existe democracia na China?
O China Daily, jornal oficial de língua inglesa, pergunta e responde assim:
The white paper demonstrates the latest Chinese approach to and agenda for socialist democracy, helping readers better understand the Chinese characteristics of political democracy.
Thursday, October 27, 2005
Monday, October 24, 2005
Democracia, Socialismo e Pobreza
Vital Moreira indigna-se com o facto do Partido Comunista Chinês falar nos avanços rumo À democracia e socialismo num país como a China. Percebo a sua posição e, de facto, é algo owelliana a retórica "socialista" e democrática de um regime que conjuga a burocracia do "socialismo" de estado com o capitalismo selvagem, no sentido em que os direitos sociais são diminutos, senão mesmo inexistentes. No entanto, dizer que na China mais de150 milhões de pessoas vivem na pobreza, sem salientar que, por um lado 150 milhões é o equivalente a pouco mais de 10 por cento da população chinesa, e que, por outro, desde o início das reformas "capitalistas" de Deng Xiaoping, nos anos 1980, a China foi responsável por 75 por cento da redução da pobreza nos países em desenvolvimento, é uma observação que, no mínimo, peca pela falta de precisão.
A Blasfémia contradiz Vital Moreira, mas também peca por alguma desactualização quanto à natureza política e económica do regime chinês. É que a República Popular já não é apenas um país estatista, planificador e totalitário - trata-se de um regime autoritário, de partido único, que cimenta a sua legitimidade não na ideologia comunista que caíu em desgraça após a tragédia da Revolução Cultural, mas em dois vectores que me parecem pilares do "contrato social" chinês: o desenvolvimento e o crescimento económico de uma China que renasce e um regresso de um certo nacionalismo que vem substituir o vácuo ideológico deixado para trás pelo falhanço do socialismo chinês. Alguns autores tipificam a China como uma regime neo-autoritário desenvolvacionista, em que vai re-emergindo uma social-confucionismo. No entanto, fruto das desigualdades e disparidads socias provocadas inevitavelmente pelo capitalismo, a economia socialista de mercado está a deixar para trás milhões que passam ao lado das vacas gordas da nova era. Esse é um perigo real: a ruptura do contrato que foi alterado várias vezes desde a instauração da República Popular da China, em 1949.
Falar da China é de facto complexo. Ainda por cima usando a grelha de análise que utilizamos quando nos referimos ao "Ocidente". Não se trata de desculpabilizar os crimes cometidos no passado e no presente; trata sim de tentar perceber as dinâmicas centrípetas e centrífugas, amiúde contraditórias, de um país fascinante a vários níveis. Daqui de Macau apenas posso espreitar. E com este blogue procurar abrir uma porta. - como o próprio nome de Macau indica em Chinês: Ao Men (Ou Mun, em cantonense), ou seja a Porta da Baía.
A Blasfémia contradiz Vital Moreira, mas também peca por alguma desactualização quanto à natureza política e económica do regime chinês. É que a República Popular já não é apenas um país estatista, planificador e totalitário - trata-se de um regime autoritário, de partido único, que cimenta a sua legitimidade não na ideologia comunista que caíu em desgraça após a tragédia da Revolução Cultural, mas em dois vectores que me parecem pilares do "contrato social" chinês: o desenvolvimento e o crescimento económico de uma China que renasce e um regresso de um certo nacionalismo que vem substituir o vácuo ideológico deixado para trás pelo falhanço do socialismo chinês. Alguns autores tipificam a China como uma regime neo-autoritário desenvolvacionista, em que vai re-emergindo uma social-confucionismo. No entanto, fruto das desigualdades e disparidads socias provocadas inevitavelmente pelo capitalismo, a economia socialista de mercado está a deixar para trás milhões que passam ao lado das vacas gordas da nova era. Esse é um perigo real: a ruptura do contrato que foi alterado várias vezes desde a instauração da República Popular da China, em 1949.
Falar da China é de facto complexo. Ainda por cima usando a grelha de análise que utilizamos quando nos referimos ao "Ocidente". Não se trata de desculpabilizar os crimes cometidos no passado e no presente; trata sim de tentar perceber as dinâmicas centrípetas e centrífugas, amiúde contraditórias, de um país fascinante a vários níveis. Daqui de Macau apenas posso espreitar. E com este blogue procurar abrir uma porta. - como o próprio nome de Macau indica em Chinês: Ao Men (Ou Mun, em cantonense), ou seja a Porta da Baía.
