Wang Xiangwei escreveu ontem um artigo de análise muito interessante no jornal "South China Morning Post" que é aqui traduzido e adaptado.
“O regresso da segunda missão tripulada da China vai gerar uma onda de patriotismo nos meios de comunicação social, (à semelhança do que aocnteceu há dois anos com a Shenzhou V, n.t.)
A missão cimenta a entrada da China na elite das nações que já enviaram naves tripuladas ao espaço e reflecte o seu desenvolvimento tecnológico. O líderes vao, indubitavelmente, usar este exemplo para inspirar mais inovação tecnológico, encarado como um dos aspectos mais fracos nos esforços que o país tem feito para acelerar o desenvolvimento económico.
Durante os últimos anos, o presidente Hu Jintao e outros dirigentes têm frequentemente lamentado que o padrão de crescimento económico do continente, alimentado por um baixo custo da força de trabalho e o uso ineficiente da energia, seja insustentável perante os efeitos desastrosos que provoca no meio ambiente.
Hu Jintao está a procurar guiar a economia num sentido mais saudável e por um caminho mais sustentável; nesse sentido tem clamado que a inovação tecnológica é o caminho para reforçar a qualidade do crescimento económico. Isto foi salientado no documento recentemente aprovado no plenário do Comité Central do Partido Comunista Chinês.
Fontes dizem que o governo central vai em breve anunciar o primeiro plano de longo prazo para o desenvolvimento tecnológico e científico para os próximos 15 anos. Tendo o primeiro-ministro Wen Jiabao como supervisor, o plano deverá apontar uma série de objectivos para a inovação tecnológica e científica: desde missões espaciais até à segurança alimentar.
Mais importante, vai colocar um ponto final no debate patente entre políticos e académicos sobre se a China, como um país em desenvolvimento deve confiar maioritariamente nas tecnologias externas e contentar-se m sera “fábrica do mundo”, inundando os mercados internacionais com produtos baratos.
Isto seria um desenvolvimento bem vindo, particularmente numa altura em que as exportações da China, uma das forças motorizes do crescimento económico, estão a enfrentar cada vez mais barreiras alfandegárias e vários proteccionismos por parte dos parceiros comerciais. Mas num país em que as violações dos direitos de propriedade intelectual são “o pão nosso de cada dia”, procurar o desenvolvimento da inovação tecnológico é uma tarefa hercúlea. Para que esta intenção funcione, os dirigentes terão que colocar em cima da mesa as seguintes prioridades.
Em primeiro, devem ser reguladas e postas em prática regras efectivas de protecção da propriedade intelectual. Conflitos e torno da violação dos direitos de propriedade intelectual (DPI) têm sido um dos assuntos que tem causado maior fricção entre a China e os Estados Unidos, com Washington a dizer que as empresas americanas perdem milhões de dólares por ano por causa da pirataria. Apesar do comprometimento ao nível das autoridades chinesas, os esforços da China são vistos como pouco veementes.
Os Contrafactores não só atingem as companhias estrangeiras, como também as domésticas. Sem um empenho total na protecção dos DPI , os cientistas têm poucas razões e motivação para inovar.
Em segundo, o governo deve usar incentivos fiscais para encorajar as companhias a pôr de lado fundos destinados à investigação e desenvolvimento.
Em terceiro, como as companhias privadas mais que as estatais estão mais inclinadas para procurar a inoivalão tecnológica, o governo tem de estimular a criação e o desenvolvimento de “venture capital”, ou capital de risco, que apoie as experiências e investigalões tecnológicas e a sua aplicação.
Até ao momento, Pequim tem encarado os fundos de “venture” com suspeição , colocando-lhes barreiras regulatórias, tornando assim difícil o desenvolvimento dos fundos domésticos e o aparecimento de capitais estrangeiros nesse sentido.
Mais importante, a inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política.
Isto será um teste decisivo para a liderança chinesa, uma vez que a tendência vigente de apertar o controlo ideológico e sobre a liberdade de expressão em nome da manuteção da estabilidade, dificilmente vai ajudar no estímulo a uma cultura da inovação”.
Tuesday, October 18, 2005
Monday, October 17, 2005
Sãos e salvos

Os taikonautas voltaram à Terra depois de cinco dias em órbita.
A propósito, esta é uma boa altura para reflectir sobre o programa espacial chinês. Começamos por ler "CHINA'S SPACE PROGRAMME" por B.Raman.
Sunday, October 16, 2005
Friday, October 14, 2005
Thursday, October 13, 2005
A Prosperidade Comum
O Partido Comunista Chinês (PCC) aprovou uma estratégia de desenvolvimento que substitui as doutrinas próximas do capitalismo de Deng Xiaoping por uma política mais igualitária, que a imprensa oficial hoje classifica como "mudança revolucionária".
Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.
"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".
Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas". (...)
Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.
"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".
Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas". (...)
Tuesday, October 11, 2005
A mecânica das coisas

O aquecimento global está a causar o declínio ecológico do rio Amarelo pondo em risco o acesso a água de mais de 120 milhões de pessoas, alerta a associação ambientalista Greenpeace China num estudo hoje divulgado.
"Olhando para a região da nascente do Rio Amarelo, observamos os glaciares e o solo gélido a degelar, os lagos e afluentes a diminuir, a deterioração das áreas abertas e a desertificação do solo, ameaças causadas pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas", refere o estudo encomendado pela Organização ecologista Greenpeace a uma equipa do Instituto de Pesquisa das Regiões Frias e Áridas da Academia de Ciências da China. (Lusa)
As autoridades chinesas concluíram que a corrupção na província de Guangdong, a mais rica do país, custou mais de 11 mil milhões de dólares americanos (nove mil milhões de euros) em cinco anos, refere hoje a imprensa local.
O valor, equivalente a cerca de três por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal em 2004, foi subtraído entre 2000 e 2004 por mais de 400 funcionários públicos de Guangdong, noticia o jornal oficial chinês em língua inglesa China Daily, que cita os resultados de uma investigação do Tribunal de Contas daquela província adjacente a Macau (...)
Um grupo de monges budistas, sempre encarados como alheios às coisas do mundo, iniciou hoje em Xangai um mestrado em gestão de empresas (MBA), lado a lado com gestores e executivos de topo, refere hoje a imprensa económica local.
Segundo o jornal chinês Economic Daily, os 18 monges, vestidos com túnicas amarelas e cor-de-laranja que simbolizam a renúncia e a vida sem desejos, frequentam aulas de engenharia organizacional, recursos humanos, marketing e gestão financeira. (...)
Sunday, October 09, 2005
A Doninha no Oriente

