Wednesday, June 29, 2005

ITER e GALILEO

Esta semana vieram a lume duas boas notícias para dois dos ptojectos de "Grande Ciência" em que a União Europeia está envolvida, com destaque para a França.No caso do Galileo, o consórcio liderado pela frabcesa Alcatel e pela EADS ganhou o concurso para o início da construção do sistema europeu de navegação Rádio-Satélite Galileo que vai ser uma alternativa ao norte americano GPS. Trata-se do maior projecto de cooperação científica de sempre da União Europeia, envolvendo também parceiros externos. O Galileo promete não só revolucionar vários sectores da economia como agricultura, pescas, aviação, navegação marítima, trânsito, como garantir independência aos 25 nas operações de manutenção de paz e noutras actividades que envolvam as forças de segurança. Os "europeístas" encaram o Galileo como um instrumento para que os europeus se libertam das amararras de Washington. Os "transatlanticistas" depois de algum cepticismo sempre deram o aval ao projecto em especial depois da UE e dos EUA terem assinado o acordo de interoperabilidade entre o Galileo e o GPS.Quanto ao ITER, o reactor termonuclear de energia de fusão, a França ganhou a corrida ao Japão para ser sede de um projecto que poderá ser a saída para os problemas de energéticos de hoje.Finalmente os cinco países envolvidos, , Japão, Coreia do Sul, China, União Europeia e Estados Unidos, chegaram a um entendimento após anos de avanços e recuos nas negociações. Num e noutro caso a França leva a dianteira. No Galileo as empresas aeronáuticas francesas estão em força num projecto especialmente acarinhado por Jacques Chirac; no ITER, os franceses conseguiram que Cadarache fosse o local escolhido depois de várias concessões feitas ao Japão que apresentava a candidatura rival.Mas nos dois casos venceu também o Multilateralismo: No Galileo foi possível desapertar o nó e tornar compatíveis os dois sistemas -Galileo e ITER- através de um acordo de interoperabilidade; no ITER, as cinco grandes potências mundiais entenderam-se finalmente.Mas, como seria de esperar, ainda é cedo para tocar os sinos. Em projectos desta natureza, em que estamos lidar com activos geotratégicos e geoeconómicos vitais para o futuro, alguma água turva passará debaixo da ponte. Esperemos é que seja sempre possível fazer a tal ponte...

Tuesday, June 28, 2005

Imagens das minhas terras

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Alcouce

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Macau

Paris 1 Tóquio 0

O jornal Le Figaro diz que a localidade francesa de Cadarache vai albergar o projecto internacional de energia de fusão termo-nuclear ITER. O Japão não conseguiu impor a candidatura de Rokkasho-mura.

Friday, June 24, 2005

EUA-China: da interdependência e da dependência II

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Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal, perante o Senado, sobre as relações económicas entre os EUA e a China:

"Some observers mistakenly believe that a marked increase in the exchange value of the Chinese renminbi (RMB) relative to the U.S. dollar would significantly increase manufacturing activity and jobs in the United States. I am aware of no credible evidence that supports such a conclusion."

"In the decades ahead, it is in our interest and that of the global economy that China continue to progress toward becoming a more market-based, productive, and dynamic economy in which individual initiative, not government decisionmaking, is the fundamental strength behind economic activity. For our part, it is essential that we not put that outcome, or our future, at risk with a step back into protectionism."

Ler aqui a declaração de Greenspan.

Thursday, June 23, 2005

CNOOC In

A China National Offshore Oil Corporation está determinada em adquirir a norte-americana Unocal, mas a Cheron não se fica e sobe a parada. Despois do avanço da Lenovo sobre a unidade de PC da IBM, mais uma companhia chinesa procura a internacionalização.

Wednesday, June 22, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria V

Outro exemplo deste envolvimento com fora e organizações regionais é a participação da China no ASEAN Regional Forum e mais tarde na dinâmica ASEAN Plus Three. O primeiro reúne informalmente 23 países: os 10 da ASEAN – Indonésia, Malásia, Tailândia, Singapura, Vietname, Laos, Brunei, Cambodja, Myanmar e Filipinas – e os parceiros de diáogo preferenciais da organização - Austrália, Canadá, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Japão, Mongólia, Nova Zelândia, Rússia e União Europeia, além da Papua Nova Guiné que tem o estatuto de observador. No que concerne ao segundo Fórum, o APT, trata-se do primeiro instrumento de diálogo, cooperação e agenda-setting de todo o espaço da ásia Oriental, já que junta as 10 nações do sudeste asiático com a China, o Japão e a Coreia do Sul. A rede de contactos e relações multilaterais e bilaterais foi estendida também às grandes potências, nesta segunda fase da política externa chinesa, nos anos 1990. Em 1997, a China e os Estados Unidos acordaram numa “parceria estratégica construtiva”, na qual os dois países concordavam em trabalhar em conjunto para resolver os problemas que ameaçavam a paz. No entanto estas palavras não abriram caminho para a reabilitação da entente sino-americana que tinha surpreendido o mundo nos anos 1970.
(Continua)

Tuesday, June 21, 2005

EUA-China: da interdependência e da dependência

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Paul Krugman sobre a relação económica e comercial entre os Estados Unidos e a China:

"China exports lots of goods and foreign companies are investing heavily there, so it's running a huge trade surplus. But rather than keep all that money, Beijing is using it, overwhelmingly, to buy US government Treasury bills."

"China could well decide to stop this. If so, the dollar falls sharply, US interest rates rise and our housing bubble bursts."


"that would stop the American economy, the locomotive for the whole world, in its tracks. So, in this weird way, China is now the financial nexus keeping the global recovery going."

Ler artigo no Telegraph

Monday, June 20, 2005

Novos sinais

de democracia na China? Parece que sim.

EUA-Israel-China

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Photo: AP
"Mas foi sem querer, minha senhora" ..........."Vê lá o que andas a fazer"

A propósito da venda de armas de Israel à China:

Silvan Shalom, ministro israelita dos negócios estrangeiros
"If things were done that were not acceptable to the Americans then we are sorry but these things were done with the utmost innocence,"

Condoleeza Rice, secretária de estado norte-americana
"I think everybody knows our concerns about arms sales to China, particularly arms sales to China, with countries with which we have strong defense cooperation relationships, which we do with Israel".
O Jerusalem Post conta a história.

Entretanto
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"Não tem de quê. Pode ser que a Rice não descubra"....."Obrigadinho pelas armas pá"

Li Zhaoxin, ministro chinês dos negócios estrangeiros
"My purpose of the visit here is to step up our joint efforts for the common cause of our peoples"

David Shaloom, depois de ter perdido um jogo de pingue pongue com o homólogo chinês
"I had to lose in order to avoid a diplomatic incident"
A Xinhua reporta a visita do chefe da diplomacia chinesa a Jerusalém.

Economia Socialista de Mercado...(com características Chinesas)

O China Daily publica um artigo sobre as disparidades sociais no "Império do Meio". O fosso entre os ricos e os pobres aumentou no primeriro trimestre do ano. Eis alguns dados:
  • os 10 por cento mais abastados possuem 45 por cento da riqueza nacional
  • os 10 por cento mais pobres detém apenas 1.4 por cento da riqueza

Este aumento do "income gap" não constitui surpresa. Apenas vem confirmar aquilo que está à vista de quem vai acompanhado a realidade socio-económica chinesa. O que me parece interessante é este assunto ter sido manchete, com direito a um artigo de análise onde é feita uma critíca à "once-egalitarian China no China Daily, voz do dono, ou seja do regime de Pequim.

Saturday, June 18, 2005

Parabéns

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Pelos 60 anos de Aung San Suu Kyi. Que este seja um dia o sorriso da libertação do povo de Myanmar (Birmânia) do jugo da Junta Militar.

