Thursday, February 23, 2006
The Great Firewall
"Bloggers Who Pursue Change Confront Fear And Mistrust" Philip Pan no Washington Post.
Gambling-driven economy
Macau encerrou as contas de 2005 com um saldo orçamental positivo de cerca de 701 milhões de euros elevando assim as reservas da Administração para 2.400 milhões de euros.
De acordo com os dados provisórios disponíveis na página oficial dos Serviços de Finanças do Governo de Macau, as contas públicas locais encerraram 2005 com receitas totais, excluindo Contas de Ordem, de cerca de 2.276,8 milhões de euros (22.768,7 milhões de patacas).
No capítulo das receitas correntes foram registados cerca de 2.271,8 milhões de euros ou 22.718,6 milhões de patacas com os impostos directos sobre o jogo a fixaram-se em 1.656,1 milhões de euros ou 16.561,9 milhões de patacas. (Lusa)
De acordo com os dados provisórios disponíveis na página oficial dos Serviços de Finanças do Governo de Macau, as contas públicas locais encerraram 2005 com receitas totais, excluindo Contas de Ordem, de cerca de 2.276,8 milhões de euros (22.768,7 milhões de patacas).
No capítulo das receitas correntes foram registados cerca de 2.271,8 milhões de euros ou 22.718,6 milhões de patacas com os impostos directos sobre o jogo a fixaram-se em 1.656,1 milhões de euros ou 16.561,9 milhões de patacas. (Lusa)
Mais Blogues sínicos (ou o Sínico é Galego?)
O Chinochano, em castelhano, lança um olhar interessante sobre a China. E diz que o Sínico é um blogue em galego (!!!). De facto existem muitas semelhanças entre as línguas dos dois lados do Rio Minho e a raiz é comum, mas daí...
De qualquer modo, fica o agradecimento pela referência.
De qualquer modo, fica o agradecimento pela referência.
Wednesday, February 22, 2006
Cardeal Zen

O Bispo de Hong Kong, Joseph Zen, é um dos novos cardeiais designados pelo Vaticano, esta quarta-feira. Trata-se de uma figura tão conhecida e admirada pelos católicos e não só de Hong Kong, como vista com grande incómodo por Pequim. Não admira porquê:
"He has been staunch critic of Beijing’s response to the Falun Gong spiritual movement, which China's leaders have outlawed for “attempting to overthrow” the Communist Party.
After becoming Bishop of Hong Kong on September 23, 2002, he and his diocese voiced reservations about proposed anti-subversion laws, required under Article 23 of the Basic Law, which could easily lead to violations of basic civil and political rights."
Numa altura emq ue se debate a possibilidade de Pequim e o Vaticano finalmente estabelecerem relações diplomáticas (A Igreja Católica reconhece Taiwan e na China; o governo de Pequim não autoriza a a existência de uma Igreja Católica com obediência ao Papa), esta nomeação ganha um significado político especial.
"Vatican beckons as Zen named cardinal", The Standard.
Tuesday, February 21, 2006
Os ventos da mudança e a lei do mercado

A propósito da polémica em torno da censura na internet chinesa e dos atropelos à liberdade de imprensa, é interssante ler eastas declarações de um antigo editor, sob anonimato, ao jornal The Guardian, em Pequim:
"There is a big change in attitude among journalists," says one former editor, who asks to remain nameless. "The Communist party always claimed to be on the side of the public, but most journalists and editors no longer believe this. They want to write reports that reform society, that hold the authorities to account. This is now mainstream thinking. It wasn't 10 years ago."
Na audição no Congresso norte-americano a responsáveis da Cisco, Yahoo, Google e Microsft, vale a pena tomar nota das seguintes afirmações:
Christopher Smith, congressista republicano:
"Women and men are going to the gulag and being tortured as a direct result of information handed over to Chinese officials"
Tom Lantos, congressita democrata:
"Can you say, in plain English, that you are ashamed of what you and the other companies have done?"
Elliot Schrage, vice-presidente da Google
"In a situation where there are only imperfect options, we think we have made a reasonable choice"
Jack Krumholtz, Microsoft
"If the outcome of these hearings is to make it possible to continue these services in China - either because of conditions imposed by our government, or because of further actuions in the part of the Chinese government -we believe the Chinese would be the principal losers"
Michael Callahan, Yahoo
"US companies in China face a choice: comply with Chinese law, or leave".
Os mecanismos de censura da Google são evidentes ( e assumidos) se escrevermos no motor de busca Google, na pesquisa de imagens, a palavra "Tiananmen" no Google.com e no Google.cn
Monday, February 20, 2006
Social Unrest
Obrigado pelo contributo, MC. Também eu, que estou plantado à beira-China há três anos, sinto que me escapa tanta coisa e que apenas consigo ter um olhar de soslaio baseado em leituras e em esporádicas idas ao primeiro sistema
Sim, de facto, as assimetrias atingem de sobremaneira as zonas urbanas, onde um exército de mão de obra migrante vive em condições precárias q.b. Esta reportagem da BBC ilustra bem isso. E o barril de pólvora não está apenas nas zonas rurais - basta lembrar-mo-nos que o massacre (os incidentes, na linguagem oficial) de Tiananmen aconteceram "apenas" na capital.
