Wednesday, November 23, 2005

A mudança que vem de dentro I

A mudança que vem de dentro I

Frank Ching*

“A reabilitação política, na última sexta-feira, do antigo líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Hu Yaobang, é encorajadora para a ala progressista do PCC – mesmo que não haja indicações que a direcção do partido vá relaxar as suas políticas caracterizadas pela predominância da linha dura. Foi a morte de Hu, em Abril de 1989, que despoletou as manifestações em massa de estudantes na Praça de Tiananmen.

O facto do antigo secretário-geral do PCC ter sido alvo de um tributo por ocasião do 90º aniversário do seu nascimento pela liderança chinesa não significa que o partido esteja preparado para rever a sua posição acerca do massacre de 4 de Junho. Ao passo que a sua morte foi o catalizador das manifetsações, o antigo líder não teve nada a ver com os eventos.
No longo-prazo, no entanto, a liderança chinesa será obrigada a reavaliar a deceidssão de enviar tanques contra estudantes desarmados - embora isso não deva vir a acontecer durante o consulado de Hu Jnitao na liderança do PCC.

Hu Yaobang foi, indubitavelmente, o mais liberal de todos os dirigentes que o partido produziu. Enquanto secretário-geral ele teve a coragem de pedir desculpas pelas acções do partido no Tibete; propôs mesmo que os chineses passassema usar garfos e facas, em vez de “pauzinhos”, por razões de higiene; pediu a Deng Xiaoping, o seu mentor, para se retirar da cena política – uma atitude que não caiu propriamente nas boas graças do “pequeno timoneiro”; e foi forçado a resignar ao vcargo de líder do Partido, em 1987, por ter recusado reprimir manifestações de estudantes. Hu Yaobang é encarado com admiração por muitos dos devotos do partido, em grande medida, porque ele pessoalmente reabilitou três milhões de membros do partido que tinham sido erradamente perseguidos durante as campanhas políticas como o Movimento Anti-Direitista dos anos 1950 e a Revolução Cultural de 1966-1976.”

((ontinua)

Extracto traduzido e adaptado de um artigo de opnião publicado no dia 23-11-2005, no South China Morning Post.
*Frank Ching é escritor e comentador de assuntos políticos em Hong Kong.

Tuesday, November 22, 2005

Self-Defence Forces turn into Japanese Army

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60 anos depois.
Não estando em causa o direito que os japoneses têm em ser uma nação "normal", 60 anos depois do fim da II Guerra Mundial, suspeito que Pequim vai espernear. Simbolicamente, e de um certo modo, de facto, vai haver algumas alterações na correlação e equilíbrio de forças na zona Ásia-Pacífico. De novo e sempre o security dilema.

Europe and China in Central Asia IV

Oil and Natural Gas in Central Asia

According to the OPEC Annual Statistical Bulletin at the end of 2001, world proven oil reserves stood at 1,074,850 billion barrels, of which 78.7 per cent, was in OPEC Member Countries. The five litoral Caspaian States account for 14.6 percent of the world’s proven oil reserves and 50 percent of the proven gas reserves in the world. This figures by themselves can give an idea of the strategic importantance of the Central Asia and Caspian to the world oil and natural gas market. As the report “Caspian and Oil Gas” from report by the Energy Information Administration of the USA Government states, “As world oil demand continues to grow over the next decade, the region will gain in importance by diversifying sources of oil and gas beyond such traditional suppliers as the Middle East.”
Although, at the moment, the countries of the Caspian Sea region are relatively minor world oil and gas producers, struggling with difficult economic and political transitions, it is expected a huge increase on the production in the near future. The Internationa Energy Agency estimates that the overall production of the Caspian litoral states (inclusing Uzbequistan) will augment from 1593 thousands barrels per day in 2002 to a maximum high of 4894 in 2010. Concerning the natural gas production, it will almost double from 4.49 Trillion Cubic Feet to 8.7 in 2010.
All these data make the region widelly attractive to the major indusrialized powers and to the Transnational Oil Companies (TNOC), in a complex game involving both states and private actors. Indeed the priate cators are active in the region, whrerein some of the lagest TNOCs have already get it foothold in the region: BP is involved in Azerbeijan (oil and natural gas) and in Kazakhstan (oil), Agip is part of two projects in Kazakhstan and Chevron Texaco is doing business a well in Kazakhstan.
Another important issue is the pipeline politics in Central Asia. Sander Hansen (2003, 3) analyses the question in the light of two interconnecetd problems. On the one hand, the struggle for control over the resources in Central Asia. Here we have a thorny matter because f the uncertain legal status of the Caspian Sea, since there are no international legar borders dividing the Caspian Sea among the litoral States. If until 1989-91 the problem could be solved between the Soviet Union and Iran, after the collapse of USSR, the sovereignity over the Caspian Sea remains a potential source for conflict[2]. In May 2003, Russia, Azerbaijan, and Kazakhstan, in a trilateral agreement, divided the northern 64% of the Caspian Sea into three ueven parts: 27 percent for Kazakhstan, 19 percent for Russia and 18 percent for Azerbaijan. Turkmenistan and Iran refused to sign the agreement. The problem as we can forsee will remain. On the other hand, the issue of pipeline politics councerns the exploitation and export of the resourses: “the countries that possess hydrocarbon deposits do not have the technology and financial capability to start the exploitation without outside help”(Hansen, 2003). Threfore, the Central Asian states are de facto dependent from the TNOCs, which are interested in doing business in the region due to the proven reserves and potential of eploration, but, at the same time, fear the unstable social and political environment. It is also noteworthy to highlight that the export of oil and natural gas from Central Asia is a costly bysuness as the it is a landlocked region. That is why the oil and gas pipelines routes are obeject of attention and intersection of different agents: local authorities, foreign powers (China, European Union, USA, Russia, India) and private actores such as the TNOCs).

[1] Kazakhstan decided in the beginning of 2003 to create a full-fedged navy in the Caspian Sea, following a tendency to increase the militarisation in the area. The government announced that the decision is aiming to protect western investments and fight smuggling activities.

Recapitulando:

Europe and China in Central Asia

Introduction

Energy Supply Security Policy: the New Challenges

The Geopolitics of Central Asia

Monday, November 21, 2005

live on/live for

"The Chinese are having more to live on, but less to live for"

Yang Rui, apresentador do programa "Dialogue", na CCTV 9, a resumir a entrevista a Sidney Rittenberg, um americano que passou parte da vida na China, num programa emitido na altura em que Bush está de visita à República Popular.

Uma relação complexa

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A visita de Bush à China na imprensa mundial:

Hu outlines mainstream of Sino-US ties, na Xinhua.

China holds line during Bush visit, International Herald Tribune.

What China Wants from Bush Visit, Time

Saturday, November 19, 2005

Soltem o comércio, ou "apanhem a batata quente"

O Líderes da APEC, Cooperação Económica Ásia-Pacífico, pediram à União Europeia
que mostre flexibilidade na questão dos subsídios à agricultura acusando Bruxelas de estar a colocar grandes entraves à abertura do mercado global.

Reunidos em, Busan na Coreia do Sul, os representantes de 21 países da América, Ásia Oriental e Pacífico afirmam que para que a cimeira da Organização Mundial de Comércio (OMC) ,
que vai ser realizada em Hong Kong tenha sucesso, é preciso que os europeus dêem um passo em frente.
O ministros sul coreano dos negócios estrangeiros Ban Ki Moon dise que a bola está do lado da Europa que terá que ter uma atitude mais flexível terminando com os proteccioanismos à agricultura.

É uma "pescadinha de rabo na boca". Os Estados Unidos aproveitam o facto de estarem numa cimeira da APEC para enviar recados à UE, mas não avançam com passos firmes no sentido de diminuirem os subsídios que eles próprios concedem à agricultura nem deixam cair as
barreiras proteccionistas que, volta e meia, vão impondo, não só na agricultura,
como a várias indústrias.
O problema é que, mais uma vez, o espectro do fracasso paira sobre uma cimneira da OMC,
que vai ser realizada em Dezembro em Hong Kong. O próprio director-geral da OMC, o francês Pascal Lamy, já foi avisando que o próximo encontro da WTO será uma etapa e não o
fim de um caminho rumo à liberalização do comércio. No entanto, as pulsões que se
fazem sentir na Europa, em especial em Farnça, não auguram uma tomada de posição forte da UE de reduzir os subsídios à agricultura e de reforma na Política Agrícola Comum (PAC).

Wednesday, November 16, 2005

Hu Yaobang recuperado

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A notícia é avançada pelo China Daily. O governo central vai assinalar a passagem dos 90 anos sobre o nascimento de Hu Yaobang, ex secretário-geral do Partido Comunista Chinês, caído e desgraça em 1987 - ano em que foi afastado da liderança do PCC- por ter tido desvios "burgueses". Dias depois da sua morte, em Abril de 1989, centenas, depois milhares, de estudantes começaram a concentrar-se na Praça de Tiananmen. Será que a recuperação de Hu Yaobang, caracterizado agora pela imprensa oficial chinesa como "late charismatic leader", é um sinal que pode abrir caminho para um dia os manifestantes de Tiananmen deixem de ser rotulados de "contra-revolucionários"? Ou será apenas um wishful thought? É que a Zhao Zhiyang não deram a mão - continuou em prisão domiciliária até à sua morte, no início deste ano.
A propósito, vale a pena reler isto.

