Monday, February 27, 2006

As Fragilidades democráticas do Sudeste Asiático

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Os acontecimentos dos últimos dias na Tailândia e nas Filipinas demonstram que o processo rumo ao estabelecimento de democracias liberais no Sudeste Asiático é lento e está sujeito a derivas autoritárias. No antigo reino de Sião, o primeiro ministro Thaksin Shinawatra convocou eleições atecipadas, na sequência de uma série de manifestações que pedem a demissão do chefe do governo de Banguecoque, despoletadas pela venda da Shin Corporation, empresa da família de Shinawatra, à Tamasek, braço do governo de Singapura para os investimentos externos, numa operação livre de impostos. Nas Filipinas, o caso é diferente. A Presidente Gloria Arroyo chamou a si poderes de emergência depois de ter sido denunicado uma suposto plano para de um golpe de estado que envolveria elementos da oposção e facções do Exército. Os contornos deste caso soam aos de uma história muito mal contada. Arroyo está sob fogo desde as últimas eleições presidenciais, que venceu supostamente com recurso a fraudes eleitorais. Na memória destes povos está ainda fresco o período ditatorial, na Tailândia dos generais e nas Filipinas de Ferdinand Marcos . Agora, quando ainda estamos numa fase de aprendizagem da vida em democracia, nomeadamente no que diz respeito à consolidação do estado de direito e à consciencialização da importância da accountability, estes líderes eleitos democraticamente (ainda que haja dúvidas quando a Arroyo), demonstram que convivem mal com a crítica, a imprensa livre e com a escrutínio sobre os negócios públicos e os interesses privados. Existe, por outro lado, sempre a tentação populista de Thaksin Shinawatra que, numa fuga para a frente - ao estilo de Berlusconi - prometeu aumentar o salário mínimo, benefícios aos agricultores, e empregos de part-time para estudantes. Noutro país da ASEAN, no Camboja, os sinais são em sentido contrário. O regime democrático musculado de Hun Sen decidiu amolecer o punho, lançando pontes de diálogo com a oposição.

Friday, February 24, 2006

Novas ligações

À direita "Outros olhares sobre a China", com ligações a blogues escritos na ou sobre a China.

Thursday, February 23, 2006

The Great Firewall

"Bloggers Who Pursue Change Confront Fear And Mistrust" Philip Pan no Washington Post.

De vez em quando

Surgem notícias como esta.
Mas só mesmo de vez em quando.

Gambling-driven economy

Macau encerrou as contas de 2005 com um saldo orçamental positivo de cerca de 701 milhões de euros elevando assim as reservas da Administração para 2.400 milhões de euros.
De acordo com os dados provisórios disponíveis na página oficial dos Serviços de Finanças do Governo de Macau, as contas públicas locais encerraram 2005 com receitas totais, excluindo Contas de Ordem, de cerca de 2.276,8 milhões de euros (22.768,7 milhões de patacas).
No capítulo das receitas correntes foram registados cerca de 2.271,8 milhões de euros ou 22.718,6 milhões de patacas com os impostos directos sobre o jogo a fixaram-se em 1.656,1 milhões de euros ou 16.561,9 milhões de patacas. (Lusa)

Mais Blogues sínicos (ou o Sínico é Galego?)

O Chinochano, em castelhano, lança um olhar interessante sobre a China. E diz que o Sínico é um blogue em galego (!!!). De facto existem muitas semelhanças entre as línguas dos dois lados do Rio Minho e a raiz é comum, mas daí...
De qualquer modo, fica o agradecimento pela referência.

Wednesday, February 22, 2006

Cardeal Zen

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O Bispo de Hong Kong, Joseph Zen, é um dos novos cardeiais designados pelo Vaticano, esta quarta-feira. Trata-se de uma figura tão conhecida e admirada pelos católicos e não só de Hong Kong, como vista com grande incómodo por Pequim. Não admira porquê:

"He has been staunch critic of Beijing’s response to the Falun Gong spiritual movement, which China's leaders have outlawed for “attempting to overthrow” the Communist Party.
After becoming Bishop of Hong Kong on September 23, 2002, he and his diocese voiced reservations about proposed anti-subversion laws, required under Article 23 of the Basic Law, which could easily lead to violations of basic civil and political rights."



Numa altura emq ue se debate a possibilidade de Pequim e o Vaticano finalmente estabelecerem relações diplomáticas (A Igreja Católica reconhece Taiwan e na China; o governo de Pequim não autoriza a a existência de uma Igreja Católica com obediência ao Papa), esta nomeação ganha um significado político especial.

"Vatican beckons as Zen named cardinal", The Standard.

Tuesday, February 21, 2006

Os ventos da mudança e a lei do mercado

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A propósito da polémica em torno da censura na internet chinesa e dos atropelos à liberdade de imprensa, é interssante ler eastas declarações de um antigo editor, sob anonimato, ao jornal The Guardian, em Pequim:
"There is a big change in attitude among journalists," says one former editor, who asks to remain nameless. "The Communist party always claimed to be on the side of the public, but most journalists and editors no longer believe this. They want to write reports that reform society, that hold the authorities to account. This is now mainstream thinking. It wasn't 10 years ago."

Na audição no Congresso norte-americano a responsáveis da Cisco, Yahoo, Google e Microsft, vale a pena tomar nota das seguintes afirmações:

Christopher Smith, congressista republicano:
"Women and men are going to the gulag and being tortured as a direct result of information handed over to Chinese officials"

Tom Lantos, congressita democrata:
"Can you say, in plain English, that you are ashamed of what you and the other companies have done?"

Elliot Schrage, vice-presidente da Google
"In a situation where there are only imperfect options, we think we have made a reasonable choice"

Jack Krumholtz, Microsoft
"If the outcome of these hearings is to make it possible to continue these services in China - either because of conditions imposed by our government, or because of further actuions in the part of the Chinese government -we believe the Chinese would be the principal losers"

Michael Callahan, Yahoo
"US companies in China face a choice: comply with Chinese law, or leave".


Os mecanismos de censura da Google são evidentes ( e assumidos) se escrevermos no motor de busca Google, na pesquisa de imagens, a palavra "Tiananmen" no Google.com e no Google.cn

Monday, February 20, 2006

Social Unrest

Obrigado pelo contributo, MC. Também eu, que estou plantado à beira-China há três anos, sinto que me escapa tanta coisa e que apenas consigo ter um olhar de soslaio baseado em leituras e em esporádicas idas ao primeiro sistema
Sim, de facto, as assimetrias atingem de sobremaneira as zonas urbanas, onde um exército de mão de obra migrante vive em condições precárias q.b. Esta reportagem da BBC ilustra bem isso. E o barril de pólvora não está apenas nas zonas rurais - basta lembrar-mo-nos que o massacre (os incidentes, na linguagem oficial) de Tiananmen aconteceram "apenas" na capital.
No entanto, as notícias que nos chegam - as que são conhecidas, muitas vezes com semanas de atraso - indicam que é nas zonas rurais que a instabilidade é maior. Há também que ter em conta que nas cidades os mecanismos de controlo são mais rigorosos.
Quanto à situação laboral, nas zonas urbanas, é a própria Xinhua, agência oficial a lançar o alerta:

"Imagine 25 million men and women about the combined population of Australia and New Zealand pressing for new jobs. That is the daunting reality that the Chinese economy faces this year, the National Development and Reform Commission (NDRC) has reported.
This is the country's worst employment crisis ever, as the children of baby boomers flood the job market seeking their first jobs. Their parents were born in the early 1960s, and they themselves in the late 1980s.
China can generate only an estimated 11 million new jobs this year, according to the NDRC. And at no time this decade did they exceed 10 million a year.
This means that despite a record number of employment openings about 11 million jobs have to be found for about 14 million people more"


P.S. Na semana passada, a Der Spiegel publicou esta reportagem que traça um cenário, no mínimo, preocupante.


(to be continued)

Interessante, não?

China's Muslims, pragmatically, avoid cartoon protests, New York Times via I.H.T.

