Sou daqueles, entre muitos, que viveram intensamente os dias 1999. Dos que se emocionaram, foram à embaixada indonésia em Madrid, para quem Timor era uma causa, finalmente uma causa que valia a pena, que movimentava a boa vontade dos portugueses. Era importante para quem, como eu, ainda não era nascido nos tempos de Abril. E continua a ser.
E confesso que sou daqueles que também ficaram algo boquiabertos com o que se tem passado nestes dias.
Mas também me lembro, citando Diogo Pires Aurélio, que naqueles meses, “As raras vozes que, na altura, ousaram pedir um pouco mais de informação e menos emoção foram abafadas por um coro de gente entusiasmada com a nobreza da causa timorense e, sobretudo, com a ocasião que esta representava de voltar a sentir por cá uma unidade e um patriotismo como há muito não se via”.
E de facto, tenho a sensação que os media portugueses talvez tenham sido contaminados demasiado com um militantismo (justificado, provavelmente) que extravasou em demasia o domínio do racional, turvando as águas da clarividência. No fundo havia uma certa ideia de anjos - independentistas - versus diabos, as milícias pró-integração na Indonésia.
Tendo lido o que tem sido escrito nestas semanas - na linha das perguntas e dúvidas levantadas por Paulo Gorjão permaneço com algumas questões que me parecem pouco exploradas:
- Porque é que as principais figuras da oposição, da UDT, PD, PSD têm estado silenciosas?
- Porque é que a Igreja tão importante num país fervorosamente religioso não fez, logo no início da onda de violência, um apelo à paz e à acalmia - ou será que fez e eu não dei conta?
- O que levou Xanana Gusmão a demorar tanto tempo a convocar o Conselho de Estado?
- A quem interessa, dentro de Timor, esta intervenção das tropas australianas?
- onde está o povo que votou de forma massiva na Fretilin?
- A exportação de um modelo semi-presidencial à portuguesa mostra-se desajustada á realidade local?
- E a Indonésia?
P.S.
"KERRY O'BRIEN: I have the presidential statement under the presidential seal in front of me right now, both in English and Portuguese, and although he says he's doing this in close collaboration with you and the President of the Parliament, he makes it plain that he's taken responsibility and effective control for national security in East Timor for the next month at least. MARI ALKATIRI: I think that it's a misunderstanding somewhere. I don't think that the President really said it. "
(...)
"KERRY O'BRIEN: You've talked of an attempted coup. By whom? MARI ALKATIRI: Up to now, I've been telling you that I still don't know by whom, but, for sure, not by the President. KERRY O'BRIEN: There is clearly enormous pressure on you to resign over your failure to properly manage the crisis with the East Timorese army. Why are you determined not to respond to that pressure? MARI ALKATIRI: Pressure from some hundred peoples is not pressure for me. I represent more than hundreds of thousands of people in this government. "
East Timor Prime Minister speaks out
Wednesday, May 31, 2006
Monday, May 29, 2006
Don't be affraid; we came in peace, we are friends.
A ameaça da "Ameaça China" está a preocupar cada vez mais Pequim. Após o Pentágono ter revelado mais um documento em que a China é vista como uma potencial ameaça no longo prazo, o governo central lança uma campanha de sensibilização para que o mundo olhe para o rápido crescimento da economia como uma oportunidade.
Du Ruiqing, ex presidente da Universidade de Estudos Internacionais de Xi'an diz:
"It's high time to make ourselves better understood by people all of the world,"
A questão é que há ganhos absolutos e relativos e os segundos frequentemente têm mais peso, nomeadamente num processo de catching-up e em ciclos eleitorais.
Du Ruiqing, ex presidente da Universidade de Estudos Internacionais de Xi'an diz:
"It's high time to make ourselves better understood by people all of the world,"
A questão é que há ganhos absolutos e relativos e os segundos frequentemente têm mais peso, nomeadamente num processo de catching-up e em ciclos eleitorais.
Sunday, May 28, 2006
Friday, May 26, 2006
Lenovo and the US Government
Um caso exemplar.
"It was a drama that reached a conclusion late last week when the State Department, responding to fears that its security might be breached by a secretly placed device or hidden software, agreed to keep personal computers made by the Chinese company Lenovo off networks that handle its classified government messages and documents" (IHT)
Imaginemos se o contrário acontecesse. Na China com uma companhia norte-americana...
