Tuesday, March 28, 2006

Reequilíbrios

Vale a pena prestar mais atenção ao que está escrito no Plano Quinquenal 2006-2010. Um dos aspectos mais importantes tema ver com a mudança de perfil do crescimento económico que a China pretende adoptar. O PIB da República Popular da China deverá deixar de estar apenas ancorado no investimento e nas exportações, para ter uma fatia cada vez mais importante ao nível do consumo interno. Ou seja, a China deixará de ser apenas a fábrica do mundo para passar a ser igualmente um mercado de consumidores, que com a ascenção social proveniente das reformas económicas iniciadas há 25 anos por Deng Xiaping, passarão a ter um poder de compra cada vez mais elevado. Por outro lado, o estado passará a colocar em prática instrumentos de correcção das desigualdades (ainda que de forma limitada), o que terá duas funções primordiais: primeiramente providenciar uma rede de apoio na segurança social e nos cuidados médicos; em segundo lugar, libertar rendimentos para o consumo. E isto terá naturalmente efeitos a nível global: Stephen Roach, economista-cehe da Morgan Stanley destaca três efeitos potenciais deste novo equilíbrio: a baixa de preços de matérias-primas, valorização da moeda chinesa e aparecimento do consumidor chinês.

"a redução do ritmo de crescimento do investimento temperará o impacto da China em muitos mercados de matérias-primas.
Por exemplo, em 2005, a China representou 25 por cento da procura mundial de alumínio e entre 30 a 35 por cento do consumo global de cobre, ferro, aço e carvão.
No caso concreto do petróleo, o esforço chinês de conservação de energia - há uma meta de redução de 20 por cento do conteúdo em energia na produção em cinco anos - pode amplificar as tendências para a baixa nos preços do petróleo dos produtos refinados.
Em segundo lugar, a valorização da moeda favoreceria o consumo e reduziria o excedente comercial, o que aliviaria as tensões proteccionistas anti-chinesas em crescendo no comércio internacional.
Esta evolução beneficiaria Japão, Taiwan e Coreia do Sul, entende Roach.
O terceiro impacto potencial mencionado é o aparecimento do consumidor chinês, que deve ser "a história principal dos próximos três a cinco anos".
A liderança chinesa, realça, admite que este cenário tem riscos, o principal dos quais é o da instabilidade, vista como "o constrangimento principal ás reformas e ao desenvolvimento da China".
Desde 1997, as empresas estatais já reduziram o seu efectivo laboral em 60 milhões de pessoas.
Esta redução massiva de emprego público tem sido compensada com um crescimento económico acelerado.
A questão, agora, é saber se a redução da taxa de crescimento para os 7,5 por cento ao ano nos próximos cinco anos é compatível com a reorganização do sector empresarial público.
Roach admite que sim, uma vez que as reformas das empresas públicas já estão avançadas e que o ritmo de redução de pessoal baixou para dois milhões por ano". (Lusa)

Monday, March 27, 2006

Libertem-no

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Hao Wu, realizador e blogger chinês, foi detido, sem culpa formada, pelas autoridades, há mais de um mês.

"Hao Wu (Chinese name: 吴皓), a Chinese documentary filmmaker who lived in the U.S. between 1992 and 2004, was detained by the Beijing division of China’s State Security Bureau on the afternoon of Wednesday, Febuary 22, 2006. On that afternoon, Hao had met in Beijing with a congregation of a Christian church not recognized by the Chinese government, as part of the filming of his next documentary."

"The reason for Hao’s detention is unknown. One of the possibilities is that the authorities who detained Hao want to use him and his video footage to prosecute members of China’s underground Churches"

Ler mais em Free Hao Wu.

Friday, March 24, 2006

Nova Guerra Fria?

Escreve AAA no Observador e no Insurgente, acerca da emergência da China:

"Quais as ilações de tudo isto? A primeira é que o mundo unipolar (no qual apenas os EUA projectam poder) acabou. Naturalmente que os efeitos se sentirão apenas a prazo, mas a realidade é já bastante diferente da que tínhamos na última década do século XX. A segunda Guerra Fria (como lhe chama Robert Kaplan) começou; um novo equilíbrio de forças está a surgir e o mercado das alianças anda ao rubro"

Julgo que é desajustada a expressão utilizada por Kagan, no entanto é nítida a nova dinâmica de alianças na Ásia, muitas vezes cruzadas com várias facetas, daí que subscreva que "o mercado de alianças está ao rubro". Em especial a expressão mercado. A unipolaridade norte-americana é recorrentemente desafiada pela China, não através de acções ou declarações hostis, mas por intermédio do reforço de uma rede de alianças e parcerias de índole económico com o sudeste asiático, a Ásia Central ou a Rússia, já para não falar da estratégia chinesa para a América Latina (que está a levantar os cabelos a Washington). Há um factor determinante, que de resto é óbvio. A necessidade da China diversificar as fontes energéticas. Por outro lado, os países com quem Pequim reforça os laços comerciais sabem que têm muito a ganhar no acesso ao crescente mercado de consumo chinês. A rede de interdependência que está está a ser tecida por Pequim - mais devido a uma necessidade e aos inetresses nacionais do que a uma crença idealista no multilateralismo - terá consequências difíceis de prever.
Numa análise realista poderemos antecipar uma nova distribuição de poder no sistema internacional, em que a China lutará, minime, pela manutenção do status quo, ou, maxime, pela maximização do seu poder (no sentido lato). Contudo muitas questões se entrecruzam nesta análise: é preciso não só olhar para o impacto que a China tem e terá nas relações internacionais, mas também vice-versa. A adesão às instituições multilaterais implica a transformação interna ao nível da accountability do seu sistema financeiro, do estado de direito e da construção de uma identidade inetrsubjectiva, com o aumento da interacção multilateral. Acrescente-se ainda que não podemos ter uma visão fechada sobre os actores nas relações internacionais, olhando apenas par os estados - há que vislumbrar a complexidade das relações estado-mercado-indústria militar-energia.
Um dos hábitos (vícios, para alguns) realistas é olhar constantemente para a história em busca de analogias e constância de comportamentos de um estado emergente num determinado contexto. Avery Goldstein, académico da linha (mas também crítico) de Kenneth Waltz tem escrito sobre a Grande Estratégia da China, colocando ênfase ao comportamento da diplomacia chinesa desde 1996. Para Goldstein, a China de hoje assemelha-se ao que designa de "Neo-Bismarkismo". Tendo eu dúvudas quanto a esta categorização, julgo ser interessante ler a seguinte passagem:

"The real danger, or more troubling possibly, is not that China will abandon its neo-Bismarkian strategy in favour of an ambitious, expansionist crusade, but that unintended consequences in might follow from the strategy's success. Like its nineteenth-century forerunner, the neo-Bismarkian approach entails extensive and intensive linkages among states with competitive and common interests. As long as relations are more cooperative than conflictive, fostering tight interdependence may be attractive. But the risk in this sort of arrangements is that when problems emerge they ripple through the system in unpredictable ways that defy efforts at management"

Avery Goldstein, "An Emerging China's Grand Strategy", in G. John Ikenberry and Michael Mastaduno (ed), International Relations Theory and the Asia Pacific, p.86

Wednesday, March 22, 2006

Uma sugestão

Para quem está em Portugal.

A ascensão da China: que dilemas?

Universidade do Minho 28 e 29 de Março Auditório A1
Campus de Gualtar Braga

Com a presença de: Ana Cristina Alves, Moisés Silva Fernandes , Cármen Amado Mendes , Franco Algieri, Luís Filipe Lobo-Fernandes, Miguel Santos Neves, Luís Leitão Tomé, Dora Martins, Heitor Romana , entre outros.

Em debate estão assuntos como a Política Interna Chinesa, Geopolítica Chinesa, Política Externa Chinesa, As Relações Luso – Chinesas – Macau, O Impacto da abertura da economia chinesa em Portugal ou O Impacto da abertura da economia chinesa no Ocidente.