Leituras Dominicais
Tuesday, October 18, 2005
Shenzhou VI e a inovação tecnológica
Wang Xiangwei escreveu ontem um artigo de análise muito interessante no jornal "South China Morning Post" que é aqui traduzido e adaptado.
“O regresso da segunda missão tripulada da China vai gerar uma onda de patriotismo nos meios de comunicação social, (à semelhança do que aocnteceu há dois anos com a Shenzhou V, n.t.)
A missão cimenta a entrada da China na elite das nações que já enviaram naves tripuladas ao espaço e reflecte o seu desenvolvimento tecnológico. O líderes vao, indubitavelmente, usar este exemplo para inspirar mais inovação tecnológico, encarado como um dos aspectos mais fracos nos esforços que o país tem feito para acelerar o desenvolvimento económico.
Durante os últimos anos, o presidente Hu Jintao e outros dirigentes têm frequentemente lamentado que o padrão de crescimento económico do continente, alimentado por um baixo custo da força de trabalho e o uso ineficiente da energia, seja insustentável perante os efeitos desastrosos que provoca no meio ambiente.
Hu Jintao está a procurar guiar a economia num sentido mais saudável e por um caminho mais sustentável; nesse sentido tem clamado que a inovação tecnológica é o caminho para reforçar a qualidade do crescimento económico. Isto foi salientado no documento recentemente aprovado no plenário do Comité Central do Partido Comunista Chinês.
Fontes dizem que o governo central vai em breve anunciar o primeiro plano de longo prazo para o desenvolvimento tecnológico e científico para os próximos 15 anos. Tendo o primeiro-ministro Wen Jiabao como supervisor, o plano deverá apontar uma série de objectivos para a inovação tecnológica e científica: desde missões espaciais até à segurança alimentar.
Mais importante, vai colocar um ponto final no debate patente entre políticos e académicos sobre se a China, como um país em desenvolvimento deve confiar maioritariamente nas tecnologias externas e contentar-se m sera “fábrica do mundo”, inundando os mercados internacionais com produtos baratos.
Isto seria um desenvolvimento bem vindo, particularmente numa altura em que as exportações da China, uma das forças motorizes do crescimento económico, estão a enfrentar cada vez mais barreiras alfandegárias e vários proteccionismos por parte dos parceiros comerciais. Mas num país em que as violações dos direitos de propriedade intelectual são “o pão nosso de cada dia”, procurar o desenvolvimento da inovação tecnológico é uma tarefa hercúlea. Para que esta intenção funcione, os dirigentes terão que colocar em cima da mesa as seguintes prioridades.
Em primeiro, devem ser reguladas e postas em prática regras efectivas de protecção da propriedade intelectual. Conflitos e torno da violação dos direitos de propriedade intelectual (DPI) têm sido um dos assuntos que tem causado maior fricção entre a China e os Estados Unidos, com Washington a dizer que as empresas americanas perdem milhões de dólares por ano por causa da pirataria. Apesar do comprometimento ao nível das autoridades chinesas, os esforços da China são vistos como pouco veementes.
Os Contrafactores não só atingem as companhias estrangeiras, como também as domésticas. Sem um empenho total na protecção dos DPI , os cientistas têm poucas razões e motivação para inovar.
Em segundo, o governo deve usar incentivos fiscais para encorajar as companhias a pôr de lado fundos destinados à investigação e desenvolvimento.
Em terceiro, como as companhias privadas mais que as estatais estão mais inclinadas para procurar a inoivalão tecnológica, o governo tem de estimular a criação e o desenvolvimento de “venture capital”, ou capital de risco, que apoie as experiências e investigalões tecnológicas e a sua aplicação.
Até ao momento, Pequim tem encarado os fundos de “venture” com suspeição , colocando-lhes barreiras regulatórias, tornando assim difícil o desenvolvimento dos fundos domésticos e o aparecimento de capitais estrangeiros nesse sentido.
Mais importante, a inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política.
Isto será um teste decisivo para a liderança chinesa, uma vez que a tendência vigente de apertar o controlo ideológico e sobre a liberdade de expressão em nome da manuteção da estabilidade, dificilmente vai ajudar no estímulo a uma cultura da inovação”.