Friday, June 17, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria IV

Na verdade, apenas em meados dos anos 1990 a China regressou aos princípios de Deng.
Isto aconteceu devido a constrangimentos internos e externos: internamente, com a queda do Bloco de Leste e os eventos de Tiananmen, entre 1989 e 1991 o regime procurou segurar a unidade e a estabilidade; externamente, o sistema internacional tinha mudado do bipolarismo para o unipolarismo. Como consequência dos constrangimentos e da experiência da China no período imediato após o fim da Guerra Fria, uma “Grande Estratégia” emergiu – manter as condições conducentes ao crescimento continuado da China e reduzir a possibilidade dos outros países se oporem a Pequim (Goldstein, 2001, 2003) .
É neste contexto que devemos entender as várias incitavas multilaterais, regionais e bilaterais dos últimos 10 anos. No plano regional, em 1996 a China lançou em conjunto com a Rússia, o Cazaquistão, o Quirguistão e o Tajiquistão o “Shanghai Five” que mais tarde, em 2001, deu origem à Organização de Cooperação de Xangai (OCX), na altura já com o Turcomenistão.
A OCX é descrita na Cimeira de São Petersburgo, em 2002, como um instrumento regional de combate “o terrorismo, extremismo e separatismo”. Ao nível do “power politics”, “ aos olhos dos dirigentes russos e chineses, a OCX aprece como um instrumento estratégico para a partilha da dominação sobre as antigas republica soviéticas e os restantes países vizinhos da Ásia Centra” (Yom, 2001). Mesmo considerando que estes três “inimigos” são ameaças comuns aos seis estados membros, a verdade é que a China e a Rússia procuram com esta organização limitar a influên cia crescente dos Estados Unidos na região que aumentou tremendamente desde a invasão do Afeganistão. Desde então, Washington estabeleceu bases militares no Uzebequistão, no Tajiquistão e Quirguistão. Ou seja, a presença norte-americana na região funcionou também como um estímulo a este dinamismo regional. Curiosamente, na região quer os Estados Unidos quer a Rússia e a China convergem no objectivo da “Guerra ao Terrorismo”. No entanto a cumplicidade dos dois últimos é táctica, devido aos problemas no Cáucaso Norte na Rússia e em Xingjiang na China. Por detrás da cortina de fumo do luta anti-terrorista, os grandes poderes colocam as peças no novo xadrez político-económico da Ásia Central, uma zona onde as questões energética assumem um papel fundamental nas estratégia geopolíticas d Rússia, China e Estados Unidos (sobre este assunto, ver Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (Eds.). (2004) Central Eurasia in Global Politics)
.
(continua)

Referências bibliográficas:

Goldstein, Avery (2001). The Diplomatic Face of China’s Strategy: A rising Power’s Emerging Choice. The China Quarterly. Retrieved January 2004, from http://www.olemiss.edu/courses/pol324/goldstei.pdf

Goldstein, Avery (2003). Structural Realism and China’s Foreign Policy. In
Hanami, Andrew K. (Ed.) Perspectives on Structural Realism. Hampshire: Palgrave,


Yom, Sean L. (2002) “Power Politics in Central Asia”. Retrieved on June 2004 from the Harvard Asia Quaterly Web Site: http://www.fas.harvard.edu/~asiactr/haq/200204/0204a003.htm

Thursday, June 16, 2005

Já está!

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The Standard

Donald Tsang foi eleito (quer dizer nomeado por falta de comparência dos adversários que não conmseguiram as assinaturas suficientes dos delegados do colégio eleitoral) Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Tão Fácil a "eleição". Mas parece-me que o mandato não vai ser "pera doce".

Wednesday, June 15, 2005

O Regresso do Proteccionismo?

Henry C. K. Liu esreve sobre o assunto num artigo publicado pelo Asia Times Online:
The coming trade war and global depression

Liberdade Condicionada

A partir de agora os bloggers chineses terão que ter mais cuidado com o que escrevem nos blogues criados no portal “MSN China”.
Palavras como democracia, liberdade, direitos humanos, Independêcnia de Taiwan ou Dalai Lama não poderão ser utilizadas.
A Microsft que detém o portal MSN China em conjunto com a empresa chinesa Shanghai Alliance Investment, explicou que segue o código de conduta da empresa, ou seja respeitar as leis vigentes nos países onde opera.
Na prática os utilizadores que queiram escrever nos blogues dipsonibilizados pela MSN China as expressões proibidas vão receber uma mensagem em formato de pop up a dizer: esta mensagem contém uma expressão proibida, por favor apague as palvras queestão banidas”.
Quem não se conforma é a "Repórteres sem fronteiras". Esta organização que luta pela liberadde de expressão lamenta a falta de ética de empresas como a Microsoft que pactuam coma censura chinesa. Também a Yahoo recente mente passou a restringir o acesso a conteúdos considerados pergosos pelo regime de Pequim.

P.S. Felizmente, aqui no segundo sistema, esta parece ainda ser uma realidade longínqua.

Tuesday, June 14, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria III

No entanto para Avery Goldstein (2003, p.136) “ para ser correcto, nem os chineses nem os russos estavam verdadeiramente interessados numa aliança anti-americana. O ligeiro benefício militar de uma real aliança (em especial com a decadência do poder da Rússia) iria provocar custos económicos incomportáveis”, uma vez que tal avanço iria colocar em causa as estratégias de desenvolvimento de Pequim e de Moscovo.
Perante este cenário, a China mudou de atitude. Desde então, a política externa chinesa seguiu duas traves mestras: por um lado mudar a percepção generalizada da “Ameaça-China”, tornando Pequim num actor responsável nos assuntos internacionais, em especial através do lançamento de parcerias estratégicas com o objectivo, em simultâneo, de estimular a sustentabilidade do crescimento da economia, por outro e deste modo, introduzir novas dinâmicas de multipolaridade na ordem internacional. Em suma, em causa estava uma campanha de transformação da imagem da China num parceiro internacional atractivo e de confiança.
Na verdade, Deng Xiaoping já tinha postulado, em 1984, os objectivos da Política Externa Chinesa: “Em Primeiro lugar para , salvaguardar a paz mundial nós opomo-nos à hegemonia. A China vai sempre pertencer ao Terceiro Mundo, hoje, e continuará a pertencer mesmo quando se tornar rica e poderosa, uma vez que tem um destino comum aos países do Terceiro Mundo. A China nunca vai procurar a hegemonia ou ameaçar os mais fracos”. Numa outra ocasião, em Março de 1985, perante uma delegação da Câmara do Comércio do Japão, Deng garantira: “ Do Ponto de vista político, há apenas uma coisa que posso dizer-vos de modo claro e positivo: a China procura preservar a paz mundial e a estabilidade não destruí-la. Quanto mais forte for a China, mais possibilidades há para a paz mundial”
(Continua)

Monday, June 13, 2005

O Divórcio na China

Este artigo analisa a evolução da taxa de dívórcios na República Popular da China. Depois da onda de divórcios no pós-revolução comunista (inícios dos anos 1950) e da era da Revolução Cultural (final dos anos 1960), a China vive uma nova explosão de separações pela via legal. Zhong Wu escreve no The Standard que

"While the sharp increase in divorce appears at odds with traditional Chinese values concerning marriage and family, it should be hailed as progress. To choose your mate - or get rid of one - is a basic human right. From the point of view of human rights and liberty, divorce is progress, giving unhappily married couples the freedom to decide on their own whether they should continue to live together.
The latest statistics indicate that mainlanders are increasingly exercising their rights and, one hopes, living happier lives in the process."

Olhares sobre o mundo

1. Duncan Freeman analisa o impacto da crise na União Europeia na Ásia Oriental.

2. O Diário do Povo diz que
Mandelson returns home with satisfaction

3. David Shambaugh esreve este artigo no "International Security": "China Engages Asia: Reshaping the Regional Order"

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria II

Depois de um manto de silêncio após a repressão dos protestos dos estudantes na Praça de Tiananmen, em 1989, e depois do primeira guerra pós-guerra fria (a “Tempestade no Deserto” no Iraque), a China acordou para a nova realidade de um sistema internacional, no qual a União Soviética tinha desaparecido e os Estados Unidos se tinham tornado na única superpotência. Sem a ameaça soviética, os E.U.A ocuparam o lugar cimeiro das ameaças percebidas pela liderança chinesa.
Mormente, em Washington enquanto a ideia que as democracias não entram em guerra com democracias (seguindo a tese da “paz democrática”) ganhava cada vez mais peso, os dirigentes de Pequim ficavam alarmados com a ameaça militar e com o cerco ideológico norte-americano.
Perante isto, a China lançou um programa de modernização militar, revitalizando o obsoleto Exército Popular de Libertação (EPL) através da aquisição de armamento d origem russa. Além do mais, a China procurou estabelecer uma nova aliança com a Rússia com quem partilhava as preocupações face à hegemonia norte-americana e que estava, igualmente, ansiosa por demonstrar que ainda tinha um papel essencial na “Nova Ordem Mundial”, apesar da fraqueza resultante da queda da União Soviética. De acordo com este “rationale”, Pequim e Moscovo lançaram a “cooperação estratégica” selada num acordo assinado em 1996 por Jiang Zemin e Boris Yeltsin.

Saturday, June 11, 2005

Friday, June 10, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria I

O Sínico inicia hoje uma série de escritos sobre a política externa chinesa desde a implosão da União Soviéca até ao nossos dias. De um modo retrospectivo vamos colher os contributos de vários especialistas e ensaiar uma visão que faça uma síntese do que tem sido publicado. Os vários capítulos vão sendo publicados aqui e depois migrarão para o Sínico Esclarecido.