Foi um espectáculo!
Esta noite os Da Weasel foram os cabeças de cartaz do "Festival da Lusofonia", em Macau.
Saturday, October 08, 2005
Thursday, October 06, 2005
Ameaça, Paz. Desenvolvimento e Status Quo
"Despite widespread fears about China's growing economic clout and political stature, Beijing remains committed to a "peaceful rise": bringing its people out of poverty by embracing economic globalization and improving relations with the rest of the world. As it emerges as a great power, China knows that its continued development depends on world peace -- a peace that its development will in turn reinforce."
Este é o summary de um artigo ineteressante, publica pela "Foreign Affairs", que foge a uma tendência que tem proliferado nalguns círculos académicos e não só, nomeadamente nos Estados Unidos, cujo tom tem sido de "China-Ameaça". Não ignoro as ambições de poder da China, em especial na zona Ásia-Pacífico, nem que existe algo "beyong e behind the curtain" numa linguagem algo realista, no entanto receio que a retórica da "China como the next big threat" agudize o "security dilema" e se torne numa "self-fulfil prophecy".
Acerca da estratégia chinesa para as relações internacionais vale a pena ler com atenção "Is China a status quo power" de Alaistair Iain Johnston.
Este é o summary de um artigo ineteressante, publica pela "Foreign Affairs", que foge a uma tendência que tem proliferado nalguns círculos académicos e não só, nomeadamente nos Estados Unidos, cujo tom tem sido de "China-Ameaça". Não ignoro as ambições de poder da China, em especial na zona Ásia-Pacífico, nem que existe algo "beyong e behind the curtain" numa linguagem algo realista, no entanto receio que a retórica da "China como the next big threat" agudize o "security dilema" e se torne numa "self-fulfil prophecy".
Acerca da estratégia chinesa para as relações internacionais vale a pena ler com atenção "Is China a status quo power" de Alaistair Iain Johnston.
Wednesday, October 05, 2005
Sunday, October 02, 2005
Há 56 anos II
"O arsenal de defesa contra a Internet na China foi reforçado esta semana com a publicação de um novo regulamento que amplia a lista de temas tabu no país. Sites e blogues ficam a partir de agora proibidos de noticiar ou referir manifestações de protesto social que têm aumentado substancialmente nos últimos tempos.O texto legal proíbe os sites de informação que "instiguem reuniões, organizações, manifestações ou concentrações ilegais que perturbem a ordem pública". Ficam também sob a alçada das novas regras os sites que publiquem informações consideradas pelas autoridades falsas ou pornografia e conteúdos que "ponham em causa a segurança nacional, revelem segredos de Estado, subvertam o poder político [e] minem a unidade nacional"." in Público (sem link)
"Este tipo de regulamentos pode intimidar e controlar alguns sites, mas a longo prazo [as autoridades] estão a travar uma batalha perdida", declarou à Reuters Xiao Quiang, director do China Internet Project da Universidade da Califórnia (Berkeley, Estados Unidos).
Nem mais!
"Este tipo de regulamentos pode intimidar e controlar alguns sites, mas a longo prazo [as autoridades] estão a travar uma batalha perdida", declarou à Reuters Xiao Quiang, director do China Internet Project da Universidade da Califórnia (Berkeley, Estados Unidos).
Nem mais!
Friday, September 30, 2005
Thursday, September 29, 2005
Wednesday, September 28, 2005
Ainda as eleições
Em jeito de final de "festa", ficam aqui algumas ligações sobre a "saga" do acto eleitoral em Macau:
"Uma AL de oposição, ou talvez não..." Hoje Macau
"Violência eleitoral nas mãos de um juiz" Ponto Final
"Análise: Balanço pós-eleitoral" Paulo Godinho no Ponto Final
"Uma AL de oposição, ou talvez não..." Hoje Macau
"Violência eleitoral nas mãos de um juiz" Ponto Final
"Análise: Balanço pós-eleitoral" Paulo Godinho no Ponto Final
Tuesday, September 27, 2005
Eleições: vencedores e derrotados
Vencedores:
Associação do Novo Macau Democrático: A lista liderada por Ng Kuok Cheong não só ficou em primeiro lugar, como aumentou a votação em termos absolutos em 7 mil votos, em comparação com as eleições de 2001. Manteve os dois deputados e ficou a apenas 500 votosd e eleger o terceiro. A população voltou a dar sinais de vontade em acelerar o processo de reforma democrática. É a vitória do trabalho de campo de uma associação com parcos meios que ganha cada vez maior implantação entre as classes médias e os mais desfavorecidos. Esperemos que nesta legislatura a dupla Ng Kuok Cheong/Au Kam San possa fazer mais e melhor na Assembleia; isto é que tenha um discurso mais consistente e consequente e que, já agora, apresente propostas de lei.
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Trata-se de uma surpresa e de um sinal preocupante. Surpresa porque poucos previam que pudesse eleger dois deputados; mau sinal, uma vez que estamos perante uma lista que representa os interesses do sector do Jogo, mais especificamente, os negócios da comunidade de Fujian. De resto foi com o apoio em massa da comunidade dessa província chinesa que conseguiu eleger dois deputados. Não se pode por isso esperar nada de bom destes dois deputados na Assembleia. Ainda por cima há fortes suspeitas deste grupo ter procedido à compra de votos. Não é assim de repente que se conseguem 20 mil votos em Macau. Além do mais o líder da lista, Cham Meng Kaa, patrão do casino Golden Dragon, inspira pouca confiança e algum medo. Não é por acaso.
Nova Esperança: Pereira Coutinho é o outro grande vencedor da noite. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau foi não só foi o primeiro cabeça de lista português a ser eleito pelo sufrágio directo (depois de Jorge Fão ter sido eleito há quatro anos na lista de David Chow), como alcança uma votação recorde para uma lista ligada á comunidade portuguesa e macaense: quase 10 mil votos. É o fruto de quatro anos de trabalho intenso, de trabalho de campo junto da função pública que tem visto os seus direitos serem atacados nos últimos anos. Agora os trabalhadores da administração já têm uma voz na Assembleia. Sendo uma figura polémica dentro da comunidade portuguesa, Coutinho soube apelar ao voto útil e seduzir muitos eleitores chineses. Resta saber como se vai comportar na Assembleia.
Resistentes:
União para o Desenvolvimento: A lista dos operários liderada pela senhora Kwan Tsui Hang conseguiu resistir à concorrência e segurou com larga margem os dois deputados. Temia-se que com tanta concorrência vinda do sector empresarial, a associação apoiada pelos Operários Pró-Pequim pudesse perder terreno face a aliciamentos que terão sido feitos. É um prémio para quem está junto dos trabalhadores e que tem levantado a voz contra os atropelos constantes à classe. No entanto, sendo alinhada com o governo de Macau e em especial com a China continental, a sua margem de contestação é limitada. Tendo em conta o aumento das disparidades sociais será interessante ver como reage quando a corda esticar.
União Promotora do Progresso: Os "Kai Fong", ou seja as Associações de Moradores, seguraram por uma unha negra os dois deputados. Valeu o carisma de Leong heng Teng e a estima que ele inspira nos sectores tradicionais. Mas há um sinal que não deixa de preocupar os "moradores": o número de eleitores está a aumentar a passos largos e o número de votantes na União Para o Progresso mantém-se quase inalterado. Na Assembleia espera-se uma voz apagada e alinhada, apesar de, por vezes, levantar algumas causas sociais.
União Para o Bem Querer de Macau: Fong Chi keong, o cabeça de lista, é um meio vencedor. Apostou as cartas todas no sufrágio directo (depois de não ter garantido os apoios para a eleição indirecta) e ganhou. O que é um mau sinal, pois a sua prestação como parlamentar vai do medíocre ao deplorável.
Derrotados:
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: Ou melhor o seu líder e patrocinador, David Chow. Em 4 anos perdeu mais de metade dos votantes e foi eleito por escassa margem, Para quem tem a influência e o poder económico de David Chow, dá que pensar. E afinal os votos dos macaenses contam, uma vez que sem Jorge Fão na lista, Chow viu-se reduzido a pouco mais de 6 mil votos.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: Era a grande jogada de Stanley Ho. Lançou a sua esposa Angela Leong (a quarta mulher) na corrida e não conseguiu eleger o seu braço direito, Ambrose So. Tendo em conta que Ho é ainda rei e senhor de Macau foi uma humilhação ter menos de metade dos democratas e ver o patrão do casino Golden Dragon chegar aos 20 mil votos. Valia a pena entrar na corrida assim? De qualquer modo a lição foi aprendida. Angela Leong não vai acrescentar nada à Assembleia e quando falar será sempre, obviamente, a voz do dono, ou seja de Stanley Ho.
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: É um caso difícil de perceber, à primeira vista. João Bosco Cheang que em 2001 obteve mais de 5 mil votos viu-se reduzido a menos de mil. A lista da STDM tirou-lhe a fatia de leão dos votantes. Com isto, Cheang deverá dizer adeus à política da RAEM.
Por Macau:A não eleição de Sales Marques não é surpresa para ninguém. Mas o resultado pode considerar-se muito fraco: apenas 892 votos. Esta facção, mais elitista diz Pereira Coutinho, da comunidade macaense terá agora que repensar o projecto. Vale a pena ser os irredutíveis gauleses na aldeia chinesa?
Associação do Novo Macau Democrático: A lista liderada por Ng Kuok Cheong não só ficou em primeiro lugar, como aumentou a votação em termos absolutos em 7 mil votos, em comparação com as eleições de 2001. Manteve os dois deputados e ficou a apenas 500 votosd e eleger o terceiro. A população voltou a dar sinais de vontade em acelerar o processo de reforma democrática. É a vitória do trabalho de campo de uma associação com parcos meios que ganha cada vez maior implantação entre as classes médias e os mais desfavorecidos. Esperemos que nesta legislatura a dupla Ng Kuok Cheong/Au Kam San possa fazer mais e melhor na Assembleia; isto é que tenha um discurso mais consistente e consequente e que, já agora, apresente propostas de lei.
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Trata-se de uma surpresa e de um sinal preocupante. Surpresa porque poucos previam que pudesse eleger dois deputados; mau sinal, uma vez que estamos perante uma lista que representa os interesses do sector do Jogo, mais especificamente, os negócios da comunidade de Fujian. De resto foi com o apoio em massa da comunidade dessa província chinesa que conseguiu eleger dois deputados. Não se pode por isso esperar nada de bom destes dois deputados na Assembleia. Ainda por cima há fortes suspeitas deste grupo ter procedido à compra de votos. Não é assim de repente que se conseguem 20 mil votos em Macau. Além do mais o líder da lista, Cham Meng Kaa, patrão do casino Golden Dragon, inspira pouca confiança e algum medo. Não é por acaso.
Nova Esperança: Pereira Coutinho é o outro grande vencedor da noite. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau foi não só foi o primeiro cabeça de lista português a ser eleito pelo sufrágio directo (depois de Jorge Fão ter sido eleito há quatro anos na lista de David Chow), como alcança uma votação recorde para uma lista ligada á comunidade portuguesa e macaense: quase 10 mil votos. É o fruto de quatro anos de trabalho intenso, de trabalho de campo junto da função pública que tem visto os seus direitos serem atacados nos últimos anos. Agora os trabalhadores da administração já têm uma voz na Assembleia. Sendo uma figura polémica dentro da comunidade portuguesa, Coutinho soube apelar ao voto útil e seduzir muitos eleitores chineses. Resta saber como se vai comportar na Assembleia.
Resistentes:
União para o Desenvolvimento: A lista dos operários liderada pela senhora Kwan Tsui Hang conseguiu resistir à concorrência e segurou com larga margem os dois deputados. Temia-se que com tanta concorrência vinda do sector empresarial, a associação apoiada pelos Operários Pró-Pequim pudesse perder terreno face a aliciamentos que terão sido feitos. É um prémio para quem está junto dos trabalhadores e que tem levantado a voz contra os atropelos constantes à classe. No entanto, sendo alinhada com o governo de Macau e em especial com a China continental, a sua margem de contestação é limitada. Tendo em conta o aumento das disparidades sociais será interessante ver como reage quando a corda esticar.
União Promotora do Progresso: Os "Kai Fong", ou seja as Associações de Moradores, seguraram por uma unha negra os dois deputados. Valeu o carisma de Leong heng Teng e a estima que ele inspira nos sectores tradicionais. Mas há um sinal que não deixa de preocupar os "moradores": o número de eleitores está a aumentar a passos largos e o número de votantes na União Para o Progresso mantém-se quase inalterado. Na Assembleia espera-se uma voz apagada e alinhada, apesar de, por vezes, levantar algumas causas sociais.
União Para o Bem Querer de Macau: Fong Chi keong, o cabeça de lista, é um meio vencedor. Apostou as cartas todas no sufrágio directo (depois de não ter garantido os apoios para a eleição indirecta) e ganhou. O que é um mau sinal, pois a sua prestação como parlamentar vai do medíocre ao deplorável.
Derrotados:
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: Ou melhor o seu líder e patrocinador, David Chow. Em 4 anos perdeu mais de metade dos votantes e foi eleito por escassa margem, Para quem tem a influência e o poder económico de David Chow, dá que pensar. E afinal os votos dos macaenses contam, uma vez que sem Jorge Fão na lista, Chow viu-se reduzido a pouco mais de 6 mil votos.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: Era a grande jogada de Stanley Ho. Lançou a sua esposa Angela Leong (a quarta mulher) na corrida e não conseguiu eleger o seu braço direito, Ambrose So. Tendo em conta que Ho é ainda rei e senhor de Macau foi uma humilhação ter menos de metade dos democratas e ver o patrão do casino Golden Dragon chegar aos 20 mil votos. Valia a pena entrar na corrida assim? De qualquer modo a lição foi aprendida. Angela Leong não vai acrescentar nada à Assembleia e quando falar será sempre, obviamente, a voz do dono, ou seja de Stanley Ho.
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: É um caso difícil de perceber, à primeira vista. João Bosco Cheang que em 2001 obteve mais de 5 mil votos viu-se reduzido a menos de mil. A lista da STDM tirou-lhe a fatia de leão dos votantes. Com isto, Cheang deverá dizer adeus à política da RAEM.
Por Macau:A não eleição de Sales Marques não é surpresa para ninguém. Mas o resultado pode considerar-se muito fraco: apenas 892 votos. Esta facção, mais elitista diz Pereira Coutinho, da comunidade macaense terá agora que repensar o projecto. Vale a pena ser os irredutíveis gauleses na aldeia chinesa?
Monday, September 26, 2005
Eleições Legislativas em Macau II
Afluência: 128 830 (58 % do total de eleitores inscritos)
Resultados do sufrágio directo
Associação do Novo Macau Democrático: 23 472 votos - 18.80 % 2 deputados
Força pró-democracia
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: 20695 - 16.58 % 2 deputados
comunidade da província chinesa de Fujian/interesses ligados ao Jogo
União para o Desenvolvimento: 16588 - 13.29 % 2 deputados
Associação Geral dos Operários; Tradicionalistas; Pró-Pequim
União Para o Progresso: 11985 - 9.60 por cento 2 deputados
Associação Geral dos Moradores, "Kai Fong"; Tradicionalistas; Pró-Pequim
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: 11642 9.33 por cento 1 deputado
Interesses de Stanley Ho
Nova Esperança: 9973 7.99 % - 1 deputado
Comunidade portuguesa/macaense; trabalhadores da função pública
União Para o Bem Querer de Macau: 8515 - 6.82 % 1 deputado
Interesses empresariais
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: 6079 4.87 %1 deputado
Interesses empresarias
Associação para a Democracia e Bem Estar de Macau: 4356 3.49 % 0 deputados
pró-democracia
Nova Juventude de Macau: 3060 2.45 % 0 deputados
Pró-Pequim
Associação de Apoio à Comunidade e Proximidade do Povo: 2941 2.36 %
Doutrina Social da Igreja Católica; Pró-democracia
Associação Visão de Macau: 1973 1.58%
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: 922 0.74%
Por Macau: 892 0.71 %
Comunidade Portuguesa/Macaense
Associação do Activismo para a Democracia: 654 0.52%
Radical pró-democracia
União dos Operários: 457 0.37%
Movimento operário católico; pró-democracia
Um Novo Vigor Para Macau: 448 0.36%
Profissionais liberais; pró-democracia/moderado
Associação Direitos dos Cidadãos: 191 0.15%
Pró-Pequim
Resultados do sufrágio directo
Associação do Novo Macau Democrático: 23 472 votos - 18.80 % 2 deputados
Força pró-democracia
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: 20695 - 16.58 % 2 deputados
comunidade da província chinesa de Fujian/interesses ligados ao Jogo
União para o Desenvolvimento: 16588 - 13.29 % 2 deputados
Associação Geral dos Operários; Tradicionalistas; Pró-Pequim
União Para o Progresso: 11985 - 9.60 por cento 2 deputados
Associação Geral dos Moradores, "Kai Fong"; Tradicionalistas; Pró-Pequim
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: 11642 9.33 por cento 1 deputado
Interesses de Stanley Ho
Nova Esperança: 9973 7.99 % - 1 deputado
Comunidade portuguesa/macaense; trabalhadores da função pública
União Para o Bem Querer de Macau: 8515 - 6.82 % 1 deputado
Interesses empresariais
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: 6079 4.87 %1 deputado
Interesses empresarias
Associação para a Democracia e Bem Estar de Macau: 4356 3.49 % 0 deputados
pró-democracia
Nova Juventude de Macau: 3060 2.45 % 0 deputados
Pró-Pequim
Associação de Apoio à Comunidade e Proximidade do Povo: 2941 2.36 %
Doutrina Social da Igreja Católica; Pró-democracia
Associação Visão de Macau: 1973 1.58%
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: 922 0.74%
Por Macau: 892 0.71 %
Comunidade Portuguesa/Macaense
Associação do Activismo para a Democracia: 654 0.52%
Radical pró-democracia
União dos Operários: 457 0.37%
Movimento operário católico; pró-democracia
Um Novo Vigor Para Macau: 448 0.36%
Profissionais liberais; pró-democracia/moderado
Associação Direitos dos Cidadãos: 191 0.15%
Pró-Pequim
Democratas vencem
A Associação do Novo Macau Democrático voltou a vencer as eleições legislativas, elegendo dois deputados para a Assembleia Legislativa com 23.472 votos num total de 128.830 votantes.
Pela segunda vez desde 1999, uma lista liderada por um português conseguiu eleger hoje, através de sufrágio directo, um deputado. Pereira Coutinho obteve quase 10 mil votos.
Pela segunda vez desde 1999, uma lista liderada por um português conseguiu eleger hoje, através de sufrágio directo, um deputado. Pereira Coutinho obteve quase 10 mil votos.
Saturday, September 24, 2005
Essencial
Para perceber a política em Macau, aconselho vivamente a leitura do trabalho de João Varela, director do jornal Hoje Macau:
Tradicionais, democratas e outsiders com trabalho feito na terra e ambições políticas legítimas, estão a ver-se confrontados com uma campanha violentíssima de outras candidaturas ligadas aos casinos, cuja legitimidade, porque muito que se ache o contrário, tem de ser abalizada pelo próprio contexto sócio-económico actual de Macau
Complementarmente será igualmente interessante passar os olhos pelos seguintes artigos:
"Perspectivas para domingo", Nuno Lima Bastos no Ponto Final
"Ng Kuok Cheong e Angela Leong podem eleger dois deputados", José Rocha Dinis no JTM
"Casino bosses tipped to win election", Luis Pereira no The Standard
Amanhã os eleitores de Macau decidem a composição de parte da futura Assembleia Legislativa. Na segunda-feira, olharemos para os resultados e analisaremos as implicações.
Tradicionais, democratas e outsiders com trabalho feito na terra e ambições políticas legítimas, estão a ver-se confrontados com uma campanha violentíssima de outras candidaturas ligadas aos casinos, cuja legitimidade, porque muito que se ache o contrário, tem de ser abalizada pelo próprio contexto sócio-económico actual de Macau
Complementarmente será igualmente interessante passar os olhos pelos seguintes artigos:
"Perspectivas para domingo", Nuno Lima Bastos no Ponto Final
"Ng Kuok Cheong e Angela Leong podem eleger dois deputados", José Rocha Dinis no JTM
"Casino bosses tipped to win election", Luis Pereira no The Standard
Amanhã os eleitores de Macau decidem a composição de parte da futura Assembleia Legislativa. Na segunda-feira, olharemos para os resultados e analisaremos as implicações.
Friday, September 23, 2005
China In a nutshell
China's second manned spacecraft Shenzhou VI is scheduled to be lifted in mid-October.
Five executives convicted of organizing prostitution at a hotel within a revolutionary martyrs mausoleum in Sichuan Province have been ordered imprisoned for terms ranging from eight months to 12 years.
Indian tiger skins are openly bought and sold on the streets of China, two leading conservation groups warn
Five executives convicted of organizing prostitution at a hotel within a revolutionary martyrs mausoleum in Sichuan Province have been ordered imprisoned for terms ranging from eight months to 12 years.
Indian tiger skins are openly bought and sold on the streets of China, two leading conservation groups warn
Thursday, September 22, 2005
Monday, September 19, 2005
Sinal de esperança
North Korea agreed Monday to stop building nuclear weapons and allow international inspections in exchange for energy aid, economic cooperation and security assurances, in a first step toward disarmament after two years of six-nation talks
China’s deputy foreign minister, Wu Dawei, announced that the six participating nations will reconvene in early November in Beijing, to flesh out details of a range of critical issues concerning timing of implementation, when the inspectors will be allowed in, and what the economic aid package include.
Yet this is not the end of the game...
China’s deputy foreign minister, Wu Dawei, announced that the six participating nations will reconvene in early November in Beijing, to flesh out details of a range of critical issues concerning timing of implementation, when the inspectors will be allowed in, and what the economic aid package include.
Yet this is not the end of the game...
Sunday, September 18, 2005
Saturday, September 17, 2005
A língua portuguesa em Macau
De facto, o português só foi realmente uma língua muito utilizada em Macau nos séculos XVI e XVII quando era a língua franca do comércio na Ásia. Depois, a sua importância minguou ao ponto de hoje ser usada apenas por meia alguns milhares de pessoas. No entanto, o cenário é menos negro do que alguns previam no período imediatamente após a transição de administração. Mais: o interesse pela língua aumentou consideravelmente nos últimos dois anos. Este artigo da BBC Brasil ilustra bem como
Expansão da China pode salvar língua portuguesa em Macau.
Será apenas um wishful thinking?
Expansão da China pode salvar língua portuguesa em Macau.
Será apenas um wishful thinking?
Friday, September 16, 2005
Macau no New York Times
Eis uma visão sobre Macau:
In Macao, Giant Pleasure Domes Are Decreed
By DAVID BARBOZA
"IT is 3 a.m. on a humid Sunday in Macao in late July, and hundreds of people, most of them Chinese, are still filing into the gigantic new Sands Macao hotel and casino, making their way up the escalator to the building's main gallery.
Under a 100,000-pound chandelier, on a carpeted floor nearly three times the size of a football field, people stand shoulder to shoulder around the baccarat tables, gambling the hours away.
Across the Avenida de Amizade, a sprawling theme park called Fisherman's Wharf is going up; the neon lights from the Sands illuminate such park features as an artificial 130-foot volcano that rises above a replica of the Roman Colosseum. (...)
No New York Times, 11-09-2005 (a subscrição é gratuíta)
In Macao, Giant Pleasure Domes Are Decreed
By DAVID BARBOZA
"IT is 3 a.m. on a humid Sunday in Macao in late July, and hundreds of people, most of them Chinese, are still filing into the gigantic new Sands Macao hotel and casino, making their way up the escalator to the building's main gallery.
Under a 100,000-pound chandelier, on a carpeted floor nearly three times the size of a football field, people stand shoulder to shoulder around the baccarat tables, gambling the hours away.
Across the Avenida de Amizade, a sprawling theme park called Fisherman's Wharf is going up; the neon lights from the Sands illuminate such park features as an artificial 130-foot volcano that rises above a replica of the Roman Colosseum. (...)
No New York Times, 11-09-2005 (a subscrição é gratuíta)
Eleições Legislativas V: "Macau sã assi" *
Just 10 days before voters head to the polls, Macau's Commission Against Corruption has unearthed a massive vote-buying ring.
The commission said Thursday it has recommended prosecution of 485 people in the case - the latest and by far the biggest of a string of vote-buying cartels uncovered by investigators.
No The Standard
Será isto a ponta do iceberg?
*Expressão em Patuá - dialecto macaense de origem portuguesa com elementos do malaio e do chinês - que significa "Macau é assim".
The commission said Thursday it has recommended prosecution of 485 people in the case - the latest and by far the biggest of a string of vote-buying cartels uncovered by investigators.
No The Standard
Será isto a ponta do iceberg?
*Expressão em Patuá - dialecto macaense de origem portuguesa com elementos do malaio e do chinês - que significa "Macau é assim".
Thursday, September 15, 2005
Wednesday, September 14, 2005
A vitória de Koizumi
Confesso que não estou muito por dentro dos assuntos nipónicos. No entanto, acompanho a média-distância o que se vai passando na vida política e económica do Japão. Acerca da privatização dos Correios, percebo as reservas de Geosapiens, mas considero que esta é uma medida necessária, entre outras, para tornar a economia japonesa mais competitiva e menos agrilhoada aos lobbies e grupos de pressão que infestam o tecido económico, a começar pelo Partido Liberal Democrata de Koizumi. Num sistema transparente e em que é relevada a accountability, a privatização dos correios não trará males de maior. Mas resssalvo que estas observações são eminentemente superficiais, por isso desde já apelo aos bloguers mais entendidos nos assuntos do país do Sol Nascente para opinarem sobre assunto. Em traços gerais concordo com este editorial do New York Times, via IHT:
Japan needs postal service privatization, two-party democracy and a more constructive relationship with its neighbors and trading partners. Only the first was advanced by Sunday's election.
P.S. Na liderança de Koizumi o que me preocupa mais são os laivos nacionalistas patentes nas visitas aos túmulos de soldados acusados de crimes de guerra e o inevitável alinhamento com a política externa da Casa Branca. Mas quanto a este último aspecto, trata-se de uma aliança estrutural que se entende. Não quero com isto subscrever a nipofobia do nacionanalismo chinês, que levanta constantemente os fantasmas do passado; apenas sublinho que a reminilitarização do Japão, a par de outras potências asiáticas, pode gerar desiquilíbrios perigoso no sistema geopolítico da Ásia Oriental.
Japan needs postal service privatization, two-party democracy and a more constructive relationship with its neighbors and trading partners. Only the first was advanced by Sunday's election.
P.S. Na liderança de Koizumi o que me preocupa mais são os laivos nacionalistas patentes nas visitas aos túmulos de soldados acusados de crimes de guerra e o inevitável alinhamento com a política externa da Casa Branca. Mas quanto a este último aspecto, trata-se de uma aliança estrutural que se entende. Não quero com isto subscrever a nipofobia do nacionanalismo chinês, que levanta constantemente os fantasmas do passado; apenas sublinho que a reminilitarização do Japão, a par de outras potências asiáticas, pode gerar desiquilíbrios perigoso no sistema geopolítico da Ásia Oriental.
Tuesday, September 13, 2005
Eleições Legislativas IV: os portugueses
Em Macau a expressão portugueses pode ser entendida de diversas maneiras. Por um lado, os cidadãos portadores de passaporte de Portugal - o que representará cerca de 120 mil pessoas - por outro os cidadãos portadores de passaporte português que usam a língua de Camões no dia-a-dia e cujas referências culturais se encontram em Portugal - cerca de 10 mil, a maioria dos quais macaenses, ou seja pessoas com sangue português e oriental - finalmente os portugueses expatriados, ou seja oriundos da "metrópole" que serão cerca de 2 mil. Não menosprezando os direitos dos chineses de cidadania portuguesa, para este efeito temos em conta o segundo grupo, que inclui naturalmente o terceiro. Ora, tendo em conta os considerandos supracitados, existem duas candidaturas encabeçadas por portugueses, neste caso macaenses:
Nova Esperança: Encabeçada por José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), esta candidatura procura seduzir não apenas o eleitorado de matriz portuguesa, mas também eleitores chineses. Prova disso é a inclusão de dois chineses no segundo e no terceiro lugar da lista. Trata-se de uma estratégia inteligente uma vez que eleitoralmente os portugueses têm muito pouco peso e que a figura de Pereira Coutinho, também conselheiro das comunidades portuguesas para a zona Ásia Pacífico, está longe de ser consensual. Há quatro anos esta candidatura obteve 4700 votos, ficando a pouco mais de 300 da eleição. Agora Coutinho não tem o arqui-rival Jorge Fão pela frente, mas a sua eleição não será mais facilitada, porque a Lista "Por Macau" de Sales Marques também pisa o terreno do eleitorado português e macaense.
Por Macau: Trata-se da candidatura com fortes ligações a vários ilustres da comunidade macanese. Prova disso é a comissão de honra recentemente apresnetada onde pontificam ilustres portugueses do território como Anabela Ritchie, ex presidented a Assembleia Legislativa, o arquitecto Carlos Marreiros ou o escritor Henrique de Senna Fernandes. Presidida por Sales Marques, ex presidente do Leal Senado, a "Por Macau" procura ir ao encontro não apenas do voto português, mas também de outras comunidades expatriadas de Macau. Nota-se igualmente uma preocupação em ter um discurso mais abrangente - daí o lema "Por Todas as comunidades" - em especial à procura do voto de alguma classe média chinesa.
No entanto, a eleição de Sales Marques para a Assembleia parece ser uma missão quase impossível.
Depois de em 2001 Jorge Fão ter sido eleito na lista de David Chow, e depois da sua recusa em voltar a ir a votos, desta vez a possibilidade da eleição de um deputado português pelo sufrágio directo afigura-se reduzida. Tudo vai depender da capacidade de cada uma destas candidaturas de mobilizar o eleitorado português, que parece estar algo alheado da vida política local, e, acima de tudo, de seduzir o eleitorado chinês. Mesmo assim a representação da comunidade portuguesa na Assembleia Legislativa estará sempre assegurada através de Leonel Alves, que vai ser eleito pelo sufrágio indirecto, e por um deputado nomeado pelo chefe do executivo.
Nova Esperança: Encabeçada por José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), esta candidatura procura seduzir não apenas o eleitorado de matriz portuguesa, mas também eleitores chineses. Prova disso é a inclusão de dois chineses no segundo e no terceiro lugar da lista. Trata-se de uma estratégia inteligente uma vez que eleitoralmente os portugueses têm muito pouco peso e que a figura de Pereira Coutinho, também conselheiro das comunidades portuguesas para a zona Ásia Pacífico, está longe de ser consensual. Há quatro anos esta candidatura obteve 4700 votos, ficando a pouco mais de 300 da eleição. Agora Coutinho não tem o arqui-rival Jorge Fão pela frente, mas a sua eleição não será mais facilitada, porque a Lista "Por Macau" de Sales Marques também pisa o terreno do eleitorado português e macaense.
Por Macau: Trata-se da candidatura com fortes ligações a vários ilustres da comunidade macanese. Prova disso é a comissão de honra recentemente apresnetada onde pontificam ilustres portugueses do território como Anabela Ritchie, ex presidented a Assembleia Legislativa, o arquitecto Carlos Marreiros ou o escritor Henrique de Senna Fernandes. Presidida por Sales Marques, ex presidente do Leal Senado, a "Por Macau" procura ir ao encontro não apenas do voto português, mas também de outras comunidades expatriadas de Macau. Nota-se igualmente uma preocupação em ter um discurso mais abrangente - daí o lema "Por Todas as comunidades" - em especial à procura do voto de alguma classe média chinesa.
No entanto, a eleição de Sales Marques para a Assembleia parece ser uma missão quase impossível.
Depois de em 2001 Jorge Fão ter sido eleito na lista de David Chow, e depois da sua recusa em voltar a ir a votos, desta vez a possibilidade da eleição de um deputado português pelo sufrágio directo afigura-se reduzida. Tudo vai depender da capacidade de cada uma destas candidaturas de mobilizar o eleitorado português, que parece estar algo alheado da vida política local, e, acima de tudo, de seduzir o eleitorado chinês. Mesmo assim a representação da comunidade portuguesa na Assembleia Legislativa estará sempre assegurada através de Leonel Alves, que vai ser eleito pelo sufrágio indirecto, e por um deputado nomeado pelo chefe do executivo.
Monday, September 12, 2005
Koizumi Absoluto

