Sunday, July 31, 2005

Tiger's eye

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Fotografia de Somon Song no jornal The Standard, 31-07-2005.

Aprendendo com Timothy Garton Ash

"The truth is that even the most powerful country in history, the early twenty-first-century United States, can only have a secondary impact on the internal evolution of a huge, proud and self-referential country like China"
Ash, Timothy Gartin (2004), Free World,Penguim Group, London, p.161.

Friday, July 29, 2005

Investimentos na China

A Portugal Telecom criou a Ásia PT, uma holding que vai juntar todos os investimentos da empresa de telecomunicações na zona asiática, num total de 15 milhões de euros.
O presidente Executivo da PT anunciou ainda reforço do investimento na TV Cabo Macau.
o grande investimento na China é a parceria com a China Passway Logístics. A Portugal Telecom vai investir cerca de 10 milhões de euros nesta joint venture que estabelece uma empresa de transmissão de informações para coordenar frotas de camiões de carga no território da China continental.

Tuesday, July 26, 2005

Subversivos, Corrosivos, Feios e Democratas

O Vice-Director do Gabinete do Governo de Pequim para Hong Kong e Macau deixou cair a máscara de algum amaciamento nas relações com as forças democráticas de Hong Kong. Chen Zuo'er afirma que existe uma mão cheia de gente ("gentalha", para ele) que coloca em perigo a segurança nacional. Pessoas que se atrevem a continuar a defender o sufrágio directo e universal de imediato. Se é veradade que alguns democratas de Hong Kong têm sido pouco hábeis politicamente, tembém é certo que Pequim quer dividir para reinar, chamando para o diálogo o grupo Artgo 45, juristas democratas considerados moderados, e ostracizando a ala mais "radical" do campo pró-democracia cujo ícone continua a ser o veterano Martin Lee.

Sunday, July 24, 2005

Leituras dominicais

"Pentagon's "China threat" paranoia", no Diário do Povo

"A small revaluation, a significant step ", Editorial do New York Times

"Beijing's 'Thursday surprise'", David Lenard, no Asia Times.

O yuan revalorizado e revisitado

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Ao longo destes dias muito tem sido escrito sobre a reforma do valor da moeda chinesa.Destaco aqui algumas contribuições:David Barboza no New York Times (via I.HT.) destaca o risco de uma sobrecarga de "hot money" especulativo que começou a entrar na China na sexta-feira, um dia depois do anúncio do Banco Central da China de desligar o yuan do "peg" fixo face ao dólar, passando a cotar a divisa chinesa contra um cabaz de moedas. Muitos investidores seguem as previsões que indicam que o yuan deverá continuar a valorizar-se contra o dólar ao longo dos próximos meses, podendo subir entre 10 a 20 por cento até ao final do ano. O novo mecanismo permite isso e muito mais. A banda de negociação diária da divisa chinesa é de 0.6 por cento - podendo por isso subir até 0.3 por cento diariamente. O que naturalmente não deverá acontecer. Certo é que a pressão vai aumentar, uma vez que com um crescimento económico "de cortar a respiração", a tendência será para uma valorização gradual do yuan. Veja-se por exemplo um estudo do Banco Mundial que prevê que o yuan suba para 5.80 por cada dólar em 2010, atingindo 2.80 yuans por cada unidade da moeda americana em 2020.Vários analistas têm sublinhado que esta medida é mais política que económica. Ou seja, o objectivo é agradar parceiros comerciais como os Estados Unidos e a União Europeia que se queixavam de uma situação de injustiça no comércio internacional devido a um valor artificialmente baixo do yuan. Mas há outras questões em jogo. Paul Krugman por exemplo lembra que "To keep China's currency from rising, the Chinese government has been buying up huge quantities of dollars and investing the proceeds in U.S. bondsadiantando que, "if the Chinese stopped buying all those U.S. bonds, interest rates would rise. This would be bad news for housing - maybe very bad news, if the interest rate rise burst the bubble" (...) Right now America is a superpower living on credit - something I don't think has happened since Philip II ruled Spain. What will happen to our stature if and when China takes away our credit card? Vêm aí tempos interessantes...

Saturday, July 23, 2005

Parabéns

Pelos dois anos deste blogue fascinante!

Friday, July 22, 2005

Eureka!

Depois de muita especulação, a China revalorizou o renmimbi não apenas contra o dólar, mas ligando a divisa chinesa a um cabaz de moedas. Trata-se da primeira alteração do valor do yuan em cerca de 10 anos.

Wednesday, July 20, 2005

A Divagar se vai ao longe

E neste caso um pouco mais devagar. Devido a vários afazeres, este blogue entra em fase de distensão. Ou seja a arte de postar vai ser exercida com mais parcimónia e menos regularidade. De quaquer modo, estaremos por aqui...

Sunday, July 17, 2005

Leituras Dominicais

"Arroyo hanged by history", por Leslie Davis
"Rove's World", Paul Krugman
"Chinese General sees US as nuclear target"

Macau Património da Humanidade

A UNESCO decidiu, esta sexta-feira. É um momento de alegria e regozijo para esta terra única, com mais de 400 anos de história. Os monumentos classificados ilustram a coexistência da cultura portuguesa e da cultura chinesa (apesar de tudo). Eis alguns dos espaços:

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Farol da Guia, o mais antigo farol do extremo-oriente.

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Dentro da Fortaleza do Monte.


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O Templo de A Ma, na Barra.



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As inevitáveis Ruínas da Igreja de São Paulo.

Thursday, July 14, 2005

China e União Europeia I

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Durão Barroso começou hoje uma vista de cinco dias à República Popular da China. Até segunda-feira, o presidente da Comissão Europeia vai encontrar-se com os altos dirigentes do governo de Pequim, visita Xangai, a capital económica, passa por aqui por Macau e termina a jornada chinesa em Hong Kong. Esta viagem acontece numa altura em que as relações entre a China e a União Europeia atingiram um grau de complexidade e abrangência nunca visto, no ano em que são comemorados os 30 anos das relações diplomáticas entre Bruxelas e Pequim. A este propósito analisamos três vertentes da cooperação sino-europeia – relações económicas e comerciais, políticas e ao nível da cooperação científica – e dois espinhos: o embargo à venda de armas e a questão do estatuto de economia de mercado.
Subjacente a esta análise estão duas observações que embora pareçam contraditórias não deixam de ter um certo grau de complementaridade. Karl Moller (2002, 10) descreve a União Europeia e a China como actores internacionais inacabados - o primeiro por causa do desempenho defeituoso das instituições do estado; o segundo porque os seus estados membros têm sobrevivido enquanto estados-nação, donde que não possuí ainda uma Política Externa Comum de facto coerente e sólida. Já David Shambaugh (2004) considera que a China e a União Europeia estão a formar paulatinamente um “eixo emergente nos assuntos internacionais” que vai servir como fonte de estabilidade num mundo volátil. Mais tarde voltaremos a estas observações.

No que diz respeito às trocas comerciais, os números falam por si: a União Europeia já é o maior parceiro comercial da China e a República Popular, por sua vez, é o segundo parceiro dos 25. Desde 1978, o comércio entre os dois lado aumentou mais de 40 vezes.