"It was a drama that reached a conclusion late last week when the State Department, responding to fears that its security might be breached by a secretly placed device or hidden software, agreed to keep personal computers made by the Chinese company Lenovo off networks that handle its classified government messages and documents" (IHT)
Imaginemos se o contrário acontecesse. Na China com uma companhia norte-americana...
Wednesday, May 24, 2006
Monday, May 22, 2006
Donald Tsang e Anson Chan: détente à vista?


Do que é que falaram Donald Tsang e Anson Chan este fim-de-semana em Macau? A pergunta surge depois de um encontro informal entre o chefe do executivo de Hong Kong e a antiga número dois do governo vizinho. O porta-voz de Donald Tsang garante que não se falou de política, mas em Hong Kong poucos acreditam.
Foi um econtro quase secreto. Este fim-de-semana em Macau estiveram reunidos as duas figuras políticas mais importantes de Hong Kong.. Donald Tsang, o chefe do executivo e Anson Chan, antiga número dois na RAEHK que é vista como potencial concorrente de Tsang na luta pela chefia do governo.
Em declarações ao The Standard, um porta-voz do líder do governo de Hong Kong recusa dar significado político aeste encontro, mas poucos tem dúvidas de que o futuro próximo da antiga colónia britânica este em cima da mesa.
Donald Tsang disse apenas que os dois passaram um bom tem juntos, num a reunião que juntou outros antigos membros do Conselho Executivo de Hong Kong.
Quando os jornalistas perguntaram ao líder do governo se este encontro tinha sido programado por Pequim, este respondeu que não fazia comentários.
O encontro tem sido encarado como um quebrar do gelo na relação entre os dois depois de no ano passado Anson Chan ter saído à rua ao lado dos manifestantes pró-democracia no dia 1 de Julho.
Neste contexto emergem algumas questões:
- Porque é que o governo de Hong Kong supostamente deu a dica aos jornalistas sobre este encontro?
- Foi Pequim que promoveu esta reunião?
- Será que Tsang conseguiu convencer Chan a não concorrer contra ele em 2007, na luta pela chefia do governo de Hong Kong?
-Ou será que apenas estiveram a beber chá, a comer uns pastéis de bacalhau e a visitar o centro histórico de Macau?
Ler mais em "Macau for `good time' not politics", The Standard.
Sunday, May 21, 2006
Leituras Dominicais
"Asia — A Vision for 2015", Matthew Hulbert, The Globalist.
"Google in China: The Big Disconnect", Clive ThompsonThe New York Times, 11 May 2006, via Yale Global.
"China’s Union Push Leaves Wal-Mart With Hard Choice", Mei Fong e Ann Zimmerman
The Wall Street Journal, via Yale Global.
"Google in China: The Big Disconnect", Clive ThompsonThe New York Times, 11 May 2006, via Yale Global.
"China’s Union Push Leaves Wal-Mart With Hard Choice", Mei Fong e Ann Zimmerman
The Wall Street Journal, via Yale Global.
Friday, May 19, 2006
Revolução Cultural: 40 anos IV
"After the bloody Tiananmen crackdown on reformists on June 4, 1989, the Chinese leadership reached a consensus to give "maintaining political and social stability" top priority. This consensus is still valid. Any re-evaluation of Mao will inevitably spark a new round of ideological controversies, which may lead to a split in the leadership, with resultant political and social instability. "
Cultural Revolution? What revolution?By Fong Tak Ho.
Cultural Revolution? What revolution?By Fong Tak Ho.
Wednesday, May 17, 2006
Tuesday, May 16, 2006
Revolução Cultural: 40 anos


No dia 16 de Maio de 1966, sob a influência de Jiang Qing, mulher de Mao Zedong, o Comité Central do Partido Comunista Chinês dava início à Grande Revolução Cultural Proletária.
O rastilho tinha sido acendido em 1960, quando o historiador Wu Han, então vice-presidente da câmara de Pequim, publicara a primeira versão do texto de uma peça de teatro de cariz histórico em que um alto funcionário era despedido por um imperador currupto.
Cinco anos depois, a esposa de Mao e Yao Wenyuan, que viriam a fazer parte do chamado “Bando dos Quatro”, e que dirigiram várias campanhas da revolução cultural, criticaram de forma feroz a peça de teatro.
Os dois consideraram que o texto era uma crítica a Mao Zedong em defesa de Peng Dehuai, alto dirigente comunista afastado por Mao no final dos anos 50.