Introdução

Depois do final da Guerra Fria, duas grandes características prevaleceram no sistema internacional: a natureza anárquica da estrutura internacional e a hegemonia dos Estados Unidos da América. Estas duas características constrangeram o comportamento a China na arena internacional.
Segundo a perspectiva neo-realista da balança de poderes, estados como a China iriam procurar contrabalançar a superpotência através de uma corrida ao armamento ou de alianças com outros estados que teriam os mesmo interesses em contrabalançar o poder hegemónico.
Mas cedo a China percebeu que “interesses em conflito o poder americano seria uma combinação que poderia colocar em causa o programa chinês de modernização que dependia da integração na economia global” (Goldstein, 2003, p.134). Ao mesmo tempo na Ásia Oriental, a China era desafiada pelos Estados Unidos devido a acordos bilaterais entre Washington e o Japão, a Austrália e países da ASEAN, além de Taiwan.
Perante este cenário, primeiramente, a China procurou balancear o poder com outros poderes que tinham preocupações semelhante acerca da hegemonia norte-americana. Nesta linha ,é possível dividir a acção da política externa de Pequim em dois períodos: entre 1989 e 1995 e de 1996 até 2004.
Referências:
Goldstein, Avery (2003) Structural Realism and China's Foreign Policy. In Andrew K. Hanami (Ed.) Perspectives on Structural Realism. Hampshire: Palgrave.

A China e a reforma das Nações Unidas II

Algumas notas soltas: a posição chinesa
1- Não há que apressar o processo de reforma da ONU.
2- Os países em desenvolvimento devem estar na linha da frente das reformas.
3-A reforma da ONU não é apenas a reforma do Conselho de Segurança. O combate à pobreza e o apoio aod esenvolvimento devem ser as traves mestras das mudanças.
4-No Conselho de Segrança, os países em desenvolvimento devem estar mais representados.
5-Na Ásia Oriental, o Japão falhou em ganhar a confiança dos países vizinhos, pelas atitude que tem tomado face à História. Assim, se Tóquio quiser desempenhar um papel mais importante na ONU, deve haver consenso na região da Ásia Oriental sobre esse assunto.

Na prática a China quer dizer com este documento que tem o direito de veto sobre a passagem do Japão para o Conselho Permanente de Segurança da ONU e que, tendo em conta que em Maio o Japão, o Brasil, aÍndia e a Alemanha fizeram circular o esboço de uma resolução que pedia o aumento do número de assentos permanentes no CSONU para seis, quer dizer que a China apenas admite a entrada da Índia ou do Brasil, países que encaixam nos pontos 2 e 4.

A China e a reforma das Nações Unidas I

A China tornou pública a posição oficial quanto à reforma das Nações Unidas.

A "verdadeira" história

Três anos, três países em três línguas: um livro. É um livro escrito por académicos e historiadores da China , Japão e Coreia do Sul que procura contar o que de facto aconteceu na História contemporânea da Ásia Oriental.

Thursday, June 09, 2005

Depois dos têxteis

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os sapatos...
Soou o alarme dos sapatos em Bruxelas. A entrada de sapatos chineses no espaçs dos 25 aumentou 700 por cento nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Com os preços a desdecerem 28 por cento.
Perante esta situação, a Comissão Europeia disse que Bruxelas está a a estudar e a reflectir sobre o que vai fazer a seguir.

Tuesday, June 07, 2005

Bem Vindo Camarada

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Chega hoje a Pequim uma delegação do PCP dirigida pelo Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa. A visita à República Popular da China realiza-se a convite do Comité Central do Partido Comunista da China, no quadro das relações de amizade e cooperação existentes entre o PCP e o PC da China. (site oficial do PCP)

"De acordo com o gabinete de imprensa comunista, estes encontros "inserem-se nas prioridades internacionais" do PCP, destinando-se também à apresentação da nova direcção do partido, eleita no XVII congresso, em Novembro do ano passado.
A resolução política aprovada no congresso determina que "deve ser valorizado, na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista" - Cuba, China, Vietname, Laos e Coreia do Norte.
"Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar", refere a resolução política do PCP.
O documento salienta que esse conhecimento deve ser aprofundado "independentemente das diferenças que existem em relação à concepção programática de sociedade socialista" que o PCP preconiza para Portugal e "de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio" que o PCP mantém em relação aos regimes daqueles países." Agência Lusa.

A este propósito lembro-me das palavras de um senhor com o qual discutia a natureza do regimes chinês: "Ó amigo, olhe que a França é bem mais socialista que a China".

Monday, June 06, 2005

A Chama imensa

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Sport Macau e Benfica conquista título de sub-18 no campeonato de futebol de júniores da RAEM.

Mao, mesmo muito Mau

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A nova biografia de Jung Chang, autora de "Cisnes Selvagens", atribui a Mao Zedong a responsabilidade pela morte de 70 milhões de chineses. Jung foi "guarda vermelha" viu os seus pais serem denunciados como traidores durante a Revolução Cultural e o seu pai foi torturado até à morte num campo de trabalho.
Para saber mais sobre este livro:

"Jung Chang: Of gods and monsters", no Independent.
"'This book will shake the world' ", No The Guardian.

O Ambiente para os negócios

As 10 províncias ocidentais da China sofrem uma per ecnonómica anual de 150 mil milhõesd e yuans devido à deteriorização ambiental. A região está a enfrentar graves problemas ao nível da erosão do solo, desertificação e degeneração da flora. Pode saber Mais sobre este estudo por um investigador da Universidade deNingxia, aqui.

Saturday, June 04, 2005

Há 16 anos

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O Governo chinês respondia assim aos protestos dos estudantes na Praça de Tiananmen em Pequim.

Por detrás do Néon

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Algumas verdades sobre a situação económica e social em Macau:

"Há uma série de crocodilos oriundos de Hong Kong e do estrangeiro, a quem também chamam investidores, que estão a criar uma série de problemas económicos a Macau"

". As pessoas vivem muito desconfortáveis, sob pressão constante, e a harmonia e o conforto, que seriam a essência da qualidade de vida da população de Macau, foram destruídos. E por mais paradoxal que possa parecer, foram destruídos pelo desenvolvimento económico"

" grande fatia de dinheiro produzido está a ir parar às mãos de pouquíssimas pessoas, sobretudo aos empresários das áreas do turismo e do jogo. "

Joey Lao, dirigente da Associação das Ciências Económica de Macau no jornal Hoje Macau

Friday, June 03, 2005

O Homem do Laço

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Donald Tsang apresentou a candidatura a chefe do executivo de Hong Kong. Há mais dois candidatos para as eleições decorrerm no dia 10 de Julho - o deputado Chim Pui-chung e o líder do Partido Democrata, Lee Wing.tat - mas já se sabe que Tsang vai ser o escolhido pela Comissão Eleitoral, porquanto é o eleito por Pequim para ocupar a cadeira deixada vaga por Tung Chee-hwa.
E o que pensa Donald Tsang, dedicado e condecorado funcionário público ao longo de mais de 30 anos, acerca da política e sociedade de Hong Kong?Eis umas frases soltas:

Sobre a governação, "We have made mistakes, but let's not look at the past as a reason for our grumble today".

Acerca do sufrágio directo, "Mapping out a rigid time is difficult. The biggest challenge is the mutual trust between Hong Kong and the central government"

E o que há a dizer sobre o 4 de Junho (Massacre de Tiananmen)? "We can see that our country has impressed the world with its economic, social and political reforms over the past 16 years. I think is more rational when we look at it from this perspective. That's all I have to say"

Thursday, June 02, 2005

Tuesday, May 31, 2005

O "Non" visto daqui

Perguntava-me um amigo sobre o que penso do "não" francês ao Tratado Constitucional. Do que tenho lido nestes dias, gostaria de ter escrito estes dois textos:
"Sem Rumo na Tempestade", Vital Moreira no PÚBLICO (sem link)
"On a Perdu", Filipe Moura no BdE II

A Sociedade Harmoniosa

"President Hu Jintao's ideas of creating a harmonious society have more to do with the Buddhist 'middle way' than with Marxism"

Laurence Brahm no "South China Morning Post"

Monday, May 30, 2005

Ainda e sempre a Ameaça: um alerta

Escreve Nicholas D. Kristof no New York Times,
"So it's time for Americans to take a deep breath. Poisonous trade disputes with China will only aggravate the risks ahead, strengthen the hard-liners in Beijing and leave ordinary Chinese feeling that Americans are turning into China-bashers. Sadly, they'll have a point."

A retórica da "Ameaça-China" só leva à escalada do "security dilema", ao endurecimento da linha dura do regimes chinês e ao recrudescimento dos sentimentos "anti-americanos" entre a população. Afinal o objectivo não era integrar a China no sistema internacional, de modo a através de um "spill over effect" contribuir para a abertura do regime?