Prime Minister Junichiro Koizumi's Liberal Democratic Party appeared headed for a landslide victory in a general election Sunday, according to exit polls by Japanese media.
Agora, mãos à obra que há muito para reformar no Japão.
Sunday, September 11, 2005
Eleições Legislativas em Macau III
Já começou a campanha eleitoral para as eleições legislativas da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 18 listas concorrem para 12 lugares que são eleitos através do sufrágio directo. Dez assentos serão apurados mediante um processo de eleição indirecto no qual intervêm as várias corporações e interesses, enquanto sete deputados serão nomeados directamente pelo chefe do executivo. Antes já aqui tinha referido quais são as listas favoritas para conseguir eleger um ou dois deputados, agora vou olhar para outras candidaturas que aparecem também com alguma força.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: com Angela Leong à cabeça, há fortes possibilidades desta candidatura eleger um deputado pelo menos. É que estamos a falar de uma mulher que é esposa de Stanley Ho e Administradora da STDM. E já se sabe que o "Tio Stanley não brinca em serviço".
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar: situa-se no extremo oposto da lista anterior, ou seja também representaos interesses do Jogo, mas procura ser a voz dos trabalhadores. Vai por isso lutar voto a voto opela reeleição de João Bosco Cheang que há quatro anos conseguiu ser eleito com 5170 votos, uma votação que será este ano insuficiente tendo em conta que o universo eleitoral aumentou consideravelmente.
Incógnitas:
União Geral para o bem-querer de Macau: Liderada pelo até agora deputado Fong Chi Keong que tinha sido eleitoem 2001 pelo sufrágio indirecto representando os interesses assistenciais, culturais, educacionais e desportivos, esta candidatura joga nesta eleições a notoriedade do seu líder. Fong Chi Keong destacou-se na última legislatura com declarações de defesa cega dos interesses empresariais, chegando a ter intervenções de fraquíssima qualidade, em especial na oposição que fez à proposta de Lei Sindical.
Dr. Fong Um Novo Vigor de Macau: como o próprio nome indica trata-se de uma lista unipessoal em torno de um médico que tem um instituto de sondagens. Apesar de ter um discurso ambíguo, Fong Man Tat poderá beneficiar de ter aparecido regularmente nos media à custa dessas sondagens. Será que isso suficiente?
Num próximo post prestaremos atenção às listas encabeçadas por portugueses.
Entretanto, para saber mais sobre cada uma das candidaturas pode ouvir aqui um programa especial da Rádio Macau sobre as eleições legislativas na RAEM.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: com Angela Leong à cabeça, há fortes possibilidades desta candidatura eleger um deputado pelo menos. É que estamos a falar de uma mulher que é esposa de Stanley Ho e Administradora da STDM. E já se sabe que o "Tio Stanley não brinca em serviço".
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar: situa-se no extremo oposto da lista anterior, ou seja também representaos interesses do Jogo, mas procura ser a voz dos trabalhadores. Vai por isso lutar voto a voto opela reeleição de João Bosco Cheang que há quatro anos conseguiu ser eleito com 5170 votos, uma votação que será este ano insuficiente tendo em conta que o universo eleitoral aumentou consideravelmente.
Incógnitas:
União Geral para o bem-querer de Macau: Liderada pelo até agora deputado Fong Chi Keong que tinha sido eleitoem 2001 pelo sufrágio indirecto representando os interesses assistenciais, culturais, educacionais e desportivos, esta candidatura joga nesta eleições a notoriedade do seu líder. Fong Chi Keong destacou-se na última legislatura com declarações de defesa cega dos interesses empresariais, chegando a ter intervenções de fraquíssima qualidade, em especial na oposição que fez à proposta de Lei Sindical.
Dr. Fong Um Novo Vigor de Macau: como o próprio nome indica trata-se de uma lista unipessoal em torno de um médico que tem um instituto de sondagens. Apesar de ter um discurso ambíguo, Fong Man Tat poderá beneficiar de ter aparecido regularmente nos media à custa dessas sondagens. Será que isso suficiente?
Num próximo post prestaremos atenção às listas encabeçadas por portugueses.
Entretanto, para saber mais sobre cada uma das candidaturas pode ouvir aqui um programa especial da Rádio Macau sobre as eleições legislativas na RAEM.
Friday, September 09, 2005
Thursday, September 08, 2005
Wednesday, September 07, 2005
A homossexualidade na China
O China Daily, jornal oficial que reflecte as posições oficiosas do governo central alerta para a situação dos gays na China:
"Gu Du was the victim of extortion. He was blackmailed, as well as being chastised by his employer and almost fired.
The reason: Gu is gay. " em "Gays live a difficult life under social bias"
"Gu Du was the victim of extortion. He was blackmailed, as well as being chastised by his employer and almost fired.
The reason: Gu is gay. " em "Gays live a difficult life under social bias"
Tuesday, September 06, 2005
Democracia na China?
Escreve o The Sun:
"TONY Blair’s mission to Asia was boosted last night when China’s premier Wen Jiabao vowed his country WILL become a democracy.Mr Blair was visibly shocked when Wen publicly promised the world’s largest country is heading for a peaceful revolution.The Chinese PM said free votes for all in the communist superpower are on their way."
Democracia Liberal, socialista, popular, orgânica ou tudo isto misturado, mas claro, com características chinesas?
"TONY Blair’s mission to Asia was boosted last night when China’s premier Wen Jiabao vowed his country WILL become a democracy.Mr Blair was visibly shocked when Wen publicly promised the world’s largest country is heading for a peaceful revolution.The Chinese PM said free votes for all in the communist superpower are on their way."
Democracia Liberal, socialista, popular, orgânica ou tudo isto misturado, mas claro, com características chinesas?
Portugal (des) orientado II
Caro Geosapiens,
Aprecio a tua participação e contribuição para os debates lançados neste blogue. No comentário que fazes ao post "Portugal (des) orientado", observas duas razões relevantes que justificam parcialmente esta presença minguada de Lisboa nos assuntos sínicos.
No entanto, não concordo que "à China não lhe interessa mesmo, que haja uma memória da passagem portuguesa por esses bandas...tem a ver com o orgulho nacional que as suas elites tem em relação a esse assunto". Pelo menos a avaliar pelos primeiros cinco anos e meio da administração chinesa de Macau, por um lado, Pequim lançou aqui o "Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa", que apesar de ter muito mais a a ver com os interesses chineses na África Lusófona do que no papel de Portugal, não deixa de politicamente ser um sinal da importância de Macau como um território em que o português é língua oficial, por outro lado há uma preocupação coma preservação do património, desde a expansão da "calçada portuguesa" nos passeios de Macau, até à valorização da herança portuguesa na candidatura aprovada a património mundial da Humanidade. Por fim, há que enquadrar as conclusões de Moisés Silva Fernandes numa altura em que sobressaiam os receios que as autoridades da RAEM pretendessem desvanecer a presença portuguesa aqui.
Felizmente, pelo menos até ao momento, isso não tem acontecido. As sensibilidades referidas, os sectores mais tradicionalistas e "nacionalistas", não conseguiram impor essa tentação de, em poucos anos, apagar com uma borracha os quatro séculos de presença portuguesa. Isto não quer dizer que não haja uma linha, mais em Macau que em Pequim, que gostasse de o fazer. Daí que observe que Portugal avaliou mal o que poderia ser Macau no futuro, encarando a transição meramente como um alívio. Sem dúvida que foi, mas virar as costas às oportunidades que existem aqui e desbaratar as potencialidades não tanto de Macau, mas de toda a zona do Delta do Rio das Pérolas não me parece que seja uma atitude ajuizada. E isto acontece não apenas ao nível do Palácio das Necessidades ou de São Bento, mas sobretudo no sector privado como foi exemplo a recente venda do BCM a um grupo bancário de Hong Kong porque a Administração do BCP considerava este banco um "activo não estratégico". Sim, há limitações, mas julgo que elas têm a ver mais com as contingências da "Ocidental Praia Lusitana" do que de impedimentos da "Flor de Lótus" ou do "País do Meio".
Do ponto de vista empresarial, ou seja de capacidade e possibilidades de investimento na China, há sempre que ter em mente que provavelmente, hámuito poucas empresas portuguesas com fôlego para avançar com o capital necessário para investir na China. A solução, como a PT já fez, está em encontrar parceiros locais (o que não é fácil) para investir em "nichos de mercado". Exemplo disso foi o recente acordo para um investimento numa rede de telecomunicações de frotas de camiões de carga. O sector vinícola e corticeiro também se está a mexer. Mas não deixa de ser pouco, especialmente tendo em conta que fomos os primeiros ocidentais a chegar para fazer comércio com o Oriente e os últimos a entregar uma "colónia".
Aprecio a tua participação e contribuição para os debates lançados neste blogue. No comentário que fazes ao post "Portugal (des) orientado", observas duas razões relevantes que justificam parcialmente esta presença minguada de Lisboa nos assuntos sínicos.
No entanto, não concordo que "à China não lhe interessa mesmo, que haja uma memória da passagem portuguesa por esses bandas...tem a ver com o orgulho nacional que as suas elites tem em relação a esse assunto". Pelo menos a avaliar pelos primeiros cinco anos e meio da administração chinesa de Macau, por um lado, Pequim lançou aqui o "Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa", que apesar de ter muito mais a a ver com os interesses chineses na África Lusófona do que no papel de Portugal, não deixa de politicamente ser um sinal da importância de Macau como um território em que o português é língua oficial, por outro lado há uma preocupação coma preservação do património, desde a expansão da "calçada portuguesa" nos passeios de Macau, até à valorização da herança portuguesa na candidatura aprovada a património mundial da Humanidade. Por fim, há que enquadrar as conclusões de Moisés Silva Fernandes numa altura em que sobressaiam os receios que as autoridades da RAEM pretendessem desvanecer a presença portuguesa aqui.
Felizmente, pelo menos até ao momento, isso não tem acontecido. As sensibilidades referidas, os sectores mais tradicionalistas e "nacionalistas", não conseguiram impor essa tentação de, em poucos anos, apagar com uma borracha os quatro séculos de presença portuguesa. Isto não quer dizer que não haja uma linha, mais em Macau que em Pequim, que gostasse de o fazer. Daí que observe que Portugal avaliou mal o que poderia ser Macau no futuro, encarando a transição meramente como um alívio. Sem dúvida que foi, mas virar as costas às oportunidades que existem aqui e desbaratar as potencialidades não tanto de Macau, mas de toda a zona do Delta do Rio das Pérolas não me parece que seja uma atitude ajuizada. E isto acontece não apenas ao nível do Palácio das Necessidades ou de São Bento, mas sobretudo no sector privado como foi exemplo a recente venda do BCM a um grupo bancário de Hong Kong porque a Administração do BCP considerava este banco um "activo não estratégico". Sim, há limitações, mas julgo que elas têm a ver mais com as contingências da "Ocidental Praia Lusitana" do que de impedimentos da "Flor de Lótus" ou do "País do Meio".
Do ponto de vista empresarial, ou seja de capacidade e possibilidades de investimento na China, há sempre que ter em mente que provavelmente, hámuito poucas empresas portuguesas com fôlego para avançar com o capital necessário para investir na China. A solução, como a PT já fez, está em encontrar parceiros locais (o que não é fácil) para investir em "nichos de mercado". Exemplo disso foi o recente acordo para um investimento numa rede de telecomunicações de frotas de camiões de carga. O sector vinícola e corticeiro também se está a mexer. Mas não deixa de ser pouco, especialmente tendo em conta que fomos os primeiros ocidentais a chegar para fazer comércio com o Oriente e os últimos a entregar uma "colónia".
Acordo China-União Europeia

