Monday, January 23, 2006

Aniversário

Há um ano o Sínico dava os primeiros passos. A todos os que por cá passaram, muito obrigado.

Friday, January 20, 2006

Ainda Zheng He e o Império do Meio

A expedição de Zheng He em 1433 foi a última e três anos mais tarde um édito imperial baniu a construção de navios de longo curso. Apesar de todo o empreendimento realizado pelo general eunuco muçulmano de etnia hui, a China virou as costas ao mundo. Porquê?
Como seria de esperar não existe apenas um ou dois motivos para que isto tenha acontecido.
Paul Kennedy em "The Rise and Fall of Great Powers" considera que:

(...) There was, to be sure a plausible strategical reason for this decision. The northern frontiers of the empire were again under some pressure from the Mongols and it may have seemed prudent to concentrate military resources in the most vulnerable area. Under such circumstances a large navy was an expensive luxury (...).
a key element in China's retreat was the sheer conservatism of the Confician bureaucracy (...) In this "Restoration" atmosphere , the all important oficialdom was concerned to preserve and recapture the past, not to creat a brighter future based upon overseas expansion and commerce. According to the Confucian code, warfare itself was a deplorable activity (...) Foreign trade by Chinese subjects must have seemed even more dubious to mandarin eyes, simply because it was less under their control.

Paul Kennedy, The Rise and Fall of Great Powers, Vintage Books, New York, 1989, p.7

Thursday, January 19, 2006

Império do Meio

A propósito dos interssantes comentários de Bruno Santos, e da questão lançada por A.tlon - "Interessa-me sobretudo procurar compreender o que levou a China a fechar-se novamente sobre si numa altura em que começava a ter o mundo desenhado em cima dos joelhos" - em "A Riqueza e a Pobreza das Nações", David Landes cita uma declaração do imperador K'ang Hsi, da dinastia Qing, a partir de uma passagem do livro "Emperor of China" de Jonathan Spence:

"(...) muito embora alguns dos métodos ocidentais sejam diferentes dos nossos e possam até representar um aperfeiçoamento, pouco existe neles que seja novo. Os princípios de matemática derivam todos do Livro das Mudanças (I Ching) e os seus métodos ocidentais são chinese na origem".

David Lands, A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva, Lisboa, 2002, p.380

No mesmo livro (p.377), numa alusão ao período anterior aos Qing, a dinastia Ming, David Landes escreve: "O progresso teria desafiado confortáveis ortodoxias e acarretado a insubordinação; o mesmo ponto de vista em relação a conhecimentos e ideias importados. Com efeito, o que havia para aprender?"

Já mais de mil anos antes, tal como Bruno Santos lembra, o Imperador Han Huan Ti, dinastia Han, tinha mandado queimar quase todos os classicos, poupando o I Ching.

Tuesday, January 17, 2006

Amado na China II

Na sequência da decisão de Pequim de elevar o estatuto de Portugal para parceiro estratégico, Portugal e a China decidiram criar uma comissão conjunta para tratar dos assuntos militares e de defesa. Este é o primeiro resultado da visita de Luís Amado à China. O tipo de cooperação, no entanto não é especificado. Certo é que Lisboa apoia de forma veemente o fim do embargo à venda de armas da União Europeia à China...

Is there anything behind the curtain?

A Agência Xinhua fala assim desta visita:

"China is ready to work with Portugal on developing multi-level and multi-dimension relations between the two armed forces, Chinese Defense Minister Cao Gangchuan said here Monday.
In a meeting with his Portuguese counterpart Luis Amado, Cao said frequent exchange of high-level visits and deepening cooperation between the two countries in various fields contributed a lot to the smooth development of state-to-state relations in recent years.
As a key component of the overall relationship between China and Portugal, relations between the two armed forces have kept moving forward, said Cao, adding that the People's Liberation Army attaches importance to enhancing friendly cooperation with the Portuguese armed forces.
Cao also briefed the guest on China's views on major international or regional issues and China's economic and social development.
He reiterated China's principles and stance on the Taiwan issue.
Amado said Portugal is looking forward to closer cooperation with China in wider areas, and will make joint efforts with China to cement relations between the two nations and armed forces, so as to contribute to world peace and stability."

As faces da História

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A propósito do comentário do Nic, - "basta olhar para Macau e ver como a historia reza do outro lado das portas do cerco!" - recordo aqui declarações do historiador Geoffrey Gunn:

"Está a dizer que estão a rescrever a História?
Já reescreveram, já foi feito. E devem ter estado a trabalhar nisso desde altura em que publiquei o livro [em 1996] e a prepararem-se para a hora da transição. Em 1999, havia duas "Histórias da China", impressas em Xangai e Hong Kong, que usaram documentos do Partido Comunista para escrever estas versões patrióticas da História. Encontram-se à venda em todas as livrarias aqui de Macau, da autoria de historiadores do continente que as publicaram em 1999. E estes são os livros que as pessoas de Macau lêem, ninguém lê o meu livro." Ler a entrevista aqui.