Retaliação

O Governo chinês respondeu à letra à decisão da União Europeia de levar o caso do comércio têxtil à Organização Mundial do Comércio e às medidas proteccionistas impostas pelos Estados Unidos. Pequim retirou as tarifas à exportação de 81 categorias de produtos têxteis. Começa a escalar a guerra comercial. De repente europeus e norte-americanos lembraram-se que a liberalização do comércio de têxteis pode trazer problemas às indústrias locais, quando o Uruguay Round já foi há 10 anos - tempo suficiente para preparar o sector têxtil para este impacto - e sabendo que as medidas de salvaguarda só podem vigorar até 2008. É certo que a China nem sempre joga com as armas justas no comércio internacional, mas há que lembrar também que o proteccionismo e a guerra comercial levam a um beco sem saída.

Thursday, May 26, 2005

A tempo

Ainda estou a tempo de dar as boas-vindas ao interessante "The Guest of Time".

EUA-Afeganistão

Um olhar chinês sobre o assunto: "To be US "strategic partner" or the partner of "US strategy"?

China-Uzebequistão: amigos como sempre

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Depois de na terça feira, o governo de Pequim ter afirmado estar em sintonia com o presidente do Uzebequistão na luta contra o "terrorismo e os separatistas", os chefes de estado dos dois países assinaram hoje 15 acordos, entre eles um avaliado em 600 milhões de dólares com vista à cooperação petrolífera.
Quanto à repressão sangrenta da revolta de Andijan, o porta-voz da diplomacia chinesa afirmou que esse é um problema interno do governo ce taskhent. Por isso, Pequim não interfere.
Apesar das críticas internacionais, a China mantém o apoio firme a Islam Karimov, considerando que o fundamental é manter a estabilidade na região. Recorde-se que a Pequim e Taskhent fazem parte da Organziação de Cooperação de Xangai juntamente com o a Rússia e as outras repúblicas da ásia Central - uma organização que luta contra o separatismo, extremismo religioso e a criminalidade transfronteiriça.
Por isso a posição chinesa é clara. Apoia o Uzebequistão na luta para proteger a estabilidade e prosperidade comum da região e segiundo o ministério dos negócios estrangeiros chinês para manter a estabilidade é preciso, em primeiro lugar, combater as forças desestabilizadoras.

Tuesday, May 24, 2005

"See China, Learn What Europe Must Become"

Em Agosto do ano passado, Umberto Eco escreveu: "Europe will vanish from the world stage unless it becomes a united superpower"

Em Macau nada Mao

Macau é um local especial, mesmo único no mundo. Em 27 quilómetros quadrados vivem cerca de 450 mil pessoas, num território com um regime jurídico, um sistema político e uma realidade sócio-económica distinta da China Continental (primeiro sistema). Fruto da herança colonial portuguesa, Macau, ou melhor, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tem ,de jure, e até certo ponto, de facto, uma cultura em que o Ocidente e o Oriente se cruzam. Até aqui nada de novo. A propaganda oficial já desde os tempos da Administração portuguesa propagava este território como uma “placa giratória”, “ponto de encontro”, “plataforma”. Mas muitas vezes estas palavras escondem um vazio de ideias e de projecto para o enclave – é que para outros Macau podia resumir-se a “putas e vinho (Jogo) verde”.
Passados cinco anos e meio da transição de soberania como está Macau? Bem e recomenda-se. Basta olhar para onéon das estatísticas que sinalizam uma economia a crescer exponencialmente (em 2004, o PIB avançou mais de 20 por cento). Mas há um preço que começa a ser pago. A cidade está a rebentar pelas costuras, há um preocupante desleixo na qualidade urbanística, a especulação imobiliária está leonina, e aumentam as assimetrias sociais, além de não existir um regime democrático e da economia estar cada vez mais ultradependente face aos casinos, já para não falar na insanidade de alguns dos novos projectos.
No futuro paira um espectro: o fim da Paz social levada a cabo por Edmund Ho, o aclamado chefe do Executivo. Os desafios são tremendos e depois dos primeiros cinco anos repletos de sucesso, com uma transição pacífica, sem sobressaltos, próspera, o segundo mandato de Ho será certamente mais sinuoso com pressões de vários lados: das operadores de Las Vegas que estão a assentar arrais; do inefável Stanley Ho; dos especuladores e de outros chacais; das tríades; e acima de tudo de uma sociedade ansiosa por também colher uma fatia do invejável crescimento económico e, que, provavelmente vai começar a insurgir-se contra a decadência na qualidade de vida. Mas é sempre complexo falar desta terra, um local com tantas especificidades, idiossincrasias – como João Aguiar bem escreve, “Um pequeno universo difícil de aprisionar dentro de modelos que não sejam o seu…podemos ignorá-lo, desprezá-lo, mascará-lo, podemos fazer tudo excepto capturá-lo dentro dos limites estreitos da lógica comum. É um dragão, porque a China é terra de dragões. E é feito de fumo porque basta-lhe um momento ou um sopro para que a sua forma se altere e o que ontem foi deixe hoje de ser.” (in “O Dragão de Fumo”).
E às vezes é tão simples...

Na blogosfera

A rede chinesa no Blasfémias

"Em Itália, a região do Prato, uma região tradicionalmente têxtil, é agora dominada por empresas chinesas, que têm o apoio das autoridades locais. A região está a transfomar-se num interposto comercial da China na Europa.Conclusão: as autoridades portuguesas, em vez de perseguirem os chineses, deviam dar-lhes as boas vindas e rezar para que eles transformem o Vale do Ave na porta de entrada do têxtil chinês na União Europeia. "

Monday, May 23, 2005

VIVA

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(montagem: Ed. Brito)
VIVA O MARXISMO-BENFIQUISMO DE MERCADO. SOMOS CAMPEÕES CARAGO!!!!!!!!!!!

Friday, May 20, 2005

Guerra das Estrelas?

(Numa galáxia bem perto daqui, dentro de alguns anos...)
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A China está contra a militarização do espaço que estará a ser planeada pelos Estados Unidos. Para o ministério chinês dos negócios estrangeiros o espaço é património da humanidade e deve ser usado para benefíco de todos.
Um dia depois da publicação de notícias de que a Casa Branca estava a estudar uma proposta da Força Aérea que abriria a porta à militarização do espaço, a China responde com a defesa de um espaço para todos, um bem comum que deve ser usado para a paz.

O jornal "New York Times" escreveu na quarta-feira que o Pentágono defende a instalação de armas no espaço para defender os sistemas de satélites norte-americanos. Segundo a imprensa norte-americana, os planos incluiriam novos programas de armas espaciais, com espelhos móveis, raios laser ou ondas de radiofrequência. A Casa Branca já negou que esteja a planear a militarização do espaço, mas confirmou que prepara alterações aos documentos legislativos sobre o assunto.

Certo é que Washington admite que pretende proteger os sistemas espaciais que detém e está por isso a preparar uma nova directiva.

Perante este cenário, Pequim insurgiu-se contra uma eventual militarização do espaço. O porta- voz da diplomacia chinesa diz que o espaço é um património da humanidade que deve ser usado pacificamente, para benefício de todos.

Thursday, May 19, 2005

China homofóbica

"China has blocked a popular website devoted to providing information and support to the nation's large but closeted homosexual population, even as the nation fights an exploding AIDS epidemic, the site's manager said on Wednesday.
The site which sees 50,000 to 65,000 visits a day mainly from mainland Chinese, had been blocked since April 11, manager Damien Lu said." Ler aqui

O "Império do Meio" contra ataca

São palavras fortes e incisivas. O Ministro do Comércio afirma que Washington e Bruxelas estão a violar o princípio de livre comércio da Organização Mundial do Comércio.
Bo Xilai acusa os Estados Unidos e os países da União Europeia de terem um peso e duas medidas. Por um lado querem que a China abra o mercado à entrada de produtos competitivos, por outro fecham as portas a outros em que os chineses têm vantagem, como é o caso dos têxteis.
No último dia da conferência da revista Fortune, em Pequim,
O ministro do Comércio chinês defendeu ainda que o rápido crescimento das exportações têxteis chinesas, com o final do sistema de quotas, desde 1 de Janeiro, foi provocado pelos Estados Unidos e UE.
Bo Xilai considera que "alguns países" desenvolvidos falharam em seguir o estipulado pela Organização Mundial do Comércio em 1995, de reduzir gradualmente o sistema de quotas têxteis e vestuário em dez anos
Estas palavras surgem um dia depois da União Europeia avançou terça-feira com medidas de urgência em relação a duas categorias de têxteis, t-shirts e fio de linho, que aumentaram 187 por cento e 56 por cento, respectivamente, desde Janeiro.
No caso de a China não aceitar fazer uma auto-redução das exportações destes produtos, a UE avançará com imposição de medidas de salvaguarda.
Os Estados Unidos, por seu lado, já avançaram, sexta-feira, com a imposição de medidas de salvaguarda contra três categorias de têxteis chineses, incluindo calças e roupa interior de algodão, que aumentaram a uma taxa de 366 a 1.500 por cento, desde Janeiro.