Mais uma vez os laços políticos e os interesses económicos mútuos prevaleceram nas negociações sobre as toneladas de produtos têxteis chineses que estavam retidos nas alfândegas europeias. Resta saber se não vai ser necessário um novo acordo dentro de alguns meses... Trata-se de uma boa notícia para os importadores e para os distribuidores. Já os produtores, em especial os portugueses, não pensarão o mesmo. Mesmo admitindo que a China joga com armas menos éticas no comércio internacional de têxteis (e não só), qualquer ímpeto proteccionista afigura-se apenas como um paliativo para adiar o inevitável: o fim total das quotas, sem quaisquer medidas restritivas, nem limitações quer na fonte, quer á chegada a partir de 2007. Tudo isto tinha sido preparado desde o Uruguay Round, já lá vão mais de dez anos. É claro que a "destruição do aparelho produtivo" é muito preocupante para Portugal. Mas as empresas têxteis deviam ter-se preparado para este cenário. Agora talvez seja demasiado tarde. Mesmo assim há casos de excepção de companhias que estao a conseguir criar marcas no mercado internacional. Por fim, a China é muito mais que uma ameaça; trata-se como sabemos igualmente de uma janela de oportunidades. Mas desenganem-se aqueles que julgam que entrar no mercado chinês é como "faca a cortar manteiga"; é preciso estratégia. E, infelizmente, na generalidade as empresas de Portugal, país que esteve deste lado do mundo durante mais de 400 anos, carecem dessa mais valia. De qualquer modo, saliento que é uma assunto delicado que não se compadece nem com proteccionismos fora de prazo nem com profissões de fé cegas num (im) perfeito comércio livre internacional.
Monday, September 05, 2005
Thursday, September 01, 2005
Portugal (des) orientado
Não é novidade a falta de visão estartégica de Lisboa para este lado do mundo. Quanto a esta estranha ausência do primeiro país europeu a fazer comércio com o extremo oriente, Arnaldo Gonçalves, professor no Instituto Politécnico de Macau e especialista em Relações Internacionais, é claro:
"
“Ásia não é prioridade” para o Governo Português"
"“Quando mudou a soberania de Macau, para o Governo e o Presidente da República Portuguesa foi um grande suspiro de alívio, foi mais uma pedra colocada num problema”
No Jornal Tribuna de Macau
Entretanto, enquanto navegava perdido nas buscas do Google encontrei um contributo muito intressante para o entendimento das relações luso-chinesas e do papel de Macau depois de 1999.
"
“Ásia não é prioridade” para o Governo Português"
"“Quando mudou a soberania de Macau, para o Governo e o Presidente da República Portuguesa foi um grande suspiro de alívio, foi mais uma pedra colocada num problema”
No Jornal Tribuna de Macau
Entretanto, enquanto navegava perdido nas buscas do Google encontrei um contributo muito intressante para o entendimento das relações luso-chinesas e do papel de Macau depois de 1999.
Tuesday, August 30, 2005
Eleições Legislativas II
Caro Geosapiens,
Obrigado pela questão pertinente. Assim a olho nú, diria que há quatro listas que muito provavelmente vão eleger deputados:
Associação Novo Macau Democrático: liderada pelo activista Ng Kuok Cheong, é a única associação que exige o sufrágio directo e universal imediato. Com um estilo populista e próximo das causas sociais, a ANMD poderá conquistar um terceiro deputado que lhe escapou há 4 anos, altura em que venceu as eleições legislativas de Macau.
União Para o Desenvolvimento: é a candidatura da influente União Geral de Trabalhadores. Na legislatura que termina agora, a líder Kwang Tsui Hang teve um papel de destaque ao chamar a a etnção para os graves problemas laborais numa RAEM em que o crescimento económica só beneficia alguns. Sendo pró-Pequim e alinhada com o governo, trata-se de uma voz crítica que é acarinhada pela população. Deverá eleger dois deputados, não sendo impossível chegar ao terceiro, mas a concorrência é mais que muita.
União Promotora para o Progresso: encabeçada pelo deputado Leong Heng Teng, esta é a candidatura de outra associação tradicional chinesa: A União Geral das Associações dos Moradores. Tem uma rede de apoio muito cimentada, por isso terá condições para eleger dois deputados.
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: É a lista d David Chow o carismático empresário ligado ao jogo e ao turismo. Já sem o português Jorge Fão na lista, Chow fará valer os contactos que tem junto de vários grupos. Mas não será fácil eleger de novo dois deputados. A nº 3 da lista é a enfermeira portuguesa (macaense) Mónica Assis Cordeiro.
Brevemente vamos analisar outras candidaturas que poder ser as surpresas deste ano e também as duas listas encabeçadas por portugueses. Entretanto os interessados podem espreitar este edital.
Obrigado pela questão pertinente. Assim a olho nú, diria que há quatro listas que muito provavelmente vão eleger deputados:
Associação Novo Macau Democrático: liderada pelo activista Ng Kuok Cheong, é a única associação que exige o sufrágio directo e universal imediato. Com um estilo populista e próximo das causas sociais, a ANMD poderá conquistar um terceiro deputado que lhe escapou há 4 anos, altura em que venceu as eleições legislativas de Macau.
União Para o Desenvolvimento: é a candidatura da influente União Geral de Trabalhadores. Na legislatura que termina agora, a líder Kwang Tsui Hang teve um papel de destaque ao chamar a a etnção para os graves problemas laborais numa RAEM em que o crescimento económica só beneficia alguns. Sendo pró-Pequim e alinhada com o governo, trata-se de uma voz crítica que é acarinhada pela população. Deverá eleger dois deputados, não sendo impossível chegar ao terceiro, mas a concorrência é mais que muita.
União Promotora para o Progresso: encabeçada pelo deputado Leong Heng Teng, esta é a candidatura de outra associação tradicional chinesa: A União Geral das Associações dos Moradores. Tem uma rede de apoio muito cimentada, por isso terá condições para eleger dois deputados.
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: É a lista d David Chow o carismático empresário ligado ao jogo e ao turismo. Já sem o português Jorge Fão na lista, Chow fará valer os contactos que tem junto de vários grupos. Mas não será fácil eleger de novo dois deputados. A nº 3 da lista é a enfermeira portuguesa (macaense) Mónica Assis Cordeiro.
Brevemente vamos analisar outras candidaturas que poder ser as surpresas deste ano e também as duas listas encabeçadas por portugueses. Entretanto os interessados podem espreitar este edital.
Direitos Humanos?
No dia em que o ministro chinês dos negócios estrangeiros afirmou que "cada país tem o direito de escolher a sua própria via de promover os direitos do Homem (Ó) Não existe um padrão único", afirmando que tendo em conta que dois terços dos chineses aidna vivem no limiar da pobreza, "Nessas condições, não temos outra escolha a não ser considerar o desenvolvimento económico, social e cultural como a prioridade", o O Banco de Desenvolvimento Asiático (BAD) divulgou que 621 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia na zona Ásia Pacífico (menos 300 milhões que em 1990), sublinhando que "o enorme sucesso obtido em toda a região nos últimos anos é resultado de uma forte redução da pobreza na China".
Thursday, August 25, 2005
Especificidades de Macau: Eleições Legislativas
Eleições para a Assembleia Legislativa:
Listas candidatas
1- Por Macau
2- Novo Vigor de Macau
3- Associação Novo Macau Democrático
4- Associação de Activismo para a Democracia
5-Nova Juventude Macau
6- União Promotora do Progresso
7- União Promotora para o Progresso
8- União Geral para o Bem-querer de Macau
9- Aliança para o Desenvovimento de Macau
10- Associação Pela Democracia e Bem-estar Social de Macau
11- Associação Visão de Macau
12- União dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau
13- Convergência para o Desenvolvimento de Macau
14- União Para o Desenvolvimento
15- Associação de Apoio á Comunidade e Pproximidade do Povo
16- Nova Esperança
17- Associação Direitos dos Cidadãos
18- Associação dos Cidadãos Unidos de Macau
Notas:
As eleiçõe sestão marcadas para 25 de Setembro
Apenas 12 dos 29 deputados são eleitos directamente a partir desas listas
Em Macau não existem partidos políticos; apenas associações
Listas candidatas
1- Por Macau
2- Novo Vigor de Macau
3- Associação Novo Macau Democrático
4- Associação de Activismo para a Democracia
5-Nova Juventude Macau
6- União Promotora do Progresso
7- União Promotora para o Progresso
8- União Geral para o Bem-querer de Macau
9- Aliança para o Desenvovimento de Macau
10- Associação Pela Democracia e Bem-estar Social de Macau
11- Associação Visão de Macau
12- União dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau
13- Convergência para o Desenvolvimento de Macau
14- União Para o Desenvolvimento
15- Associação de Apoio á Comunidade e Pproximidade do Povo
16- Nova Esperança
17- Associação Direitos dos Cidadãos
18- Associação dos Cidadãos Unidos de Macau
Notas:
As eleiçõe sestão marcadas para 25 de Setembro
Apenas 12 dos 29 deputados são eleitos directamente a partir desas listas
Em Macau não existem partidos políticos; apenas associações
Tuesday, August 23, 2005
Coimbra em chamas