Tuesday, November 15, 2005

A História Desconhecida de Mao

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A propósito dos livros de Jung Chang, Helena de Sousa Freitas da Agência Lusa escreve sobre a mais recente obra da autora de Cisnes Selvagens, escrita em conjunto com Jon Halliday:

"Uma nova biografia de Mao Zedong, cuja tradução portuguesa será lançada em Dezembro, assegura que o líder chinês "foi responsável por mais de 70 milhões de mortes em tempo de paz", superando qualquer outro dirigente do século XX.
O livro, "Mao - A História Desconhecida", foi escrito por Jung Chang, celebrizada com o best-seller "Cisnes Selvagens", e o historiador Jon Halliday, que virão a Lisboa para o lançamento da edição portuguesa, dia 06 de Dezembro.
Os dois autores, marido e mulher, afirmaram, aquando da publicação da biografia de Mao em inglês, que o objectivo dos mais de dez anos da sua investigação era desconstruir o mito de Mao como o criador benevolente da China moderna.
No entanto, asseguraram ter-se aproximado de Mao Zedong com abertura de espírito e tendo em vista expor factos sem fazer qualquer tipo de julgamento moral.
Mao Zedong, o fundador da República Popular da China, em 1949, morreu em 1976 com 83 anos.
O livro, que a editora Bertrand coloca nas livrarias a 02 de Dezembro, revela que, dos 70 milhões de mortos, 38 milhões morreram de fome, pois Mao exportava o máximo de alimentos para, com o dinheiro obtido, adquirir armamento e fabricar a bomba atómica chinesa.
Os autores encontraram documentos que provam que Mao Zedong lia descansadamente apesar de ter plena consciência de que as suas tropas estavam a morrer e a população chinesa trabalhava, em média, vinte horas por dia.
A biografia revela ainda que Mao mandava transportar peixe vivo ao longo de mil quilómetros, só porque não gostava de comer peixe congelado, e apenas tinha à sua mesa um arroz especial, tendo ainda criado um "harém" de jovens e atraentes mulheres para satisfazer as suas necessidades sexuais.
"Mao - A História Desconhecida" afirma igualmente que a Longa Marcha de pessoas que se deslocaram do sudeste para o Norte da China entre 1934-35 tinha por objectivo a ligação com a Rússia para a obtenção de armas.
Os investigadores garantem ainda que muitos dos detalhes épicos e heróicos dessa marcha de 9.000 quilómetros do Exército Vermelho em fuga aos soldados nacionalistas de Chiang Kai-shek foram criados para enaltecer a glória de Mao.
O volume mostra como Mao chegou ao topo, revela detalhes sobre a formação do Partido Comunista Chinês e refere que o apoio da União Soviética foi constante, algo que o "imperador vermelho" sempre negou.
A obra revela ainda que o líder comunista não fez grande oposição aos japoneses quando estes invadiram a China por saber que assim enfraqueceria o poder dos nacionalistas chineses, com quem estava em conflito.
Outra das importantes revelações do livro de Jung Chang e Jon Halliday refere-se ao papel de Mao na génese e prolongamento da guerra da Coreia entre 1950-53.
Os dois investigadores concluem que Mao não era um marxista convicto, mas um homem obcecado com o poder, que chegou a privar um antigo braço-direito de tratamento médico a um cancro para que este não viesse a sobreviver-lhe.
O líder que mandava prender, torturar e executar publicamente os seus opositores, também aterrorizava as suas tropas, mostrava desdém pelos amigos e familiares e chegou a abandonar os próprios descendentes.
Um casal a vender os filhos para conseguir fundos para o partido, uma mulher obrigada a caminhar na Longa Marcha em pleno trabalho de parto, camponeses famintos que recorriam ao canibalismo são alguns dos episódios relatados no livro.
O volume, com mais de 800 páginas, inclui a lista dos entrevistados, informação sobre a documentação consultada, cerca de 80 páginas de notas e mais de duas dezenas de páginas com referências bibliográficas.
Jung Chang nasceu na província chinesa de Sichuan, sudoeste da China, aos 14 anos integrava a Guarda Vermelha e apregoava slogans maoístas pelas ruas, mas, aos 16, quando os seus pais foram presos, entrou em ruptura com o maoísmo.
A investigadora mudou-se posteriormente para o Reino Unido, onde viria a estudar Linguística na Universidade de York, e tornou-se a primeira chinesa a obter doutoramento por uma universidade britânica.
O seu livro "Cisnes Selvagens", uma saga familiar que acompanha três gerações de mulheres chinesas, vendeu 10 milhões de cópias em todo o mundo e está traduzido para mais de 30 línguas, embora continue proibido na China comunista.
O êxito do livro possibilitou desafogo financeiro à autora, e permitiu que ela e o marido realizassem uma investigação que previam durar cerca de dois anos, mas se prolongou por mais de uma década.
A celebridade conquistada por Jung Chang com o livro também ajudou a "abrir portas", facilitando o contacto com personalidades internacionais como Dalai Lama, Imelda Marcos, Henry Kissinger, Mobutu ou George W Bush.
Familiares e pessoas do círculo mais íntimo de Mao que nunca tinham falado antes (intérpretes, criados, guarda- costas, médicos, namoradas) e pessoas fora da China com quem este teve uma ligação significativa foram outras das fontes.
Além destes testemunhos, registados em centenas de entrevistas, os dois autores pesquisaram em arquivos na China e na Rússia, tendo acedido a antigos documentos secretos da União Soviética.
Os arquivos do antigo governo comunista de Moscovo, arquivos da Albânia e da antiga Alemanha do Leste foram consultados demoradamente por Jon Halliday, ex-investigador agregado ao King+s College, da Universidade de Londres, e um fluente falante de russo.
A biografia "Mao - A História Desconhecida" não será publicada na China, onde Mao continua a ter o seu retrato na Praça Tiananmen, no centro de Pequim, e ainda é venerado como um herói revolucionário na comunicação social e no ensino.
Por esse motivo, Jung Chang e Jon Halliday, que residem actualmente em Londres, consideram que o grande objectivo da biografia é ser lida pelos chineses, uma vez que se trata da sua própria História."

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Monday, November 14, 2005

Selvagens, Cisnes

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Ontem à noite acabei de ler o livro Cisnes Selvagens, de Jung Chang. Nas últimas semanas, esta obra escrita em 1991 foi a minha companhia pela noite dentro. Trata-se de uma livro essencial para quem, como eu, está ávido por compreender a, por vezes, impenetrável China. Que por tão perto que está de mim, se torna frequentemente intangível. Escrito (e traduzido) num registo pessoal, simples e directo, mas ao mesmo tempo cheio de implícitos (con) textuais, Cisnes Selvagens conta a história de três filhas da China: a avó, a mãe e a própria Jung Chang. Através da vida delas, entramos numa viagem de seis décadas da China: do caos da primeira república (A República China) dominada pelos senhores da Guerra, passando pela ocupação japonesa, pela guerra civil entre comunistas e nacionalistas até às várias fases da República Popular da China – Grande Salto em Frente, Revolução Cultural e o período imediatamente posterior à morte de Mao Zedong. Jung Chang consegue neste livro ao mesmo tempo lançar o olhar severamente crítico que tem sobre a China de Mao e revelar o que estava por detrás do fanatismo dos jovens guardas vermelhos e dos rebeldes. É um livro que retrata os sonhos caídos em desgraça, a falência dos amanhãs que cantam e a irracionalidade e brutalidade de um período cujas marcas ainda se fazem sentir na China e hoje. Não sendo uma análise rigorosa ou científica – nem o pretende ser, naturalmente – ler este livro é uma boa maneira de perceber certos comportamentos que nos parecem desprovidos de humanidade quando lemos sobre a história da China no século XX, até ao final dos anos 70. Da mesma autora, juntamente com Jon Halliday, será também importante ler com atenção "Mao: The Unknown Story"

Andarilho

Ele está exilado, perto daqui. E vale a pena visitá-lo.

Sunday, November 13, 2005

Democracia com características chinesas

ou, uma viagem pelos meandros das dinâmicas internas do PCC em busca do equilíbrio e da razão de ser.
0 "livro branco da democracia na China" pode ser lido aqui.

Europa e China na Ásia Central: a questão energética III

2. The Geopolitics of Central Asia

Firt we must clarify what and where is Central Asia. Here we opt by a narrow approach: the former Asian Soviet Republics- Kazakhstan, Uzbekistan, Tajikistan, Turkmenistan and Kyrgyztan . However to understand deeper the core of this paper we shall, as well, take into account the Caspian litoral states, i. e. not only thee of the former Asia Soviet Nations (Kazakhstan and Turkmenistan) but also Russia, Azerbeijan and Iran.
In 1989, the Iron Curtain fell and the bipolar world politics came to and end, giving place to an uncertain world order dominated miltary by the United States of America: unipolar with several multipola rsigns. From the ashes of the implosion the Soviet Union several new states emerged redrawing themap of Europe and Asia. The newly indepedent republics, hitherto under the control of Moscow, started to be coveted by the world powers, which aimed to fill the local power vacuum. Why is the Central Asia so atractive? First, geographically, it is a strategic area of communication and inteaction between six nations: China, Russia, Turkey, India and Iran. Second, it is an unstable and unsecure area wherein islamic fundamentalism and underdevelopment meet in a potential explosive melt. Third, and for our paper the most important issue, it is a source od startegic resources: natural gas, oil and coal. In addition, this region has advanced nuclear technology able to create nuclear stations and potentially nuclear weapons. Moreover, it has been feared that this zone can be a stockpile for proliferation of nuclear weapons or enriched uranium or plutonium. Outlining the major problems in the area, we face

Friday, November 11, 2005

Dez mil

é o número de page views deste blogue. A todos os que vão passando por cá, o mais sincero agradecimento. Em breve, retomarei um ritmo de publicação mais regular.