Wednesday, May 18, 2005

Quase me esquecia

Que o início oficioso deste blogue aconteceu há um ano. Embora a coisa tenha recomeçado a sério com regularidade e assumidamente no dia 23 de Janeiro deste ano.
Na altura, no dia 18 de Maio de 2004, publicava aqui um texto que tinha escrito para a revista "Via Latina" da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra. O Sínico Esclarecido republica o texto.

Os E.U.A e o yuan

Os Estados Unidos estão a apertar o cerco ao valor do yuan. Segundo um relatório do Departamento do Tesouro Ao não valorizar o renmimbi, a China está as distorcer o mercado e a colocar em risco a economia chinesa e os parceiros comerciais. No entanto, o documento evita classificar a China de estado manipulador do valor da moeda, o que abriria caminho para que Congresso aplicar sanções..
Por um lado a China é acusada de estar a distrocer as condições de mercado no comércio internacional so não valorizar o renmimbi, por outro o relatório procura não ser duro ao ponto de chamar ao governo de Pequim manipulador.
A divulgação relatório do Departamento do Tesouro foi atrasado um mês porque dentro da administração havia divisões quanto á maneira como se devia lifdar com o problema; uns defendem uma posição firme, outros preferem uma maior contenção. O resultado final acabou por ser um meio termo.
Na apresentação do relatório, o secretário norte americano do tesouro sublinhou que Washinton não está a pedir a flutuação livre do yuan, mas apenas uma mais flexibilização. John Snow disse mesmo que pretende apenas um alrgamento da banda de negociação entre o dólar e o yuan que se mantém no intervalo rígido em 8.28 renmimbis por dólar. Este relatório foi divulgado no dia em que a casa de investimento JP Morgan considerou que a apreciação da moeda da República Popular da China está "iminente" e prevê que possa ocorrer "até ao início de Setembro".

China-Angola

São 12 acordos nas áreas da comunicação social, energia, águas, obras públicas e agricultura. Sem revelar o montante do empréstimo, o o ministro angolano das Finanças salientou que os acordos representam "um passo significativo" na aplicação do financiamento concedido pelo Eximbank e que são "um exemplo magnífico" das actuais relações de cooperação entre Angola e a China.
A mesma ideia foi também transmitida pelo vice-presidente do Eximbank. Su Zhong considerou que os acordos individuais de crédito assinados marcam uma "nova época" na cooperação entre os dois países.
Já em abril, o governo angolano tinha revelado que esperava adjudicar em breve os contratos relativos à primeira fase do crédito concedido pelo Eximbank, no valor de mil milhões de dólares, ou seja, metade do total deste empréstimo. Depois desta fatia, virá uma segunda fase, também no valor de mil milhões de dólares que poderá ser solicitada pelas autoridades angolanas logo que estejam concluídas todas as formalidades previstas na primeira fase.
Esta linha de crédito, com um prazo de reembolso de 12 anos, é a principal fonte de financiamento do programa de investimentos públicos do governo angolano para o período 2005-2007.
O acordo entre o banco chinês e o governo angolano permite que as empresas chinesas possam subcontratar empresas angolanas, desde que o valor desse contrato não ultrapasse 30 por cento do valor global do projecto.
(com Lusa)

Tuesday, May 17, 2005

Managing China

A propósito do texto de Robert Kagan "The Illusion of Managing China", bem destacado pelo Sinédrio,

"Yes, the Chinese want the prosperity that comes from integration in the global economy, but might they believe, as the Japanese did a century ago, that the purpose of getting rich is not to join the international system but to change it?"

O "Chinese Defence White Paper" refere que

The relations among the major powers are undergoing significant and profound readjustments; various kinds of partnerships are gradually developing along the line of institutionalization; and each country is enhancing its consciousness of independence, unity for strength, and coordinated development. (…) The sustained development of the multipolarity tendency and economic globalization has further deepened their mutual reliance and mutual condition and helped toward world peace, stability and prosperity. The factors for safeguarding world peace are growing constantly.

Yong Deng em "Escaping from peryphery, China's National Identity in World Politics" salienta que

"the prevailing security dilemma has led Beijing to view international institutions from a realpolitik perspective without basing its participation upon an embrace of generalized liberal principles of conduct entailed in multilateralism."

E seguindo a lógica da transição de poder de A.F.K. Organski - "power transition theory", poderemos ter razões para considerar que na altura em que houver uma situação próxima da paridade entre o poder hegemónico e o que o desafia, a probabilidade de haver um conflito é elevada. No entanto será importante lembrar, por um lado, os avanços da China no engagement com as organizações multilaterais, como é o caso da OMC, por outro, lembrar que nem sempre a transição de poder gerou guerra (apesar disso ter acontecido em muitas situações ao longod a história). Perante esta bifurcação, Zhiqun Zhu alerta que "punishing China unilaterally will only create a dissatisfied China; incorporating China into the multilateral international arena where China's own intererts hinge on abiding by inernational rules will more likelly make China a satisfied power".

Artigos definidos

"The Chinese are coming. Let's greet them", Jerome Monot
"The Illusion of 'Managing' China", Robert Kagan

Monday, May 16, 2005

Blame China

Se no "South Park", o bode espiatório era o vizinho do norte - "Blame Canada" - nos dias que correm a China serve de arma de arremesso, desculpa e "raison d'être" de muitos problemas da economia norte-americana (e não só)

  • Se a balança comercial cada vez mais desfavorável, "Blame China" por causa do valor do renmimbi
  • Se os empregos desaparecem e as empresas voam para o Oriente, deslocalizando a produção, "Blame China" por oferecer condições laborais ao gosto das empresas que procuram custos de produção mais baixos para poderem competir no mercado.
  • Se a Coreia do Norte continua teimosamente arreigada ao programa nuclear, "Blame China", por não fazer o suficiente nas negociações.
Não querendo com isto negligenciar o "factor e efeito China", vale a pena pensar no que é possível fazer para melhorar a competitividade das economias e a saúde das finanças públicas (olhe-se para os défices galopante nos EUA), em vez de constantemente apontar o dedo. É isto que o que defende William Pesek Jr. no I.HT -um texto interessante para um debate mais alargado.

China e Vaticano

Estará mesmo o Vaticano disponívela sacrificar Taiwan pela China? O "Telegraph" diz que é provável..

The Vatican is moving quickly to improve relations with Communist China, which has not recognised the Holy See since Chairman Mao drove out the papal nuncio more than half a century ago

Sunday, May 15, 2005

賓菲加

É assim que se escreve Benfica em Chinês...

P.S. Desculpem deitar este foguete antes da festa, mas é irresistível!

Eleições em Taiwan

Apesar de serem eleições para uma Assembleia "ad hoc", cuja missão é tratar de assuntos constitucionais, certo é que o Partido Democrático Progressista do presidente Chen Shui-Bian pode respirar de alívio. Mesmo com uma participação de apenas 23 por cento dos eleitores da Ilha Formosa, a linha independentista pode cantar vitória, uma vez que conseguiu resistir aos estudos de opnião que davam conta de uma descida da popularidade do governo e de um Kuomintang em ascenção depois das visitas à República Popular da China. Mesmo assim, os analistas defendem nque numa situação de grande afluência o campo anti-indepednência venceria, como aconteceu em Dezembro do ano passado nas eleições legislativas.

Os resultados:

Partido Democrático Progressista (independentista).................127 assentos
Kuomintang ( partidiários de uma aproximação à China)..........117
União da Solidariedade de Taiwan (independentista radical)..... 18
Partido O Povo Primeiro (aliado do Kuomintang)........................17


Esta Assembleia tem como missão principal fazer alterações à Constituição que podem passar pelo direito á realização de referendos sobre a soberania de Taiwan e a redução do número de deputados da Assembleia Nacional (o parlamento).