Sunday, February 19, 2006

Questões quinquenais: o mundo rural e as soluções à vista

Ainda não demos aqui a devida atenção ao Plano Quinquenal 2006-2010, nem aos objectivos traçados de promoçãodo desenvolvimento rural.
A melhoria das condições de vida dos agricultores e da população que vive nas zonas rurais da China – cerca de 700 milhões de chineses, ou seja mais de metade da população da China – foi sublinhada como a prioridade para os próximos cinco anos. Não admira porquê. Ao longo do ano passado terão acontecido mais de 70 mil casos de protestos, na maioria no campo, onde existe uma outra China, bem diferente da Nova China da face turística de Xangai, Pequim ou Guangzhou. Uma boa parte destes protestos tema ver com expropriações que são feitas, sem que haja a devida (às vezes nenhuma recompensa), fruto do elevado grau de corrupção das autoridade locais ou provinciais. Esse é um problema endémico cuja resolução não parece à vista, mesmo coma expulsão de milhares de membros do Partido Comunista Chinês, como aconteceu em 2005. É interessante verificar que a questão do aumento das assimetrias entre as zonas urbanas e rurais e dentro das megalopolis chinesas é assumida pelo regime como um grave problema. Isto é, já não se varre tudo para debaixo do tapete. O que por si só quer dizer algo. Para entendermos esta nova postura é preciso olhar para o percurso de alguns dos líderes da quarta geração, como Hu Jintao.
O chefe de estado foi um dos milhões que no auge da “Gloriosa Revolução Cultural Proletária” acedeu ao apelo de Mao e rumou para o campo para aprender com a vida dos camponeses, na província de Gansu. Mais tarde, foi nomeado secretário provincial do PCC, para a província de Guizhou, a mais pobre da China. Na altura, entre 1985 e 1988, era conhecido como um líder modelo, visitando as zonas mais recônditas da região e ouvindo atentamente as queixas dos pobres agricultores. Em 1988, Hu teve uma nova missão no Oeste, desta vez no Tibete, onde teve mão de ferro, decretando Lei Marcial, perante as revoltas de 1988.
Anos mais tarde, já como secretário-geral do PCC, Hu Jintao começava a expressar algumas ideias que vieram a ser parte do discurso central hoje em dia: a importância de reduzir as disparidade de rendimento e as assimetrias sociais, bem como a atenção que deveria ser dada aos agricultores, cuja única saída para alguns, os que conseguem, é migrar para as cinturas industriais das cidades onde são tratados, ainda em muitos casos, como cidadãos de segunda.
Após ter consolidado a sua posição como líder do partido, do estado e do exército, com o abandono de Jiang Zemin das comissões militares do PCC e da RPC, Hu Jintao pretende ddeixar o seu legado, ambicionando eventualmente ocupar um lugar, pelo menos de igual valor ao de Jiang Zemin. Para isso já lançou – juntamente com outros líderes da quarta geração como o primeiro ministro Wen Jiabao – algumas ideias centrais, que já tinham sido ensaiadas anteriormente: ao nível da política externa, os conceitos de “Emergência Pacífica” e de “Sociedade Mundial Harmoniosa”; a nível interno, a “Sociedade Harmoniosa” e a "Prosperidade Comum", rumo à estabilidade que passa pela atenuação das dificuldades com que vivem as populações rurais, os trabalhadores migrantes ou os funcionários públicos despedidos de empresas que estão a ser privatizadas, entre outros aspectos de índole social, com ênfase para a importância de um crescimento mais sustentado.

Neste contexto, algumas questões emergem:
1. Para resolver muitos destes problemas é necessário criar mecanismos de auscultação das populações rurais e de participação no processo de tomada de decisões. Estará Pequim na disposição de introduzir mecanismos democráticos em larga escala, e não só em casos pontuais?

2.Como será possível controlar a corrupção que se verifica em larga escala ao nível local e provincial?

3. Num sistema burocrático de estado altamente centralizado qual será a margem para torná-lo devidamente accountable?

4. Será que estamos perante uma viragem no processo de reformas, que se tem centrado na abertura de bolsas de capitalismo, na criação de condições atractivas para o investimento estrangeiro e nos primeiros passos que estão a ser dados na abertura do sistema financeiro, para uma abordagem mais ampla que englobe uma resposta efectiva às assimetrias causadas pela introdução de uma economia de mercado em que a protecção social é nitidamente deficitária?

5.Ou será que este discurso visa apenas atenuar o descontentamento, como forma de garantir a popularidade do governo junto das populações rurais?

Thursday, February 16, 2006

Um outro tipo The Clash

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Há 30 anos, eles começavam a história de uma das mais prodigiosas bandas punk-new-wave-pop-reaggae-ska-jazz-funk. Este foi um bendito Clash. Por exemplo, "Police and Thieves", "White Man in Hammersmith Palais", "Justice Tonight" ou "Bankrober" são exemplos inspirados e inspiradores do cruzamento de culturas musicais.´

P.S. Sobre o debate ainda em curso vale a pena ler "Choque das Civilizações", de João André, "Choque de civilizações encore", por Bruno Cardoso Reis e "Cartoons e Encruzilhadas ", de Marco Mendes Velho.

Tibete em Pequim

A nova ronda de conversações entre o governo tibentano no exílio e as autoriades do governo ce ntral lança uma brisa de esperança para a resolução da questão do Tibete. A abdicação da exigência de independência por parte do Dalai Lama - reconhecimento da inviolabilidade da unidade territorial da República Popular da China - foi o ponto de partida para este ímpeto. Resta saber se será possível chegar a um verdadeiro nível de autonomia do Tibete.
Quanto à questão da preservação da identidade cultural e religiosa do povo tibetano, o processo de sinificação/hanificação em curso é um obstáculo.

Segundo a BBC,
"But analysts say Beijing wants dialogue, partly because it fears the death of the 70-year-old spiritual leader in exile could create a rallying point for Tibetans unhappy with Chinese rule".


Entretanto não terá sido por acaso que a Agência Xinhua noticiou que
"Residents in southwest China's Tibet Autonomous Region may soon be entitled to compensation if is they're injured or incur property losses from attacks by wild animals.
The regional government of Tibet is hoping the new regulation will protect its state-protected wild animal population from hunters."


e que o China Daily salientou que

"A total of 6 billion yuan (US$750) will be invested on environmental protection projects in southwest China's Tibet Autonomous Region during the country's 11th Five-Year Program period (2006-2010). "

P.S. A propósito, vale a pena ler "Do Tibete para o mundo ", no Amigo do Povo.

Wednesday, February 15, 2006

Olhar para a China

Pela janela da internet...

"Há um grande controlo. Todos os contéudos políticos são completamente bloqueados, há várias formas de controlar a Internet. A polícia que está encarregue de fazer o controlo dos contéudos da Internet na China deverá ter, numa estimativa conservadora, vinte mil pessoas. As estimativas optimistas apontam para sessenta ou setenta mil agentes"

(...)

"tenho vindo a trabalhar, nestes últimos tempos, nos blogues, que é suposto serem uma grande inovação por serem de autoria privada, as pessoas escrevem o que bem entendem, criam-se comunidades, às vezes são de pequenas dimensões, outras vezes não. Os blogues são de difícil controlo, começa-se um hoje, depois fecha-se e passa-se para outro, é muito flexível"

(...)
"Quanto às empresas estrangeiras, é interessante observar que os americanos - que amanhã vão discutir, num fórum, se a Internet é um instrumento de liberdade ou de repressão na China -, são também aqueles que vendem a Pequim os sistemas para filtrar e controlar a Internet no país. Isto aplica-se também a empresas europeias, que estão dispostas a vender a alma para operar na China"

Entrevista a Eric Saudeté no Hoje Macau.

Relações China-Myanmar

O general Soe Win, primeiro-ministro de Myanmar está em Pequim para uma visita oficial de quatro dias.
Nos encontros que vai manter com as autoridade chinesas, o chefe do governo da Junta Miliar vai assinar acordos de cooeração de estreitamento das relações económicas entre os dos países. No primerio dia da visita, o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros da China disse que é importante fortalecer os laços de amizade enter Pequim e Rangoon. Com a pressão internacional sobre o regime Myanmar, o governo militar esta cada vez mais dependente de países vizinhos em especial da China.
No entanto,

''China has a critical role to play in any effort to bring reform and democracy to Myanmar,'' Razali Ismail, the Malaysian diplomat who has recently resigned as the UN secretary-general's special UN envoy after being denied access to the country for almost two years, recently reflected. ''I should have spent more time trying to convince Beijing that it was in their interests to be more pro-active with Rangoon,'' he said.
But Beijing is not convinced it has any real influence with the Burmese generals, according to Southeast Asian diplomats who have discussed the issue with senior Chinese officials in the past few months. There is no doubt that China lost one of its main allies in Burma when Gen Khin Nyunt and his supporters were arrested and purged at the end of 2004. At the time China had dubbed him Burma's Deng Xiaoping. Since his fall China has tried unsuccessfully to find another ally within the regime.
''Their greatest fear now is that Burma's second in command, General Maung Aye, who is seen as pro-India, may gain in influence,'' said an Asian diplomat in Rangoon. ''Any suggestion that he may take over from the country's main ruler, General Than Shwe, sends them into an apoplectic spin.'' So strategic priorities, including countering possible Indian influence in Burma, and economic benefits may count for more in Beijing than longer-term concerns about the country's potential instability.
No Bangkok Post

Tuesday, February 14, 2006

Ainda o Choque de Civilizações

1. José Pacheco Pereira lembra - e bem - que devemos ler o artigo e o livro de Huntington à luz da altura em que foram publicados, 1993 e 1996, respectivamente, num contexto pós-Guerra Fria, anos antes dos atentados de 11 de Setembro e os subsequentes acontecimentos e, em termos literários, como resposta à tese de Francis Fukuyama em The End of History an the Last Man. Mas também deve ser equacionado à luz da procura da "next big threat" para os EUA, depois do fim do Bloco de Leste. A questão é que se uma teoria - se é que o que Huntington nos propõe é uma teoria e não apenas uma tese - é "uma construção intelectual que nos ajuda a seleccionar os factos e a interpretá-los de forma que seja facilitada a explicação e a capacidade de antevisão no que diz respeito a regularidade e recorrências dos fenómenos observados" (Paul Viotti e Mark Kauppi, p.3), julgo que o que Huntington nos oferece tem limitações. Mesmo quando Huntington escreve "nation states remain the principal actors in world affairs. Their behaviour is shaped as in the past by the pursuit of power and wealth, but it is also shaped by cultural preferences, commonalities and differences" (The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, p.21), certo é que mais à frente (p.29) refere que "the key issues on the international agenda involve differences among civilizations". Em meu entender, ao longo dos últimos anos, na maioria dos casos, as fontes de conflitos tiveram mais origem na clássica distribuição de poder no sistema inter-estatal e em aspectos como o acesso a fontes de energia ou acções preemptivas que reflectem o também clássico dilema de segurança. Naturalmente que as diferenças culturais são importantes. E que as tensões de cariz étnico e religioso estão patentes, mas a questão é saber se as diferenças civilizacionais no mundo Pós-Guerra Fria são as mais determinantes na análise da origem dos conflitos. Há dimensões que se sobrepõem e que devem ser entendidas de modo articulado como a projecção de poder, a emergência de nacionalismo, a dimensão ideológica ou a noção de self-help e de "anarquia" na estrutura internacional.
2. Edward Said olhava assim para Huntington: "In fact, Huntington is an ideologist, someone who wants to make "civilizations" and "identities" into what they are not: shut-down, sealed-off entities that have been purged of the myriad currents and countercurrents that animate human history, and that over centuries have made it possible for that history not only to contain wars of religion and imperial conquest but also to be one of exchange, cross-fertilization and sharing".