No entanto, as notícias que nos chegam - as que são conhecidas, muitas vezes com semanas de atraso - indicam que é nas zonas rurais que a instabilidade é maior. Há também que ter em conta que nas cidades os mecanismos de controlo são mais rigorosos.
Quanto à situação laboral, nas zonas urbanas, é a própria Xinhua, agência oficial a lançar o alerta:
"Imagine 25 million men and women about the combined population of Australia and New Zealand pressing for new jobs. That is the daunting reality that the Chinese economy faces this year, the National Development and Reform Commission (NDRC) has reported.
This is the country's worst employment crisis ever, as the children of baby boomers flood the job market seeking their first jobs. Their parents were born in the early 1960s, and they themselves in the late 1980s.
China can generate only an estimated 11 million new jobs this year, according to the NDRC. And at no time this decade did they exceed 10 million a year.
This means that despite a record number of employment openings about 11 million jobs have to be found for about 14 million people more"
P.S. Na semana passada, a Der Spiegel publicou esta reportagem que traça um cenário, no mínimo, preocupante.
(to be continued)
Sim, de facto, as assimetrias atingem de sobremaneira as zonas urbanas, onde um exército de mão de obra migrante vive em condições precárias q.b. Esta reportagem da BBC ilustra bem isso. E o barril de pólvora não está apenas nas zonas rurais - basta lembrar-mo-nos que o massacre (os incidentes, na linguagem oficial) de Tiananmen aconteceram "apenas" na capital.
No entanto, as notícias que nos chegam - as que são conhecidas, muitas vezes com semanas de atraso - indicam que é nas zonas rurais que a instabilidade é maior. Há também que ter em conta que nas cidades os mecanismos de controlo são mais rigorosos.
Quanto à situação laboral, nas zonas urbanas, é a própria Xinhua, agência oficial a lançar o alerta:
"Imagine 25 million men and women about the combined population of Australia and New Zealand pressing for new jobs. That is the daunting reality that the Chinese economy faces this year, the National Development and Reform Commission (NDRC) has reported.
This is the country's worst employment crisis ever, as the children of baby boomers flood the job market seeking their first jobs. Their parents were born in the early 1960s, and they themselves in the late 1980s.
China can generate only an estimated 11 million new jobs this year, according to the NDRC. And at no time this decade did they exceed 10 million a year.
This means that despite a record number of employment openings about 11 million jobs have to be found for about 14 million people more"
P.S. Na semana passada, a Der Spiegel publicou esta reportagem que traça um cenário, no mínimo, preocupante.
(to be continued)
Interessante, não?
China's Muslims, pragmatically, avoid cartoon protests, New York Times via I.H.T.
Sunday, February 19, 2006
Questões quinquenais: o mundo rural e as soluções à vista
Ainda não demos aqui a devida atenção ao Plano Quinquenal 2006-2010, nem aos objectivos traçados de promoçãodo desenvolvimento rural.
A melhoria das condições de vida dos agricultores e da população que vive nas zonas rurais da China – cerca de 700 milhões de chineses, ou seja mais de metade da população da China – foi sublinhada como a prioridade para os próximos cinco anos. Não admira porquê. Ao longo do ano passado terão acontecido mais de 70 mil casos de protestos, na maioria no campo, onde existe uma outra China, bem diferente da Nova China da face turística de Xangai, Pequim ou Guangzhou. Uma boa parte destes protestos tema ver com expropriações que são feitas, sem que haja a devida (às vezes nenhuma recompensa), fruto do elevado grau de corrupção das autoridade locais ou provinciais. Esse é um problema endémico cuja resolução não parece à vista, mesmo coma expulsão de milhares de membros do Partido Comunista Chinês, como aconteceu em 2005. É interessante verificar que a questão do aumento das assimetrias entre as zonas urbanas e rurais e dentro das megalopolis chinesas é assumida pelo regime como um grave problema. Isto é, já não se varre tudo para debaixo do tapete. O que por si só quer dizer algo. Para entendermos esta nova postura é preciso olhar para o percurso de alguns dos líderes da quarta geração, como Hu Jintao.
O chefe de estado foi um dos milhões que no auge da “Gloriosa Revolução Cultural Proletária” acedeu ao apelo de Mao e rumou para o campo para aprender com a vida dos camponeses, na província de Gansu. Mais tarde, foi nomeado secretário provincial do PCC, para a província de Guizhou, a mais pobre da China. Na altura, entre 1985 e 1988, era conhecido como um líder modelo, visitando as zonas mais recônditas da região e ouvindo atentamente as queixas dos pobres agricultores. Em 1988, Hu teve uma nova missão no Oeste, desta vez no Tibete, onde teve mão de ferro, decretando Lei Marcial, perante as revoltas de 1988.