Saturday, November 05, 2005

Europa e China na Ásia Central: a questão energética II

Part I
1.Energy Supply Security policy: the new challenges



The definition of energy supply security is not easy to draw, because it depends on “what the threats are, on who is threatened and on the cost of reducing the threats” (Mitchell 2000), which can be internal or international. Hence, the concept has changed over the last six decades. While, in the early 1940s the allocation of the energy supply was done according to the military priorities - due to the World War II the supply security was almost exclusively physical and the prices were fixed -, bypassing the years of the Bretton Woods Agreement (1945-1970), there have been huge transformations ocurred in the world energy supply market since the early 1970s, in the light of a global business revolution (Howeling and Amineh 2003a, 360).
First, the role of the government in the economy has been changing deeply and the energy sector is not an exception. There has been a shift from the concept of energy supply as a key and strategic area that should be kept in the hands of state because it should be accesible to all the citizens (the social democrat ideology after the War) to a new regulatory framework wherein the competition among private companies is encouraged in order to provide the consumer a wider range for choice. This movement towards a liberalization and deregulation of the market is occuring not only in the OECD countries, but also in developing nations, such as Brazil, China or India. In Europe the call of the European Single Act for the completion of the Single European Market, which was extended to the energy market in 1998-1999, shrank the national energy security scope of action. Second, there has been a transformation on the oil industry. The oil shocks of 1973 and 1979 had temporarily reduced the weight of oil in the energy market. Western economies began to develop in a faster pace alternatives to the oil depedendence. One of the oil’s competitors is the natural gas. But analysts doubt about the feasibility of natural gas, although the extensive and worldwide reserves, to replace the oil hegemony. Third, the competition in the oil business is increasing within and ouside the Organization of the Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEC)[2]. Technological developent has permitted the growth of exploration, through techniques as the deep water production, in areas like the North Sea or the Gulf of Mexico. Fourth, the control of enery sources, specially Oil has becoming increasingy a geostrategic asset. As Amineh and Howeling (2003c: 396) note, “oil and gas are not just commodities traded in international markets. Control over territory and its resorces are startegic assets”.[3] This is valid mainly for the importing states that are endeavoring to achieve energy security, i.e. “the availability of energy at all times in avrious forms, in sufficient quantity and at afordable prices”(Hansen 2003) . And these countries are exremelly vulnerable to the risks of sudden disruptions because it will have a tremendous impact iomn the economy and society: higher unemployment rates or lower standarts of living. And these disruption can occur because of political reasons (the 1973 Arab Oil embargo to the United States because of its position on Israel), internal politics in a major exporter (the Iranian Revolution), a regional war (Iran-Iraq war) or an overwhelming increase in the demand from a huge market before which the refinaries and the exporters do not have the means to respond properly (Chinese oil demand). To avoid and bypass these dangers “ an energy importing state may choose to diversify its energy supllies to secure its energy security or it may try to improve extisting energy supply relations.” (Hansen 2003, 13)

[2] The OPEC Members are Iran, Iraq, Saudi Arabia, United Arab Emirates, Kwait, Qatar, Indonesia, Venezuela, Nigeria, Indonesia, Libya and Algeria.
[3] The War in Iraq (2003), the USA invasion, illustrates how important is the territorial control of a source of energy like Oil. In that case, the control over a country with 112,500 million of barrels of proven crude oil reserves.

References:

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003b) “The US and the EU in CEA. Relations with Regional Powers”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, nº 3-4, pp. 521-547(27), Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003c) “Caspian Energy: Oil and Gas Resources and the Global Market”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, iss. 3-4, pp. 391-406(16) , Brill Academic Publishers.


Hansen, Sander (2003), Pipeline Politics: the struggle for the control of the Eurasian Energy Resorces. Retrieved on June, 2004, from the Netherlands Institute of International Relations Clingendael Web Site: http://www.clingendael.nl/ciep/pdf/CIEP_02_2003.pdf

Mitchell, John V (2000) Energy Supply Security: Changes in concepts. Retrieved on June 2004 from the Royal Institute of International Affairs Web Site:

Wednesday, November 02, 2005

Europa e China na Ásia Central I

A partir de hoje vou publicar aqui um ensaio que escrevi, em inglês, no âmbito do mestrado em Estudos Europeus do Instituto de Estudos Europeus de Macau sobre as estretégias da China e da União Europeia para a zona da Ásia Central, no que diz rspeito às políticas de segurança de fornecimento de energia, numa leitura de cariz geopolítico.

Energy Supply Security Policy
European Union and China in Central Asia

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José Carlos Matias
2004

Introduction

The Central Asia and the Caspian region have drawn the attention of the world especially since the end of the Cold War. Indeed, there have been deep political, economic, and social transformations in the landmass of Eurasia. Politically the fall of the Soviet Union brought up the newly independent states of the former Asian republics of the Soviet Union. The new map of Central Asia began to include five new States – Kazakhstan, Uzbekistan, Tajikistan, Turkmenistan and Kyrgyztan – and three nations between the Black Sea and the Caspian Sean- Armenia, Georgia and Azerbaijan. In this paper we will focus on the five Central Asian Republics and on the Caspian States, which includes also Russia, one of the key processes in this area. The Central Asia and Caspian areas have received the attention of the world powers because of several reasons. Here we highlight the importance of the substantial hydrocarbon reserves (mainly Oil and Natural Gas) at the light of the new challenges for the energy supply security strategies of the European Union and China.
First one has to clarify the new challenges of the Pipeline diplomacy and Energy Supply Security policy, analyzing what changed in the last 30 years, since the oil shock in 1973, in the Oil market and regarding the Internation Political Economy of the Energy Security policies, encompassing it in the broader spectrum of the economic globalization.


Then, we will focus on the key issues of geopolitics of Central Asia: the recent history, political, social and economic shifts since the end of the Soviet Union, the security problems, the entry of the United States in the area after September 11 and the power politics strategies of the major powers in the world. The following step is, narrowing the approach, to overview the weight and relevance of the natural gas and oil in the region. In the second part of the paper, we wil enter into the core of our analysis, endeavouring to understand, in general, the geopolitical strategy of China, first, and the European Union, later, towards the Central Asian countries, and in particular, the energy supply security strategy of both world powers before the Central Asia and Caspian Region.

In the case of China, we will regard whether the Shanghai Cooperation Organization is an efficient device of Beijing (and Moscow) to strengthen their interest in the region. European Union is also a interested part in the dialogue with the Central Asian nations, since it will face a huge increase in the oil and gas dependence from imports in the furure. The objective is to clarify what is the EU strategy for Central Asia, first in a broader sense, then, in what concerns the energy supply security towards the oil and gas reserves in Central Asia, especifically in the Caspian Sea. Facing the imperial approach of the United States in Central Asia, specifically after September 11 and the War in Afghanistan and the Sino/Chinese way o resist to the American influence in an area considered by Russia and China in their natural sphere of influence, what is the EU strategy?

Sunday, October 30, 2005

De novo as patacas perdidas

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"Macau tornou-se, na consciência política nacional, um local obscuro e sombrio.Em Portugal não se pode mencionar a palavra “Macau” sem que uma geração de poder não sinta calafrios.", escreve Gonçalo Curado no Sinédio a propósito do caso "Alberto Costa/TDM".
Ou será que esboça essa geração esboça um sorriso?
Sobre outro caso lembro o que escrevi aqui, em Agosto deste ano.

P.S. Eu diria que, de algum modo, quase todos vieram colher frutos na prodigiosa árvore das Patacas. O livro de João Paulo Meneses conta uma história bem ilustrativa e baseada em factos reais.

Friday, October 28, 2005

Vêm aí os IV Jogos da Ásia Oriental - Macau 2005

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A partir de amanhã até dia 6 de Novembro.

A fuga

Este trabalho do Diário de Notícias com base em dados do Banco Mundial vem confirmar aquio que vislumbarva ja há algum tempo a olho nu. Regularmente sei de alguém, um amigo ou conhecido dos tempos da Universidade, que emigrou. Este novo tipo de emigração, do qual faço parte, é bem analisado no editorial assinado por Helena Garrido:
"As razões que levam os portugueses qualificados a deixar o país ou a não regressar a Portugal são ainda um indicador de problemas de desenvolvimento"

Monday, October 24, 2005

Democracia, Socialismo e Pobreza

Vital Moreira indigna-se com o facto do Partido Comunista Chinês falar nos avanços rumo À democracia e socialismo num país como a China. Percebo a sua posição e, de facto, é algo owelliana a retórica "socialista" e democrática de um regime que conjuga a burocracia do "socialismo" de estado com o capitalismo selvagem, no sentido em que os direitos sociais são diminutos, senão mesmo inexistentes. No entanto, dizer que na China mais de150 milhões de pessoas vivem na pobreza, sem salientar que, por um lado 150 milhões é o equivalente a pouco mais de 10 por cento da população chinesa, e que, por outro, desde o início das reformas "capitalistas" de Deng Xiaoping, nos anos 1980, a China foi responsável por 75 por cento da redução da pobreza nos países em desenvolvimento, é uma observação que, no mínimo, peca pela falta de precisão.
A Blasfémia contradiz Vital Moreira, mas também peca por alguma desactualização quanto à natureza política e económica do regime chinês. É que a República Popular já não é apenas um país estatista, planificador e totalitário - trata-se de um regime autoritário, de partido único, que cimenta a sua legitimidade não na ideologia comunista que caíu em desgraça após a tragédia da Revolução Cultural, mas em dois vectores que me parecem pilares do "contrato social" chinês: o desenvolvimento e o crescimento económico de uma China que renasce e um regresso de um certo nacionalismo que vem substituir o vácuo ideológico deixado para trás pelo falhanço do socialismo chinês. Alguns autores tipificam a China como uma regime neo-autoritário desenvolvacionista, em que vai re-emergindo uma social-confucionismo. No entanto, fruto das desigualdades e disparidads socias provocadas inevitavelmente pelo capitalismo, a economia socialista de mercado está a deixar para trás milhões que passam ao lado das vacas gordas da nova era. Esse é um perigo real: a ruptura do contrato que foi alterado várias vezes desde a instauração da República Popular da China, em 1949.
Falar da China é de facto complexo. Ainda por cima usando a grelha de análise que utilizamos quando nos referimos ao "Ocidente". Não se trata de desculpabilizar os crimes cometidos no passado e no presente; trata sim de tentar perceber as dinâmicas centrípetas e centrífugas, amiúde contraditórias, de um país fascinante a vários níveis. Daqui de Macau apenas posso espreitar. E com este blogue procurar abrir uma porta. - como o próprio nome de Macau indica em Chinês: Ao Men (Ou Mun, em cantonense), ou seja a Porta da Baía.