Tuesday, March 21, 2006

Mário Telò

"Há duas opções: ou a política de contenção do crescimento e isolamento ou diálogo multilateral. A UE escolheu a segunda opção. Os Estados Unidos estão incertos, às vezes escolhem o diálogo multilateral, através da Organização Mundial do Comércio, outras optam pela contenção, na maneira como lidam com a questão de Taiwan, Coreia do Norte, a aliança estranha com o Japão ou através da presença militar no Afeganistão, Iraque. Há uma espécie de cerco feito pelos EUA à China, o que faz com que Pequim sinta insegurança e alguma desconfiança face às verdadeiras intenções de Washington. Já a Europa é bem mais clara nas suas intenções"


"O problema está em opor competitividade a coesão social. Não podemos ter competitividade sem coesão social, porque isso criaria o declínio da Europa. Só a coesão social sem competitividade provocaria o proteccionismo, a Europa Fortaleza a defender-se do mundo exterior, afastada da dinâmica da globalização. E qual é, então, a solução para este problema? A resposta está na Estratégia de Lisboa que procura combinar a inovação tecnológica e a sociedade do conhecimento com a coesão social"

"Seria um paradoxo que o país que inventou a Estratégia de Lisboa fosse aquele que a não conseguia aplicar. Portugal precisa de inovação. Foi capaz de inovar nos anos noventa e nos anos oitenta depois da entrada na Comunidade Europeia"

"a Europa tem poder como Marte. Não é uma entidade civil, é um poder civil. Poder é ter a capacidade de influenciar a decisão dos outros mesmo contra a vontade deles. Isso é poder. A Europa pode fazê-lo através de meios civis como o comércio, cooperação com países em desenvolvimento, ajuda humanitária, mudando o ambiente das relações internacionais. Multilateralismo, exportando multilateralismo para a Mercosur, ASEAN, cooperação regional em África. Esta é a maneira como a Europa exporta esta ideia multilateral de resolução de conflitos por meios pacíficos"

Entrevista publicada no jornal Hoje Macau

Monday, March 20, 2006

Espaço Público

O exercício da cidadania está indelevelmente ligado à noção de espaço público. A ideia remonta, pelo menos, à antiguidade clássica, à noção de “ágora” como espaço inserido na “pólis” onde era exercida a cidadania. Os exemplos que nos vêm á mente são desde logo as estradas, as ruas, os parques ou os jardins.
Numa outra vertente, a escola crítica introduziu o conceito de esfera pública, sede de interacção de um sujeito com o outro, ou a sociedade, algo de importante para a construção da identidade. Habermas fala do “Offenrlichkeit” iluminista, racional, que permitiu a emergência de uma opinião pública e o exercício da cidadania e, consequentemente, de uma certa ideia de democracia. Entretanto, muita coisa mudou, mas o princípio e o conceito continua válido, aplicado às novas realidades.
Por aqui, por vezes. parece que estamos ainda numa era pré-iluminista.
Em Macau vive-se uma situação aparentemente paradoxal. Se, por um lado, as autoridades cerram o punho face à “incivilidade” no espaço público – multas mais pesadas para quem cuspir no chão ou para quem deixar o ar condicionado a pingar para a rua, etc – por outro destroem-se espaços verdes ou decide-se demolir edifícios como a sede da Assembleia Legislativa, num abrir e fechar de olhos, sem vergonha, sem dramas que eles (construtores, operadoras de jogo, de hotéis, etc) precisam de espaço. E o que impressiona (ou talvez não) é a ausência de uma consciência colectiva de preservação do espaço público. Até agora subsistem apenas focos de indignação.
Mas provavelmente para compreender isto convém olhar para trás, como faz Dieter Hassenpflug:

“While the old European city, according to its bourgeois culture, tends to “turn its inside out” by staging public spaces (see the “theatre of facades” of markets and main streets), the old Chinese cities have been introverted (similar to arab cities). Inner courtyard gardens could serve for balancing urban density and hectic pace. However, they provided this only for the small circle of privileged families. Even the use of the city gates, of streets and quarters, were assigned to the different classes in accordance with their rank” (...)

Mas isto não pode ser encarado como uma espécie de path dependence - Percebe-se que algo está a mudar.
E será que os ventos da mudança chegam a este dragão liliputiano à Beira-China plantado? E se chegarem que força terão?

Sunday, March 19, 2006

Meanwhile in Hong Kong

Foi criado um novo Partido, chama-se Civic Party e defende que Hong está preparada para o sufrágio directo e universal, hoje, ontem ou anteontem.
"Hong Kong is ready for universal suffrage, for now, yesterday and the day before yesterday. Setting any timetable is even too late"
O ambiente começa aquecer a um ano da "eleição" do próximo chefe do executivo.

Leituras Dominicais

"Deep in China, a Poor and Pious Muslim Enclave", New York Times.

Saturday, March 18, 2006

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Fábrica da General Motors, na Região Autónoma Zhang de Guangxi. Fevereiro de 2005.

contenção de palavras

Condoleeza Rice quis deixar claro que os Estados Unidos não pretendem prosseguir uma política de contenção do crescimento da China, numa entrevista a uma Rádio Australiana. Percebe-se que Washington evite utilizar uma linguagem de confronto com a China dado que a profundidade da interdependência económica entre os dois países é complexa. Se o discurso é este, a prática diverge um pouco. A Aliança coma Índia e o recente acordo nuclear ou o teor das reuniões que a secretária de estado teve na região, com a Indonésia e a Austrália, a par de afirmações como esta:

(...) all of us in the region, particularly those of us who are long-standing allies, have a joint responsibility and obligation to try [to] produce conditions in which the rise of China will be a positive force in international politics, not a negative force.

são factores que fortalecem o sentimento de “encirclement” que a China sente face a Washington. Por exemplo, alguns analistas consideram que o tipo de aliança trilateral EUA-Japão-Aiustrália poderá evoluir para uma espécie de mini-NATO na região.

Neste contexto, saliento o que Purnendra Jain escreve no Asia Times:

Proliferation of trilateral frameworks with major powers participating in them would have serious consequences on the current security architecture. For example, they would undermine the ARF process and smaller nations in Southeast Asia would have no effective security forum where they could express their concerns and feel confident that their voice would make a difference. No doubt growing worries about terrorism and about nuclear developments in the Korean Peninsula, the Indian subcontinent and the Middle East have placed new demands on regional leaders. However, it is not necessarily politically sensible for a select group of nations to band together and exclude others - a Cold War-type response. A cooperative and inclusive framework rather than exclusion and containment would be a better way forward.

Wednesday, March 15, 2006

Ideias feitas, refeitas e desfeitas

É comum dizer-se que a China já não é – alguma vez foi?- um país comunista. É também um dado adquirido que a ideologia deu lugar ao pragmatismo económico no “Império do Meio” e que o Partido Comunista Chinês mais não é que uma entidade blindada em que, apesar de coexistirem tendências mais conservadoras e mais “liberalizantes”, é uma entidade quasi-monolítica em que as poucas divergências assentam nas rivalidades na estrutura burocrática.
O problema consiste em caracterizar o regime, nomeadamente com as lentes ocidentais. Pondo de parte a propaganda oficial do “socialismo de mercado com características chinesas”, será que estamos perante um regime social-conficionista? Um modelo neo-autoritário “developmentalist”? Um capitalismo burocrático de estado de fachada socialista com bolsas de economia de mercado completamente desreguladas socialmente?
Talvez um pouco disto tudo e algo mais. Agora, classificá-lo de Neo-Leninista é que não lembra ao...

Behind the glowing headlines are fundamental frailties rooted in the Chinese neo-Leninist state. Unlike Maoism, neo-Leninism blends one-party rule and state control of key sectors of the economy with partial market reforms and an end to self-imposed isolation from the world economy

The neo-Leninist state practices elitism, draws its support from technocrats, the military, and the police, and co-opts new social elites (professionals and private entrepreneurs) and foreign capital—all vilified under Maoism. Neo-Leninism has rendered the ruling Chinese Communist Party more resilient but has also generated self-destructive forces


Minxin Pei, em "The Dark Side of China’s Rise”

Tuesday, March 14, 2006

"The Dark Side of China’s Rise"

Este artigo, publicado no site da Foreign Policy, tem limitações analíticas e conceptuais, mas não deixa de levantar questões muito imporantes. As respostas soam a algo de alarmista. Anyway, it is worthy to read it attentively.

Saturday, March 11, 2006

A saúde como Bem Público Global

Numa altura em que a gripe das aves assusta meio mundo, vale a pena olhar para o passado recente. Tal como o vírus H5N1, também a peneumonia a atípica teve origem no Sul da China.
Há três anos eram evidentes as falhas e as ineficiências do sistema de vigilância de doenças infecciosas na China. Será que foi aprendida a lição?

"Health as a Global Public Good: SARS in China and Global Health Governance " é um pequeno ensaio que procura dar algumas respostas e, acima de tudo, lançar algumas perguntas sobre o que correu mal em 2002 e 2003. O texto, escrito há quase dois anos, é publicado no "Sínico Esclarecido", um blogue-irmão - reactivado - onde coloco textos mais extensos.