Anos mais tarde, já como secretário-geral do PCC, Hu Jintao começava a expressar algumas ideias que vieram a ser parte do discurso central hoje em dia: a importância de reduzir as disparidade de rendimento e as assimetrias sociais, bem como a atenção que deveria ser dada aos agricultores, cuja única saída para alguns, os que conseguem, é migrar para as cinturas industriais das cidades onde são tratados, ainda em muitos casos, como cidadãos de segunda.
Após ter consolidado a sua posição como líder do partido, do estado e do exército, com o abandono de Jiang Zemin das comissões militares do PCC e da RPC, Hu Jintao pretende ddeixar o seu legado, ambicionando eventualmente ocupar um lugar, pelo menos de igual valor ao de Jiang Zemin. Para isso já lançou – juntamente com outros líderes da quarta geração como o primeiro ministro Wen Jiabao – algumas ideias centrais, que já tinham sido ensaiadas anteriormente: ao nível da política externa, os conceitos de “Emergência Pacífica” e de “Sociedade Mundial Harmoniosa”; a nível interno, a “Sociedade Harmoniosa” e a "Prosperidade Comum", rumo à estabilidade que passa pela atenuação das dificuldades com que vivem as populações rurais, os trabalhadores migrantes ou os funcionários públicos despedidos de empresas que estão a ser privatizadas, entre outros aspectos de índole social, com ênfase para a importância de um crescimento mais sustentado.
Neste contexto, algumas questões emergem:
1. Para resolver muitos destes problemas é necessário criar mecanismos de auscultação das populações rurais e de participação no processo de tomada de decisões. Estará Pequim na disposição de introduzir mecanismos democráticos em larga escala, e não só em casos pontuais?
2.Como será possível controlar a corrupção que se verifica em larga escala ao nível local e provincial?
3. Num sistema burocrático de estado altamente centralizado qual será a margem para torná-lo devidamente accountable?
4. Será que estamos perante uma viragem no processo de reformas, que se tem centrado na abertura de bolsas de capitalismo, na criação de condições atractivas para o investimento estrangeiro e nos primeiros passos que estão a ser dados na abertura do sistema financeiro, para uma abordagem mais ampla que englobe uma resposta efectiva às assimetrias causadas pela introdução de uma economia de mercado em que a protecção social é nitidamente deficitária?
5.Ou será que este discurso visa apenas atenuar o descontentamento, como forma de garantir a popularidade do governo junto das populações rurais?
A melhoria das condições de vida dos agricultores e da população que vive nas zonas rurais da China – cerca de 700 milhões de chineses, ou seja mais de metade da população da China – foi sublinhada como a prioridade para os próximos cinco anos. Não admira porquê. Ao longo do ano passado terão acontecido mais de 70 mil casos de protestos, na maioria no campo, onde existe uma outra China, bem diferente da Nova China da face turística de Xangai, Pequim ou Guangzhou. Uma boa parte destes protestos tema ver com expropriações que são feitas, sem que haja a devida (às vezes nenhuma recompensa), fruto do elevado grau de corrupção das autoridade locais ou provinciais. Esse é um problema endémico cuja resolução não parece à vista, mesmo coma expulsão de milhares de membros do Partido Comunista Chinês, como aconteceu em 2005. É interessante verificar que a questão do aumento das assimetrias entre as zonas urbanas e rurais e dentro das megalopolis chinesas é assumida pelo regime como um grave problema. Isto é, já não se varre tudo para debaixo do tapete. O que por si só quer dizer algo. Para entendermos esta nova postura é preciso olhar para o percurso de alguns dos líderes da quarta geração, como Hu Jintao.
O chefe de estado foi um dos milhões que no auge da “Gloriosa Revolução Cultural Proletária” acedeu ao apelo de Mao e rumou para o campo para aprender com a vida dos camponeses, na província de Gansu. Mais tarde, foi nomeado secretário provincial do PCC, para a província de Guizhou, a mais pobre da China. Na altura, entre 1985 e 1988, era conhecido como um líder modelo, visitando as zonas mais recônditas da região e ouvindo atentamente as queixas dos pobres agricultores. Em 1988, Hu teve uma nova missão no Oeste, desta vez no Tibete, onde teve mão de ferro, decretando Lei Marcial, perante as revoltas de 1988.
Anos mais tarde, já como secretário-geral do PCC, Hu Jintao começava a expressar algumas ideias que vieram a ser parte do discurso central hoje em dia: a importância de reduzir as disparidade de rendimento e as assimetrias sociais, bem como a atenção que deveria ser dada aos agricultores, cuja única saída para alguns, os que conseguem, é migrar para as cinturas industriais das cidades onde são tratados, ainda em muitos casos, como cidadãos de segunda.
