Que o início oficioso deste blogue aconteceu há um ano. Embora a coisa tenha recomeçado a sério com regularidade e assumidamente no dia 23 de Janeiro deste ano.
Na altura, no dia 18 de Maio de 2004, publicava aqui um texto que tinha escrito para a revista "Via Latina" da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra. O Sínico Esclarecido republica o texto.
Wednesday, May 18, 2005
Os E.U.A e o yuan
Os Estados Unidos estão a apertar o cerco ao valor do yuan. Segundo um relatório do Departamento do Tesouro Ao não valorizar o renmimbi, a China está as distorcer o mercado e a colocar em risco a economia chinesa e os parceiros comerciais. No entanto, o documento evita classificar a China de estado manipulador do valor da moeda, o que abriria caminho para que Congresso aplicar sanções..
Por um lado a China é acusada de estar a distrocer as condições de mercado no comércio internacional so não valorizar o renmimbi, por outro o relatório procura não ser duro ao ponto de chamar ao governo de Pequim manipulador.
A divulgação relatório do Departamento do Tesouro foi atrasado um mês porque dentro da administração havia divisões quanto á maneira como se devia lifdar com o problema; uns defendem uma posição firme, outros preferem uma maior contenção. O resultado final acabou por ser um meio termo.
Na apresentação do relatório, o secretário norte americano do tesouro sublinhou que Washinton não está a pedir a flutuação livre do yuan, mas apenas uma mais flexibilização. John Snow disse mesmo que pretende apenas um alrgamento da banda de negociação entre o dólar e o yuan que se mantém no intervalo rígido em 8.28 renmimbis por dólar. Este relatório foi divulgado no dia em que a casa de investimento JP Morgan considerou que a apreciação da moeda da República Popular da China está "iminente" e prevê que possa ocorrer "até ao início de Setembro".
Por um lado a China é acusada de estar a distrocer as condições de mercado no comércio internacional so não valorizar o renmimbi, por outro o relatório procura não ser duro ao ponto de chamar ao governo de Pequim manipulador.
A divulgação relatório do Departamento do Tesouro foi atrasado um mês porque dentro da administração havia divisões quanto á maneira como se devia lifdar com o problema; uns defendem uma posição firme, outros preferem uma maior contenção. O resultado final acabou por ser um meio termo.
Na apresentação do relatório, o secretário norte americano do tesouro sublinhou que Washinton não está a pedir a flutuação livre do yuan, mas apenas uma mais flexibilização. John Snow disse mesmo que pretende apenas um alrgamento da banda de negociação entre o dólar e o yuan que se mantém no intervalo rígido em 8.28 renmimbis por dólar. Este relatório foi divulgado no dia em que a casa de investimento JP Morgan considerou que a apreciação da moeda da República Popular da China está "iminente" e prevê que possa ocorrer "até ao início de Setembro".
China-Angola
São 12 acordos nas áreas da comunicação social, energia, águas, obras públicas e agricultura. Sem revelar o montante do empréstimo, o o ministro angolano das Finanças salientou que os acordos representam "um passo significativo" na aplicação do financiamento concedido pelo Eximbank e que são "um exemplo magnífico" das actuais relações de cooperação entre Angola e a China.
A mesma ideia foi também transmitida pelo vice-presidente do Eximbank. Su Zhong considerou que os acordos individuais de crédito assinados marcam uma "nova época" na cooperação entre os dois países.
Já em abril, o governo angolano tinha revelado que esperava adjudicar em breve os contratos relativos à primeira fase do crédito concedido pelo Eximbank, no valor de mil milhões de dólares, ou seja, metade do total deste empréstimo. Depois desta fatia, virá uma segunda fase, também no valor de mil milhões de dólares que poderá ser solicitada pelas autoridades angolanas logo que estejam concluídas todas as formalidades previstas na primeira fase.
Esta linha de crédito, com um prazo de reembolso de 12 anos, é a principal fonte de financiamento do programa de investimentos públicos do governo angolano para o período 2005-2007.
O acordo entre o banco chinês e o governo angolano permite que as empresas chinesas possam subcontratar empresas angolanas, desde que o valor desse contrato não ultrapasse 30 por cento do valor global do projecto.
(com Lusa)
A mesma ideia foi também transmitida pelo vice-presidente do Eximbank. Su Zhong considerou que os acordos individuais de crédito assinados marcam uma "nova época" na cooperação entre os dois países.