Energy Supply Security Policy EU and China in Central Asia VI

China’s energy supply policies for Central Asia

The Chinese authorities have regarded the important bulk of oil and natural gas in the Caspian region as a way to stabilize and diversify its energy supply. This is as important as China is already the world’s second largest consumer of primary energy, the third largest energy producer and since 1990 a net importer of energy, from 1993 onwards a net importer of oil products and since 1996 of crude oil. In 2003 China accounted for 41 percent of the world’s oil demand. Overall the consumption of oil, gas, coal and nuclear power expanded more than 10 percent in 2003.[1] According to the EIA International Energy Outlook 2002, China is expected to more than double it oil consumption in 2020 (by then China shall reach 46 percent of US consumption in aggregate terms) comparing with the figures in 1999, from 4.3 MMbbl per day to 10.5, at an annual average growth of 4.3 percent. In the case of natural gas the growth is even more dramatic, from 0.9 tcf in 1999 to 6.4 tcf in 2020, at an annual average increase of 10.1 percent. Moreover in 2030 China’s share of imported oil demand will raise from 34 percent in 2001 to 82 percent in 2030. These are the effects of the constant high growth of the Chinese economy since the beginning of the economic reforms of Deng Xiaoping 1978. This means that energy supply security is a serious issue for Beijing as the dependence [2] form overseas supply is expanding. To tackle this challenge China is developing several initiatives to maintain energy supplies, deepening bilateral links with key energy producers. China has been acquiring interest in exploration and production abroad. China National Petroleum Corporation has acquired oil concessions in Kazakhstan, Venezuela, Sudan, Iraq, Iran, and Peru, and Azerbaijan. China National Offshore Oil Company also has purchased an upstream equity stake in the Malacca Strait oilfield in Indonesia. Addressing the Middle East, China and the Gulf Co-operation Council (GCC) signed in Beijing the Framework of Economic, Trade, Investment and Technological Co-operation in order to set up a Free Trade Area. The official press unveils that “impending a free trade area (FTA) negotiations between China and the Gulf countries are expected to diversify China's oil imports and help Gulf nations reduce US dominance in the region.”[3] The proactive policy of China in this field can be seen in the Asia Cooperation Dialogue (ACD), a forum with twenty-two countries from South Asia, Southeast Asia and Northeast Asia, created in 2002. In 2004, the ACD forum was held in Qindao in China where the foreign affairs ministers of both exporters and importers set up the “Qindao initiative” on energy security and energy cooperation, pledging to stockpile strategic reserves, a regional energy transportation network[4]. In Central Asia, besides the regional framework of the SCO to guarantee security, cross border stability and to combat terrorism, fundamentalism, separatism and other cross border crimes, China has its own bilateral links with Central Asian and Caspian nations in order to diversify its oil and gas supply. Kazakhstan is the most important partner of China in this issue. Thus Beijing launched a bridge for a deeper cooperation in 2004, through the signature of a join declaration in which the Chinese President, Hu Jintao, and the President of Kazakhstan, Nursultan Abishevich Nazarbayev, agreed on the strengthening of economic, commercial and political links. In the joint declaration, besides pledges for mutual investment, bilateral exchanges on educational programmes, culture, sports or technological cooperation, the key words are about energy supply security policies and cooperation. Hence, Kazakhstan promises to support Chinese enterprises to take part in the oil and natural gas exploration in the Caspian Sea region, following the agreement signed in 1997 to build a 3000 kilometers long oil and natural gas pipeline from the Caspian Sea to inland China through the Northwest province of Xinjiang Uygur Autonomous Region – from the Caspian Sea Continental shelf, via Atasu (Kazakhstan) to Alataw Pas in Xinjiang. This mammoth project is expected to cost between 2.5 billion and 3 billion US dollars and the purpose is to transmit at least 20 million tons of crude annually.[5] China plans to construct in the mainland two important oil pipelines: from Shanshan in Xijiang to Lanzhou in Gansu Province and from Urumri in Xinjiang to Lanzhou, to transport oil from the rich oil fields of the west – 30 percent of China’s total oil reserves – to the costal areas, where the industrial development and the consumption is higher.

[1]“World Reserves of Oil, Gas in Good Shape” China Daily July 1, 2004
[2] Half of China's imported oil comes from the Middle East, with Saudi Arabia alone accounting for 17 percent in 2003.
[3] “FTA to help diversify China's energy sources”, Xinhua News Agency, 15-07-2004: http://news3.xinhuanet.com/english/2004-07/15/content_1604183.htm
[4] “ACD pledges to ensure energy security”, Xinhua News Agency, 22-06-2004.
[5] “Ancient Silk Road becomes oil route” Xinhua News Agency, 19-05-2004

Recapitulando:
Europe and China in Central Asia:Energy Supply Security
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Oil and Natural Gas in Central Asia
China's Diplomacy towards Central Asia
Excertos adaptados de um ensaio escrito no âmbito doMaster in European Studies do Instituto de Estudos Europeus de Macau.2004.

Thursday, March 09, 2006

Telhados de vidro

China on Thursday lashed out against U.S. criticism of its human rights record, saying racial discrimination and crime were still rife in the United States and prisoners were being abused at U.S.-run detention centers abroad. (...)

Ser Benfiquista

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(fotomontagem EB)
É ter na alma a China imensa!

Wednesday, March 08, 2006

Liberdade de imprensa em Macau II

A opinião de Carlos Morais José sobre a visão de João Paulo Meneses:
Faz impressão a JPM a sobrevivência dos jornais em Português nesta santinha terra. Também compreendo. Mas isso não lhe dá carta de alforria e impunidade para afirmar que a abundância tem “origens financeiras/mecenáticas”. O que quer dizer com isto? Que lavamos dinheiro nos jornais? Que temos mecenas? Se sim, é favor apresentar provas. Acusar sem provar é um mero atirar de lama, fácil, barato, vergonhoso.
(...)
Depois JPM compara o jornalismo de Macau com o de Singapura. Nada mais ridículo. Tornar-se-ia fastidioso, neste espaço, explicar as condições históricas do desenvolvimento da imprensa nos dois territórios. Nas suas imensas diferenças, a inúmeros níveis. Mas, mesmo sem considerarmos os aspectos históricos (fundamentais para percebermos o que existe nos nossos dias), nunca um jornalista de Macau disse à minha frente que não tem completa liberdade de expressão, de acordo com a sua própria consciência e a linha editorial de cada jornal, que existe em qualquer lugar do mundo.

Dia Internacional da Mulher

Hoje vale a pena ler ou reler este livro
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"Durante oito inesquecíveis anos, a jornalista Xinran apresentou na China um programa de rádio em que muitas mulheres falavam de si próprias e da sua vida. «Palavras na Brisa Nocturna», assim se chamava, rapidamente se tornou no mais famoso programa de rádio chinês. Nele se revelava o que significa ser mulher na China de hoje. Nesta primeira obra impressionante, Xinran revela as muitas formas como foi obrigada a contornar o sistema e dá voz a todas as mulheres chinesas, independentemente do seu estrato social. Este é um livro que começa onde «Cisnes Selvagens» de Jung Chang terminou: a vida das mulheres chinesas depois de Mao."

A propósito da situação da mulher, a Agência Xinhua revela que Noventa milhões de mulheres casadas na China são vítimas de violência doméstica... (Lusa)

Tuesday, March 07, 2006

Será que

Uma China democrática representaria um perigo para a estabilidade na Ásia?
"An Australian think tank suggests democracy might lead to a hostile, populist Beijing"
No Christian Science Monitor.

P.S. Em O Futuro da Liberdade, Fareed Zakaria salienta que "Num vasto leque de questões, quer se trate da lei e da ordem ou das relações com Taiwan, com o Japão e com os Estados Unidos, o regime de Pequim é menos populista, nacionalista,agressivo e intolerante que o seu próprio povo" (p.82)

Sunday, March 05, 2006

Leituras Dominicais

Forced out of its shell II

Laurence Brahm
South China Morning Post28-02-2006

"Podemos esperar que emirjam duas características. Em primeiro lugar, Pequim vai rapidamente desenvolver (já está a fazê-lo, n.t.) relações próximas com nações produtoras de energia. Em segundo, vai “afundar-se”, embora relutantemente, em esforços multilaterais que evitem crises que possam ser instigadas por poderes mais agressivos.
Uma nova ênfase será criada nos laços com países que tinham sido negligenciados durante a era de Deng e Jiang. Vão ser reforçadas e aproximadas as relações económicas e não só com países da América Latina, Ásia Central e Médio Oriente. O processo já começou: basta reparar nas novas ligações coma Venezuela e a Bolívia devido aos seus recursos em petróleo e gás natural.
A nova estratégia vai inevitavelmente envolver assuntos políticos e sociais na relação da China com as outras regiões, incluindo questões como as reformas económicas e ao nível do desenvolvimento sustentável. Vai envolver-se amais na estabilidade das outras nações para garantir a sua própria segurança. Pode encontrar-se numa posição em que está a financiar a recuperação económica e social ou mesmo a construção de instituições políticas noutros países.
Pequim será forçada a abandonar a sua visão do mundo, centrada numa atitude de ”cabeça na areia”, e tornar-se assertiva na prevenção de conflitos em várias partes do mundo. Pode mesmo tornar-se num agente de resolução de conflitos nalgumas partes do mundo como o Médio Oriente, Sudeste Asiático e Ásia central, para salvaguardar o seu fornecimento de energia.
O Irão é o desafio mais imediato e óbvio. O petróleo constitui uma larga percentagem do comércio entre a China e o Irão que se cifra em 10 mil milhões de dólares. Segundo as novas condições de um acordo, a China ao comprar 10 milhões de toneladas de gás natural nos próximos 25 anos poderá multiplicar por dez o valor actual do comércio bilateral.

Se um certo país está considerar um ataque militar unilateral contra as unidades de produção de energia nuclear do Irão, isso afectará severamente o fornecimento de energia da China. E isto faz com que a China tenha um interesse velado na promoção na pa no Médio Oriente.
Em muitos aspectos é uma posição única para fazer a ponte e o diálogo. A Coreia do Norte é um exemplo real – o primeiro – disto mesmo. Será o Irão próximo teste?"

Traduzido e adaptado por JCM.