Bruxelas tem salientado a relevância da China na economia mundial. Na recta final das negociações para a entrada de Pequim na Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy , na altura comissário europeu do comércio, referira que “com um novo país que pesa um quarto da humanidade, já não é possível falar de uma mundialização ocidental. Desenham-se novos equilíbrio, a partir de uma multipolaridade que os europeus e os chineses sempre desejaram “ (Lamy, 2002, 29). Uma das consequências da entrada da China para o concerto do comércio internacional foi o fim das quotas à entrada de produtos têxteis, com o fim do Acordo Multi Fibras), a partir de 1 de Janeiro de 2005. O que tem gerado laivos de uma guerra comercial entre os dois lados, entretanto amainados através do acordo conseguido por Peter Mandelson, responsável pela pasta do comércio no executivo comunitário. No entanto, recentemente outro conflito emerge em torno do comércio de calçado, embora neste caso, a União Europeia não possa avançar com as cláusulas de salvaguarda que pretendia nos têxteis. Quanto muito, poderá (e deverá) activar processos anti-dumping, ou seja, processos em que as empresas chinesas são acusadas de colocar no mercado europeu produtos a um preço inferior ao praticado no mercado interno. Aqui entronca a questão do estatuto da economia chinesa. A União Europeia ainda não reconhece o estatuto de economia de mercado à China, argumentando que o estado ainda intervém substancialmente no mercado, distorcendo os preços dos bens de um mercado livre. Certo é que a Australia, a Nova Zelândia África do Sul, Brasil, Rússia e Islândia já concederam esse estatuto a Pequim.

O reconhecimento pleno da "economia de mercado" da China retira poderes aos outros países ao nível das acusações de produção abaixo do custo de fabrico ("dumping"). Mas a Comissão Europeia fez saber ontem que ainda não é hora de avançar nesse sentido, já que o assunto está ser alvo de uma prolongada análise técnico, não sendo por isso possível definir uma data para uma decisão nesse sentido.

Wednesday, July 13, 2005

A Política Externa Chinesa depois da Guerra Fria VI

Além da criação da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), na segunda metade dos anos 1990, a China esteve no lançamento de outras pontes, uma regional, outra inter-regional. Quanto ao primeiro, o “ASEAN Plus Three” (APT), trata-se do primeiro instrumento de cooperação e “agenda-setting” que reúne todo o Este da Ásia: os dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), mais a China, o Japão e a Coreia do Sul. No que diz respeito à segunda ponte, que surge como um factor de aceleração da primeira, o Asia-Europe Meeting (ASEM), estamos perante um fórum original de diálogo inter-regional entre, de um lado, os países da União Europeia, e, do outro, as nações da Ásia Oriental. Criado em 1997, este fórum assume características inovadoras no âmbito das relações internacionais, em especial nas dinâmicas inter-regionais e bi-regionais. Julie Gilson em “Asia Meets Europe: Interregionalism and the Asia-Europe Meeting” observa que este instrumento é importante porque foi criado depois do fim da Guerra Fria, num altura em que as alianças estão algo indefinidas, contém uma agenda com três pilares (diálogo económico, político e cultural) e coloca novas questões acerca do inter-regionalismo e a relação entre a integração regional e a globalização.
Além do envolvimento em organizaçõs multilaterais e regionais, nesta altura (final dos anos 1990), a China apostou forte também nas cooperações e parcerias estratégicas a nível bilateral.
(Contnua)

Monday, July 11, 2005

A incansável Rice

Mais uma vez, depois das visitas em Março, Condoleeza Rice está pela Ásia Oriental. Depois de, em Pequim, ter ouvido Hu Jintao dizer-lhe que a Coreia do Norte vai regressar à mesa das negociações e de ter admitido que o crescimento económico da China é algo de bom, a secretária de estado norte-americana está na Tailândia, não só para vistar as zonas mais fustigadas pelo tsunami, mas também para pressionar o governo de Banguecoque (é estranho escrever o nome desta cidade asim) e de outros países do Sudeste Asiático a fazerem mais pela mudança do regime do vizinho Myanmar.
Se já aqui tínhamos referido que a política externa de Washington parece estar menos activa na América Latina, o mesmo não se pode dizer quanto à Ásia Oriental. E desta vez com resultados. Em grande medida graças a Pequim, no que diz respeito à Coreia do Norte. Mas sobre a questão da crise nuclear na península coreana nem tudo será o que aparenta...

Sunday, July 10, 2005

Leituras Dominicais

Na imprensa internacional

"From G8 to G9: Brazil and India in - and Russia out", Timothy Garton Ash no The Guardian.

"Grudge on Unocal bid reveals double standards", na Xinhua.

"www. (censored) "REBECCA MACKINNON / Yaleglobal

E na Blogosfera...

As foto-reportagens do Nic no Tripping Out of my Space. De Taiwan para o Mundo, em especial para estas paragens da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático.

"O EXEMPLO DE LONDRES" no Blogue de Esquerda (II)

As sumptuosas e pós-modernas comemorações do segundo aniversário do Futeblog Total

Entretanto em Macau...

Uma vez que a política em Macau tem estado algo ausente deste blogue, selecciono alguns artigos que sairam nesta semana na imprensa local sobre os assuntos do momento: o chumbo da Lei de Regulamentação da Liberdade Sindical e as movimentação na comunidade portuguesa e macanse em torno de candidaturas às eleições para a Assembleia Legislativa:

"Metem-me dó", Helder Fernando no Hoje Macau

"A Assembleia do nosso descontentamento", Nuno Lima Bastos, no Ponto Final

"A representatividade da comunidade", Gilberto Lopes, no Hoje Macau

China-EUA-Rússia

Na sequência do que escrevi aqui, chamo a atenção para este artigo de Mehdi Parvizi Amineh (ao qual cheguei através do Bloguítica) onde é analisada a relação triangular entre a China, a Rússia e os Estados Unidos na zona da Ásia Central, em especial na área do Mar Cáspio.

It is not yet clear whether the three main contending powers - the US, Russia and China - see each other as rivals, allies or as combinations of the two. Russia and China claim a common interest in the Caspian Sea but until now have not acted in common. The US will use political, economic, and perhaps military pressure to expand its influence and remove any obstacles to the safe flow of oil. Russia and China are unable to compete with the US military and will avoid a direct confrontation with Washington, but they will ally with local powers to defend their regional interests. The nightmare for all three powers is an alliance of the other two; the worst-case scenario for the world would be direct confrontation.

A China na América Latina

Este é um óptimo artigo. Saul Landau analisa a estratégia chinesa para a América Latina; de que modo Pequim está a aproveitar a desilusão com o "Consenso de Washington" e alguma falta de atenção dos Estados Unidos face ao "quintal do sul". Na mira da China estão as matérias primas, o petróleo e demais fontes de energia que posssam alimentar uma economia incessantemente voraz.

Wednesday, July 06, 2005

Toca a sair daqui para fora!

Os países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) pedem aos Estados Unidos a definição de uma data para a retirada das bases militares do Quirguistão e Uzebequistão. Em Astana, no Cazaquistão, na cimeira da OCX (Organização que reúne a Rússia, a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da ásia Central), Moscovo e Pequim enviam esta mensagem a Washington procurando demonstrar que estão a recuperar a influência sobre os países que na altura da intervenção norte-americana no Afeganistão cederam o espaço aéreo e terrestre, além do direito de utilização de bases militares no seu território. A própria imprensa russa classificou a OCX de "alternativa à Nato" na região. Percebe-se a preocupação da Rússia e da China, países que vêem o seu território rodeado de bases militares norte americanos, numa região que assume um papel geoestratégico crescente, por razões geopolíticas e geoenergéticas (petróleo e gás natural). Henk Howeling e Mehdi Amineh editam um livro essencial para compreender as dinâmicas geopolíticas e energéticas na Ásia Central:
Central Eurasia in Global Politics
Conflict, Security, and Development

5000

O contador marca as 5000 visitas. Terão sido mais, uma vez que apenas inseri o contador apenas um mês e meio depois do iníco do blogue, no final de Janeiro deste ano. Ao longo destes cinco meses, visitantes de 49 países dos cinco continentes passaram por este blogue que procura ser uma janela para este lado do mundo. A todos muito obrigado!

Tuesday, July 05, 2005

Rock Chinês

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Cui Jian nos anos 1980 e na passada sexta-feira em Pequim.

