A questão sobre o controlo sobre o acesso à informação na China é, no médio e longo prazo, uma batalha perdida pelas autoridades chinesas. Mesmo assim insistem, com a conivência da Yahoo, Microsoft e agora da Google, em condicionar as buscas de expressões como "independência de Taiwan" ou "massacre de Tiananmen". A ideia de que pela omissão das expressões potencialmente subversivas se apagam das mentes os conceitos e se dilui a materialização de uma vaga de oposição à "verdade oficial" tem se revelado um fracasso em vários casos deregimes autoritários. E basta ir à China continental e falar com alguma da juventude instruída para perceber que essa luta nunca poderá ser ganha. Os germes da mudança democrática estão lá; falta agora saber se assistiremos a uma mudança gradual e lenta - o que julgo que irá suceder - ou a um sobressalto com efeitos imprevisíveis.
É interessante verificar que o governo chinês, cada vez mais, deixa a porta escancarada à diversificação dos hábitos de consumo, trancando a sete chaves o tempo da liberdade de expressão, numa atitude que mais parece de "Do whatever you want as long as we remain in power". Só que, diz-nos a história, ao permitir a formação de uma classe média com poder d compra crescente e cada vez mais aberto ao mundo, o governo chinês cria as condições para a emergência de uma força motriz do individualismo burguês e de uma certa ideia de democracia. Numa linguagem zakariana - em relação à qual tenho certas reservas - com a emegência de uma certa ideia e prática de liberdade, há condições para o aparecimento da democracia liberal. Por outro lado, há quem acredite na boa vontade do Leviathan em devolver - se é que alguma vez o teve - ao povo o poder de escolher os seus representantes. No entanto, mais importante é o velho princípio que perdura desde os tempos da China imperial da ideia de governo enquanto entidade que satisfaz as necessidades da população. Quando falha de forma sucessiva, a dinastia (ou regime) entram em decadência e surgem temos de turbulência até emergir uma nova ordem. De momento não podemos aferir que isso esteja prestes a acontecer. A abertura á economia de mercado tirou da pobreza cerca de 300 milhões de pessoas desde o início dos anos 1980. Mas também colocou fortes pressões a um modelo de desenvolvimento que se baseia no consumo desenfreado dos recursos, sem sustentabildade ambiental, sem respeito pelo bem público e causador de forte desigualdades. Por isso é hora de, em primeiro lugar a China construir um embrião de um estado previdência adaptado às circunstância, para que, ao menos, seja um país com alguns aspectos socialistas, nomeadamente no que diz respeito à habitação, saúde, educação e segurança social. Tal como afirma Laurence Brahm, num artigo aqui traduzido do South China Morning Post, "Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode consumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".
lém do mais, tal como escreveu há uns meses Wang Xiangwei, no mesmo jornal, a "inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política". Até onde poderá ir a “democracia socialista e a economia de mercado de características chinesas"? Será que Pequim conseguirá fazer a quadratura do círculo? Ou conseguirá manter um equilíbrio entre uma economia cada vez mais integrada no sistema internacional e aberta às influências externas e um regime neoautoritário "desenvolvicionista" em que subsistem traços ao nível da organização politico-institucional de um socialismo burocrático de estado?
Thursday, January 26, 2006
Wednesday, January 25, 2006
Roque Choi

Vai hoje a enterrar um dos principais protagonistas da história da segunda metade do século XX de Macau. Roque Choi era conhecido como o homem das pontes e dos consensos entre portugueses e chineses.
Lusa, Macau 19 de Janeiro
Empresário de nacionalidade portuguesa e etnia chinesa, Roque Choi desempenhou várias funções públicas ao longo da sua vida, tendo sido um dos elementos cruciais na resolução da crise em Macau que ficou conhecida por "1,2,3" durante a revolução cultural chinesa, em 1966.
Vice-presidente da Associação Industrial de Macau, membro do Conselho Consultivo do Governador de Macau, membro da Comissão Consultiva da Lei Básica de Macau e da Comissão Política Consultiva do Povo Chinês da província de Guangdong, Roque Choi desempenhou também o cargo de presidente do já extinto Leal Senado tendo, em 1982, assinado com Krus Abecassis o protocolo de geminação entre Macau e Lisboa.
Tio do actual número dois do Executivo de Hong Kong, Rafael Hui Si-yan, Roque Choi foi secretário de Pedro José Lobo, o homem- forte da Administração portuguesa de Macau nas décadas de 1930 e 1940, função que assumiria também mais tarde com Ho Yin, o pai do actual Chefe do Executivo Edmund Ho, à época o mais destacado líder da comunidade chinesa de Macau.
Como empresário foi fundador do Banco Seng Heng que anos depois viria a ser adquirido por Stanley Ho.
Monday, January 23, 2006
Cavaco Absoluto também em Macau
Posto Consular de Macau: Eleições Presidenciais
Cavaco Silva- 507 votos
Mário Soares - 138
Manuel Alegre - 55
Jerónimo de Sousa - 15
Francisco Louçã - 13
Garcia Pereira- 11
Total de votantes: 759
Inscritos: cerca de 11 mil
Cavaco Silva- 507 votos
Mário Soares - 138
Manuel Alegre - 55
Jerónimo de Sousa - 15
Francisco Louçã - 13
Garcia Pereira- 11
Total de votantes: 759
Inscritos: cerca de 11 mil
Aniversário
Há um ano o Sínico dava os primeiros passos. A todos os que por cá passaram, muito obrigado.
Sunday, January 22, 2006
Leituras Dominicais
The Future of U.S.-China Relations: Is Conflict Inevitable?, Aaron Friedberg, na International Security.
In China, a warning on illegal land grabs, no NYT através do IHT.
Japan Vs. China: The Other Clash of Civilizations?, Jean-Pierre Lehman no The Globalist.
In China, a warning on illegal land grabs, no NYT através do IHT.
Japan Vs. China: The Other Clash of Civilizations?, Jean-Pierre Lehman no The Globalist.
Friday, January 20, 2006
Ainda Zheng He e o Império do Meio
A expedição de Zheng He em 1433 foi a última e três anos mais tarde um édito imperial baniu a construção de navios de longo curso. Apesar de todo o empreendimento realizado pelo general eunuco muçulmano de etnia hui, a China virou as costas ao mundo. Porquê?
Como seria de esperar não existe apenas um ou dois motivos para que isto tenha acontecido.
Paul Kennedy em "The Rise and Fall of Great Powers" considera que:
(...) There was, to be sure a plausible strategical reason for this decision. The northern frontiers of the empire were again under some pressure from the Mongols and it may have seemed prudent to concentrate military resources in the most vulnerable area. Under such circumstances a large navy was an expensive luxury (...).
a key element in China's retreat was the sheer conservatism of the Confician bureaucracy (...) In this "Restoration" atmosphere , the all important oficialdom was concerned to preserve and recapture the past, not to creat a brighter future based upon overseas expansion and commerce. According to the Confucian code, warfare itself was a deplorable activity (...) Foreign trade by Chinese subjects must have seemed even more dubious to mandarin eyes, simply because it was less under their control.
Paul Kennedy, The Rise and Fall of Great Powers, Vintage Books, New York, 1989, p.7
Como seria de esperar não existe apenas um ou dois motivos para que isto tenha acontecido.
Paul Kennedy em "The Rise and Fall of Great Powers" considera que:
(...) There was, to be sure a plausible strategical reason for this decision. The northern frontiers of the empire were again under some pressure from the Mongols and it may have seemed prudent to concentrate military resources in the most vulnerable area. Under such circumstances a large navy was an expensive luxury (...).
a key element in China's retreat was the sheer conservatism of the Confician bureaucracy (...) In this "Restoration" atmosphere , the all important oficialdom was concerned to preserve and recapture the past, not to creat a brighter future based upon overseas expansion and commerce. According to the Confucian code, warfare itself was a deplorable activity (...) Foreign trade by Chinese subjects must have seemed even more dubious to mandarin eyes, simply because it was less under their control.
Paul Kennedy, The Rise and Fall of Great Powers, Vintage Books, New York, 1989, p.7
Thursday, January 19, 2006
Império do Meio
A propósito dos interssantes comentários de Bruno Santos, e da questão lançada por A.tlon - "Interessa-me sobretudo procurar compreender o que levou a China a fechar-se novamente sobre si numa altura em que começava a ter o mundo desenhado em cima dos joelhos" - em "A Riqueza e a Pobreza das Nações", David Landes cita uma declaração do imperador K'ang Hsi, da dinastia Qing, a partir de uma passagem do livro "Emperor of China" de Jonathan Spence:
"(...) muito embora alguns dos métodos ocidentais sejam diferentes dos nossos e possam até representar um aperfeiçoamento, pouco existe neles que seja novo. Os princípios de matemática derivam todos do Livro das Mudanças (I Ching) e os seus métodos ocidentais são chinese na origem".
David Lands, A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva, Lisboa, 2002, p.380
No mesmo livro (p.377), numa alusão ao período anterior aos Qing, a dinastia Ming, David Landes escreve: "O progresso teria desafiado confortáveis ortodoxias e acarretado a insubordinação; o mesmo ponto de vista em relação a conhecimentos e ideias importados. Com efeito, o que havia para aprender?"
Já mais de mil anos antes, tal como Bruno Santos lembra, o Imperador Han Huan Ti, dinastia Han, tinha mandado queimar quase todos os classicos, poupando o I Ching.
"(...) muito embora alguns dos métodos ocidentais sejam diferentes dos nossos e possam até representar um aperfeiçoamento, pouco existe neles que seja novo. Os princípios de matemática derivam todos do Livro das Mudanças (I Ching) e os seus métodos ocidentais são chinese na origem".
David Lands, A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva, Lisboa, 2002, p.380
No mesmo livro (p.377), numa alusão ao período anterior aos Qing, a dinastia Ming, David Landes escreve: "O progresso teria desafiado confortáveis ortodoxias e acarretado a insubordinação; o mesmo ponto de vista em relação a conhecimentos e ideias importados. Com efeito, o que havia para aprender?"
Já mais de mil anos antes, tal como Bruno Santos lembra, o Imperador Han Huan Ti, dinastia Han, tinha mandado queimar quase todos os classicos, poupando o I Ching.
Wednesday, January 18, 2006
Tuesday, January 17, 2006
Amado na China II
Na sequência da decisão de Pequim de elevar o estatuto de Portugal para parceiro estratégico, Portugal e a China decidiram criar uma comissão conjunta para tratar dos assuntos militares e de defesa. Este é o primeiro resultado da visita de Luís Amado à China. O tipo de cooperação, no entanto não é especificado. Certo é que Lisboa apoia de forma veemente o fim do embargo à venda de armas da União Europeia à China...
Is there anything behind the curtain?
A Agência Xinhua fala assim desta visita:
"China is ready to work with Portugal on developing multi-level and multi-dimension relations between the two armed forces, Chinese Defense Minister Cao Gangchuan said here Monday.
In a meeting with his Portuguese counterpart Luis Amado, Cao said frequent exchange of high-level visits and deepening cooperation between the two countries in various fields contributed a lot to the smooth development of state-to-state relations in recent years.
As a key component of the overall relationship between China and Portugal, relations between the two armed forces have kept moving forward, said Cao, adding that the People's Liberation Army attaches importance to enhancing friendly cooperation with the Portuguese armed forces.
Cao also briefed the guest on China's views on major international or regional issues and China's economic and social development.
He reiterated China's principles and stance on the Taiwan issue.
Amado said Portugal is looking forward to closer cooperation with China in wider areas, and will make joint efforts with China to cement relations between the two nations and armed forces, so as to contribute to world peace and stability."
Is there anything behind the curtain?
A Agência Xinhua fala assim desta visita:
"China is ready to work with Portugal on developing multi-level and multi-dimension relations between the two armed forces, Chinese Defense Minister Cao Gangchuan said here Monday.
In a meeting with his Portuguese counterpart Luis Amado, Cao said frequent exchange of high-level visits and deepening cooperation between the two countries in various fields contributed a lot to the smooth development of state-to-state relations in recent years.
As a key component of the overall relationship between China and Portugal, relations between the two armed forces have kept moving forward, said Cao, adding that the People's Liberation Army attaches importance to enhancing friendly cooperation with the Portuguese armed forces.
Cao also briefed the guest on China's views on major international or regional issues and China's economic and social development.
He reiterated China's principles and stance on the Taiwan issue.
Amado said Portugal is looking forward to closer cooperation with China in wider areas, and will make joint efforts with China to cement relations between the two nations and armed forces, so as to contribute to world peace and stability."
As faces da História

