas sessões de estudo organizadas pelo partido com o objectivo de “educar” os potenciais dissidentes.
A Atitude de Jiang Yanyong em denuncia a verdadeira dimensão da pneumonia atípica mereceu elogios a nível internacional, sendo mesmo galardoado com o Prémio Ramon Magsaysay pelo serviço público, uma espécie de prémio Nobel da Ásia. Além da denúncia, a carta de Jiang foi inovadora uma vez que o médico assumiu na totalidade as críticas, assinando o nome completo, com morada e número de telefone, o que é muito raro na China. Quase sempre neste tipo de casos, as críticas ou denúncias são feitas de forma anónima

Wednesday, March 23, 2005

A batata quente

Está complicado o processo de levantamento do embargo da União Europeia à venda de armas à China. Quando os 25 pareciam estar a chegar a um entendimento para terminar com a proibição decretada em 1989, após o masacre de Tiananmen, nas últimas semanas dois acontecimentos fizeram brotar as divisões internas no seio da União Europeia sobre o assunto. Em Primeiro, na recente visita à Europa, o presidente Bush lembrou que Washington reprova veementemente o reinício da venda de armas a Pequim, tendo feito pressão, em especia, sobre os estados membros mais Filo-Americanos da União. Depois, a China aprovou a Lei Anti-secessão, que funciona como um motivo para que países como a Grã Bretanha, alguns dos estados de Leste e da Esandinávia (estes não por serem tão pró-americanos, mas pelas preocupações com os direitos humanos no "Império do Meio") possam adiar para as calendas uma intenção já anunciada quer pelo presidente da Comissão quer pelo senhor "PESC". Afinal em que ficamos?
Os estados mais entusiastas do fim do embargo- França e Alemanha- têm agora mais dificuldades em resolver o assunto antes de Junho, mês em que termina a presidência luxemburguesa. Depois, na segunda metade do ano, (altura em que Tony Blair assume a presidência da União Europeia) vai ser mais complicado, uma vez que o Reino Unido já fez marcha atrás, com Jack Straw, o chefe da diplomacia de Londres a defender que provavelmente é melhor deixar o assunto para outra ocasião.

Este artigo no International Herald Tribune explica o processo e os lobbies que estão a ser feitos por Washington e por Pequim junto dos estados da União.

Agradecimento

Ao bloguítica pela referência.

Imperdoável

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Ainda não ter referido aqui o livro de António Caeiro, "Pela China Dentro". Na primeira pessoa, com pena de escritor-jornalista, o antigo correspondente da Agência Lusa em Pequim partilha uma experiência única. Este site tem uma "review", a ler.

Tuesday, March 22, 2005

Aprendendo com Deng I

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"China's foreign policy can be summed up in two sentences. First, to safeguard world peace we oppose hegemony. Second, China will always belong to the Third World. It belongs to the Third World today, and it will do so even when it becomes prosperous and powerful, because it shares a common destiny with all Third World countries. China will never seek hegemony or bully others, but will always side with the Third World." (...) "we sincerely hope that no war will break out and that peace will be long-lasting, so that we can concentrate on the drive to modernize our country."

In Selected Works of Deng Xoaping, Vol III: "We Must safeguard world peace and ensure domestic developement",29-05-1984

The real bank robbers!

O International Herald Tribune publica uma reportagem sobre uma das endemias do sistema financeiro e bancário chinês: o desvio de dinheiro. São os verdadeiros bank robbers.

A propósito, anda aí algum fã dos The Clash?
"MY DADDY WAS A BANKROBBER
BUT HE NEVER HURT NOBODY
HE JUST LOVED TO LIVE THAT WAY
AND HE LOVED TO STEAL YOUR MONEY"

Condoleeza Rice Em Pequim

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Standard, 22-03-2005

China-Austrália: Comércio Livre

Pequim e Camberra ultimam os detalhes para a criação de uma zona de livre comércio (apesar de alguns problemas criados pelos receios da China quanto ao impacto na agricultura).
Depois do início das negociações para a criação da "China-ASEAN Free Trade Area", o governo chinês estende a rede do "win win" game. O objectivo é criar uma teia de interdependência económica e comercial com os poderes da região ásia-Pacífico de modo a balançar o poder dos Estados Unidos sobre alguns países da região. Há uma dupla intenção: por um lado, a China lança acordos bilaterais que beneficiam as ecomomias das duas partes, por outro, e como consequência, criam uma interdependência que limita qualquer tentativa de "cerco" baseado na percepção da "ameaça-China". Ou seja, para entender a rede de cooperações estratégicas lavadas a cabo pela China depois de 1996 é necessário articular as pespectivas realistas com uma dimensão liberal das relações internacionais, sendo que, em meu entender, os objectivos da segunda estão subjugados às intenções da primeira. Isso mesmo analisa Avery Goldstein em "Structural realism in China's Foreign Policy", texto incluído no livro "Perspectives on Structural Realism" editado por Andrew Hanami. Para uma análise da "Grande Estratégia da China" depois do fim da Guerra Fria, basta ler este artigo, do mesmo autor.