Saturday, May 14, 2005

Friday, May 13, 2005

Artigos definidos e outros textos

"China-EU vibrant partnership lessens friction on arms embargo, textile trade"
"The 'Talibanization' of Central Asia", por M K Bhadrakumar
"Realismo vs Idealismo ou Realismo + Idealismo?" n'O Sinédrio

O Povo Primeiro

A China garante que caso os dirigente de Taiwan coloquem de lado o cenário da independência, vai cessar a ameaça militar contra a Ilha Formosa.
Este foi um dos pontos do comunicado conjunto resultante do econtro de James Soong, líder do Partido o Povo Primeiro com o Presidente Hu Jintao.
James Soong regressa hoje a Taiwan com uma promessa na bagagem. Se Taipé colocar de lado o cenário da independência, Pequim compromete-se a acabar com a ameaça militar.
Questionado sobre como é que iria convencer o líder pró- independentista de Taiwan, Chen Shui-bian, a colocar de lado a ideia de autonomia da ilha, Ó líder do Partido o Povo Primeiro respondeu que "basta as autoridades de Taiwan concretizarem promessas anteriores".
Soong citou uma declaração conjunta entre o Partido o Povo Primriro e o líder taiwanês, no dia 24 de Fevereiro.
Nesse documento, Chen Shui-bian comprometeu-se a não declarar a independência da ilha ou realizar referendos sobre temas sensíveis como a soberania do território.
O encontro entre Hu Jintao e James Soong foi alvo de grande cobertura mediática.
O aperto de mão entre Hu Jintao e James Soong, líder do Partido O Povo Primeiro, bem como um breve discurso inicial dos dois políticos, foram transmitidos em directo pela televisão para todo o país.
Nas declarações, Hu Jintao e James Soong enfatizaram a mensagem de que o diálogo entre as duas margens "é uma resposta à expectativa de "paz" de todos os chineses e taiwaneses.
Soong declarou a Hu que o PPP "nunca considerou que a independência de Taiwan devesse ser a escolha da ilha, porque só poderá trazer guerra e desgraça".

Wednesday, May 11, 2005

O Nó Górdio ou o Embargo Embargado

A presença em Pequim de Benita Ferrero-Waldner, comissária para as relações externas da União Europeia, suscita uma breve contextualização e análise sobre um dos dois espinhos que tem ensombrado as relações entre Pequim e Bruxelas (o outro diz respeito ao comércio de têxteis)
Depois de um trade love affair, o passo lógico nas relações entre o bloco europeu a o “Império do Meio” seria a resolução de um problema que tem sido uma pedra no sapato no relacionamento entre as duas partes: o embargo à venda de armas decidido pela União após o massacre de Tiananmen em 1989. A este propósito a China lembra que o fim do embargo foi uma “promessa”, ou pelo menos, declaração de intenções não só de líderes europeus, chefes de estado e governo, como de altos responsáveis da Comissão Europeia ou mesmo do Conselho – como foi o caso de Romano Prodi e Javier Solana ou mesmo mais recentemente de Durão Barroso. Mais: na argumentarão de Pequim, não faz sentido colocar a China no mesmo saco do Zimbabwe, em especial numa altura em que as relações económicas comerciais estão mais intensas que nunca. Por outro lado, em Pequim, há quem veja a atitude europeia como hipócrita, uma vez que quando dava jeito ir a Pequim negociar a venda de AirBuses e abrir caminho para contratos e investimentos, os líderes europeus esqueciam a violação dos direitos humanos e prometiam que tudo iam fazer para terminar com o embargo o mais rapidamente possível. Agora parece quase impossível fazê-lo antes do final da presidência luxemburguesa da U.E. que termina a 30 de Junho. Depois é Londres que toma conta da presidência do Conselho, o que dificultará ainda mais a ambição chinesa.
Na resposta, os dirigentes europeus realçam que o objectivo continua a ser o fim da proibição, mas que, com a recente aprovação da Lei Anti-Secessão e devido aos lentos progressos no respeito pelos direitos humanos, seria complicado convencer os estados-membros a aceitar o levantamento do embargo, em especial, por um lado, os transatlanticistas, e, por outro, os países nórdicos que tomam, por norma, uma posição de força face a questões que envolvam o desrespeito pelos direitos do homem.
No meu entender, estes dados permitem perceber uma parte do problema, mas não a sua totalidade. Existem outros factores ao nível doméstico e da estrutura internacional que tem que ser tidos em conta, a começar pela influência dos Estados Unidos. Recordo que a mudança de atitude de alguns estados, de renitentes apoiantes para opositores do fim do embargo aconteceu aquando da missão europeia da Administração Bush. É claro que para os Estados Unidos a modernização do armamento chinês constitui um perigo, que, apesar de ser inevitável, deve ser atrasado. A retórica da “ameaça-China” está a voltar em força a muitos “think-tanks” (não é que tenha estado ausente) – como é o caso do último número da “Atlantic Monthly” – à medida que a China se constitui como o poder regional da zona da Ásia Oriental. Repare-se no que escreve Robert Kaplan na supracitada publicação norte-americana:

In any naval encounter China will have distinct advantages over the United States, even if it lags in technological military prowess. It has the benefit, for one thing, of sheer proximity. Its military is an avid student of the competition, and a fast learner. It has growing increments of "soft" power that demonstrate a particular gift for adaptation. While stateless terrorists fill security vacuums, the Chinese fill economic ones.

Monday, May 09, 2005

Estado de Direito

O New York Times conta a história de Li, um homem que passou dois anos na prisão Nº 2 de Shandong, ou melhor num campo de re-educação, sem direito a advogado ou julgamento. Apenas por alegadamente ter pertencido à Falun Gong.Um exemplo entre centenas, milhares...
"Issue in China: Many in Jails Without Trial"

Saturday, May 07, 2005

ASEM

Este fim de semana decorre, em Quioto, no Japão, a reunião ministerial do Asia Europe Meeting (ASEM). O embargo à venda de armas à China e a situação na Coreia do Norte são dois dos principais tópicos da agenda.
A própósito deste encontro, destaco aqui o papel deste Fórum de Diálogo entre a Uião Europeia e a Ásia Oriental, sugiro a leitura de um pequeno ensaio da minha autoria que está disponível num novo blogue-irmão deste: O Sínico Esclarecido. É lá que vou colocar alguns ensaios e artigos mais extensos que considero relevantes para o enquadramento e compreensão da realidade político-económica da China, Ásia Oriental e de outros aspectos das Relações Internacionais.

Thursday, May 05, 2005

Early Morning Post

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Ao fundo, o Mar do Sul da China, ou será o Delta do Rio das Pérolas?

Wednesday, May 04, 2005

Um panda para mim, um panda para ti

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The Standard, 04-05-2005.
O presidente de Taiwan convidou o presidente Hu Jintao a ver com os próprios olhos se a Ilha formosa é um país soberano e independente. Este convite surgiu no último dia da visita de Lien Chan à China. O líder do Kuomintang, principal partido da oposição, levou na bagagem de volta para Taiwan dois presentes das autoridades chinesas: um casal de pandas e promessas de mais cooperação económica.
Quanto aos pandas, as opiniões dividem-se dentro do Partido Democrático Progressista. O deputado Hsu Kuo Yung diz que se Taiwan aceitar os animais, simbolicamente, admite que é um governo local da República Popular da China. Já Chen Shui Bian disse que a única coisa que interessa é o respeito pela protecção da vida de animais selvagens.

Momentos Etéreos

José Duarte, mago do jazz e da Rádio, conta no programa "A menina dança", na Antena 1 uma "estória" dos escombros da história da China Popular.

Estava o grande Timoneiro Mao Zedong a dormir a sua sesta e chega o seu general que o acorda e afirma, "Camarada Mao, o exercito de tawian invadiu a china".
"A sério?", respondeu Mao... "E em que hotel estão?


Depois passou um tema chinês que um amigo lhe tinha trazido...

Tuesday, May 03, 2005

Galileo em Português

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O português Pedro Pedreira foi eleito esta segunda-feira, em Bruxelas, director executivo da empresa que vai montar e gerir o projecto europeu Galileo que irá concorrer com o GPS norte-americano na área do posicionamento por satélite.

Impedido

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Cheng Yizhong antigo editor chefe do jornal "Southern Metropolis" foi impedido pelas autoridades chinesas de se deslocar ao Senegal para receber um prémio das Nações Unidas para a Liberdade de Imprensa.
Cheng, que deveria participar esta terça-feira numa cerimónia em Dacar, para receber os cerca de 19 mil euros referentes ao Prémio de Liberdade de Imprensa Mundial de 2005 da UNESCO/Guillermo Cano, foi responsável editorial por um jornal que revelou vários escândalos na República Popular da China. A UNESCO concedeu-lhe o prémio pela coragem que demonstrou e pelos novos caminhos que desbravou no jornalismo chinês.
De acordo com o "South China Morning Post",Cheng Yizhong afirma em comunicado que "sente muita pena" e pedido "muitas desculpas" por não poder ir a Dacar.
No mesmo comunicado, Cheng apelou aos jornalistas do continente chinês para "falarem a verdade" de forma a "aumentar a transparência política" no país e lamentou que a imprensa na China esteja cheia de "medos e mentiras".
JCM com Lusa

Mercado comum?