“O regresso da segunda missão tripulada da China vai gerar uma onda de patriotismo nos meios de comunicação social, (à semelhança do que aocnteceu há dois anos com a Shenzhou V, n.t.)
A missão cimenta a entrada da China na elite das nações que já enviaram naves tripuladas ao espaço e reflecte o seu desenvolvimento tecnológico. O líderes vao, indubitavelmente, usar este exemplo para inspirar mais inovação tecnológico, encarado como um dos aspectos mais fracos nos esforços que o país tem feito para acelerar o desenvolvimento económico.
Durante os últimos anos, o presidente Hu Jintao e outros dirigentes têm frequentemente lamentado que o padrão de crescimento económico do continente, alimentado por um baixo custo da força de trabalho e o uso ineficiente da energia, seja insustentável perante os efeitos desastrosos que provoca no meio ambiente.
Hu Jintao está a procurar guiar a economia num sentido mais saudável e por um caminho mais sustentável; nesse sentido tem clamado que a inovação tecnológica é o caminho para reforçar a qualidade do crescimento económico. Isto foi salientado no documento recentemente aprovado no plenário do Comité Central do Partido Comunista Chinês.
Fontes dizem que o governo central vai em breve anunciar o primeiro plano de longo prazo para o desenvolvimento tecnológico e científico para os próximos 15 anos. Tendo o primeiro-ministro Wen Jiabao como supervisor, o plano deverá apontar uma série de objectivos para a inovação tecnológica e científica: desde missões espaciais até à segurança alimentar.
Mais importante, vai colocar um ponto final no debate patente entre políticos e académicos sobre se a China, como um país em desenvolvimento deve confiar maioritariamente nas tecnologias externas e contentar-se m sera “fábrica do mundo”, inundando os mercados internacionais com produtos baratos.
Isto seria um desenvolvimento bem vindo, particularmente numa altura em que as exportações da China, uma das forças motorizes do crescimento económico, estão a enfrentar cada vez mais barreiras alfandegárias e vários proteccionismos por parte dos parceiros comerciais. Mas num país em que as violações dos direitos de propriedade intelectual são “o pão nosso de cada dia”, procurar o desenvolvimento da inovação tecnológico é uma tarefa hercúlea. Para que esta intenção funcione, os dirigentes terão que colocar em cima da mesa as seguintes prioridades.
Em primeiro, devem ser reguladas e postas em prática regras efectivas de protecção da propriedade intelectual. Conflitos e torno da violação dos direitos de propriedade intelectual (DPI) têm sido um dos assuntos que tem causado maior fricção entre a China e os Estados Unidos, com Washington a dizer que as empresas americanas perdem milhões de dólares por ano por causa da pirataria. Apesar do comprometimento ao nível das autoridades chinesas, os esforços da China são vistos como pouco veementes.
Os Contrafactores não só atingem as companhias estrangeiras, como também as domésticas. Sem um empenho total na protecção dos DPI , os cientistas têm poucas razões e motivação para inovar.
Em segundo, o governo deve usar incentivos fiscais para encorajar as companhias a pôr de lado fundos destinados à investigação e desenvolvimento.
Em terceiro, como as companhias privadas mais que as estatais estão mais inclinadas para procurar a inoivalão tecnológica, o governo tem de estimular a criação e o desenvolvimento de “venture capital”, ou capital de risco, que apoie as experiências e investigalões tecnológicas e a sua aplicação.
Até ao momento, Pequim tem encarado os fundos de “venture” com suspeição , colocando-lhes barreiras regulatórias, tornando assim difícil o desenvolvimento dos fundos domésticos e o aparecimento de capitais estrangeiros nesse sentido.
Mais importante, a inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política.
Isto será um teste decisivo para a liderança chinesa, uma vez que a tendência vigente de apertar o controlo ideológico e sobre a liberdade de expressão em nome da manuteção da estabilidade, dificilmente vai ajudar no estímulo a uma cultura da inovação”.
Monday, October 17, 2005
Sãos e salvos

Os taikonautas voltaram à Terra depois de cinco dias em órbita.
A propósito, esta é uma boa altura para reflectir sobre o programa espacial chinês. Começamos por ler "CHINA'S SPACE PROGRAMME" por B.Raman.