Monday, March 21, 2005

China e Estados Unidos: um duelo ao nascer do sol?

Apoio e compreensão foi o que pediu o presidente da China a condoleeza Rice a propósito da Lei anti secessão. O assunto tem gerado polémica entre Washington e Pequim, com a diplomacia norte americana a considerar a aprovação do dipoma um sinal errado que apenas contribiu para o aumento da tensão entre os dois aldos do estreito.
Ora, perante esras críticas, Hu Jintao avisou os Estados Unidos para não enviarem sinais errados às forças independentistas de Taiwan.
A questão da Ilha Formosa é, de resto, o principal espinho nas relações entre chineses e norte maericanos. Isso emsmo foi reconhecido ontem pelo chefe de estado de Pequim . Hu Jintao afirmou que lidar adequadamente com o problema de Taiwan é a chave para um relacionamento forte e estével com Washington. Recorde-se que apesar de reconhecerem o princípio de uma só China, os Estadso Unidos têm um vínculo legal para defedender a ilha formosa.
A crise nucelar na penísnula coreana é outro dos temas em foco nos encontros de Rice com os dirigentes chineses. Durante o périplo asiático, a secretária de estado norte americana tem insistido que a China deve ter um papel de maior relevãncia no processo negocial a seis sobre o programa nuclear da Corea do Norte. A visita de Condoleeza Rice em Pequim visa revitalizar as conversações qyue envolvem, a Chinam, os Estados Unidos, A Rússia, Japão, Coreia do Norte e Coreia do Sul. Em cima da mesa vai estra também o défice comercial norte americano. O valor record da balança comercial dos Estados Unidos é atribuído pelos dirigentes norte americanos ao valor do yuan. Espera-se por isso um novo pedido de Condoleeza Rice para que a China valorize o renmimbi face ao dólar.

Acerca da emergência da China e da "Grande Estratégia Chinesa

"China as n.1", Clyde Prestowitz in American Prospect

"The Diplomatic Face of China’s Grand Strategy", Avery Goldstein in China Quarterly 2001.

Thursday, March 17, 2005

O Imbróglio

A China pode intervir legalmente no processo de sucessão de Tung Chee hwa. Em Hong Kong, as opiniões estão divididas entre o governo e os partidos Pró-Pequim que apoiam a posição do Governo central- o novo chefe do governo deve ser eleito por apenas dois anos, o tempo que faltava a Tung para terminar o mandato - e vários juristas e parte da opição que pede que o próximo líder do executivo seja eleito para um mandato integral de cinco anos.
O cenário agora provável é um interpretação da Lei Básica pela Assembleia Ncaional Popular, uma situação que desagrada a muitos sectores em Hong Kong que estão reluctantes em ver mais uma vez Pequim interferir nos assuntos locais (depois do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular ter no ano passado decidido que está fora de questão a eleição directa e universal do chefe do executivo em 2007 e do Conseljo Legislativoem 2008). Por isso os dois lados da barricada já se prepara para uma batalha legal..

Olhares sobre a China

"India, China locked in energy game", Chietigj Bajpaee no Asia Times.

Wednesday, March 16, 2005

Macau e a crise política em Hong Kong

Escreve Paulo Gorjão no sempre interessante Bloguítica
"Tung Chee-hwa's «departure (…) is unlikely to be greeted with enthusiasm. On the contrary, many in Hong Kong will see it as an ominous sign of China´s tightened grip on the political system, flying in the face of previous assurances that Hong Kong people would rule Hong Kong», Stephen Vines, in Time (March 14, 2005).Se tal é verdade no caso de Hong Kong, então será muito mais no caso de Macau.O que poupará Macau a um processo semelhante será, eventualmente, a sua irrelevância?"