Cui Jian é considerado o pai do Rock Chinês. Depois de vários anos de proibição de tocar em Pequim, o autor de músicas entoadas pelos estudantes de Tiananmen, em 1989, actuou no Estádio dos Trabalhadores, no festival "Peaceful Sky". Em declarações à Agência Lusa e à Agência EFE, Cui explicou o levantamento da interdição com o facto de o governo Governo agora não ligar "à cultura subterrânea, porque esta já não tem tanta influência como antes." Sinais contraditórios numa China em que existe uma maior liberalzação dos costumes e da economia, mas onde o controlo político é mantido com mão de ferro pelo Partido Comunista.

Numa entrevista publicado no Asia Pacific Arts, Cui Jian fala assim sobre a situação política na China:

It's not black or white. There's some color in between, like gray. I think there's nothing you can do, but there's nothing you cannot do. There's a lot of freedom there too, but if you really want to show art to the public, that is hard. If you create and write at home, I don't think you'll have any problems with that; you can talk to friends and write anything you want to write and nobody will bother you.

Olha Olha

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Nós também não te queremos ver aqui na China.

Monday, July 04, 2005

O Tsunami silencioso

"A UNAids report, released at the conference, said 8.2m people were infected with HIV in the Asia-Pacific region, the biggest total anywhere after sub-Saharan Africa. East Asia has the world's fastest rate of infection, owing to the rapid spread of HIV among injecting drug users and sex workers in China, Indonesia and Vietnam." FT

Eles Andam Aí

O Telegraph diz que a China está a mobilizar uma rede de espiões na Europa com o objectivo de ganhar vatagens competitivas a nível comercial. Um agente revela que centenas de chineses que trabalham em indústrias europeias estão a espiar para Pequim. Como seria de esperar, os chineses não andam a ver passar navios, eles andam mesmo aí. Estará a começar (ou já começou?) uma nova era de espionagem internacional centrada mais nas questões económicas e ao nível das vantagens competitivas que se podem obter através deste tipo de informação? E já agora quantos espiões terão os EUA nas indústrias europeias? E o que têm feito os que estão ao serviço de sua majestade?

Mais Parabéns

Ao Bloguítica (um dos meus blogues favoritos) pelos dois anos. Força Paulo Gorjão!

e um até sempre

Ao Barnabé, o blogue que me fez começar a vibrar com a blogosfera...

Friday, July 01, 2005

Hong Kong 8 anos depois

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Foi no dia 1 de Julho de 1997 que Hong Kong voltou à mãe-pátria China - nascia a Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). Oito anos volvidos, a palavra que melhor pode descrever a história da RAEHK é inconstância. Logo a seguir ao estabelecimento a RAEHK, rebentou a crise Asiática que fez afundar uma economia sedimentada no terreno movediço do sector financeiro e na área da propriedade. Mas passados os ventos mais fortes da crise financeira que soprou do Sudeste Asiático, Tung Chee-Hwa, o primeiro chefe do executivo, viu-se a par com a crise da gripe das aves. Ainda mal recomposto desse tombo, em 2003 a pneumonia atípica infecta e mata centenas de pessoas, mostrando as fragilidades do sistema de saúde. Passado o terramoto, meio milhão de pessoas clamavam por eleições directas e universais nas ruas de Hong Kong, na maior demonstração popular desde as manifestações contra o massacre de Tiananmen. Perante tudo isto Tung Chee-hwa respondeu com uma notável inabilidade política que terminou este ano quando o governo central acedeu ao pedido do próprio Tung para sair de cena. Agora Donald Tsang procurará alcançar a paz social num sociedade que começa a ver os frutos do regersso do crescimento económico. Tudo indica que as águas do Delta do Rio das Pérolas estejam mais calmas no próximo ano, mas a vontade popular da aceleração das reformas democráticas permanece. E pelos vistos, Tsang não parece disposto a apressar
A introdução do sufrágio directo e universal para o cargo de chefe do governo e para o Conselho legislativo. Do ponto de vista económico, não estão afastados os receios de uma imersão na grande região do Delta do Rio das Pérolas nem a rivalidade crescente de Xangai. Mas se algo correr mal, Pequim está sempre disposta a dar a mão para ajudar a querida Bahunia, pérola financeira e “Nova Iorque” do Oriente. Apesar de tudo, Hong Kong ainda é um local vibrante e cosmopolita. Em especial visto daqui de Macau.
O Nic conta como foi esse dia 1 de Julho de 1997.

As especificidades de Macau...

Assembleia Legislativa de Macau chumba proposta de Lei de Liberdade Sindical.

Thursday, June 30, 2005

A ler

Ana Cristina Alves, Uma Viagem de Muitos Quilómetros começa
por um passo
, COD, Macau, 2004.

É um livro de quem olha para a
cultura chinesa com um imenso brilho nos olhos. Uma Viagem de Muitos
Quilómetros começa por um passo
é um provérbio chinês e literalmente um
passo rumo à descoberta da milenar civilização chinesa. Ana Cristina Alves
conhece bem a cultura do "Império do Meio". Fala mandarim, trabalhou na China e
em Macau e estuda a filosofia da China antiga. Isso é notório neste lvro
composto por cronicas publicadas no jornal macanese "Hoje Macau". Dividida em em
cinco partes - relações, feminino, imagens, símbolos e filosofias - a obra
procura descodificar os hábitos, os costumes, as tradiçoes, a religião e a
filosofia da China. Sem cair numa espécie de "Orientalismo", Ana Cristna Alves
abre a porta para um caminho de muitos quilómetros. Agora é só dar esse
passo.

Wednesday, June 29, 2005

Macapagal em Maus Lençóis!

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"The gravest thing that you have done is that you [Arroyo] have stolen the presidency, not once, but twice"

Susan Roces, viúva do ex xandidato presidencial Fernando Poe.

O IHT e a BBC contam os dias difíceis por que passa a presidente das Filipinas.

ITER e GALILEO

Esta semana vieram a lume duas boas notícias para dois dos ptojectos de "Grande Ciência" em que a União Europeia está envolvida, com destaque para a França.No caso do Galileo, o consórcio liderado pela frabcesa Alcatel e pela EADS ganhou o concurso para o início da construção do sistema europeu de navegação Rádio-Satélite Galileo que vai ser uma alternativa ao norte americano GPS. Trata-se do maior projecto de cooperação científica de sempre da União Europeia, envolvendo também parceiros externos. O Galileo promete não só revolucionar vários sectores da economia como agricultura, pescas, aviação, navegação marítima, trânsito, como garantir independência aos 25 nas operações de manutenção de paz e noutras actividades que envolvam as forças de segurança. Os "europeístas" encaram o Galileo como um instrumento para que os europeus se libertam das amararras de Washington. Os "transatlanticistas" depois de algum cepticismo sempre deram o aval ao projecto em especial depois da UE e dos EUA terem assinado o acordo de interoperabilidade entre o Galileo e o GPS.Quanto ao ITER, o reactor termonuclear de energia de fusão, a França ganhou a corrida ao Japão para ser sede de um projecto que poderá ser a saída para os problemas de energéticos de hoje.Finalmente os cinco países envolvidos, , Japão, Coreia do Sul, China, União Europeia e Estados Unidos, chegaram a um entendimento após anos de avanços e recuos nas negociações. Num e noutro caso a França leva a dianteira. No Galileo as empresas aeronáuticas francesas estão em força num projecto especialmente acarinhado por Jacques Chirac; no ITER, os franceses conseguiram que Cadarache fosse o local escolhido depois de várias concessões feitas ao Japão que apresentava a candidatura rival.Mas nos dois casos venceu também o Multilateralismo: No Galileo foi possível desapertar o nó e tornar compatíveis os dois sistemas -Galileo e ITER- através de um acordo de interoperabilidade; no ITER, as cinco grandes potências mundiais entenderam-se finalmente.Mas, como seria de esperar, ainda é cedo para tocar os sinos. Em projectos desta natureza, em que estamos lidar com activos geotratégicos e geoeconómicos vitais para o futuro, alguma água turva passará debaixo da ponte. Esperemos é que seja sempre possível fazer a tal ponte...