Do lado português existe também naturalmente uma certa versão nacionalista do Império benigno lusitano.
Quanto à questão da "descoberta" da América por Zheng He, é preciso primeiro ler so livro de Gavin Menzies e outros documentos.

Monday, January 16, 2006

Qual Álvares Cabral, qual quê!?

"Uma cópia do século XVIII de um mapa chinês do mundo desenhado em 1418, hoje revelado em Pequim, mostra que os chineses terão chegado ao Brasil antes dos portugueses.
Os chineses terão ainda descoberto o caminho para a Índia antes de Vasco da Gama e chegado à América antes de Colombo, segundo o mapa, datado de 1763 e cópia de um outro que terá sido desenhado décadas antes de Bartolomeu Dias dobrar o cabo da Boa Esperança, em 1487.". Lusa

Acumulação Sofisticada de Capital

Será que a China está a acumular em demasia reservas em divisas estrangeiras (entenda-se, dólares)?

Sunday, January 15, 2006

Mais protestos

Começam a ser conhecidos cada vez mais casos de protestos violentos que envolvem camponeses e as autoridades por causa de disputas em relação à cedência de terras a fábricas e à alegada falta de compensações codignas. A BBC relata aqui o caso de Sanjiao.

Afinal, Ele

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está mesmo por cá...

Leituras Dominicais


Olhares sobre os graves problemas ambientais na China:

1. China's Pollution and the Threat to Domestic and Regional Stability, Z Net

2. Will China Face an Environmental Meltdown?, Elizabeth Economy na Globalist.

Thursday, January 12, 2006

China Africana

Ler "China's African Policy", o documento oficial da China para África.
Depois de em 2003 Pequim ter emitido "China's EU Policy Paper", Pequim sistematiza os princípios orientadores para África, colocando num paper o que tem vindo a dizer e em especial a fazer nestes últimos anos em África. Tudo isto deve ser entendido num contexto mais abrangente da nova estratégia da China para as relações internacionais após a queda do muro de Berlim e os incidentes de Tianamen juntamente com os princípios delineados por Deng Xiaping de uma política externa independente e acerca da cooperação "Sul-Sul" e fudamentalmente tendo em conta as necessidades ao nível de recursos energéticos, minerais e de matérias primas de uma economia que cresce ininterruptamente a um nível próximo dos 10 por cento há 25 anos. Estes e outros factores devem ser tidos em conta. Voltaremos a este assunto, com frequência.
Numa primeira leitura do documento não posso deixar de destacar as segintes passagens:

"China is willing to negotiate Free Trade Agreement (FTA) with African countries and African regional organizations"

"Efforts will be made to strengthen technology and management cooperation, focusing on the capacity-building of African nations"

"The Chinese Government facilitates information sharing and cooperation with Africa in resources areas. It encourages and supports competent Chinese enterprises to cooperate with African nations in various ways on the basis of the principle of mutual benefit and common development, to develop and exploit rationally their resources"

"will continue its training programs in applied technologies for African countries, carry out demonstration programs of technical assistance, and actively help disseminate and utilize Chinese scientific and technological achievements and advanced technologies applicable in Africa. "

China Lusófona II

A política chinesa para os países africanos de língua portuguesa é "mutuamente benéfica", disse hoje o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros chinês durante a primeira apresentação pública da política da China para África.

China Lusófona

O chefe da diplomacia chinesa esteve em Cabo Verde para uma visita com vista ao regorço da cooperação entre os dois países. Desde logo, Li Zhaoxing prometeu um aumento do investimento chinês no arquipélago - o que de resto tem vindo a aocntecer, em especial nos últimos dois anos.

Interessante é que ,

"Quanto ao referido interesse da China na ainda "secreta" existência de gás natural nos mares do arquipélago, referida na imprensa nos últimos dias, tanto o MNE chinês como o cabo-verdiano passaram ao lado do assunto, sem, no entanto, o negar." (Lusa)

Amado na China

O título pode induzir em erro. Não se trata de Deng Xiaoping, Yao Ming ou de Yiang Liwei, o primeiro chinês no espaço. É mesmo Luís Amado, ministro português da defesa, que vem cá para a semana. Meses depois da China ter concedido a Portugal o estatuto de parceiro privilegiado e de Sócrates ter dito que a Pequim estava no topo das prioridades da diplomacia de Lisboa. E de Portugal ter reafirmado que defende o fim do embargo europeu à venda de armas. E num ano em que Portugal vai abrir um consulado-geral em Xangai.
Certíssimo, Paulo, prestarei atenção especial à visita do senhor ministro. E Sócrates também vem cá em 2006, só não se sabe ainda quando.