Esta é uma pergunta relevante. Em meu entender, com a experiência e o conhecimento limitado de quem vive em Macau há dois anos, o caso de Macau foi, é e será sempre um caso bem diferente do de Hong Kong. Por razões históricas, socio-económicas, políticas e de dimensão.
Além da irrelevância de que fala, em Macau o consuldado de Edmund Ho tem sido recebido de um modo geral com simpatia, apoio e até alguma idolatria pela maioria da população. Não só pelas qualidades políticas que tem, mas acima de tudo em virtude da bonança da indústria do Jogo que represneta cercade 80 por cento das receitas do governo e que está a crescer exponencialmente, em especial com a entrada das operadoras de Las Vegas. Em segundo lugar, não se pode dizer que exista uma sociedade civil activa nas questões políticas em Macau, tal como acontece em Hong Kong, apesar das centenas de associações. A oposição limita-se a dois deputados na Assembleia Legislativa de uma Associação do Novo Macau Democrático que peca pela inconsistência e alguma esquizofrenia política (De qualquer modo, são dos poucos a levantar a voz contra a injustiça e falta de democratização). Depois há que tem em conta que quase metade da população de Macau nasceu na China continental, por isso não tem uma atitude de pertença ao território ou de identidade diferenciada face à mainland como acontece em Hong Kong.
Ou seja, em Macau não acontece porque não é necessário e se acontecesse não teria a repercussão que tem em Hong Kong. Ou seja, a irrelevância neste caso é uma doubble edge sword...

Um tiro no pé?

É o que afirma Frank Ching sobre a Lei Anti-Secessão na edição de hoje do South China Morning Post. Basicamente, Ching interroga-se sobre a oportunidade da aprovação da Lei Anti secessão pela Assembleia Nacional Popular. Numa altura em que os ânimos pró-independência estavam refrados em Taiwan, depois das eleições Legislativas de Dezembro que deram a vitória às forças que defedem a manutenção do status quo, num clara rejeição de um avanço para a independência, e semanas depois de Chen Shui Bian, o presidente conhecido pela tendência independentista, ter afastado a hipótese de uma declaração dde independência, a aprovação deste diploma é, para este esritor e colunista de Hong Kong, um tiro no pé:
Ironically, Taiwan's current laws also do not allow secession. the National Security Law, promulgated in 1987, says that public demonstrations "must not violate the constitution, advocate communism or the division of the national territory". Beijing is fearful that, left unchecked, all these references to Taiwan and the mainland will be excised. The danger is that the passage of the new law will prvoke Taiwan into changing the status quo in precisely the waythat the legislation is intended to prevent.

Frank Ching, "A shot in the foot", South China Morning Post, 16-03-2005.

China e países lusófonos

Uma amizade já com Frutos: http://www.forumchinaplp.org.mo/forum_main.htm. Em breve vamos olhar de relance para as relações entre a China e os países lusófonos, com ênfase no Fórum Comercial e Económico China-Países de Língua Portuguesa.

A BBC na China

A "Aintie Beeb" está a dedicar a esta semana à Nova China. Vale a pena sintonizar a BBC World ou visitar http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/asia-pacific/4351177.stm.

Portugal-China Amizade Eterna

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A lei é claramente um acto de pressão sobre Taipé", afirmou o embaixador português ao salientar também que a aprovação do texto legal é um "salto qualitativo no relacionamento entre a China e Taiwan".
Santana Carlos (Santana Carlos, embaixador de Portugal em Pequim) referiu que a China explicou ao corpo diplomático acreditado no seu país que o uso de meios "não pacíficos" como vem expresso na lei anti-secessão contra Taiwan seria sempre o "último recurso" e que não há razões para deixar de acreditar que o processo de reunificação não será conduzido dessa forma.(Lusa)

Monday, March 14, 2005

A Sucessão e Anti-Secessão

Terminou a sessão plenária da Assembleia Nacional Popular. Durante 10 dias, os quase 300o delegados votaram, comme d'habitude, esmagadoramente a favor das propostas do governo. Nestes últimos dias destacamos dois votos: o da sucessão e o da anti-secessão.

O primeiro, foi apenas um ritual: a passagem de testemunho da liderança da Comissão Militar Central, ou seja comando supremo do Exército de Libertação Popular, de Jiang Zemin, ex presidente da China, para o chefe de estado Hu Jintao. Consuma-se assim, pela primeira vez, de modo suave a sucessão da terceira para a quarta geração. Hu detém o poder dos 3 pilares da República Popular da China: o Partido Comunista, o Estado e o Exército. Tudo isto tinha já sido planeado pelo "Pequeno Timoneiro" Deng Xiao Peng, quando o promoveu a benjamim do regime. Dito isto, sobressai uma questão: Em que é diferente esta geração da anterior? Além dos óculos serem mais modernos e do ar ser mais jovem (apesar dos 61 anos de Hu), há, de facto um outro estilo e denota-se uma preocupação em limar a relação com os media, sem descurar nalguns aspectos da reforma do sistema de tomada de decisões, vulgo governance. Na liderança do estado já não estão apenas os anquilosados octogenários inábeis na arte de lidar com os media. Quanto às reformas, além da marcha gloriosa rumo ao capitalismo (socialismo de mercado com características chinesas, na terminologia oficial), há tímidos, muito tímidos sinais de alguma abertura, ao nível de pequenos municípios onde no ano passado foi testado um modelo revolucionário: eleições directas para a escolha das autoridades. Mas, trata-se apenas de meia dúzia de experiências. Não me parece, pois, que estejamos perante um pequeno passo rumo à democratização do regime, dado que é impensável que o poder escape, mesmo a nível local da esfera do Partido. De qualquer modo, vale a pena estar atento. Do ponto de vista interno, Hu tem três grande desafios: combater a corrupção endémica, lançar a ponte para uma sociedade cada vez mais desinteressada e afastada dos assuntos de estado e minorar os efeitos de um crescimento económico que deixa muitos milhões de fora. Os três desafios devem ser vistos de modo interrelacionado e de muito difícil resolução.