Leituras Dominicais

Este domingo, li a review de um livro sobre o papel do Delta do Rio das Pérolas no crscimento e desenvolvimento económico da China, espreitei este artigo sobre a visita de Donald Tsang aos Estados Unidos e lembrei-me da visão de Nehru sobre o "Asianismo" e as relações China-Índia.

Tuesday, October 18, 2005

Shenzhou VI e a inovação tecnológica

Wang Xiangwei escreveu ontem um artigo de análise muito interessante no jornal "South China Morning Post" que é aqui traduzido e adaptado.

“O regresso da segunda missão tripulada da China vai gerar uma onda de patriotismo nos meios de comunicação social, (à semelhança do que aocnteceu há dois anos com a Shenzhou V, n.t.)
A missão cimenta a entrada da China na elite das nações que já enviaram naves tripuladas ao espaço e reflecte o seu desenvolvimento tecnológico. O líderes vao, indubitavelmente, usar este exemplo para inspirar mais inovação tecnológico, encarado como um dos aspectos mais fracos nos esforços que o país tem feito para acelerar o desenvolvimento económico.

Durante os últimos anos, o presidente Hu Jintao e outros dirigentes têm frequentemente lamentado que o padrão de crescimento económico do continente, alimentado por um baixo custo da força de trabalho e o uso ineficiente da energia, seja insustentável perante os efeitos desastrosos que provoca no meio ambiente.
Hu Jintao está a procurar guiar a economia num sentido mais saudável e por um caminho mais sustentável; nesse sentido tem clamado que a inovação tecnológica é o caminho para reforçar a qualidade do crescimento económico. Isto foi salientado no documento recentemente aprovado no plenário do Comité Central do Partido Comunista Chinês.
Fontes dizem que o governo central vai em breve anunciar o primeiro plano de longo prazo para o desenvolvimento tecnológico e científico para os próximos 15 anos. Tendo o primeiro-ministro Wen Jiabao como supervisor, o plano deverá apontar uma série de objectivos para a inovação tecnológica e científica: desde missões espaciais até à segurança alimentar.
Mais importante, vai colocar um ponto final no debate patente entre políticos e académicos sobre se a China, como um país em desenvolvimento deve confiar maioritariamente nas tecnologias externas e contentar-se m sera “fábrica do mundo”, inundando os mercados internacionais com produtos baratos.
Isto seria um desenvolvimento bem vindo, particularmente numa altura em que as exportações da China, uma das forças motorizes do crescimento económico, estão a enfrentar cada vez mais barreiras alfandegárias e vários proteccionismos por parte dos parceiros comerciais. Mas num país em que as violações dos direitos de propriedade intelectual são “o pão nosso de cada dia”, procurar o desenvolvimento da inovação tecnológico é uma tarefa hercúlea. Para que esta intenção funcione, os dirigentes terão que colocar em cima da mesa as seguintes prioridades.
Em primeiro, devem ser reguladas e postas em prática regras efectivas de protecção da propriedade intelectual. Conflitos e torno da violação dos direitos de propriedade intelectual (DPI) têm sido um dos assuntos que tem causado maior fricção entre a China e os Estados Unidos, com Washington a dizer que as empresas americanas perdem milhões de dólares por ano por causa da pirataria. Apesar do comprometimento ao nível das autoridades chinesas, os esforços da China são vistos como pouco veementes.
Os Contrafactores não só atingem as companhias estrangeiras, como também as domésticas. Sem um empenho total na protecção dos DPI , os cientistas têm poucas razões e motivação para inovar.
Em segundo, o governo deve usar incentivos fiscais para encorajar as companhias a pôr de lado fundos destinados à investigação e desenvolvimento.
Em terceiro, como as companhias privadas mais que as estatais estão mais inclinadas para procurar a inoivalão tecnológica, o governo tem de estimular a criação e o desenvolvimento de “venture capital”, ou capital de risco, que apoie as experiências e investigalões tecnológicas e a sua aplicação.
Até ao momento, Pequim tem encarado os fundos de “venture” com suspeição , colocando-lhes barreiras regulatórias, tornando assim difícil o desenvolvimento dos fundos domésticos e o aparecimento de capitais estrangeiros nesse sentido.
Mais importante, a inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política.
Isto será um teste decisivo para a liderança chinesa, uma vez que a tendência vigente de apertar o controlo ideológico e sobre a liberdade de expressão em nome da manuteção da estabilidade, dificilmente vai ajudar no estímulo a uma cultura da inovação”.

Monday, October 17, 2005

Sãos e salvos

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Os taikonautas voltaram à Terra depois de cinco dias em órbita.
A propósito, esta é uma boa altura para reflectir sobre o programa espacial chinês. Começamos por ler "CHINA'S SPACE PROGRAMME" por B.Raman.

Thursday, October 13, 2005

A Prosperidade Comum

O Partido Comunista Chinês (PCC) aprovou uma estratégia de desenvolvimento que substitui as doutrinas próximas do capitalismo de Deng Xiaoping por uma política mais igualitária, que a imprensa oficial hoje classifica como "mudança revolucionária".
Na sessão plenária que decorreu entre sábado e terça-feira, o comité central do PCC adoptou a teoria da "Prosperidade Comum", acabando com a teoria de "Enriquecer Primeiro", que guiava a estratégia de desenvolvimento da China desde que Deng Xiaoping a propôs, em 1978.
"É um ajustamento histórico nos padrões dos planos quinquenais da China desde que o país alterou a sua estratégia de desenvolvimento nos anos 70", considera a agência noticiosa oficial Nova China, que define as teorias de Deng como "um afastamento dos princípios da igualdade, apesar de terem dado energia ao país".
Os plenários do PCC são considerados a ocasião mais importante do calendário político chinês, e foi no plenário de 1978 que Deng Xiaoping abriu a China ao capitalismo, iniciou as reformas económicas e permitiu a entrada do investimento estrangeiro, numa estratégia guiada pela teoria de "Enriquecer Primeiro" que permitia a algumas regiões e pessoas enriquecer primeiro que outras, sob o "Sistema de Mercado de Características Socialistas". (...)

Tuesday, October 11, 2005

A mecânica das coisas

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O aquecimento global está a causar o declínio ecológico do rio Amarelo pondo em risco o acesso a água de mais de 120 milhões de pessoas, alerta a associação ambientalista Greenpeace China num estudo hoje divulgado.
"Olhando para a região da nascente do Rio Amarelo, observamos os glaciares e o solo gélido a degelar, os lagos e afluentes a diminuir, a deterioração das áreas abertas e a desertificação do solo, ameaças causadas pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas", refere o estudo encomendado pela Organização ecologista Greenpeace a uma equipa do Instituto de Pesquisa das Regiões Frias e Áridas da Academia de Ciências da China. (Lusa)


As autoridades chinesas concluíram que a corrupção na província de Guangdong, a mais rica do país, custou mais de 11 mil milhões de dólares americanos (nove mil milhões de euros) em cinco anos, refere hoje a imprensa local.
O valor, equivalente a cerca de três por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal em 2004, foi subtraído entre 2000 e 2004 por mais de 400 funcionários públicos de Guangdong, noticia o jornal oficial chinês em língua inglesa China Daily, que cita os resultados de uma investigação do Tribunal de Contas daquela província adjacente a Macau (...)

Um grupo de monges budistas, sempre encarados como alheios às coisas do mundo, iniciou hoje em Xangai um mestrado em gestão de empresas (MBA), lado a lado com gestores e executivos de topo, refere hoje a imprensa económica local.
Segundo o jornal chinês Economic Daily, os 18 monges, vestidos com túnicas amarelas e cor-de-laranja que simbolizam a renúncia e a vida sem desejos, frequentam aulas de engenharia organizacional, recursos humanos, marketing e gestão financeira. (...)

Sunday, October 09, 2005

A Doninha no Oriente

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Foi um espectáculo!
Esta noite os Da Weasel foram os cabeças de cartaz do "Festival da Lusofonia", em Macau.