Sunday, October 16, 2005
Friday, October 14, 2005
Thursday, October 13, 2005
A Prosperidade Comum
O Partido Comunista Chinês (PCC) aprovou uma estratégia de desenvolvimento que substitui as doutrinas próximas do capitalismo de Deng Xiaoping por uma política mais igualitária, que a imprensa oficial hoje classifica como "mudança revolucionária".
Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.
"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".
Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas". (...)
Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.
"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".
Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas". (...)
Tuesday, October 11, 2005
A mecânica das coisas

O aquecimento global está a causar o declínio ecológico do rio Amarelo pondo em risco o acesso a água de mais de 120 milhões de pessoas, alerta a associação ambientalista Greenpeace China num estudo hoje divulgado.
"Olhando para a região da nascente do Rio Amarelo, observamos os glaciares e o solo gélido a degelar, os lagos e afluentes a diminuir, a deterioração das áreas abertas e a desertificação do solo, ameaças causadas pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas", refere o estudo encomendado pela Organização ecologista Greenpeace a uma equipa do Instituto de Pesquisa das Regiões Frias e Áridas da Academia de Ciências da China. (Lusa)
As autoridades chinesas concluíram que a corrupção na província de Guangdong, a mais rica do país, custou mais de 11 mil milhões de dólares americanos (nove mil milhões de euros) em cinco anos, refere hoje a imprensa local.
O valor, equivalente a cerca de três por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal em 2004, foi subtraído entre 2000 e 2004 por mais de 400 funcionários públicos de Guangdong, noticia o jornal oficial chinês em língua inglesa China Daily, que cita os resultados de uma investigação do Tribunal de Contas daquela província adjacente a Macau (...)
Um grupo de monges budistas, sempre encarados como alheios às coisas do mundo, iniciou hoje em Xangai um mestrado em gestão de empresas (MBA), lado a lado com gestores e executivos de topo, refere hoje a imprensa económica local.
Segundo o jornal chinês Economic Daily, os 18 monges, vestidos com túnicas amarelas e cor-de-laranja que simbolizam a renúncia e a vida sem desejos, frequentam aulas de engenharia organizacional, recursos humanos, marketing e gestão financeira. (...)
Sunday, October 09, 2005
A Doninha no Oriente

Foi um espectáculo!
Esta noite os Da Weasel foram os cabeças de cartaz do "Festival da Lusofonia", em Macau.
Saturday, October 08, 2005
Thursday, October 06, 2005
Ameaça, Paz. Desenvolvimento e Status Quo
"Despite widespread fears about China's growing economic clout and political stature, Beijing remains committed to a "peaceful rise": bringing its people out of poverty by embracing economic globalization and improving relations with the rest of the world. As it emerges as a great power, China knows that its continued development depends on world peace -- a peace that its development will in turn reinforce."
Este é o summary de um artigo ineteressante, publica pela "Foreign Affairs", que foge a uma tendência que tem proliferado nalguns círculos académicos e não só, nomeadamente nos Estados Unidos, cujo tom tem sido de "China-Ameaça". Não ignoro as ambições de poder da China, em especial na zona Ásia-Pacífico, nem que existe algo "beyong e behind the curtain" numa linguagem algo realista, no entanto receio que a retórica da "China como the next big threat" agudize o "security dilema" e se torne numa "self-fulfil prophecy".
Acerca da estratégia chinesa para as relações internacionais vale a pena ler com atenção "Is China a status quo power" de Alaistair Iain Johnston.
Este é o summary de um artigo ineteressante, publica pela "Foreign Affairs", que foge a uma tendência que tem proliferado nalguns círculos académicos e não só, nomeadamente nos Estados Unidos, cujo tom tem sido de "China-Ameaça". Não ignoro as ambições de poder da China, em especial na zona Ásia-Pacífico, nem que existe algo "beyong e behind the curtain" numa linguagem algo realista, no entanto receio que a retórica da "China como the next big threat" agudize o "security dilema" e se torne numa "self-fulfil prophecy".
Acerca da estratégia chinesa para as relações internacionais vale a pena ler com atenção "Is China a status quo power" de Alaistair Iain Johnston.