Wednesday, January 11, 2006

Três Pilares da Estabilidade II

"Provavelmente, a prioridade de topo – e o desafio mais difícil – é desenvolver uma economia de consumo doméstica estável e saudável que absorva a produção excedentária e reduzir o superavit comercial.
Isso levanta o grande dilema a Wen Jiabao: como será implementado este ajustamento?
O seu antecedente, Zhu Rongji, desenvolveu um “sistema de macro-controlo” em que os instrumentos do planeamento do estado poderia ser utilizado para ajustar o mercado. Mas o poder do planeamento central tem dado lugar às forças de mercado , deixando Pequim crescentemente sem mecanismos para dirigir e controlar o mercado. Muitos dos ministérios que um dia tiveram a autoridade para controlar vários sectores já não existem. E as autoridades locais já não seguem as linhas orientadores do governo central.
Wen tem estado a falar sobre a tentativa de reinstalar o sistema de macro-controlo. A chave desta ideia é transferir fundos públicos dos projectos de infrastruturas de grande envergadura para outro tipo de investimentos como a educação, a segurança social e os cuidados médicos.
Durante os anos da reforma do final dos anos noventa e início do século XXI, estes três sectores foram subitamente comercializados e os fundos governamentais foram retirados em muitos casos. Hoje prestam serviços desiguais – apenas disponíveis para quem os possa pagar – deixando a maior parte da populaçãi sem acesso a uma condigna educação ou cuidados médicos.
Estes sectores são cruciais para o futuro da China, tanto que se têm tornado imagem de marca do discurso dos responsáveis políticos. Estes três pilares de serviços sociais aos cidadãos são vitais para a concertização do projecto de Wen Jiabao de ajustamento económico estrutural.
Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode cosumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".

Laurence Brahm, South China Moring Post, 10-01-2006.
Tradução e adaptação de JCM.

Learning Chinese

China's latest export: Language - I.H.T.

Tuesday, January 10, 2006

Uma visita (pouco) secreta

North Korea's reclusive leader Kim Jong-Il is reportedly in China on a low-key visit.
A South Korean news agency has reported that Mr Kim crossed the border into China early this morning.

Três Pilares da Estabilidade

Laurence Brahm

No South China Moring Post, 10-01-2006*

"No ano passado, a China recebeu um aviso veemente que estaria em marcha uma potencial crise de energia, financeira e ao nível da segurança social. A chamada de atenção veio de uma fonte no mínimo respeitável - um instituto de investigação multi-ministerial presidido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao. À primeira vista, podemos esperar um ano 2006 positivo para a China continental. A economia deverá registar um contínuo e elevado crescimento económico e uma inflacção baixa. Contudo, debaixo desta superfície, 2006 poderá ser um ano de teste à capacidade da economia e ao ritmo da implementação das reformas. Este ano é o quinto desde que a China se juntou à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que significa que muitos dos compromissos decorrentes desta adesão ainda não foram postos em prática. Algumas indústrias terão, subitamente, que competir com as importações, enquanto as tarifas alfandegárias vão diminuindo; o pano vai subir para a entrada em palco dos serviços financeiros estrangeiros; e vários outros sectores serão forçados a abrir as portas a capitais privados e estrangeiros. As pressões externas vão continuar: os preços do petróleo dificilmente diminuirão – podem mesmo aumentar ao longo do ano juntamente com os preços de outras commodities. Por todo o mundo poderão rebentar “bolhas de propriedade”, o que será um teste para a robustez do sector imobiliário da China. Os decisores estão a poderá como conduzir a China para um ritmo mais estável e equibilibrado de crescimento. O período de hiper-crescimento começou em 1992, quando a China ainda não podia produzir todas as mercadorias e bens básicos necessários ao seu mercado de consumo doméstico. Catorze anos depois, virtualmente, todos os sectores da economia estão em sobre-produção, fazendo da China a maior economia de exportação do mundo. É acusada, um pouco por todo o mundo, de fazer dumping e está a ser alvo de vários processo legais na Europa e nos Estados Unidos. Claramente para os decisores políticos de Pequim é tempo de fazer alguns ajustamentos estruturais a este modelo económico.".

(continua)
*traduzido e adaptado por JCM.