Wednesday, January 11, 2006

Três Pilares da Estabilidade II

"Provavelmente, a prioridade de topo – e o desafio mais difícil – é desenvolver uma economia de consumo doméstica estável e saudável que absorva a produção excedentária e reduzir o superavit comercial.
Isso levanta o grande dilema a Wen Jiabao: como será implementado este ajustamento?
O seu antecedente, Zhu Rongji, desenvolveu um “sistema de macro-controlo” em que os instrumentos do planeamento do estado poderia ser utilizado para ajustar o mercado. Mas o poder do planeamento central tem dado lugar às forças de mercado , deixando Pequim crescentemente sem mecanismos para dirigir e controlar o mercado. Muitos dos ministérios que um dia tiveram a autoridade para controlar vários sectores já não existem. E as autoridades locais já não seguem as linhas orientadores do governo central.
Wen tem estado a falar sobre a tentativa de reinstalar o sistema de macro-controlo. A chave desta ideia é transferir fundos públicos dos projectos de infrastruturas de grande envergadura para outro tipo de investimentos como a educação, a segurança social e os cuidados médicos.
Durante os anos da reforma do final dos anos noventa e início do século XXI, estes três sectores foram subitamente comercializados e os fundos governamentais foram retirados em muitos casos. Hoje prestam serviços desiguais – apenas disponíveis para quem os possa pagar – deixando a maior parte da populaçãi sem acesso a uma condigna educação ou cuidados médicos.
Estes sectores são cruciais para o futuro da China, tanto que se têm tornado imagem de marca do discurso dos responsáveis políticos. Estes três pilares de serviços sociais aos cidadãos são vitais para a concertização do projecto de Wen Jiabao de ajustamento económico estrutural.
Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode cosumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".

Laurence Brahm, South China Moring Post, 10-01-2006.
Tradução e adaptação de JCM.

Learning Chinese

China's latest export: Language - I.H.T.

Tuesday, January 10, 2006

Uma visita (pouco) secreta

North Korea's reclusive leader Kim Jong-Il is reportedly in China on a low-key visit.
A South Korean news agency has reported that Mr Kim crossed the border into China early this morning.

Três Pilares da Estabilidade

Laurence Brahm

No South China Moring Post, 10-01-2006*

"No ano passado, a China recebeu um aviso veemente que estaria em marcha uma potencial crise de energia, financeira e ao nível da segurança social. A chamada de atenção veio de uma fonte no mínimo respeitável - um instituto de investigação multi-ministerial presidido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao. À primeira vista, podemos esperar um ano 2006 positivo para a China continental. A economia deverá registar um contínuo e elevado crescimento económico e uma inflacção baixa. Contudo, debaixo desta superfície, 2006 poderá ser um ano de teste à capacidade da economia e ao ritmo da implementação das reformas. Este ano é o quinto desde que a China se juntou à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que significa que muitos dos compromissos decorrentes desta adesão ainda não foram postos em prática. Algumas indústrias terão, subitamente, que competir com as importações, enquanto as tarifas alfandegárias vão diminuindo; o pano vai subir para a entrada em palco dos serviços financeiros estrangeiros; e vários outros sectores serão forçados a abrir as portas a capitais privados e estrangeiros. As pressões externas vão continuar: os preços do petróleo dificilmente diminuirão – podem mesmo aumentar ao longo do ano juntamente com os preços de outras commodities. Por todo o mundo poderão rebentar “bolhas de propriedade”, o que será um teste para a robustez do sector imobiliário da China. Os decisores estão a poderá como conduzir a China para um ritmo mais estável e equibilibrado de crescimento. O período de hiper-crescimento começou em 1992, quando a China ainda não podia produzir todas as mercadorias e bens básicos necessários ao seu mercado de consumo doméstico. Catorze anos depois, virtualmente, todos os sectores da economia estão em sobre-produção, fazendo da China a maior economia de exportação do mundo. É acusada, um pouco por todo o mundo, de fazer dumping e está a ser alvo de vários processo legais na Europa e nos Estados Unidos. Claramente para os decisores políticos de Pequim é tempo de fazer alguns ajustamentos estruturais a este modelo económico.".

(continua)
*traduzido e adaptado por JCM.