A propósito do comentário do Nic, - "basta olhar para Macau e ver como a historia reza do outro lado das portas do cerco!" - recordo aqui declarações do historiador Geoffrey Gunn:
"Está a dizer que estão a rescrever a História?
Já reescreveram, já foi feito. E devem ter estado a trabalhar nisso desde altura em que publiquei o livro [em 1996] e a prepararem-se para a hora da transição. Em 1999, havia duas "Histórias da China", impressas em Xangai e Hong Kong, que usaram documentos do Partido Comunista para escrever estas versões patrióticas da História. Encontram-se à venda em todas as livrarias aqui de Macau, da autoria de historiadores do continente que as publicaram em 1999. E estes são os livros que as pessoas de Macau lêem, ninguém lê o meu livro." Ler a entrevista aqui.
Do lado português existe também naturalmente uma certa versão nacionalista do Império benigno lusitano.
Quanto à questão da "descoberta" da América por Zheng He, é preciso primeiro ler so livro de Gavin Menzies e outros documentos.
Monday, January 16, 2006
Qual Álvares Cabral, qual quê!?
"Uma cópia do século XVIII de um mapa chinês do mundo desenhado em 1418, hoje revelado em Pequim, mostra que os chineses terão chegado ao Brasil antes dos portugueses.
Os chineses terão ainda descoberto o caminho para a Índia antes de Vasco da Gama e chegado à América antes de Colombo, segundo o mapa, datado de 1763 e cópia de um outro que terá sido desenhado décadas antes de Bartolomeu Dias dobrar o cabo da Boa Esperança, em 1487.". Lusa
Os chineses terão ainda descoberto o caminho para a Índia antes de Vasco da Gama e chegado à América antes de Colombo, segundo o mapa, datado de 1763 e cópia de um outro que terá sido desenhado décadas antes de Bartolomeu Dias dobrar o cabo da Boa Esperança, em 1487.". Lusa
Sunday, January 15, 2006
Mais protestos
Começam a ser conhecidos cada vez mais casos de protestos violentos que envolvem camponeses e as autoridades por causa de disputas em relação à cedência de terras a fábricas e à alegada falta de compensações codignas. A BBC relata aqui o caso de Sanjiao.
Leituras Dominicais
Olhares sobre os graves problemas ambientais na China:
1. China's Pollution and the Threat to Domestic and Regional Stability, Z Net
2. Will China Face an Environmental Meltdown?, Elizabeth Economy na Globalist.
Thursday, January 12, 2006
China Africana
Ler "China's African Policy", o documento oficial da China para África.
Depois de em 2003 Pequim ter emitido "China's EU Policy Paper", Pequim sistematiza os princípios orientadores para África, colocando num paper o que tem vindo a dizer e em especial a fazer nestes últimos anos em África. Tudo isto deve ser entendido num contexto mais abrangente da nova estratégia da China para as relações internacionais após a queda do muro de Berlim e os incidentes de Tianamen juntamente com os princípios delineados por Deng Xiaping de uma política externa independente e acerca da cooperação "Sul-Sul" e fudamentalmente tendo em conta as necessidades ao nível de recursos energéticos, minerais e de matérias primas de uma economia que cresce ininterruptamente a um nível próximo dos 10 por cento há 25 anos. Estes e outros factores devem ser tidos em conta. Voltaremos a este assunto, com frequência.
Numa primeira leitura do documento não posso deixar de destacar as segintes passagens:
"China is willing to negotiate Free Trade Agreement (FTA) with African countries and African regional organizations"
"Efforts will be made to strengthen technology and management cooperation, focusing on the capacity-building of African nations"
"The Chinese Government facilitates information sharing and cooperation with Africa in resources areas. It encourages and supports competent Chinese enterprises to cooperate with African nations in various ways on the basis of the principle of mutual benefit and common development, to develop and exploit rationally their resources"
"will continue its training programs in applied technologies for African countries, carry out demonstration programs of technical assistance, and actively help disseminate and utilize Chinese scientific and technological achievements and advanced technologies applicable in Africa. "
Depois de em 2003 Pequim ter emitido "China's EU Policy Paper", Pequim sistematiza os princípios orientadores para África, colocando num paper o que tem vindo a dizer e em especial a fazer nestes últimos anos em África. Tudo isto deve ser entendido num contexto mais abrangente da nova estratégia da China para as relações internacionais após a queda do muro de Berlim e os incidentes de Tianamen juntamente com os princípios delineados por Deng Xiaping de uma política externa independente e acerca da cooperação "Sul-Sul" e fudamentalmente tendo em conta as necessidades ao nível de recursos energéticos, minerais e de matérias primas de uma economia que cresce ininterruptamente a um nível próximo dos 10 por cento há 25 anos. Estes e outros factores devem ser tidos em conta. Voltaremos a este assunto, com frequência.
Numa primeira leitura do documento não posso deixar de destacar as segintes passagens:
"China is willing to negotiate Free Trade Agreement (FTA) with African countries and African regional organizations"
"Efforts will be made to strengthen technology and management cooperation, focusing on the capacity-building of African nations"
"The Chinese Government facilitates information sharing and cooperation with Africa in resources areas. It encourages and supports competent Chinese enterprises to cooperate with African nations in various ways on the basis of the principle of mutual benefit and common development, to develop and exploit rationally their resources"
"will continue its training programs in applied technologies for African countries, carry out demonstration programs of technical assistance, and actively help disseminate and utilize Chinese scientific and technological achievements and advanced technologies applicable in Africa. "
China Lusófona
O chefe da diplomacia chinesa esteve em Cabo Verde para uma visita com vista ao regorço da cooperação entre os dois países. Desde logo, Li Zhaoxing prometeu um aumento do investimento chinês no arquipélago - o que de resto tem vindo a aocntecer, em especial nos últimos dois anos.
Interessante é que ,
"Quanto ao referido interesse da China na ainda "secreta" existência de gás natural nos mares do arquipélago, referida na imprensa nos últimos dias, tanto o MNE chinês como o cabo-verdiano passaram ao lado do assunto, sem, no entanto, o negar." (Lusa)
Interessante é que ,
"Quanto ao referido interesse da China na ainda "secreta" existência de gás natural nos mares do arquipélago, referida na imprensa nos últimos dias, tanto o MNE chinês como o cabo-verdiano passaram ao lado do assunto, sem, no entanto, o negar." (Lusa)
Amado na China
O título pode induzir em erro. Não se trata de Deng Xiaoping, Yao Ming ou de Yiang Liwei, o primeiro chinês no espaço. É mesmo Luís Amado, ministro português da defesa, que vem cá para a semana. Meses depois da China ter concedido a Portugal o estatuto de parceiro privilegiado e de Sócrates ter dito que a Pequim estava no topo das prioridades da diplomacia de Lisboa. E de Portugal ter reafirmado que defende o fim do embargo europeu à venda de armas. E num ano em que Portugal vai abrir um consulado-geral em Xangai.
Certíssimo, Paulo, prestarei atenção especial à visita do senhor ministro. E Sócrates também vem cá em 2006, só não se sabe ainda quando.
Certíssimo, Paulo, prestarei atenção especial à visita do senhor ministro. E Sócrates também vem cá em 2006, só não se sabe ainda quando.
Wednesday, January 11, 2006
Três Pilares da Estabilidade II
"Provavelmente, a prioridade de topo – e o desafio mais difícil – é desenvolver uma economia de consumo doméstica estável e saudável que absorva a produção excedentária e reduzir o superavit comercial.
Isso levanta o grande dilema a Wen Jiabao: como será implementado este ajustamento?
O seu antecedente, Zhu Rongji, desenvolveu um “sistema de macro-controlo” em que os instrumentos do planeamento do estado poderia ser utilizado para ajustar o mercado. Mas o poder do planeamento central tem dado lugar às forças de mercado , deixando Pequim crescentemente sem mecanismos para dirigir e controlar o mercado. Muitos dos ministérios que um dia tiveram a autoridade para controlar vários sectores já não existem. E as autoridades locais já não seguem as linhas orientadores do governo central.
Wen tem estado a falar sobre a tentativa de reinstalar o sistema de macro-controlo. A chave desta ideia é transferir fundos públicos dos projectos de infrastruturas de grande envergadura para outro tipo de investimentos como a educação, a segurança social e os cuidados médicos.
Durante os anos da reforma do final dos anos noventa e início do século XXI, estes três sectores foram subitamente comercializados e os fundos governamentais foram retirados em muitos casos. Hoje prestam serviços desiguais – apenas disponíveis para quem os possa pagar – deixando a maior parte da populaçãi sem acesso a uma condigna educação ou cuidados médicos.
Estes sectores são cruciais para o futuro da China, tanto que se têm tornado imagem de marca do discurso dos responsáveis políticos. Estes três pilares de serviços sociais aos cidadãos são vitais para a concertização do projecto de Wen Jiabao de ajustamento económico estrutural.
Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode cosumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".
Laurence Brahm, South China Moring Post, 10-01-2006.
Tradução e adaptação de JCM.
Isso levanta o grande dilema a Wen Jiabao: como será implementado este ajustamento?
O seu antecedente, Zhu Rongji, desenvolveu um “sistema de macro-controlo” em que os instrumentos do planeamento do estado poderia ser utilizado para ajustar o mercado. Mas o poder do planeamento central tem dado lugar às forças de mercado , deixando Pequim crescentemente sem mecanismos para dirigir e controlar o mercado. Muitos dos ministérios que um dia tiveram a autoridade para controlar vários sectores já não existem. E as autoridades locais já não seguem as linhas orientadores do governo central.
Wen tem estado a falar sobre a tentativa de reinstalar o sistema de macro-controlo. A chave desta ideia é transferir fundos públicos dos projectos de infrastruturas de grande envergadura para outro tipo de investimentos como a educação, a segurança social e os cuidados médicos.
Durante os anos da reforma do final dos anos noventa e início do século XXI, estes três sectores foram subitamente comercializados e os fundos governamentais foram retirados em muitos casos. Hoje prestam serviços desiguais – apenas disponíveis para quem os possa pagar – deixando a maior parte da populaçãi sem acesso a uma condigna educação ou cuidados médicos.
Estes sectores são cruciais para o futuro da China, tanto que se têm tornado imagem de marca do discurso dos responsáveis políticos. Estes três pilares de serviços sociais aos cidadãos são vitais para a concertização do projecto de Wen Jiabao de ajustamento económico estrutural.
Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode cosumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".
Laurence Brahm, South China Moring Post, 10-01-2006.
Tradução e adaptação de JCM.
Tuesday, January 10, 2006
Três Pilares da Estabilidade
Laurence Brahm
No South China Moring Post, 10-01-2006*
"No ano passado, a China recebeu um aviso veemente que estaria em marcha uma potencial crise de energia, financeira e ao nível da segurança social. A chamada de atenção veio de uma fonte no mínimo respeitável - um instituto de investigação multi-ministerial presidido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao. À primeira vista, podemos esperar um ano 2006 positivo para a China continental. A economia deverá registar um contínuo e elevado crescimento económico e uma inflacção baixa. Contudo, debaixo desta superfície, 2006 poderá ser um ano de teste à capacidade da economia e ao ritmo da implementação das reformas. Este ano é o quinto desde que a China se juntou à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que significa que muitos dos compromissos decorrentes desta adesão ainda não foram postos em prática. Algumas indústrias terão, subitamente, que competir com as importações, enquanto as tarifas alfandegárias vão diminuindo; o pano vai subir para a entrada em palco dos serviços financeiros estrangeiros; e vários outros sectores serão forçados a abrir as portas a capitais privados e estrangeiros. As pressões externas vão continuar: os preços do petróleo dificilmente diminuirão – podem mesmo aumentar ao longo do ano juntamente com os preços de outras commodities. Por todo o mundo poderão rebentar “bolhas de propriedade”, o que será um teste para a robustez do sector imobiliário da China. Os decisores estão a poderá como conduzir a China para um ritmo mais estável e equibilibrado de crescimento. O período de hiper-crescimento começou em 1992, quando a China ainda não podia produzir todas as mercadorias e bens básicos necessários ao seu mercado de consumo doméstico. Catorze anos depois, virtualmente, todos os sectores da economia estão em sobre-produção, fazendo da China a maior economia de exportação do mundo. É acusada, um pouco por todo o mundo, de fazer dumping e está a ser alvo de vários processo legais na Europa e nos Estados Unidos. Claramente para os decisores políticos de Pequim é tempo de fazer alguns ajustamentos estruturais a este modelo económico.".
(continua)
*traduzido e adaptado por JCM.
No South China Moring Post, 10-01-2006*
"No ano passado, a China recebeu um aviso veemente que estaria em marcha uma potencial crise de energia, financeira e ao nível da segurança social. A chamada de atenção veio de uma fonte no mínimo respeitável - um instituto de investigação multi-ministerial presidido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao. À primeira vista, podemos esperar um ano 2006 positivo para a China continental. A economia deverá registar um contínuo e elevado crescimento económico e uma inflacção baixa. Contudo, debaixo desta superfície, 2006 poderá ser um ano de teste à capacidade da economia e ao ritmo da implementação das reformas. Este ano é o quinto desde que a China se juntou à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que significa que muitos dos compromissos decorrentes desta adesão ainda não foram postos em prática. Algumas indústrias terão, subitamente, que competir com as importações, enquanto as tarifas alfandegárias vão diminuindo; o pano vai subir para a entrada em palco dos serviços financeiros estrangeiros; e vários outros sectores serão forçados a abrir as portas a capitais privados e estrangeiros. As pressões externas vão continuar: os preços do petróleo dificilmente diminuirão – podem mesmo aumentar ao longo do ano juntamente com os preços de outras commodities. Por todo o mundo poderão rebentar “bolhas de propriedade”, o que será um teste para a robustez do sector imobiliário da China. Os decisores estão a poderá como conduzir a China para um ritmo mais estável e equibilibrado de crescimento. O período de hiper-crescimento começou em 1992, quando a China ainda não podia produzir todas as mercadorias e bens básicos necessários ao seu mercado de consumo doméstico. Catorze anos depois, virtualmente, todos os sectores da economia estão em sobre-produção, fazendo da China a maior economia de exportação do mundo. É acusada, um pouco por todo o mundo, de fazer dumping e está a ser alvo de vários processo legais na Europa e nos Estados Unidos. Claramente para os decisores políticos de Pequim é tempo de fazer alguns ajustamentos estruturais a este modelo económico.".
(continua)
*traduzido e adaptado por JCM.
Monday, January 09, 2006
Sunday, January 08, 2006
Evo Morales na China
O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, iniciou hoje uma visita à China onde declarou ser um admirador de Mao Tsetung e da sua "revolução proletária" e incentivou as empresas chinesas a investirem em sectores-chave da economia boliviana (...) "Foram convidadas as empresas chinesas, seguindo os regulamentos bolivianos, a entrarem em sectores como a energia, a indústria mineira ou a agricultura" Lusa
1. Como é que seria uma Grandiosa Revolução Cultural proletária na Bolívia de Morales?
2. Não é só em África que a China está a encontrar terreno fértil para investir e para fortalecer a cooperação em especial ao nível dos recursos energéticos e minerais. A América Latina distancia-se cada vez mais da dependência de Washington abraçando o "jogo de soma positiva para ambas as partes" de Pequim. E há vários exemplos.
1. Como é que seria uma Grandiosa Revolução Cultural proletária na Bolívia de Morales?
2. Não é só em África que a China está a encontrar terreno fértil para investir e para fortalecer a cooperação em especial ao nível dos recursos energéticos e minerais. A América Latina distancia-se cada vez mais da dependência de Washington abraçando o "jogo de soma positiva para ambas as partes" de Pequim. E há vários exemplos.
Saturday, January 07, 2006
O Sexto Poder e o Quinto Elemento
Um estudo da autoria de Wang Ling da Academia Chinesa de Ciências Sociais coloca a China no sexto lugar numa lista dos maiores poderes do mundo. a Lista é a seguinte:
1-EUA
2-Reino Unido
3-Rússia
4-França
5-Alemanha
6-China
Os critérios utlizados foram
1-EUA
2-Reino Unido
3-Rússia
4-França
5-Alemanha
6-China
Os critérios utlizados foram
- poder militar
- poderio económico
- capacidade diplomática
- recursos energéticos
Galileo: this is just the beginning

O Satélite Giove-A
Já foi lançado o primeiro satélite do Galileo, o sistema global de navegação e posicionamento da União Europeia que surge como alternativa ao GPS norte-americano. Sendo apresentado pela Comissão Europeia e pela ESA como um projecto meramente civil, será certamente um instrumento e um activo estratégico numa (eventual) Política Externa e de Segurança Comum e de Uma Política Europeia de Defesa e Segurança. Isto para além dos spin-offs que um programa de alta tecnologia deste tipo gera, ao nível da transferência de tecnologia do campo militar para o civil e das potencialidades que permite um sistema de poscionamento de alta precisão -como é apresentado - para a sociedade ao nível dos transportes marítimos, terrestres, aéreos, protecção civil, sector financeiro, agricultura ou pescas. Apesar de ter sido já assinado um acordo de interoperabilidade entre Bruxelas e Washington com vista a evitar eventuais conflitos na emissão de sinais do GPS e do Galileo, os norte-americanos nunca viram com bons olhos este projecto. Em especial porque a China é o principal parceiro externo da UE temendo que Pequim possa beneficiar da transferência de tecnologia e ter acesso aos códigos encriptados miliatres de precisão extrema.
Friday, January 06, 2006
Thursday, January 05, 2006
Recursos energéticos na Ásia Central: EUA-China
Enquanto na Europa se discutem a implicações do conflito energético russo-ucraniano acerca do transporte e fornecimento de gás natural, na Ásia Central as reservas do Mar Cáspio são alvo de forte competição entre a China e os Estados Unidos. Ao passo que os EUA inauguraram o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, Pequim apostou no oleoduto que vem do Cazaquistão até ao Nordeste chinês.
O Asia Times publica este artigo bastante interessante sobre o "grande xadrez energético" na Ásia Central.
Para mais desenvolvimentos sobre este assunto, ler
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.
Sínico tem estado a publicar uma série de textos sobre as políticas da UE e da China para a Ásia Central.
O Asia Times publica este artigo bastante interessante sobre o "grande xadrez energético" na Ásia Central.
Para mais desenvolvimentos sobre este assunto, ler
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.
Sínico tem estado a publicar uma série de textos sobre as políticas da UE e da China para a Ásia Central.
Wednesday, January 04, 2006
China-Lusofonia
As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa cresceram 25,9 por cento nos primeiros sete meses de 2005 com Angola e Brasil a assumirem a responsabilidade de 93,5 por cento da compra e venda de produtos.
Dados estatísticos hoje divulgados pela Rádio Macau indicam que entre a China e os Países de Língua Portuguesa, exceptuando São Tomé e Príncipe, o valor das trocas comerciais atingiu os 12.146 milhões de dólares americanos referentes a 3.366 milhões de dólares de vendas chinesas e 8.780 milhões de dólares em exportações dos países de língua portuguesa.
(Lusa)
Dados estatísticos hoje divulgados pela Rádio Macau indicam que entre a China e os Países de Língua Portuguesa, exceptuando São Tomé e Príncipe, o valor das trocas comerciais atingiu os 12.146 milhões de dólares americanos referentes a 3.366 milhões de dólares de vendas chinesas e 8.780 milhões de dólares em exportações dos países de língua portuguesa.
(Lusa)
Monday, January 02, 2006
Mensagens e Sinais para 2006
A mensagem de ano novo do presidente da China Hu Jintao centrou-se na questão ambiental que tantos problemas esta a criar ao país. O chefe de estado chinês garantiu que Pequim vai concentrar esforços para a criação de uma sociedade baseada na eficiência energética e na protecção ambiental. Além disso, Hu Jintao disse que o governo central vai expandir a "democracia socialista", promover o "progresso ideológico e ético" e a reforma no sector cultural. Tudo para atingir a harmonia social e o desenvolvimento pacífico. Do outro lado do estreito, o discurso foi diferente. O líder de Taiwan Chen Shui Bian endureceu o discurso e disse que quer fazer avançar uma nova constituição e prometeu continuar a reforçar o armamento do exército da Formosa. Na mensagem de ano novo, Chen afirmou que quer que Taiwan tenha um novo texto fundamental em 2008 que permita aos cidadãos da ilha terem a palavra sobre uma eventual independência. O líder do governo de Taipé argumentou que as pessoas de Taiwan em 2007 terão a maturidade para decidir o que fazer num referendo sobre uma nova constituição. Esta declaração deverá provocar uma reacção negativa em Pequim com quem Chen Shui Bian tem uma relação conflituosa desde que em 2000 assumiu a chefia do governo de Taiwan com o Partido Democrático Progressista que tem um discurso pró-independência. Noutro sentido, O primeiro-ministro indiano anunciou que pretende reforçar os laços com a China e exultou Pequim a dar um passo no mesmo sentido. Na mensagem de ano novo endereçada ao chefe de estado chinês, Manmohan Singh afirmou que o ano 2006 deve ser marcado por uma relação de maior proximidade entre os dois países mais populosos do mundo.
Tuesday, December 20, 2005
o Sínico regressa às origens

Até 31 de Dezembro.
Os votos de Um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, que é como quem diz:
聖誕快樂! (sheng dan kuai le)
新年快樂! (xin nian kuai le)
Monday, December 19, 2005
Cimeira da OMC VI
Copo meio vazio...