Acordo às 5.40 da manhã. Vagarosamente vou tomado o pequeno almoço enquanto espreito a BBC World para saber as últimas do mundo. Depois do Iraque, da Faixa de Gaza vejo a minha cidade rodeada por chamas que me consomem a esperança. Ao longe, a 11 mil quilómetros, aperta-se o nó na garganta. Todos os anos é assim, mas tem mesmo que ser?
números da econmia à Beira-China
1- As receitas públicas de Macau estão a subir 22,1 por cento nos primeiros sete meses do ano para cerca de 1.247 milhões de euros (12.474,4 milhões de patacas) traduzindo uma execução de 57,7 por cento.
2- O índice de preços no consumidor em Macau aumentou 3,69 por cento entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o período homólogo de 2004, revelaram hoje os serviços de estatística e censos do governo da Região.
3-Macau acolheu nos primeiros sete meses deste ano 10,6 milhões de pessoas, o que traduz um aumento de 14,4 por cento face ao período homólogo do ano anterior, revelaram os Serviços de Estatística e Censos.
Dados estatísticos oficiais indicam que entre Janeiro e Julho entraram em Macau 10.589.047 pessoas, mais 14,4 por cento do que nos primeiros sete meses de 2004.
4-O volume total estimado dos negócios do comércio a retalho em Macau aumentou 19 por cento no primeiro semestre deste ano para 425 milhões de euros (4.250 milhões de patacas), referem as estatísticas oficiais.
2- O índice de preços no consumidor em Macau aumentou 3,69 por cento entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o período homólogo de 2004, revelaram hoje os serviços de estatística e censos do governo da Região.
3-Macau acolheu nos primeiros sete meses deste ano 10,6 milhões de pessoas, o que traduz um aumento de 14,4 por cento face ao período homólogo do ano anterior, revelaram os Serviços de Estatística e Censos.
Dados estatísticos oficiais indicam que entre Janeiro e Julho entraram em Macau 10.589.047 pessoas, mais 14,4 por cento do que nos primeiros sete meses de 2004.
4-O volume total estimado dos negócios do comércio a retalho em Macau aumentou 19 por cento no primeiro semestre deste ano para 425 milhões de euros (4.250 milhões de patacas), referem as estatísticas oficiais.
Saturday, August 20, 2005
Paz e Amor