Já em abril, o governo angolano tinha revelado que esperava adjudicar em breve os contratos relativos à primeira fase do crédito concedido pelo Eximbank, no valor de mil milhões de dólares, ou seja, metade do total deste empréstimo. Depois desta fatia, virá uma segunda fase, também no valor de mil milhões de dólares que poderá ser solicitada pelas autoridades angolanas logo que estejam concluídas todas as formalidades previstas na primeira fase.
Esta linha de crédito, com um prazo de reembolso de 12 anos, é a principal fonte de financiamento do programa de investimentos públicos do governo angolano para o período 2005-2007.
O acordo entre o banco chinês e o governo angolano permite que as empresas chinesas possam subcontratar empresas angolanas, desde que o valor desse contrato não ultrapasse 30 por cento do valor global do projecto.
(com Lusa)
Tuesday, May 17, 2005
Managing China
A propósito do texto de Robert Kagan "The Illusion of Managing China", bem destacado pelo Sinédrio,
"Yes, the Chinese want the prosperity that comes from integration in the global economy, but might they believe, as the Japanese did a century ago, that the purpose of getting rich is not to join the international system but to change it?"
O "Chinese Defence White Paper" refere que
The relations among the major powers are undergoing significant and profound readjustments; various kinds of partnerships are gradually developing along the line of institutionalization; and each country is enhancing its consciousness of independence, unity for strength, and coordinated development. (…) The sustained development of the multipolarity tendency and economic globalization has further deepened their mutual reliance and mutual condition and helped toward world peace, stability and prosperity. The factors for safeguarding world peace are growing constantly.
Yong Deng em "Escaping from peryphery, China's National Identity in World Politics" salienta que
"the prevailing security dilemma has led Beijing to view international institutions from a realpolitik perspective without basing its participation upon an embrace of generalized liberal principles of conduct entailed in multilateralism."
E seguindo a lógica da transição de poder de A.F.K. Organski - "power transition theory", poderemos ter razões para considerar que na altura em que houver uma situação próxima da paridade entre o poder hegemónico e o que o desafia, a probabilidade de haver um conflito é elevada. No entanto será importante lembrar, por um lado, os avanços da China no engagement com as organizações multilaterais, como é o caso da OMC, por outro, lembrar que nem sempre a transição de poder gerou guerra (apesar disso ter acontecido em muitas situações ao longod a história). Perante esta bifurcação, Zhiqun Zhu alerta que "punishing China unilaterally will only create a dissatisfied China; incorporating China into the multilateral international arena where China's own intererts hinge on abiding by inernational rules will more likelly make China a satisfied power".
"Yes, the Chinese want the prosperity that comes from integration in the global economy, but might they believe, as the Japanese did a century ago, that the purpose of getting rich is not to join the international system but to change it?"
O "Chinese Defence White Paper" refere que
The relations among the major powers are undergoing significant and profound readjustments; various kinds of partnerships are gradually developing along the line of institutionalization; and each country is enhancing its consciousness of independence, unity for strength, and coordinated development. (…) The sustained development of the multipolarity tendency and economic globalization has further deepened their mutual reliance and mutual condition and helped toward world peace, stability and prosperity. The factors for safeguarding world peace are growing constantly.
Yong Deng em "Escaping from peryphery, China's National Identity in World Politics" salienta que
"the prevailing security dilemma has led Beijing to view international institutions from a realpolitik perspective without basing its participation upon an embrace of generalized liberal principles of conduct entailed in multilateralism."
E seguindo a lógica da transição de poder de A.F.K. Organski - "power transition theory", poderemos ter razões para considerar que na altura em que houver uma situação próxima da paridade entre o poder hegemónico e o que o desafia, a probabilidade de haver um conflito é elevada. No entanto será importante lembrar, por um lado, os avanços da China no engagement com as organizações multilaterais, como é o caso da OMC, por outro, lembrar que nem sempre a transição de poder gerou guerra (apesar disso ter acontecido em muitas situações ao longod a história). Perante esta bifurcação, Zhiqun Zhu alerta que "punishing China unilaterally will only create a dissatisfied China; incorporating China into the multilateral international arena where China's own intererts hinge on abiding by inernational rules will more likelly make China a satisfied power".