3. Em Outubro de 2001, Huntington analisava assim a hipótese de um Choque de Civilizações:
Is this the clash of civilisations you have been warning about for nearly a decade?
Clearly, Osama bin Laden wants it to be a clash of civilisations between Islam and the West. The first priority for our government is to try to prevent it from becoming one. But there is a danger it could move in that direction. The administration has acted exactly the right way in attempting to rally support among Muslim governments. But there are pressures here in the US to attack other terrorist groups and states that support terrorist groups. And that, it seems to me, could broaden it into a clash of civilisations



Lida ou treslida, a mensagem de Huntington é de quase inevitabilidade de um choque de civilizações. E parece que em Washington há quem leve esta tese muito a sério, pelo que se tem visto. Poderemos estar, em grande medida, perante a possibilidade de uma self-fulfiling prophecy.

CONFUCIAN-ISLAMIC CONNECTION???

A propósito do debate em torno do "Clash of Civilizations" e dos enriquecedores contributos de Paulo Gorjão e Pedro Magalhães, A páginas tantas, Samuel Huntington defende: "The most prominent form of this cooperation is the Confucian-Islamic connection that has emerged to challenge Western interests, values and power".
Sinceramente ainda não notei qualquer aliança sino-islâmica contra o Ocidente. Aliás, na China, um dos focos de instabilidade reside na Região Autónóma Uigur de Xinjaing, onde a maioria das pessoas professa a religião de Maomé. Além do mais, Pequim pactuou com Washington na "Guerra contra o Terrorismo", precisamente para poder silenciar em silêncio esse foco de instabilidade. O interesse nacional - a coesão e a estabilidade dois valores fulcrais para a China - motivou um alinhamento tácito com os EUA, mesmo que isso tenha significado um aumento da presença e da influência militar norte-americana na vizinhança. A tese de Huntington tem por base as vendas de armas da China ao Irão e ao Paquistão no final dos anos oitenta e no início dos anos noventa. Mas isso, parafraseando Kishore Mahbubani, equivaleria a defender que a constante venda de armas dos EUA à Arábia Saudita sugere uma aliança islâmico-cristã.

Sunday, February 12, 2006

Uma dose de realismo

A propósito desta citação publicada no Observador.
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No mesmo livro, Mearsheimer refere:

"Americans tend to be hostile to realism because it clashes with their basic values. realism stands opposed to American's view of both themselves and the world. In particular, realism is at odds with the deep-seated sense of optimism and moralism that pervades much of American society.Liberalism, on the other hand, fits neatly with those values"

John Mearsheimer, p. 23

Embora tenha algumas reservas face à perspectiva realista nas relações internacionais, julgo que as suas premissas básicas - ausência de autoridade nas relações inter-estados e primazia do estado-nação como actor determinante (mas não único) - continuam a ser instrumentos úteis na análise do "mundo como é" e não necessariamente como deveria ser, Entre as várias tendências da escola realista - realismo baseado na natureza humana (Morghentau), realismo ofensivo (Mearsheimer) neorealismo, realismo aplicado à perspectiva da economia política internacional (Gilpin) ou realismo sistémico ou estrutural, também designado de neorealismo (Waltz) - inclino-me mais para a valorização do contributo dos últimos dois. Waltz pela solidez da sua análise da prevalência da estrutura, Gilpin pela maneira como procura ultrapassar duas das limitações que habitualmente são apontadas aos realistas clássicos e aos neorealistas: a dificuldade em perceber e explicar as mudanças na estrutura e no sistema e a ausência de uma interligação entre as forças de mercado e o estado como actor político nas relações internacionais.
No entanto, uma determinada perspectiva teórica - o realismo neste caso - não exclui totalmente a relevância de outras escolas de pensamento neste campo como o seu mais directo rival: o liberalismo ou mesmo o valor analítico das teorias quasi-marxistas da dependência (Gunder Frank) e dos Modelos da Economia Mundo (Wallerstein)
Depois de ter prevalecido como a maisntream theory das RI durante décadas o realismo caiu nalgum descrédito numa fase inicial após o fim da Guerra Fria. Isso deveu-se ao facto de não ter sido capaz de prever o que aconteceu. Contrariamente ao que muitos realistas previam, o fim da União Soviética terminou sem que um tiro tivesse sido dado; as transformações vieram de dentro, impulsionadas mais por factores domésticos que pela estrutura internacional. De facto, os realistas foram acusados de não terem sido capazes de explicar persuasivamente o colapso da União Soviética e a retirada do Exército Vermelho da Europa de Leste sem que tivesse havido um tiro. O fim do superpoder soviético aconteceu sobretudo devido à fraqueza doméstica personificada na rivalidade entre Gorbatchev, que acreditava na cura do socialismo, e em Yeltsin, um nacionalista russo. Noutras palavras, "o homem russo derrotou o homem soviético".
Ou seja, houve da parte da maioria dos realistas uma certa dose de negligência do impacte dos factores ligados à política interna no comportamento de um super-poder. Vários dos visados com esta crítica já se defenderam, como por exemplo Waltz que sublinha que o fim da Guerra Fria não aconteceu devido à democracia, à interdependência ou às instituições internacionais, adiantando que a Guerra Fria terminou de acordo com as premissas neorealistas: assim que a estrutura bipolar desapareceu.
Apesar destas limitações, nenhuma das tendências do liberalismo tomou o lugar do realismo: nem o neoliberalismo institucioanalista de Nye, nem as teses da Paz Democrática de Fukuyama ou Doyle.
Embora os realistas procurem levantar a ponta do véu, descortinando o que está por detrás das bonitas intenções proclamadas pelos homens de estado e garantam que uma coisa é a dimensão analítica do realismo, outra é a questão normativa, certo é que é difícil dissociar os dois níveis.

Algumas obras sobre o fascinante mundo das teorias das relações internacionais:

Friday, February 10, 2006

self-fulfilling prophecy?

A propósito do 2006 Quadrennial Defense Review apresentado há dias pelo Pentágono e da maneira como se refere à China.
"Of the major emerging powers, China has the greatest potential to compete military with the United States and field disrutive military technologies that could overtime offset traditionalUS military advanatges (...)".

A China já reagiu assim:
"This is the first time the United States has singled out China in its defense report as 'an emerging power that has the greatest potential to militarily challenge the United States', though senior U.S. officials have expressed similar views on various occasions earlier," said Yao Yunzhu, a research fellow with the Military Academy of Sciences of the Chinese People's Liberation Army (PLA).

Voltaremos a este assunto.

Thursday, February 09, 2006

Europe and China in Central Asia V

China Diplomacy towards Central Asia

1. 1 China Diplomacy towards Central Asia
In order to encompass the scope of the Chinese foreign policy towards central Asia we underline two dimensions: the bilateral relations and the Shanghai Cooperation Organization (SCO), since it has been the multilateral device for China’s diplomacy in the region. Regarding the latter, the SCO, created in 2001, gathers four former Asian Soviet Republics - Uzbekistan, Tajikistan, Kazakhstan, and Kyrgyzstan- and the two major powers in the region: China and Russia. Built upon the “Shanghai Five” (formed in 1996 with the current member states except Uzbekistan), the SCO expands the initial objectives of the former group- confidence-building measure and cooperation on border delineation issues. The SCO sets up three enemies, the “three evil forces of terrorism, extremism, and separatism, the last being a thinly disguised reference to violent Islamic radicalism”[1]. In terms of power politics, “In the eyes of Russian and Chinese policymakers, then, the SCO was a way to seal the strategic Sino-Russian dominance over Central Asia while engaging in friendly relations with their Central Asian neighbors.” (Yom 2002) Even if the three “enemies” may be considered as common threats to the six countries, it also important to highlight that Russia and China aim to confront and deter the US power in the region, which has increased dramatically after the was campaign in Afghanistan, with the new military bases in three countries of the SCO: Uzbekistan, Tajikistan and Kyrgyzstan (the last two with borders with China). It is true that the presence of the USA In the region that was considered by Russia and China as its natural sphere of influence, injects a new dynamic for regional politics. Indeed what is happening in Central Asia recalls the classical balance of power of the realist approach on international relations. Michael Doyle ( 1997, 161)considers that, despite the different features of the diverse schools of the realism – structuralism of Hobbes, Fundamentalism of Machiavelli, Constitutionalism of Rousseau or Complex realism of Thucydides- “all recognize that the balance of power that the balance of power is a result that all prudent states should aim to achieve if they cannot do better”. In a realist point of view what seems to be, in the wording of the agreements and in the public discourses of the political leaders, a collective security system (which has to be distinguished from balance of power) is increasingly becoming a way of balancing the US power in the region. By balance of power in a narrow approach we mean “the interaction among states that assures the survival of the system by preventing the empire of hegemony of any state or coalition of states”(1997, 162). And in this particular issue China may have reasons to be worried about an encirclement of American military forces and influence, since besides having military bases in four of China’s bordering countries – Tajikistan, Kyrgyzstan, Afghanistan and Pakistan – the US is relaunching its relations with India. On the rationale of the Chinese foreign policy in Central Asia, the secessionist threat in the Uygur Province of Xinjiang plays a crucial role, as this region is inhabited by the uygurs, a Muslim minority, part of which is supposed to be linked with other fundamentalist Islamic movements operation in Central Asia. In this case, China took advantage of the post September 11th 2001 US war on terrorism, aiming to have carte blanche to deal with the situation. The important the bulk of oil and natural gas in the Caspian region has been regarded by the Chinese authorities as a way to stabilize and diversify its energy supply.