Após ter consolidado a sua posição como líder do partido, do estado e do exército, com o abandono de Jiang Zemin das comissões militares do PCC e da RPC, Hu Jintao pretende ddeixar o seu legado, ambicionando eventualmente ocupar um lugar, pelo menos de igual valor ao de Jiang Zemin. Para isso já lançou – juntamente com outros líderes da quarta geração como o primeiro ministro Wen Jiabao – algumas ideias centrais, que já tinham sido ensaiadas anteriormente: ao nível da política externa, os conceitos de “Emergência Pacífica” e de “Sociedade Mundial Harmoniosa”; a nível interno, a “Sociedade Harmoniosa” e a "Prosperidade Comum", rumo à estabilidade que passa pela atenuação das dificuldades com que vivem as populações rurais, os trabalhadores migrantes ou os funcionários públicos despedidos de empresas que estão a ser privatizadas, entre outros aspectos de índole social, com ênfase para a importância de um crescimento mais sustentado.
Neste contexto, algumas questões emergem:
1. Para resolver muitos destes problemas é necessário criar mecanismos de auscultação das populações rurais e de participação no processo de tomada de decisões. Estará Pequim na disposição de introduzir mecanismos democráticos em larga escala, e não só em casos pontuais?
2.Como será possível controlar a corrupção que se verifica em larga escala ao nível local e provincial?
3. Num sistema burocrático de estado altamente centralizado qual será a margem para torná-lo devidamente accountable?
4. Será que estamos perante uma viragem no processo de reformas, que se tem centrado na abertura de bolsas de capitalismo, na criação de condições atractivas para o investimento estrangeiro e nos primeiros passos que estão a ser dados na abertura do sistema financeiro, para uma abordagem mais ampla que englobe uma resposta efectiva às assimetrias causadas pela introdução de uma economia de mercado em que a protecção social é nitidamente deficitária?
5.Ou será que este discurso visa apenas atenuar o descontentamento, como forma de garantir a popularidade do governo junto das populações rurais?
Saturday, February 18, 2006
Thursday, February 16, 2006
Um outro tipo The Clash

Há 30 anos, eles começavam a história de uma das mais prodigiosas bandas punk-new-wave-pop-reaggae-ska-jazz-funk. Este foi um bendito Clash. Por exemplo, "Police and Thieves", "White Man in Hammersmith Palais", "Justice Tonight" ou "Bankrober" são exemplos inspirados e inspiradores do cruzamento de culturas musicais.´
P.S. Sobre o debate ainda em curso vale a pena ler "Choque das Civilizações", de João André, "Choque de civilizações encore", por Bruno Cardoso Reis e "Cartoons e Encruzilhadas ", de Marco Mendes Velho.
Tibete em Pequim
A nova ronda de conversações entre o governo tibentano no exílio e as autoriades do governo ce ntral lança uma brisa de esperança para a resolução da questão do Tibete. A abdicação da exigência de independência por parte do Dalai Lama - reconhecimento da inviolabilidade da unidade territorial da República Popular da China - foi o ponto de partida para este ímpeto. Resta saber se será possível chegar a um verdadeiro nível de autonomia do Tibete.
Quanto à questão da preservação da identidade cultural e religiosa do povo tibetano, o processo de sinificação/hanificação em curso é um obstáculo.
Segundo a BBC,
"But analysts say Beijing wants dialogue, partly because it fears the death of the 70-year-old spiritual leader in exile could create a rallying point for Tibetans unhappy with Chinese rule".
Entretanto não terá sido por acaso que a Agência Xinhua noticiou que
"Residents in southwest China's Tibet Autonomous Region may soon be entitled to compensation if is they're injured or incur property losses from attacks by wild animals.
The regional government of Tibet is hoping the new regulation will protect its state-protected wild animal population from hunters."
e que o China Daily salientou que
"A total of 6 billion yuan (US$750) will be invested on environmental protection projects in southwest China's Tibet Autonomous Region during the country's 11th Five-Year Program period (2006-2010). "
P.S. A propósito, vale a pena ler "Do Tibete para o mundo ", no Amigo do Povo.
Quanto à questão da preservação da identidade cultural e religiosa do povo tibetano, o processo de sinificação/hanificação em curso é um obstáculo.
Segundo a BBC,
"But analysts say Beijing wants dialogue, partly because it fears the death of the 70-year-old spiritual leader in exile could create a rallying point for Tibetans unhappy with Chinese rule".
Entretanto não terá sido por acaso que a Agência Xinhua noticiou que
"Residents in southwest China's Tibet Autonomous Region may soon be entitled to compensation if is they're injured or incur property losses from attacks by wild animals.
The regional government of Tibet is hoping the new regulation will protect its state-protected wild animal population from hunters."
e que o China Daily salientou que
"A total of 6 billion yuan (US$750) will be invested on environmental protection projects in southwest China's Tibet Autonomous Region during the country's 11th Five-Year Program period (2006-2010). "
P.S. A propósito, vale a pena ler "Do Tibete para o mundo ", no Amigo do Povo.
Wednesday, February 15, 2006
Olhar para a China
Pela janela da internet...
"Há um grande controlo. Todos os contéudos políticos são completamente bloqueados, há várias formas de controlar a Internet. A polícia que está encarregue de fazer o controlo dos contéudos da Internet na China deverá ter, numa estimativa conservadora, vinte mil pessoas. As estimativas optimistas apontam para sessenta ou setenta mil agentes"
(...)