Monday, May 16, 2005
Blame China
Se no "South Park", o bode espiatório era o vizinho do norte - "Blame Canada" - nos dias que correm a China serve de arma de arremesso, desculpa e "raison d'être" de muitos problemas da economia norte-americana (e não só)
- Se a balança comercial cada vez mais desfavorável, "Blame China" por causa do valor do renmimbi
- Se os empregos desaparecem e as empresas voam para o Oriente, deslocalizando a produção, "Blame China" por oferecer condições laborais ao gosto das empresas que procuram custos de produção mais baixos para poderem competir no mercado.
- Se a Coreia do Norte continua teimosamente arreigada ao programa nuclear, "Blame China", por não fazer o suficiente nas negociações.
China e Vaticano
Estará mesmo o Vaticano disponívela sacrificar Taiwan pela China? O "Telegraph" diz que é provável..
The Vatican is moving quickly to improve relations with Communist China, which has not recognised the Holy See since Chairman Mao drove out the papal nuncio more than half a century ago
The Vatican is moving quickly to improve relations with Communist China, which has not recognised the Holy See since Chairman Mao drove out the papal nuncio more than half a century ago
Sunday, May 15, 2005
賓菲加
É assim que se escreve Benfica em Chinês...
P.S. Desculpem deitar este foguete antes da festa, mas é irresistível!
P.S. Desculpem deitar este foguete antes da festa, mas é irresistível!
Eleições em Taiwan
Apesar de serem eleições para uma Assembleia "ad hoc", cuja missão é tratar de assuntos constitucionais, certo é que o Partido Democrático Progressista do presidente Chen Shui-Bian pode respirar de alívio. Mesmo com uma participação de apenas 23 por cento dos eleitores da Ilha Formosa, a linha independentista pode cantar vitória, uma vez que conseguiu resistir aos estudos de opnião que davam conta de uma descida da popularidade do governo e de um Kuomintang em ascenção depois das visitas à República Popular da China. Mesmo assim, os analistas defendem nque numa situação de grande afluência o campo anti-indepednência venceria, como aconteceu em Dezembro do ano passado nas eleições legislativas.
Os resultados:
Partido Democrático Progressista (independentista).................127 assentos
Kuomintang ( partidiários de uma aproximação à China)..........117
União da Solidariedade de Taiwan (independentista radical)..... 18
Partido O Povo Primeiro (aliado do Kuomintang)........................17
Esta Assembleia tem como missão principal fazer alterações à Constituição que podem passar pelo direito á realização de referendos sobre a soberania de Taiwan e a redução do número de deputados da Assembleia Nacional (o parlamento).
Os resultados:
Partido Democrático Progressista (independentista).................127 assentos
Kuomintang ( partidiários de uma aproximação à China)..........117
União da Solidariedade de Taiwan (independentista radical)..... 18
Partido O Povo Primeiro (aliado do Kuomintang)........................17
Esta Assembleia tem como missão principal fazer alterações à Constituição que podem passar pelo direito á realização de referendos sobre a soberania de Taiwan e a redução do número de deputados da Assembleia Nacional (o parlamento).
Saturday, May 14, 2005
Friday, May 13, 2005
O Povo Primeiro
A China garante que caso os dirigente de Taiwan coloquem de lado o cenário da independência, vai cessar a ameaça militar contra a Ilha Formosa.
Este foi um dos pontos do comunicado conjunto resultante do econtro de James Soong, líder do Partido o Povo Primeiro com o Presidente Hu Jintao.
James Soong regressa hoje a Taiwan com uma promessa na bagagem. Se Taipé colocar de lado o cenário da independência, Pequim compromete-se a acabar com a ameaça militar.
Questionado sobre como é que iria convencer o líder pró- independentista de Taiwan, Chen Shui-bian, a colocar de lado a ideia de autonomia da ilha, Ó líder do Partido o Povo Primeiro respondeu que "basta as autoridades de Taiwan concretizarem promessas anteriores".
Soong citou uma declaração conjunta entre o Partido o Povo Primriro e o líder taiwanês, no dia 24 de Fevereiro.
Nesse documento, Chen Shui-bian comprometeu-se a não declarar a independência da ilha ou realizar referendos sobre temas sensíveis como a soberania do território.
O encontro entre Hu Jintao e James Soong foi alvo de grande cobertura mediática.