[1] “St. Petersburg Summit of SCO Concludes with Rich Fruit,” Xinhua News Agency, June 7, 2002.

[1] “St. Petersburg Summit of SCO Concludes with Rich Fruit,”
Xinhua News Agency, June 7, 2002.

Bibligrafia consultada:

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power
Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”,
Perspectives on Global Development and Technology, 15 September
2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003b) “The US and the EU in CEA.
Relations with Regional Powers”, Perspectives on Global Development
and Technology, 15 September 2003, vol 2, nº 3-4, pp. 521-547(27),
Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003c) “Caspian Energy: Oil and
Gas Resources and the Global Market”, Perspectives on Global Development
and Technology, 15 September 2003, vol 2, iss. 3-4, pp. 391-406(16) ,
Brill Academic Publishers.

Arvanitopoulos, Constantine (1998), “The Geopolitics of Oil in Central Asia”,
Thesis Journal of Foreign policy issues (Winter 1998).
Retrieved on July, 2004 form the Thesis Jornal of Foreign
policy issues Web Site.
www.hri.org/MFA/thesis/winter98/geopolitics.html

Doyle, Michael D. (1997), Ways of War and Peace, New York/London:
W. W. Norton & Company.

Fergusson James (2002), Euroasia Super Region or Zone of Conlict.
Retrived July 2004, from the International Institute for
Asian Studies Web Site:
www.iias.nl/asem/publications/ferguson_EurasiaSuperregion.pdf

Hansen, Sander (2003), Pipeline Politics: the struggle for the control of the
Eurasian Energy Resorces. Retrieved on June, 2004, from the
Netherlands Institute of International Relations Clingendael Web Site: http://www.clingendael.nl/ciep/pdf/CIEP_02_2003.pdf

Mitchell, John V (2000) Energy Supply Security: Changes in
concepts. Retrieved on June 2004 from the Royal Institute of
International Affairs Web Site: www.riia.org/pdf/research/sdp/EnergySupplySurityforPDF.d.pdf

Patten Chris, Lindh, Anna, (2002), “Resolving a frozen conflict - Neither Russia nor the west should try to impose a settlement on the southern Caucasus”, Financial Times 20/02/01. Retrieved on July 2004 from the European Union Web Site : Yom, Sean L. (2002) “Power Politics in Central Asia”.
Retrieved on June 2004 from the Harvard Asia Quaterly Web Site: http://www.fas.harvard.edu/~asiactr/haq/200204/0204a003.htm



Recapitulando:
Europe and China in Central Asia
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Oil and Natural Gas in Central Asia

Excertos adaptados de um ensaio escrito no âmbito do
Master in European Studies do Instituto de Estudos Europeus de Macau.
2004.

Not in my name

Either. Naturalmente.
Quanto ao debate dos cartoons de Maomé e o que se seguiu, se me permite o autor, faço minhas estas palavras.

P.S. A China também condena a publicação das caricaturas por que esta

"vai contra o princípio de que diferentes religiões e civilizações devem manter o respeito mútuo e viver juntas em paz e harmonia". O que se percebe num país em que não tem problemas com a liberdade religiosa.

Thursday, February 02, 2006

Leituras

EFEITO DE BOOMERANG?, Paulo Gorjao, no Bloguitica
The lesser of two Googles, Asia Times

Domingo, o Sinico regressa com regularidade e com um teclado mais apropriado

Se estava na paragem do autocarro

a espera do comboio (Godinho glosado) , dirija-se a estacao central. Com o maquinista Joao Andre, o de Enschede, nos Paises Baixos.

Saturday, January 28, 2006

Um ano depois, Bom Ano e até já

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Na semana em que o Sínico comemora um ano de actividades regulares, convém fazer um breve balanço do que tem sido este blogue. Um pouco à semelhança do que acontece com os blogues unipessoais, este refecte, ainda que de modo indirecto, a evolução do pensamento e das maneiras de ver o mundo, neste caso este lado do mundo, do autor. Quando decidi dar início a esta aventura não tinha nada em específico em mente, apenas pretendia que o Sínico fosse uma porta aberta para a Ásia Oriental, nomeadamente para a China. Estando em Macau há três anos, num processo de aprendizagem, procuro que este espaço seja um porto de encontro, um pouco como como Macau, Ou Mun, em cantonese, Ao Men, em mandarim, ou seja a porta da baía. Sinto que o blogue apenas cumpre parte do que o seu autor pretende, mas, no fundo, uma empreitada destes é sempre algo de inacabado, até porque, caminha-se caminhando e, diz o adágio chinês, "uma longa caminhada começa com um pequeno passo". Aos que se têm juntado a esta "Longa Marcha" (nada de conotações ideológicas), fica o meu agradecimento. No segundo ano do Sínico procurarei abrir mais portas e estar mais atento.
Cumprimentos e Saudações fraternas a todos. E porque esta noite começa o Ano do Cão,
KUNG HEI FAT CHOI
GONG XI FA CAI

Um Bom Ano Novo Lunar para todos!

PS. Na próxima semana rumarei para Sul, à procura das maravilhas do Reino de Sião. É por isso bastante provável que a arte de postar seja interrompida durante alguns dias.
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Vem aí

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O Ano do Cão

Thursday, January 26, 2006

Da liberdade, da expressão e da mudança

A questão sobre o controlo sobre o acesso à informação na China é, no médio e longo prazo, uma batalha perdida pelas autoridades chinesas. Mesmo assim insistem, com a conivência da Yahoo, Microsoft e agora da Google, em condicionar as buscas de expressões como "independência de Taiwan" ou "massacre de Tiananmen". A ideia de que pela omissão das expressões potencialmente subversivas se apagam das mentes os conceitos e se dilui a materialização de uma vaga de oposição à "verdade oficial" tem se revelado um fracasso em vários casos deregimes autoritários. E basta ir à China continental e falar com alguma da juventude instruída para perceber que essa luta nunca poderá ser ganha. Os germes da mudança democrática estão lá; falta agora saber se assistiremos a uma mudança gradual e lenta - o que julgo que irá suceder - ou a um sobressalto com efeitos imprevisíveis.
É interessante verificar que o governo chinês, cada vez mais, deixa a porta escancarada à diversificação dos hábitos de consumo, trancando a sete chaves o tempo da liberdade de expressão, numa atitude que mais parece de "Do whatever you want as long as we remain in power". Só que, diz-nos a história, ao permitir a formação de uma classe média com poder d compra crescente e cada vez mais aberto ao mundo, o governo chinês cria as condições para a emergência de uma força motriz do individualismo burguês e de uma certa ideia de democracia. Numa linguagem zakariana - em relação à qual tenho certas reservas - com a emegência de uma certa ideia e prática de liberdade, há condições para o aparecimento da democracia liberal. Por outro lado, há quem acredite na boa vontade do Leviathan em devolver - se é que alguma vez o teve - ao povo o poder de escolher os seus representantes. No entanto, mais importante é o velho princípio que perdura desde os tempos da China imperial da ideia de governo enquanto entidade que satisfaz as necessidades da população. Quando falha de forma sucessiva, a dinastia (ou regime) entram em decadência e surgem temos de turbulência até emergir uma nova ordem. De momento não podemos aferir que isso esteja prestes a acontecer. A abertura á economia de mercado tirou da pobreza cerca de 300 milhões de pessoas desde o início dos anos 1980. Mas também colocou fortes pressões a um modelo de desenvolvimento que se baseia no consumo desenfreado dos recursos, sem sustentabildade ambiental, sem respeito pelo bem público e causador de forte desigualdades. Por isso é hora de, em primeiro lugar a China construir um embrião de um estado previdência adaptado às circunstância, para que, ao menos, seja um país com alguns aspectos socialistas, nomeadamente no que diz respeito à habitação, saúde, educação e segurança social. Tal como afirma Laurence Brahm, num artigo aqui traduzido do South China Morning Post, "Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode consumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".
lém do mais, tal como escreveu há uns meses Wang Xiangwei, no mesmo jornal, a "inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política". Até onde poderá ir a “democracia socialista e a economia de mercado de características chinesas"? Será que Pequim conseguirá fazer a quadratura do círculo? Ou conseguirá manter um equilíbrio entre uma economia cada vez mais integrada no sistema internacional e aberta às influências externas e um regime neoautoritário "desenvolvicionista" em que subsistem traços ao nível da organização politico-institucional de um socialismo burocrático de estado?