Friday, March 03, 2006

Forced out of its shell I

Laurence Brahm

South China Morning Post
28-02-2006

“Na próxima década, a dependência face à importação de energia vai condicionar decisivamente a política externa chinesa. Por seu turno, o fornecimento de energia tornou-se no principal risco e factor de potencial instabilidade na projecção do crescimento e estabilidade da China.
Entre 2001 e 2004, o consumo de energia da China aumentou a uma média de quase dez por cento, chegando a subir 15 por cento, em 2004. No momento em que ainda não são conhecidos dados oficiais relativos a 2005, espera-se que o padrão continue: o consumo anual energético aumenta mais que o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto e o desenvolvimento industrial.
A dependência da China face à importação de energia vai obrigar a China a adoptar uma atitude mais activa no plano internacional, marcada de modo diferente da do passado que seguia o princípio de taoguang yanghui – ou seja manter-se longe dos holofotes e evitar o conflito. Essa política foi iniciada nos anos oitenta por Deng Xiaping, quando a China precisava de tempo e espaço para fortalecer o seu desenvolvimento económico doméstico,
A política externa da China nos anos oitenta e noventa esteve centrada na preocupação em garantir a segurança dos investimentos externos, com Jiang Zemin a manter a política de Deng. A importação de energia não era ainda um problema tão visível.
A invasão do Iraque mudou a situação. A reacção inicial da China de prudência e low-profile, no entanto, parecia continuar a tendência verificada nas duas décadas anteriores.
Pouco depois de assumir a chefia do governo, o primeiro-ministro Wen Jiabao falou insistentemente sobre as Nações Unidas como local apropriado para a resolução de conflitos, mesmo quando os rockets unilaterais (dos EUA n. t.) cruzavam os céus de Bagdade. Muitos observadores diplomáticos especulavam sobre a inabilidade da China em tomar uma posição firme na cena internacional, questionando se esta não seria uma a titude que visava sobretudo fugir às suas responsabilidade para garantir o seu interesse económico. Agora esse mesmo interesse está a mudar o comportamento chinês".

(Continua)

Tradução e adaptação de JCM.

Thursday, March 02, 2006

China-Países Lusófonos

Passo a passo, a China vai desvendando o que pretende para a Cooperação com os países Lusófonos. A segunda reunião ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa trará novidades interessantes, como a criaçãod e um banco de investimentos para os projectos comuns e parcerias entre os países membros. Esta semana ficou a saber-se que o comércio bilateral aumentou consideravelmente no ano passado - o comércio bilateral entre a China e os países lusófonos atingiu em 2005 um máximo histórico de 19,53 mil milhões de euros, um aumento de 26,9 por cento em comparação com 2004. Mas desde o início que se entende que as inciativas são quase sempre unidireccionais (China- Países Lusófonos) e que têm como alvo principal os PALOP. Embora este fórum, sediado em macau, não possa, nem deva, ser um substituto da CPLP, certo é que está a imprimir uma dinâmica que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa nunca conseguiu. O desafio para alguns dos países do Fórum - Portugal, nomeadamente - é marcar a agenda e fazer sentir que é uma peça-chave neste processo. Não estou a falar de palavras de ocasião e de boas intenções. Já sabemos que a China e Portugal têm uma relação especial, uma parceria estratégica, que Lisboa apoia o fim do embargo à venda de armas, etc. Algo de mais concreto. Provavelmente estou a escrever isto sem ter alguns dados na mão. Mas essa é a sensação que fica.
P.S. Nunca nos podemos esquecer que este fórum é uma iniciativa chinesa para os países lusófonos (excepto São Tomé e Príncipe que não tem relações diplomáticas com Pequim) e que estamos perante um mecanismo complementar das relações bilaterais previamente existentes.

[Adenda]
A propósito da (falta de) estratégia de Portugal para o Oriente, ler estas declarações de Vasconcelos Saldanha, ex presidente do IPOR, num artigo publicado no Jornal Tribuna de Macau, de alguém que, não estando isento de responsabilidades, demonstra lucidez nos reparos que faz.

Wednesday, March 01, 2006

Nós é que inventámos a pólvora

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E o golfe.

Sinais

China: Lei proibe aos polícias tortura para obter confissões
China: Governo aumenta despesa em educação para 4 por cento do PIB

80 anos

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Viola Chinesa

Ao longo da viola morosa
.Vai adormecendo a parlenda,
Sem que, amadornado, eu atenda
A lengalenga fastidiosa.

Sem que o meu coração se prenda,
Enquanto, nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.


Mas que cicatriz melindrosa
Há nele, que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitação dolorosa?
Ao longo da viola, morosa...



Camilo Pessanha
Coimbra - 7 de Setembro de 1867
Macau-1 de Março de 1926

20 anos

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Há duas décadas nascia um sonho. Uma rádio de sonho. A melhor do mundo.
A Rádio Universidade de Coimbra. Uma rádio livre. Onde aprendi muito do que sei e sou hoje. Onde, ao longo de sete anos fiz os grande amigos. Onde despertei para o mundo. Deste lado do mundo – acreditem que me custa imenso não estar convosco nestes dias – envio o amplexo mais vigoroso com saudade a todos os que fizeram e fazem a RUC. Uma fantástica emissão especial e venham mais 20! Sempre no Ar!

José Carlos Matias dos Santos

Tuesday, February 28, 2006

Esticar a corda

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Numa altura em que o seu partido, o Partido Democrático Progessista, vem de pesadas derrotas eleitorais e quandoa sua popularidade estava em níveis mínimos desde que ocupa a presidência da Formosa, Chen Shui Bian está apostado em desafiar Pequim ao dissolver o Conselho da Reunificação Nacional. Novamente, "A-Bian" - como gosta de ser chamado - joga uma cartada arriscada de modo a fortalecer o campo pró-independência, que me parece desajustada e contraproducente e que só poderá ser entendida num contexto de fragilidade doméstica e esperando que haja uma forte reacção de Pequim. Trata-se igualmente da resposta de Chen ao namoro entre o Kuomintang e Pequim, patente ao logo do último ano. É nesse sentido que vai análise de George Tsai, investigador do Instituto de Relações Internacionais de Taipé, em declarações ao Washington Post:

"Deep in their hearts, they (China's leaders) are worried and even mad about this provocative behavior" (...)"China has to calculate how to respond to not annoy the (Taiwan) populace and not fall into Chen's trap. Chen wants a strong reaction from China.They are watching what the United States does next, what the opposition parties do next, and then they will decide what to do."

Pequim já deixou claro que Chen é um troublemaker.

E o Nic, o que pensa disto?

Monday, February 27, 2006

As Fragilidades democráticas do Sudeste Asiático

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Os acontecimentos dos últimos dias na Tailândia e nas Filipinas demonstram que o processo rumo ao estabelecimento de democracias liberais no Sudeste Asiático é lento e está sujeito a derivas autoritárias. No antigo reino de Sião, o primeiro ministro Thaksin Shinawatra convocou eleições atecipadas, na sequência de uma série de manifestações que pedem a demissão do chefe do governo de Banguecoque, despoletadas pela venda da Shin Corporation, empresa da família de Shinawatra, à Tamasek, braço do governo de Singapura para os investimentos externos, numa operação livre de impostos. Nas Filipinas, o caso é diferente. A Presidente Gloria Arroyo chamou a si poderes de emergência depois de ter sido denunicado uma suposto plano para de um golpe de estado que envolveria elementos da oposção e facções do Exército. Os contornos deste caso soam aos de uma história muito mal contada. Arroyo está sob fogo desde as últimas eleições presidenciais, que venceu supostamente com recurso a fraudes eleitorais. Na memória destes povos está ainda fresco o período ditatorial, na Tailândia dos generais e nas Filipinas de Ferdinand Marcos . Agora, quando ainda estamos numa fase de aprendizagem da vida em democracia, nomeadamente no que diz respeito à consolidação do estado de direito e à consciencialização da importância da accountability, estes líderes eleitos democraticamente (ainda que haja dúvidas quando a Arroyo), demonstram que convivem mal com a crítica, a imprensa livre e com a escrutínio sobre os negócios públicos e os interesses privados. Existe, por outro lado, sempre a tentação populista de Thaksin Shinawatra que, numa fuga para a frente - ao estilo de Berlusconi - prometeu aumentar o salário mínimo, benefícios aos agricultores, e empregos de part-time para estudantes. Noutro país da ASEAN, no Camboja, os sinais são em sentido contrário. O regime democrático musculado de Hun Sen decidiu amolecer o punho, lançando pontes de diálogo com a oposição.

Friday, February 24, 2006

Novas ligações

À direita "Outros olhares sobre a China", com ligações a blogues escritos na ou sobre a China.

Thursday, February 23, 2006

The Great Firewall

"Bloggers Who Pursue Change Confront Fear And Mistrust" Philip Pan no Washington Post.

De vez em quando

Surgem notícias como esta.
Mas só mesmo de vez em quando.

Gambling-driven economy

Macau encerrou as contas de 2005 com um saldo orçamental positivo de cerca de 701 milhões de euros elevando assim as reservas da Administração para 2.400 milhões de euros.
De acordo com os dados provisórios disponíveis na página oficial dos Serviços de Finanças do Governo de Macau, as contas públicas locais encerraram 2005 com receitas totais, excluindo Contas de Ordem, de cerca de 2.276,8 milhões de euros (22.768,7 milhões de patacas).
No capítulo das receitas correntes foram registados cerca de 2.271,8 milhões de euros ou 22.718,6 milhões de patacas com os impostos directos sobre o jogo a fixaram-se em 1.656,1 milhões de euros ou 16.561,9 milhões de patacas. (Lusa)

Mais Blogues sínicos (ou o Sínico é Galego?)