O segundo voto aprovou a controversa Lei Anti-Secessão, um diploma criado à medida para legalizar uma eventual invasão militar de Taiwan. Se do ponto de vista Westephaliano a lei é inatacável, uma vez que pretende apenas garantir a integridade territorial da China, considerando as autoridades que Taiwan é parte integrante e inalienável da República Popular, já politicamente poderá aumentar a tensão inter-estreito. É curioso ver que no braço de ferro legal a China leva a melhor já que, ao passo que o regime de Taipa voltou atrás na proposta de fazer um referendo á constituição de modo a legalizar a declaração de independência, Pequim avança com a Lei Anti secessão, que legaliza a utilização de meios não-pacíficos em último caso. Isso e explicável por várias razões, desde acapacidade coerciva do aparelho militar chinês ao facto de em Taiwan, a população estar verdadeiramente dividida entre os que pretendem avançar para a independência e os que preferem uma aproximação gradual, através de uma integração económica com a China que beneficie Taiwan. a Segunda opção está já de facto a acontecer. Resta saber, como vai evoluir a opinião pública da Ilha Nacionalista, uma vez que, apesar de ter bastantes defeitos, o regime de Taipé é democrático.

Saturday, March 12, 2005

Adeuzinho! Tratem lá disso que eu...

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Vou ficar mais tempo por Pequim, de cara lavadinha..

Aqui, no Site da Rádio Macau pode ouvir através do "Windows Media Player", à direita, na coluna "rádio", uma debtate sobre a demissãod e Tung Che-hwa e as implicações crise política. Moderado por Gilberto Lopes com João Ribeiro e Arnaldo Gonçalves.

O sucessor

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Donald Tsang : o regresso de um "Sir" à chefia do Governo da Pérola Financeira do Oriente
O governo de Pequim aceitou a demissão de Tung Chee-hwa.

Friday, March 11, 2005

A demissão de Tung Chee hwa

Para concluir a análise sobre a saída de Tung Chee hwa do governo de Hong Kong, recupero aqui os links dos posts sobre o asssunto:
A saída de Tung Chee-hwa I Da Indústria Naval à chefia do Governo
A saída de Tung Chee-hwa II De crise em Crise
A saída de Tung Chee-hwa III O puxão de orelhas
A saída de Tung Chee-hwa IV A machadada final
A Saída de Tung Chee hwa V E agora? Um breve olhar

Aqui ficam ligações a algumas análises interessantes.
Na imprensa de Macau:
"Erro de Casting" Ricardo Pinto no Ponto Final
"A voz de Pequim" Paulo Rego, idem
"Política no primeiro e no segundo sistema" Carlos Morais José no Hoje Macau

Em Hong Kong:
"A survivor's toughest test" Stephen Vines no Standard
"Fun job for new chief" Graham Lees, idem

A Saída de Tung Chee hwa V

Consumada oficialmente a saída de Tung Chee-hwa é hora de tecer algumas considerações, em resposta às perguntas que lancei aqui.

1-A saída de Tung Chee-hwa deve ser entendida como a vitória do poder do povo sobre a imposição de Pequim?