Wednesday, January 25, 2006

Roque Choi

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Vai hoje a enterrar um dos principais protagonistas da história da segunda metade do século XX de Macau. Roque Choi era conhecido como o homem das pontes e dos consensos entre portugueses e chineses.

Lusa, Macau 19 de Janeiro
Empresário de nacionalidade portuguesa e etnia chinesa, Roque Choi desempenhou várias funções públicas ao longo da sua vida, tendo sido um dos elementos cruciais na resolução da crise em Macau que ficou conhecida por "1,2,3" durante a revolução cultural chinesa, em 1966.
Vice-presidente da Associação Industrial de Macau, membro do Conselho Consultivo do Governador de Macau, membro da Comissão Consultiva da Lei Básica de Macau e da Comissão Política Consultiva do Povo Chinês da província de Guangdong, Roque Choi desempenhou também o cargo de presidente do já extinto Leal Senado tendo, em 1982, assinado com Krus Abecassis o protocolo de geminação entre Macau e Lisboa.
Tio do actual número dois do Executivo de Hong Kong, Rafael Hui Si-yan, Roque Choi foi secretário de Pedro José Lobo, o homem- forte da Administração portuguesa de Macau nas décadas de 1930 e 1940, função que assumiria também mais tarde com Ho Yin, o pai do actual Chefe do Executivo Edmund Ho, à época o mais destacado líder da comunidade chinesa de Macau.
Como empresário foi fundador do Banco Seng Heng que anos depois viria a ser adquirido por Stanley Ho.

Monday, January 23, 2006

Cavaco Absoluto também em Macau

Posto Consular de Macau: Eleições Presidenciais

Cavaco Silva- 507 votos
Mário Soares - 138
Manuel Alegre - 55
Jerónimo de Sousa - 15
Francisco Louçã - 13
Garcia Pereira- 11

Total de votantes: 759
Inscritos: cerca de 11 mil

Aniversário

Há um ano o Sínico dava os primeiros passos. A todos os que por cá passaram, muito obrigado.

Friday, January 20, 2006

Ainda Zheng He e o Império do Meio

A expedição de Zheng He em 1433 foi a última e três anos mais tarde um édito imperial baniu a construção de navios de longo curso. Apesar de todo o empreendimento realizado pelo general eunuco muçulmano de etnia hui, a China virou as costas ao mundo. Porquê?
Como seria de esperar não existe apenas um ou dois motivos para que isto tenha acontecido.
Paul Kennedy em "The Rise and Fall of Great Powers" considera que:

(...) There was, to be sure a plausible strategical reason for this decision. The northern frontiers of the empire were again under some pressure from the Mongols and it may have seemed prudent to concentrate military resources in the most vulnerable area. Under such circumstances a large navy was an expensive luxury (...).
a key element in China's retreat was the sheer conservatism of the Confician bureaucracy (...) In this "Restoration" atmosphere , the all important oficialdom was concerned to preserve and recapture the past, not to creat a brighter future based upon overseas expansion and commerce. According to the Confucian code, warfare itself was a deplorable activity (...) Foreign trade by Chinese subjects must have seemed even more dubious to mandarin eyes, simply because it was less under their control.

Paul Kennedy, The Rise and Fall of Great Powers, Vintage Books, New York, 1989, p.7

Thursday, January 19, 2006

Império do Meio

A propósito dos interssantes comentários de Bruno Santos, e da questão lançada por A.tlon - "Interessa-me sobretudo procurar compreender o que levou a China a fechar-se novamente sobre si numa altura em que começava a ter o mundo desenhado em cima dos joelhos" - em "A Riqueza e a Pobreza das Nações", David Landes cita uma declaração do imperador K'ang Hsi, da dinastia Qing, a partir de uma passagem do livro "Emperor of China" de Jonathan Spence:

"(...) muito embora alguns dos métodos ocidentais sejam diferentes dos nossos e possam até representar um aperfeiçoamento, pouco existe neles que seja novo. Os princípios de matemática derivam todos do Livro das Mudanças (I Ching) e os seus métodos ocidentais são chinese na origem".

David Lands, A Riqueza e a Pobreza das Nações, Gradiva, Lisboa, 2002, p.380

No mesmo livro (p.377), numa alusão ao período anterior aos Qing, a dinastia Ming, David Landes escreve: "O progresso teria desafiado confortáveis ortodoxias e acarretado a insubordinação; o mesmo ponto de vista em relação a conhecimentos e ideias importados. Com efeito, o que havia para aprender?"

Já mais de mil anos antes, tal como Bruno Santos lembra, o Imperador Han Huan Ti, dinastia Han, tinha mandado queimar quase todos os classicos, poupando o I Ching.

Tuesday, January 17, 2006

Amado na China II

Na sequência da decisão de Pequim de elevar o estatuto de Portugal para parceiro estratégico, Portugal e a China decidiram criar uma comissão conjunta para tratar dos assuntos militares e de defesa. Este é o primeiro resultado da visita de Luís Amado à China. O tipo de cooperação, no entanto não é especificado. Certo é que Lisboa apoia de forma veemente o fim do embargo à venda de armas da União Europeia à China...

Is there anything behind the curtain?

A Agência Xinhua fala assim desta visita:

"China is ready to work with Portugal on developing multi-level and multi-dimension relations between the two armed forces, Chinese Defense Minister Cao Gangchuan said here Monday.
In a meeting with his Portuguese counterpart Luis Amado, Cao said frequent exchange of high-level visits and deepening cooperation between the two countries in various fields contributed a lot to the smooth development of state-to-state relations in recent years.
As a key component of the overall relationship between China and Portugal, relations between the two armed forces have kept moving forward, said Cao, adding that the People's Liberation Army attaches importance to enhancing friendly cooperation with the Portuguese armed forces.
Cao also briefed the guest on China's views on major international or regional issues and China's economic and social development.
He reiterated China's principles and stance on the Taiwan issue.
Amado said Portugal is looking forward to closer cooperation with China in wider areas, and will make joint efforts with China to cement relations between the two nations and armed forces, so as to contribute to world peace and stability."

As faces da História

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A propósito do comentário do Nic, - "basta olhar para Macau e ver como a historia reza do outro lado das portas do cerco!" - recordo aqui declarações do historiador Geoffrey Gunn:

"Está a dizer que estão a rescrever a História?
Já reescreveram, já foi feito. E devem ter estado a trabalhar nisso desde altura em que publiquei o livro [em 1996] e a prepararem-se para a hora da transição. Em 1999, havia duas "Histórias da China", impressas em Xangai e Hong Kong, que usaram documentos do Partido Comunista para escrever estas versões patrióticas da História. Encontram-se à venda em todas as livrarias aqui de Macau, da autoria de historiadores do continente que as publicaram em 1999. E estes são os livros que as pessoas de Macau lêem, ninguém lê o meu livro." Ler a entrevista aqui.

Do lado português existe também naturalmente uma certa versão nacionalista do Império benigno lusitano.
Quanto à questão da "descoberta" da América por Zheng He, é preciso primeiro ler so livro de Gavin Menzies e outros documentos.

Monday, January 16, 2006

Qual Álvares Cabral, qual quê!?

"Uma cópia do século XVIII de um mapa chinês do mundo desenhado em 1418, hoje revelado em Pequim, mostra que os chineses terão chegado ao Brasil antes dos portugueses.
Os chineses terão ainda descoberto o caminho para a Índia antes de Vasco da Gama e chegado à América antes de Colombo, segundo o mapa, datado de 1763 e cópia de um outro que terá sido desenhado décadas antes de Bartolomeu Dias dobrar o cabo da Boa Esperança, em 1487.". Lusa

Acumulação Sofisticada de Capital

Será que a China está a acumular em demasia reservas em divisas estrangeiras (entenda-se, dólares)?

Sunday, January 15, 2006

Mais protestos

Começam a ser conhecidos cada vez mais casos de protestos violentos que envolvem camponeses e as autoridades por causa de disputas em relação à cedência de terras a fábricas e à alegada falta de compensações codignas. A BBC relata aqui o caso de Sanjiao.

Afinal, Ele

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está mesmo por cá...

Leituras Dominicais


Olhares sobre os graves problemas ambientais na China:

1. China's Pollution and the Threat to Domestic and Regional Stability, Z Net

2. Will China Face an Environmental Meltdown?, Elizabeth Economy na Globalist.

Thursday, January 12, 2006

China Africana

Ler "China's African Policy", o documento oficial da China para África.
Depois de em 2003 Pequim ter emitido "China's EU Policy Paper", Pequim sistematiza os princípios orientadores para África, colocando num paper o que tem vindo a dizer e em especial a fazer nestes últimos anos em África. Tudo isto deve ser entendido num contexto mais abrangente da nova estratégia da China para as relações internacionais após a queda do muro de Berlim e os incidentes de Tianamen juntamente com os princípios delineados por Deng Xiaping de uma política externa independente e acerca da cooperação "Sul-Sul" e fudamentalmente tendo em conta as necessidades ao nível de recursos energéticos, minerais e de matérias primas de uma economia que cresce ininterruptamente a um nível próximo dos 10 por cento há 25 anos. Estes e outros factores devem ser tidos em conta. Voltaremos a este assunto, com frequência.
Numa primeira leitura do documento não posso deixar de destacar as segintes passagens:

"China is willing to negotiate Free Trade Agreement (FTA) with African countries and African regional organizations"

"Efforts will be made to strengthen technology and management cooperation, focusing on the capacity-building of African nations"

"The Chinese Government facilitates information sharing and cooperation with Africa in resources areas. It encourages and supports competent Chinese enterprises to cooperate with African nations in various ways on the basis of the principle of mutual benefit and common development, to develop and exploit rationally their resources"

"will continue its training programs in applied technologies for African countries, carry out demonstration programs of technical assistance, and actively help disseminate and utilize Chinese scientific and technological achievements and advanced technologies applicable in Africa. "

China Lusófona II

A política chinesa para os países africanos de língua portuguesa é "mutuamente benéfica", disse hoje o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros chinês durante a primeira apresentação pública da política da China para África.