Wednesday, October 05, 2005
Sunday, October 02, 2005
Há 56 anos II
"O arsenal de defesa contra a Internet na China foi reforçado esta semana com a publicação de um novo regulamento que amplia a lista de temas tabu no país. Sites e blogues ficam a partir de agora proibidos de noticiar ou referir manifestações de protesto social que têm aumentado substancialmente nos últimos tempos.O texto legal proíbe os sites de informação que "instiguem reuniões, organizações, manifestações ou concentrações ilegais que perturbem a ordem pública". Ficam também sob a alçada das novas regras os sites que publiquem informações consideradas pelas autoridades falsas ou pornografia e conteúdos que "ponham em causa a segurança nacional, revelem segredos de Estado, subvertam o poder político [e] minem a unidade nacional"." in Público (sem link)
"Este tipo de regulamentos pode intimidar e controlar alguns sites, mas a longo prazo [as autoridades] estão a travar uma batalha perdida", declarou à Reuters Xiao Quiang, director do China Internet Project da Universidade da Califórnia (Berkeley, Estados Unidos).
Nem mais!
"Este tipo de regulamentos pode intimidar e controlar alguns sites, mas a longo prazo [as autoridades] estão a travar uma batalha perdida", declarou à Reuters Xiao Quiang, director do China Internet Project da Universidade da Califórnia (Berkeley, Estados Unidos).
Nem mais!
Friday, September 30, 2005
Thursday, September 29, 2005
Wednesday, September 28, 2005
Ainda as eleições
Em jeito de final de "festa", ficam aqui algumas ligações sobre a "saga" do acto eleitoral em Macau:
"Uma AL de oposição, ou talvez não..." Hoje Macau
"Violência eleitoral nas mãos de um juiz" Ponto Final
"Análise: Balanço pós-eleitoral" Paulo Godinho no Ponto Final
"Uma AL de oposição, ou talvez não..." Hoje Macau
"Violência eleitoral nas mãos de um juiz" Ponto Final
"Análise: Balanço pós-eleitoral" Paulo Godinho no Ponto Final
Tuesday, September 27, 2005
Eleições: vencedores e derrotados
Vencedores:
Associação do Novo Macau Democrático: A lista liderada por Ng Kuok Cheong não só ficou em primeiro lugar, como aumentou a votação em termos absolutos em 7 mil votos, em comparação com as eleições de 2001. Manteve os dois deputados e ficou a apenas 500 votosd e eleger o terceiro. A população voltou a dar sinais de vontade em acelerar o processo de reforma democrática. É a vitória do trabalho de campo de uma associação com parcos meios que ganha cada vez maior implantação entre as classes médias e os mais desfavorecidos. Esperemos que nesta legislatura a dupla Ng Kuok Cheong/Au Kam San possa fazer mais e melhor na Assembleia; isto é que tenha um discurso mais consistente e consequente e que, já agora, apresente propostas de lei.
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Trata-se de uma surpresa e de um sinal preocupante. Surpresa porque poucos previam que pudesse eleger dois deputados; mau sinal, uma vez que estamos perante uma lista que representa os interesses do sector do Jogo, mais especificamente, os negócios da comunidade de Fujian. De resto foi com o apoio em massa da comunidade dessa província chinesa que conseguiu eleger dois deputados. Não se pode por isso esperar nada de bom destes dois deputados na Assembleia. Ainda por cima há fortes suspeitas deste grupo ter procedido à compra de votos. Não é assim de repente que se conseguem 20 mil votos em Macau. Além do mais o líder da lista, Cham Meng Kaa, patrão do casino Golden Dragon, inspira pouca confiança e algum medo. Não é por acaso.
Nova Esperança: Pereira Coutinho é o outro grande vencedor da noite. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau foi não só foi o primeiro cabeça de lista português a ser eleito pelo sufrágio directo (depois de Jorge Fão ter sido eleito há quatro anos na lista de David Chow), como alcança uma votação recorde para uma lista ligada á comunidade portuguesa e macaense: quase 10 mil votos. É o fruto de quatro anos de trabalho intenso, de trabalho de campo junto da função pública que tem visto os seus direitos serem atacados nos últimos anos. Agora os trabalhadores da administração já têm uma voz na Assembleia. Sendo uma figura polémica dentro da comunidade portuguesa, Coutinho soube apelar ao voto útil e seduzir muitos eleitores chineses. Resta saber como se vai comportar na Assembleia.