Em parte, mas não tanto. É certo que a decadência de Tung Chee hwa começou a ser mais evidente desde o dia 1 de Julho de 2003, altura em que 500 mil pessoas saíram à rua em protesto contra o artigo 23 (também conhecido como lei anti-subversão), exigindo também reformas democráticas. No entanto, neste processo há descortinar que se bem que o alvo dos manifestantes e do descontentamento foi Tung, a verdade é que quem estancou a possibilidade de haver eleições directas para o Chefe do Executivo em 2007 e para o Conselho Legislativo em 2008, foi o Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, através de uma interpretação oficial da Lei básica. Daí que Tung tenha sido em boa medida um intermediário, fiel servidor das intenções pouco democráticas de Pequim. Donde que na verdade o alvo dos protestos, pelo menos em termos políticos seria em última análise o Governo central. Sendo assim, a vitória do "people power" é mitigado, já que o interesse vital das autoridades permanece intocável: adiar o mais possível a eleição por sufrágio Universal em Hong Kong, por razões óbvias. Com a democracia a funcionar em Hong Kong, por um lado Pequim arriscar-se-ia a ter um governo local contrário à linha de Pequim, por outro poderia ser um estímulo para as pessoas do continente chinês, que teriam a legitimidade de se interrogar: "Se eles têm direito, por que é que nós, cidadãos do mesmo país, não podemos também eleger os nossos líderes?" Para Pequim a saída de Tung Chee-hwa alivia a dor provocada pela "pedra no sapato", mas não anula o cenário de instabilidade social política em Hong Kong. A eleição directamente do governo e o parlamento tem o apoio, segundo as sondagens de mais de metade das pessoas. Nem com os "rebuçados", isto é, vistos individuais de cidadãos da China Continental para consumir em Hong Kong e estimular os sectores ligados ao turismo e comércio, irá silenciar as exigências por mais liberdades e direitos. Quanto muito, vamos ter uma trégua. Para Pequim, o resultado final pode ser positivo nesta altura, uma vez que sai o principal alvo da contestação do campo pró-democracia, que terá que alinhar uma nova estratégia.

2-Que implicações tem o processo da saída de Tung Chee-hwa na praxis da fórmula "Um país dois sistemas"?

Qualquer que seja o cenário, a decisão passa sempre por Pequim, o que reforça sempre a parte de "um país" em detrimento de "dois sistemas". Ao que tudo indica o próximo chefe do governo vai ser Donald Tsang, secretário chefe do governo e fiel funcionário, galardoado com o título de "Sir", na era colonial britânica. Trata-se de uma figura popular com muita experiência, o que sem dúvida joga a favor dele. Mas ninguém lhe conhece ideias claras, rasgos, sobre uma identidade social, económica e política do território, além da defesa acérrima de uma estado mínimo, no que diz respeito à intervenção na economia. Por outro lado, é alguém que em toda a sua vida cumpriu ordens. O que quer dizer que poderá ser um mero adido da estratégia de Pequim.

3- Qual é diferença entre um sucessor com mandato até 2007 ou um de 5 anos?

É diferente. Se o mandato for apenas de dois anos, servirá de uma espécie de teste para Donald Tsang, para que este prove se é ou não competente e obediente para tentar, em 2007, a candidatura a um mandato de cinco anos. Mais: a margem de manobra será muito limitada, uma vez que Tsang irá ter que trabalhar com os mesmos secretários que Tung escolheu.
No entanto esta primeira possibilidade implica uma leitura algo, treslida, da Lei Básica que não é explicita neste tipo de casos. Aliás, após uma primeira leitura, parece que o mais adequado seria um mandato completo de cinco anos. Certo é que, caso Pequim insista, como diz a imprensa, num mandato de dois anos, apenas para completar o mandato original de Tung Chee hwa, as autoridades chinesas arriscam uma batalha legal com vários juristas de Hong Kong.

4-Que implicações tem o processo de sucessão na luta pelas reformas democráticas?


O calendário para as reformas constitucionais poderá ser adiado, mais uma vez, para desespero do Partido Democrata e companhia. Sendo Tsang muito mais popular que Tung, os democratas ficam sem o seu alvo favorito e com menor margem de manobra de contestação, até porque deverá gozar, mesmo durante pouco tempo, de um "estado de graça". Agora o campo pró-democracia terá que levantar outras bandeiras que não apenas o sufrágio universal. O que vai ser um teste à consistência política e social dos movimentos de Martin Lee e Emily Lau.

Thursday, March 10, 2005

Foi mesmo!

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Tung Chee-hwa apresentou a demissão, depois de uma semana e meia de especulações. Era inevitável. Tung alegou razões de saúde, mas no ar fica a dúvida: quem é que se demitiu e quem é que foi demitido? Num dos próximos posts vamos analisar a saída de Tung Chee-hwa depois de já termos feito uma resenha histórica das razões da demissão.

Parece que é hoje...

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Quem é que se vai rir por último?

Tung Chee hwa deverá anunciar hoje a demisssão do cargo de chefe do executivo de Hong Kong. Segundo a imprensa de Hong Kong, antes de Partir para Pequim onde vai ser nomeado vice-presidente da Coneferência Consultiva Política do Povo Chinês, Tung vai confirma a notícia avanaçada há mais de uma semana pelos jornais.