Celso Amorim, ministro brasileiro dos negócios estrangeiros, foi uma das grandes estrelas da cimeira. Foi o pota-voz e o líder do G20.
No último dia, numa frase, resumia o valor do documento e das negociações de Hong Kong
"modesto , mas não insignificante".

Mucha Policía Poca Diversíon!
À uma da tarde havia um mar de polícias que cercava umas dezenas de sul coreanos. Na madrugada de Sábado para Domingo 900 manifestantes, na maioria da Liga de Agricultores da Coreia do Sul, foram detidos, quando estavam sentados na estrada, obstruindo a circulação automóvel. Várias ONGs acusaram a polícia de Hong Kong de abusos de poder e de não terem tratado dignamente os sul coreanos.
Certo é que apesar do espectáculo televisivo com os empurrões, bastonadas, gás-pimenta, canhões de água e dos 70 feridos, se compararmos estas manifestações com Seatle ou Génova, bem que podemos dizer que os sul-coreanos são meninos do coro comprado com os radicais europeus e norte americanos que têm por hábito partir vidros de lojas e queimar carros (uma pequena minoria faz isto, eu sei). Os sul-coreanos não destruiram nada, apenas se atiraram à polícia. Honra lhes seja feita!

Este é um clássico. Ou será que foi só para a fotografia?
Ligações sobre a Cimeira da OMC:
All-night session saved WTO talks, IHT
It's a deal, The Standard.
6th WTO Ministerial Conference concludes with tangible progress, Xinhua
A Declaração Ministerial de Hong Kong

Celso Amorim, ministro brasileiro dos negócios estrangeiros, foi uma das grandes estrelas da cimeira. Foi o pota-voz e o líder do G20.
No último dia, numa frase, resumia o valor do documento e das negociações de Hong Kong
"modesto , mas não insignificante".

Mucha Policía Poca Diversíon!
À uma da tarde havia um mar de polícias que cercava umas dezenas de sul coreanos. Na madrugada de Sábado para Domingo 900 manifestantes, na maioria da Liga de Agricultores da Coreia do Sul, foram detidos, quando estavam sentados na estrada, obstruindo a circulação automóvel. Várias ONGs acusaram a polícia de Hong Kong de abusos de poder e de não terem tratado dignamente os sul coreanos.
Certo é que apesar do espectáculo televisivo com os empurrões, bastonadas, gás-pimenta, canhões de água e dos 70 feridos, se compararmos estas manifestações com Seatle ou Génova, bem que podemos dizer que os sul-coreanos são meninos do coro comprado com os radicais europeus e norte americanos que têm por hábito partir vidros de lojas e queimar carros (uma pequena minoria faz isto, eu sei). Os sul-coreanos não destruiram nada, apenas se atiraram à polícia. Honra lhes seja feita!

Este é um clássico. Ou será que foi só para a fotografia?
Ligações sobre a Cimeira da OMC:
All-night session saved WTO talks, IHT
It's a deal, The Standard.
6th WTO Ministerial Conference concludes with tangible progress, Xinhua
A Declaração Ministerial de Hong Kong
Sunday, December 18, 2005
Saturday, December 17, 2005
Cimeira da OMC em Hong Kong IV
Não ata nem desata:

Peter Onde é que eu me vim meter Mandelson.
"WTO shows that democracy can be a messy thing", Donald Greenlees no International Herald Tribune.
"Les pays du Sud mobilisés à 110 %", Pierre Haski no Liberation.
"Talks go on all night to avert failure", The Standart.
Amanhã lá estarei de novo...

Peter Onde é que eu me vim meter Mandelson.
"WTO shows that democracy can be a messy thing", Donald Greenlees no International Herald Tribune.
"Les pays du Sud mobilisés à 110 %", Pierre Haski no Liberation.
"Talks go on all night to avert failure", The Standart.
Amanhã lá estarei de novo...
Leituras Natalícias II

Trata-se de um lvro denso e um pouco desactualizado. Mesmo assim, é muito útil para quem pretende começar a entrar no complexo edifício da organização político-institucional do estado chinês.
Friday, December 16, 2005
Leituras Natalícias I
1. Timothy Garton Ash é visto, justamente, como um dos britânicos que olham com maior lucidez para a União Europeia e a sua relação com os EUA e o resto do mundo. "Free World" é uma obra desempoeirada que lança um olhar muito inetressante sobre as relações transatlânticas.

No final do livro Ash escreve:
"There are many divisive walls in today's world. There's the wall being built between Israelis and Palestinians, which in places looks uncannily like the Berlin Wall. Therre are the high walls of trade proteccionism around both Europe and the United States. Bur behind them are the biggest walls of all: the mind-walls. If we raise our voices, these walls will come down. We are many, and we have not spoken yet. It's up to us."

No final do livro Ash escreve:
"There are many divisive walls in today's world. There's the wall being built between Israelis and Palestinians, which in places looks uncannily like the Berlin Wall. Therre are the high walls of trade proteccionism around both Europe and the United States. Bur behind them are the biggest walls of all: the mind-walls. If we raise our voices, these walls will come down. We are many, and we have not spoken yet. It's up to us."
Thursday, December 15, 2005
Uma heresia
"Forcing a developing economy to open itself up to imported products that would compete with those produced by certain of its industries, industries that were dangerously vulnerable to competition from much stronger counterpart industries in other countries, can have disastrous consequences - socially and economically. Jobs have systematically been destroyed - poor farmers in developing countries simply could not compete with the highly subsidized goods from America and Europe - before the countries' industral and agricultural sectors were able to grow strong and create new jobs."
Joseph Stiglitz, "Globalization and its Discontents", Penguin Books, 2002, p. 17.
Joseph Stiglitz, "Globalization and its Discontents", Penguin Books, 2002, p. 17.
Wednesday, December 14, 2005
Cimeira da OMC II
Manifestação nas ruas de Hong Kong
13 de Dezembro de 2005.
São 11 da manhã. Saio do Centro de Acreditação na Central Library de Hong Kong e atravesso a estrada rumo ao famoso Victoria Park. Ao longe já ouço megafones e vislumbro bandeiras vermelhas. É a Liga dos Agricultores Sul-Coreanos. Irados, gritam e cantam em uníssono, de forma disciplinada. “WTO is killing the farmers” e “Dow Down WTO” são as únicas palavras que percebo no discurso do líder do grupo d centenas de camponeses que se opõe à liberalização do comércio mundial.
Se na Europa os maiores protagonistas das manifestações anti-globalização costumam ser os grupos que se dizem de extrema esquerda e anarquistas – geralmente os mais violentos -, em Hong Kong são os agricultores sul coreanos que apresentam um tom mais aguerrido. Marcham, cantam e garantem que a “OMC está a matar os agricultores sul coreanos”. Tae-sook Lee, líder do movimento acusa a OMC de querer “impor o arroz e outros alimentos na Coreia do Sul, o que dizimar a agricultura no país”.
Em representação do ódio que sentem pela organização internacional que em 1995 substituiu o General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), os manifestantes sul-coreanos incendiaram uma caixão que transportavam com a inscrição “WTO R.I.P.”. Pouco depois, já a algumas centenas de metros do Centro de Convenções onde decorre a cimeira, lançaram ovos e garrafas de plástico às forças policiais, presentes em grande número no local. Na resposta, as autoridades carregaram sobre alguns manifestantes, lançando gás-mostarda, impedindo assim que a manifestação avançasse para uma zona mais próxima do local onde decorria a reunião ministerial.
Perante isto, um grupo de cinquenta representantes dos agricultores sul coreanos saltou para a água tentando assim chegar por outros meios ao Centro de Convenções, numa tentativa inglória. No entanto, a voz anti-globalização chegou a ser ouvida dentro do plenário da reunião ministerial da OMC, na sessão de abertura, quando o director-geral, Pascal Lamy discursava. Algumas organizações Não Governamentais (ONG), que foram convidadas para participar em fóruns realizados à margem da cimeira, levantaram cartazes que enviavam a mesma mensagem dos sul coreanos: “A OMC mata os agricultores”.
No Victoria Park, na zona de Causeway Bay, centenas de pessoas iam juntando-se em pequenos grupos defensores das mais variadas causas: da agricultura ao ambiente, passando pelos direitos das mulheres, das minorias étnicas, dos imigrantes ou dos trabalhadores em geral. A uni-los está o repúdio pela OMC, pela globalização, o neoliberalismo.
Mas afinal contra o que é que se manifestam todos estes movimentos? "Acima de tudo contra esta maneira de decidir sobre a vida de milhões de pessoas, sem ter em conta a vida de quem trabalha a terra e que passa por tantas dificuldades”, responde Vinod Shetty, advogado da Confederação Indiana de Agricultores. "Os indianos não estão preparados para a liberalização, não teremos hipóteses de competir com a Europa e os Estados Unidos", garante.
Ao lado, com o som de fundo das canções de combate dos sul-coreanos, o presidente da Associação de Consumidores Filipinos, atirava contra o nivelamento por baixo da qualidade dos alimentos num cenário de abertura dos mercados, enquanto trocava impressões com um outro grupo nipónico que veio a Hong Kong defender a agricultura familiar.
Num registo mais clássico, Elmer Labog, da associação sindical filipina “May First Labor Mouvement" erguia o punho contra o imperialismo e cantava bem alto a "Internacional" em tagalog, naturalmente. "Não podemos aceitar este modelo de desenvolvimento, baseado na exploração de recursos naturais, ignorando os direitos e as vidas de quem trabalha", disse.
Na manifestação pontificavam os movimentos oriundos da Ásia Oriental e Sudeste Asiático, mas também vieram activistas da Europa.
Alexi Pasadakis viajou da Alemanha para divulgar a mensagem da ATTAC e para levantar a voz “contra uma globalização que só beneficia as grandes multinacionais”. O objectivo desta organização é, pelo menos, adiar e arrastar o andamento das negociações, “algo que está acontecer porque nos últimos meses nada de substancial aconteceu”. “Um outro mundo é possível”, clamam várias organizações que se opõe à globalização ou que se assumem por uma outra globalização, “mais justa”. Mas se o que se defende é o fim da OMC, onde devem ser discutidos os assuntos relacionados com o comércio mundial?. Alexis Pasadakis julga que as Nações Unidas seriam uma sede mais indicada para debater o comércio, “mas as trocas comerciais só têm sentido se estiverem ligadas a uma política virada para o desenvolvimento e que esteja ao serviço dos povos”, adianta. Para isso seria necessário também “que as Nações Unidas fossem bem diferentes.”
Dos cerca de 4500 manifestantes a esmagadora maioria veio de fora, em especial da Ásia Oriental. Da antiga colónia britânica apenas sobressaía a “Hong Kong Alliance Against WTO” e Leung Kuok Heung, mais conhecido por “Long Hair” – activista de um grupo esquerdista pró-democracia e deputado eleito directamente para o Conselho Legislativo – que acabou por se envolver em pequenos confrontos com a polícia. A fraca afluência de grupos de Hong Kong à manifestação pode ser explicada pelas palavras de Donald Tsang, chefe do governo local, na sessão de abertura da conferência ministerial da OMC:
“Eu quero enfatizar a importância da OMC para Hong Kong. Como uma pequena economia orientada para o exterior sem recursos naturais, além de um magnífico porto de aguas profundas, Hong Kong tem confiado no comercio livre e numa população trabalhadora e empreendedora para transformar aquilo que foi uma pequena vila piscatória num grande centro internacional financeiro”.
13 de Dezembro de 2005.
São 11 da manhã. Saio do Centro de Acreditação na Central Library de Hong Kong e atravesso a estrada rumo ao famoso Victoria Park. Ao longe já ouço megafones e vislumbro bandeiras vermelhas. É a Liga dos Agricultores Sul-Coreanos. Irados, gritam e cantam em uníssono, de forma disciplinada. “WTO is killing the farmers” e “Dow Down WTO” são as únicas palavras que percebo no discurso do líder do grupo d centenas de camponeses que se opõe à liberalização do comércio mundial.
Se na Europa os maiores protagonistas das manifestações anti-globalização costumam ser os grupos que se dizem de extrema esquerda e anarquistas – geralmente os mais violentos -, em Hong Kong são os agricultores sul coreanos que apresentam um tom mais aguerrido. Marcham, cantam e garantem que a “OMC está a matar os agricultores sul coreanos”. Tae-sook Lee, líder do movimento acusa a OMC de querer “impor o arroz e outros alimentos na Coreia do Sul, o que dizimar a agricultura no país”.
Em representação do ódio que sentem pela organização internacional que em 1995 substituiu o General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), os manifestantes sul-coreanos incendiaram uma caixão que transportavam com a inscrição “WTO R.I.P.”. Pouco depois, já a algumas centenas de metros do Centro de Convenções onde decorre a cimeira, lançaram ovos e garrafas de plástico às forças policiais, presentes em grande número no local. Na resposta, as autoridades carregaram sobre alguns manifestantes, lançando gás-mostarda, impedindo assim que a manifestação avançasse para uma zona mais próxima do local onde decorria a reunião ministerial.
Perante isto, um grupo de cinquenta representantes dos agricultores sul coreanos saltou para a água tentando assim chegar por outros meios ao Centro de Convenções, numa tentativa inglória. No entanto, a voz anti-globalização chegou a ser ouvida dentro do plenário da reunião ministerial da OMC, na sessão de abertura, quando o director-geral, Pascal Lamy discursava. Algumas organizações Não Governamentais (ONG), que foram convidadas para participar em fóruns realizados à margem da cimeira, levantaram cartazes que enviavam a mesma mensagem dos sul coreanos: “A OMC mata os agricultores”.
No Victoria Park, na zona de Causeway Bay, centenas de pessoas iam juntando-se em pequenos grupos defensores das mais variadas causas: da agricultura ao ambiente, passando pelos direitos das mulheres, das minorias étnicas, dos imigrantes ou dos trabalhadores em geral. A uni-los está o repúdio pela OMC, pela globalização, o neoliberalismo.
Mas afinal contra o que é que se manifestam todos estes movimentos? "Acima de tudo contra esta maneira de decidir sobre a vida de milhões de pessoas, sem ter em conta a vida de quem trabalha a terra e que passa por tantas dificuldades”, responde Vinod Shetty, advogado da Confederação Indiana de Agricultores. "Os indianos não estão preparados para a liberalização, não teremos hipóteses de competir com a Europa e os Estados Unidos", garante.
Ao lado, com o som de fundo das canções de combate dos sul-coreanos, o presidente da Associação de Consumidores Filipinos, atirava contra o nivelamento por baixo da qualidade dos alimentos num cenário de abertura dos mercados, enquanto trocava impressões com um outro grupo nipónico que veio a Hong Kong defender a agricultura familiar.
Num registo mais clássico, Elmer Labog, da associação sindical filipina “May First Labor Mouvement" erguia o punho contra o imperialismo e cantava bem alto a "Internacional" em tagalog, naturalmente. "Não podemos aceitar este modelo de desenvolvimento, baseado na exploração de recursos naturais, ignorando os direitos e as vidas de quem trabalha", disse.
Na manifestação pontificavam os movimentos oriundos da Ásia Oriental e Sudeste Asiático, mas também vieram activistas da Europa.
Alexi Pasadakis viajou da Alemanha para divulgar a mensagem da ATTAC e para levantar a voz “contra uma globalização que só beneficia as grandes multinacionais”. O objectivo desta organização é, pelo menos, adiar e arrastar o andamento das negociações, “algo que está acontecer porque nos últimos meses nada de substancial aconteceu”. “Um outro mundo é possível”, clamam várias organizações que se opõe à globalização ou que se assumem por uma outra globalização, “mais justa”. Mas se o que se defende é o fim da OMC, onde devem ser discutidos os assuntos relacionados com o comércio mundial?. Alexis Pasadakis julga que as Nações Unidas seriam uma sede mais indicada para debater o comércio, “mas as trocas comerciais só têm sentido se estiverem ligadas a uma política virada para o desenvolvimento e que esteja ao serviço dos povos”, adianta. Para isso seria necessário também “que as Nações Unidas fossem bem diferentes.”
Dos cerca de 4500 manifestantes a esmagadora maioria veio de fora, em especial da Ásia Oriental. Da antiga colónia britânica apenas sobressaía a “Hong Kong Alliance Against WTO” e Leung Kuok Heung, mais conhecido por “Long Hair” – activista de um grupo esquerdista pró-democracia e deputado eleito directamente para o Conselho Legislativo – que acabou por se envolver em pequenos confrontos com a polícia. A fraca afluência de grupos de Hong Kong à manifestação pode ser explicada pelas palavras de Donald Tsang, chefe do governo local, na sessão de abertura da conferência ministerial da OMC:
“Eu quero enfatizar a importância da OMC para Hong Kong. Como uma pequena economia orientada para o exterior sem recursos naturais, além de um magnífico porto de aguas profundas, Hong Kong tem confiado no comercio livre e numa população trabalhadora e empreendedora para transformar aquilo que foi uma pequena vila piscatória num grande centro internacional financeiro”.
Cimeira da OMC em Hong Kong
Cá Fora...