Lien Chan guardou para o último dia a carta mais valiosa. O líder do Kuomintang lançou a ideia de um mercado comum entre os dois lados do estreito de Taiwan. Em Xangai, perante comunidade empresarial de Taiwan com negócios no continente, Lien Chan denfendeu que um mercado comum poderia criar condições para um desenvolvimento económico em paz e cooperação, aprofundando a integração das economias da China e da ilha fromosa. Apesar de reconhecer que não será fácil avançart com a medidad destas, o homem forte da oposição de Taiwan considera que o novo mecanismo de cooperação económica deve ser lançado em breve de modo a criar uma situação favorável para todos.
Para já o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês concordaram em desenvolver uma plataforma para promover o desenvolvimento pacífico, e as trocas económicas entre os doia lados do estreito, ao nível do comércio e da cultura.
Mas a ideia de um mercado comum entre a China e Taiwan está a ser mal recebida nalguns sectores da ilha Formosa. É o o caso do influente jornal Taipei Times. Em editorial, o diário diz que um mercado comum é uma má ideia. Em priemrio lugar porque criar nesta zpna um mecanismo semelhante ao que existe na União Europeia não faz sentido porque as estruturas económicas são muito diferentes. Em segundo, porque a China continetal não respeita princípios básicos da coexistância pacífica, direitos humanos, demcocracia e estado de direito.

Monday, May 02, 2005

Luta Interna?

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Este artigo do "Asia Times" chama a atenção para algo que tem andado arredado das análises sobre o Partido Comunista Chinês: a recorrente luta interna entre conciliadores e duros. Esta reflexão surge a propósito das recentes manifestações anti-Japão.

Trabalhadores Modelo

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A lista de "trabalhadores modelo" escolhidos pela China comunista este ano inclui empresários chineses privados com grandes fortunas e o desportista mais rico do país, Yao Ming.
Para os responsáveis pela nomeação dos candidatos, a escolha de nomes como o magnata chinês Liu Yonghao, ou o basquetebolista Yao Ming, a jogar nos Estados Unidos, preenche todos os requisitos, apesar de ter gerado controvérsia no país.
São ricos, mas têm dado "grandes contributos" nos respectivos sectores de actividade e preenchem o pré-requisito fundamental para receber o título: são "patriotas" e "apoiam" a liderança do Partido Comunista Chinês. (Lusa)

Saturday, April 30, 2005

Artigos Definidos para o Fim de semana

"Chen could be Taiwan's Nixon", por Jianwei Wang
"Spotlight: 2 moguls team up on Macao", David Lague
"Is it American democracy or American arbitrariness?"

Histórico

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Xinhua
Quem diria? O secretário-geral do Partido Comunista Chinês e o Presidente do Kuomintang a apertarem a mão em Pequim. O que é que isto quer dizer? Para Pequim é um trunfo exibido para consumo externo e interno. Para dentro, mostra que é possível caminhar no médio/longo-prazo para a reunificação. Afinal os partidos que travaram a guerra civil são chineses, um criou a República da China, o outro a República Popular da China. E O grande obstáculo a um entendimento é a democratização de Taiwan. Se a ilha Formosa continuasse a ser o feudo ditatorial do Kuomintang seria mais fácil chegar a um acordo do género "um país três sistemas". Mas com a democratização e a ascensão ao poder do independentista Chen Shui Bian que ostenta uma retórica anti-China, a situação complica-se. Mesmo assim, para os que advogam a reunificação pacífica esta visita deixa uma boa réstia de esperança. A nível externo, mostra ao mundo que a paz é possível entre os dois lados do estreito, em especial se o Kuomintang estiver no poder. Para o Kuomintang, a missão ao continente é de alto risco. Mas às vezes é preciso ser audacioso para colher os frutos. Se é verdade que os nacionalista enfrentaram protestos em Taipé contra esta viagem, também é visível que Chen Shui Bian, presidente de Taiwan e pró-independentista, ficou ainda mais isolado. O KMT mostrou que só ele próprio pode fazer a paz com a China e que é inevitável uma aproximação política em virtude da interdependência económica. É a lógica de criar uma "win-win situation". Até às eleições de 2009 para a presidência da Formosa ainda muita água vai correr no estreito, mas para já o KMT toma a dianteira claramente, embalado pelos resultados das legislativas de Dezembro de 2004. O caminho de confronto escolhido por Chen Shui Bian é um beco sem saída. E é curioso ver como o próprio Chen esta a emendar a mão depois de ter criticado a viagem - é que 63 por cento dos taiwaneses (dados apresentados por Lien Chan) quer mais cooperação com a China e uma resolução pacífica do diferendo. Mesmo assim, no que diz respeito à reunificação ainda há um logo caminho a percorrer.

Thursday, April 28, 2005

Quem disse reformador?

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Apresentado ao mundo, há dois anos, quando foi designado Presidente da República Popular da China, como um reformador tímido, Hu Jintao tem mostrado uma outra faceta. Este artigo é implacável:

"According to a party scholar who advises the leadership: `Hu spent all those years while waiting to take office thinking and planning what he was going to do, so he's not going to back off now.'' But he said Hu's populist approach has also raised expectations among ordinary Chinese - expectations the party bureaucracy is having trouble meeting."

Breves da economia à Beira-China

1- O Banco Mundial prevê que a economia chinesa cresça 8.3 por cento em 2005. A inflacção deverá chegar aos 3 e meio por cento. O relatório do Banco Mundial refere que os preços vão manter-se dentro do previsto pelo governo, enquanto as autoridades mantiverem as medidas de restrição ao crédito e restantes medidas de controlo macroeconómico.

2-De visita à Filipinas, Hu Jintao abriu as portas à cooperação económica. No total foram assinados 14 acordos no valor de mil e seiscentos milhões de dólares em investimentos e empréstimos. Dois dos mais avultados entendimentos foram na área da indústria ferroviária. A China e as Filipinas acordaram também na cooperação nas áreas da defessa, luta anti-terrorista, exercícios militares e protecção ambiental.

3- A Motorola pôs em marcha um novo centro de Investigação e Desenvolvimento em Pequim para telemóveis de terceira geração. A segunda maior empresa produtora de telemóveis do mundo conta já com 16 centros de investigação na China num investimento total que ascende a 450 milhões de dólares.

Wednesday, April 27, 2005

Gunder Frank R.I.P.

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Foi já há alguns dias, a 23 de Abril, mas só agora dei conta da morte de Andre Gunder Frank, intelectual, economista e historiador. Ao longo dos seus 76 anos de vida escreveu 40 livros, 140 capítulos em livris editados e mais de 300 artigos. Pessoalmente, marcou-me o "ReOrient: Global Economy in the Asian Age". Com contradicões (quem as não tem), mas também com uma grande dose de honestidade intelectual, Gunder Frank foi dos mais inovadores intérpretes do Marxismo na segunda metade do século XX.
Em Janeiro de 2005, Gunder Frank publicou este artigo no "Asia Times": "The Naked Hegemon", ou o Rei Vai Nú.... A Z net, revista on line inspirada por Noam Chomsky traz este artigo sobre a vida de Gunder Frank. O autor conta o encontro com aquele que é provavelmente o mais influente intelectual libertário do mundo:

"I brought Gunder and Chomsky together in 1998 at Noam's office, as they both graciously agreed to serve on my dissertation committee. One of Gunder's first utterances was, "you were right about my Leninism and I should have read the anarchist reading list you sent me thirty years ago." In his fatalistic way, though, Gunder declared, "but I would not have listened anyway." This was Gunder with his usual contradictions and honesty following a purer historical materialism, in which things don't happen until the underlying conditions permit".

Tuesday, April 26, 2005

Chamem a Polícia que eles são Campeões!

A Polícia de Segurança Pública sagrou-se campeã (parabéns!) do campeonato de futebol de Macau. O Kuan Tai e Kei Lun desceram ao segundo escalão. Agora quatro equipas disputam os dois lugares que dão acesso à "Superliga de Macau": os Bombeiros, o Hoi Fai, o Kin Chun e aAutoridade Monetária e Cambial. O Monte Carlo e o Lam Pak, clássicos do futebol macaense tiveram uma época mais discreta. Este artigo faz um resumo da época.