Thursday, October 06, 2005

Ameaça, Paz. Desenvolvimento e Status Quo

"Despite widespread fears about China's growing economic clout and political stature, Beijing remains committed to a "peaceful rise": bringing its people out of poverty by embracing economic globalization and improving relations with the rest of the world. As it emerges as a great power, China knows that its continued development depends on world peace -- a peace that its development will in turn reinforce."

Este é o summary de um artigo ineteressante, publica pela "Foreign Affairs", que foge a uma tendência que tem proliferado nalguns círculos académicos e não só, nomeadamente nos Estados Unidos, cujo tom tem sido de "China-Ameaça". Não ignoro as ambições de poder da China, em especial na zona Ásia-Pacífico, nem que existe algo "beyong e behind the curtain" numa linguagem algo realista, no entanto receio que a retórica da "China como the next big threat" agudize o "security dilema" e se torne numa "self-fulfil prophecy".
Acerca da estratégia chinesa para as relações internacionais vale a pena ler com atenção "Is China a status quo power" de Alaistair Iain Johnston.

Wednesday, October 05, 2005

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Liuzhou, China. Fevereiro de 2005.

Sunday, October 02, 2005

Há 56 anos II

"O arsenal de defesa contra a Internet na China foi reforçado esta semana com a publicação de um novo regulamento que amplia a lista de temas tabu no país. Sites e blogues ficam a partir de agora proibidos de noticiar ou referir manifestações de protesto social que têm aumentado substancialmente nos últimos tempos.O texto legal proíbe os sites de informação que "instiguem reuniões, organizações, manifestações ou concentrações ilegais que perturbem a ordem pública". Ficam também sob a alçada das novas regras os sites que publiquem informações consideradas pelas autoridades falsas ou pornografia e conteúdos que "ponham em causa a segurança nacional, revelem segredos de Estado, subvertam o poder político [e] minem a unidade nacional"." in Público (sem link)

"Este tipo de regulamentos pode intimidar e controlar alguns sites, mas a longo prazo [as autoridades] estão a travar uma batalha perdida", declarou à Reuters Xiao Quiang, director do China Internet Project da Universidade da Califórnia (Berkeley, Estados Unidos).

Nem mais!

Há 56 anos

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Era criada a República Popular da China.

Thursday, September 29, 2005

Olhares

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(Dezembro de 2004)
O Templo de Kun Iam, ali mesmo...

Wednesday, September 28, 2005

Ainda as eleições

Em jeito de final de "festa", ficam aqui algumas ligações sobre a "saga" do acto eleitoral em Macau:
"Uma AL de oposição, ou talvez não..." Hoje Macau
"Violência eleitoral nas mãos de um juiz" Ponto Final
"Análise: Balanço pós-eleitoral" Paulo Godinho no Ponto Final

Tuesday, September 27, 2005

Eleições: vencedores e derrotados

Vencedores:

Associação do Novo Macau Democrático: A lista liderada por Ng Kuok Cheong não só ficou em primeiro lugar, como aumentou a votação em termos absolutos em 7 mil votos, em comparação com as eleições de 2001. Manteve os dois deputados e ficou a apenas 500 votosd e eleger o terceiro. A população voltou a dar sinais de vontade em acelerar o processo de reforma democrática. É a vitória do trabalho de campo de uma associação com parcos meios que ganha cada vez maior implantação entre as classes médias e os mais desfavorecidos. Esperemos que nesta legislatura a dupla Ng Kuok Cheong/Au Kam San possa fazer mais e melhor na Assembleia; isto é que tenha um discurso mais consistente e consequente e que, já agora, apresente propostas de lei.

Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: Trata-se de uma surpresa e de um sinal preocupante. Surpresa porque poucos previam que pudesse eleger dois deputados; mau sinal, uma vez que estamos perante uma lista que representa os interesses do sector do Jogo, mais especificamente, os negócios da comunidade de Fujian. De resto foi com o apoio em massa da comunidade dessa província chinesa que conseguiu eleger dois deputados. Não se pode por isso esperar nada de bom destes dois deputados na Assembleia. Ainda por cima há fortes suspeitas deste grupo ter procedido à compra de votos. Não é assim de repente que se conseguem 20 mil votos em Macau. Além do mais o líder da lista, Cham Meng Kaa, patrão do casino Golden Dragon, inspira pouca confiança e algum medo. Não é por acaso.


Nova Esperança: Pereira Coutinho é o outro grande vencedor da noite. O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau foi não só foi o primeiro cabeça de lista português a ser eleito pelo sufrágio directo (depois de Jorge Fão ter sido eleito há quatro anos na lista de David Chow), como alcança uma votação recorde para uma lista ligada á comunidade portuguesa e macaense: quase 10 mil votos. É o fruto de quatro anos de trabalho intenso, de trabalho de campo junto da função pública que tem visto os seus direitos serem atacados nos últimos anos. Agora os trabalhadores da administração já têm uma voz na Assembleia. Sendo uma figura polémica dentro da comunidade portuguesa, Coutinho soube apelar ao voto útil e seduzir muitos eleitores chineses. Resta saber como se vai comportar na Assembleia.

Resistentes:

União para o Desenvolvimento: A lista dos operários liderada pela senhora Kwan Tsui Hang conseguiu resistir à concorrência e segurou com larga margem os dois deputados. Temia-se que com tanta concorrência vinda do sector empresarial, a associação apoiada pelos Operários Pró-Pequim pudesse perder terreno face a aliciamentos que terão sido feitos. É um prémio para quem está junto dos trabalhadores e que tem levantado a voz contra os atropelos constantes à classe. No entanto, sendo alinhada com o governo de Macau e em especial com a China continental, a sua margem de contestação é limitada. Tendo em conta o aumento das disparidades sociais será interessante ver como reage quando a corda esticar.

União Promotora do Progresso: Os "Kai Fong", ou seja as Associações de Moradores, seguraram por uma unha negra os dois deputados. Valeu o carisma de Leong heng Teng e a estima que ele inspira nos sectores tradicionais. Mas há um sinal que não deixa de preocupar os "moradores": o número de eleitores está a aumentar a passos largos e o número de votantes na União Para o Progresso mantém-se quase inalterado. Na Assembleia espera-se uma voz apagada e alinhada, apesar de, por vezes, levantar algumas causas sociais.

União Para o Bem Querer de Macau: Fong Chi keong, o cabeça de lista, é um meio vencedor. Apostou as cartas todas no sufrágio directo (depois de não ter garantido os apoios para a eleição indirecta) e ganhou. O que é um mau sinal, pois a sua prestação como parlamentar vai do medíocre ao deplorável.

Derrotados:

Convergência para o Desenvolvimento de Macau: Ou melhor o seu líder e patrocinador, David Chow. Em 4 anos perdeu mais de metade dos votantes e foi eleito por escassa margem, Para quem tem a influência e o poder económico de David Chow, dá que pensar. E afinal os votos dos macaenses contam, uma vez que sem Jorge Fão na lista, Chow viu-se reduzido a pouco mais de 6 mil votos.

Aliança para o Desenvolvimento de Macau: Era a grande jogada de Stanley Ho. Lançou a sua esposa Angela Leong (a quarta mulher) na corrida e não conseguiu eleger o seu braço direito, Ambrose So. Tendo em conta que Ho é ainda rei e senhor de Macau foi uma humilhação ter menos de metade dos democratas e ver o patrão do casino Golden Dragon chegar aos 20 mil votos. Valia a pena entrar na corrida assim? De qualquer modo a lição foi aprendida. Angela Leong não vai acrescentar nada à Assembleia e quando falar será sempre, obviamente, a voz do dono, ou seja de Stanley Ho.

União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: É um caso difícil de perceber, à primeira vista. João Bosco Cheang que em 2001 obteve mais de 5 mil votos viu-se reduzido a menos de mil. A lista da STDM tirou-lhe a fatia de leão dos votantes. Com isto, Cheang deverá dizer adeus à política da RAEM.

Por Macau:A não eleição de Sales Marques não é surpresa para ninguém. Mas o resultado pode considerar-se muito fraco: apenas 892 votos. Esta facção, mais elitista diz Pereira Coutinho, da comunidade macaense terá agora que repensar o projecto. Vale a pena ser os irredutíveis gauleses na aldeia chinesa?

Monday, September 26, 2005

Eleições Legislativas em Macau II

Afluência: 128 830 (58 % do total de eleitores inscritos)

Resultados do sufrágio directo

Associação do Novo Macau Democrático: 23 472 votos - 18.80 % 2 deputados
Força pró-democracia

Associação dos Cidadãos Unidos de Macau: 20695 - 16.58 % 2 deputados
comunidade da província chinesa de Fujian/interesses ligados ao Jogo

União para o Desenvolvimento: 16588 - 13.29 % 2 deputados
Associação Geral dos Operários; Tradicionalistas; Pró-Pequim

União Para o Progresso: 11985 - 9.60 por cento 2 deputados
Associação Geral dos Moradores, "Kai Fong"; Tradicionalistas; Pró-Pequim

Aliança para o Desenvolvimento de Macau: 11642 9.33 por cento 1 deputado
Interesses de Stanley Ho

Nova Esperança: 9973 7.99 % - 1 deputado
Comunidade portuguesa/macaense; trabalhadores da função pública

União Para o Bem Querer de Macau: 8515 - 6.82 % 1 deputado
Interesses empresariais

Convergência para o Desenvolvimento de Macau: 6079 4.87 %1 deputado
Interesses empresarias

Associação para a Democracia e Bem Estar de Macau: 4356 3.49 % 0 deputados
pró-democracia

Nova Juventude de Macau: 3060 2.45 % 0 deputados
Pró-Pequim

Associação de Apoio à Comunidade e Proximidade do Povo: 2941 2.36 %
Doutrina Social da Igreja Católica; Pró-democracia

Associação Visão de Macau: 1973 1.58%

União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar de Macau: 922 0.74%

Por Macau: 892 0.71 %
Comunidade Portuguesa/Macaense

Associação do Activismo para a Democracia: 654 0.52%
Radical pró-democracia

União dos Operários: 457 0.37%
Movimento operário católico; pró-democracia

Um Novo Vigor Para Macau: 448 0.36%
Profissionais liberais; pró-democracia/moderado

Associação Direitos dos Cidadãos: 191 0.15%
Pró-Pequim

Eleições Legislativas: os resultados e os eleitos I

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Site da Comissão Eleitoral

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Democratas vencem

A Associação do Novo Macau Democrático voltou a vencer as eleições legislativas, elegendo dois deputados para a Assembleia Legislativa com 23.472 votos num total de 128.830 votantes.
Pela segunda vez desde 1999, uma lista liderada por um português conseguiu eleger hoje, através de sufrágio directo, um deputado. Pereira Coutinho obteve quase 10 mil votos.