Os Agricultores Sul Coreanos

Sindicalismo Filipino

A inevitável ATTAC

O incansável "Long Hair" atingido por gás-pimenta.

Os Agricultores Sul Coreanos

Sindicalismo Filipino

A inevitável ATTAC

O incansável "Long Hair" atingido por gás-pimenta.
Monday, December 12, 2005
Sunday, December 11, 2005
Vale pela Intenção
O primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou hoje, no encerramento do Encontro Empresarial Portugal-China, em Lisboa, que Portugal pode servir à China como "porta para África".
Sócrates, que visitará a China "nos primeiros meses do próximo ano", falava sobre o que Portugal pode oferecer à China para justificar o acordo diplomático, assinado na sexta-feira com o seu homólogo chinês, Wen Jiabao, que elevou as relações entre os dois países ao nível da "parceria estratégica global".
"Portugal pode oferecer muita coisa à China, além da hospitalidade e do clima. Primeiro, afirmar-se como parceiro da China em África", afirmou o primeiro-ministro português.
"A China dispõe de capital, nós conhecemos o terreno, a língua, as tradições. Portugal pode ser uma porta para África e para algumas zonas da América Latina", disse Sócrates perante uma sala cheia de empresários. (Lusa)
Ou será que estamos perante uma verdadeira mudança de atitude da diplomacia de Lisboa face às relações com a China, nomeadamente no plano económico?
Quanto às relações com a África Lusófona, convém lembrar que em 2003 foi criado o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa - uma iniciativa chinesa - e que em Angola e em Moçambique os chineses já têm os pés firmes há bastante tempo, em especial nos últimos três anos.
Mesmo assim, desta visita de Wen Jiabao a Portugal ficam as palavras e objectivos que veremos se serão cumpridos:
Sócrates, que visitará a China "nos primeiros meses do próximo ano", falava sobre o que Portugal pode oferecer à China para justificar o acordo diplomático, assinado na sexta-feira com o seu homólogo chinês, Wen Jiabao, que elevou as relações entre os dois países ao nível da "parceria estratégica global".
"Portugal pode oferecer muita coisa à China, além da hospitalidade e do clima. Primeiro, afirmar-se como parceiro da China em África", afirmou o primeiro-ministro português.
"A China dispõe de capital, nós conhecemos o terreno, a língua, as tradições. Portugal pode ser uma porta para África e para algumas zonas da América Latina", disse Sócrates perante uma sala cheia de empresários. (Lusa)
Ou será que estamos perante uma verdadeira mudança de atitude da diplomacia de Lisboa face às relações com a China, nomeadamente no plano económico?
Quanto às relações com a África Lusófona, convém lembrar que em 2003 foi criado o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa - uma iniciativa chinesa - e que em Angola e em Moçambique os chineses já têm os pés firmes há bastante tempo, em especial nos últimos três anos.
Mesmo assim, desta visita de Wen Jiabao a Portugal ficam as palavras e objectivos que veremos se serão cumpridos:
- Wen estabelece como meta a duplicação das trocas comerciais nos próximos três anos. É possível.
- Sócrates garantiu que a China está no topo das prioridades da política externa portuguesa. Palavras de ocasião? Temo que sim. Perdoem-me mais uma vez o cepticismo.
Democracia Popular Musculada (com adenda)
Os acontecimentos de Dongzhou:

Dongzhou: les photos, no blog de Pierre Haski, correspondente em Pequim do Libération.
"En Chine, la guerre des terres gagne du terrain", Pierre Haski no Libération.
"Chinese protesters report a massacre", Howard French no New York Times.
Entretanto:
O responsável das forças paramilitares que terça-f eira tinha dado ordem de abrir fogo sobre uma manifestação de aldeões no sul da China, matando três pessoas, foi detido pelas autoridades, anuncia hoje o diário oficial Guanzhou Daily.
Num artigo em que relata a versão oficial dos acontecimentos, o jornal ind icou que as forças paramilitares tinham sido chamadas terça-feira à noite a cont rolar uma manifestação, classificada como "incidente grave e ilegal".
Essa manifestação, refere o jornal oficial, reuniu mais de 500 pessoas na aldeia de Dongzhou.
Contudo, acrescentou o jornal, o chefe das forças paramilitares no local t omou uma má decisão, provocando mortos e feridos. (Lusa)