"tenho vindo a trabalhar, nestes últimos tempos, nos blogues, que é suposto serem uma grande inovação por serem de autoria privada, as pessoas escrevem o que bem entendem, criam-se comunidades, às vezes são de pequenas dimensões, outras vezes não. Os blogues são de difícil controlo, começa-se um hoje, depois fecha-se e passa-se para outro, é muito flexível"
(...)
"Quanto às empresas estrangeiras, é interessante observar que os americanos - que amanhã vão discutir, num fórum, se a Internet é um instrumento de liberdade ou de repressão na China -, são também aqueles que vendem a Pequim os sistemas para filtrar e controlar a Internet no país. Isto aplica-se também a empresas europeias, que estão dispostas a vender a alma para operar na China"
Entrevista a Eric Saudeté no Hoje Macau.
"Há um grande controlo. Todos os contéudos políticos são completamente bloqueados, há várias formas de controlar a Internet. A polícia que está encarregue de fazer o controlo dos contéudos da Internet na China deverá ter, numa estimativa conservadora, vinte mil pessoas. As estimativas optimistas apontam para sessenta ou setenta mil agentes"
(...)
"tenho vindo a trabalhar, nestes últimos tempos, nos blogues, que é suposto serem uma grande inovação por serem de autoria privada, as pessoas escrevem o que bem entendem, criam-se comunidades, às vezes são de pequenas dimensões, outras vezes não. Os blogues são de difícil controlo, começa-se um hoje, depois fecha-se e passa-se para outro, é muito flexível"
(...)
"Quanto às empresas estrangeiras, é interessante observar que os americanos - que amanhã vão discutir, num fórum, se a Internet é um instrumento de liberdade ou de repressão na China -, são também aqueles que vendem a Pequim os sistemas para filtrar e controlar a Internet no país. Isto aplica-se também a empresas europeias, que estão dispostas a vender a alma para operar na China"
Entrevista a Eric Saudeté no Hoje Macau.
Relações China-Myanmar
O general Soe Win, primeiro-ministro de Myanmar está em Pequim para uma visita oficial de quatro dias.
Nos encontros que vai manter com as autoridade chinesas, o chefe do governo da Junta Miliar vai assinar acordos de cooeração de estreitamento das relações económicas entre os dos países. No primerio dia da visita, o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros da China disse que é importante fortalecer os laços de amizade enter Pequim e Rangoon. Com a pressão internacional sobre o regime Myanmar, o governo militar esta cada vez mais dependente de países vizinhos em especial da China.
No entanto,
''China has a critical role to play in any effort to bring reform and democracy to Myanmar,'' Razali Ismail, the Malaysian diplomat who has recently resigned as the UN secretary-general's special UN envoy after being denied access to the country for almost two years, recently reflected. ''I should have spent more time trying to convince Beijing that it was in their interests to be more pro-active with Rangoon,'' he said.
But Beijing is not convinced it has any real influence with the Burmese generals, according to Southeast Asian diplomats who have discussed the issue with senior Chinese officials in the past few months. There is no doubt that China lost one of its main allies in Burma when Gen Khin Nyunt and his supporters were arrested and purged at the end of 2004. At the time China had dubbed him Burma's Deng Xiaoping. Since his fall China has tried unsuccessfully to find another ally within the regime.
''Their greatest fear now is that Burma's second in command, General Maung Aye, who is seen as pro-India, may gain in influence,'' said an Asian diplomat in Rangoon. ''Any suggestion that he may take over from the country's main ruler, General Than Shwe, sends them into an apoplectic spin.'' So strategic priorities, including countering possible Indian influence in Burma, and economic benefits may count for more in Beijing than longer-term concerns about the country's potential instability. No Bangkok Post
Nos encontros que vai manter com as autoridade chinesas, o chefe do governo da Junta Miliar vai assinar acordos de cooeração de estreitamento das relações económicas entre os dos países. No primerio dia da visita, o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros da China disse que é importante fortalecer os laços de amizade enter Pequim e Rangoon. Com a pressão internacional sobre o regime Myanmar, o governo militar esta cada vez mais dependente de países vizinhos em especial da China.
No entanto,
''China has a critical role to play in any effort to bring reform and democracy to Myanmar,'' Razali Ismail, the Malaysian diplomat who has recently resigned as the UN secretary-general's special UN envoy after being denied access to the country for almost two years, recently reflected. ''I should have spent more time trying to convince Beijing that it was in their interests to be more pro-active with Rangoon,'' he said.
But Beijing is not convinced it has any real influence with the Burmese generals, according to Southeast Asian diplomats who have discussed the issue with senior Chinese officials in the past few months. There is no doubt that China lost one of its main allies in Burma when Gen Khin Nyunt and his supporters were arrested and purged at the end of 2004. At the time China had dubbed him Burma's Deng Xiaoping. Since his fall China has tried unsuccessfully to find another ally within the regime.