O Chinochano, em castelhano, lança um olhar interessante sobre a China. E diz que o Sínico é um blogue em galego (!!!). De facto existem muitas semelhanças entre as línguas dos dois lados do Rio Minho e a raiz é comum, mas daí...
De qualquer modo, fica o agradecimento pela referência.

Wednesday, February 22, 2006

Cardeal Zen

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O Bispo de Hong Kong, Joseph Zen, é um dos novos cardeiais designados pelo Vaticano, esta quarta-feira. Trata-se de uma figura tão conhecida e admirada pelos católicos e não só de Hong Kong, como vista com grande incómodo por Pequim. Não admira porquê:

"He has been staunch critic of Beijing’s response to the Falun Gong spiritual movement, which China's leaders have outlawed for “attempting to overthrow” the Communist Party.
After becoming Bishop of Hong Kong on September 23, 2002, he and his diocese voiced reservations about proposed anti-subversion laws, required under Article 23 of the Basic Law, which could easily lead to violations of basic civil and political rights."



Numa altura emq ue se debate a possibilidade de Pequim e o Vaticano finalmente estabelecerem relações diplomáticas (A Igreja Católica reconhece Taiwan e na China; o governo de Pequim não autoriza a a existência de uma Igreja Católica com obediência ao Papa), esta nomeação ganha um significado político especial.

"Vatican beckons as Zen named cardinal", The Standard.

Tuesday, February 21, 2006

Os ventos da mudança e a lei do mercado

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A propósito da polémica em torno da censura na internet chinesa e dos atropelos à liberdade de imprensa, é interssante ler eastas declarações de um antigo editor, sob anonimato, ao jornal The Guardian, em Pequim:
"There is a big change in attitude among journalists," says one former editor, who asks to remain nameless. "The Communist party always claimed to be on the side of the public, but most journalists and editors no longer believe this. They want to write reports that reform society, that hold the authorities to account. This is now mainstream thinking. It wasn't 10 years ago."

Na audição no Congresso norte-americano a responsáveis da Cisco, Yahoo, Google e Microsft, vale a pena tomar nota das seguintes afirmações:

Christopher Smith, congressista republicano:
"Women and men are going to the gulag and being tortured as a direct result of information handed over to Chinese officials"

Tom Lantos, congressita democrata:
"Can you say, in plain English, that you are ashamed of what you and the other companies have done?"

Elliot Schrage, vice-presidente da Google
"In a situation where there are only imperfect options, we think we have made a reasonable choice"

Jack Krumholtz, Microsoft
"If the outcome of these hearings is to make it possible to continue these services in China - either because of conditions imposed by our government, or because of further actuions in the part of the Chinese government -we believe the Chinese would be the principal losers"

Michael Callahan, Yahoo
"US companies in China face a choice: comply with Chinese law, or leave".


Os mecanismos de censura da Google são evidentes ( e assumidos) se escrevermos no motor de busca Google, na pesquisa de imagens, a palavra "Tiananmen" no Google.com e no Google.cn

Monday, February 20, 2006

Social Unrest

Obrigado pelo contributo, MC. Também eu, que estou plantado à beira-China há três anos, sinto que me escapa tanta coisa e que apenas consigo ter um olhar de soslaio baseado em leituras e em esporádicas idas ao primeiro sistema
Sim, de facto, as assimetrias atingem de sobremaneira as zonas urbanas, onde um exército de mão de obra migrante vive em condições precárias q.b. Esta reportagem da BBC ilustra bem isso. E o barril de pólvora não está apenas nas zonas rurais - basta lembrar-mo-nos que o massacre (os incidentes, na linguagem oficial) de Tiananmen aconteceram "apenas" na capital.
No entanto, as notícias que nos chegam - as que são conhecidas, muitas vezes com semanas de atraso - indicam que é nas zonas rurais que a instabilidade é maior. Há também que ter em conta que nas cidades os mecanismos de controlo são mais rigorosos.
Quanto à situação laboral, nas zonas urbanas, é a própria Xinhua, agência oficial a lançar o alerta:

"Imagine 25 million men and women about the combined population of Australia and New Zealand pressing for new jobs. That is the daunting reality that the Chinese economy faces this year, the National Development and Reform Commission (NDRC) has reported.
This is the country's worst employment crisis ever, as the children of baby boomers flood the job market seeking their first jobs. Their parents were born in the early 1960s, and they themselves in the late 1980s.
China can generate only an estimated 11 million new jobs this year, according to the NDRC. And at no time this decade did they exceed 10 million a year.
This means that despite a record number of employment openings about 11 million jobs have to be found for about 14 million people more"


P.S. Na semana passada, a Der Spiegel publicou esta reportagem que traça um cenário, no mínimo, preocupante.


(to be continued)

Interessante, não?

China's Muslims, pragmatically, avoid cartoon protests, New York Times via I.H.T.

Sunday, February 19, 2006

Questões quinquenais: o mundo rural e as soluções à vista

Ainda não demos aqui a devida atenção ao Plano Quinquenal 2006-2010, nem aos objectivos traçados de promoçãodo desenvolvimento rural.
A melhoria das condições de vida dos agricultores e da população que vive nas zonas rurais da China – cerca de 700 milhões de chineses, ou seja mais de metade da população da China – foi sublinhada como a prioridade para os próximos cinco anos. Não admira porquê. Ao longo do ano passado terão acontecido mais de 70 mil casos de protestos, na maioria no campo, onde existe uma outra China, bem diferente da Nova China da face turística de Xangai, Pequim ou Guangzhou. Uma boa parte destes protestos tema ver com expropriações que são feitas, sem que haja a devida (às vezes nenhuma recompensa), fruto do elevado grau de corrupção das autoridade locais ou provinciais. Esse é um problema endémico cuja resolução não parece à vista, mesmo coma expulsão de milhares de membros do Partido Comunista Chinês, como aconteceu em 2005. É interessante verificar que a questão do aumento das assimetrias entre as zonas urbanas e rurais e dentro das megalopolis chinesas é assumida pelo regime como um grave problema. Isto é, já não se varre tudo para debaixo do tapete. O que por si só quer dizer algo. Para entendermos esta nova postura é preciso olhar para o percurso de alguns dos líderes da quarta geração, como Hu Jintao.
O chefe de estado foi um dos milhões que no auge da “Gloriosa Revolução Cultural Proletária” acedeu ao apelo de Mao e rumou para o campo para aprender com a vida dos camponeses, na província de Gansu. Mais tarde, foi nomeado secretário provincial do PCC, para a província de Guizhou, a mais pobre da China. Na altura, entre 1985 e 1988, era conhecido como um líder modelo, visitando as zonas mais recônditas da região e ouvindo atentamente as queixas dos pobres agricultores. Em 1988, Hu teve uma nova missão no Oeste, desta vez no Tibete, onde teve mão de ferro, decretando Lei Marcial, perante as revoltas de 1988.
Anos mais tarde, já como secretário-geral do PCC, Hu Jintao começava a expressar algumas ideias que vieram a ser parte do discurso central hoje em dia: a importância de reduzir as disparidade de rendimento e as assimetrias sociais, bem como a atenção que deveria ser dada aos agricultores, cuja única saída para alguns, os que conseguem, é migrar para as cinturas industriais das cidades onde são tratados, ainda em muitos casos, como cidadãos de segunda.
Após ter consolidado a sua posição como líder do partido, do estado e do exército, com o abandono de Jiang Zemin das comissões militares do PCC e da RPC, Hu Jintao pretende ddeixar o seu legado, ambicionando eventualmente ocupar um lugar, pelo menos de igual valor ao de Jiang Zemin. Para isso já lançou – juntamente com outros líderes da quarta geração como o primeiro ministro Wen Jiabao – algumas ideias centrais, que já tinham sido ensaiadas anteriormente: ao nível da política externa, os conceitos de “Emergência Pacífica” e de “Sociedade Mundial Harmoniosa”; a nível interno, a “Sociedade Harmoniosa” e a "Prosperidade Comum", rumo à estabilidade que passa pela atenuação das dificuldades com que vivem as populações rurais, os trabalhadores migrantes ou os funcionários públicos despedidos de empresas que estão a ser privatizadas, entre outros aspectos de índole social, com ênfase para a importância de um crescimento mais sustentado.

Neste contexto, algumas questões emergem:
1. Para resolver muitos destes problemas é necessário criar mecanismos de auscultação das populações rurais e de participação no processo de tomada de decisões. Estará Pequim na disposição de introduzir mecanismos democráticos em larga escala, e não só em casos pontuais?

2.Como será possível controlar a corrupção que se verifica em larga escala ao nível local e provincial?

3. Num sistema burocrático de estado altamente centralizado qual será a margem para torná-lo devidamente accountable?

4. Será que estamos perante uma viragem no processo de reformas, que se tem centrado na abertura de bolsas de capitalismo, na criação de condições atractivas para o investimento estrangeiro e nos primeiros passos que estão a ser dados na abertura do sistema financeiro, para uma abordagem mais ampla que englobe uma resposta efectiva às assimetrias causadas pela introdução de uma economia de mercado em que a protecção social é nitidamente deficitária?

5.Ou será que este discurso visa apenas atenuar o descontentamento, como forma de garantir a popularidade do governo junto das populações rurais?