Dongzhou: les photos, no blog de Pierre Haski, correspondente em Pequim do Libération.
"En Chine, la guerre des terres gagne du terrain", Pierre Haski no Libération.
"Chinese protesters report a massacre", Howard French no New York Times.
Entretanto:
O responsável das forças paramilitares que terça-f eira tinha dado ordem de abrir fogo sobre uma manifestação de aldeões no sul da China, matando três pessoas, foi detido pelas autoridades, anuncia hoje o diário oficial Guanzhou Daily.
Num artigo em que relata a versão oficial dos acontecimentos, o jornal ind icou que as forças paramilitares tinham sido chamadas terça-feira à noite a cont rolar uma manifestação, classificada como "incidente grave e ilegal".
Essa manifestação, refere o jornal oficial, reuniu mais de 500 pessoas na aldeia de Dongzhou.
Contudo, acrescentou o jornal, o chefe das forças paramilitares no local t omou uma má decisão, provocando mortos e feridos. (Lusa)
Saturday, December 10, 2005
Outros Sínicos
Além do já mencionado Shanghai Express, em espanhol, descobri, com um ano de atraso, o excelente blog do correspondente em Pequim do Libération, o jornalista Pierre Haski. São visões interessantes a partir do primeiro sistema que enriquecem quem, como eu, vive no segundo e que procura espreitar para lá das Portas do Cerco.
Hong Kong visto de Xangai
O Shanghai Express, um blogue muito interessante sobre a realidade chinesa em língua espanhola, alerta que, para entender as palavras de Lee Kuan Yew acerca da situação política em Hong Kong, é necessário ter em conta que o "Pai Fundador" de Singapura sempre propalou que a democracia de tipo ocidental é incompatível com o designa serem os "valores asiáticos".
O Sínico reproduce, en apoyo de su escepticismo, las declaraciones que hizo el Mentor Minister (no sé cómo traducir este término, algo así como Ministro Emérito) y ex Primer Ministro de Singapur, Lee Kuan Yew, en marzo de este año, después de su visita a Hong Kong. En esas declaraciones Lee Kuan, dirigiéndose a los periodistas con los que se había reunido en rueda de prensa, afirmó:
“(..)you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow.”
Ahora bien, para juzgar estas declaraciones hay que tener en cuenta que Lee Kuan, que evidentemente es un hombre bien informado y de notable inteligencia, siempre ha mirado con disfavor la democracia de tipo occidental por considerarla incompatible con los que denomina “Valores de Asia”.
Concordo que é necessário enquadrar as declarações de Lee. E admito que estou algo céptico quanto à evolução do sistema de Hong Kong rumo a uma democracia plena. Não porque não julgue que a sociedade da antiga colónia britânica não esteja preparada para isso, mas por causa das implicações de um avanço para o sufrágio directo e universal para os timings definidos por Pequim. Quero dizer que a questão não será se, mas quando. E sobre isso parece-me que 2007 ou mesmo 2012 será muito cedo para Pequim. Agora tudo vai depender de como o movimento pró-democracia vai agir, em especial no que concerne à sua táctica. Na China só se deve usar o megafone de vez em quando. E desta vez, no dia 4 de Dezembro, foi bem usado. A pressão está do lado de Pequim para estabelecer um calendário. Ainda esta semana, uma notícia, mais tarde desementida, publicada pelo South China Moring Post indicaca o ano 2017 como o início da era democrática na República Popular da China, começando numa Região Administrativa Especial.
O Sínico reproduce, en apoyo de su escepticismo, las declaraciones que hizo el Mentor Minister (no sé cómo traducir este término, algo así como Ministro Emérito) y ex Primer Ministro de Singapur, Lee Kuan Yew, en marzo de este año, después de su visita a Hong Kong. En esas declaraciones Lee Kuan, dirigiéndose a los periodistas con los que se había reunido en rueda de prensa, afirmó:
“(..)you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow.”
Ahora bien, para juzgar estas declaraciones hay que tener en cuenta que Lee Kuan, que evidentemente es un hombre bien informado y de notable inteligencia, siempre ha mirado con disfavor la democracia de tipo occidental por considerarla incompatible con los que denomina “Valores de Asia”.
Concordo que é necessário enquadrar as declarações de Lee. E admito que estou algo céptico quanto à evolução do sistema de Hong Kong rumo a uma democracia plena. Não porque não julgue que a sociedade da antiga colónia britânica não esteja preparada para isso, mas por causa das implicações de um avanço para o sufrágio directo e universal para os timings definidos por Pequim. Quero dizer que a questão não será se, mas quando. E sobre isso parece-me que 2007 ou mesmo 2012 será muito cedo para Pequim. Agora tudo vai depender de como o movimento pró-democracia vai agir, em especial no que concerne à sua táctica. Na China só se deve usar o megafone de vez em quando. E desta vez, no dia 4 de Dezembro, foi bem usado. A pressão está do lado de Pequim para estabelecer um calendário. Ainda esta semana, uma notícia, mais tarde desementida, publicada pelo South China Moring Post indicaca o ano 2017 como o início da era democrática na República Popular da China, começando numa Região Administrativa Especial.
Friday, December 09, 2005
Um olhar sobre Macau
Jogo/A nova vida do território Las Vegas em Macau
Pierre Haski, Libération
Um incêndio no estaleiro de um casino em construção, que foi apresentado oficialmente como um acidente, faz recear que estejam de volta as rivalidades entre grupos mafiosos. A
o cima das escadas, um Zeus monumental em mármore espera os visitantes. A seu lado, está de guarda um centurião em carne e osso, capacete metálico na mão. Os turistas chineses fazem fila para tirar uma foto com este digno representante da Antiguidade. Mas de onde vem o centurião? «I don"t speak english", responde-nos, com um forte sotaque russo, este gigante que uma placa indica chamar-se Viktor. Um pouco mais longe, bailarinas quase nuas, louras e russas também elas, dançam ao ritmo de uma canção do francês Yannick Noah, enquanto um anúncio luminoso informa que se trata de um "show brasileiro". Bem-vindos ao Greek Mythology, um dos mais recentes casinos de Macau, esse confetti do império português devolvido à China em 1999 e que está agora a atravessar uma verdadeira revolução cultural, a do jogo e do divertimento. Este estabelecimento é uma importação directa de Las Vegas, um produto híbrido e globalizado destinado a alimentar a fome do jogo, aparentemente inesgotável, dos novos ricos - e de outros que não o são assim tanto - da Ásia e sobretudo da China. Macau, o inferno do jogo. A lenda imortalizada pelo filme de Jean Delannoy em 1942 foi-se esvanecendo nos anos 80 e 90 neste extremo de um império colonial em fim de cena. O monopólio do jogo concedido há décadas a Stanley Ho, autêntico magnata chinês, contentava-se em ronronar, à imagem do Lisboa, o seu navio almirante, velho palácio sem viço ( que abrigava, mesmo assim, um restaurante de Joel Robuchon!), uma espécie de duplo de um casino, em quebra de atracção e com o ambiente de um filme a preto e branco. Apenas alguns ajustes de contas mafiosos davam ainda algum "frisson" ao cenário fora de moda desta China latina. As autoridades chinesas da nova "região administrativa especial" perceberam rapidamente o partido que podiam tirar do seu estatuto de autonomia, no seio de uma China comunista em crescimento económico acelerado e com uma nova classe abastada composta por muitos milhões de indivíduos. E o que fizeram primeiro foi pôr fim ao monopólio concedido há 40 anos a Stanley Ho. Atribuíram duas licenças aos seus concorrentes: dois grupos de Las Vegas que deram cartas na transformação do paraíso do jogo do Nevada numa metrópole de lazeres para todos os gostos. Esta irrupção dos americanos no jogo chinês electrizou Macau e transformou este minúsculo território de cerca de 475 mil habitantes, estrategicamente situado face a Hong Kong e à rica província de Guangdong, numa terra de conquista na qual os casinos nascem mais rápido do que cogumelos, rivalizando no kitsch. E é apenas o princípio: dentro de cinco anos, quando o território contar com uma trintena destes estabelecimentos, Macau estará irreconhecível. Não existem razões para que todos estes projectos não vejam a luz do dia. Como prova o Sands. Este casino, que custou 200 milhões de euros, é a prefiguração do modelo Las Vegas, com um pouco mais de classe do que o Greek Mythology e contrastando gritantemente com o Lisboa envelhecido. Quando abriu as portas, no ano passado, houve quase que um motim em Macau. Um ano depois, o investidor americano Sheldon Anderson já se reembolsou do investimento feito e vai duplicar o número de mesas de jogo. Anunciou que o Sands de Macau é já mais rentável que o Venetian, o seu casino de referência em Las Vegas. Estava lançada a corrida ao gigantismo. Steve Wynn, um outro magnata do jogo de Las Vegas, lançou uma campanha com vista ao recrutamento de quatro mil empregados para o seu Wynn Macao, um complexo com hotel e casino que abrirá as portas em 2006, representando um investimento de 600 milhões de euros, três vezes mais do que o Sands! Mais longe, o MGM Paradise será ainda maior, mas não tanto como o futuro Venetian de Macau - três mil camas, 1500 suites, um casino, 1,7 mil milhões de euros de investimento. Atingidos no seu reduto, Stanley Ho e a família resolveram fazer face ao desafio. Ao lado do Lisboa, que, no centro da cidade, continua a ser o melhor situado, está a nascer o Grande Lisboa. A fazer fé na maqueta reproduzida no local, assemelhar-se-á a uma gigantesca espiga de milho luminosa e superará tudo o que ainda se possa fazer de kitsch. Stanley Ho escolheu o arquitecto francês Paul Andreu, a custo recuperado do acidente catastrófico sofrido pelo seu terminal do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, para imaginar Oceanus, um projecto em forma de paquete de 670 milhões de euros, com um hotel de seis estrelas, escritórios, complexo de lazer. E não é tudo: por 800 milhões de euros, os chineses aliaram-se a Kerry Packer, o homem mais rico da Austrália, para criar a City of Dreams na zona ganha ao mar de Cotai, onde se concentram os projectos mais grandiosos. "Stanley Ho é um jogador de Go, ele cerca os seus inimigos. Dispôs os seus peões de tal modo que qualquer visitante de Macau começa por ele e acaba nele", comenta um observador. É verdade que o magnata dispõe de alguns trunfos: é proprietário da companhia de ferries que transporta os turistas vindos de Hong Kong (com partidas de 15 em 15 minutos) ou da China continental; é o primeiro empregador de Macau; a sua quarta mulher acabou de ser eleita para a assembleia legislativa consultiva do território. Para além dos numerosos amigos que conta em Pequim para proteger o seus vastos interesses. Objectivo desta batalha: a clientela chinesa do outro lado do delta do rio das Pérolas, que até agora tem comparecido ao encontro. O número de visitantes duplicou em três anos. Este ano foi de 20 milhões (segundo as previsões serão 35 milhões em 2010), 80 por cento dos quais oriundos de Hong Kong e do continente, onde as salas de jogo são ilegais. Nas salas cheias de fumo do Lisboa ou do Greek Mythology, reconhecem-se à vista os clientes oriundos da China continental pela sua roupa simples e a expressão de espanto face à decoração em volta. Fazem-se fotografar no exterior das salas, em frente a cada escultura grega ou egípcia. Mas em volta da mesas de bacará, de black jack ou de roleta, o cenário esfuma-se para dar lugar à paixão chinesa pelo jogo. Estes clientes são prezados, mas não são eles o verdadeiro alvo. É preciso subir as escadas do Lisboa para descobrir as salas VIP, ouro, jade, dragões e acesso interdito aos não VIP e aos curiosos. A identidade dos clientes tem que ser resguardada, até porque se sabe que uma parte do dinheiro que ali circula é oriundo da corrupção, dos subornos pagos na China. Nestas salas, as somas em trânsito mudam de escala e é nelas que os casinos fazem 70 por cento das suas verbas. É esta a clientela que disputam ferozmente. Os dirigentes dos casinos são particularmente solícitos com os angariadores de grandes clientes para as salas VIP. Quando o Sands, que por enquanto apenas tem quatro ou cinco por cento do mercado das "personalidades" de Macau, anunciou que ia aumentar ligeiramente a percentagem dada aos angariadores , Stanley Ho eriçou-se: alguém toque no mercado dos VIP e será a guerra, declarou o septuagenário. Um incêndio no estaleiro de um casino em construção, que foi apresentado oficialmente como um acidente, faz recear que estejam de volta as rivalidades entre grupos mafiosos. Os habitantes de Macau observam com um misto de fascínio e de frieza esta transformação em curso do seu território. Habituados à cultura do jogo, apreciam a chegada de investidores que criam empregos e melhoram as infra-estruturas de que eles necessitavam. Mas existe o reverso da medalha: os preços do imobiliário estão a disparar, ameaçando desterrar os mais pobres para o outro lado da fronteira chinesa, em Zhuhai. "Vão transformar Macau num Mónaco, um enclave para ricos", insurge-se uma jornalista de um diário local. Um grupo de universitários está, pelo seu lado, a ultimar um estudo sobre os efeitos perversos dos casinos, em particular sobre a educação dos jovens cujos pais trabalham ali e que são obrigados a assegurar o turno da noite semana sim, semana não. Estes jovens desejam interromper os seus estudos o mais depressa possível para também eles se empregarem naqueles estabelecimentos. Outros inquietam-se pelo impacto deste maná que se abateu sobre o minúsculo território, cuja gestão é assegurada sem a menor transparência por uma equipa escolhida em Pequim - 70 por cento dos receitas do governo de Macau provêm de impostos sobre o jogo, uma soma que aumenta constantemente. Questões dos habitantes; "Como é que este dinheiro é gasto? Quem é que controla as ordens da Bolsa? Quem é que sabe para onde vai o dinheiro da Fundação Macau, encarregada de desenvolver a acção cultural com uma percentagem das receitas dos casinos?". Por agora, os dois Macaus coabitam: no litoral, nos estaleiros dos casinos, trabalham noite e dia, os investidores americanos deixam-se estar discretos pelo seus complexos de villas, e os turistas precipitam-se sobre as mesas de jogo. Quando mergulhamos na cidade, encontramos as ruelas estreitas com ares mediterrânicos, mais próximas de Nápoles ou de Palermo do que de Cantão ou Hongkong; e os seus pequenos portos de pesca com ambientes dignos de um Corto Maltese. Mas o primeiro vai de vento em popa e virá o dia em que ganhará ao segundo. Macau, uma cidade com cinco séculos de história, terá então mudado de época.
Publicado na edição online do Público, 4 de Dez de 2005
Pierre Haski, Libération
Um incêndio no estaleiro de um casino em construção, que foi apresentado oficialmente como um acidente, faz recear que estejam de volta as rivalidades entre grupos mafiosos. A
o cima das escadas, um Zeus monumental em mármore espera os visitantes. A seu lado, está de guarda um centurião em carne e osso, capacete metálico na mão. Os turistas chineses fazem fila para tirar uma foto com este digno representante da Antiguidade. Mas de onde vem o centurião? «I don"t speak english", responde-nos, com um forte sotaque russo, este gigante que uma placa indica chamar-se Viktor. Um pouco mais longe, bailarinas quase nuas, louras e russas também elas, dançam ao ritmo de uma canção do francês Yannick Noah, enquanto um anúncio luminoso informa que se trata de um "show brasileiro". Bem-vindos ao Greek Mythology, um dos mais recentes casinos de Macau, esse confetti do império português devolvido à China em 1999 e que está agora a atravessar uma verdadeira revolução cultural, a do jogo e do divertimento. Este estabelecimento é uma importação directa de Las Vegas, um produto híbrido e globalizado destinado a alimentar a fome do jogo, aparentemente inesgotável, dos novos ricos - e de outros que não o são assim tanto - da Ásia e sobretudo da China. Macau, o inferno do jogo. A lenda imortalizada pelo filme de Jean Delannoy em 1942 foi-se esvanecendo nos anos 80 e 90 neste extremo de um império colonial em fim de cena. O monopólio do jogo concedido há décadas a Stanley Ho, autêntico magnata chinês, contentava-se em ronronar, à imagem do Lisboa, o seu navio almirante, velho palácio sem viço ( que abrigava, mesmo assim, um restaurante de Joel Robuchon!), uma espécie de duplo de um casino, em quebra de atracção e com o ambiente de um filme a preto e branco. Apenas alguns ajustes de contas mafiosos davam ainda algum "frisson" ao cenário fora de moda desta China latina. As autoridades chinesas da nova "região administrativa especial" perceberam rapidamente o partido que podiam tirar do seu estatuto de autonomia, no seio de uma China comunista em crescimento económico acelerado e com uma nova classe abastada composta por muitos milhões de indivíduos. E o que fizeram primeiro foi pôr fim ao monopólio concedido há 40 anos a Stanley Ho. Atribuíram duas licenças aos seus concorrentes: dois grupos de Las Vegas que deram cartas na transformação do paraíso do jogo do Nevada numa metrópole de lazeres para todos os gostos. Esta irrupção dos americanos no jogo chinês electrizou Macau e transformou este minúsculo território de cerca de 475 mil habitantes, estrategicamente situado face a Hong Kong e à rica província de Guangdong, numa terra de conquista na qual os casinos nascem mais rápido do que cogumelos, rivalizando no kitsch. E é apenas o princípio: dentro de cinco anos, quando o território contar com uma trintena destes estabelecimentos, Macau estará irreconhecível. Não existem razões para que todos estes projectos não vejam a luz do dia. Como prova o Sands. Este casino, que custou 200 milhões de euros, é a prefiguração do modelo Las Vegas, com um pouco mais de classe do que o Greek Mythology e contrastando gritantemente com o Lisboa envelhecido. Quando abriu as portas, no ano passado, houve quase que um motim em Macau. Um ano depois, o investidor americano Sheldon Anderson já se reembolsou do investimento feito e vai duplicar o número de mesas de jogo. Anunciou que o Sands de Macau é já mais rentável que o Venetian, o seu casino de referência em Las Vegas. Estava lançada a corrida ao gigantismo. Steve Wynn, um outro magnata do jogo de Las Vegas, lançou uma campanha com vista ao recrutamento de quatro mil empregados para o seu Wynn Macao, um complexo com hotel e casino que abrirá as portas em 2006, representando um investimento de 600 milhões de euros, três vezes mais do que o Sands! Mais longe, o MGM Paradise será ainda maior, mas não tanto como o futuro Venetian de Macau - três mil camas, 1500 suites, um casino, 1,7 mil milhões de euros de investimento. Atingidos no seu reduto, Stanley Ho e a família resolveram fazer face ao desafio. Ao lado do Lisboa, que, no centro da cidade, continua a ser o melhor situado, está a nascer o Grande Lisboa. A fazer fé na maqueta reproduzida no local, assemelhar-se-á a uma gigantesca espiga de milho luminosa e superará tudo o que ainda se possa fazer de kitsch. Stanley Ho escolheu o arquitecto francês Paul Andreu, a custo recuperado do acidente catastrófico sofrido pelo seu terminal do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, para imaginar Oceanus, um projecto em forma de paquete de 670 milhões de euros, com um hotel de seis estrelas, escritórios, complexo de lazer. E não é tudo: por 800 milhões de euros, os chineses aliaram-se a Kerry Packer, o homem mais rico da Austrália, para criar a City of Dreams na zona ganha ao mar de Cotai, onde se concentram os projectos mais grandiosos. "Stanley Ho é um jogador de Go, ele cerca os seus inimigos. Dispôs os seus peões de tal modo que qualquer visitante de Macau começa por ele e acaba nele", comenta um observador. É verdade que o magnata dispõe de alguns trunfos: é proprietário da companhia de ferries que transporta os turistas vindos de Hong Kong (com partidas de 15 em 15 minutos) ou da China continental; é o primeiro empregador de Macau; a sua quarta mulher acabou de ser eleita para a assembleia legislativa consultiva do território. Para além dos numerosos amigos que conta em Pequim para proteger o seus vastos interesses. Objectivo desta batalha: a clientela chinesa do outro lado do delta do rio das Pérolas, que até agora tem comparecido ao encontro. O número de visitantes duplicou em três anos. Este ano foi de 20 milhões (segundo as previsões serão 35 milhões em 2010), 80 por cento dos quais oriundos de Hong Kong e do continente, onde as salas de jogo são ilegais. Nas salas cheias de fumo do Lisboa ou do Greek Mythology, reconhecem-se à vista os clientes oriundos da China continental pela sua roupa simples e a expressão de espanto face à decoração em volta. Fazem-se fotografar no exterior das salas, em frente a cada escultura grega ou egípcia. Mas em volta da mesas de bacará, de black jack ou de roleta, o cenário esfuma-se para dar lugar à paixão chinesa pelo jogo. Estes clientes são prezados, mas não são eles o verdadeiro alvo. É preciso subir as escadas do Lisboa para descobrir as salas VIP, ouro, jade, dragões e acesso interdito aos não VIP e aos curiosos. A identidade dos clientes tem que ser resguardada, até porque se sabe que uma parte do dinheiro que ali circula é oriundo da corrupção, dos subornos pagos na China. Nestas salas, as somas em trânsito mudam de escala e é nelas que os casinos fazem 70 por cento das suas verbas. É esta a clientela que disputam ferozmente. Os dirigentes dos casinos são particularmente solícitos com os angariadores de grandes clientes para as salas VIP. Quando o Sands, que por enquanto apenas tem quatro ou cinco por cento do mercado das "personalidades" de Macau, anunciou que ia aumentar ligeiramente a percentagem dada aos angariadores , Stanley Ho eriçou-se: alguém toque no mercado dos VIP e será a guerra, declarou o septuagenário. Um incêndio no estaleiro de um casino em construção, que foi apresentado oficialmente como um acidente, faz recear que estejam de volta as rivalidades entre grupos mafiosos. Os habitantes de Macau observam com um misto de fascínio e de frieza esta transformação em curso do seu território. Habituados à cultura do jogo, apreciam a chegada de investidores que criam empregos e melhoram as infra-estruturas de que eles necessitavam. Mas existe o reverso da medalha: os preços do imobiliário estão a disparar, ameaçando desterrar os mais pobres para o outro lado da fronteira chinesa, em Zhuhai. "Vão transformar Macau num Mónaco, um enclave para ricos", insurge-se uma jornalista de um diário local. Um grupo de universitários está, pelo seu lado, a ultimar um estudo sobre os efeitos perversos dos casinos, em particular sobre a educação dos jovens cujos pais trabalham ali e que são obrigados a assegurar o turno da noite semana sim, semana não. Estes jovens desejam interromper os seus estudos o mais depressa possível para também eles se empregarem naqueles estabelecimentos. Outros inquietam-se pelo impacto deste maná que se abateu sobre o minúsculo território, cuja gestão é assegurada sem a menor transparência por uma equipa escolhida em Pequim - 70 por cento dos receitas do governo de Macau provêm de impostos sobre o jogo, uma soma que aumenta constantemente. Questões dos habitantes; "Como é que este dinheiro é gasto? Quem é que controla as ordens da Bolsa? Quem é que sabe para onde vai o dinheiro da Fundação Macau, encarregada de desenvolver a acção cultural com uma percentagem das receitas dos casinos?". Por agora, os dois Macaus coabitam: no litoral, nos estaleiros dos casinos, trabalham noite e dia, os investidores americanos deixam-se estar discretos pelo seus complexos de villas, e os turistas precipitam-se sobre as mesas de jogo. Quando mergulhamos na cidade, encontramos as ruelas estreitas com ares mediterrânicos, mais próximas de Nápoles ou de Palermo do que de Cantão ou Hongkong; e os seus pequenos portos de pesca com ambientes dignos de um Corto Maltese. Mas o primeiro vai de vento em popa e virá o dia em que ganhará ao segundo. Macau, uma cidade com cinco séculos de história, terá então mudado de época.
Publicado na edição online do Público, 4 de Dez de 2005
Wednesday, December 07, 2005
Tuesday, December 06, 2005
Para Moçambique e em Força!!!
A Geocapital Holdings assina sexta- feira em Macau com o Gabinete do Plano de Desenvolvimento da Região do Zambeze um acordo de cooperação relativo a infra-estruturas e captação de investimento asiático para aquela zona moçambicana.
Fonte ligada ao processo explicou à agência Lusa que o acordo, que será assinado por Stanley Ho e Ferro Ribeiro, em representação da Geocapital, e por Sérgio Vieira, coordenador do gabinete de Desenvolvimento da região do Zambeze, visa "estreitar relações com entidades técnicas e financeiras tendentes a explorar oportunidades e negócio naquela região" que ocupa uma área de 225.000 quilómetros quadrados, disse a fonte. Lusa
Fonte ligada ao processo explicou à agência Lusa que o acordo, que será assinado por Stanley Ho e Ferro Ribeiro, em representação da Geocapital, e por Sérgio Vieira, coordenador do gabinete de Desenvolvimento da região do Zambeze, visa "estreitar relações com entidades técnicas e financeiras tendentes a explorar oportunidades e negócio naquela região" que ocupa uma área de 225.000 quilómetros quadrados, disse a fonte. Lusa
Monday, December 05, 2005
Manifestação em Hong Kong III
Ainda a propósito da marcha pela democracia de ontem nas ruas Hong Kong e do processo de reformas políticas na antiga colónia britânica, recordo as palavras ditas, em Março de 2005, por Lee Kuan Yew, "pai fundador" de Singapura:
"I said then if Hong Kong offered opportunities of growth, prosperity, business, I will stay but if it didn't, I would leave. Would you consider politics? I said 'no', it's a thankless job, you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow."(...)
"I said then if Hong Kong offered opportunities of growth, prosperity, business, I will stay but if it didn't, I would leave. Would you consider politics? I said 'no', it's a thankless job, you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow."(...)
Manifestação em Hong Kong II
O que aconteceu ontem em Hong Kong demonstra que a vontade de uma parte significativa da sociedade tem a maturidade suficiente para abraçar o sufrágio directo e universal. O mais significativo nesta demonstração é que, pela primeira vez, todo o campo pró-democracia assinou uma só petição, em que os vários movimentos exigem um calendário para a implementação de mecanismos directos eleição do chefe do executivo e do Conselho Legislativo. Simbolicamente, Anson Chan, ex número dois do governo de Chris Patten, o último governador britânico de Hong Kong, esteve presente, dando mais força a uma manifestação pácífica e ordeira, que também por isso ilustra a maturidade de uma sociedade que, mesmo vivendo, ou talvez por isso mesmo, num clima de recuperação económica a olhos vistos, mantém firmes os anseios democráticos.
Apesar deste sinal, será de todo impossível que a exigência seja satifeita. Quem decide, em primeira e última instância é o governo central, a quem não intressa um avanço rápido para a democratização geral do sistema de Hong Kong, nem sequer a o estabelecimento de um calendário, que iria condicionar o processo de democratização com "características chinesas" que os dirigentes de Pequim proclamam. No meio disto tudo Donald Tsang é o elo mais frágil da antítese entre uma parte da sociedade de Hong Kong e os planos do governo central. Conseguirá o chefe do executivo de Hong Kong fazer a síntese? Será que a missão dele é como fazer a quadratura do círculo? Irá Ppequim ouvir estas exigências? Será que Tsang vai ceder significativamente no seu plano tímido de reformas políticas?
Para ler mais sobre este assunto:
Na blogosfera, ler
A afirmação da sociedade civil, no Exílio de Andarilho
Na imprensa internacional:
Tsang gets the message , no The Standard.
Major Hong Kong protest, Christian Science Monitor
Hong Kong's slow reform triggers new mass protest, Times
Apesar deste sinal, será de todo impossível que a exigência seja satifeita. Quem decide, em primeira e última instância é o governo central, a quem não intressa um avanço rápido para a democratização geral do sistema de Hong Kong, nem sequer a o estabelecimento de um calendário, que iria condicionar o processo de democratização com "características chinesas" que os dirigentes de Pequim proclamam. No meio disto tudo Donald Tsang é o elo mais frágil da antítese entre uma parte da sociedade de Hong Kong e os planos do governo central. Conseguirá o chefe do executivo de Hong Kong fazer a síntese? Será que a missão dele é como fazer a quadratura do círculo? Irá Ppequim ouvir estas exigências? Será que Tsang vai ceder significativamente no seu plano tímido de reformas políticas?
Para ler mais sobre este assunto:
Na blogosfera, ler
A afirmação da sociedade civil, no Exílio de Andarilho
Na imprensa internacional:
Tsang gets the message , no The Standard.
Major Hong Kong protest, Christian Science Monitor
Hong Kong's slow reform triggers new mass protest, Times
Sunday, December 04, 2005
Manifestação em Hong Kong