Tuesday, March 08, 2005

Meios não-pacíficos

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A China deixou hoje claro que está disposta a usar "meios não pacíficos" contra Taiwan, caso prossigam as actividades independentistas na ilha, durante a apresentação da lei anti-secessão, no plenário do parlamento chinês.
"Se as forças independentistas de Taiwan insistirem em seguir o seu caminho e deixaram-nos sem alternativa, empregaremos meios não pacíficos e outras medidas necessárias", declarou hoje Wang Zhaoguo, vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP). (Lusa)

Guerra é Paz, ou será ao contrário?

Monday, March 07, 2005

Entretanto junto à Praça da Paz Celestial...

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A China garante estar comprometida com a promoção da paz mundial

O principal tema da sessão plenária da Assembleia Nacional Popular que está a decorrer em Pequim é a polémica Lei Anti-secessão. Para o Governo Central é uma forma de garantir a integridade territorial, para Taiwan é uma forma de legalizar uma invasão militar da Ilha Formosa. No fundo é um pouco das duas coisas.
Ta como o Congresso dos Estados Unidos em 1979 aprovou o "Taiwan Relatiosn Act" que diz preto no branco que um dos objectivos do diploma é "to maintain the capacity of the United States to resist any resort to force or other forms of coercion that would jeopardize the security, or the social or economic system, of the people on Taiwan", a China avança com esta lei, cujo conteúdo em concreto ainda não é conhecido.
Entretanto em Kaohsiung milhares de pessoas protestaram contra a Lei. Nos últimos meses têm surgido sinais contraditórios sobre o estado das relações inter-estrito. Por um lado, pela primeira vez desde 1949 aviões comerciais voaram directamente de Taiwan para Pequim, na altura do ano novo lunar, por outro Pequim avança com a Lei Anti-Secessão e mantém a questão da reunificação sempre no topo da agenda.
Subjacente a este problema está uma questão de fundo: será que vai vencer a visão realista segundo a qual uma guerra é quase inevitável ou vencerá a perspectiva liberal da interdependência económica?
A ver vamos... Certo é que as águas do Mar do Sul da China continuam bem agitadas..

Sunday, March 06, 2005

A saída de Tung Chee-hwa IV

Com a credibilidade de Tung Chee-hwa a definhar a olhos vistos, Pequim resolveu, deacordo com aimprensa de Hong Kong, fazer uma cimeira secreta em Shenzhen, cidade vizinha de Hong Kong, entre o anterior Presidente, Jiang Zemin, o actual chefe de estado, Hu Jintao, e o orórpio Tung Chee-hwa. Nesse encontro Tung terá dito qu está comproblemas de saúde e que , por isso queria abandonar o governo local. A maneira de salvar a face de Tung foi nomeá-lo para a vice-presidencia da Conferência Consultiva do Povo Chinês, um órgão consultivo para o qual vão, por norma, dirigentes na pré-reforma.
Feita esta retrospectiva, várias questões sobressaem:
1-A saída de Tung Chee-hwa deve ser entendida como a vitória do poder do povo sobre a imposição de Pequim?
2-Que implicações tem o processo da saída de Tung Chee-hwa na praxis da fórmula "Um país dois sisteas"?
3-Quanto à sucessão, por que é que é importante saber quem vai ocupar a cadeira de Chefe do Governo?
4- Qual é diferença entre um sucessor com mandato até 2007 ou um de 5 anos?
5-Que implicações tem o processo de sucessão na luta pelas reformas democráticas?

Em breve, tentarei esboçar respostas a estas questões..
(Continua)

Às Armas

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A Assembleia Nacional Popular aprovou o aumento das despesas militares da China em 12.6%.

Saturday, March 05, 2005

A saída de Tung Chee-hwa III

Nem o facto do campo pró-democracia ter falhado no objectivo de ter uma grande vitórias nas Eleições para o Conselho Legislativo, nem a recuperação da economia, com um bom crescimento económico, recuperação do sector imobiliário e fim do ciclo de deflacção, foram factores que aliviaram a pressão sobre Tung. As sondagens mostravam que o Chefe do Executivo tinha níveis de popularidade abaixo dos 50 por cento, e outros membros do governo como Henry Tang, secretário das Finanças, e Donald Tasang, secretário-chefe, emergiam como as figuras que salvavam o governo (não é por acaso que têm sido falados para suceder a Tung). A causa mais próxima para a saída de Tung foi o humilhante puxão de orelhas que o Presidente Hu Jintao lhe deu, em Dezembro, aquando da cerimónia de comemoração, do quinto aniversário da vizinha Região Administrativa Especial de Macau (cujo Chefe de Governo Edmund Ho goza de grande apoio da população e de Pequim). Na altura Hu avisou em público Tung para melhorar a governação e ouvir mais as pessoas. Não foi por acaso que o fez, nem o fez de forma pública. A partir de então Tung arrastou-se. Fez uma acto de contrição perante o Conselho Legislativo, reconhecendo os erros, prometendo melhorar a governação, sem ser muito convincente.
(Continua)