A peça de teatro foi o pretexto usado pelo grupo de Mao, que já não era presidente da China, para lançar uma campanha massiva de propaganda contra os chamados direitistas e burgueses que traiam o que o bando dos quatro diziam ser os verdadeiros valores do comunismo, elevando sempre Mao a um nível de culto de uma personalidade, próxima da divindade.
Uma onda de violência, e humilhação varreu a China com os guardas vermelhos, jovens radicais, a atacarem professores, médicos, dirigentes do partido e toso os que era considerados agentes do imperialismo. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram durante este período. Alguns analistas referem que poderão ter sido cerca de 20 milhões. Muitas mais pessoas foram perseguidas e afastadas da administração.
Mais do que uma luta ideológica, a Revolução Cultural foi uma guerra movida por Mao e pela facção ultra esquerdista contra o status quo do Partido e do Estado. A primeira vítima foi o presidente da câmara de Pequim Peng Zhen, que saiu em defesa da Peça de teatro criticada por Jiang Qing. A longa lista inclui entre outros Liu Shaoqi, presidente da República Popular da China até 1968 e Deng Xiaoping, acusados de serem agentes do capitalismo.
O ciclo de destruição e violência durou até 1976, altura em que Mao morreu. Pouco depois o Bando dos Quatro foi detido e responsabilizado pelo caos da Revolução Cultural. No entanto, apesar de Jiang ter revelado que era “o cão de Mao, e quando ele pedia para morder, mordia”, a figura de Mao acabou por ser salvaguardada e seu o retrato permanece na Praça de Tiananmen a contemplar uma outra revolução cultural que invade a nova China: a do consumo, da economia de mercado, da mudança dos hábitos, da prosperidade, das desigualdades, a mesma sobre a qual os olhos do mundo se debruçam e interrogam.
Olhando para o que tem sido escrito sobre este período, não posso deixar de recordar esta passagem de “Cisnes Selvagens”, magnífico livro de Jung Chang, uma filha da China, ela própria ex Guarda Vermelha.
“Durante a minicampanha chamada A Nossa Pátria Socialista é o paraíso,houve muita gente que fez abertamente as perguntas que eu tinha feito a mim mesma oito anos antes: Se isto é o paraíso, então como será o inferno?
Jung Chang., Cines Selvagens, Quetzal Editores, Lisboa, 2004 (22ª Edição), p.499.
O Partido Comunista Chinês reconhece que o período entre 1966 e 1976 foi um desastre para o país, mas prefere não abrir as feridas de um período em que muitos dos actuais líderes foram guardas vermelhos. Os jornais de Hong Kong referem que as media da China continental estão proibidos de falar sobre o assunto. E os analistas foram são encorajados a não participarem em seminários sobre a Revolução Cultural. Este manto de silêncio abate-se sobre um período cuja catarse ainda não foi feita. Wang Xiangwei, editor do South China Morning Post argumenta – e bem – que “a liderança chinesa deveria olhar ao espelho o que aconteceu durante o período mais negro da Revolução Cultural, estimular o debate e perceber porque é que isso não deve voltar a acontecer”. Mas, adianta Wang, “é fácil perceber por que é que o presidente Hu Jintao não vai fazer isso brevemente. As autoridades já enfrentam um debate alargadoe intenso sobre a direcçãoe o sentido das refgormas económicas cimn os esquerdistas a atacarem os dirigentes pró-reformas por estarem a desviar-se da doutrina socialista. Os dirigentes estão preocupados que mais debates sobre a Revolução Cultural possam ameaçar a estabilidade política”. (South China Moring Post, 15-05-2006. (sem link directo).
Sunday, May 14, 2006
Leituras Dominicais
"President Chen's long trip to nowhere", Ting-I Tsai no Asia Times.
"In China-Vatican fight, the bishops are pawns ", International Herald Tribune.
"Foreign Exchange", um programa imperdível de Fareed Zakaria.
"In China-Vatican fight, the bishops are pawns ", International Herald Tribune.
"Foreign Exchange", um programa imperdível de Fareed Zakaria.
Friday, May 12, 2006
Se dúvidas houvesse...
O meu amigo Andarilho alerta-me para isto:
"A VI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - marcada para 17 de Julho, terá apoio financeiro dos chineses. A China ofereceu hoje ao governo guineense 800 mil dólares (615 mil euros) para ajudar a organizar o encontro da CPLP que, este ano, comemora o seu 10º aniversário.
O montante foi entregue pelo embaixador da China em Bissau ao secretário de Estado da Cooperação guineense, Tibna Samba Nawana, numa cerimónia que decorreu na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.