mais de 100 mil pessoas desfilaram pelas ruas de Hong Kong exigindo o avanço para o sufrágio directo e universal.
Saturday, December 03, 2005
Friday, December 02, 2005
Just Asking..
Será que a União Europeia conhece os limites da sua relação com a China?
O que é que significa a elevação de Portugal a parceiro estratégico da China?
Será que Donald Tsang tem medo do sucesso da a manifesação pró-democracia do próximo domingo em Hong Kong?
O que é que significa a elevação de Portugal a parceiro estratégico da China?
Será que Donald Tsang tem medo do sucesso da a manifesação pró-democracia do próximo domingo em Hong Kong?
Tuesday, November 29, 2005
Macau entre dois mundos
Seminário"Europe as a Global actor"
Como Chin Kin Wah, vice-director do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático de Singapura, referia ontem, estamos perante o relacionamento entre a UE, “uma região composta por estados” e a China “um estado composto por regiões”.
na óptica de Xing Hua “sempre que há problemas no relacionamento, existe uma vontade de os resolver sem que haja prejuízo para os dois lados” – exemplo disso foi o recente acordo assinado entre Bruxelas e Pequim acerca da questão do comércio têxtil.
No Hoje Macau
Como Chin Kin Wah, vice-director do Instituto de Estudos do Sudeste Asiático de Singapura, referia ontem, estamos perante o relacionamento entre a UE, “uma região composta por estados” e a China “um estado composto por regiões”.
na óptica de Xing Hua “sempre que há problemas no relacionamento, existe uma vontade de os resolver sem que haja prejuízo para os dois lados” – exemplo disso foi o recente acordo assinado entre Bruxelas e Pequim acerca da questão do comércio têxtil.
No Hoje Macau
Friday, November 25, 2005
A mudança que vem de dentro II
Frank Ching*
Por coincidência, a cerimónia de tributo a Hu aconteceu três dias depois da morte , aos 92 anos, de um outro dirigente do partido que foi reformador, Ren Zhongyi, antigo líder do PCC em Guangdong. Depois da sua reforma, Ren tornou-se altamente crítico à relutância do partido em avançar com reformas políticas. Em Abril de 2000, ele escreveu um artigo no jornal oficial do partido de Guangzhou no qual procura dar resposta aos problema colocado pelos quatro princípios cardeais enunciados por Deng, e os quais todos os membros do partido devem ter em atenção.
Os quatro princípios podem ser resumidos num: manter a liderança do partido. Mas Ren escreveu que é impossível manter a liderança do partido sem melhorá-lo. E “melhorar a liderança significa que a situação na qual ninguém pode constringir o partido tem de acabar, disse Ren. “O poder absoluto corrompe absolutamente. O partido precisa de ser supervisionado não apenas pelo partido, as pelas pessoas.”
O artigo foi publicado em duas outras publicações chinesa, sugerindo que há outros em posição de alguma autoridade que querem disseminar essas ideias subversivas. No longo prazo, a mudança na China virá mais provavelmente dos críticos que fazem parte do partido do que de fora, embora seja muito importante que haja críticos externos.
De outro modo, o mundo vai simplesmente que está tudo bem na China quando isso não é verdade.
Um dos críticos de fora doi George W Bush, que na semana passada, disse que Pequim devia seguir o exemplo de Taipé e tornar-se num regime democrático. “Ao mesmo tempo que a China reforma a sua economia”, disse Bush em Kyoto, no Japão, “os seus líderes estão a perceber que uma vez aberta a porta da liberdade, mesmo que apenas um pouco, nunca mais poderá ser fechada. Enquanto aumenta a prosperidade dos chineses, as suas exigência por liberdade política aumentarão igualmente”.
A China não gostou lá muito de ser comparada com Taiwan. Mas enquanto os líderes ficam desagradados com as críticas feitas em público pelos estrangeiros, o facto triste é que estas cosias precisam de ser ditas. Se o senhor Bush não o disser desta maneira, nenhum outro líder no mundo o vai dizer.
Excerto traduzido e adaptado de um artigo de opinião publicado no dia 23-11-2005, no South China Morning Post.
*Frank Ching é escritor e comentador de assuntos políticos em Hong Kong.
Por coincidência, a cerimónia de tributo a Hu aconteceu três dias depois da morte , aos 92 anos, de um outro dirigente do partido que foi reformador, Ren Zhongyi, antigo líder do PCC em Guangdong. Depois da sua reforma, Ren tornou-se altamente crítico à relutância do partido em avançar com reformas políticas. Em Abril de 2000, ele escreveu um artigo no jornal oficial do partido de Guangzhou no qual procura dar resposta aos problema colocado pelos quatro princípios cardeais enunciados por Deng, e os quais todos os membros do partido devem ter em atenção.
Os quatro princípios podem ser resumidos num: manter a liderança do partido. Mas Ren escreveu que é impossível manter a liderança do partido sem melhorá-lo. E “melhorar a liderança significa que a situação na qual ninguém pode constringir o partido tem de acabar, disse Ren. “O poder absoluto corrompe absolutamente. O partido precisa de ser supervisionado não apenas pelo partido, as pelas pessoas.”
O artigo foi publicado em duas outras publicações chinesa, sugerindo que há outros em posição de alguma autoridade que querem disseminar essas ideias subversivas. No longo prazo, a mudança na China virá mais provavelmente dos críticos que fazem parte do partido do que de fora, embora seja muito importante que haja críticos externos.
De outro modo, o mundo vai simplesmente que está tudo bem na China quando isso não é verdade.
Um dos críticos de fora doi George W Bush, que na semana passada, disse que Pequim devia seguir o exemplo de Taipé e tornar-se num regime democrático. “Ao mesmo tempo que a China reforma a sua economia”, disse Bush em Kyoto, no Japão, “os seus líderes estão a perceber que uma vez aberta a porta da liberdade, mesmo que apenas um pouco, nunca mais poderá ser fechada. Enquanto aumenta a prosperidade dos chineses, as suas exigência por liberdade política aumentarão igualmente”.
A China não gostou lá muito de ser comparada com Taiwan. Mas enquanto os líderes ficam desagradados com as críticas feitas em público pelos estrangeiros, o facto triste é que estas cosias precisam de ser ditas. Se o senhor Bush não o disser desta maneira, nenhum outro líder no mundo o vai dizer.
Excerto traduzido e adaptado de um artigo de opinião publicado no dia 23-11-2005, no South China Morning Post.
*Frank Ching é escritor e comentador de assuntos políticos em Hong Kong.
Thursday, November 24, 2005
Confirmam-se as piores expectativas
Lusa, Pequim- A poluição invadiu 70% dos rios e lagos chineses, noticia hoje a agência oficial chinesa Nova China, citando informações divulgadas durante uma conferência sobre rios e lagos realizada na província de Jiangxi, no leste do país.
"Os problemas que mais afectam os recursos hídricos chineses são a diminuição dos pântanos, além de problemas de diminuição, disfunção e contaminação dos caudais dos rios", disse no encontro Chen Bangzhu, director de assuntos populacionais, pesquisas e meio ambiente da Conferência Consultiva de Políticas da República Popular da China, citado pela agência.
As causas da poluição, segundo Chen, são o rápido crescimento económico, a expansão populacional e demográfica e a falta de planeamento nos programas de desenvolvimento do país.
O investigador apontou ainda outras causas, como a falta de leis de preservação de recursos hídricos e a inadequada vigilância.
As autoridades de Harbin, capital da província de Heilongjiang, no nordeste do país, cortaram na segunda- feira o abastecimento de água da cidade devido à contaminação química do rio Songhua, que a abastece.
Um lençol de benzol de 80 quilómetros de extensão está a flutuar no rio e a aproximar-se de Harbin, contaminando com o químico cancerígeno as nascentes de água da cidade, que fornecem 90 por cento da água consumida pelos seus oito milhões de habitantes.
A fuga de benzol foi causada pela explosão de uma fábrica de produtos petroquímicos no passado dia 13 de Novembro na cidade de Jilin, que fica na margem do rio Songhua, a cerca de 380 quilómetros a montante de Harbin.
As toxinas no rio, segundo a autoridade ambiental da província, estão a um nível 100 vezes mais alto do que o normal e os níveis de benzol entre 30 e 100 vezes acima do nível normal na água para abastecimento humano Lusa
Entretanto:
A chemical plant of Jilin Petrochemical Company under China National Petroleum Corp. should be held responsible for the pollution of Songhua River, said Zhang Lijun, deputy director of the State Environmental Protection Administration, at a press conference here Thursday.
Deputy general manager of China National Petroleum Corp.(CNPC) Zeng Yukang expressed his sincere sympathy and deep apologies to the residents of northeast China's Heilongjiang province, for the pollution of the Songhua River caused by the blast in a chemical plant under the CNPC Jilin Petrochemical Company.
Infelizmente só depois de tragédias ambientais como esta é que vão ser tomadas as medidas, em reacção, sem se ter tido uma postura de prevenção. Há muito que fazer na China em termos ambientais. O crescimento a qualquer custo, sem freio nem regras traz estes resultados.
A académica Elizabeth Economy, reputada sinóloga, reflecte sobre as questões ambientais na China, na Globalist, no artigo "Can China Go Green?"
"Os problemas que mais afectam os recursos hídricos chineses são a diminuição dos pântanos, além de problemas de diminuição, disfunção e contaminação dos caudais dos rios", disse no encontro Chen Bangzhu, director de assuntos populacionais, pesquisas e meio ambiente da Conferência Consultiva de Políticas da República Popular da China, citado pela agência.
As causas da poluição, segundo Chen, são o rápido crescimento económico, a expansão populacional e demográfica e a falta de planeamento nos programas de desenvolvimento do país.
O investigador apontou ainda outras causas, como a falta de leis de preservação de recursos hídricos e a inadequada vigilância.
As autoridades de Harbin, capital da província de Heilongjiang, no nordeste do país, cortaram na segunda- feira o abastecimento de água da cidade devido à contaminação química do rio Songhua, que a abastece.
Um lençol de benzol de 80 quilómetros de extensão está a flutuar no rio e a aproximar-se de Harbin, contaminando com o químico cancerígeno as nascentes de água da cidade, que fornecem 90 por cento da água consumida pelos seus oito milhões de habitantes.
A fuga de benzol foi causada pela explosão de uma fábrica de produtos petroquímicos no passado dia 13 de Novembro na cidade de Jilin, que fica na margem do rio Songhua, a cerca de 380 quilómetros a montante de Harbin.
As toxinas no rio, segundo a autoridade ambiental da província, estão a um nível 100 vezes mais alto do que o normal e os níveis de benzol entre 30 e 100 vezes acima do nível normal na água para abastecimento humano Lusa
Entretanto:
A chemical plant of Jilin Petrochemical Company under China National Petroleum Corp. should be held responsible for the pollution of Songhua River, said Zhang Lijun, deputy director of the State Environmental Protection Administration, at a press conference here Thursday.
Deputy general manager of China National Petroleum Corp.(CNPC) Zeng Yukang expressed his sincere sympathy and deep apologies to the residents of northeast China's Heilongjiang province, for the pollution of the Songhua River caused by the blast in a chemical plant under the CNPC Jilin Petrochemical Company.
Infelizmente só depois de tragédias ambientais como esta é que vão ser tomadas as medidas, em reacção, sem se ter tido uma postura de prevenção. Há muito que fazer na China em termos ambientais. O crescimento a qualquer custo, sem freio nem regras traz estes resultados.
A académica Elizabeth Economy, reputada sinóloga, reflecte sobre as questões ambientais na China, na Globalist, no artigo "Can China Go Green?"
Wednesday, November 23, 2005
A mudança que vem de dentro I
A mudança que vem de dentro I
Frank Ching*
“A reabilitação política, na última sexta-feira, do antigo líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Hu Yaobang, é encorajadora para a ala progressista do PCC – mesmo que não haja indicações que a direcção do partido vá relaxar as suas políticas caracterizadas pela predominância da linha dura. Foi a morte de Hu, em Abril de 1989, que despoletou as manifestações em massa de estudantes na Praça de Tiananmen.
O facto do antigo secretário-geral do PCC ter sido alvo de um tributo por ocasião do 90º aniversário do seu nascimento pela liderança chinesa não significa que o partido esteja preparado para rever a sua posição acerca do massacre de 4 de Junho. Ao passo que a sua morte foi o catalizador das manifetsações, o antigo líder não teve nada a ver com os eventos.
No longo-prazo, no entanto, a liderança chinesa será obrigada a reavaliar a deceidssão de enviar tanques contra estudantes desarmados - embora isso não deva vir a acontecer durante o consulado de Hu Jnitao na liderança do PCC.
Hu Yaobang foi, indubitavelmente, o mais liberal de todos os dirigentes que o partido produziu. Enquanto secretário-geral ele teve a coragem de pedir desculpas pelas acções do partido no Tibete; propôs mesmo que os chineses passassema usar garfos e facas, em vez de “pauzinhos”, por razões de higiene; pediu a Deng Xiaoping, o seu mentor, para se retirar da cena política – uma atitude que não caiu propriamente nas boas graças do “pequeno timoneiro”; e foi forçado a resignar ao vcargo de líder do Partido, em 1987, por ter recusado reprimir manifestações de estudantes. Hu Yaobang é encarado com admiração por muitos dos devotos do partido, em grande medida, porque ele pessoalmente reabilitou três milhões de membros do partido que tinham sido erradamente perseguidos durante as campanhas políticas como o Movimento Anti-Direitista dos anos 1950 e a Revolução Cultural de 1966-1976.”
((ontinua)
Extracto traduzido e adaptado de um artigo de opnião publicado no dia 23-11-2005, no South China Morning Post.
*Frank Ching é escritor e comentador de assuntos políticos em Hong Kong.
Frank Ching*
“A reabilitação política, na última sexta-feira, do antigo líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Hu Yaobang, é encorajadora para a ala progressista do PCC – mesmo que não haja indicações que a direcção do partido vá relaxar as suas políticas caracterizadas pela predominância da linha dura. Foi a morte de Hu, em Abril de 1989, que despoletou as manifestações em massa de estudantes na Praça de Tiananmen.
O facto do antigo secretário-geral do PCC ter sido alvo de um tributo por ocasião do 90º aniversário do seu nascimento pela liderança chinesa não significa que o partido esteja preparado para rever a sua posição acerca do massacre de 4 de Junho. Ao passo que a sua morte foi o catalizador das manifetsações, o antigo líder não teve nada a ver com os eventos.
No longo-prazo, no entanto, a liderança chinesa será obrigada a reavaliar a deceidssão de enviar tanques contra estudantes desarmados - embora isso não deva vir a acontecer durante o consulado de Hu Jnitao na liderança do PCC.
Hu Yaobang foi, indubitavelmente, o mais liberal de todos os dirigentes que o partido produziu. Enquanto secretário-geral ele teve a coragem de pedir desculpas pelas acções do partido no Tibete; propôs mesmo que os chineses passassema usar garfos e facas, em vez de “pauzinhos”, por razões de higiene; pediu a Deng Xiaoping, o seu mentor, para se retirar da cena política – uma atitude que não caiu propriamente nas boas graças do “pequeno timoneiro”; e foi forçado a resignar ao vcargo de líder do Partido, em 1987, por ter recusado reprimir manifestações de estudantes. Hu Yaobang é encarado com admiração por muitos dos devotos do partido, em grande medida, porque ele pessoalmente reabilitou três milhões de membros do partido que tinham sido erradamente perseguidos durante as campanhas políticas como o Movimento Anti-Direitista dos anos 1950 e a Revolução Cultural de 1966-1976.”
((ontinua)
Extracto traduzido e adaptado de um artigo de opnião publicado no dia 23-11-2005, no South China Morning Post.
*Frank Ching é escritor e comentador de assuntos políticos em Hong Kong.
Tuesday, November 22, 2005
Self-Defence Forces turn into Japanese Army