A Rússia e a China realizaram exercícios militares conjuntos, numa acção denominada "Missão de Paz".
No jornal russo Gazeta, podemos ler uma análise no mínimo sugestiva:
"The exercises are the logical continuation of the first signs of cooperation between Russia and China in the struggle against 'orange revolutions,' separatism and the dominant influence of the U.S. in the Euroasiatic sphere."
(ligação indirecta atarvés do site Inside China)
Tuesday, August 16, 2005
O estado em que se encontra este blogue

Macau vista do Farol da Guia, Janeiro de 2005.
Ao contrário do que acontece nesta altura do ano um pouco pela blogosfera, não é por ausência para férias que O Sínico tem andado menos regular. É precisamente pelo contrário: pela carga de tarefas que se abate sobre o vosso humilde blogador. Mesmo assim, há tempo para ir lendo alguns artigos que suscitam o interesse dos que gostam de espreitar para este lado do mundo:
Stocks or real estate for China's middle class?, By Min Xu
China's leaders begin a crucial debate, Eric Teo Chu Cheow
Friday, August 12, 2005
Thursday, August 11, 2005
Senhor Presidente
"As a professional journalist, he has demonstrated concerns for and written many reports on the development and unification of China"
"We are shocked and concerned to learn of the recent detainment of Mr. Ching Cheong in the Mainland. We sincerely hope that in handling this case, full and impartial consideration would be given to his track record of love for and contributions to China, including Hong Kong"
Carta de um grupo de ex colegas de Faculdade de Ching Cheong dirigida ao Presidente da China devido á detenção deste jornalista, acusado pelas autoridades chinesas de espionagem.
"We are shocked and concerned to learn of the recent detainment of Mr. Ching Cheong in the Mainland. We sincerely hope that in handling this case, full and impartial consideration would be given to his track record of love for and contributions to China, including Hong Kong"
Carta de um grupo de ex colegas de Faculdade de Ching Cheong dirigida ao Presidente da China devido á detenção deste jornalista, acusado pelas autoridades chinesas de espionagem.
Negócios da e na China
1. O gigante norte americano da Internet, Yahoo está em negociações para a compra de uma participação na Alibaba.com, empresa chinesa de comércio electrónico . De acordo com a agência Xinhua as conversações estão quase concluídas. A YAHOO deverá adquirir 35 por cento da Alibaba.com por quase mil milhões de dóalres, cerca de 8 mil milhões de patacas.
2. Ainda nos negócios da China, mas em sentido contrário, A Companhia chinesa Huawei Technologies pode estar perto de comprar o gigante inglês das telecomiunicações, Marconi.
Apesar das especulações, a Maarconi já emitiu um comunicado em que revela que as negociações estão apenas numa fase preliminar.
Caso se confirme este negócio será a segunda grande aquisição de uma grande multinacuoanl por parte de uma companhia chinesa, depois da Lenovo ter adquirido a unidade de computadores pessoais da IBM.
Neste caso, a Huawei é o maior fabricande de queipamentos de telecomunicações da China e já tem acordos de distribuição e de investigação e tecnologia com a Marconi.
3. O Porto Xangai registou em julho um volume record de movimento de mercadorias, atngindo cerca de 40 milhões de toneladas, um valor que representa mais 14 por cento que no memso mês do ano passado.
A Administração do Porto da capital económica da China explicou ao jornal China Daily que este aumento deve-se à recente valorização do yuan e ao crecsimento da economia do Delta do Rio YangTzé.
2. Ainda nos negócios da China, mas em sentido contrário, A Companhia chinesa Huawei Technologies pode estar perto de comprar o gigante inglês das telecomiunicações, Marconi.
Apesar das especulações, a Maarconi já emitiu um comunicado em que revela que as negociações estão apenas numa fase preliminar.
Caso se confirme este negócio será a segunda grande aquisição de uma grande multinacuoanl por parte de uma companhia chinesa, depois da Lenovo ter adquirido a unidade de computadores pessoais da IBM.
Neste caso, a Huawei é o maior fabricande de queipamentos de telecomunicações da China e já tem acordos de distribuição e de investigação e tecnologia com a Marconi.
3. O Porto Xangai registou em julho um volume record de movimento de mercadorias, atngindo cerca de 40 milhões de toneladas, um valor que representa mais 14 por cento que no memso mês do ano passado.
A Administração do Porto da capital económica da China explicou ao jornal China Daily que este aumento deve-se à recente valorização do yuan e ao crecsimento da economia do Delta do Rio YangTzé.
Tuesday, August 09, 2005
Koizumi joga tudo

O primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, anunciou hoje que vai dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas.
A decisão surgiu na sequência do chumbo, pelo Senado, de uma proposta de privatização do serviço de correios.
Sunday, August 07, 2005
Friday, August 05, 2005
Macau Connection
Interessante este post de Paulo Gorjão. Macau guarda muitos segredos desses tempos, entre 1985 e 1999: histórias caricatas, negócios, obras públicas, diálogo de culturas, humidade e outros contos de "Fim de Império". É curioso verificar que quase, senão todos, os nomes referidos que fizeram parte do Governo e de altos cargos da Administração portuguesa em Macau (Carlos Melancia, Murteira Nabo, Jorge Coelho, Alberto Costa, António Vitorino, Eduardo Cabrita, Vitalino Canas, Carlos Monjardino, Maria de Belém Roseira, Alexandre Rosa, Carlos Santos Ferreira) transitaram em 1995 para o governo de António Guterres. Verdade seja dita, nos últimos 15 anos da presença portuguesa foram edificadas várias infraestruturas fundamentais para o desenolvimento da agora Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), incluindo o Aeroporto Internacional de Macau. Mas, reconhecendo a utilidade desses empreendimentos, estas empreitadas terão sido, por vezes, envoltas nalgum nevoeiro (daquele que se faz sentir na altura do "capacete"). Uma vez que cheguei depois da transição apenas posso entreter-me a ouvir as inúmeras histórias. Algumas das quais com os políticos supra-referidos como protagonistas. São os "Contos de Embalar de Fim de Império". Um dia, sei que algumas pessoas quererão registar essa parte rica, literalmente, da História da presença portuguesa aqui. Mas não se pense que apenas estiveram por cá personagens ligadas ao Partido de Mário Soares. Aqui muitos outros serviram e serviram-se.
BCM vendido II
É certo que desde sempre as empresas portugueses estiveram a leste (geograficamente demasiado a oeste) das oportunidades que a China oferece. A aposta empresarial de Portugal em Macau e na China, tão propalada nos anos anteriores à transição de administração, acabou por ser para inglês ver e chinês ouvir. A venda do BCM ao grupo Dah Sing Banking de Hong Kong enquadra-se neste cenário desolador. É certo que logo a seguir ao dia 20 de Dezembro de 1999, o BCP estava a planear “ver-se livre” deste peso que é ter um Banco com 50 mil clientes numa Região Administrativa Especial da China. Mas porque é que ter um banco que dá algum lucro (6.4 milhões de euros, talvez peanuts em termos de banca) e que opera à beira-China (numa Região Administrativa Especial) é considerado algo de “não estratégico”? Segredos Orientais?
Percebe-se que o negócio é bom; que entrar no mercado da China continental é complicado e inexequível para um banco português, mesmo coma dimensão do BCP e que agora o maior banco privado de Portugal está a virar-se para o mercado da Europa de leste. Mesmo assim, considerar o BCM um activo não estratégico faz-me confusão. Alguém pode dizer uma palavrinha sobre isto?
Percebe-se que o negócio é bom; que entrar no mercado da China continental é complicado e inexequível para um banco português, mesmo coma dimensão do BCP e que agora o maior banco privado de Portugal está a virar-se para o mercado da Europa de leste. Mesmo assim, considerar o BCM um activo não estratégico faz-me confusão. Alguém pode dizer uma palavrinha sobre isto?
Em Macau também
"Americanos e russas devem dominar em Helsínquia"
A diferença é que uns dominam, outras são dominadas (ou será ao contrário?)
A diferença é que uns dominam, outras são dominadas (ou será ao contrário?)
BCM vendido
enquanto uns reforçam a presença em Macau e na China, outros desfazem-se de "pesos" que têm por aqui- é o caso do BCP. Há cinco anos que o BCP, o maior banco privado em Portugal, queria vender o BCM. Esta semana, em comunicado, o banco liderado por Paulo Teixeira Pinto anunciou ter chegado a acordo com o grupo financeiro Dah Sing Banking Group de Hong Kong, para a venda das actividades não só bancárias mas também seguradorsa em Macau. Assim, também a Companhia de Seguros de Macau será envolvida no negócio, que ascende aos 170 milhões de euros. Para o grupo BCP, a presença em Macau constituia um "activo não estratégico". Agora mantém apenas a sucursal offshore.
Thursday, August 04, 2005
Curiosidades em torno da discussão acerca da reforma da ONU
"Os Estados Unidos e a China concordaram em trabalhar paralelamente para bloquear o plano de alargamento do Conselho de Segurança da ONU proposto pela Alemanha, Brasil, Índia e Japão, afirmou o embaixador chinês na ONU" (Lusa)
"Portugal, não deixando de chamar à atenção para a conveniência de debater este assunto num ambiente aberto e consensual, e não sujeito a prazos artificiais, apoia as candidaturas da Alemanha, Brasil, Japão e Índia, e de mais dois países africanos, a membros permanentes do CSNU, sem direito de veto" Diogo Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros, no "Público", 04-08-2005.
"Portugal, não deixando de chamar à atenção para a conveniência de debater este assunto num ambiente aberto e consensual, e não sujeito a prazos artificiais, apoia as candidaturas da Alemanha, Brasil, Japão e Índia, e de mais dois países africanos, a membros permanentes do CSNU, sem direito de veto" Diogo Freitas do Amaral, Ministro dos Negócios Estrangeiros, no "Público", 04-08-2005.
Cabazada
O Barcelona ganhou por 9-0 ao Shenzhen Jianlibao.
Foi tudo demasiado fácil para o FC Barcelona no jogo de reabertura do Estádio de Macau na Taipa. O Shenzhen Jianlibao foi uma presa fácil para a arte e o engenho dos campeões espanhóis, que brindaram os espectadores com um festival de golos, num jogo em que o Barcelona mandou do princípio ao fim perante uns campeões chineses que foram pouco mais do que espectadores da classe do clube blaugrana, que até nem precisou de se esforçar muito... mais
Foi tudo demasiado fácil para o FC Barcelona no jogo de reabertura do Estádio de Macau na Taipa. O Shenzhen Jianlibao foi uma presa fácil para a arte e o engenho dos campeões espanhóis, que brindaram os espectadores com um festival de golos, num jogo em que o Barcelona mandou do princípio ao fim perante uns campeões chineses que foram pouco mais do que espectadores da classe do clube blaugrana, que até nem precisou de se esforçar muito... mais
Wednesday, August 03, 2005
Pois é
Tiro certeiro, Paulo Gorjão. Eu adiantava, ainda que noutra direcção, que recentemente A Caixa Geral de Depósitos abriu uma sucursal "offshore" em Macau e que a mesma Caixa firmou no início deste ano uma parceria com o banco Seng Heng , do mesmo senhor Ho.
Tuesday, August 02, 2005
Sunday, July 31, 2005
Aprendendo com Timothy Garton Ash
"The truth is that even the most powerful country in history, the early twenty-first-century United States, can only have a secondary impact on the internal evolution of a huge, proud and self-referential country like China"
Ash, Timothy Gartin (2004), Free World,Penguim Group, London, p.161.
Ash, Timothy Gartin (2004), Free World,Penguim Group, London, p.161.
Friday, July 29, 2005
Investimentos na China
A Portugal Telecom criou a Ásia PT, uma holding que vai juntar todos os investimentos da empresa de telecomunicações na zona asiática, num total de 15 milhões de euros.
O presidente Executivo da PT anunciou ainda reforço do investimento na TV Cabo Macau.
o grande investimento na China é a parceria com a China Passway Logístics. A Portugal Telecom vai investir cerca de 10 milhões de euros nesta joint venture que estabelece uma empresa de transmissão de informações para coordenar frotas de camiões de carga no território da China continental.
O presidente Executivo da PT anunciou ainda reforço do investimento na TV Cabo Macau.
o grande investimento na China é a parceria com a China Passway Logístics. A Portugal Telecom vai investir cerca de 10 milhões de euros nesta joint venture que estabelece uma empresa de transmissão de informações para coordenar frotas de camiões de carga no território da China continental.
Tuesday, July 26, 2005
Subversivos, Corrosivos, Feios e Democratas
O Vice-Director do Gabinete do Governo de Pequim para Hong Kong e Macau deixou cair a máscara de algum amaciamento nas relações com as forças democráticas de Hong Kong. Chen Zuo'er afirma que existe uma mão cheia de gente ("gentalha", para ele) que coloca em perigo a segurança nacional. Pessoas que se atrevem a continuar a defender o sufrágio directo e universal de imediato. Se é veradade que alguns democratas de Hong Kong têm sido pouco hábeis politicamente, tembém é certo que Pequim quer dividir para reinar, chamando para o diálogo o grupo Artgo 45, juristas democratas considerados moderados, e ostracizando a ala mais "radical" do campo pró-democracia cujo ícone continua a ser o veterano Martin Lee.
Sunday, July 24, 2005
O yuan revalorizado e revisitado