China Lusófona

O chefe da diplomacia chinesa esteve em Cabo Verde para uma visita com vista ao regorço da cooperação entre os dois países. Desde logo, Li Zhaoxing prometeu um aumento do investimento chinês no arquipélago - o que de resto tem vindo a aocntecer, em especial nos últimos dois anos.

Interessante é que ,

"Quanto ao referido interesse da China na ainda "secreta" existência de gás natural nos mares do arquipélago, referida na imprensa nos últimos dias, tanto o MNE chinês como o cabo-verdiano passaram ao lado do assunto, sem, no entanto, o negar." (Lusa)

Amado na China

O título pode induzir em erro. Não se trata de Deng Xiaoping, Yao Ming ou de Yiang Liwei, o primeiro chinês no espaço. É mesmo Luís Amado, ministro português da defesa, que vem cá para a semana. Meses depois da China ter concedido a Portugal o estatuto de parceiro privilegiado e de Sócrates ter dito que a Pequim estava no topo das prioridades da diplomacia de Lisboa. E de Portugal ter reafirmado que defende o fim do embargo europeu à venda de armas. E num ano em que Portugal vai abrir um consulado-geral em Xangai.
Certíssimo, Paulo, prestarei atenção especial à visita do senhor ministro. E Sócrates também vem cá em 2006, só não se sabe ainda quando.

Wednesday, January 11, 2006

Três Pilares da Estabilidade II

"Provavelmente, a prioridade de topo – e o desafio mais difícil – é desenvolver uma economia de consumo doméstica estável e saudável que absorva a produção excedentária e reduzir o superavit comercial.
Isso levanta o grande dilema a Wen Jiabao: como será implementado este ajustamento?
O seu antecedente, Zhu Rongji, desenvolveu um “sistema de macro-controlo” em que os instrumentos do planeamento do estado poderia ser utilizado para ajustar o mercado. Mas o poder do planeamento central tem dado lugar às forças de mercado , deixando Pequim crescentemente sem mecanismos para dirigir e controlar o mercado. Muitos dos ministérios que um dia tiveram a autoridade para controlar vários sectores já não existem. E as autoridades locais já não seguem as linhas orientadores do governo central.
Wen tem estado a falar sobre a tentativa de reinstalar o sistema de macro-controlo. A chave desta ideia é transferir fundos públicos dos projectos de infrastruturas de grande envergadura para outro tipo de investimentos como a educação, a segurança social e os cuidados médicos.
Durante os anos da reforma do final dos anos noventa e início do século XXI, estes três sectores foram subitamente comercializados e os fundos governamentais foram retirados em muitos casos. Hoje prestam serviços desiguais – apenas disponíveis para quem os possa pagar – deixando a maior parte da populaçãi sem acesso a uma condigna educação ou cuidados médicos.
Estes sectores são cruciais para o futuro da China, tanto que se têm tornado imagem de marca do discurso dos responsáveis políticos. Estes três pilares de serviços sociais aos cidadãos são vitais para a concertização do projecto de Wen Jiabao de ajustamento económico estrutural.
Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode cosumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".

Laurence Brahm, South China Moring Post, 10-01-2006.
Tradução e adaptação de JCM.

Learning Chinese

China's latest export: Language - I.H.T.

Tuesday, January 10, 2006

Uma visita (pouco) secreta

North Korea's reclusive leader Kim Jong-Il is reportedly in China on a low-key visit.
A South Korean news agency has reported that Mr Kim crossed the border into China early this morning.

Três Pilares da Estabilidade

Laurence Brahm

No South China Moring Post, 10-01-2006*

"No ano passado, a China recebeu um aviso veemente que estaria em marcha uma potencial crise de energia, financeira e ao nível da segurança social. A chamada de atenção veio de uma fonte no mínimo respeitável - um instituto de investigação multi-ministerial presidido pelo primeiro-ministro Wen Jiabao. À primeira vista, podemos esperar um ano 2006 positivo para a China continental. A economia deverá registar um contínuo e elevado crescimento económico e uma inflacção baixa. Contudo, debaixo desta superfície, 2006 poderá ser um ano de teste à capacidade da economia e ao ritmo da implementação das reformas. Este ano é o quinto desde que a China se juntou à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que significa que muitos dos compromissos decorrentes desta adesão ainda não foram postos em prática. Algumas indústrias terão, subitamente, que competir com as importações, enquanto as tarifas alfandegárias vão diminuindo; o pano vai subir para a entrada em palco dos serviços financeiros estrangeiros; e vários outros sectores serão forçados a abrir as portas a capitais privados e estrangeiros. As pressões externas vão continuar: os preços do petróleo dificilmente diminuirão – podem mesmo aumentar ao longo do ano juntamente com os preços de outras commodities. Por todo o mundo poderão rebentar “bolhas de propriedade”, o que será um teste para a robustez do sector imobiliário da China. Os decisores estão a poderá como conduzir a China para um ritmo mais estável e equibilibrado de crescimento. O período de hiper-crescimento começou em 1992, quando a China ainda não podia produzir todas as mercadorias e bens básicos necessários ao seu mercado de consumo doméstico. Catorze anos depois, virtualmente, todos os sectores da economia estão em sobre-produção, fazendo da China a maior economia de exportação do mundo. É acusada, um pouco por todo o mundo, de fazer dumping e está a ser alvo de vários processo legais na Europa e nos Estados Unidos. Claramente para os decisores políticos de Pequim é tempo de fazer alguns ajustamentos estruturais a este modelo económico.".

(continua)
*traduzido e adaptado por JCM.

África Nossa

CNOOC in!

Sunday, January 08, 2006

Evo Morales na China

O presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, iniciou hoje uma visita à China onde declarou ser um admirador de Mao Tsetung e da sua "revolução proletária" e incentivou as empresas chinesas a investirem em sectores-chave da economia boliviana (...) "Foram convidadas as empresas chinesas, seguindo os regulamentos bolivianos, a entrarem em sectores como a energia, a indústria mineira ou a agricultura" Lusa

1. Como é que seria uma Grandiosa Revolução Cultural proletária na Bolívia de Morales?

2. Não é só em África que a China está a encontrar terreno fértil para investir e para fortalecer a cooperação em especial ao nível dos recursos energéticos e minerais. A América Latina distancia-se cada vez mais da dependência de Washington abraçando o "jogo de soma positiva para ambas as partes" de Pequim. E há vários exemplos.

Agora Não

Estamos a mudar a nossa capital. Venham mais tarde...

Saturday, January 07, 2006

O Sexto Poder e o Quinto Elemento

Um estudo da autoria de Wang Ling da Academia Chinesa de Ciências Sociais coloca a China no sexto lugar numa lista dos maiores poderes do mundo. a Lista é a seguinte:

1-EUA
2-Reino Unido
3-Rússia
4-França
5-Alemanha
6-China

Os critérios utlizados foram

  • poder militar
  • poderio económico
  • capacidade diplomática
  • recursos energéticos
Então e o soft power? Perguntem a Joseph S. Nye.

Galileo: this is just the beginning

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O Satélite Giove-A

Já foi lançado o primeiro satélite do Galileo, o sistema global de navegação e posicionamento da União Europeia que surge como alternativa ao GPS norte-americano. Sendo apresentado pela Comissão Europeia e pela ESA como um projecto meramente civil, será certamente um instrumento e um activo estratégico numa (eventual) Política Externa e de Segurança Comum e de Uma Política Europeia de Defesa e Segurança. Isto para além dos spin-offs que um programa de alta tecnologia deste tipo gera, ao nível da transferência de tecnologia do campo militar para o civil e das potencialidades que permite um sistema de poscionamento de alta precisão -como é apresentado - para a sociedade ao nível dos transportes marítimos, terrestres, aéreos, protecção civil, sector financeiro, agricultura ou pescas. Apesar de ter sido já assinado um acordo de interoperabilidade entre Bruxelas e Washington com vista a evitar eventuais conflitos na emissão de sinais do GPS e do Galileo, os norte-americanos nunca viram com bons olhos este projecto. Em especial porque a China é o principal parceiro externo da UE temendo que Pequim possa beneficiar da transferência de tecnologia e ter acesso aos códigos encriptados miliatres de precisão extrema.