Tuesday, June 28, 2005

Imagens das minhas terras

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Alcouce

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Macau

Paris 1 Tóquio 0

O jornal Le Figaro diz que a localidade francesa de Cadarache vai albergar o projecto internacional de energia de fusão termo-nuclear ITER. O Japão não conseguiu impor a candidatura de Rokkasho-mura.

Friday, June 24, 2005

EUA-China: da interdependência e da dependência II

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Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal, perante o Senado, sobre as relações económicas entre os EUA e a China:

"Some observers mistakenly believe that a marked increase in the exchange value of the Chinese renminbi (RMB) relative to the U.S. dollar would significantly increase manufacturing activity and jobs in the United States. I am aware of no credible evidence that supports such a conclusion."

"In the decades ahead, it is in our interest and that of the global economy that China continue to progress toward becoming a more market-based, productive, and dynamic economy in which individual initiative, not government decisionmaking, is the fundamental strength behind economic activity. For our part, it is essential that we not put that outcome, or our future, at risk with a step back into protectionism."

Ler aqui a declaração de Greenspan.

Thursday, June 23, 2005

CNOOC In

A China National Offshore Oil Corporation está determinada em adquirir a norte-americana Unocal, mas a Cheron não se fica e sobe a parada. Despois do avanço da Lenovo sobre a unidade de PC da IBM, mais uma companhia chinesa procura a internacionalização.

Wednesday, June 22, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria V

Outro exemplo deste envolvimento com fora e organizações regionais é a participação da China no ASEAN Regional Forum e mais tarde na dinâmica ASEAN Plus Three. O primeiro reúne informalmente 23 países: os 10 da ASEAN – Indonésia, Malásia, Tailândia, Singapura, Vietname, Laos, Brunei, Cambodja, Myanmar e Filipinas – e os parceiros de diáogo preferenciais da organização - Austrália, Canadá, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, Índia, Japão, Mongólia, Nova Zelândia, Rússia e União Europeia, além da Papua Nova Guiné que tem o estatuto de observador. No que concerne ao segundo Fórum, o APT, trata-se do primeiro instrumento de diálogo, cooperação e agenda-setting de todo o espaço da ásia Oriental, já que junta as 10 nações do sudeste asiático com a China, o Japão e a Coreia do Sul. A rede de contactos e relações multilaterais e bilaterais foi estendida também às grandes potências, nesta segunda fase da política externa chinesa, nos anos 1990. Em 1997, a China e os Estados Unidos acordaram numa “parceria estratégica construtiva”, na qual os dois países concordavam em trabalhar em conjunto para resolver os problemas que ameaçavam a paz. No entanto estas palavras não abriram caminho para a reabilitação da entente sino-americana que tinha surpreendido o mundo nos anos 1970.
(Continua)

Tuesday, June 21, 2005

EUA-China: da interdependência e da dependência

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Paul Krugman sobre a relação económica e comercial entre os Estados Unidos e a China:

"China exports lots of goods and foreign companies are investing heavily there, so it's running a huge trade surplus. But rather than keep all that money, Beijing is using it, overwhelmingly, to buy US government Treasury bills."

"China could well decide to stop this. If so, the dollar falls sharply, US interest rates rise and our housing bubble bursts."


"that would stop the American economy, the locomotive for the whole world, in its tracks. So, in this weird way, China is now the financial nexus keeping the global recovery going."

Ler artigo no Telegraph

Monday, June 20, 2005

Novos sinais

de democracia na China? Parece que sim.

EUA-Israel-China

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Photo: AP
"Mas foi sem querer, minha senhora" ..........."Vê lá o que andas a fazer"

A propósito da venda de armas de Israel à China:

Silvan Shalom, ministro israelita dos negócios estrangeiros
"If things were done that were not acceptable to the Americans then we are sorry but these things were done with the utmost innocence,"

Condoleeza Rice, secretária de estado norte-americana
"I think everybody knows our concerns about arms sales to China, particularly arms sales to China, with countries with which we have strong defense cooperation relationships, which we do with Israel".
O Jerusalem Post conta a história.

Entretanto
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"Não tem de quê. Pode ser que a Rice não descubra"....."Obrigadinho pelas armas pá"

Li Zhaoxin, ministro chinês dos negócios estrangeiros
"My purpose of the visit here is to step up our joint efforts for the common cause of our peoples"

David Shaloom, depois de ter perdido um jogo de pingue pongue com o homólogo chinês
"I had to lose in order to avoid a diplomatic incident"
A Xinhua reporta a visita do chefe da diplomacia chinesa a Jerusalém.

Economia Socialista de Mercado...(com características Chinesas)

O China Daily publica um artigo sobre as disparidades sociais no "Império do Meio". O fosso entre os ricos e os pobres aumentou no primeriro trimestre do ano. Eis alguns dados:
  • os 10 por cento mais abastados possuem 45 por cento da riqueza nacional
  • os 10 por cento mais pobres detém apenas 1.4 por cento da riqueza

Este aumento do "income gap" não constitui surpresa. Apenas vem confirmar aquilo que está à vista de quem vai acompanhado a realidade socio-económica chinesa. O que me parece interessante é este assunto ter sido manchete, com direito a um artigo de análise onde é feita uma critíca à "once-egalitarian China no China Daily, voz do dono, ou seja do regime de Pequim.

Saturday, June 18, 2005

Parabéns

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Pelos 60 anos de Aung San Suu Kyi. Que este seja um dia o sorriso da libertação do povo de Myanmar (Birmânia) do jugo da Junta Militar.

Friday, June 17, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria IV

Na verdade, apenas em meados dos anos 1990 a China regressou aos princípios de Deng.
Isto aconteceu devido a constrangimentos internos e externos: internamente, com a queda do Bloco de Leste e os eventos de Tiananmen, entre 1989 e 1991 o regime procurou segurar a unidade e a estabilidade; externamente, o sistema internacional tinha mudado do bipolarismo para o unipolarismo. Como consequência dos constrangimentos e da experiência da China no período imediato após o fim da Guerra Fria, uma “Grande Estratégia” emergiu – manter as condições conducentes ao crescimento continuado da China e reduzir a possibilidade dos outros países se oporem a Pequim (Goldstein, 2001, 2003) .
É neste contexto que devemos entender as várias incitavas multilaterais, regionais e bilaterais dos últimos 10 anos. No plano regional, em 1996 a China lançou em conjunto com a Rússia, o Cazaquistão, o Quirguistão e o Tajiquistão o “Shanghai Five” que mais tarde, em 2001, deu origem à Organização de Cooperação de Xangai (OCX), na altura já com o Turcomenistão.
A OCX é descrita na Cimeira de São Petersburgo, em 2002, como um instrumento regional de combate “o terrorismo, extremismo e separatismo”. Ao nível do “power politics”, “ aos olhos dos dirigentes russos e chineses, a OCX aprece como um instrumento estratégico para a partilha da dominação sobre as antigas republica soviéticas e os restantes países vizinhos da Ásia Centra” (Yom, 2001). Mesmo considerando que estes três “inimigos” são ameaças comuns aos seis estados membros, a verdade é que a China e a Rússia procuram com esta organização limitar a influên cia crescente dos Estados Unidos na região que aumentou tremendamente desde a invasão do Afeganistão. Desde então, Washington estabeleceu bases militares no Uzebequistão, no Tajiquistão e Quirguistão. Ou seja, a presença norte-americana na região funcionou também como um estímulo a este dinamismo regional. Curiosamente, na região quer os Estados Unidos quer a Rússia e a China convergem no objectivo da “Guerra ao Terrorismo”. No entanto a cumplicidade dos dois últimos é táctica, devido aos problemas no Cáucaso Norte na Rússia e em Xingjiang na China. Por detrás da cortina de fumo do luta anti-terrorista, os grandes poderes colocam as peças no novo xadrez político-económico da Ásia Central, uma zona onde as questões energética assumem um papel fundamental nas estratégia geopolíticas d Rússia, China e Estados Unidos (sobre este assunto, ver Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (Eds.). (2004) Central Eurasia in Global Politics)
.
(continua)