Ao longo destes dias muito tem sido escrito sobre a reforma do valor da moeda chinesa.Destaco aqui algumas contribuições:David Barboza no New York Times (via I.HT.) destaca o risco de uma sobrecarga de "hot money" especulativo que começou a entrar na China na sexta-feira, um dia depois do anúncio do Banco Central da China de desligar o yuan do "peg" fixo face ao dólar, passando a cotar a divisa chinesa contra um cabaz de moedas. Muitos investidores seguem as previsões que indicam que o yuan deverá continuar a valorizar-se contra o dólar ao longo dos próximos meses, podendo subir entre 10 a 20 por cento até ao final do ano. O novo mecanismo permite isso e muito mais. A banda de negociação diária da divisa chinesa é de 0.6 por cento - podendo por isso subir até 0.3 por cento diariamente. O que naturalmente não deverá acontecer. Certo é que a pressão vai aumentar, uma vez que com um crescimento económico "de cortar a respiração", a tendência será para uma valorização gradual do yuan. Veja-se por exemplo um estudo do Banco Mundial que prevê que o yuan suba para 5.80 por cada dólar em 2010, atingindo 2.80 yuans por cada unidade da moeda americana em 2020.Vários analistas têm sublinhado que esta medida é mais política que económica. Ou seja, o objectivo é agradar parceiros comerciais como os Estados Unidos e a União Europeia que se queixavam de uma situação de injustiça no comércio internacional devido a um valor artificialmente baixo do yuan. Mas há outras questões em jogo. Paul Krugman por exemplo lembra que "To keep China's currency from rising, the Chinese government has been buying up huge quantities of dollars and investing the proceeds in U.S. bondsadiantando que, "if the Chinese stopped buying all those U.S. bonds, interest rates would rise. This would be bad news for housing - maybe very bad news, if the interest rate rise burst the bubble" (...) Right now America is a superpower living on credit - something I don't think has happened since Philip II ruled Spain. What will happen to our stature if and when China takes away our credit card? Vêm aí tempos interessantes...
Friday, July 22, 2005
Eureka!
Depois de muita especulação, a China revalorizou o renmimbi não apenas contra o dólar, mas ligando a divisa chinesa a um cabaz de moedas. Trata-se da primeira alteração do valor do yuan em cerca de 10 anos.
Thursday, July 21, 2005
Ora nem mais
On the question of whether China's CNOOC oil company should be permitted by the U.S. government to purchase the U.S. oil and gas company Unocal, my view is very simple: let the market rule. Oil is fungible. It is all one global market. And if China wants to overpay for a second-tier U.S. energy company, that's China's business.
Thomas L. Friedman no International Herald Tribune acerca dos entraves que vários sectores nos Estados Unidos face à intenção e proposta da China National Offshore Oil Corporation de adquirir a petrolífera norte-americana Unocal.
Thomas L. Friedman no International Herald Tribune acerca dos entraves que vários sectores nos Estados Unidos face à intenção e proposta da China National Offshore Oil Corporation de adquirir a petrolífera norte-americana Unocal.
Wednesday, July 20, 2005
A Divagar se vai ao longe
E neste caso um pouco mais devagar. Devido a vários afazeres, este blogue entra em fase de distensão. Ou seja a arte de postar vai ser exercida com mais parcimónia e menos regularidade. De quaquer modo, estaremos por aqui...
Monday, July 18, 2005
Sunday, July 17, 2005
Macau Património da Humanidade
A UNESCO decidiu, esta sexta-feira. É um momento de alegria e regozijo para esta terra única, com mais de 400 anos de história. Os monumentos classificados ilustram a coexistência da cultura portuguesa e da cultura chinesa (apesar de tudo). Eis alguns dos espaços:

Farol da Guia, o mais antigo farol do extremo-oriente.

Dentro da Fortaleza do Monte.

O Templo de A Ma, na Barra.

As inevitáveis Ruínas da Igreja de São Paulo.

Farol da Guia, o mais antigo farol do extremo-oriente.

Dentro da Fortaleza do Monte.

O Templo de A Ma, na Barra.

As inevitáveis Ruínas da Igreja de São Paulo.
Thursday, July 14, 2005
China e União Europeia I