O aperto de mão entre Hu Jintao e James Soong, líder do Partido O Povo Primeiro, bem como um breve discurso inicial dos dois políticos, foram transmitidos em directo pela televisão para todo o país.
Nas declarações, Hu Jintao e James Soong enfatizaram a mensagem de que o diálogo entre as duas margens "é uma resposta à expectativa de "paz" de todos os chineses e taiwaneses.
Soong declarou a Hu que o PPP "nunca considerou que a independência de Taiwan devesse ser a escolha da ilha, porque só poderá trazer guerra e desgraça".
Este foi um dos pontos do comunicado conjunto resultante do econtro de James Soong, líder do Partido o Povo Primeiro com o Presidente Hu Jintao.
James Soong regressa hoje a Taiwan com uma promessa na bagagem. Se Taipé colocar de lado o cenário da independência, Pequim compromete-se a acabar com a ameaça militar.
Questionado sobre como é que iria convencer o líder pró- independentista de Taiwan, Chen Shui-bian, a colocar de lado a ideia de autonomia da ilha, Ó líder do Partido o Povo Primeiro respondeu que "basta as autoridades de Taiwan concretizarem promessas anteriores".
Soong citou uma declaração conjunta entre o Partido o Povo Primriro e o líder taiwanês, no dia 24 de Fevereiro.
Nesse documento, Chen Shui-bian comprometeu-se a não declarar a independência da ilha ou realizar referendos sobre temas sensíveis como a soberania do território.
O encontro entre Hu Jintao e James Soong foi alvo de grande cobertura mediática.
O aperto de mão entre Hu Jintao e James Soong, líder do Partido O Povo Primeiro, bem como um breve discurso inicial dos dois políticos, foram transmitidos em directo pela televisão para todo o país.
Nas declarações, Hu Jintao e James Soong enfatizaram a mensagem de que o diálogo entre as duas margens "é uma resposta à expectativa de "paz" de todos os chineses e taiwaneses.
Soong declarou a Hu que o PPP "nunca considerou que a independência de Taiwan devesse ser a escolha da ilha, porque só poderá trazer guerra e desgraça".
Wednesday, May 11, 2005
O Nó Górdio ou o Embargo Embargado
A presença em Pequim de Benita Ferrero-Waldner, comissária para as relações externas da União Europeia, suscita uma breve contextualização e análise sobre um dos dois espinhos que tem ensombrado as relações entre Pequim e Bruxelas (o outro diz respeito ao comércio de têxteis)
Depois de um trade love affair, o passo lógico nas relações entre o bloco europeu a o “Império do Meio” seria a resolução de um problema que tem sido uma pedra no sapato no relacionamento entre as duas partes: o embargo à venda de armas decidido pela União após o massacre de Tiananmen em 1989. A este propósito a China lembra que o fim do embargo foi uma “promessa”, ou pelo menos, declaração de intenções não só de líderes europeus, chefes de estado e governo, como de altos responsáveis da Comissão Europeia ou mesmo do Conselho – como foi o caso de Romano Prodi e Javier Solana ou mesmo mais recentemente de Durão Barroso. Mais: na argumentarão de Pequim, não faz sentido colocar a China no mesmo saco do Zimbabwe, em especial numa altura em que as relações económicas comerciais estão mais intensas que nunca. Por outro lado, em Pequim, há quem veja a atitude europeia como hipócrita, uma vez que quando dava jeito ir a Pequim negociar a venda de AirBuses e abrir caminho para contratos e investimentos, os líderes europeus esqueciam a violação dos direitos humanos e prometiam que tudo iam fazer para terminar com o embargo o mais rapidamente possível. Agora parece quase impossível fazê-lo antes do final da presidência luxemburguesa da U.E. que termina a 30 de Junho. Depois é Londres que toma conta da presidência do Conselho, o que dificultará ainda mais a ambição chinesa.
Na resposta, os dirigentes europeus realçam que o objectivo continua a ser o fim da proibição, mas que, com a recente aprovação da Lei Anti-Secessão e devido aos lentos progressos no respeito pelos direitos humanos, seria complicado convencer os estados-membros a aceitar o levantamento do embargo, em especial, por um lado, os transatlanticistas, e, por outro, os países nórdicos que tomam, por norma, uma posição de força face a questões que envolvam o desrespeito pelos direitos do homem.