''Their greatest fear now is that Burma's second in command, General Maung Aye, who is seen as pro-India, may gain in influence,'' said an Asian diplomat in Rangoon. ''Any suggestion that he may take over from the country's main ruler, General Than Shwe, sends them into an apoplectic spin.'' So strategic priorities, including countering possible Indian influence in Burma, and economic benefits may count for more in Beijing than longer-term concerns about the country's potential instability. No Bangkok Post
Tuesday, February 14, 2006
Ainda o Choque de Civilizações
1. José Pacheco Pereira lembra - e bem - que devemos ler o artigo e o livro de Huntington à luz da altura em que foram publicados, 1993 e 1996, respectivamente, num contexto pós-Guerra Fria, anos antes dos atentados de 11 de Setembro e os subsequentes acontecimentos e, em termos literários, como resposta à tese de Francis Fukuyama em The End of History an the Last Man. Mas também deve ser equacionado à luz da procura da "next big threat" para os EUA, depois do fim do Bloco de Leste. A questão é que se uma teoria - se é que o que Huntington nos propõe é uma teoria e não apenas uma tese - é "uma construção intelectual que nos ajuda a seleccionar os factos e a interpretá-los de forma que seja facilitada a explicação e a capacidade de antevisão no que diz respeito a regularidade e recorrências dos fenómenos observados" (Paul Viotti e Mark Kauppi, p.3), julgo que o que Huntington nos oferece tem limitações. Mesmo quando Huntington escreve "nation states remain the principal actors in world affairs. Their behaviour is shaped as in the past by the pursuit of power and wealth, but it is also shaped by cultural preferences, commonalities and differences" (The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, p.21), certo é que mais à frente (p.29) refere que "the key issues on the international agenda involve differences among civilizations". Em meu entender, ao longo dos últimos anos, na maioria dos casos, as fontes de conflitos tiveram mais origem na clássica distribuição de poder no sistema inter-estatal e em aspectos como o acesso a fontes de energia ou acções preemptivas que reflectem o também clássico dilema de segurança. Naturalmente que as diferenças culturais são importantes. E que as tensões de cariz étnico e religioso estão patentes, mas a questão é saber se as diferenças civilizacionais no mundo Pós-Guerra Fria são as mais determinantes na análise da origem dos conflitos. Há dimensões que se sobrepõem e que devem ser entendidas de modo articulado como a projecção de poder, a emergência de nacionalismo, a dimensão ideológica ou a noção de self-help e de "anarquia" na estrutura internacional.
2. Edward Said olhava assim para Huntington: "In fact, Huntington is an ideologist, someone who wants to make "civilizations" and "identities" into what they are not: shut-down, sealed-off entities that have been purged of the myriad currents and countercurrents that animate human history, and that over centuries have made it possible for that history not only to contain wars of religion and imperial conquest but also to be one of exchange, cross-fertilization and sharing".
3. Em Outubro de 2001, Huntington analisava assim a hipótese de um Choque de Civilizações:
Is this the clash of civilisations you have been warning about for nearly a decade?
Clearly, Osama bin Laden wants it to be a clash of civilisations between Islam and the West. The first priority for our government is to try to prevent it from becoming one. But there is a danger it could move in that direction. The administration has acted exactly the right way in attempting to rally support among Muslim governments. But there are pressures here in the US to attack other terrorist groups and states that support terrorist groups. And that, it seems to me, could broaden it into a clash of civilisations
Lida ou treslida, a mensagem de Huntington é de quase inevitabilidade de um choque de civilizações. E parece que em Washington há quem leve esta tese muito a sério, pelo que se tem visto. Poderemos estar, em grande medida, perante a possibilidade de uma self-fulfiling prophecy.
2. Edward Said olhava assim para Huntington: "In fact, Huntington is an ideologist, someone who wants to make "civilizations" and "identities" into what they are not: shut-down, sealed-off entities that have been purged of the myriad currents and countercurrents that animate human history, and that over centuries have made it possible for that history not only to contain wars of religion and imperial conquest but also to be one of exchange, cross-fertilization and sharing".
3. Em Outubro de 2001, Huntington analisava assim a hipótese de um Choque de Civilizações:
Is this the clash of civilisations you have been warning about for nearly a decade?
Clearly, Osama bin Laden wants it to be a clash of civilisations between Islam and the West. The first priority for our government is to try to prevent it from becoming one. But there is a danger it could move in that direction. The administration has acted exactly the right way in attempting to rally support among Muslim governments. But there are pressures here in the US to attack other terrorist groups and states that support terrorist groups. And that, it seems to me, could broaden it into a clash of civilisations
Lida ou treslida, a mensagem de Huntington é de quase inevitabilidade de um choque de civilizações. E parece que em Washington há quem leve esta tese muito a sério, pelo que se tem visto. Poderemos estar, em grande medida, perante a possibilidade de uma self-fulfiling prophecy.
CONFUCIAN-ISLAMIC CONNECTION???
A propósito do debate em torno do "Clash of Civilizations" e dos enriquecedores contributos de Paulo Gorjão e Pedro Magalhães, A páginas tantas, Samuel Huntington defende: "The most prominent form of this cooperation is the Confucian-Islamic connection that has emerged to challenge Western interests, values and power".