O Kuomintang está de novo China

Vai ser o primeiro encontro em 56 anos dos líderes dos partidos que disputaram a guerra civil. Antes de partir para a China, o presidente do Kuomintang, o principal partido da oposição em Taiwan, falou de uma jornada para a paz. De resto, na conferência de imprensa, em Taipé, Lien Chan e o estado maior do Kuomintang exibiram as letras da palavra “peace”. Outros dos objectivos é procurar abrir caminho ao estabelecimento das ligações postais e de passageiros por via marítima e Aérea. Esse foi de resto já um tema em foco nos encontros do vice-presidente do Kuomintang em Março. Agora o objectivo é dar um passo mais firme no diálogo entre comunistas e nacionalistas. Para isso o encontro com Hu Jintao, presidente da China e secretário geral do Partido Comunista Chinês assume especial importância. Quem não via com bons olhos esta iniciativa é o presidente de Taiwan. O independentista Chen Shui Bian chegou a ameaçar o Kuomintang com acções legais por causa das visitas à China. Agora Chen já considera que a viagem pode ser positiva para as relações entre os dois lados do estreito. Lien Chan chega hoje a Nanjing onde vai prestar homenagem ao fundador do Kuomintang e da República da China, Sun Yat Tsen. Na quinta feira encontra-se me Pequim com Jia Qinglin, membro do comité permanente do comité central do Partido Comunista. O ponto alto da visita acontece na sexta feira quando Lien Chan se encontrar com Hu Jintao. No sábado a comitiva do Kuomintang viaja para Xian, onde vai visitar o túmulo da sua avó e no dia 2 de Maio chega a Xangai onde vai manter encontros com empresários de Taiwan que têm negócios na China.

Saturday, April 23, 2005

Correlação Índia-China segundo John Nye

"Como me disse um estrategista indiano durante uma visita recente "Por volta de 2030, vemos os EUA, a China e a Índia como as três maiores potências na política mundial. Não queremos um mundo dominado pela China ou pelos Estados Unidos, mas, se tivéssemos de escolher, seria mais fácil para nós viver com os últimos."Assim, apesar de o melhoramento das relações entre a China e a Índia ser bem-vindo, é pouco provável que anuncie o início de uma aliança entre a Índia e a China contra os EUA. É mais provável que represente antes outra movimentação na antiga tradição indiana de gerir os equilíbrios regionais de poder".
John S. Nye, no "DN".
Parace-me acertada a análise, em especial esta última frase.
O texto reflecte uma perspectiva indiana e norte-americana sobre o assunto. Do ponto de vista chinês, tudo o que implique lançar laços de interdependência com os vizinhos poderosos, em especial aqueles que têm relações mais próximas com os Estados Unidos, é encarado como uma teia cuja ruptura pode gerar prejuízos económicos e comerciais avultados. A China joga em vásrias direcções a carta mais sedutora: um mercado de consumo em crescimento exponencial e condições de investimento muito atractivas.

Friday, April 22, 2005

Mes Amis Chinois

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The Standard, 22-04-2005. Jean Pierre Raffarin diz ainda acreditar no fim do embargo durante a presidência luxemburguesa da União Europeia. No primeiro dia da vista a Pequim, o primeiro-ministro francês apoiou também a lei anti-secessão aprovada pela Assembleia Nacional Popular. Para Raffarin, o diploma é compatível com a política externa francesa. França é o país da UE que tem feito mais campanha para o bloco europeu remover o embargo imposto após a repressão sangrenta dos protestos pró-democracia de Tiananmen, em 1989. Os estados-membros anunciaram, em Dezembro, do ano passado que iam tomar uma decisão sobre o embargo até ao fim da presidência rotativa europeia do Luxemburgo, que acaba a 30 de Junho. Mas com a adopção da controversa lei anti-secessão de Taiwan e a forte pressão dos Estados Unidos, os 25 podem agora adiar essa decisão. O alto responsável europeu para a política externa, Javier Solana, disse esta semana que a UE continua empenhada em remover o embargo, mas disse que uma decisão sobre o assunto poderá ser em 2005 ou poderá ser em 2006. O primeiro-ministro francês está em Pequim também para abrir caminho a negócios coma China. Antes da conferência de imprensa conjunta com Hu Jintao, Raffarin assistiu à assinatura de contratos para a venda de 10 aviões da Airbus a companhias aéreas chinesas. Na lista das novas encomendas, a China Eastern Airlines comprou cinco A319 e a Shenzhen Airlines encomendou outros cinco aviões A319 e A320. O valor destas compras ascende a cerca de 4 mil e 500 milhões de yuans. Durante a cerimónia de assinatura dos acordos, foram também concluídos outros negócios que envolvem um total de 20 encomendas no valor de 24 mil milhões de yuans.

Thursday, April 21, 2005

China-Japão: Detente à vista

O presidente chinês Hu Jintao e o primeiro-ministro japonês Junishiro Koizumi podem encontrar-se nesta sexta-feira em Jakarta durante a conferência Ásia-África, evento comemorativo dos 50 anos da Conferência de Bandung. O objectivo é acalmar os ânimos e enviar uma mensagem de pelo menos algum desanuviamento depois de duas semanas de protestos Anti-Japão na China evido aos manuais escolares que omitem os crimes de guerra praticados pelo exército impeial nipónico nos anos 1930 e 1940. Depois do ministro chinês dos Negócios Estrangeiros ter pedido o fim das manifestações, a chancelaria de Tóquio lançou a proposta dos líderes se econtrarem para amainar a tensão sino-nipónica. Isto surge no dia em que foram conhecidos os números do comércio externo do Japão para o ano fiscal de 2004. Como seria de esperar, a China ultrapassou os Estados Unidos como o maior parceiro comercial do Japão. Já ontem a maior asssociação de empresários japoneses avisava para os perigos de uma escalada na tensão entre os dois países. Não admira: a China tem sido o principal leitmotiv da recuperação da economia do "País do Sol Nascente". Recordando um debate já ensaiado neste blogue, a interdependência comerial e económica fala mais alto, no entanto não podemos afastar o que do ponto de vista geopolítico divide Pequim e Tóquio: a remilitarização japonesa e a possibilidade do Japão ter um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. E, em última análise, a balança de poderes na zona da Ásia Oriental.

China Neon Realista

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(jcm)
Em Cantão/Guangzhou, Setembro 2004.

Wednesday, April 20, 2005

Sobe Sobe PIB Sobe

A economia chinesa registou uma subida de 9.5 % no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Parece que as restrições ao crédito e outras medidas de controlo macroeconómico criadas para evitar um sobreaquecimento e provável "aterragem difícil" não estão a resultar muito.

Tuesday, April 19, 2005

A China e o Galileo

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A participação da China no Projecto Galileo, o sistema de navegação rádio-satelite da União Europeia e da ESA, é um assunto muito interessante, uma vez que implica vários factores geopolíticos, securitários, militares, económicos e comerciais. É um tema que vai ser recorrente neste blogue. Para já, olhamos para este artigo no International Herald Tribune:
"China's acquisition of the Galileo system is seen by these analysts as a major setback to U.S. efforts to limit China's access to advanced military technology. Critics of China's participation in the Galileo project say that the EU is, in effect, assisting China's military modernization despite the embargo."

Singapura abre as portas a casinos

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O Governo de Singapura deu a luz verde à abertura de dois casinos na cidade estado. No final deste ano vão ser escolhidos os operadores. Para já sabe-se que o projecto estará pronto em 2009 e deverá atrir um investimento total de 5 mil milhões de dólares.
Quem está na corrida para construir um casino em Singapura é a Melco. A empresa controlada por Stanley Ho tem na manga um projecto no valor de dois mil e quinehtos milhões de dólares .
Trata-se de uma joint venture da Melco com a Australia Publishing and Broadcasting. O chefe da Melco, Lawrence Ho diz ao jornal the Standard que está a trabalhar cpara construir um projecto integrado com um resort, um casino e um centro de convenções e instalações desportivas.

Macau tem agora um concorrente na Região Ásia-Pacífico. Será que Singapura vai tirar um pedaço do bolo das receitas do jogo da Região Administrativa Especial de Macau? Por aqui há a convicção que Singapura não representa ameaça para um mercado que não pára de crescer.

Monday, April 18, 2005

China-Austrália: soltem o comércio

Camberra e Pequim assinaram um memorando de entendimento com vista ao estabelecimento de uma zona de livre-comércio. A estratégia chinesa é clara: firmar acordos de geometria variável com poderes regionais ou grupos de países que mal podem esperar para tirar partido de uma fatia do apetecível mercado chinês, cuja classe média com poder de compra está em emergência. Além do reforço do investimento, o reforços dos laços comerciais é um passo lógico.
Assim, além da Austrália (cujo processo está em fase adiantada), Pequim está a preparar acordos de livre comércio com os países da Assocação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e com a Índia (este ainda numa fase muito embrionária). A China procura assim tirar partido, do ponto de vista economico-comercial, de um "win-win game" e, simultaneamente, reforçar a posição junto de aliados estratégicos dos EStados Unidos- países do sudeste asiático, Austrália e índia.