Thursday, February 16, 2006

Um outro tipo The Clash

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Há 30 anos, eles começavam a história de uma das mais prodigiosas bandas punk-new-wave-pop-reaggae-ska-jazz-funk. Este foi um bendito Clash. Por exemplo, "Police and Thieves", "White Man in Hammersmith Palais", "Justice Tonight" ou "Bankrober" são exemplos inspirados e inspiradores do cruzamento de culturas musicais.´

P.S. Sobre o debate ainda em curso vale a pena ler "Choque das Civilizações", de João André, "Choque de civilizações encore", por Bruno Cardoso Reis e "Cartoons e Encruzilhadas ", de Marco Mendes Velho.

Tibete em Pequim

A nova ronda de conversações entre o governo tibentano no exílio e as autoriades do governo ce ntral lança uma brisa de esperança para a resolução da questão do Tibete. A abdicação da exigência de independência por parte do Dalai Lama - reconhecimento da inviolabilidade da unidade territorial da República Popular da China - foi o ponto de partida para este ímpeto. Resta saber se será possível chegar a um verdadeiro nível de autonomia do Tibete.
Quanto à questão da preservação da identidade cultural e religiosa do povo tibetano, o processo de sinificação/hanificação em curso é um obstáculo.

Segundo a BBC,
"But analysts say Beijing wants dialogue, partly because it fears the death of the 70-year-old spiritual leader in exile could create a rallying point for Tibetans unhappy with Chinese rule".


Entretanto não terá sido por acaso que a Agência Xinhua noticiou que
"Residents in southwest China's Tibet Autonomous Region may soon be entitled to compensation if is they're injured or incur property losses from attacks by wild animals.
The regional government of Tibet is hoping the new regulation will protect its state-protected wild animal population from hunters."


e que o China Daily salientou que

"A total of 6 billion yuan (US$750) will be invested on environmental protection projects in southwest China's Tibet Autonomous Region during the country's 11th Five-Year Program period (2006-2010). "

P.S. A propósito, vale a pena ler "Do Tibete para o mundo ", no Amigo do Povo.

Wednesday, February 15, 2006

Olhar para a China

Pela janela da internet...

"Há um grande controlo. Todos os contéudos políticos são completamente bloqueados, há várias formas de controlar a Internet. A polícia que está encarregue de fazer o controlo dos contéudos da Internet na China deverá ter, numa estimativa conservadora, vinte mil pessoas. As estimativas optimistas apontam para sessenta ou setenta mil agentes"

(...)

"tenho vindo a trabalhar, nestes últimos tempos, nos blogues, que é suposto serem uma grande inovação por serem de autoria privada, as pessoas escrevem o que bem entendem, criam-se comunidades, às vezes são de pequenas dimensões, outras vezes não. Os blogues são de difícil controlo, começa-se um hoje, depois fecha-se e passa-se para outro, é muito flexível"

(...)
"Quanto às empresas estrangeiras, é interessante observar que os americanos - que amanhã vão discutir, num fórum, se a Internet é um instrumento de liberdade ou de repressão na China -, são também aqueles que vendem a Pequim os sistemas para filtrar e controlar a Internet no país. Isto aplica-se também a empresas europeias, que estão dispostas a vender a alma para operar na China"

Entrevista a Eric Saudeté no Hoje Macau.

Relações China-Myanmar

O general Soe Win, primeiro-ministro de Myanmar está em Pequim para uma visita oficial de quatro dias.
Nos encontros que vai manter com as autoridade chinesas, o chefe do governo da Junta Miliar vai assinar acordos de cooeração de estreitamento das relações económicas entre os dos países. No primerio dia da visita, o porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros da China disse que é importante fortalecer os laços de amizade enter Pequim e Rangoon. Com a pressão internacional sobre o regime Myanmar, o governo militar esta cada vez mais dependente de países vizinhos em especial da China.
No entanto,

''China has a critical role to play in any effort to bring reform and democracy to Myanmar,'' Razali Ismail, the Malaysian diplomat who has recently resigned as the UN secretary-general's special UN envoy after being denied access to the country for almost two years, recently reflected. ''I should have spent more time trying to convince Beijing that it was in their interests to be more pro-active with Rangoon,'' he said.
But Beijing is not convinced it has any real influence with the Burmese generals, according to Southeast Asian diplomats who have discussed the issue with senior Chinese officials in the past few months. There is no doubt that China lost one of its main allies in Burma when Gen Khin Nyunt and his supporters were arrested and purged at the end of 2004. At the time China had dubbed him Burma's Deng Xiaoping. Since his fall China has tried unsuccessfully to find another ally within the regime.
''Their greatest fear now is that Burma's second in command, General Maung Aye, who is seen as pro-India, may gain in influence,'' said an Asian diplomat in Rangoon. ''Any suggestion that he may take over from the country's main ruler, General Than Shwe, sends them into an apoplectic spin.'' So strategic priorities, including countering possible Indian influence in Burma, and economic benefits may count for more in Beijing than longer-term concerns about the country's potential instability.
No Bangkok Post

Tuesday, February 14, 2006

Ainda o Choque de Civilizações

1. José Pacheco Pereira lembra - e bem - que devemos ler o artigo e o livro de Huntington à luz da altura em que foram publicados, 1993 e 1996, respectivamente, num contexto pós-Guerra Fria, anos antes dos atentados de 11 de Setembro e os subsequentes acontecimentos e, em termos literários, como resposta à tese de Francis Fukuyama em The End of History an the Last Man. Mas também deve ser equacionado à luz da procura da "next big threat" para os EUA, depois do fim do Bloco de Leste. A questão é que se uma teoria - se é que o que Huntington nos propõe é uma teoria e não apenas uma tese - é "uma construção intelectual que nos ajuda a seleccionar os factos e a interpretá-los de forma que seja facilitada a explicação e a capacidade de antevisão no que diz respeito a regularidade e recorrências dos fenómenos observados" (Paul Viotti e Mark Kauppi, p.3), julgo que o que Huntington nos oferece tem limitações. Mesmo quando Huntington escreve "nation states remain the principal actors in world affairs. Their behaviour is shaped as in the past by the pursuit of power and wealth, but it is also shaped by cultural preferences, commonalities and differences" (The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, p.21), certo é que mais à frente (p.29) refere que "the key issues on the international agenda involve differences among civilizations". Em meu entender, ao longo dos últimos anos, na maioria dos casos, as fontes de conflitos tiveram mais origem na clássica distribuição de poder no sistema inter-estatal e em aspectos como o acesso a fontes de energia ou acções preemptivas que reflectem o também clássico dilema de segurança. Naturalmente que as diferenças culturais são importantes. E que as tensões de cariz étnico e religioso estão patentes, mas a questão é saber se as diferenças civilizacionais no mundo Pós-Guerra Fria são as mais determinantes na análise da origem dos conflitos. Há dimensões que se sobrepõem e que devem ser entendidas de modo articulado como a projecção de poder, a emergência de nacionalismo, a dimensão ideológica ou a noção de self-help e de "anarquia" na estrutura internacional.
2. Edward Said olhava assim para Huntington: "In fact, Huntington is an ideologist, someone who wants to make "civilizations" and "identities" into what they are not: shut-down, sealed-off entities that have been purged of the myriad currents and countercurrents that animate human history, and that over centuries have made it possible for that history not only to contain wars of religion and imperial conquest but also to be one of exchange, cross-fertilization and sharing".

3. Em Outubro de 2001, Huntington analisava assim a hipótese de um Choque de Civilizações:
Is this the clash of civilisations you have been warning about for nearly a decade?
Clearly, Osama bin Laden wants it to be a clash of civilisations between Islam and the West. The first priority for our government is to try to prevent it from becoming one. But there is a danger it could move in that direction. The administration has acted exactly the right way in attempting to rally support among Muslim governments. But there are pressures here in the US to attack other terrorist groups and states that support terrorist groups. And that, it seems to me, could broaden it into a clash of civilisations



Lida ou treslida, a mensagem de Huntington é de quase inevitabilidade de um choque de civilizações. E parece que em Washington há quem leve esta tese muito a sério, pelo que se tem visto. Poderemos estar, em grande medida, perante a possibilidade de uma self-fulfiling prophecy.

CONFUCIAN-ISLAMIC CONNECTION???

A propósito do debate em torno do "Clash of Civilizations" e dos enriquecedores contributos de Paulo Gorjão e Pedro Magalhães, A páginas tantas, Samuel Huntington defende: "The most prominent form of this cooperation is the Confucian-Islamic connection that has emerged to challenge Western interests, values and power".
Sinceramente ainda não notei qualquer aliança sino-islâmica contra o Ocidente. Aliás, na China, um dos focos de instabilidade reside na Região Autónóma Uigur de Xinjaing, onde a maioria das pessoas professa a religião de Maomé. Além do mais, Pequim pactuou com Washington na "Guerra contra o Terrorismo", precisamente para poder silenciar em silêncio esse foco de instabilidade. O interesse nacional - a coesão e a estabilidade dois valores fulcrais para a China - motivou um alinhamento tácito com os EUA, mesmo que isso tenha significado um aumento da presença e da influência militar norte-americana na vizinhança. A tese de Huntington tem por base as vendas de armas da China ao Irão e ao Paquistão no final dos anos oitenta e no início dos anos noventa. Mas isso, parafraseando Kishore Mahbubani, equivaleria a defender que a constante venda de armas dos EUA à Arábia Saudita sugere uma aliança islâmico-cristã.