Thursday, January 05, 2006

Recursos energéticos na Ásia Central: EUA-China

Enquanto na Europa se discutem a implicações do conflito energético russo-ucraniano acerca do transporte e fornecimento de gás natural, na Ásia Central as reservas do Mar Cáspio são alvo de forte competição entre a China e os Estados Unidos. Ao passo que os EUA inauguraram o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, Pequim apostou no oleoduto que vem do Cazaquistão até ao Nordeste chinês.
O Asia Times publica este artigo bastante interessante sobre o "grande xadrez energético" na Ásia Central.
Para mais desenvolvimentos sobre este assunto, ler

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”, Perspectives on Global Development and Technology, 15 September 2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.

Sínico tem estado a publicar uma série de textos sobre as políticas da UE e da China para a Ásia Central.

Wednesday, January 04, 2006

China-Lusofonia

As trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa cresceram 25,9 por cento nos primeiros sete meses de 2005 com Angola e Brasil a assumirem a responsabilidade de 93,5 por cento da compra e venda de produtos.
Dados estatísticos hoje divulgados pela Rádio Macau indicam que entre a China e os Países de Língua Portuguesa, exceptuando São Tomé e Príncipe, o valor das trocas comerciais atingiu os 12.146 milhões de dólares americanos referentes a 3.366 milhões de dólares de vendas chinesas e 8.780 milhões de dólares em exportações dos países de língua portuguesa.
(Lusa)

Monday, January 02, 2006

Mensagens e Sinais para 2006

A mensagem de ano novo do presidente da China Hu Jintao centrou-se na questão ambiental que tantos problemas esta a criar ao país. O chefe de estado chinês garantiu que Pequim vai concentrar esforços para a criação de uma sociedade baseada na eficiência energética e na protecção ambiental. Além disso, Hu Jintao disse que o governo central vai expandir a "democracia socialista", promover o "progresso ideológico e ético" e a reforma no sector cultural. Tudo para atingir a harmonia social e o desenvolvimento pacífico. Do outro lado do estreito, o discurso foi diferente. O líder de Taiwan Chen Shui Bian endureceu o discurso e disse que quer fazer avançar uma nova constituição e prometeu continuar a reforçar o armamento do exército da Formosa. Na mensagem de ano novo, Chen afirmou que quer que Taiwan tenha um novo texto fundamental em 2008 que permita aos cidadãos da ilha terem a palavra sobre uma eventual independência. O líder do governo de Taipé argumentou que as pessoas de Taiwan em 2007 terão a maturidade para decidir o que fazer num referendo sobre uma nova constituição. Esta declaração deverá provocar uma reacção negativa em Pequim com quem Chen Shui Bian tem uma relação conflituosa desde que em 2000 assumiu a chefia do governo de Taiwan com o Partido Democrático Progressista que tem um discurso pró-independência. Noutro sentido, O primeiro-ministro indiano anunciou que pretende reforçar os laços com a China e exultou Pequim a dar um passo no mesmo sentido. Na mensagem de ano novo endereçada ao chefe de estado chinês, Manmohan Singh afirmou que o ano 2006 deve ser marcado por uma relação de maior proximidade entre os dois países mais populosos do mundo.

A Fresh 2006

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a glimpse of my village...

Tuesday, December 20, 2005

o Sínico regressa às origens

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Até 31 de Dezembro.
Os votos de Um Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, que é como quem diz:
聖誕快樂! (sheng dan kuai le)
新年快樂! (xin nian kuai le)

Monday, December 19, 2005

Cimeira da OMC VI

Copo meio vazio...

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Celso Amorim, ministro brasileiro dos negócios estrangeiros, foi uma das grandes estrelas da cimeira. Foi o pota-voz e o líder do G20.
No último dia, numa frase, resumia o valor do documento e das negociações de Hong Kong
"modesto , mas não insignificante".


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Mucha Policía Poca Diversíon!
À uma da tarde havia um mar de polícias que cercava umas dezenas de sul coreanos. Na madrugada de Sábado para Domingo 900 manifestantes, na maioria da Liga de Agricultores da Coreia do Sul, foram detidos, quando estavam sentados na estrada, obstruindo a circulação automóvel. Várias ONGs acusaram a polícia de Hong Kong de abusos de poder e de não terem tratado dignamente os sul coreanos.
Certo é que apesar do espectáculo televisivo com os empurrões, bastonadas, gás-pimenta, canhões de água e dos 70 feridos, se compararmos estas manifestações com Seatle ou Génova, bem que podemos dizer que os sul-coreanos são meninos do coro comprado com os radicais europeus e norte americanos que têm por hábito partir vidros de lojas e queimar carros (uma pequena minoria faz isto, eu sei). Os sul-coreanos não destruiram nada, apenas se atiraram à polícia. Honra lhes seja feita!


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Este é um clássico. Ou será que foi só para a fotografia?

Ligações sobre a Cimeira da OMC:

All-night session saved WTO talks, IHT

It's a deal, The Standard.

6th WTO Ministerial Conference concludes with tangible progress, Xinhua

A Declaração Ministerial de Hong Kong

Sunday, December 18, 2005

Saturday, December 17, 2005

Cimeira da OMC em Hong Kong IV

Não ata nem desata:

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Peter Onde é que eu me vim meter Mandelson.

"WTO shows that democracy can be a messy thing", Donald Greenlees no International Herald Tribune.

"Les pays du Sud mobilisés à 110 %", Pierre Haski no Liberation.

"Talks go on all night to avert failure", The Standart.

Amanhã lá estarei de novo...

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Leituras Natalícias II

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Trata-se de um lvro denso e um pouco desactualizado. Mesmo assim, é muito útil para quem pretende começar a entrar no complexo edifício da organização político-institucional do estado chinês.

Friday, December 16, 2005

Leituras Natalícias I

1. Timothy Garton Ash é visto, justamente, como um dos britânicos que olham com maior lucidez para a União Europeia e a sua relação com os EUA e o resto do mundo. "Free World" é uma obra desempoeirada que lança um olhar muito inetressante sobre as relações transatlânticas.
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No final do livro Ash escreve:

"There are many divisive walls in today's world. There's the wall being built between Israelis and Palestinians, which in places looks uncannily like the Berlin Wall. Therre are the high walls of trade proteccionism around both Europe and the United States. Bur behind them are the biggest walls of all: the mind-walls. If we raise our voices, these walls will come down. We are many, and we have not spoken yet. It's up to us."

Um outro olhar sobre Adam Smith

"In the global trade debate, Adam Smith is usually heralded as perhaps history’s greatest proponent of capitalism. Against that backdrop, U.S. Congressman Sherrod Brown, author of "Myths of Free Trade," has a surprising finding. He argues that, contrary to the teachings of Smith's 20th- and 21st-century apostles, the Scottish philosopher more often than not sided with workers."

Cimeira da OMC III

A China na expectativa

"Beijing in special treatment call for developing nations"

China a spectator at WTO talks

Thursday, December 15, 2005

Uma heresia

"Forcing a developing economy to open itself up to imported products that would compete with those produced by certain of its industries, industries that were dangerously vulnerable to competition from much stronger counterpart industries in other countries, can have disastrous consequences - socially and economically. Jobs have systematically been destroyed - poor farmers in developing countries simply could not compete with the highly subsidized goods from America and Europe - before the countries' industral and agricultural sectors were able to grow strong and create new jobs."

Joseph Stiglitz, "Globalization and its Discontents", Penguin Books, 2002, p. 17.

Wednesday, December 14, 2005

Cimeira da OMC II

Manifestação nas ruas de Hong Kong
13 de Dezembro de 2005.