Paralelamente, a China ofereceu também 350 mil dólares (270
mil euros) de ajuda humanitária, destinada aos deslocados no norte da Guiné-Bissau, na sequência do conflito que opôs o Exército guineense a uma ala radical de um movimento independentista de Casamança, sul do Senegal.
Pequim manifestou ainda disponibilidade para apoiar a
reconstrução do hospital regional de Canchungo, 80 quilómetros a norte de Bissau, cujo orçamento é de 2,5 milhões de dólares (1,9 milhões de euros)."
No Expresso online.
P.S. Lembro o que disse Carmen Mendes, há dias, numa entrevista:
Voltaremos a este assunto (de forma recorrente).
"A VI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - marcada para 17 de Julho, terá apoio financeiro dos chineses. A China ofereceu hoje ao governo guineense 800 mil dólares (615 mil euros) para ajudar a organizar o encontro da CPLP que, este ano, comemora o seu 10º aniversário.
O montante foi entregue pelo embaixador da China em Bissau ao secretário de Estado da Cooperação guineense, Tibna Samba Nawana, numa cerimónia que decorreu na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.
Paralelamente, a China ofereceu também 350 mil dólares (270
mil euros) de ajuda humanitária, destinada aos deslocados no norte da Guiné-Bissau, na sequência do conflito que opôs o Exército guineense a uma ala radical de um movimento independentista de Casamança, sul do Senegal.
Pequim manifestou ainda disponibilidade para apoiar a
reconstrução do hospital regional de Canchungo, 80 quilómetros a norte de Bissau, cujo orçamento é de 2,5 milhões de dólares (1,9 milhões de euros)."
No Expresso online.
P.S. Lembro o que disse Carmen Mendes, há dias, numa entrevista:
Voltaremos a este assunto (de forma recorrente).
Wednesday, May 10, 2006
No Reino de Sião
O Tribunal Constitucional fez "reset" ao processo de eleição da Assembleia Legislativa. Anulou o escrutínio de Abril, que tinha sido boicotado pelos maiores partidos da oposição, e pediu a demissão da Comissão Eleitoral.
Depois de ter saído de cena, o ex primeiro ministro Thaksin Shinawatra pode estar de volta. Mesmo que não concorra nas eleições, será, no mínimo, "the man behind the curtain".
A propósito, Shawn W Crispin escrevia, há um mês, no Asia Times:
"What the US could learn from Thailand
Depois de ter saído de cena, o ex primeiro ministro Thaksin Shinawatra pode estar de volta. Mesmo que não concorra nas eleições, será, no mínimo, "the man behind the curtain".
A propósito, Shawn W Crispin escrevia, há um mês, no Asia Times:
"What the US could learn from Thailand
Monday, May 08, 2006
Sunday, May 07, 2006
Leituras Dominicais
"What is a Wilsonian realist?", Mott Woolley, Asia Times.
"Singapore's young challengers beg to differ", Seth Mydans International Herald Tribune.
"Singapore's young challengers beg to differ", Seth Mydans International Herald Tribune.
Friday, May 05, 2006
Momentos Zen

1.Sem papas na língua, como é hábito, Joseph Zen critica o governo central de controlar a Igreja Católica. O bispo, recém-nomeado cardeal, afirma, em entrevista ao jornal "O Clarim" (sem link), que Pequim não está muito contente com o facto do Vaticano o ter designado Cardeal. Adianta mesmo que houve padres e freiras que tiveram instruções para não o felicitarem.
Joseph Zen vai a Roma aindna este mês para se econtrar com o Papa Bento XVI. Nessa reunião será discutido o processo de aproximação com Pequim. Um diálogo dificultado pelas recentes nomeações por parte da Igreja Católica Patriótica de dois Bispos.
Acerca da liberdade religiosa na China, Zen critica fortemente Pequim, dizendo que a Igreja Católica não oficial, a chamada clandestina, que presta obediência ao Papa, corre perigo todos os dias. Mesmo a igreja católica patriótica é muito controlada.
O bispo garante que no continente tanto padres como freiras são constantemente vigiados.
Quanto à política em Hong Kong, Joseph Zen reafirma que vai estar atento à questão do artigo 23. Se a lei anti-subversão voltar a ser apresenetada, os católicos da região vizinha, assegura, descem de novo à rua ao lado dos manifestantes. Isto porque, diz, a implementação do artigo 23 coloca em perigo as liberdade cívicas.