Sunday, February 12, 2006

Uma dose de realismo

A propósito desta citação publicada no Observador.
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No mesmo livro, Mearsheimer refere:

"Americans tend to be hostile to realism because it clashes with their basic values. realism stands opposed to American's view of both themselves and the world. In particular, realism is at odds with the deep-seated sense of optimism and moralism that pervades much of American society.Liberalism, on the other hand, fits neatly with those values"

John Mearsheimer, p. 23

Embora tenha algumas reservas face à perspectiva realista nas relações internacionais, julgo que as suas premissas básicas - ausência de autoridade nas relações inter-estados e primazia do estado-nação como actor determinante (mas não único) - continuam a ser instrumentos úteis na análise do "mundo como é" e não necessariamente como deveria ser, Entre as várias tendências da escola realista - realismo baseado na natureza humana (Morghentau), realismo ofensivo (Mearsheimer) neorealismo, realismo aplicado à perspectiva da economia política internacional (Gilpin) ou realismo sistémico ou estrutural, também designado de neorealismo (Waltz) - inclino-me mais para a valorização do contributo dos últimos dois. Waltz pela solidez da sua análise da prevalência da estrutura, Gilpin pela maneira como procura ultrapassar duas das limitações que habitualmente são apontadas aos realistas clássicos e aos neorealistas: a dificuldade em perceber e explicar as mudanças na estrutura e no sistema e a ausência de uma interligação entre as forças de mercado e o estado como actor político nas relações internacionais.
No entanto, uma determinada perspectiva teórica - o realismo neste caso - não exclui totalmente a relevância de outras escolas de pensamento neste campo como o seu mais directo rival: o liberalismo ou mesmo o valor analítico das teorias quasi-marxistas da dependência (Gunder Frank) e dos Modelos da Economia Mundo (Wallerstein)
Depois de ter prevalecido como a maisntream theory das RI durante décadas o realismo caiu nalgum descrédito numa fase inicial após o fim da Guerra Fria. Isso deveu-se ao facto de não ter sido capaz de prever o que aconteceu. Contrariamente ao que muitos realistas previam, o fim da União Soviética terminou sem que um tiro tivesse sido dado; as transformações vieram de dentro, impulsionadas mais por factores domésticos que pela estrutura internacional. De facto, os realistas foram acusados de não terem sido capazes de explicar persuasivamente o colapso da União Soviética e a retirada do Exército Vermelho da Europa de Leste sem que tivesse havido um tiro. O fim do superpoder soviético aconteceu sobretudo devido à fraqueza doméstica personificada na rivalidade entre Gorbatchev, que acreditava na cura do socialismo, e em Yeltsin, um nacionalista russo. Noutras palavras, "o homem russo derrotou o homem soviético".
Ou seja, houve da parte da maioria dos realistas uma certa dose de negligência do impacte dos factores ligados à política interna no comportamento de um super-poder. Vários dos visados com esta crítica já se defenderam, como por exemplo Waltz que sublinha que o fim da Guerra Fria não aconteceu devido à democracia, à interdependência ou às instituições internacionais, adiantando que a Guerra Fria terminou de acordo com as premissas neorealistas: assim que a estrutura bipolar desapareceu.
Apesar destas limitações, nenhuma das tendências do liberalismo tomou o lugar do realismo: nem o neoliberalismo institucioanalista de Nye, nem as teses da Paz Democrática de Fukuyama ou Doyle.
Embora os realistas procurem levantar a ponta do véu, descortinando o que está por detrás das bonitas intenções proclamadas pelos homens de estado e garantam que uma coisa é a dimensão analítica do realismo, outra é a questão normativa, certo é que é difícil dissociar os dois níveis.

Algumas obras sobre o fascinante mundo das teorias das relações internacionais:

Friday, February 10, 2006

self-fulfilling prophecy?

A propósito do 2006 Quadrennial Defense Review apresentado há dias pelo Pentágono e da maneira como se refere à China.
"Of the major emerging powers, China has the greatest potential to compete military with the United States and field disrutive military technologies that could overtime offset traditionalUS military advanatges (...)".

A China já reagiu assim:
"This is the first time the United States has singled out China in its defense report as 'an emerging power that has the greatest potential to militarily challenge the United States', though senior U.S. officials have expressed similar views on various occasions earlier," said Yao Yunzhu, a research fellow with the Military Academy of Sciences of the Chinese People's Liberation Army (PLA).

Voltaremos a este assunto.

Thursday, February 09, 2006

Europe and China in Central Asia V

China Diplomacy towards Central Asia

1. 1 China Diplomacy towards Central Asia
In order to encompass the scope of the Chinese foreign policy towards central Asia we underline two dimensions: the bilateral relations and the Shanghai Cooperation Organization (SCO), since it has been the multilateral device for China’s diplomacy in the region. Regarding the latter, the SCO, created in 2001, gathers four former Asian Soviet Republics - Uzbekistan, Tajikistan, Kazakhstan, and Kyrgyzstan- and the two major powers in the region: China and Russia. Built upon the “Shanghai Five” (formed in 1996 with the current member states except Uzbekistan), the SCO expands the initial objectives of the former group- confidence-building measure and cooperation on border delineation issues. The SCO sets up three enemies, the “three evil forces of terrorism, extremism, and separatism, the last being a thinly disguised reference to violent Islamic radicalism”[1]. In terms of power politics, “In the eyes of Russian and Chinese policymakers, then, the SCO was a way to seal the strategic Sino-Russian dominance over Central Asia while engaging in friendly relations with their Central Asian neighbors.” (Yom 2002) Even if the three “enemies” may be considered as common threats to the six countries, it also important to highlight that Russia and China aim to confront and deter the US power in the region, which has increased dramatically after the was campaign in Afghanistan, with the new military bases in three countries of the SCO: Uzbekistan, Tajikistan and Kyrgyzstan (the last two with borders with China). It is true that the presence of the USA In the region that was considered by Russia and China as its natural sphere of influence, injects a new dynamic for regional politics. Indeed what is happening in Central Asia recalls the classical balance of power of the realist approach on international relations. Michael Doyle ( 1997, 161)considers that, despite the different features of the diverse schools of the realism – structuralism of Hobbes, Fundamentalism of Machiavelli, Constitutionalism of Rousseau or Complex realism of Thucydides- “all recognize that the balance of power that the balance of power is a result that all prudent states should aim to achieve if they cannot do better”. In a realist point of view what seems to be, in the wording of the agreements and in the public discourses of the political leaders, a collective security system (which has to be distinguished from balance of power) is increasingly becoming a way of balancing the US power in the region. By balance of power in a narrow approach we mean “the interaction among states that assures the survival of the system by preventing the empire of hegemony of any state or coalition of states”(1997, 162). And in this particular issue China may have reasons to be worried about an encirclement of American military forces and influence, since besides having military bases in four of China’s bordering countries – Tajikistan, Kyrgyzstan, Afghanistan and Pakistan – the US is relaunching its relations with India. On the rationale of the Chinese foreign policy in Central Asia, the secessionist threat in the Uygur Province of Xinjiang plays a crucial role, as this region is inhabited by the uygurs, a Muslim minority, part of which is supposed to be linked with other fundamentalist Islamic movements operation in Central Asia. In this case, China took advantage of the post September 11th 2001 US war on terrorism, aiming to have carte blanche to deal with the situation. The important the bulk of oil and natural gas in the Caspian region has been regarded by the Chinese authorities as a way to stabilize and diversify its energy supply.


[1] “St. Petersburg Summit of SCO Concludes with Rich Fruit,” Xinhua News Agency, June 7, 2002.

[1] “St. Petersburg Summit of SCO Concludes with Rich Fruit,”
Xinhua News Agency, June 7, 2002.

Bibligrafia consultada:

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003a) “The Geopolitics of Power
Projection in US Foreign Policy: From Colonization to Globalization”,
Perspectives on Global Development and Technology, 15 September
2003, vol. 2, no. 3-4, pp. 339-389(51) Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003b) “The US and the EU in CEA.
Relations with Regional Powers”, Perspectives on Global Development
and Technology, 15 September 2003, vol 2, nº 3-4, pp. 521-547(27),
Brill Academic Publishers.

Amineh, Mehdi Parvizi, Howeling, Henk (2003c) “Caspian Energy: Oil and
Gas Resources and the Global Market”, Perspectives on Global Development
and Technology, 15 September 2003, vol 2, iss. 3-4, pp. 391-406(16) ,
Brill Academic Publishers.

Arvanitopoulos, Constantine (1998), “The Geopolitics of Oil in Central Asia”,
Thesis Journal of Foreign policy issues (Winter 1998).
Retrieved on July, 2004 form the Thesis Jornal of Foreign
policy issues Web Site.
www.hri.org/MFA/thesis/winter98/geopolitics.html

Doyle, Michael D. (1997), Ways of War and Peace, New York/London:
W. W. Norton & Company.