África Nossa

CNOOC in!

Sunday, January 08, 2006

Evo Morales na China

O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, iniciou hoje uma visita à China onde declarou ser um admirador de Mao Tsetung e da sua "revolução proletária" e incentivou as empresas chinesas a investirem em sectores-chave da economia boliviana (...) "Foram convidadas as empresas chinesas, seguindo os regulamentos bolivianos, a entrarem em sectores como a energia, a indústria mineira ou a agricultura" Lusa

1. Como é que seria uma Grandiosa Revolução Cultural proletária na Bolívia de Morales?

2. Não é só em África que a China está a encontrar terreno fértil para investir e para fortalecer a cooperação em especial ao nível dos recursos energéticos e minerais. A América Latina distancia-se cada vez mais da dependência de Washington abraçando o "jogo de soma positiva para ambas as partes" de Pequim. E há vários exemplos.

Agora Não

Estamos a mudar a nossa capital. Venham mais tarde...

Saturday, January 07, 2006

O Sexto Poder e o Quinto Elemento

Um estudo da autoria de Wang Ling da Academia Chinesa de Ciências Sociais coloca a China no sexto lugar numa lista dos maiores poderes do mundo. a Lista é a seguinte:

1-EUA
2-Reino Unido
3-Rússia
4-França
5-Alemanha
6-China

Os critérios utlizados foram

  • poder militar
  • poderio económico
  • capacidade diplomática
  • recursos energéticos
Então e o soft power? Perguntem a Joseph S. Nye.

Galileo: this is just the beginning

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O Satélite Giove-A

Já foi lançado o primeiro satélite do Galileo, o sistema global de navegação e posicionamento da União Europeia que surge como alternativa ao GPS norte-americano. Sendo apresentado pela Comissão Europeia e pela ESA como um projecto meramente civil, será certamente um instrumento e um activo estratégico numa (eventual) Política Externa e de Segurança Comum e de Uma Política Europeia de Defesa e Segurança. Isto para além dos spin-offs que um programa de alta tecnologia deste tipo gera, ao nível da transferência de tecnologia do campo militar para o civil e das potencialidades que permite um sistema de poscionamento de alta precisão -como é apresentado - para a sociedade ao nível dos transportes marítimos, terrestres, aéreos, protecção civil, sector financeiro, agricultura ou pescas. Apesar de ter sido já assinado um acordo de interoperabilidade entre Bruxelas e Washington com vista a evitar eventuais conflitos na emissão de sinais do GPS e do Galileo, os norte-americanos nunca viram com bons olhos este projecto. Em especial porque a China é o principal parceiro externo da UE temendo que Pequim possa beneficiar da transferência de tecnologia e ter acesso aos códigos encriptados miliatres de precisão extrema.

Thursday, January 05, 2006

Recursos energéticos na Ásia Central: EUA-China

Enquanto na Europa se discutem a implicações do conflito energético russo-ucraniano acerca do transporte e fornecimento de gás natural, na Ásia Central as reservas do Mar Cáspio são alvo de forte competição entre a China e os Estados Unidos. Ao passo que os EUA inauguraram o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, Pequim apostou no oleoduto que vem do Cazaquistão até ao Nordeste chinês.
O Asia Times publica este artigo bastante interessante sobre o "grande xadrez energético" na Ásia Central.
Para mais desenvolvimentos sobre este assunto, ler

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.

Sínico tem estado a publicar uma série de textos sobre as políticas da UE e da China para a Ásia Central.

Wednesday, January 04, 2006

China-Lusofonia

As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa cresceram 25,9 por cento nos primeiros sete meses de 2005 com Angola e Brasil a assumirem a responsabilidade de 93,5 por cento da compra e venda de produtos.
Dados estatísticos hoje divulgados pela Rádio Macau indicam que entre a China e os Países de Língua Portuguesa, exceptuando São Tomé e Príncipe, o valor das trocas comerciais atingiu os 12.146 milhões de dólares americanos referentes a 3.366 milhões de dólares de vendas chinesas e 8.780 milhões de dólares em exportações dos países de língua portuguesa.
(Lusa)