Referências bibliográficas:

Goldstein, Avery (2001). The Diplomatic Face of China’s Strategy: A rising Power’s Emerging Choice. The China Quarterly. Retrieved January 2004, from http://www.olemiss.edu/courses/pol324/goldstei.pdf

Goldstein, Avery (2003). Structural Realism and China’s Foreign Policy. In
Hanami, Andrew K. (Ed.) Perspectives on Structural Realism. Hampshire: Palgrave,


Yom, Sean L. (2002) “Power Politics in Central Asia”. Retrieved on June 2004 from the Harvard Asia Quaterly Web Site: http://www.fas.harvard.edu/~asiactr/haq/200204/0204a003.htm

Thursday, June 16, 2005

Já está!

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The Standard

Donald Tsang foi eleito (quer dizer nomeado por falta de comparência dos adversários que não conmseguiram as assinaturas suficientes dos delegados do colégio eleitoral) Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong. Tão Fácil a "eleição". Mas parece-me que o mandato não vai ser "pera doce".

Wednesday, June 15, 2005

O Regresso do Proteccionismo?

Henry C. K. Liu esreve sobre o assunto num artigo publicado pelo Asia Times Online:
The coming trade war and global depression

Liberdade Condicionada

A partir de agora os bloggers chineses terão que ter mais cuidado com o que escrevem nos blogues criados no portal “MSN China”.
Palavras como democracia, liberdade, direitos humanos, Independêcnia de Taiwan ou Dalai Lama não poderão ser utilizadas.
A Microsft que detém o portal MSN China em conjunto com a empresa chinesa Shanghai Alliance Investment, explicou que segue o código de conduta da empresa, ou seja respeitar as leis vigentes nos países onde opera.
Na prática os utilizadores que queiram escrever nos blogues dipsonibilizados pela MSN China as expressões proibidas vão receber uma mensagem em formato de pop up a dizer: esta mensagem contém uma expressão proibida, por favor apague as palvras queestão banidas”.
Quem não se conforma é a "Repórteres sem fronteiras". Esta organização que luta pela liberadde de expressão lamenta a falta de ética de empresas como a Microsoft que pactuam coma censura chinesa. Também a Yahoo recente mente passou a restringir o acesso a conteúdos considerados pergosos pelo regime de Pequim.

P.S. Felizmente, aqui no segundo sistema, esta parece ainda ser uma realidade longínqua.

Tuesday, June 14, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria III

No entanto para Avery Goldstein (2003, p.136) “ para ser correcto, nem os chineses nem os russos estavam verdadeiramente interessados numa aliança anti-americana. O ligeiro benefício militar de uma real aliança (em especial com a decadência do poder da Rússia) iria provocar custos económicos incomportáveis”, uma vez que tal avanço iria colocar em causa as estratégias de desenvolvimento de Pequim e de Moscovo.
Perante este cenário, a China mudou de atitude. Desde então, a política externa chinesa seguiu duas traves mestras: por um lado mudar a percepção generalizada da “Ameaça-China”, tornando Pequim num actor responsável nos assuntos internacionais, em especial através do lançamento de parcerias estratégicas com o objectivo, em simultâneo, de estimular a sustentabilidade do crescimento da economia, por outro e deste modo, introduzir novas dinâmicas de multipolaridade na ordem internacional. Em suma, em causa estava uma campanha de transformação da imagem da China num parceiro internacional atractivo e de confiança.
Na verdade, Deng Xiaoping já tinha postulado, em 1984, os objectivos da Política Externa Chinesa: “Em Primeiro lugar para , salvaguardar a paz mundial nós opomo-nos à hegemonia. A China vai sempre pertencer ao Terceiro Mundo, hoje, e continuará a pertencer mesmo quando se tornar rica e poderosa, uma vez que tem um destino comum aos países do Terceiro Mundo. A China nunca vai procurar a hegemonia ou ameaçar os mais fracos”. Numa outra ocasião, em Março de 1985, perante uma delegação da Câmara do Comércio do Japão, Deng garantira: “ Do Ponto de vista político, há apenas uma coisa que posso dizer-vos de modo claro e positivo: a China procura preservar a paz mundial e a estabilidade não destruí-la. Quanto mais forte for a China, mais possibilidades há para a paz mundial”
(Continua)

Monday, June 13, 2005

O Divórcio na China

Este artigo analisa a evolução da taxa de dívórcios na República Popular da China. Depois da onda de divórcios no pós-revolução comunista (inícios dos anos 1950) e da era da Revolução Cultural (final dos anos 1960), a China vive uma nova explosão de separações pela via legal. Zhong Wu escreve no The Standard que

"While the sharp increase in divorce appears at odds with traditional Chinese values concerning marriage and family, it should be hailed as progress. To choose your mate - or get rid of one - is a basic human right. From the point of view of human rights and liberty, divorce is progress, giving unhappily married couples the freedom to decide on their own whether they should continue to live together.
The latest statistics indicate that mainlanders are increasingly exercising their rights and, one hopes, living happier lives in the process."

Olhares sobre o mundo

1. Duncan Freeman analisa o impacto da crise na União Europeia na Ásia Oriental.

2. O Diário do Povo diz que
Mandelson returns home with satisfaction

3. David Shambaugh esreve este artigo no "International Security": "China Engages Asia: Reshaping the Regional Order"

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria II

Depois de um manto de silêncio após a repressão dos protestos dos estudantes na Praça de Tiananmen, em 1989, e depois do primeira guerra pós-guerra fria (a “Tempestade no Deserto” no Iraque), a China acordou para a nova realidade de um sistema internacional, no qual a União Soviética tinha desaparecido e os Estados Unidos se tinham tornado na única superpotência. Sem a ameaça soviética, os E.U.A ocuparam o lugar cimeiro das ameaças percebidas pela liderança chinesa.
Mormente, em Washington enquanto a ideia que as democracias não entram em guerra com democracias (seguindo a tese da “paz democrática”) ganhava cada vez mais peso, os dirigentes de Pequim ficavam alarmados com a ameaça militar e com o cerco ideológico norte-americano.
Perante isto, a China lançou um programa de modernização militar, revitalizando o obsoleto Exército Popular de Libertação (EPL) através da aquisição de armamento d origem russa. Além do mais, a China procurou estabelecer uma nova aliança com a Rússia com quem partilhava as preocupações face à hegemonia norte-americana e que estava, igualmente, ansiosa por demonstrar que ainda tinha um papel essencial na “Nova Ordem Mundial”, apesar da fraqueza resultante da queda da União Soviética. De acordo com este “rationale”, Pequim e Moscovo lançaram a “cooperação estratégica” selada num acordo assinado em 1996 por Jiang Zemin e Boris Yeltsin.

Saturday, June 11, 2005

Friday, June 10, 2005

A Política Externa Chinesa no Mundo Pós-Guerra Fria I

O Sínico inicia hoje uma série de escritos sobre a política externa chinesa desde a implosão da União Soviéca até ao nossos dias. De um modo retrospectivo vamos colher os contributos de vários especialistas e ensaiar uma visão que faça uma síntese do que tem sido publicado. Os vários capítulos vão sendo publicados aqui e depois migrarão para o Sínico Esclarecido.