Fergusson James (2002), Euroasia Super Region or Zone of Conlict.
Retrived July 2004, from the International Institute for
Asian Studies Web Site:
www.iias.nl/asem/publications/ferguson_EurasiaSuperregion.pdf

Hansen, Sander (2003), Pipeline Politics: the struggle for the control of the
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Netherlands Institute of International Relations Clingendael Web Site: http://www.clingendael.nl/ciep/pdf/CIEP_02_2003.pdf

Mitchell, John V (2000) Energy Supply Security: Changes in
concepts. Retrieved on June 2004 from the Royal Institute of
International Affairs Web Site: www.riia.org/pdf/research/sdp/EnergySupplySurityforPDF.d.pdf

Patten Chris, Lindh, Anna, (2002), “Resolving a frozen conflict - Neither Russia nor the west should try to impose a settlement on the southern Caucasus”, Financial Times 20/02/01. Retrieved on July 2004 from the European Union Web Site : Yom, Sean L. (2002) “Power Politics in Central Asia”.
Retrieved on June 2004 from the Harvard Asia Quaterly Web Site: http://www.fas.harvard.edu/~asiactr/haq/200204/0204a003.htm



Recapitulando:
Europe and China in Central Asia
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Oil and Natural Gas in Central Asia

Excertos adaptados de um ensaio escrito no âmbito do
Master in European Studies do Instituto de Estudos Europeus de Macau.
2004.

Not in my name

Either. Naturalmente.
Quanto ao debate dos cartoons de Maomé e o que se seguiu, se me permite o autor, faço minhas estas palavras.

P.S. A China também condena a publicação das caricaturas por que esta

"vai contra o princípio de que diferentes religiões e civilizações devem manter o respeito mútuo e viver juntas em paz e harmonia". O que se percebe num país em que não tem problemas com a liberdade religiosa.

Thursday, February 02, 2006

Leituras

EFEITO DE BOOMERANG?, Paulo Gorjao, no Bloguitica
The lesser of two Googles, Asia Times

Domingo, o Sinico regressa com regularidade e com um teclado mais apropriado

Se estava na paragem do autocarro

a espera do comboio (Godinho glosado) , dirija-se a estacao central. Com o maquinista Joao Andre, o de Enschede, nos Paises Baixos.

Saturday, January 28, 2006

Um ano depois, Bom Ano e até já

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Na semana em que o Sínico comemora um ano de actividades regulares, convém fazer um breve balanço do que tem sido este blogue. Um pouco à semelhança do que acontece com os blogues unipessoais, este refecte, ainda que de modo indirecto, a evolução do pensamento e das maneiras de ver o mundo, neste caso este lado do mundo, do autor. Quando decidi dar início a esta aventura não tinha nada em específico em mente, apenas pretendia que o Sínico fosse uma porta aberta para a Ásia Oriental, nomeadamente para a China. Estando em Macau há três anos, num processo de aprendizagem, procuro que este espaço seja um porto de encontro, um pouco como como Macau, Ou Mun, em cantonese, Ao Men, em mandarim, ou seja a porta da baía. Sinto que o blogue apenas cumpre parte do que o seu autor pretende, mas, no fundo, uma empreitada destes é sempre algo de inacabado, até porque, caminha-se caminhando e, diz o adágio chinês, "uma longa caminhada começa com um pequeno passo". Aos que se têm juntado a esta "Longa Marcha" (nada de conotações ideológicas), fica o meu agradecimento. No segundo ano do Sínico procurarei abrir mais portas e estar mais atento.
Cumprimentos e Saudações fraternas a todos. E porque esta noite começa o Ano do Cão,
KUNG HEI FAT CHOI
GONG XI FA CAI

Um Bom Ano Novo Lunar para todos!

PS. Na próxima semana rumarei para Sul, à procura das maravilhas do Reino de Sião. É por isso bastante provável que a arte de postar seja interrompida durante alguns dias.
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Vem aí

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O Ano do Cão

Thursday, January 26, 2006

Da liberdade, da expressão e da mudança

A questão sobre o controlo sobre o acesso à informação na China é, no médio e longo prazo, uma batalha perdida pelas autoridades chinesas. Mesmo assim insistem, com a conivência da Yahoo, Microsoft e agora da Google, em condicionar as buscas de expressões como "independência de Taiwan" ou "massacre de Tiananmen". A ideia de que pela omissão das expressões potencialmente subversivas se apagam das mentes os conceitos e se dilui a materialização de uma vaga de oposição à "verdade oficial" tem se revelado um fracasso em vários casos deregimes autoritários. E basta ir à China continental e falar com alguma da juventude instruída para perceber que essa luta nunca poderá ser ganha. Os germes da mudança democrática estão lá; falta agora saber se assistiremos a uma mudança gradual e lenta - o que julgo que irá suceder - ou a um sobressalto com efeitos imprevisíveis.
É interessante verificar que o governo chinês, cada vez mais, deixa a porta escancarada à diversificação dos hábitos de consumo, trancando a sete chaves o tempo da liberdade de expressão, numa atitude que mais parece de "Do whatever you want as long as we remain in power". Só que, diz-nos a história, ao permitir a formação de uma classe média com poder d compra crescente e cada vez mais aberto ao mundo, o governo chinês cria as condições para a emergência de uma força motriz do individualismo burguês e de uma certa ideia de democracia. Numa linguagem zakariana - em relação à qual tenho certas reservas - com a emegência de uma certa ideia e prática de liberdade, há condições para o aparecimento da democracia liberal. Por outro lado, há quem acredite na boa vontade do Leviathan em devolver - se é que alguma vez o teve - ao povo o poder de escolher os seus representantes. No entanto, mais importante é o velho princípio que perdura desde os tempos da China imperial da ideia de governo enquanto entidade que satisfaz as necessidades da população. Quando falha de forma sucessiva, a dinastia (ou regime) entram em decadência e surgem temos de turbulência até emergir uma nova ordem. De momento não podemos aferir que isso esteja prestes a acontecer. A abertura á economia de mercado tirou da pobreza cerca de 300 milhões de pessoas desde o início dos anos 1980. Mas também colocou fortes pressões a um modelo de desenvolvimento que se baseia no consumo desenfreado dos recursos, sem sustentabildade ambiental, sem respeito pelo bem público e causador de forte desigualdades. Por isso é hora de, em primeiro lugar a China construir um embrião de um estado previdência adaptado às circunstância, para que, ao menos, seja um país com alguns aspectos socialistas, nomeadamente no que diz respeito à habitação, saúde, educação e segurança social. Tal como afirma Laurence Brahm, num artigo aqui traduzido do South China Morning Post, "Para que a China possa mudar de um modelo de produção cega, baseada nas exportações e na prática de dumping, é preciso fortalecer o consumo interno. Mas como é que a população pode consumir se tem que passar as suas vidas a poupar para ter acesso á educação, aos cuidados médicos e a uma velhice livre de miséria? É tempo do governo voltar a fornecer estes bens públicos sociais a todos de novo".
lém do mais, tal como escreveu há uns meses Wang Xiangwei, no mesmo jornal, a "inovação só pode florescer num ambiente em que os inventores possam pensar e argumentar sem ter medo de serem perseguidos. É impossível imaginar o florescimento da inovação sob a repressão política". Até onde poderá ir a “democracia socialista e a economia de mercado de características chinesas"? Será que Pequim conseguirá fazer a quadratura do círculo? Ou conseguirá manter um equilíbrio entre uma economia cada vez mais integrada no sistema internacional e aberta às influências externas e um regime neoautoritário "desenvolvicionista" em que subsistem traços ao nível da organização politico-institucional de um socialismo burocrático de estado?

Wednesday, January 25, 2006

Roque Choi

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Vai hoje a enterrar um dos principais protagonistas da história da segunda metade do século XX de Macau. Roque Choi era conhecido como o homem das pontes e dos consensos entre portugueses e chineses.

Lusa, Macau 19 de Janeiro
Empresário de nacionalidade portuguesa e etnia chinesa, Roque Choi desempenhou várias funções públicas ao longo da sua vida, tendo sido um dos elementos cruciais na resolução da crise em Macau que ficou conhecida por "1,2,3" durante a revolução cultural chinesa, em 1966.
Vice-presidente da Associação Industrial de Macau, membro do Conselho Consultivo do Governador de Macau, membro da Comissão Consultiva da Lei Básica de Macau e da Comissão Política Consultiva do Povo Chinês da província de Guangdong, Roque Choi desempenhou também o cargo de presidente do já extinto Leal Senado tendo, em 1982, assinado com Krus Abecassis o protocolo de geminação entre Macau e Lisboa.
Tio do actual número dois do Executivo de Hong Kong, Rafael Hui Si-yan, Roque Choi foi secretário de Pedro José Lobo, o homem- forte da Administração portuguesa de Macau nas décadas de 1930 e 1940, função que assumiria também mais tarde com Ho Yin, o pai do actual Chefe do Executivo Edmund Ho, à época o mais destacado líder da comunidade chinesa de Macau.
Como empresário foi fundador do Banco Seng Heng que anos depois viria a ser adquirido por Stanley Ho.

Monday, January 23, 2006

Cavaco Absoluto também em Macau

Posto Consular de Macau: Eleições Presidenciais

Cavaco Silva- 507 votos
Mário Soares - 138
Manuel Alegre - 55
Jerónimo de Sousa - 15
Francisco Louçã - 13
Garcia Pereira- 11

Total de votantes: 759
Inscritos: cerca de 11 mil

Aniversário

Há um ano o Sínico dava os primeiros passos. A todos os que por cá passaram, muito obrigado.