No meu entender, estes dados permitem perceber uma parte do problema, mas não a sua totalidade. Existem outros factores ao nível doméstico e da estrutura internacional que tem que ser tidos em conta, a começar pela influência dos Estados Unidos. Recordo que a mudança de atitude de alguns estados, de renitentes apoiantes para opositores do fim do embargo aconteceu aquando da missão europeia da Administração Bush. É claro que para os Estados Unidos a modernização do armamento chinês constitui um perigo, que, apesar de ser inevitável, deve ser atrasado. A retórica da “ameaça-China” está a voltar em força a muitos “think-tanks” (não é que tenha estado ausente) – como é o caso do último número da “Atlantic Monthly” – à medida que a China se constitui como o poder regional da zona da Ásia Oriental. Repare-se no que escreve Robert Kaplan na supracitada publicação norte-americana:
In any naval encounter China will have distinct advantages over the United States, even if it lags in technological military prowess. It has the benefit, for one thing, of sheer proximity. Its military is an avid student of the competition, and a fast learner. It has growing increments of "soft" power that demonstrate a particular gift for adaptation. While stateless terrorists fill security vacuums, the Chinese fill economic ones.
Depois de um trade love affair, o passo lógico nas relações entre o bloco europeu a o “Império do Meio” seria a resolução de um problema que tem sido uma pedra no sapato no relacionamento entre as duas partes: o embargo à venda de armas decidido pela União após o massacre de Tiananmen em 1989. A este propósito a China lembra que o fim do embargo foi uma “promessa”, ou pelo menos, declaração de intenções não só de líderes europeus, chefes de estado e governo, como de altos responsáveis da Comissão Europeia ou mesmo do Conselho – como foi o caso de Romano Prodi e Javier Solana ou mesmo mais recentemente de Durão Barroso. Mais: na argumentarão de Pequim, não faz sentido colocar a China no mesmo saco do Zimbabwe, em especial numa altura em que as relações económicas comerciais estão mais intensas que nunca. Por outro lado, em Pequim, há quem veja a atitude europeia como hipócrita, uma vez que quando dava jeito ir a Pequim negociar a venda de AirBuses e abrir caminho para contratos e investimentos, os líderes europeus esqueciam a violação dos direitos humanos e prometiam que tudo iam fazer para terminar com o embargo o mais rapidamente possível. Agora parece quase impossível fazê-lo antes do final da presidência luxemburguesa da U.E. que termina a 30 de Junho. Depois é Londres que toma conta da presidência do Conselho, o que dificultará ainda mais a ambição chinesa.
Na resposta, os dirigentes europeus realçam que o objectivo continua a ser o fim da proibição, mas que, com a recente aprovação da Lei Anti-Secessão e devido aos lentos progressos no respeito pelos direitos humanos, seria complicado convencer os estados-membros a aceitar o levantamento do embargo, em especial, por um lado, os transatlanticistas, e, por outro, os países nórdicos que tomam, por norma, uma posição de força face a questões que envolvam o desrespeito pelos direitos do homem.
No meu entender, estes dados permitem perceber uma parte do problema, mas não a sua totalidade. Existem outros factores ao nível doméstico e da estrutura internacional que tem que ser tidos em conta, a começar pela influência dos Estados Unidos. Recordo que a mudança de atitude de alguns estados, de renitentes apoiantes para opositores do fim do embargo aconteceu aquando da missão europeia da Administração Bush. É claro que para os Estados Unidos a modernização do armamento chinês constitui um perigo, que, apesar de ser inevitável, deve ser atrasado. A retórica da “ameaça-China” está a voltar em força a muitos “think-tanks” (não é que tenha estado ausente) – como é o caso do último número da “Atlantic Monthly” – à medida que a China se constitui como o poder regional da zona da Ásia Oriental. Repare-se no que escreve Robert Kaplan na supracitada publicação norte-americana:
In any naval encounter China will have distinct advantages over the United States, even if it lags in technological military prowess. It has the benefit, for one thing, of sheer proximity. Its military is an avid student of the competition, and a fast learner. It has growing increments of "soft" power that demonstrate a particular gift for adaptation. While stateless terrorists fill security vacuums, the Chinese fill economic ones.