Introdução

Depois do final da Guerra Fria, duas grandes características prevaleceram no sistema internacional: a natureza anárquica da estrutura internacional e a hegemonia dos Estados Unidos da América. Estas duas características constrangeram o comportamento a China na arena internacional.
Segundo a perspectiva neo-realista da balança de poderes, estados como a China iriam procurar contrabalançar a superpotência através de uma corrida ao armamento ou de alianças com outros estados que teriam os mesmo interesses em contrabalançar o poder hegemónico.
Mas cedo a China percebeu que “interesses em conflito o poder americano seria uma combinação que poderia colocar em causa o programa chinês de modernização que dependia da integração na economia global” (Goldstein, 2003, p.134). Ao mesmo tempo na Ásia Oriental, a China era desafiada pelos Estados Unidos devido a acordos bilaterais entre Washington e o Japão, a Austrália e países da ASEAN, além de Taiwan.
Perante este cenário, primeiramente, a China procurou balancear o poder com outros poderes que tinham preocupações semelhante acerca da hegemonia norte-americana. Nesta linha ,é possível dividir a acção da política externa de Pequim em dois períodos: entre 1989 e 1995 e de 1996 até 2004.
Referências:
Goldstein, Avery (2003) Structural Realism and China's Foreign Policy. In Andrew K. Hanami (Ed.) Perspectives on Structural Realism. Hampshire: Palgrave.

A China e a reforma das Nações Unidas II

Algumas notas soltas: a posição chinesa
1- Não há que apressar o processo de reforma da ONU.
2- Os países em desenvolvimento devem estar na linha da frente das reformas.
3-A reforma da ONU não é apenas a reforma do Conselho de Segurança. O combate à pobreza e o apoio aod esenvolvimento devem ser as traves mestras das mudanças.
4-No Conselho de Segrança, os países em desenvolvimento devem estar mais representados.
5-Na Ásia Oriental, o Japão falhou em ganhar a confiança dos países vizinhos, pelas atitude que tem tomado face à História. Assim, se Tóquio quiser desempenhar um papel mais importante na ONU, deve haver consenso na região da Ásia Oriental sobre esse assunto.

Na prática a China quer dizer com este documento que tem o direito de veto sobre a passagem do Japão para o Conselho Permanente de Segurança da ONU e que, tendo em conta que em Maio o Japão, o Brasil, aÍndia e a Alemanha fizeram circular o esboço de uma resolução que pedia o aumento do número de assentos permanentes no CSONU para seis, quer dizer que a China apenas admite a entrada da Índia ou do Brasil, países que encaixam nos pontos 2 e 4.

A China e a reforma das Nações Unidas I

A China tornou pública a posição oficial quanto à reforma das Nações Unidas.

A "verdadeira" história

Três anos, três países em três línguas: um livro. É um livro escrito por académicos e historiadores da China , Japão e Coreia do Sul que procura contar o que de facto aconteceu na História contemporânea da Ásia Oriental.

Thursday, June 09, 2005

Depois dos têxteis

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os sapatos...
Soou o alarme dos sapatos em Bruxelas. A entrada de sapatos chineses no espaçs dos 25 aumentou 700 por cento nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Com os preços a desdecerem 28 por cento.
Perante esta situação, a Comissão Europeia disse que Bruxelas está a a estudar e a reflectir sobre o que vai fazer a seguir.

Tuesday, June 07, 2005

Bem Vindo Camarada

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Chega hoje a Pequim uma delegação do PCP dirigida pelo Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa. A visita à República Popular da China realiza-se a convite do Comité Central do Partido Comunista da China, no quadro das relações de amizade e cooperação existentes entre o PCP e o PC da China. (site oficial do PCP)

"De acordo com o gabinete de imprensa comunista, estes encontros "inserem-se nas prioridades internacionais" do PCP, destinando-se também à apresentação da nova direcção do partido, eleita no XVII congresso, em Novembro do ano passado.
A resolução política aprovada no congresso determina que "deve ser valorizado, na resistência à nova ordem imperialista, o papel dos países que definem como orientação e objectivo a construção de uma sociedade socialista" - Cuba, China, Vietname, Laos e Coreia do Norte.
"Para além de apresentarem profundas diferenças entre si, estes países constituem importantes realidades da vida internacional, cujas experiências é necessário acompanhar, conhecer e avaliar", refere a resolução política do PCP.
O documento salienta que esse conhecimento deve ser aprofundado "independentemente das diferenças que existem em relação à concepção programática de sociedade socialista" que o PCP preconiza para Portugal e "de inquietações e discordâncias, por vezes profundas e de princípio" que o PCP mantém em relação aos regimes daqueles países." Agência Lusa.

A este propósito lembro-me das palavras de um senhor com o qual discutia a natureza do regimes chinês: "Ó amigo, olhe que a França é bem mais socialista que a China".

Monday, June 06, 2005

A Chama imensa

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Sport Macau e Benfica conquista título de sub-18 no campeonato de futebol de júniores da RAEM.

Mao, mesmo muito Mau

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A nova biografia de Jung Chang, autora de "Cisnes Selvagens", atribui a Mao Zedong a responsabilidade pela morte de 70 milhões de chineses. Jung foi "guarda vermelha" viu os seus pais serem denunciados como traidores durante a Revolução Cultural e o seu pai foi torturado até à morte num campo de trabalho.
Para saber mais sobre este livro:

"Jung Chang: Of gods and monsters", no Independent.
"'This book will shake the world' ", No The Guardian.

O Ambiente para os negócios

As 10 províncias ocidentais da China sofrem uma per ecnonómica anual de 150 mil milhõesd e yuans devido à deteriorização ambiental. A região está a enfrentar graves problemas ao nível da erosão do solo, desertificação e degeneração da flora. Pode saber Mais sobre este estudo por um investigador da Universidade deNingxia, aqui.

Saturday, June 04, 2005

Há 16 anos

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O Governo chinês respondia assim aos protestos dos estudantes na Praça de Tiananmen em Pequim.

Por detrás do Néon

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Algumas verdades sobre a situação económica e social em Macau:

"Há uma série de crocodilos oriundos de Hong Kong e do estrangeiro, a quem também chamam investidores, que estão a criar uma série de problemas económicos a Macau"

". As pessoas vivem muito desconfortáveis, sob pressão constante, e a harmonia e o conforto, que seriam a essência da qualidade de vida da população de Macau, foram destruídos. E por mais paradoxal que possa parecer, foram destruídos pelo desenvolvimento económico"

" grande fatia de dinheiro produzido está a ir parar às mãos de pouquíssimas pessoas, sobretudo aos empresários das áreas do turismo e do jogo. "

Joey Lao, dirigente da Associação das Ciências Económica de Macau no jornal Hoje Macau

Friday, June 03, 2005

O Homem do Laço

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Donald Tsang apresentou a candidatura a chefe do executivo de Hong Kong. Há mais dois candidatos para as eleições decorrerm no dia 10 de Julho - o deputado Chim Pui-chung e o líder do Partido Democrata, Lee Wing.tat - mas já se sabe que Tsang vai ser o escolhido pela Comissão Eleitoral, porquanto é o eleito por Pequim para ocupar a cadeira deixada vaga por Tung Chee-hwa.
E o que pensa Donald Tsang, dedicado e condecorado funcionário público ao longo de mais de 30 anos, acerca da política e sociedade de Hong Kong?Eis umas frases soltas:

Sobre a governação, "We have made mistakes, but let's not look at the past as a reason for our grumble today".