Resistentes:
União para o Desenvolvimento: A lista dos operários liderada pela senhora Kwan Tsui Hang conseguiu resistir à concorrência e segurou com larga margem os dois deputados. Temia-se que com tanta concorrência vinda do sector empresarial, a associação apoiada pelos Operários Pró-Pequim pudesse perder terreno face a aliciamentos que terão sido feitos. É um prémio para quem está junto dos trabalhadores e que tem levantado a voz contra os atropelos constantes à classe. No entanto, sendo alinhada com o governo de Macau e em especial com a China continental, a sua margem de contestação é limitada. Tendo em conta o aumento das disparidades sociais será interessante ver como reage quando a corda esticar.
União Promotora do Progresso: Os "Kai Fong", ou seja as Associações de Moradores, seguraram por uma unha negra os dois deputados. Valeu o carisma de Leong heng Teng e a estima que ele inspira nos sectores tradicionais. Mas há um sinal que não deixa de preocupar os "moradores": o número de eleitores está a aumentar a passos largos e o número de votantes na União Para o Progresso mantém-se quase inalterado. Na Assembleia espera-se uma voz apagada e alinhada, apesar de, por vezes, levantar algumas causas sociais.
União Para o Bem Querer de Macau: Fong Chi keong, o cabeça de lista, é um meio vencedor. Apostou as cartas todas no sufrágio directo (depois de não ter garantido os apoios para a eleição indirecta) e ganhou. O que é um mau sinal, pois a sua prestação como parlamentar vai do medíocre ao deplorável.
Derrotados:
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: Ou melhor o seu líder e patrocinador, David Chow. Em 4 anos perdeu mais de metade dos votantes e foi eleito por escassa margem, Para quem tem a influência e o poder económico de David Chow, dá que pensar. E afinal os votos dos macaenses contam, uma vez que sem Jorge Fão na lista, Chow viu-se reduzido a pouco mais de 6 mil votos.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: Era a grande jogada de Stanley Ho. Lançou a sua esposa Angela Leong (a quarta mulher) na corrida e não conseguiu eleger o seu braço direito, Ambrose So. Tendo em conta que Ho é ainda rei e senhor de Macau foi uma humilhação ter menos de metade dos democratas e ver o patrão do casino Golden Dragon chegar aos 20 mil votos. Valia a pena entrar na corrida assim? De qualquer modo a lição foi aprendida. Angela Leong não vai acrescentar nada à Assembleia e quando falar será sempre, obviamente, a voz do dono, ou seja de Stanley Ho.
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: É um caso difícil de perceber, à primeira vista. João Bosco Cheang que em 2001 obteve mais de 5 mil votos viu-se reduzido a menos de mil. A lista da STDM tirou-lhe a fatia de leão dos votantes. Com isto, Cheang deverá dizer adeus à política da RAEM.
Por Macau:A não eleição de Sales Marques não é surpresa para ninguém. Mas o resultado pode considerar-se muito fraco: apenas 892 votos. Esta facção, mais elitista diz Pereira Coutinho, da comunidade macaense terá agora que repensar o projecto. Vale a pena ser os irredutíveis gauleses na aldeia chinesa?
Associação do Novo Macau Democrático: A lista liderada por Ng Kuok Cheong não só ficou em primeiro lugar, como aumentou a votação em termos absolutos em 7 mil votos, em comparação com as eleições de 2001. Manteve os dois deputados e ficou a apenas 500 votosd e eleger o terceiro. A população voltou a dar sinais de vontade em acelerar o processo de reforma democrática. É a vitória do trabalho de campo de uma associação com parcos meios que ganha cada vez maior implantação entre as classes médias e os mais desfavorecidos. Esperemos que nesta legislatura a dupla Ng Kuok Cheong/Au Kam San possa fazer mais e melhor na Assembleia; isto é que tenha um discurso mais consistente e consequente e que, já agora, apresente propostas de lei.
Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Trata-se de uma surpresa e de um sinal preocupante. Surpresa porque poucos previam que pudesse eleger dois deputados; mau sinal, uma vez que estamos perante uma lista que representa os interesses do sector do Jogo, mais especificamente, os negócios da comunidade de Fujian. De resto foi com o apoio em massa da comunidade dessa província chinesa que conseguiu eleger dois deputados. Não se pode por isso esperar nada de bom destes dois deputados na Assembleia. Ainda por cima há fortes suspeitas deste grupo ter procedido à compra de votos. Não é assim de repente que se conseguem 20 mil votos em Macau. Além do mais o líder da lista, Cham Meng Kaa, patrão do casino Golden Dragon, inspira pouca confiança e algum medo. Não é por acaso.