Saturday, September 24, 2005

Essencial

Para perceber a política em Macau, aconselho vivamente a leitura do trabalho de João Varela, director do jornal Hoje Macau:

Tradicionais, democratas e outsiders com trabalho feito na terra e ambições políticas legítimas, estão a ver-se confrontados com uma campanha violentíssima de outras candidaturas ligadas aos casinos, cuja legitimidade, porque muito que se ache o contrário, tem de ser abalizada pelo próprio contexto sócio-económico actual de Macau

Complementarmente será igualmente interessante passar os olhos pelos seguintes artigos:

"Perspectivas para domingo", Nuno Lima Bastos no Ponto Final
"Ng Kuok Cheong e Angela Leong podem eleger dois deputados", José Rocha Dinis no JTM
"Casino bosses tipped to win election", Luis Pereira no The Standard

Amanhã os eleitores de Macau decidem a composição de parte da futura Assembleia Legislativa. Na segunda-feira, olharemos para os resultados e analisaremos as implicações.

Thursday, September 22, 2005

Saturday, September 17, 2005

A língua portuguesa em Macau

De facto, o português só foi realmente uma língua muito utilizada em Macau nos séculos XVI e XVII quando era a língua franca do comércio na Ásia. Depois, a sua importância minguou ao ponto de hoje ser usada apenas por meia alguns milhares de pessoas. No entanto, o cenário é menos negro do que alguns previam no período imediatamente após a transição de administração. Mais: o interesse pela língua aumentou consideravelmente nos últimos dois anos. Este artigo da BBC Brasil ilustra bem como
Expansão da China pode salvar língua portuguesa em Macau.
Será apenas um wishful thinking?

Mais uma porta de entrada

para Macau. Chama-se Blogmacau.info

Friday, September 16, 2005

Macau no New York Times

Eis uma visão sobre Macau:

In Macao, Giant Pleasure Domes Are Decreed
By DAVID BARBOZA

"IT is 3 a.m. on a humid Sunday in Macao in late July, and hundreds of people, most of them Chinese, are still filing into the gigantic new Sands Macao hotel and casino, making their way up the escalator to the building's main gallery.
Under a 100,000-pound chandelier, on a carpeted floor nearly three times the size of a football field, people stand shoulder to shoulder around the baccarat tables, gambling the hours away.
Across the Avenida de Amizade, a sprawling theme park called Fisherman's Wharf is going up; the neon lights from the Sands illuminate such park features as an artificial 130-foot volcano that rises above a replica of the Roman Colosseum. (...)
No New York Times, 11-09-2005 (a subscrição é gratuíta)

Eleições Legislativas V: "Macau sã assi" *

Just 10 days before voters head to the polls, Macau's Commission Against Corruption has unearthed a massive vote-buying ring.
The commission said Thursday it has recommended prosecution of 485 people in the case - the latest and by far the biggest of a string of vote-buying cartels uncovered by investigators.

No The Standard

Será isto a ponta do iceberg?

*Expressão em Patuá - dialecto macaense de origem portuguesa com elementos do malaio e do chinês - que significa "Macau é assim".

Wednesday, September 14, 2005

A vitória de Koizumi

Confesso que não estou muito por dentro dos assuntos nipónicos. No entanto, acompanho a média-distância o que se vai passando na vida política e económica do Japão. Acerca da privatização dos Correios, percebo as reservas de Geosapiens, mas considero que esta é uma medida necessária, entre outras, para tornar a economia japonesa mais competitiva e menos agrilhoada aos lobbies e grupos de pressão que infestam o tecido económico, a começar pelo Partido Liberal Democrata de Koizumi. Num sistema transparente e em que é relevada a accountability, a privatização dos correios não trará males de maior. Mas resssalvo que estas observações são eminentemente superficiais, por isso desde já apelo aos bloguers mais entendidos nos assuntos do país do Sol Nascente para opinarem sobre assunto. Em traços gerais concordo com este editorial do New York Times, via IHT:

Japan needs postal service privatization, two-party democracy and a more constructive relationship with its neighbors and trading partners. Only the first was advanced by Sunday's election.

P.S. Na liderança de Koizumi o que me preocupa mais são os laivos nacionalistas patentes nas visitas aos túmulos de soldados acusados de crimes de guerra e o inevitável alinhamento com a política externa da Casa Branca. Mas quanto a este último aspecto, trata-se de uma aliança estrutural que se entende. Não quero com isto subscrever a nipofobia do nacionanalismo chinês, que levanta constantemente os fantasmas do passado; apenas sublinho que a reminilitarização do Japão, a par de outras potências asiáticas, pode gerar desiquilíbrios perigoso no sistema geopolítico da Ásia Oriental.

Tuesday, September 13, 2005

Eleições Legislativas IV: os portugueses

Em Macau a expressão portugueses pode ser entendida de diversas maneiras. Por um lado, os cidadãos portadores de passaporte de Portugal - o que representará cerca de 120 mil pessoas - por outro os cidadãos portadores de passaporte português que usam a língua de Camões no dia-a-dia e cujas referências culturais se encontram em Portugal - cerca de 10 mil, a maioria dos quais macaenses, ou seja pessoas com sangue português e oriental - finalmente os portugueses expatriados, ou seja oriundos da "metrópole" que serão cerca de 2 mil. Não menosprezando os direitos dos chineses de cidadania portuguesa, para este efeito temos em conta o segundo grupo, que inclui naturalmente o terceiro. Ora, tendo em conta os considerandos supracitados, existem duas candidaturas encabeçadas por portugueses, neste caso macaenses:

Nova Esperança: Encabeçada por José Pereira Coutinho, presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), esta candidatura procura seduzir não apenas o eleitorado de matriz portuguesa, mas também eleitores chineses. Prova disso é a inclusão de dois chineses no segundo e no terceiro lugar da lista. Trata-se de uma estratégia inteligente uma vez que eleitoralmente os portugueses têm muito pouco peso e que a figura de Pereira Coutinho, também conselheiro das comunidades portuguesas para a zona Ásia Pacífico, está longe de ser consensual. Há quatro anos esta candidatura obteve 4700 votos, ficando a pouco mais de 300 da eleição. Agora Coutinho não tem o arqui-rival Jorge Fão pela frente, mas a sua eleição não será mais facilitada, porque a Lista "Por Macau" de Sales Marques também pisa o terreno do eleitorado português e macaense.

Por Macau: Trata-se da candidatura com fortes ligações a vários ilustres da comunidade macanese. Prova disso é a comissão de honra recentemente apresnetada onde pontificam ilustres portugueses do território como Anabela Ritchie, ex presidented a Assembleia Legislativa, o arquitecto Carlos Marreiros ou o escritor Henrique de Senna Fernandes. Presidida por Sales Marques, ex presidente do Leal Senado, a "Por Macau" procura ir ao encontro não apenas do voto português, mas também de outras comunidades expatriadas de Macau. Nota-se igualmente uma preocupação em ter um discurso mais abrangente - daí o lema "Por Todas as comunidades" - em especial à procura do voto de alguma classe média chinesa.
No entanto, a eleição de Sales Marques para a Assembleia parece ser uma missão quase impossível.

Depois de em 2001 Jorge Fão ter sido eleito na lista de David Chow, e depois da sua recusa em voltar a ir a votos, desta vez a possibilidade da eleição de um deputado português pelo sufrágio directo afigura-se reduzida. Tudo vai depender da capacidade de cada uma destas candidaturas de mobilizar o eleitorado português, que parece estar algo alheado da vida política local, e, acima de tudo, de seduzir o eleitorado chinês. Mesmo assim a representação da comunidade portuguesa na Assembleia Legislativa estará sempre assegurada através de Leonel Alves, que vai ser eleito pelo sufrágio indirecto, e por um deputado nomeado pelo chefe do executivo.

Sunday, September 11, 2005

Eleições Legislativas em Macau III

Já começou a campanha eleitoral para as eleições legislativas da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM). 18 listas concorrem para 12 lugares que são eleitos através do sufrágio directo. Dez assentos serão apurados mediante um processo de eleição indirecto no qual intervêm as várias corporações e interesses, enquanto sete deputados serão nomeados directamente pelo chefe do executivo. Antes já aqui tinha referido quais são as listas favoritas para conseguir eleger um ou dois deputados, agora vou olhar para outras candidaturas que aparecem também com alguma força.