Acerca do sufrágio directo, "Mapping out a rigid time is difficult. The biggest challenge is the mutual trust between Hong Kong and the central government"

E o que há a dizer sobre o 4 de Junho (Massacre de Tiananmen)? "We can see that our country has impressed the world with its economic, social and political reforms over the past 16 years. I think is more rational when we look at it from this perspective. That's all I have to say"

Thursday, June 02, 2005

Tuesday, May 31, 2005

O "Non" visto daqui

Perguntava-me um amigo sobre o que penso do "não" francês ao Tratado Constitucional. Do que tenho lido nestes dias, gostaria de ter escrito estes dois textos:
"Sem Rumo na Tempestade", Vital Moreira no PÚBLICO (sem link)
"On a Perdu", Filipe Moura no BdE II

A Sociedade Harmoniosa

"President Hu Jintao's ideas of creating a harmonious society have more to do with the Buddhist 'middle way' than with Marxism"

Laurence Brahm no "South China Morning Post"

Monday, May 30, 2005

Ainda e sempre a Ameaça: um alerta

Escreve Nicholas D. Kristof no New York Times,
"So it's time for Americans to take a deep breath. Poisonous trade disputes with China will only aggravate the risks ahead, strengthen the hard-liners in Beijing and leave ordinary Chinese feeling that Americans are turning into China-bashers. Sadly, they'll have a point."

A retórica da "Ameaça-China" só leva à escalada do "security dilema", ao endurecimento da linha dura do regimes chinês e ao recrudescimento dos sentimentos "anti-americanos" entre a população. Afinal o objectivo não era integrar a China no sistema internacional, de modo a através de um "spill over effect" contribuir para a abertura do regime?

Retaliação

O Governo chinês respondeu à letra à decisão da União Europeia de levar o caso do comércio têxtil à Organização Mundial do Comércio e às medidas proteccionistas impostas pelos Estados Unidos. Pequim retirou as tarifas à exportação de 81 categorias de produtos têxteis. Começa a escalar a guerra comercial. De repente europeus e norte-americanos lembraram-se que a liberalização do comércio de têxteis pode trazer problemas às indústrias locais, quando o Uruguay Round já foi há 10 anos - tempo suficiente para preparar o sector têxtil para este impacto - e sabendo que as medidas de salvaguarda só podem vigorar até 2008. É certo que a China nem sempre joga com as armas justas no comércio internacional, mas há que lembrar também que o proteccionismo e a guerra comercial levam a um beco sem saída.

Thursday, May 26, 2005

A tempo

Ainda estou a tempo de dar as boas-vindas ao interessante "The Guest of Time".

EUA-Afeganistão

Um olhar chinês sobre o assunto: "To be US "strategic partner" or the partner of "US strategy"?

China-Uzebequistão: amigos como sempre

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Depois de na terça feira, o governo de Pequim ter afirmado estar em sintonia com o presidente do Uzebequistão na luta contra o "terrorismo e os separatistas", os chefes de estado dos dois países assinaram hoje 15 acordos, entre eles um avaliado em 600 milhões de dólares com vista à cooperação petrolífera.
Quanto à repressão sangrenta da revolta de Andijan, o porta-voz da diplomacia chinesa afirmou que esse é um problema interno do governo ce taskhent. Por isso, Pequim não interfere.
Apesar das críticas internacionais, a China mantém o apoio firme a Islam Karimov, considerando que o fundamental é manter a estabilidade na região. Recorde-se que a Pequim e Taskhent fazem parte da Organziação de Cooperação de Xangai juntamente com o a Rússia e as outras repúblicas da ásia Central - uma organização que luta contra o separatismo, extremismo religioso e a criminalidade transfronteiriça.
Por isso a posição chinesa é clara. Apoia o Uzebequistão na luta para proteger a estabilidade e prosperidade comum da região e segiundo o ministério dos negócios estrangeiros chinês para manter a estabilidade é preciso, em primeiro lugar, combater as forças desestabilizadoras.

Tuesday, May 24, 2005

"See China, Learn What Europe Must Become"

Em Agosto do ano passado, Umberto Eco escreveu: "Europe will vanish from the world stage unless it becomes a united superpower"

Em Macau nada Mao

Macau é um local especial, mesmo único no mundo. Em 27 quilómetros quadrados vivem cerca de 450 mil pessoas, num território com um regime jurídico, um sistema político e uma realidade sócio-económica distinta da China Continental (primeiro sistema). Fruto da herança colonial portuguesa, Macau, ou melhor, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) tem ,de jure, e até certo ponto, de facto, uma cultura em que o Ocidente e o Oriente se cruzam. Até aqui nada de novo. A propaganda oficial já desde os tempos da Administração portuguesa propagava este território como uma “placa giratória”, “ponto de encontro”, “plataforma”. Mas muitas vezes estas palavras escondem um vazio de ideias e de projecto para o enclave – é que para outros Macau podia resumir-se a “putas e vinho (Jogo) verde”.
Passados cinco anos e meio da transição de soberania como está Macau? Bem e recomenda-se. Basta olhar para onéon das estatísticas que sinalizam uma economia a crescer exponencialmente (em 2004, o PIB avançou mais de 20 por cento). Mas há um preço que começa a ser pago. A cidade está a rebentar pelas costuras, há um preocupante desleixo na qualidade urbanística, a especulação imobiliária está leonina, e aumentam as assimetrias sociais, além de não existir um regime democrático e da economia estar cada vez mais ultradependente face aos casinos, já para não falar na insanidade de alguns dos novos projectos.
No futuro paira um espectro: o fim da Paz social levada a cabo por Edmund Ho, o aclamado chefe do Executivo. Os desafios são tremendos e depois dos primeiros cinco anos repletos de sucesso, com uma transição pacífica, sem sobressaltos, próspera, o segundo mandato de Ho será certamente mais sinuoso com pressões de vários lados: das operadores de Las Vegas que estão a assentar arrais; do inefável Stanley Ho; dos especuladores e de outros chacais; das tríades; e acima de tudo de uma sociedade ansiosa por também colher uma fatia do invejável crescimento económico e, que, provavelmente vai começar a insurgir-se contra a decadência na qualidade de vida. Mas é sempre complexo falar desta terra, um local com tantas especificidades, idiossincrasias – como João Aguiar bem escreve, “Um pequeno universo difícil de aprisionar dentro de modelos que não sejam o seu…podemos ignorá-lo, desprezá-lo, mascará-lo, podemos fazer tudo excepto capturá-lo dentro dos limites estreitos da lógica comum. É um dragão, porque a China é terra de dragões. E é feito de fumo porque basta-lhe um momento ou um sopro para que a sua forma se altere e o que ontem foi deixe hoje de ser.” (in “O Dragão de Fumo”).
E às vezes é tão simples...

Na blogosfera

A rede chinesa no Blasfémias

"Em Itália, a região do Prato, uma região tradicionalmente têxtil, é agora dominada por empresas chinesas, que têm o apoio das autoridades locais. A região está a transfomar-se num interposto comercial da China na Europa.Conclusão: as autoridades portuguesas, em vez de perseguirem os chineses, deviam dar-lhes as boas vindas e rezar para que eles transformem o Vale do Ave na porta de entrada do têxtil chinês na União Europeia. "

Monday, May 23, 2005

VIVA

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(montagem: Ed. Brito)
VIVA O MARXISMO-BENFIQUISMO DE MERCADO. SOMOS CAMPEÕES CARAGO!!!!!!!!!!!

Friday, May 20, 2005

Guerra das Estrelas?

(Numa galáxia bem perto daqui, dentro de alguns anos...)
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A China está contra a militarização do espaço que estará a ser planeada pelos Estados Unidos. Para o ministério chinês dos negócios estrangeiros o espaço é património da humanidade e deve ser usado para benefíco de todos.
Um dia depois da publicação de notícias de que a Casa Branca estava a estudar uma proposta da Força Aérea que abriria a porta à militarização do espaço, a China responde com a defesa de um espaço para todos, um bem comum que deve ser usado para a paz.