Nova Esperança: Pereira Coutinho é o outro grande vencedor da noite. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau foi não só foi o primeiro cabeça de lista português a ser eleito pelo sufrágio directo (depois de Jorge Fão ter sido eleito há quatro anos na lista de David Chow), como alcança uma votação recorde para uma lista ligada á comunidade portuguesa e macaense: quase 10 mil votos. É o fruto de quatro anos de trabalho intenso, de trabalho de campo junto da função pública que tem visto os seus direitos serem atacados nos últimos anos. Agora os trabalhadores da administração já têm uma voz na Assembleia. Sendo uma figura polémica dentro da comunidade portuguesa, Coutinho soube apelar ao voto útil e seduzir muitos eleitores chineses. Resta saber como se vai comportar na Assembleia.
Resistentes:
União para o Desenvolvimento: A lista dos operários liderada pela senhora Kwan Tsui Hang conseguiu resistir à concorrência e segurou com larga margem os dois deputados. Temia-se que com tanta concorrência vinda do sector empresarial, a associação apoiada pelos Operários Pró-Pequim pudesse perder terreno face a aliciamentos que terão sido feitos. É um prémio para quem está junto dos trabalhadores e que tem levantado a voz contra os atropelos constantes à classe. No entanto, sendo alinhada com o governo de Macau e em especial com a China continental, a sua margem de contestação é limitada. Tendo em conta o aumento das disparidades sociais será interessante ver como reage quando a corda esticar.
União Promotora do Progresso: Os "Kai Fong", ou seja as Associações de Moradores, seguraram por uma unha negra os dois deputados. Valeu o carisma de Leong heng Teng e a estima que ele inspira nos sectores tradicionais. Mas há um sinal que não deixa de preocupar os "moradores": o número de eleitores está a aumentar a passos largos e o número de votantes na União Para o Progresso mantém-se quase inalterado. Na Assembleia espera-se uma voz apagada e alinhada, apesar de, por vezes, levantar algumas causas sociais.
União Para o Bem Querer de Macau: Fong Chi keong, o cabeça de lista, é um meio vencedor. Apostou as cartas todas no sufrágio directo (depois de não ter garantido os apoios para a eleição indirecta) e ganhou. O que é um mau sinal, pois a sua prestação como parlamentar vai do medíocre ao deplorável.
Derrotados:
Convergência para o Desenvolvimento de Macau: Ou melhor o seu líder e patrocinador, David Chow. Em 4 anos perdeu mais de metade dos votantes e foi eleito por escassa margem, Para quem tem a influência e o poder económico de David Chow, dá que pensar. E afinal os votos dos macaenses contam, uma vez que sem Jorge Fão na lista, Chow viu-se reduzido a pouco mais de 6 mil votos.
Aliança para o Desenvolvimento de Macau: Era a grande jogada de Stanley Ho. Lançou a sua esposa Angela Leong (a quarta mulher) na corrida e não conseguiu eleger o seu braço direito, Ambrose So. Tendo em conta que Ho é ainda rei e senhor de Macau foi uma humilhação ter menos de metade dos democratas e ver o patrão do casino Golden Dragon chegar aos 20 mil votos. Valia a pena entrar na corrida assim? De qualquer modo a lição foi aprendida. Angela Leong não vai acrescentar nada à Assembleia e quando falar será sempre, obviamente, a voz do dono, ou seja de Stanley Ho.
União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: É um caso difícil de perceber, à primeira vista. João Bosco Cheang que em 2001 obteve mais de 5 mil votos viu-se reduzido a menos de mil. A lista da STDM tirou-lhe a fatia de leão dos votantes. Com isto, Cheang deverá dizer adeus à política da RAEM.
Por Macau:A não eleição de Sales Marques não é surpresa para ninguém. Mas o resultado pode considerar-se muito fraco: apenas 892 votos. Esta facção, mais elitista diz Pereira Coutinho, da comunidade macaense terá agora que repensar o projecto. Vale a pena ser os irredutíveis gauleses na aldeia chinesa?
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