60 anos depois.
Não estando em causa o direito que os japoneses têm em ser uma nação "normal", 60 anos depois do fim da II Guerra Mundial, suspeito que Pequim vai espernear. Simbolicamente, e de um certo modo, de facto, vai haver algumas alterações na correlação e equilíbrio de forças na zona Ásia-Pacífico. De novo e sempre o security dilema.
Europe and China in Central Asia IV
Oil and Natural Gas in Central Asia
According to the OPEC Annual Statistical Bulletin at the end of 2001, world proven oil reserves stood at 1,074,850 billion barrels, of which 78.7 per cent, was in OPEC Member Countries. The five litoral Caspaian States account for 14.6 percent of the world’s proven oil reserves and 50 percent of the proven gas reserves in the world. This figures by themselves can give an idea of the strategic importantance of the Central Asia and Caspian to the world oil and natural gas market. As the report “Caspian and Oil Gas” from report by the Energy Information Administration of the USA Government states, “As world oil demand continues to grow over the next decade, the region will gain in importance by diversifying sources of oil and gas beyond such traditional suppliers as the Middle East.”
Although, at the moment, the countries of the Caspian Sea region are relatively minor world oil and gas producers, struggling with difficult economic and political transitions, it is expected a huge increase on the production in the near future. The Internationa Energy Agency estimates that the overall production of the Caspian litoral states (inclusing Uzbequistan) will augment from 1593 thousands barrels per day in 2002 to a maximum high of 4894 in 2010. Concerning the natural gas production, it will almost double from 4.49 Trillion Cubic Feet to 8.7 in 2010.
All these data make the region widelly attractive to the major indusrialized powers and to the Transnational Oil Companies (TNOC), in a complex game involving both states and private actors. Indeed the priate cators are active in the region, whrerein some of the lagest TNOCs have already get it foothold in the region: BP is involved in Azerbeijan (oil and natural gas) and in Kazakhstan (oil), Agip is part of two projects in Kazakhstan and Chevron Texaco is doing business a well in Kazakhstan.
Another important issue is the pipeline politics in Central Asia. Sander Hansen (2003, 3) analyses the question in the light of two interconnecetd problems. On the one hand, the struggle for control over the resources in Central Asia. Here we have a thorny matter because f the uncertain legal status of the Caspian Sea, since there are no international legar borders dividing the Caspian Sea among the litoral States. If until 1989-91 the problem could be solved between the Soviet Union and Iran, after the collapse of USSR, the sovereignity over the Caspian Sea remains a potential source for conflict[2]. In May 2003, Russia, Azerbaijan, and Kazakhstan, in a trilateral agreement, divided the northern 64% of the Caspian Sea into three ueven parts: 27 percent for Kazakhstan, 19 percent for Russia and 18 percent for Azerbaijan. Turkmenistan and Iran refused to sign the agreement. The problem as we can forsee will remain. On the other hand, the issue of pipeline politics councerns the exploitation and export of the resourses: “the countries that possess hydrocarbon deposits do not have the technology and financial capability to start the exploitation without outside help”(Hansen, 2003). Threfore, the Central Asian states are de facto dependent from the TNOCs, which are interested in doing business in the region due to the proven reserves and potential of eploration, but, at the same time, fear the unstable social and political environment. It is also noteworthy to highlight that the export of oil and natural gas from Central Asia is a costly bysuness as the it is a landlocked region. That is why the oil and gas pipelines routes are obeject of attention and intersection of different agents: local authorities, foreign powers (China, European Union, USA, Russia, India) and private actores such as the TNOCs).
[1] Kazakhstan decided in the beginning of 2003 to create a full-fedged navy in the Caspian Sea, following a tendency to increase the militarisation in the area. The government announced that the decision is aiming to protect western investments and fight smuggling activities.
Recapitulando:
Europe and China in Central Asia
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
According to the OPEC Annual Statistical Bulletin at the end of 2001, world proven oil reserves stood at 1,074,850 billion barrels, of which 78.7 per cent, was in OPEC Member Countries. The five litoral Caspaian States account for 14.6 percent of the world’s proven oil reserves and 50 percent of the proven gas reserves in the world. This figures by themselves can give an idea of the strategic importantance of the Central Asia and Caspian to the world oil and natural gas market. As the report “Caspian and Oil Gas” from report by the Energy Information Administration of the USA Government states, “As world oil demand continues to grow over the next decade, the region will gain in importance by diversifying sources of oil and gas beyond such traditional suppliers as the Middle East.”
Although, at the moment, the countries of the Caspian Sea region are relatively minor world oil and gas producers, struggling with difficult economic and political transitions, it is expected a huge increase on the production in the near future. The Internationa Energy Agency estimates that the overall production of the Caspian litoral states (inclusing Uzbequistan) will augment from 1593 thousands barrels per day in 2002 to a maximum high of 4894 in 2010. Concerning the natural gas production, it will almost double from 4.49 Trillion Cubic Feet to 8.7 in 2010.
All these data make the region widelly attractive to the major indusrialized powers and to the Transnational Oil Companies (TNOC), in a complex game involving both states and private actors. Indeed the priate cators are active in the region, whrerein some of the lagest TNOCs have already get it foothold in the region: BP is involved in Azerbeijan (oil and natural gas) and in Kazakhstan (oil), Agip is part of two projects in Kazakhstan and Chevron Texaco is doing business a well in Kazakhstan.
Another important issue is the pipeline politics in Central Asia. Sander Hansen (2003, 3) analyses the question in the light of two interconnecetd problems. On the one hand, the struggle for control over the resources in Central Asia. Here we have a thorny matter because f the uncertain legal status of the Caspian Sea, since there are no international legar borders dividing the Caspian Sea among the litoral States. If until 1989-91 the problem could be solved between the Soviet Union and Iran, after the collapse of USSR, the sovereignity over the Caspian Sea remains a potential source for conflict[2]. In May 2003, Russia, Azerbaijan, and Kazakhstan, in a trilateral agreement, divided the northern 64% of the Caspian Sea into three ueven parts: 27 percent for Kazakhstan, 19 percent for Russia and 18 percent for Azerbaijan. Turkmenistan and Iran refused to sign the agreement. The problem as we can forsee will remain. On the other hand, the issue of pipeline politics councerns the exploitation and export of the resourses: “the countries that possess hydrocarbon deposits do not have the technology and financial capability to start the exploitation without outside help”(Hansen, 2003). Threfore, the Central Asian states are de facto dependent from the TNOCs, which are interested in doing business in the region due to the proven reserves and potential of eploration, but, at the same time, fear the unstable social and political environment. It is also noteworthy to highlight that the export of oil and natural gas from Central Asia is a costly bysuness as the it is a landlocked region. That is why the oil and gas pipelines routes are obeject of attention and intersection of different agents: local authorities, foreign powers (China, European Union, USA, Russia, India) and private actores such as the TNOCs).
[1] Kazakhstan decided in the beginning of 2003 to create a full-fedged navy in the Caspian Sea, following a tendency to increase the militarisation in the area. The government announced that the decision is aiming to protect western investments and fight smuggling activities.
Recapitulando:
Europe and China in Central Asia
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Monday, November 21, 2005
live on/live for
"The Chinese are having more to live on, but less to live for"
Yang Rui, apresentador do programa "Dialogue", na CCTV 9, a resumir a entrevista a Sidney Rittenberg, um americano que passou parte da vida na China, num programa emitido na altura em que Bush está de visita à República Popular.
Yang Rui, apresentador do programa "Dialogue", na CCTV 9, a resumir a entrevista a Sidney Rittenberg, um americano que passou parte da vida na China, num programa emitido na altura em que Bush está de visita à República Popular.
Uma relação complexa

A visita de Bush à China na imprensa mundial:
Hu outlines mainstream of Sino-US ties, na Xinhua.
China holds line during Bush visit, International Herald Tribune.
What China Wants from Bush Visit, Time
Saturday, November 19, 2005
Soltem o comércio, ou "apanhem a batata quente"
O Líderes da APEC, Cooperação Económica Ásia-Pacífico, pediram à União Europeia
que mostre flexibilidade na questão dos subsídios à agricultura acusando Bruxelas de estar a colocar grandes entraves à abertura do mercado global.
Reunidos em, Busan na Coreia do Sul, os representantes de 21 países da América, Ásia Oriental e Pacífico afirmam que para que a cimeira da Organização Mundial de Comércio (OMC) ,
que vai ser realizada em Hong Kong tenha sucesso, é preciso que os europeus dêem um passo em frente.
O ministros sul coreano dos negócios estrangeiros Ban Ki Moon dise que a bola está do lado da Europa que terá que ter uma atitude mais flexível terminando com os proteccioanismos à agricultura.
É uma "pescadinha de rabo na boca". Os Estados Unidos aproveitam o facto de estarem numa cimeira da APEC para enviar recados à UE, mas não avançam com passos firmes no sentido de diminuirem os subsídios que eles próprios concedem à agricultura nem deixam cair as
barreiras proteccionistas que, volta e meia, vão impondo, não só na agricultura,
como a várias indústrias.
O problema é que, mais uma vez, o espectro do fracasso paira sobre uma cimneira da OMC,
que vai ser realizada em Dezembro em Hong Kong. O próprio director-geral da OMC, o francês Pascal Lamy, já foi avisando que o próximo encontro da WTO será uma etapa e não o
fim de um caminho rumo à liberalização do comércio. No entanto, as pulsões que se
fazem sentir na Europa, em especial em Farnça, não auguram uma tomada de posição forte da UE de reduzir os subsídios à agricultura e de reforma na Política Agrícola Comum (PAC).
que mostre flexibilidade na questão dos subsídios à agricultura acusando Bruxelas de estar a colocar grandes entraves à abertura do mercado global.
Reunidos em, Busan na Coreia do Sul, os representantes de 21 países da América, Ásia Oriental e Pacífico afirmam que para que a cimeira da Organização Mundial de Comércio (OMC) ,
que vai ser realizada em Hong Kong tenha sucesso, é preciso que os europeus dêem um passo em frente.
O ministros sul coreano dos negócios estrangeiros Ban Ki Moon dise que a bola está do lado da Europa que terá que ter uma atitude mais flexível terminando com os proteccioanismos à agricultura.
É uma "pescadinha de rabo na boca". Os Estados Unidos aproveitam o facto de estarem numa cimeira da APEC para enviar recados à UE, mas não avançam com passos firmes no sentido de diminuirem os subsídios que eles próprios concedem à agricultura nem deixam cair as
barreiras proteccionistas que, volta e meia, vão impondo, não só na agricultura,
como a várias indústrias.
O problema é que, mais uma vez, o espectro do fracasso paira sobre uma cimneira da OMC,
que vai ser realizada em Dezembro em Hong Kong. O próprio director-geral da OMC, o francês Pascal Lamy, já foi avisando que o próximo encontro da WTO será uma etapa e não o
fim de um caminho rumo à liberalização do comércio. No entanto, as pulsões que se
fazem sentir na Europa, em especial em Farnça, não auguram uma tomada de posição forte da UE de reduzir os subsídios à agricultura e de reforma na Política Agrícola Comum (PAC).
Thursday, November 17, 2005
Wednesday, November 16, 2005
Hu Yaobang recuperado

A notícia é avançada pelo China Daily. O governo central vai assinalar a passagem dos 90 anos sobre o nascimento de Hu Yaobang, ex secretário-geral do Partido Comunista Chinês, caído e desgraça em 1987 - ano em que foi afastado da liderança do PCC- por ter tido desvios "burgueses". Dias depois da sua morte, em Abril de 1989, centenas, depois milhares, de estudantes começaram a concentrar-se na Praça de Tiananmen. Será que a recuperação de Hu Yaobang, caracterizado agora pela imprensa oficial chinesa como "late charismatic leader", é um sinal que pode abrir caminho para um dia os manifestantes de Tiananmen deixem de ser rotulados de "contra-revolucionários"? Ou será apenas um wishful thought? É que a Zhao Zhiyang não deram a mão - continuou em prisão domiciliária até à sua morte, no início deste ano.
A propósito, vale a pena reler isto.
Tuesday, November 15, 2005
A História Desconhecida de Mao