Aliança para o Desenvolvimento de Macau: com Angela Leong à cabeça, há fortes possibilidades desta candidatura eleger um deputado pelo menos. É que estamos a falar de uma mulher que é esposa de Stanley Ho e Administradora da STDM. E já se sabe que o "Tio Stanley não brinca em serviço".

União dos Trabalhadores dos Jogos de Fortuna e Azar: situa-se no extremo oposto da lista anterior, ou seja também representaos interesses do Jogo, mas procura ser a voz dos trabalhadores. Vai por isso lutar voto a voto opela reeleição de João Bosco Cheang que há quatro anos conseguiu ser eleito com 5170 votos, uma votação que será este ano insuficiente tendo em conta que o universo eleitoral aumentou consideravelmente.

Incógnitas:

União Geral para o bem-querer de Macau: Liderada pelo até agora deputado Fong Chi Keong que tinha sido eleitoem 2001 pelo sufrágio indirecto representando os interesses assistenciais, culturais, educacionais e desportivos, esta candidatura joga nesta eleições a notoriedade do seu líder. Fong Chi Keong destacou-se na última legislatura com declarações de defesa cega dos interesses empresariais, chegando a ter intervenções de fraquíssima qualidade, em especial na oposição que fez à proposta de Lei Sindical.

Dr. Fong Um Novo Vigor de Macau: como o próprio nome indica trata-se de uma lista unipessoal em torno de um médico que tem um instituto de sondagens. Apesar de ter um discurso ambíguo, Fong Man Tat poderá beneficiar de ter aparecido regularmente nos media à custa dessas sondagens. Será que isso suficiente?

Num próximo post prestaremos atenção às listas encabeçadas por portugueses.
Entretanto, para saber mais sobre cada uma das candidaturas pode ouvir aqui um programa especial da Rádio Macau sobre as eleições legislativas na RAEM.

Tuesday, September 06, 2005

Democracia na China?

Escreve o The Sun:
"TONY Blair’s mission to Asia was boosted last night when China’s premier Wen Jiabao vowed his country WILL become a democracy.Mr Blair was visibly shocked when Wen publicly promised the world’s largest country is heading for a peaceful revolution.The Chinese PM said free votes for all in the communist superpower are on their way."

Democracia Liberal, socialista, popular, orgânica ou tudo isto misturado, mas claro, com características chinesas?

China-UE: vamos de Airbus...

Um dia depois do acordo sobre os têxteis, a amizade sino-europeia foi brindada com a compra de 10 novos Airbus pela "China Southern Airlines".

Portugal (des) orientado II

Caro Geosapiens,
Aprecio a tua participação e contribuição para os debates lançados neste blogue. No comentário que fazes ao post "Portugal (des) orientado", observas duas razões relevantes que justificam parcialmente esta presença minguada de Lisboa nos assuntos sínicos.
No entanto, não concordo que "à China não lhe interessa mesmo, que haja uma memória da passagem portuguesa por esses bandas...tem a ver com o orgulho nacional que as suas elites tem em relação a esse assunto". Pelo menos a avaliar pelos primeiros cinco anos e meio da administração chinesa de Macau, por um lado, Pequim lançou aqui o "Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa", que apesar de ter muito mais a a ver com os interesses chineses na África Lusófona do que no papel de Portugal, não deixa de politicamente ser um sinal da importância de Macau como um território em que o português é língua oficial, por outro lado há uma preocupação coma preservação do património, desde a expansão da "calçada portuguesa" nos passeios de Macau, até à valorização da herança portuguesa na candidatura aprovada a património mundial da Humanidade. Por fim, há que enquadrar as conclusões de Moisés Silva Fernandes numa altura em que sobressaiam os receios que as autoridades da RAEM pretendessem desvanecer a presença portuguesa aqui.

Felizmente, pelo menos até ao momento, isso não tem acontecido. As sensibilidades referidas, os sectores mais tradicionalistas e "nacionalistas", não conseguiram impor essa tentação de, em poucos anos, apagar com uma borracha os quatro séculos de presença portuguesa. Isto não quer dizer que não haja uma linha, mais em Macau que em Pequim, que gostasse de o fazer. Daí que observe que Portugal avaliou mal o que poderia ser Macau no futuro, encarando a transição meramente como um alívio. Sem dúvida que foi, mas virar as costas às oportunidades que existem aqui e desbaratar as potencialidades não tanto de Macau, mas de toda a zona do Delta do Rio das Pérolas não me parece que seja uma atitude ajuizada. E isto acontece não apenas ao nível do Palácio das Necessidades ou de São Bento, mas sobretudo no sector privado como foi exemplo a recente venda do BCM a um grupo bancário de Hong Kong porque a Administração do BCP considerava este banco um "activo não estratégico". Sim, há limitações, mas julgo que elas têm a ver mais com as contingências da "Ocidental Praia Lusitana" do que de impedimentos da "Flor de Lótus" ou do "País do Meio".

Do ponto de vista empresarial, ou seja de capacidade e possibilidades de investimento na China, há sempre que ter em mente que provavelmente, hámuito poucas empresas portuguesas com fôlego para avançar com o capital necessário para investir na China. A solução, como a PT já fez, está em encontrar parceiros locais (o que não é fácil) para investir em "nichos de mercado". Exemplo disso foi o recente acordo para um investimento numa rede de telecomunicações de frotas de camiões de carga. O sector vinícola e corticeiro também se está a mexer. Mas não deixa de ser pouco, especialmente tendo em conta que fomos os primeiros ocidentais a chegar para fazer comércio com o Oriente e os últimos a entregar uma "colónia".

Acordo China-União Europeia

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Mais uma vez os laços políticos e os interesses económicos mútuos prevaleceram nas negociações sobre as toneladas de produtos têxteis chineses que estavam retidos nas alfândegas europeias. Resta saber se não vai ser necessário um novo acordo dentro de alguns meses... Trata-se de uma boa notícia para os importadores e para os distribuidores. Já os produtores, em especial os portugueses, não pensarão o mesmo. Mesmo admitindo que a China joga com armas menos éticas no comércio internacional de têxteis (e não só), qualquer ímpeto proteccionista afigura-se apenas como um paliativo para adiar o inevitável: o fim total das quotas, sem quaisquer medidas restritivas, nem limitações quer na fonte, quer á chegada a partir de 2007. Tudo isto tinha sido preparado desde o Uruguay Round, já lá vão mais de dez anos. É claro que a "destruição do aparelho produtivo" é muito preocupante para Portugal. Mas as empresas têxteis deviam ter-se preparado para este cenário. Agora talvez seja demasiado tarde. Mesmo assim há casos de excepção de companhias que estao a conseguir criar marcas no mercado internacional. Por fim, a China é muito mais que uma ameaça; trata-se como sabemos igualmente de uma janela de oportunidades. Mas desenganem-se aqueles que julgam que entrar no mercado chinês é como "faca a cortar manteiga"; é preciso estratégia. E, infelizmente, na generalidade as empresas de Portugal, país que esteve deste lado do mundo durante mais de 400 anos, carecem dessa mais valia. De qualquer modo, saliento que é uma assunto delicado que não se compadece nem com proteccionismos fora de prazo nem com profissões de fé cegas num (im) perfeito comércio livre internacional.

Thursday, September 01, 2005

Portugal (des) orientado

Não é novidade a falta de visão estartégica de Lisboa para este lado do mundo. Quanto a esta estranha ausência do primeiro país europeu a fazer comércio com o extremo oriente, Arnaldo Gonçalves, professor no Instituto Politécnico de Macau e especialista em Relações Internacionais, é claro:
"
“Ásia não é prioridade” para o Governo Português"
"“Quando mudou a soberania de Macau, para o Governo e o Presidente da República Portuguesa foi um grande suspiro de alívio, foi mais uma pedra colocada num problema”

No Jornal Tribuna de Macau

Entretanto, enquanto navegava perdido nas buscas do Google encontrei um contributo muito intressante para o entendimento das relações luso-chinesas e do papel de Macau depois de 1999.

Tuesday, August 30, 2005

Eleições Legislativas II

Caro Geosapiens,
Obrigado pela questão pertinente. Assim a olho nú, diria que há quatro listas que muito provavelmente vão eleger deputados:

Associação Novo Macau Democrático: liderada pelo activista Ng Kuok Cheong, é a única associação que exige o sufrágio directo e universal imediato. Com um estilo populista e próximo das causas sociais, a ANMD poderá conquistar um terceiro deputado que lhe escapou há 4 anos, altura em que venceu as eleições legislativas de Macau.

União Para o Desenvolvimento: é a candidatura da influente União Geral de Trabalhadores. Na legislatura que termina agora, a líder Kwang Tsui Hang teve um papel de destaque ao chamar a a etnção para os graves problemas laborais numa RAEM em que o crescimento económica só beneficia alguns. Sendo pró-Pequim e alinhada com o governo, trata-se de uma voz crítica que é acarinhada pela população. Deverá eleger dois deputados, não sendo impossível chegar ao terceiro, mas a concorrência é mais que muita.

União Promotora para o Progresso: encabeçada pelo deputado Leong Heng Teng, esta é a candidatura de outra associação tradicional chinesa: A União Geral das Associações dos Moradores. Tem uma rede de apoio muito cimentada, por isso terá condições para eleger dois deputados.

Convergência para o Desenvolvimento de Macau: É a lista d David Chow o carismático empresário ligado ao jogo e ao turismo. Já sem o português Jorge Fão na lista, Chow fará valer os contactos que tem junto de vários grupos. Mas não será fácil eleger de novo dois deputados. A nº 3 da lista é a enfermeira portuguesa (macaense) Mónica Assis Cordeiro.