Monday, January 02, 2006

Mensagens e Sinais para 2006

A mensagem de ano novo do presidente da China Hu Jintao centrou-se na questão ambiental que tantos problemas esta a criar ao país. O chefe de estado chinês garantiu que Pequim vai concentrar esforços para a criação de uma sociedade baseada na eficiência energética e na protecção ambiental. Além disso, Hu Jintao disse que o governo central vai expandir a "democracia socialista", promover o "progresso ideológico e ético" e a reforma no sector cultural. Tudo para atingir a harmonia social e o desenvolvimento pacífico. Do outro lado do estreito, o discurso foi diferente. O líder de Taiwan Chen Shui Bian endureceu o discurso e disse que quer fazer avançar uma nova constituição e prometeu continuar a reforçar o armamento do exército da Formosa. Na mensagem de ano novo, Chen afirmou que quer que Taiwan tenha um novo texto fundamental em 2008 que permita aos cidadãos da ilha terem a palavra sobre uma eventual independência. O líder do governo de Taipé argumentou que as pessoas de Taiwan em 2007 terão a maturidade para decidir o que fazer num referendo sobre uma nova constituição. Esta declaração deverá provocar uma reacção negativa em Pequim com quem Chen Shui Bian tem uma relação conflituosa desde que em 2000 assumiu a chefia do governo de Taiwan com o Partido Democrático Progressista que tem um discurso pró-independência. Noutro sentido, O primeiro-ministro indiano anunciou que pretende reforçar os laços com a China e exultou Pequim a dar um passo no mesmo sentido. Na mensagem de ano novo endereçada ao chefe de estado chinês, Manmohan Singh afirmou que o ano 2006 deve ser marcado por uma relação de maior proximidade entre os dois países mais populosos do mundo.

A Fresh 2006

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a glimpse of my village...

Tuesday, December 20, 2005

o Sínico regressa às origens

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Até 31 de Dezembro.
Os votos de Um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, que é como quem diz:
聖誕快樂! (sheng dan kuai le)
新年快樂! (xin nian kuai le)

Monday, December 19, 2005

Cimeira da OMC VI

Copo meio vazio...

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Celso Amorim, ministro brasileiro dos negócios estrangeiros, foi uma das grandes estrelas da cimeira. Foi o pota-voz e o líder do G20.
No último dia, numa frase, resumia o valor do documento e das negociações de Hong Kong
"modesto , mas não insignificante".


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Mucha Policía Poca Diversíon!
À uma da tarde havia um mar de polícias que cercava umas dezenas de sul coreanos. Na madrugada de Sábado para Domingo 900 manifestantes, na maioria da Liga de Agricultores da Coreia do Sul, foram detidos, quando estavam sentados na estrada, obstruindo a circulação automóvel. Várias ONGs acusaram a polícia de Hong Kong de abusos de poder e de não terem tratado dignamente os sul coreanos.
Certo é que apesar do espectáculo televisivo com os empurrões, bastonadas, gás-pimenta, canhões de água e dos 70 feridos, se compararmos estas manifestações com Seatle ou Génova, bem que podemos dizer que os sul-coreanos são meninos do coro comprado com os radicais europeus e norte americanos que têm por hábito partir vidros de lojas e queimar carros (uma pequena minoria faz isto, eu sei). Os sul-coreanos não destruiram nada, apenas se atiraram à polícia. Honra lhes seja feita!


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Este é um clássico. Ou será que foi só para a fotografia?

Ligações sobre a Cimeira da OMC:

All-night session saved WTO talks, IHT

It's a deal, The Standard.

6th WTO Ministerial Conference concludes with tangible progress, Xinhua

A Declaração Ministerial de Hong Kong

Sunday, December 18, 2005

Saturday, December 17, 2005

Cimeira da OMC em Hong Kong IV

Não ata nem desata:

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Peter Onde é que eu me vim meter Mandelson.

"WTO shows that democracy can be a messy thing", Donald Greenlees no International Herald Tribune.

"Les pays du Sud mobilisés à 110 %", Pierre Haski no Liberation.

"Talks go on all night to avert failure", The Standart.

Amanhã lá estarei de novo...

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Leituras Natalícias II

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Trata-se de um lvro denso e um pouco desactualizado. Mesmo assim, é muito útil para quem pretende começar a entrar no complexo edifício da organização político-institucional do estado chinês.