A propósito dos livros de Jung Chang, Helena de Sousa Freitas da Agência Lusa escreve sobre a mais recente obra da autora de Cisnes Selvagens, escrita em conjunto com Jon Halliday:
"Uma nova biografia de Mao Zedong, cuja tradução portuguesa será lançada em Dezembro, assegura que o líder chinês "foi responsável por mais de 70 milhões de mortes em tempo de paz", superando qualquer outro dirigente do século XX.
O livro, "Mao - A História Desconhecida", foi escrito por Jung Chang, celebrizada com o best-seller "Cisnes Selvagens", e o historiador Jon Halliday, que virão a Lisboa para o lançamento da edição portuguesa, dia 06 de Dezembro.
Os dois autores, marido e mulher, afirmaram, aquando da publicação da biografia de Mao em inglês, que o objectivo dos mais de dez anos da sua investigação era desconstruir o mito de Mao como o criador benevolente da China moderna.
No entanto, asseguraram ter-se aproximado de Mao Zedong com abertura de espírito e tendo em vista expor factos sem fazer qualquer tipo de julgamento moral.
Mao Zedong, o fundador da República Popular da China, em 1949, morreu em 1976 com 83 anos.
O livro, que a editora Bertrand coloca nas livrarias a 02 de Dezembro, revela que, dos 70 milhões de mortos, 38 milhões morreram de fome, pois Mao exportava o máximo de alimentos para, com o dinheiro obtido, adquirir armamento e fabricar a bomba atómica chinesa.
Os autores encontraram documentos que provam que Mao Zedong lia descansadamente apesar de ter plena consciência de que as suas tropas estavam a morrer e a população chinesa trabalhava, em média, vinte horas por dia.
A biografia revela ainda que Mao mandava transportar peixe vivo ao longo de mil quilómetros, só porque não gostava de comer peixe congelado, e apenas tinha à sua mesa um arroz especial, tendo ainda criado um "harém" de jovens e atraentes mulheres para satisfazer as suas necessidades sexuais.
"Mao - A História Desconhecida" afirma igualmente que a Longa Marcha de pessoas que se deslocaram do sudeste para o Norte da China entre 1934-35 tinha por objectivo a ligação com a Rússia para a obtenção de armas.
Os investigadores garantem ainda que muitos dos detalhes épicos e heróicos dessa marcha de 9.000 quilómetros do Exército Vermelho em fuga aos soldados nacionalistas de Chiang Kai-shek foram criados para enaltecer a glória de Mao.
O volume mostra como Mao chegou ao topo, revela detalhes sobre a formação do Partido Comunista Chinês e refere que o apoio da União Soviética foi constante, algo que o "imperador vermelho" sempre negou.
A obra revela ainda que o líder comunista não fez grande oposição aos japoneses quando estes invadiram a China por saber que assim enfraqueceria o poder dos nacionalistas chineses, com quem estava em conflito.
Outra das importantes revelações do livro de Jung Chang e Jon Halliday refere-se ao papel de Mao na génese e prolongamento da guerra da Coreia entre 1950-53.
Os dois investigadores concluem que Mao não era um marxista convicto, mas um homem obcecado com o poder, que chegou a privar um antigo braço-direito de tratamento médico a um cancro para que este não viesse a sobreviver-lhe.
O líder que mandava prender, torturar e executar publicamente os seus opositores, também aterrorizava as suas tropas, mostrava desdém pelos amigos e familiares e chegou a abandonar os próprios descendentes.
Um casal a vender os filhos para conseguir fundos para o partido, uma mulher obrigada a caminhar na Longa Marcha em pleno trabalho de parto, camponeses famintos que recorriam ao canibalismo são alguns dos episódios relatados no livro.
O volume, com mais de 800 páginas, inclui a lista dos entrevistados, informação sobre a documentação consultada, cerca de 80 páginas de notas e mais de duas dezenas de páginas com referências bibliográficas.
Jung Chang nasceu na província chinesa de Sichuan, sudoeste da China, aos 14 anos integrava a Guarda Vermelha e apregoava slogans maoístas pelas ruas, mas, aos 16, quando os seus pais foram presos, entrou em ruptura com o maoísmo.
A investigadora mudou-se posteriormente para o Reino Unido, onde viria a estudar Linguística na Universidade de York, e tornou-se a primeira chinesa a obter doutoramento por uma universidade britânica.
O seu livro "Cisnes Selvagens", uma saga familiar que acompanha três gerações de mulheres chinesas, vendeu 10 milhões de cópias em todo o mundo e está traduzido para mais de 30 línguas, embora continue proibido na China comunista.
O êxito do livro possibilitou desafogo financeiro à autora, e permitiu que ela e o marido realizassem uma investigação que previam durar cerca de dois anos, mas se prolongou por mais de uma década.
A celebridade conquistada por Jung Chang com o livro também ajudou a "abrir portas", facilitando o contacto com personalidades internacionais como Dalai Lama, Imelda Marcos, Henry Kissinger, Mobutu ou George W Bush.
Familiares e pessoas do círculo mais íntimo de Mao que nunca tinham falado antes (intérpretes, criados, guarda- costas, médicos, namoradas) e pessoas fora da China com quem este teve uma ligação significativa foram outras das fontes.
Além destes testemunhos, registados em centenas de entrevistas, os dois autores pesquisaram em arquivos na China e na Rússia, tendo acedido a antigos documentos secretos da União Soviética.
Os arquivos do antigo governo comunista de Moscovo, arquivos da Albânia e da antiga Alemanha do Leste foram consultados demoradamente por Jon Halliday, ex-investigador agregado ao King+s College, da Universidade de Londres, e um fluente falante de russo.
A biografia "Mao - A História Desconhecida" não será publicada na China, onde Mao continua a ter o seu retrato na Praça Tiananmen, no centro de Pequim, e ainda é venerado como um herói revolucionário na comunicação social e no ensino.
Por esse motivo, Jung Chang e Jon Halliday, que residem actualmente em Londres, consideram que o grande objectivo da biografia é ser lida pelos chineses, uma vez que se trata da sua própria História."
Monday, November 14, 2005
Selvagens, Cisnes

Ontem à noite acabei de ler o livro Cisnes Selvagens, de Jung Chang. Nas últimas semanas, esta obra escrita em 1991 foi a minha companhia pela noite dentro. Trata-se de uma livro essencial para quem, como eu, está ávido por compreender a, por vezes, impenetrável China. Que por tão perto que está de mim, se torna frequentemente intangível. Escrito (e traduzido) num registo pessoal, simples e directo, mas ao mesmo tempo cheio de implícitos (con) textuais, Cisnes Selvagens conta a história de três filhas da China: a avó, a mãe e a própria Jung Chang. Através da vida delas, entramos numa viagem de seis décadas da China: do caos da primeira república (A República China) dominada pelos senhores da Guerra, passando pela ocupação japonesa, pela guerra civil entre comunistas e nacionalistas até às várias fases da República Popular da China – Grande Salto em Frente, Revolução Cultural e o período imediatamente posterior à morte de Mao Zedong. Jung Chang consegue neste livro ao mesmo tempo lançar o olhar severamente crítico que tem sobre a China de Mao e revelar o que estava por detrás do fanatismo dos jovens guardas vermelhos e dos rebeldes. É um livro que retrata os sonhos caídos em desgraça, a falência dos amanhãs que cantam e a irracionalidade e brutalidade de um período cujas marcas ainda se fazem sentir na China e hoje. Não sendo uma análise rigorosa ou científica – nem o pretende ser, naturalmente – ler este livro é uma boa maneira de perceber certos comportamentos que nos parecem desprovidos de humanidade quando lemos sobre a história da China no século XX, até ao final dos anos 70. Da mesma autora, juntamente com Jon Halliday, será também importante ler com atenção "Mao: The Unknown Story"
Sunday, November 13, 2005
Democracia com características chinesas
ou, uma viagem pelos meandros das dinâmicas internas do PCC em busca do equilíbrio e da razão de ser.
0 "livro branco da democracia na China" pode ser lido aqui.
0 "livro branco da democracia na China" pode ser lido aqui.
Europa e China na Ásia Central: a questão energética III
2. The Geopolitics of Central Asia
Firt we must clarify what and where is Central Asia. Here we opt by a narrow approach: the former Asian Soviet Republics- Kazakhstan, Uzbekistan, Tajikistan, Turkmenistan and Kyrgyztan . However to understand deeper the core of this paper we shall, as well, take into account the Caspian litoral states, i. e. not only thee of the former Asia Soviet Nations (Kazakhstan and Turkmenistan) but also Russia, Azerbeijan and Iran.
In 1989, the Iron Curtain fell and the bipolar world politics came to and end, giving place to an uncertain world order dominated miltary by the United States of America: unipolar with several multipola rsigns. From the ashes of the implosion the Soviet Union several new states emerged redrawing themap of Europe and Asia. The newly indepedent republics, hitherto under the control of Moscow, started to be coveted by the world powers, which aimed to fill the local power vacuum. Why is the Central Asia so atractive? First, geographically, it is a strategic area of communication and inteaction between six nations: China, Russia, Turkey, India and Iran. Second, it is an unstable and unsecure area wherein islamic fundamentalism and underdevelopment meet in a potential explosive melt. Third, and for our paper the most important issue, it is a source od startegic resources: natural gas, oil and coal. In addition, this region has advanced nuclear technology able to create nuclear stations and potentially nuclear weapons. Moreover, it has been feared that this zone can be a stockpile for proliferation of nuclear weapons or enriched uranium or plutonium. Outlining the major problems in the area, we face
Firt we must clarify what and where is Central Asia. Here we opt by a narrow approach: the former Asian Soviet Republics- Kazakhstan, Uzbekistan, Tajikistan, Turkmenistan and Kyrgyztan . However to understand deeper the core of this paper we shall, as well, take into account the Caspian litoral states, i. e. not only thee of the former Asia Soviet Nations (Kazakhstan and Turkmenistan) but also Russia, Azerbeijan and Iran.
In 1989, the Iron Curtain fell and the bipolar world politics came to and end, giving place to an uncertain world order dominated miltary by the United States of America: unipolar with several multipola rsigns. From the ashes of the implosion the Soviet Union several new states emerged redrawing themap of Europe and Asia. The newly indepedent republics, hitherto under the control of Moscow, started to be coveted by the world powers, which aimed to fill the local power vacuum. Why is the Central Asia so atractive? First, geographically, it is a strategic area of communication and inteaction between six nations: China, Russia, Turkey, India and Iran. Second, it is an unstable and unsecure area wherein islamic fundamentalism and underdevelopment meet in a potential explosive melt. Third, and for our paper the most important issue, it is a source od startegic resources: natural gas, oil and coal. In addition, this region has advanced nuclear technology able to create nuclear stations and potentially nuclear weapons. Moreover, it has been feared that this zone can be a stockpile for proliferation of nuclear weapons or enriched uranium or plutonium. Outlining the major problems in the area, we face
Friday, November 11, 2005
Dez mil
é o número de page views deste blogue. A todos os que vão passando por cá, o mais sincero agradecimento. Em breve, retomarei um ritmo de publicação mais regular.
Wednesday, November 09, 2005
Monday, November 07, 2005
Saturday, November 05, 2005
Europa e China na Ásia Central: a questão energética II
Part I
1.Energy Supply Security policy: the new challenges
The definition of energy supply security is not easy to draw, because it depends on “what the threats are, on who is threatened and on the cost of reducing the threats” (Mitchell 2000), which can be internal or international. Hence, the concept has changed over the last six decades. While, in the early 1940s the allocation of the energy supply was done according to the military priorities - due to the World War II the supply security was almost exclusively physical and the prices were fixed -, bypassing the years of the Bretton Woods Agreement (1945-1970), there have been huge transformations ocurred in the world energy supply market since the early 1970s, in the light of a global business revolution (Howeling and Amineh 2003a, 360).
First, the role of the government in the economy has been changing deeply and the energy sector is not an exception. There has been a shift from the concept of energy supply as a key and strategic area that should be kept in the hands of state because it should be accesible to all the citizens (the social democrat ideology after the War) to a new regulatory framework wherein the competition among private companies is encouraged in order to provide the consumer a wider range for choice. This movement towards a liberalization and deregulation of the market is occuring not only in the OECD countries, but also in developing nations, such as Brazil, China or India. In Europe the call of the European Single Act for the completion of the Single European Market, which was extended to the energy market in 1998-1999, shrank the national energy security scope of action. Second, there has been a transformation on the oil industry. The oil shocks of 1973 and 1979 had temporarily reduced the weight of oil in the energy market. Western economies began to develop in a faster pace alternatives to the oil depedendence. One of the oil’s competitors is the natural gas. But analysts doubt about the feasibility of natural gas, although the extensive and worldwide reserves, to replace the oil hegemony. Third, the competition in the oil business is increasing within and ouside the Organization of the Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEC)[2]. Technological developent has permitted the growth of exploration, through techniques as the deep water production, in areas like the North Sea or the Gulf of Mexico. Fourth, the control of enery sources, specially Oil has becoming increasingy a geostrategic asset. As Amineh and Howeling (2003c: 396) note, “oil and gas are not just commodities traded in international markets. Control over territory and its resorces are startegic assets”.[3] This is valid mainly for the importing states that are endeavoring to achieve energy security, i.e. “the availability of energy at all times in avrious forms, in sufficient quantity and at afordable prices”(Hansen 2003) . And these countries are exremelly vulnerable to the risks of sudden disruptions because it will have a tremendous impact iomn the economy and society: higher unemployment rates or lower standarts of living. And these disruption can occur because of political reasons (the 1973 Arab Oil embargo to the United States because of its position on Israel), internal politics in a major exporter (the Iranian Revolution), a regional war (Iran-Iraq war) or an overwhelming increase in the demand from a huge market before which the refinaries and the exporters do not have the means to respond properly (Chinese oil demand). To avoid and bypass these dangers “ an energy importing state may choose to diversify its energy supllies to secure its energy security or it may try to improve extisting energy supply relations.” (Hansen 2003, 13)
[2] The OPEC Members are Iran, Iraq, Saudi Arabia, United Arab Emirates, Kwait, Qatar, Indonesia, Venezuela, Nigeria, Indonesia, Libya and Algeria.
[3] The War in Iraq (2003), the USA invasion, illustrates how important is the territorial control of a source of energy like Oil. In that case, the control over a country with 112,500 million of barrels of proven crude oil reserves.
References:
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003b) “The US and the EU in CEA. Relations with Regional Powers”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, nº 3-4, pp. 521-547(27), Brill Academic Publishers.
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003c) “Caspian Energy: Oil and Gas Resources and the Global Market”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, iss. 3-4, pp. 391-406(16) , Brill Academic Publishers.
Hansen, Sander (2003), Pipeline Politics: the struggle for the control of the Eurasian Energy Resorces. Retrieved on June, 2004, from the Netherlands Institute of International Relations Clingendael Web Site: http://www.clingendael.nl/ciep/pdf/CIEP_02_2003.pdf
Mitchell, John V (2000) Energy Supply Security: Changes in concepts. Retrieved on June 2004 from the Royal Institute of International Affairs Web Site:
1.Energy Supply Security policy: the new challenges
The definition of energy supply security is not easy to draw, because it depends on “what the threats are, on who is threatened and on the cost of reducing the threats” (Mitchell 2000), which can be internal or international. Hence, the concept has changed over the last six decades. While, in the early 1940s the allocation of the energy supply was done according to the military priorities - due to the World War II the supply security was almost exclusively physical and the prices were fixed -, bypassing the years of the Bretton Woods Agreement (1945-1970), there have been huge transformations ocurred in the world energy supply market since the early 1970s, in the light of a global business revolution (Howeling and Amineh 2003a, 360).
First, the role of the government in the economy has been changing deeply and the energy sector is not an exception. There has been a shift from the concept of energy supply as a key and strategic area that should be kept in the hands of state because it should be accesible to all the citizens (the social democrat ideology after the War) to a new regulatory framework wherein the competition among private companies is encouraged in order to provide the consumer a wider range for choice. This movement towards a liberalization and deregulation of the market is occuring not only in the OECD countries, but also in developing nations, such as Brazil, China or India. In Europe the call of the European Single Act for the completion of the Single European Market, which was extended to the energy market in 1998-1999, shrank the national energy security scope of action. Second, there has been a transformation on the oil industry. The oil shocks of 1973 and 1979 had temporarily reduced the weight of oil in the energy market. Western economies began to develop in a faster pace alternatives to the oil depedendence. One of the oil’s competitors is the natural gas. But analysts doubt about the feasibility of natural gas, although the extensive and worldwide reserves, to replace the oil hegemony. Third, the competition in the oil business is increasing within and ouside the Organization of the Organization of the Petroleum Exporting Countries (OPEC)[2]. Technological developent has permitted the growth of exploration, through techniques as the deep water production, in areas like the North Sea or the Gulf of Mexico. Fourth, the control of enery sources, specially Oil has becoming increasingy a geostrategic asset. As Amineh and Howeling (2003c: 396) note, “oil and gas are not just commodities traded in international markets. Control over territory and its resorces are startegic assets”.[3] This is valid mainly for the importing states that are endeavoring to achieve energy security, i.e. “the availability of energy at all times in avrious forms, in sufficient quantity and at afordable prices”(Hansen 2003) . And these countries are exremelly vulnerable to the risks of sudden disruptions because it will have a tremendous impact iomn the economy and society: higher unemployment rates or lower standarts of living. And these disruption can occur because of political reasons (the 1973 Arab Oil embargo to the United States because of its position on Israel), internal politics in a major exporter (the Iranian Revolution), a regional war (Iran-Iraq war) or an overwhelming increase in the demand from a huge market before which the refinaries and the exporters do not have the means to respond properly (Chinese oil demand). To avoid and bypass these dangers “ an energy importing state may choose to diversify its energy supllies to secure its energy security or it may try to improve extisting energy supply relations.” (Hansen 2003, 13)
[2] The OPEC Members are Iran, Iraq, Saudi Arabia, United Arab Emirates, Kwait, Qatar, Indonesia, Venezuela, Nigeria, Indonesia, Libya and Algeria.
[3] The War in Iraq (2003), the USA invasion, illustrates how important is the territorial control of a source of energy like Oil. In that case, the control over a country with 112,500 million of barrels of proven crude oil reserves.
References:
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003b) “The US and the EU in CEA. Relations with Regional Powers”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, nº 3-4, pp. 521-547(27), Brill Academic Publishers.
Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003c) “Caspian Energy: Oil and Gas Resources and the Global Market”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol 2, iss. 3-4, pp. 391-406(16) , Brill Academic Publishers.
Hansen, Sander (2003), Pipeline Politics: the struggle for the control of the Eurasian Energy Resorces. Retrieved on June, 2004, from the Netherlands Institute of International Relations Clingendael Web Site: http://www.clingendael.nl/ciep/pdf/CIEP_02_2003.pdf
Mitchell, John V (2000) Energy Supply Security: Changes in concepts. Retrieved on June 2004 from the Royal Institute of International Affairs Web Site:
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