Monday, May 09, 2005
Estado de Direito
O New York Times conta a história de Li, um homem que passou dois anos na prisão Nº 2 de Shandong, ou melhor num campo de re-educação, sem direito a advogado ou julgamento. Apenas por alegadamente ter pertencido à Falun Gong.Um exemplo entre centenas, milhares...
"Issue in China: Many in Jails Without Trial"
"Issue in China: Many in Jails Without Trial"
Saturday, May 07, 2005
ASEM
Este fim de semana decorre, em Quioto, no Japão, a reunião ministerial do Asia Europe Meeting (ASEM). O embargo à venda de armas à China e a situação na Coreia do Norte são dois dos principais tópicos da agenda.
A própósito deste encontro, destaco aqui o papel deste Fórum de Diálogo entre a Uião Europeia e a Ásia Oriental, sugiro a leitura de um pequeno ensaio da minha autoria que está disponível num novo blogue-irmão deste: O Sínico Esclarecido. É lá que vou colocar alguns ensaios e artigos mais extensos que considero relevantes para o enquadramento e compreensão da realidade político-económica da China, Ásia Oriental e de outros aspectos das Relações Internacionais.
A própósito deste encontro, destaco aqui o papel deste Fórum de Diálogo entre a Uião Europeia e a Ásia Oriental, sugiro a leitura de um pequeno ensaio da minha autoria que está disponível num novo blogue-irmão deste: O Sínico Esclarecido. É lá que vou colocar alguns ensaios e artigos mais extensos que considero relevantes para o enquadramento e compreensão da realidade político-económica da China, Ásia Oriental e de outros aspectos das Relações Internacionais.
Thursday, May 05, 2005
Wednesday, May 04, 2005
Um panda para mim, um panda para ti

The Standard, 04-05-2005.
O presidente de Taiwan convidou o presidente Hu Jintao a ver com os próprios olhos se a Ilha formosa é um país soberano e independente. Este convite surgiu no último dia da visita de Lien Chan à China. O líder do Kuomintang, principal partido da oposição, levou na bagagem de volta para Taiwan dois presentes das autoridades chinesas: um casal de pandas e promessas de mais cooperação económica.
Quanto aos pandas, as opiniões dividem-se dentro do Partido Democrático Progressista. O deputado Hsu Kuo Yung diz que se Taiwan aceitar os animais, simbolicamente, admite que é um governo local da República Popular da China. Já Chen Shui Bian disse que a única coisa que interessa é o respeito pela protecção da vida de animais selvagens.
Momentos Etéreos
José Duarte, mago do jazz e da Rádio, conta no programa "A menina dança", na Antena 1 uma "estória" dos escombros da história da China Popular.
Estava o grande Timoneiro Mao Zedong a dormir a sua sesta e chega o seu general que o acorda e afirma, "Camarada Mao, o exercito de tawian invadiu a china".
"A sério?", respondeu Mao... "E em que hotel estão?
Depois passou um tema chinês que um amigo lhe tinha trazido...
Estava o grande Timoneiro Mao Zedong a dormir a sua sesta e chega o seu general que o acorda e afirma, "Camarada Mao, o exercito de tawian invadiu a china".
"A sério?", respondeu Mao... "E em que hotel estão?
Depois passou um tema chinês que um amigo lhe tinha trazido...
Tuesday, May 03, 2005
Impedido

Cheng Yizhong antigo editor chefe do jornal "Southern Metropolis" foi impedido pelas autoridades chinesas de se deslocar ao Senegal para receber um prémio das Nações Unidas para a Liberdade de Imprensa.
Cheng, que deveria participar esta terça-feira numa cerimónia em Dacar, para receber os cerca de 19 mil euros referentes ao Prémio de Liberdade de Imprensa Mundial de 2005 da UNESCO/Guillermo Cano, foi responsável editorial por um jornal que revelou vários escândalos na República Popular da China. A UNESCO concedeu-lhe o prémio pela coragem que demonstrou e pelos novos caminhos que desbravou no jornalismo chinês.
De acordo com o "South China Morning Post",Cheng Yizhong afirma em comunicado que "sente muita pena" e pedido "muitas desculpas" por não poder ir a Dacar.
No mesmo comunicado, Cheng apelou aos jornalistas do continente chinês para "falarem a verdade" de forma a "aumentar a transparência política" no país e lamentou que a imprensa na China esteja cheia de "medos e mentiras".
JCM com Lusa
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