Sinceramente ainda não notei qualquer aliança sino-islâmica contra o Ocidente. Aliás, na China, um dos focos de instabilidade reside na Região Autónóma Uigur de Xinjaing, onde a maioria das pessoas professa a religião de Maomé. Além do mais, Pequim pactuou com Washington na "Guerra contra o Terrorismo", precisamente para poder silenciar em silêncio esse foco de instabilidade. O interesse nacional - a coesão e a estabilidade dois valores fulcrais para a China - motivou um alinhamento tácito com os EUA, mesmo que isso tenha significado um aumento da presença e da influência militar norte-americana na vizinhança. A tese de Huntington tem por base as vendas de armas da China ao Irão e ao Paquistão no final dos anos oitenta e no início dos anos noventa. Mas isso, parafraseando Kishore Mahbubani, equivaleria a defender que a constante venda de armas dos EUA à Arábia Saudita sugere uma aliança islâmico-cristã.
Sinceramente ainda não notei qualquer aliança sino-islâmica contra o Ocidente. Aliás, na China, um dos focos de instabilidade reside na Região Autónóma Uigur de Xinjaing, onde a maioria das pessoas professa a religião de Maomé. Além do mais, Pequim pactuou com Washington na "Guerra contra o Terrorismo", precisamente para poder silenciar em silêncio esse foco de instabilidade. O interesse nacional - a coesão e a estabilidade dois valores fulcrais para a China - motivou um alinhamento tácito com os EUA, mesmo que isso tenha significado um aumento da presença e da influência militar norte-americana na vizinhança. A tese de Huntington tem por base as vendas de armas da China ao Irão e ao Paquistão no final dos anos oitenta e no início dos anos noventa. Mas isso, parafraseando Kishore Mahbubani, equivaleria a defender que a constante venda de armas dos EUA à Arábia Saudita sugere uma aliança islâmico-cristã.
Monday, February 13, 2006
Sunday, February 12, 2006
Uma dose de realismo
A propósito desta citação publicada no Observador.

No mesmo livro, Mearsheimer refere:
"Americans tend to be hostile to realism because it clashes with their basic values. realism stands opposed to American's view of both themselves and the world. In particular, realism is at odds with the deep-seated sense of optimism and moralism that pervades much of American society.Liberalism, on the other hand, fits neatly with those values"
John Mearsheimer, p. 23
Embora tenha algumas reservas face à perspectiva realista nas relações internacionais, julgo que as suas premissas básicas - ausência de autoridade nas relações inter-estados e primazia do estado-nação como actor determinante (mas não único) - continuam a ser instrumentos úteis na análise do "mundo como é" e não necessariamente como deveria ser, Entre as várias tendências da escola realista - realismo baseado na natureza humana (Morghentau), realismo ofensivo (Mearsheimer) neorealismo, realismo aplicado à perspectiva da economia política internacional (Gilpin) ou realismo sistémico ou estrutural, também designado de neorealismo (Waltz) - inclino-me mais para a valorização do contributo dos últimos dois. Waltz pela solidez da sua análise da prevalência da estrutura, Gilpin pela maneira como procura ultrapassar duas das limitações que habitualmente são apontadas aos realistas clássicos e aos neorealistas: a dificuldade em perceber e explicar as mudanças na estrutura e no sistema e a ausência de uma interligação entre as forças de mercado e o estado como actor político nas relações internacionais.
No entanto, uma determinada perspectiva teórica - o realismo neste caso - não exclui totalmente a relevância de outras escolas de pensamento neste campo como o seu mais directo rival: o liberalismo ou mesmo o valor analítico das teorias quasi-marxistas da dependência (Gunder Frank) e dos Modelos da Economia Mundo (Wallerstein)
Depois de ter prevalecido como a maisntream theory das RI durante décadas o realismo caiu nalgum descrédito numa fase inicial após o fim da Guerra Fria. Isso deveu-se ao facto de não ter sido capaz de prever o que aconteceu. Contrariamente ao que muitos realistas previam, o fim da União Soviética terminou sem que um tiro tivesse sido dado; as transformações vieram de dentro, impulsionadas mais por factores domésticos que pela estrutura internacional. De facto, os realistas foram acusados de não terem sido capazes de explicar persuasivamente o colapso da União Soviética e a retirada do Exército Vermelho da Europa de Leste sem que tivesse havido um tiro. O fim do superpoder soviético aconteceu sobretudo devido à fraqueza doméstica personificada na rivalidade entre Gorbatchev, que acreditava na cura do socialismo, e em Yeltsin, um nacionalista russo. Noutras palavras, "o homem russo derrotou o homem soviético".
Ou seja, houve da parte da maioria dos realistas uma certa dose de negligência do impacte dos factores ligados à política interna no comportamento de um super-poder. Vários dos visados com esta crítica já se defenderam, como por exemplo Waltz que sublinha que o fim da Guerra Fria não aconteceu devido à democracia, à interdependência ou às instituições internacionais, adiantando que a Guerra Fria terminou de acordo com as premissas neorealistas: assim que a estrutura bipolar desapareceu.