Friday, March 04, 2005

A saída de Tung Chee-hwa I

É um fim anunciado, que não deixa, por isso, de surpreender. Para perceber a saída de Tung Chee-Hwah do cargo de chefe do executivo de Hong Kong, é necessário entender o que se passou na antiga colónia britânica na última década. Existem por isso factores remotos e próximos que explicam a mais que provável demissão de Tung Chee-Haw. Começamos pelos primeiros. O último governador de Hong Kong sob a "Union Jack", Chris Patten, também ex Comissário Europeu das Relações Externas, deixou o terreno minado para o homem encarregue de ser o primeiro chefe do executivo da era da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) da República Popular da China. Envolto em constantes polémicas com o governo de Pequim, na altura em que eram acertados os detalhes para a transição de soberania, Patten permitiu o alargamento da representatividade social e política no Conselho Legislativo (Parlamento) e criou condições para o crescimento de forças políticas favoráveis ao sufrágio directo universal, como o "The Frontier" de Emily Lau ou o famigerado Partido Democrata do veterano Martin Lee - dores de cabeça constantes para Pequim.
O nome escolhido pelo governo central para ter a honra de servir sob a bandeira da China a partir de 1 de Julhod e 1997, foi Tung Chee-hwa, um respeitado e bem sucedido empresário da indústria naval que tinha trabalhado em tempos nos Estados Unidos para a General Electric. Conservador, obediente e com fama de workaholic, Tung parecia ser o homem certo para a missão. A verdade é que, sete anos depois, após 5oo mil pessoas na rua a protestar contra o Governo (em 2003) e inúmeros sinais de incompetência, até Pequim reconhece que, afinal, ele sofre de uma patológica inabilidade política para chefiar o governo da Pérola Finaceira do Extremo Oriente.

A saída de Tung Chee-hwah II

Mas se os homens fazem a história, a verdade é que as circunstâncias também ajudam a determinar o fatum dos dirigentes. Um dia depois de ter tomado posse como Chefe do Executivo, Tung viu-se a braços com a crise financeira asiática que ditou o desastre em dois sectores estruturantes d economia local: os mercados financeiros e, em consequência, o mercado da propriedade. Pouco tempo mais tarde, ainda ão estava refeito deste abalo, levou com a crise da gripe das aves em cima. Donde que os primeiros anos de mandato foram passados a tentar limitar os danos de uma região administrativa especial desconfiada face ao futuro incerto sob a tutela chinesa.
No entanto, foi em 2003 que a situação começou a precipitar-se (entramos já naquilo que classificamos de causas próxima para o fim do consulado de Tung). Nos primeiros meses do ano, o governo de Hong Kong enfrentou duas crises: uma política devido à acção do Secretário para as finanças Anthony Leong, que tinha comprado um Lexus dias antes de aumentar o imposto sobre automóveis de luxo, outra de dimensões avassaladoras, a pneumonia atípica. A Síndroma Respiratória Aguda, oriunda da província de Guangdong, no Sul da China, atacou fortemente a RAEHK, provocando milhares de casos e centenas de casos mortais, pondo a nú as deficiências do sistema de saúde deHong Kong que procurou ocultar a verdadeira dimensão da tragédia. A partir daqui o divórcio entre Tung Chee-hwa e a população tornava-se irreversível. No dia 1 Julho de 2003, 500 mil pessoas saíram às ruas para protestar contra a eminente implantação do Artigo 23 da lei Básica (mini-constituição), um articulado conhecido também como lei anti-subversão que, segundo os opositores, colocaria em perigo a liberdade de expressão no território. No dia em que era comemorado o sexto aniversário da transferência de administração, Hng Kong assistia á maior manifestaçao desde os protestos contra o massacre de Tiananmen, em 1989. O artigo 23 era o motivo para outras exigências como a a responsabilização das autoridades na negligência com que trataram o surto de peneumonia atípico e o pedido de democracia, de eleição por sufrágio directo e universal do Chefe do Governo e dos deputados do Conselho Legislativo. A remodelação que operou no executivo apenas deu uma trégua a Tung que via a sua popularidade a cair pelas rua da amargura, sem conseguir agradar a ninguém, nem à população local nem ao governo central que começava já na altura a perceber a pedra no sapato que tinha ali, no Delta do Rio das Pérolas. (Continua)

No Grande Palácio do Povo


Começou ontem a Conferência Consultiva Polítca do Povo Chinês. Amnhã tem iníco a sessão plenária da Assembleia Nacional Popular. Acompanharemos...