Durão Barroso começou hoje uma vista de cinco dias à República Popular da China. Até segunda-feira, o presidente da Comissão Europeia vai encontrar-se com os altos dirigentes do governo de Pequim, visita Xangai, a capital económica, passa por aqui por Macau e termina a jornada chinesa em Hong Kong. Esta viagem acontece numa altura em que as relações entre a China e a União Europeia atingiram um grau de complexidade e abrangência nunca visto, no ano em que são comemorados os 30 anos das relações diplomáticas entre Bruxelas e Pequim. A este propósito analisamos três vertentes da cooperação sino-europeia – relações económicas e comerciais, políticas e ao nível da cooperação científica – e dois espinhos: o embargo à venda de armas e a questão do estatuto de economia de mercado.
Subjacente a esta análise estão duas observações que embora pareçam contraditórias não deixam de ter um certo grau de complementaridade. Karl Moller (2002, 10) descreve a União Europeia e a China como actores internacionais inacabados - o primeiro por causa do desempenho defeituoso das instituições do estado; o segundo porque os seus estados membros têm sobrevivido enquanto estados-nação, donde que não possuí ainda uma Política Externa Comum de facto coerente e sólida. Já David Shambaugh (2004) considera que a China e a União Europeia estão a formar paulatinamente um “eixo emergente nos assuntos internacionais” que vai servir como fonte de estabilidade num mundo volátil. Mais tarde voltaremos a estas observações.
No que diz respeito às trocas comerciais, os números falam por si: a União Europeia já é o maior parceiro comercial da China e a República Popular, por sua vez, é o segundo parceiro dos 25. Desde 1978, o comércio entre os dois lado aumentou mais de 40 vezes.
Bruxelas tem salientado a relevância da China na economia mundial. Na recta final das negociações para a entrada de Pequim na Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy , na altura comissário europeu do comércio, referira que “com um novo país que pesa um quarto da humanidade, já não é possível falar de uma mundialização ocidental. Desenham-se novos equilíbrio, a partir de uma multipolaridade que os europeus e os chineses sempre desejaram “ (Lamy, 2002, 29). Uma das consequências da entrada da China para o concerto do comércio internacional foi o fim das quotas à entrada de produtos têxteis, com o fim do Acordo Multi Fibras), a partir de 1 de Janeiro de 2005. O que tem gerado laivos de uma guerra comercial entre os dois lados, entretanto amainados através do acordo conseguido por Peter Mandelson, responsável pela pasta do comércio no executivo comunitário. No entanto, recentemente outro conflito emerge em torno do comércio de calçado, embora neste caso, a União Europeia não possa avançar com as cláusulas de salvaguarda que pretendia nos têxteis. Quanto muito, poderá (e deverá) activar processos anti-dumping, ou seja, processos em que as empresas chinesas são acusadas de colocar no mercado europeu produtos a um preço inferior ao praticado no mercado interno. Aqui entronca a questão do estatuto da economia chinesa. A União Europeia ainda não reconhece o estatuto de economia de mercado à China, argumentando que o estado ainda intervém substancialmente no mercado, distorcendo os preços dos bens de um mercado livre. Certo é que a Australia, a Nova Zelândia África do Sul, Brasil, Rússia e Islândia já concederam esse estatuto a Pequim.
O reconhecimento pleno da "economia de mercado" da China retira poderes aos outros países ao nível das acusações de produção abaixo do custo de fabrico ("dumping"). Mas a Comissão Europeia fez saber ontem que ainda não é hora de avançar nesse sentido, já que o assunto está ser alvo de uma prolongada análise técnico, não sendo por isso possível definir uma data para uma decisão nesse sentido.
Wednesday, July 13, 2005
A Política Externa Chinesa depois da Guerra Fria VI
Além da criação da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), na segunda metade dos anos 1990, a China esteve no lançamento de outras pontes, uma regional, outra inter-regional. Quanto ao primeiro, o “ASEAN Plus Three” (APT), trata-se do primeiro instrumento de cooperação e “agenda-setting” que reúne todo o Este da Ásia: os dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), mais a China, o Japão e a Coreia do Sul. No que diz respeito à segunda ponte, que surge como um factor de aceleração da primeira, o Asia-Europe Meeting (ASEM), estamos perante um fórum original de diálogo inter-regional entre, de um lado, os países da União Europeia, e, do outro, as nações da Ásia Oriental. Criado em 1997, este fórum assume características inovadoras no âmbito das relações internacionais, em especial nas dinâmicas inter-regionais e bi-regionais. Julie Gilson em “Asia Meets Europe: Interregionalism and the Asia-Europe Meeting” observa que este instrumento é importante porque foi criado depois do fim da Guerra Fria, num altura em que as alianças estão algo indefinidas, contém uma agenda com três pilares (diálogo económico, político e cultural) e coloca novas questões acerca do inter-regionalismo e a relação entre a integração regional e a globalização.
Além do envolvimento em organizaçõs multilaterais e regionais, nesta altura (final dos anos 1990), a China apostou forte também nas cooperações e parcerias estratégicas a nível bilateral.
(Contnua)
Além do envolvimento em organizaçõs multilaterais e regionais, nesta altura (final dos anos 1990), a China apostou forte também nas cooperações e parcerias estratégicas a nível bilateral.
(Contnua)
Monday, July 11, 2005
A incansável Rice
Mais uma vez, depois das visitas em Março, Condoleeza Rice está pela Ásia Oriental. Depois de, em Pequim, ter ouvido Hu Jintao dizer-lhe que a Coreia do Norte vai regressar à mesa das negociações e de ter admitido que o crescimento económico da China é algo de bom, a secretária de estado norte-americana está na Tailândia, não só para vistar as zonas mais fustigadas pelo tsunami, mas também para pressionar o governo de Banguecoque (é estranho escrever o nome desta cidade asim) e de outros países do Sudeste Asiático a fazerem mais pela mudança do regime do vizinho Myanmar.
Se já aqui tínhamos referido que a política externa de Washington parece estar menos activa na América Latina, o mesmo não se pode dizer quanto à Ásia Oriental. E desta vez com resultados. Em grande medida graças a Pequim, no que diz respeito à Coreia do Norte. Mas sobre a questão da crise nuclear na península coreana nem tudo será o que aparenta...
Se já aqui tínhamos referido que a política externa de Washington parece estar menos activa na América Latina, o mesmo não se pode dizer quanto à Ásia Oriental. E desta vez com resultados. Em grande medida graças a Pequim, no que diz respeito à Coreia do Norte. Mas sobre a questão da crise nuclear na península coreana nem tudo será o que aparenta...
Sunday, July 10, 2005
Leituras Dominicais
Na imprensa internacional
"From G8 to G9: Brazil and India in - and Russia out", Timothy Garton Ash no The Guardian.
"Grudge on Unocal bid reveals double standards", na Xinhua.
"www. (censored) "REBECCA MACKINNON / Yaleglobal
E na Blogosfera...
As foto-reportagens do Nic no Tripping Out of my Space. De Taiwan para o Mundo, em especial para estas paragens da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático.
"O EXEMPLO DE LONDRES" no Blogue de Esquerda (II)
As sumptuosas e pós-modernas comemorações do segundo aniversário do Futeblog Total
"From G8 to G9: Brazil and India in - and Russia out", Timothy Garton Ash no The Guardian.
"Grudge on Unocal bid reveals double standards", na Xinhua.
"www. (censored) "REBECCA MACKINNON / Yaleglobal
E na Blogosfera...
As foto-reportagens do Nic no Tripping Out of my Space. De Taiwan para o Mundo, em especial para estas paragens da Ásia Oriental e do Sudeste Asiático.
"O EXEMPLO DE LONDRES" no Blogue de Esquerda (II)
As sumptuosas e pós-modernas comemorações do segundo aniversário do Futeblog Total
Entretanto em Macau...
Uma vez que a política em Macau tem estado algo ausente deste blogue, selecciono alguns artigos que sairam nesta semana na imprensa local sobre os assuntos do momento: o chumbo da Lei de Regulamentação da Liberdade Sindical e as movimentação na comunidade portuguesa e macanse em torno de candidaturas às eleições para a Assembleia Legislativa:
"Metem-me dó", Helder Fernando no Hoje Macau
"A Assembleia do nosso descontentamento", Nuno Lima Bastos, no Ponto Final
"A representatividade da comunidade", Gilberto Lopes, no Hoje Macau
"Metem-me dó", Helder Fernando no Hoje Macau
"A Assembleia do nosso descontentamento", Nuno Lima Bastos, no Ponto Final
"A representatividade da comunidade", Gilberto Lopes, no Hoje Macau
China-EUA-Rússia
Na sequência do que escrevi aqui, chamo a atenção para este artigo de Mehdi Parvizi Amineh (ao qual cheguei através do Bloguítica) onde é analisada a relação triangular entre a China, a Rússia e os Estados Unidos na zona da Ásia Central, em especial na área do Mar Cáspio.
It is not yet clear whether the three main contending powers - the US, Russia and China - see each other as rivals, allies or as combinations of the two. Russia and China claim a common interest in the Caspian Sea but until now have not acted in common. The US will use political, economic, and perhaps military pressure to expand its influence and remove any obstacles to the safe flow of oil. Russia and China are unable to compete with the US military and will avoid a direct confrontation with Washington, but they will ally with local powers to defend their regional interests. The nightmare for all three powers is an alliance of the other two; the worst-case scenario for the world would be direct confrontation.
It is not yet clear whether the three main contending powers - the US, Russia and China - see each other as rivals, allies or as combinations of the two. Russia and China claim a common interest in the Caspian Sea but until now have not acted in common. The US will use political, economic, and perhaps military pressure to expand its influence and remove any obstacles to the safe flow of oil. Russia and China are unable to compete with the US military and will avoid a direct confrontation with Washington, but they will ally with local powers to defend their regional interests. The nightmare for all three powers is an alliance of the other two; the worst-case scenario for the world would be direct confrontation.
A China na América Latina
Este é um óptimo artigo. Saul Landau analisa a estratégia chinesa para a América Latina; de que modo Pequim está a aproveitar a desilusão com o "Consenso de Washington" e alguma falta de atenção dos Estados Unidos face ao "quintal do sul". Na mira da China estão as matérias primas, o petróleo e demais fontes de energia que posssam alimentar uma economia incessantemente voraz.
Wednesday, July 06, 2005
Toca a sair daqui para fora!
Os países da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) pedem aos Estados Unidos a definição de uma data para a retirada das bases militares do Quirguistão e Uzebequistão. Em Astana, no Cazaquistão, na cimeira da OCX (Organização que reúne a Rússia, a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da ásia Central), Moscovo e Pequim enviam esta mensagem a Washington procurando demonstrar que estão a recuperar a influência sobre os países que na altura da intervenção norte-americana no Afeganistão cederam o espaço aéreo e terrestre, além do direito de utilização de bases militares no seu território. A própria imprensa russa classificou a OCX de "alternativa à Nato" na região. Percebe-se a preocupação da Rússia e da China, países que vêem o seu território rodeado de bases militares norte americanos, numa região que assume um papel geoestratégico crescente, por razões geopolíticas e geoenergéticas (petróleo e gás natural). Henk Howeling e Mehdi Amineh editam um livro essencial para compreender as dinâmicas geopolíticas e energéticas na Ásia Central:
Central Eurasia in Global Politics
Conflict, Security, and Development
Central Eurasia in Global Politics
Conflict, Security, and Development
5000
O contador marca as 5000 visitas. Terão sido mais, uma vez que apenas inseri o contador apenas um mês e meio depois do iníco do blogue, no final de Janeiro deste ano. Ao longo destes cinco meses, visitantes de 49 países dos cinco continentes passaram por este blogue que procura ser uma janela para este lado do mundo. A todos muito obrigado!
Tuesday, July 05, 2005
Rock Chinês

Cui Jian nos anos 1980 e na passada sexta-feira em Pequim.
Cui Jian é considerado o pai do Rock Chinês. Depois de vários anos de proibição de tocar em Pequim, o autor de músicas entoadas pelos estudantes de Tiananmen, em 1989, actuou no Estádio dos Trabalhadores, no festival "Peaceful Sky". Em declarações à Agência Lusa e à Agência EFE, Cui explicou o levantamento da interdição com o facto de o governo Governo agora não ligar "à cultura subterrânea, porque esta já não tem tanta influência como antes." Sinais contraditórios numa China em que existe uma maior liberalzação dos costumes e da economia, mas onde o controlo político é mantido com mão de ferro pelo Partido Comunista.
Numa entrevista publicado no Asia Pacific Arts, Cui Jian fala assim sobre a situação política na China:
It's not black or white. There's some color in between, like gray. I think there's nothing you can do, but there's nothing you cannot do. There's a lot of freedom there too, but if you really want to show art to the public, that is hard. If you create and write at home, I don't think you'll have any problems with that; you can talk to friends and write anything you want to write and nobody will bother you.
Monday, July 04, 2005
Eles Andam Aí
O Telegraph diz que a China está a mobilizar uma rede de espiões na Europa com o objectivo de ganhar vatagens competitivas a nível comercial. Um agente revela que centenas de chineses que trabalham em indústrias europeias estão a espiar para Pequim. Como seria de esperar, os chineses não andam a ver passar navios, eles andam mesmo aí. Estará a começar (ou já começou?) uma nova era de espionagem internacional centrada mais nas questões económicas e ao nível das vantagens competitivas que se podem obter através deste tipo de informação? E já agora quantos espiões terão os EUA nas indústrias europeias? E o que têm feito os que estão ao serviço de sua majestade?
Sunday, July 03, 2005
Friday, July 01, 2005
Hong Kong 8 anos depois

Foi no dia 1 de Julho de 1997 que Hong Kong voltou à mãe-pátria China - nascia a Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). Oito anos volvidos, a palavra que melhor pode descrever a história da RAEHK é inconstância. Logo a seguir ao estabelecimento a RAEHK, rebentou a crise Asiática que fez afundar uma economia sedimentada no terreno movediço do sector financeiro e na área da propriedade. Mas passados os ventos mais fortes da crise financeira que soprou do Sudeste Asiático, Tung Chee-Hwa, o primeiro chefe do executivo, viu-se a par com a crise da gripe das aves. Ainda mal recomposto desse tombo, em 2003 a pneumonia atípica infecta e mata centenas de pessoas, mostrando as fragilidades do sistema de saúde. Passado o terramoto, meio milhão de pessoas clamavam por eleições directas e universais nas ruas de Hong Kong, na maior demonstração popular desde as manifestações contra o massacre de Tiananmen. Perante tudo isto Tung Chee-hwa respondeu com uma notável inabilidade política que terminou este ano quando o governo central acedeu ao pedido do próprio Tung para sair de cena. Agora Donald Tsang procurará alcançar a paz social num sociedade que começa a ver os frutos do regersso do crescimento económico. Tudo indica que as águas do Delta do Rio das Pérolas estejam mais calmas no próximo ano, mas a vontade popular da aceleração das reformas democráticas permanece. E pelos vistos, Tsang não parece disposto a apressar
A introdução do sufrágio directo e universal para o cargo de chefe do governo e para o Conselho legislativo. Do ponto de vista económico, não estão afastados os receios de uma imersão na grande região do Delta do Rio das Pérolas nem a rivalidade crescente de Xangai. Mas se algo correr mal, Pequim está sempre disposta a dar a mão para ajudar a querida Bahunia, pérola financeira e “Nova Iorque” do Oriente. Apesar de tudo, Hong Kong ainda é um local vibrante e cosmopolita. Em especial visto daqui de Macau.
O Nic conta como foi esse dia 1 de Julho de 1997.
Subscribe to:
Posts (Atom)