Apesar destas limitações, nenhuma das tendências do liberalismo tomou o lugar do realismo: nem o neoliberalismo institucioanalista de Nye, nem as teses da Paz Democrática de Fukuyama ou Doyle.
Embora os realistas procurem levantar a ponta do véu, descortinando o que está por detrás das bonitas intenções proclamadas pelos homens de estado e garantam que uma coisa é a dimensão analítica do realismo, outra é a questão normativa, certo é que é difícil dissociar os dois níveis.
Algumas obras sobre o fascinante mundo das teorias das relações internacionais:

No mesmo livro, Mearsheimer refere:
"Americans tend to be hostile to realism because it clashes with their basic values. realism stands opposed to American's view of both themselves and the world. In particular, realism is at odds with the deep-seated sense of optimism and moralism that pervades much of American society.Liberalism, on the other hand, fits neatly with those values"
John Mearsheimer, p. 23
Embora tenha algumas reservas face à perspectiva realista nas relações internacionais, julgo que as suas premissas básicas - ausência de autoridade nas relações inter-estados e primazia do estado-nação como actor determinante (mas não único) - continuam a ser instrumentos úteis na análise do "mundo como é" e não necessariamente como deveria ser, Entre as várias tendências da escola realista - realismo baseado na natureza humana (Morghentau), realismo ofensivo (Mearsheimer) neorealismo, realismo aplicado à perspectiva da economia política internacional (Gilpin) ou realismo sistémico ou estrutural, também designado de neorealismo (Waltz) - inclino-me mais para a valorização do contributo dos últimos dois. Waltz pela solidez da sua análise da prevalência da estrutura, Gilpin pela maneira como procura ultrapassar duas das limitações que habitualmente são apontadas aos realistas clássicos e aos neorealistas: a dificuldade em perceber e explicar as mudanças na estrutura e no sistema e a ausência de uma interligação entre as forças de mercado e o estado como actor político nas relações internacionais.
No entanto, uma determinada perspectiva teórica - o realismo neste caso - não exclui totalmente a relevância de outras escolas de pensamento neste campo como o seu mais directo rival: o liberalismo ou mesmo o valor analítico das teorias quasi-marxistas da dependência (Gunder Frank) e dos Modelos da Economia Mundo (Wallerstein)
Depois de ter prevalecido como a maisntream theory das RI durante décadas o realismo caiu nalgum descrédito numa fase inicial após o fim da Guerra Fria. Isso deveu-se ao facto de não ter sido capaz de prever o que aconteceu. Contrariamente ao que muitos realistas previam, o fim da União Soviética terminou sem que um tiro tivesse sido dado; as transformações vieram de dentro, impulsionadas mais por factores domésticos que pela estrutura internacional. De facto, os realistas foram acusados de não terem sido capazes de explicar persuasivamente o colapso da União Soviética e a retirada do Exército Vermelho da Europa de Leste sem que tivesse havido um tiro. O fim do superpoder soviético aconteceu sobretudo devido à fraqueza doméstica personificada na rivalidade entre Gorbatchev, que acreditava na cura do socialismo, e em Yeltsin, um nacionalista russo. Noutras palavras, "o homem russo derrotou o homem soviético".
Ou seja, houve da parte da maioria dos realistas uma certa dose de negligência do impacte dos factores ligados à política interna no comportamento de um super-poder. Vários dos visados com esta crítica já se defenderam, como por exemplo Waltz que sublinha que o fim da Guerra Fria não aconteceu devido à democracia, à interdependência ou às instituições internacionais, adiantando que a Guerra Fria terminou de acordo com as premissas neorealistas: assim que a estrutura bipolar desapareceu.
Apesar destas limitações, nenhuma das tendências do liberalismo tomou o lugar do realismo: nem o neoliberalismo institucioanalista de Nye, nem as teses da Paz Democrática de Fukuyama ou Doyle.
Embora os realistas procurem levantar a ponta do véu, descortinando o que está por detrás das bonitas intenções proclamadas pelos homens de estado e garantam que uma coisa é a dimensão analítica do realismo, outra é a questão normativa, certo é que é difícil dissociar os dois níveis.
Algumas obras sobre o fascinante mundo das teorias das relações internacionais:
- Michael Doyle, Ways of War and Peace: Realism, Liberalism, and Socialism.
- Paul Viotti e Mark Kauppi, International Relations Theory: Realism, Pluralism, Globalism, and Beyond
- James E. Dougherty e Robert Pfaltzgraff, Relações Internacionais, As Teorias em Confronto, Gradiva, Lisboa, 2003.
Saturday, February 11, 2006
Leituras dominicais
"Galileo: Why the US is unhappy with China", Federico Bordonaro no Asia Times.
"China's powerhouse vision for 2050", The Guardian.
"Military ties warm between US, Vietnam", Christian Science Monitor.
"China's powerhouse vision for 2050", The Guardian.
"Military ties warm between US, Vietnam", Christian Science Monitor.
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