Thursday, March 03, 2005

Diz o Roto ao Esfarrapado




China lança contra-relatório sobre a situação dos direitos humanos nos Estados Unidos, dias depois do Departamento de Estado ter dado a conhecer o seu julgamento sobre os atropelos no Império do meio.

Wednesday, March 02, 2005

O Fim de Tung

A demissão de Tung Chee-wah do cargo de chefe do governo de Hong Kong foi anunciada por jornais de Hong Kong, quer em língua inglesa quer os matutinos ingleses, no entanto não foi anda confirmada nem pelo executivo local, nem pelo governo central de Pequim. Certo é que a imprensa garante que Tung Chee-wah vai sair de cena no próximo dia 12 de Março, altura em deverá ser noemado para uma das vice-presidências. Alguns analistas interpretam este movimento como uma maneira de salvara a face a um líder há muito contestado e enfraquecido pelos protestos, pela opinião pública e publicada e em especial pelo desempenho desanimador da economia nos últimos anos (apesar da recuperação registada em 2004). O assunto já tinha sido aqui abordado.
Ainda que não seja oficial a saída de Tung Chee-wah, ela é muito provável, por isso é útil proceder à hermenêutica desta situação inédita. Sugiro algumas leituras e mais tarde voltarei ao asusnto que marca a actualidade deste lado do mundo.

Keith Bradsher e Thomas Crampton no International Herald Tribune

Janus Lam no Asia Times

Tung Chee Wah: o Fim de uma era



O Jornal The Standart diz que este senhor apresentou a demissão do cargo de chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong.

Monday, February 28, 2005

Tung: a promoção ou o beijo de Judas?



Tung Chee Wah pode ser nomeado para um lugar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), órgão de aconselhamento do governo central. De acordo com o jornal the Standart, o Chefe do Executivo de Hong Kong deverá ficar com uma das vice presidências da Conferência. Este movimento é visto por alguns como um sinal do reconhecimento do papel de Tung Chee Wah à frente do governo de Honbg Kong, mas outros analistas pensam que poderá ser um sinal que o líder do executivo vizinbho poderá sair antes do fim do mandato.
Fontes próximas do governo central entendem que a provável nomeação para uma das vice-presidências do CCPPC, é um sinal do reforço do papel de Tung Chee wah para os dois anos que faltam para completar o mandato à frente do executivo de Hong Kong. A eleição de Tung para a vice presidência da CCPPC deverá ser consumada no final desta semana, durante a sessão plenária que começa na quarta-feira. Chan Wing-knee membro do Comité Permanente da CCPPC afirma ao jornal The Standart que a nomeação serve para melhorar a coomunicação entre Pequim e Hong Kong, em especial no que diz respeito a assuntos económicos.
O cenário está a entusiasmar as forças pró-Pequim de Hong Kong. Jasper Tsang antigo líder da aliança democrática ara o Mlehoramento de Hong Kong disse que estamos perante uma promoção na hirarquia do estado Chinês. O que vai beneficiar toda a região Administrativa Especial.
Outras vozes vêem esta nomeação como uma possível saída airosa para um cenário de nova crise no governo da RAEHK, permitindo assim a Tung Chee Wah sair da chefia do executivo antes de 2007, salvando a face.
Albert Ho do Partido Democrata de Hong Kong diz que se o regime de Pequim pensa que vai restaurar a confiança no governo ao oferecer a Tung um lugar de topo, está enganado.
Recorde-se que em Dezembro na altura do quinto aniversário da RAEM, o presidente Hu Jintao deu o que foi classificado como um puxão de orelhas a Tung Chee wah, pedindo-lhe um esforço para melhorar os níveis de competência e governação. De resto ao longo dos últimos dois anos, o governo central tem dado sinais de descontenamento com o executivo de Hong Kong.

Sunday, February 27, 2005

Yuan: a longa marcha da flexibilização



Ora aqui está uma notícia! O director da Administração Estatal de Divisas afirmou que, em 2005, a China vai "aumentar a quantidade de dinheiro que pode ser convertido em moeda estrangeira nas contas de capital".
Segundo o responsável, trata-se de um passo para "um yuan completamente convertível". (Lusa)
Aqui está uma análise interessante e útil sobre "se a China valorizar o yuan"