Brevemente vamos analisar outras candidaturas que poder ser as surpresas deste ano e também as duas listas encabeçadas por portugueses. Entretanto os interessados podem espreitar este edital.

Direitos Humanos?

No dia em que o ministro chinês dos negócios estrangeiros afirmou que "cada país tem o direito de escolher a sua própria via de promover os direitos do Homem (Ó) Não existe um padrão único", afirmando que tendo em conta que dois terços dos chineses aidna vivem no limiar da pobreza, "Nessas condições, não temos outra escolha a não ser considerar o desenvolvimento económico, social e cultural como a prioridade", o O Banco de Desenvolvimento Asiático (BAD) divulgou que 621 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia na zona Ásia Pacífico (menos 300 milhões que em 1990), sublinhando que "o enorme sucesso obtido em toda a região nos últimos anos é resultado de uma forte redução da pobreza na China".

Relações China-União Europeia: multipolar ou multilateral

Benita Ferero-Waldner :
As global players, China and the EU are obviously interested in the nature of global politics in the 21st century. Some have talked of building a “multipolar world”. For the EU, however, it is not the number of poles which counts, but rather the basis on which they operate. Our vision is a world governed by rules created and monitored by multilateral institutions. And I know China shares this approach.

Thursday, August 25, 2005

Especificidades de Macau: Eleições Legislativas

Eleições para a Assembleia Legislativa:
Listas candidatas

1- Por Macau
2- Novo Vigor de Macau
3- Associação Novo Macau Democrático
4- Associação de Activismo para a Democracia
5-Nova Juventude Macau
6- União Promotora do Progresso
7- União Promotora para o Progresso
8- União Geral para o Bem-querer de Macau
9- Aliança para o Desenvovimento de Macau
10- Associação Pela Democracia e Bem-estar Social de Macau
11- Associação Visão de Macau
12- União dos Trabalhadores da Indústria de Jogos de Fortuna e Azar de Macau
13- Convergência para o Desenvolvimento de Macau
14- União Para o Desenvolvimento
15- Associação de Apoio á Comunidade e Pproximidade do Povo
16- Nova Esperança
17- Associação Direitos dos Cidadãos
18- Associação dos Cidadãos Unidos de Macau

Notas:
As eleiçõe sestão marcadas para 25 de Setembro
Apenas 12 dos 29 deputados são eleitos directamente a partir desas listas
Em Macau não existem partidos políticos; apenas associações

Tuesday, August 23, 2005

Coimbra em chamas

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Acordo às 5.40 da manhã. Vagarosamente vou tomado o pequeno almoço enquanto espreito a BBC World para saber as últimas do mundo. Depois do Iraque, da Faixa de Gaza vejo a minha cidade rodeada por chamas que me consomem a esperança. Ao longe, a 11 mil quilómetros, aperta-se o nó na garganta. Todos os anos é assim, mas tem mesmo que ser?

números da econmia à Beira-China

1- As receitas públicas de Macau estão a subir 22,1 por cento nos primeiros sete meses do ano para cerca de 1.247 milhões de euros (12.474,4 milhões de patacas) traduzindo uma execução de 57,7 por cento.

2- O índice de preços no consumidor em Macau aumentou 3,69 por cento entre Janeiro e Julho deste ano quando comparado com o período homólogo de 2004, revelaram hoje os serviços de estatística e censos do governo da Região.

3-Macau acolheu nos primeiros sete meses deste ano 10,6 milhões de pessoas, o que traduz um aumento de 14,4 por cento face ao período homólogo do ano anterior, revelaram os Serviços de Estatística e Censos.
Dados estatísticos oficiais indicam que entre Janeiro e Julho entraram em Macau 10.589.047 pessoas, mais 14,4 por cento do que nos primeiros sete meses de 2004.

4-O volume total estimado dos negócios do comércio a retalho em Macau aumentou 19 por cento no primeiro semestre deste ano para 425 milhões de euros (4.250 milhões de patacas), referem as estatísticas oficiais.

Tuesday, August 16, 2005

O estado em que se encontra este blogue

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Macau vista do Farol da Guia, Janeiro de 2005.

Ao contrário do que acontece nesta altura do ano um pouco pela blogosfera, não é por ausência para férias que O Sínico tem andado menos regular. É precisamente pelo contrário: pela carga de tarefas que se abate sobre o vosso humilde blogador. Mesmo assim, há tempo para ir lendo alguns artigos que suscitam o interesse dos que gostam de espreitar para este lado do mundo:

Stocks or real estate for China's middle class?, By Min Xu

China's leaders begin a crucial debate, Eric Teo Chu Cheow

Thursday, August 11, 2005

Senhor Presidente

"As a professional journalist, he has demonstrated concerns for and written many reports on the development and unification of China"

"We are shocked and concerned to learn of the recent detainment of Mr. Ching Cheong in the Mainland. We sincerely hope that in handling this case, full and impartial consideration would be given to his track record of love for and contributions to China, including Hong Kong"

Carta de um grupo de ex colegas de Faculdade de Ching Cheong dirigida ao Presidente da China devido á detenção deste jornalista, acusado pelas autoridades chinesas de espionagem.

Negócios da e na China

1. O gigante norte americano da Internet, Yahoo está em negociações para a compra de uma participação na Alibaba.com, empresa chinesa de comércio electrónico . De acordo com a agência Xinhua as conversações estão quase concluídas. A YAHOO deverá adquirir 35 por cento da Alibaba.com por quase mil milhões de dóalres, cerca de 8 mil milhões de patacas.

2. Ainda nos negócios da China, mas em sentido contrário, A Companhia chinesa Huawei Technologies pode estar perto de comprar o gigante inglês das telecomiunicações, Marconi.
Apesar das especulações, a Maarconi já emitiu um comunicado em que revela que as negociações estão apenas numa fase preliminar.
Caso se confirme este negócio será a segunda grande aquisição de uma grande multinacuoanl por parte de uma companhia chinesa, depois da Lenovo ter adquirido a unidade de computadores pessoais da IBM.
Neste caso, a Huawei é o maior fabricande de queipamentos de telecomunicações da China e já tem acordos de distribuição e de investigação e tecnologia com a Marconi.

3. O Porto Xangai registou em julho um volume record de movimento de mercadorias, atngindo cerca de 40 milhões de toneladas, um valor que representa mais 14 por cento que no memso mês do ano passado.
A Administração do Porto da capital económica da China explicou ao jornal China Daily que este aumento deve-se à recente valorização do yuan e ao crecsimento da economia do Delta do Rio YangTzé.

Tuesday, August 09, 2005

Koizumi joga tudo

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O primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi, anunciou hoje que vai dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas.
A decisão surgiu na sequência do chumbo, pelo Senado, de uma proposta de privatização do serviço de correios.

Friday, August 05, 2005

Macau Connection

Interessante este post de Paulo Gorjão. Macau guarda muitos segredos desses tempos, entre 1985 e 1999: histórias caricatas, negócios, obras públicas, diálogo de culturas, humidade e outros contos de "Fim de Império". É curioso verificar que quase, senão todos, os nomes referidos que fizeram parte do Governo e de altos cargos da Administração portuguesa em Macau (Carlos Melancia, Murteira Nabo, Jorge Coelho, Alberto Costa, António Vitorino, Eduardo Cabrita, Vitalino Canas, Carlos Monjardino, Maria de Belém Roseira, Alexandre Rosa, Carlos Santos Ferreira) transitaram em 1995 para o governo de António Guterres. Verdade seja dita, nos últimos 15 anos da presença portuguesa foram edificadas várias infraestruturas fundamentais para o desenolvimento da agora Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), incluindo o Aeroporto Internacional de Macau. Mas, reconhecendo a utilidade desses empreendimentos, estas empreitadas terão sido, por vezes, envoltas nalgum nevoeiro (daquele que se faz sentir na altura do "capacete"). Uma vez que cheguei depois da transição apenas posso entreter-me a ouvir as inúmeras histórias. Algumas das quais com os políticos supra-referidos como protagonistas. São os "Contos de Embalar de Fim de Império". Um dia, sei que algumas pessoas quererão registar essa parte rica, literalmente, da História da presença portuguesa aqui. Mas não se pense que apenas estiveram por cá personagens ligadas ao Partido de Mário Soares. Aqui muitos outros serviram e serviram-se.

BCM vendido II

É certo que desde sempre as empresas portugueses estiveram a leste (geograficamente demasiado a oeste) das oportunidades que a China oferece. A aposta empresarial de Portugal em Macau e na China, tão propalada nos anos anteriores à transição de administração, acabou por ser para inglês ver e chinês ouvir. A venda do BCM ao grupo Dah Sing Banking de Hong Kong enquadra-se neste cenário desolador. É certo que logo a seguir ao dia 20 de Dezembro de 1999, o BCP estava a planear “ver-se livre” deste peso que é ter um Banco com 50 mil clientes numa Região Administrativa Especial da China. Mas porque é que ter um banco que dá algum lucro (6.4 milhões de euros, talvez peanuts em termos de banca) e que opera à beira-China (numa Região Administrativa Especial) é considerado algo de “não estratégico”? Segredos Orientais?
Percebe-se que o negócio é bom; que entrar no mercado da China continental é complicado e inexequível para um banco português, mesmo coma dimensão do BCP e que agora o maior banco privado de Portugal está a virar-se para o mercado da Europa de leste. Mesmo assim, considerar o BCM um activo não estratégico faz-me confusão. Alguém pode dizer uma palavrinha sobre isto?