São 11 da manhã. Saio do Centro de Acreditação na Central Library de Hong Kong e atravesso a estrada rumo ao famoso Victoria Park. Ao longe já ouço megafones e vislumbro bandeiras vermelhas. É a Liga dos Agricultores Sul-Coreanos. Irados, gritam e cantam em uníssono, de forma disciplinada. “WTO is killing the farmers” e “Dow Down WTO” são as únicas palavras que percebo no discurso do líder do grupo d centenas de camponeses que se opõe à liberalização do comércio mundial.
Se na Europa os maiores protagonistas das manifestações anti-globalização costumam ser os grupos que se dizem de extrema esquerda e anarquistas – geralmente os mais violentos -, em Hong Kong são os agricultores sul coreanos que apresentam um tom mais aguerrido. Marcham, cantam e garantem que a “OMC está a matar os agricultores sul coreanos”. Tae-sook Lee, líder do movimento acusa a OMC de querer “impor o arroz e outros alimentos na Coreia do Sul, o que dizimar a agricultura no país”.
Em representação do ódio que sentem pela organização internacional que em 1995 substituiu o General Agreement on Tarifs and Trade (GATT), os manifestantes sul-coreanos incendiaram uma caixão que transportavam com a inscrição “WTO R.I.P.”. Pouco depois, já a algumas centenas de metros do Centro de Convenções onde decorre a cimeira, lançaram ovos e garrafas de plástico às forças policiais, presentes em grande número no local. Na resposta, as autoridades carregaram sobre alguns manifestantes, lançando gás-mostarda, impedindo assim que a manifestação avançasse para uma zona mais próxima do local onde decorria a reunião ministerial.
Perante isto, um grupo de cinquenta representantes dos agricultores sul coreanos saltou para a água tentando assim chegar por outros meios ao Centro de Convenções, numa tentativa inglória. No entanto, a voz anti-globalização chegou a ser ouvida dentro do plenário da reunião ministerial da OMC, na sessão de abertura, quando o director-geral, Pascal Lamy discursava. Algumas organizações Não Governamentais (ONG), que foram convidadas para participar em fóruns realizados à margem da cimeira, levantaram cartazes que enviavam a mesma mensagem dos sul coreanos: “A OMC mata os agricultores”.
No Victoria Park, na zona de Causeway Bay, centenas de pessoas iam juntando-se em pequenos grupos defensores das mais variadas causas: da agricultura ao ambiente, passando pelos direitos das mulheres, das minorias étnicas, dos imigrantes ou dos trabalhadores em geral. A uni-los está o repúdio pela OMC, pela globalização, o neoliberalismo.
Mas afinal contra o que é que se manifestam todos estes movimentos? "Acima de tudo contra esta maneira de decidir sobre a vida de milhões de pessoas, sem ter em conta a vida de quem trabalha a terra e que passa por tantas dificuldades”, responde Vinod Shetty, advogado da Confederação Indiana de Agricultores. "Os indianos não estão preparados para a liberalização, não teremos hipóteses de competir com a Europa e os Estados Unidos", garante.
Ao lado, com o som de fundo das canções de combate dos sul-coreanos, o presidente da Associação de Consumidores Filipinos, atirava contra o nivelamento por baixo da qualidade dos alimentos num cenário de abertura dos mercados, enquanto trocava impressões com um outro grupo nipónico que veio a Hong Kong defender a agricultura familiar.
Num registo mais clássico, Elmer Labog, da associação sindical filipina “May First Labor Mouvement" erguia o punho contra o imperialismo e cantava bem alto a "Internacional" em tagalog, naturalmente. "Não podemos aceitar este modelo de desenvolvimento, baseado na exploração de recursos naturais, ignorando os direitos e as vidas de quem trabalha", disse.
Na manifestação pontificavam os movimentos oriundos da Ásia Oriental e Sudeste Asiático, mas também vieram activistas da Europa.
Alexi Pasadakis viajou da Alemanha para divulgar a mensagem da ATTAC e para levantar a voz “contra uma globalização que só beneficia as grandes multinacionais”. O objectivo desta organização é, pelo menos, adiar e arrastar o andamento das negociações, “algo que está acontecer porque nos últimos meses nada de substancial aconteceu”. “Um outro mundo é possível”, clamam várias organizações que se opõe à globalização ou que se assumem por uma outra globalização, “mais justa”. Mas se o que se defende é o fim da OMC, onde devem ser discutidos os assuntos relacionados com o comércio mundial?. Alexis Pasadakis julga que as Nações Unidas seriam uma sede mais indicada para debater o comércio, “mas as trocas comerciais só têm sentido se estiverem ligadas a uma política virada para o desenvolvimento e que esteja ao serviço dos povos”, adianta. Para isso seria necessário também “que as Nações Unidas fossem bem diferentes.”
Dos cerca de 4500 manifestantes a esmagadora maioria veio de fora, em especial da Ásia Oriental. Da antiga colónia britânica apenas sobressaía a “Hong Kong Alliance Against WTO” e Leung Kuok Heung, mais conhecido por “Long Hair” – activista de um grupo esquerdista pró-democracia e deputado eleito directamente para o Conselho Legislativo – que acabou por se envolver em pequenos confrontos com a polícia. A fraca afluência de grupos de Hong Kong à manifestação pode ser explicada pelas palavras de Donald Tsang, chefe do governo local, na sessão de abertura da conferência ministerial da OMC:
“Eu quero enfatizar a importância da OMC para Hong Kong. Como uma pequena economia orientada para o exterior sem recursos naturais, além de um magnífico porto de aguas profundas, Hong Kong tem confiado no comercio livre e numa população trabalhadora e empreendedora para transformar aquilo que foi uma pequena vila piscatória num grande centro internacional financeiro”.

Cimeira da OMC em Hong Kong

Cá Fora...

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Os Agricultores Sul Coreanos

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Sindicalismo Filipino

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A inevitável ATTAC

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O incansável "Long Hair" atingido por gás-pimenta.

Monday, December 12, 2005

Sunday, December 11, 2005

Vale pela Intenção

O primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou hoje, no encerramento do Encontro Empresarial Portugal-China, em Lisboa, que Portugal pode servir à China como "porta para África".
Sócrates, que visitará a China "nos primeiros meses do próximo ano", falava sobre o que Portugal pode oferecer à China para justificar o acordo diplomático, assinado na sexta-feira com o seu homólogo chinês, Wen Jiabao, que elevou as relações entre os dois países ao nível da "parceria estratégica global".
"Portugal pode oferecer muita coisa à China, além da hospitalidade e do clima. Primeiro, afirmar-se como parceiro da China em África", afirmou o primeiro-ministro português.
"A China dispõe de capital, nós conhecemos o terreno, a língua, as tradições. Portugal pode ser uma porta para África e para algumas zonas da América Latina", disse Sócrates perante uma sala cheia de empresários. (Lusa)

Ou será que estamos perante uma verdadeira mudança de atitude da diplomacia de Lisboa face às relações com a China, nomeadamente no plano económico?

Quanto às relações com a África Lusófona, convém lembrar que em 2003 foi criado o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa - uma iniciativa chinesa - e que em Angola e em Moçambique os chineses já têm os pés firmes há bastante tempo, em especial nos últimos três anos.
Mesmo assim, desta visita de Wen Jiabao a Portugal ficam as palavras e objectivos que veremos se serão cumpridos:

  • Wen estabelece como meta a duplicação das trocas comerciais nos próximos três anos. É possível.

  • Sócrates garantiu que a China está no topo das prioridades da política externa portuguesa. Palavras de ocasião? Temo que sim. Perdoem-me mais uma vez o cepticismo.

Democracia Popular Musculada (com adenda)

Os acontecimentos de Dongzhou:
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Dongzhou: les photos, no blog de Pierre Haski, correspondente em Pequim do Libération.

"En Chine, la guerre des terres gagne du terrain", Pierre Haski no Libération.

"Chinese protesters report a massacre", Howard French no New York Times.

Entretanto:
O responsável das forças paramilitares que terça-f eira tinha dado ordem de abrir fogo sobre uma manifestação de aldeões no sul da China, matando três pessoas, foi detido pelas autoridades, anuncia hoje o diário oficial Guanzhou Daily.
Num artigo em que relata a versão oficial dos acontecimentos, o jornal ind icou que as forças paramilitares tinham sido chamadas terça-feira à noite a cont rolar uma manifestação, classificada como "incidente grave e ilegal".
Essa manifestação, refere o jornal oficial, reuniu mais de 500 pessoas na aldeia de Dongzhou.
Contudo, acrescentou o jornal, o chefe das forças paramilitares no local t omou uma má decisão, provocando mortos e feridos. (Lusa)

Saturday, December 10, 2005

Outros Sínicos

Além do já mencionado Shanghai Express, em espanhol, descobri, com um ano de atraso, o excelente blog do correspondente em Pequim do Libération, o jornalista Pierre Haski. São visões interessantes a partir do primeiro sistema que enriquecem quem, como eu, vive no segundo e que procura espreitar para lá das Portas do Cerco.

Hong Kong visto de Xangai

O Shanghai Express, um blogue muito interessante sobre a realidade chinesa em língua espanhola, alerta que, para entender as palavras de Lee Kuan Yew acerca da situação política em Hong Kong, é necessário ter em conta que o "Pai Fundador" de Singapura sempre propalou que a democracia de tipo ocidental é incompatível com o designa serem os "valores asiáticos".



O Sínico reproduce, en apoyo de su escepticismo, las declaraciones que hizo el Mentor Minister (no sé cómo traducir este término, algo así como Ministro Emérito) y ex Primer Ministro de Singapur, Lee Kuan Yew, en marzo de este año, después de su visita a Hong Kong. En esas declaraciones Lee Kuan, dirigiéndose a los periodistas con los que se había reunido en rueda de prensa, afirmó:
“(..)you have a master in China, you have subsidiary masters in Hong Kong, and what Hong Kong was led to believe it wanted in the last few years of Chris Patten and Tiananmen, is what the leaders in Beijing cannot give. Beijing has no intention of allowing Hong Kong to be a pace-setter or trojan-horse, to try and change the system in China. Anything you do here in Hong Kong which does not disturb or can be an example what China should do, that they are prepared to allow.”
Ahora bien, para juzgar estas declaraciones hay que tener en cuenta que Lee Kuan, que evidentemente es un hombre bien informado y de notable inteligencia, siempre ha mirado con disfavor la democracia de tipo occidental por considerarla incompatible con los que denomina “Valores de Asia”.


Concordo que é necessário enquadrar as declarações de Lee. E admito que estou algo céptico quanto à evolução do sistema de Hong Kong rumo a uma democracia plena. Não porque não julgue que a sociedade da antiga colónia britânica não esteja preparada para isso, mas por causa das implicações de um avanço para o sufrágio directo e universal para os timings definidos por Pequim. Quero dizer que a questão não será se, mas quando. E sobre isso parece-me que 2007 ou mesmo 2012 será muito cedo para Pequim. Agora tudo vai depender de como o movimento pró-democracia vai agir, em especial no que concerne à sua táctica. Na China só se deve usar o megafone de vez em quando. E desta vez, no dia 4 de Dezembro, foi bem usado. A pressão está do lado de Pequim para estabelecer um calendário. Ainda esta semana, uma notícia, mais tarde desementida, publicada pelo South China Moring Post indicaca o ano 2017 como o início da era democrática na República Popular da China, começando numa Região Administrativa Especial.