O jornal "New York Times" escreveu na quarta-feira que o Pentágono defende a instalação de armas no espaço para defender os sistemas de satélites norte-americanos. Segundo a imprensa norte-americana, os planos incluiriam novos programas de armas espaciais, com espelhos móveis, raios laser ou ondas de radiofrequência. A Casa Branca já negou que esteja a planear a militarização do espaço, mas confirmou que prepara alterações aos documentos legislativos sobre o assunto.

Certo é que Washington admite que pretende proteger os sistemas espaciais que detém e está por isso a preparar uma nova directiva.

Perante este cenário, Pequim insurgiu-se contra uma eventual militarização do espaço. O porta- voz da diplomacia chinesa diz que o espaço é um património da humanidade que deve ser usado pacificamente, para benefício de todos.

Thursday, May 19, 2005

China homofóbica

"China has blocked a popular website devoted to providing information and support to the nation's large but closeted homosexual population, even as the nation fights an exploding AIDS epidemic, the site's manager said on Wednesday.
The site which sees 50,000 to 65,000 visits a day mainly from mainland Chinese, had been blocked since April 11, manager Damien Lu said." Ler aqui

O "Império do Meio" contra ataca

São palavras fortes e incisivas. O Ministro do Comércio afirma que Washington e Bruxelas estão a violar o princípio de livre comércio da Organização Mundial do Comércio.
Bo Xilai acusa os Estados Unidos e os países da União Europeia de terem um peso e duas medidas. Por um lado querem que a China abra o mercado à entrada de produtos competitivos, por outro fecham as portas a outros em que os chineses têm vantagem, como é o caso dos têxteis.
No último dia da conferência da revista Fortune, em Pequim,
O ministro do Comércio chinês defendeu ainda que o rápido crescimento das exportações têxteis chinesas, com o final do sistema de quotas, desde 1 de Janeiro, foi provocado pelos Estados Unidos e UE.
Bo Xilai considera que "alguns países" desenvolvidos falharam em seguir o estipulado pela Organização Mundial do Comércio em 1995, de reduzir gradualmente o sistema de quotas têxteis e vestuário em dez anos
Estas palavras surgem um dia depois da União Europeia avançou terça-feira com medidas de urgência em relação a duas categorias de têxteis, t-shirts e fio de linho, que aumentaram 187 por cento e 56 por cento, respectivamente, desde Janeiro.
No caso de a China não aceitar fazer uma auto-redução das exportações destes produtos, a UE avançará com imposição de medidas de salvaguarda.
Os Estados Unidos, por seu lado, já avançaram, sexta-feira, com a imposição de medidas de salvaguarda contra três categorias de têxteis chineses, incluindo calças e roupa interior de algodão, que aumentaram a uma taxa de 366 a 1.500 por cento, desde Janeiro.

Wednesday, May 18, 2005

Quase me esquecia

Que o início oficioso deste blogue aconteceu há um ano. Embora a coisa tenha recomeçado a sério com regularidade e assumidamente no dia 23 de Janeiro deste ano.
Na altura, no dia 18 de Maio de 2004, publicava aqui um texto que tinha escrito para a revista "Via Latina" da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra. O Sínico Esclarecido republica o texto.

Os E.U.A e o yuan

Os Estados Unidos estão a apertar o cerco ao valor do yuan. Segundo um relatório do Departamento do Tesouro Ao não valorizar o renmimbi, a China está as distorcer o mercado e a colocar em risco a economia chinesa e os parceiros comerciais. No entanto, o documento evita classificar a China de estado manipulador do valor da moeda, o que abriria caminho para que Congresso aplicar sanções..
Por um lado a China é acusada de estar a distrocer as condições de mercado no comércio internacional so não valorizar o renmimbi, por outro o relatório procura não ser duro ao ponto de chamar ao governo de Pequim manipulador.
A divulgação relatório do Departamento do Tesouro foi atrasado um mês porque dentro da administração havia divisões quanto á maneira como se devia lifdar com o problema; uns defendem uma posição firme, outros preferem uma maior contenção. O resultado final acabou por ser um meio termo.
Na apresentação do relatório, o secretário norte americano do tesouro sublinhou que Washinton não está a pedir a flutuação livre do yuan, mas apenas uma mais flexibilização. John Snow disse mesmo que pretende apenas um alrgamento da banda de negociação entre o dólar e o yuan que se mantém no intervalo rígido em 8.28 renmimbis por dólar. Este relatório foi divulgado no dia em que a casa de investimento JP Morgan considerou que a apreciação da moeda da República Popular da China está "iminente" e prevê que possa ocorrer "até ao início de Setembro".

China-Angola

São 12 acordos nas áreas da comunicação social, energia, águas, obras públicas e agricultura. Sem revelar o montante do empréstimo, o o ministro angolano das Finanças salientou que os acordos representam "um passo significativo" na aplicação do financiamento concedido pelo Eximbank e que são "um exemplo magnífico" das actuais relações de cooperação entre Angola e a China.
A mesma ideia foi também transmitida pelo vice-presidente do Eximbank. Su Zhong considerou que os acordos individuais de crédito assinados marcam uma "nova época" na cooperação entre os dois países.
Já em abril, o governo angolano tinha revelado que esperava adjudicar em breve os contratos relativos à primeira fase do crédito concedido pelo Eximbank, no valor de mil milhões de dólares, ou seja, metade do total deste empréstimo. Depois desta fatia, virá uma segunda fase, também no valor de mil milhões de dólares que poderá ser solicitada pelas autoridades angolanas logo que estejam concluídas todas as formalidades previstas na primeira fase.
Esta linha de crédito, com um prazo de reembolso de 12 anos, é a principal fonte de financiamento do programa de investimentos públicos do governo angolano para o período 2005-2007.
O acordo entre o banco chinês e o governo angolano permite que as empresas chinesas possam subcontratar empresas angolanas, desde que o valor desse contrato não ultrapasse 30 por cento do valor global do projecto.
(com Lusa)

Tuesday, May 17, 2005

Managing China

A propósito do texto de Robert Kagan "The Illusion of Managing China", bem destacado pelo Sinédrio,

"Yes, the Chinese want the prosperity that comes from integration in the global economy, but might they believe, as the Japanese did a century ago, that the purpose of getting rich is not to join the international system but to change it?"

O "Chinese Defence White Paper" refere que

The relations among the major powers are undergoing significant and profound readjustments; various kinds of partnerships are gradually developing along the line of institutionalization; and each country is enhancing its consciousness of independence, unity for strength, and coordinated development. (…) The sustained development of the multipolarity tendency and economic globalization has further deepened their mutual reliance and mutual condition and helped toward world peace, stability and prosperity. The factors for safeguarding world peace are growing constantly.

Yong Deng em "Escaping from peryphery, China's National Identity in World Politics" salienta que

"the prevailing security dilemma has led Beijing to view international institutions from a realpolitik perspective without basing its participation upon an embrace of generalized liberal principles of conduct entailed in multilateralism."

E seguindo a lógica da transição de poder de A.F.K. Organski - "power transition theory", poderemos ter razões para considerar que na altura em que houver uma situação próxima da paridade entre o poder hegemónico e o que o desafia, a probabilidade de haver um conflito é elevada. No entanto será importante lembrar, por um lado, os avanços da China no engagement com as organizações multilaterais, como é o caso da OMC, por outro, lembrar que nem sempre a transição de poder gerou guerra (apesar disso ter acontecido em muitas situações ao longod a história). Perante esta bifurcação, Zhiqun Zhu alerta que "punishing China unilaterally will only create a dissatisfied China; incorporating China into the multilateral international arena where China's own intererts hinge on abiding by inernational rules will more likelly make China a satisfied power".

Artigos definidos

"The Chinese are coming. Let's greet them", Jerome Monot
"The Illusion of 'Managing' China", Robert Kagan