Na análise à situação do outro lado do Delta do Rio das Pérolas, Zen defende que no regime colonial, apesar de não haver democracia, as liberdades eram respeitadas, o que não é de todo verdade depois 1997.
2. Hoje é dia do Buda.
Thursday, May 04, 2006
Questões Sínicas e Sinológicas
"A questão da sinologia", Arnaldo Gonçalves no Jornal Tribuna de Macau.
“China faz mais pela divulgação do português do que Portugal”, Carmen Mendes, em entrevista ao Hoje Macau.
“China faz mais pela divulgação do português do que Portugal”, Carmen Mendes, em entrevista ao Hoje Macau.
Tuesday, May 02, 2006
Macau: Social Unrest
Ontem Macau assistiu à maior manifestação desde o ano 2000 – e segundo alguns analistas, à maior desde a transferência de administração. Alguns milhares de pessoas (cerca de cinco mil)manifestaram-se contra a importação de mão de obra, num protesto que derivou para cenas de alguma violência, fruto de uma atitude mais agressiva de uma minoria e da resposta das autoridades. Independentemente da causa em questão – havia outras levantadas pelas pessoas como a luta pelo salário mínimo, contra o conluio de interesses e na generalidade por melhores condições laborais – o que releva interesse é o facto de estara acabar a paciência de uma parte da população face a um modelo de desenvolvimento que os deixa para trás. Este protesto deveria fazer pensar o governo da RAEM, entretido com as maravilhas do crescimento do PIB e com os novos investimentos na área do jogo e da hotelaria. É certo que o executivo anunciou na semana passada um pacote de aumento de pensões e prometeu maior rigor no combate à importação ilegal de mão de obra da China continental. Contudo, essas medidas são consideradas paliativos pelos que ontem expressaram o seu desespero. Também se sabe que nestes casos há sempre uma minoria que procura radicalizar o protesto para tirar dividendos políticos. Mas isso não pode servir de esponja para passar sobre um acontecimento inédito na RAEM. Além do mais, mesmo com a ausência da poderosa Associação Geral dos Operários, a mais representativa em termos de associativismo laboral, o protesto chegou às quatro-cinco mil pessoas.
Nos comentários ao que aconteceu, chamo a atenção para contribuições dos directores dos jornais diários em língua portuguesa:
1. Ao abraçar alegremente o “segundo sistema”, dada a reconhecida falta de cultura política, a sociedade de Macau adoptou, também, as desigualdades e, no extremo, a exclusão que o capitalismo sempre arrasta. Está agora a dar-se conta disso. Ao governo de Macau, habitualmente estigmatizado por suposta falta de legitimidade democrática (ironicamente de sentido contrário), abre-se agora a possibilidade de fazer doutrina na matéria e ser mesmo exemplo internacional.
Rodolfo Ascenso no Ponto Final.
2. A manifestação de cinco mil pessoas, ontem, nas ruas de Macau foi, sem margem para dúvidas, uma bofetada de luva branca na classe política e empresarial de Macau. Estas insistem, a um ritmo quase semanal, em passar atestados públicos de estupidez à população da RAEM. Finalmente, saiu para a rua um movimento social, organizado, capaz de exprimir as suas críticas, reivindicações e exigências sem temer que o fantasma da desestabilização social lhes seja imputado.
João Costeira Varela, Hoje Macau
3. Não sendo possível quantificar o número de manifestantes - todos os exercícios neste sentido são especulativos - nem parecendo ser isso o mais importante - em termos gerais, o número seria sempre reduzido a partir do momento em que a influente Associação Geral dos Operários se desmarcou do acontecimento - a grande vitória é do “segundo sistema” que mais uma vez se cumpriu, com a realização da manifestação.
José Rocha Dinis no Jornal Tribuna de Macau.
Estas são algumas pistas para uma reflexão que assume contornos mais complexos do que pode parecer a priori. A opção pela não-intervenção na economia e pela crença cega nas leis (im)perfeitas do mercado - linhas mestras que guiam o executivo da RAEM - tem os seus efeitos.
Muitos já tinham avisado; agora aconteceu. E duvido que este seja um caso isolado...
Há muitas movimentações que se conjugam no triénio 2006-2009: a "guerra" da sucessão de Edmund Ho, dizem, está em marcha acelerada; as assimetrias sociais agudizam-se; a batalha do jogo entrará numa nova fase.
As peças movimentam-se debaixo da cortina de fumo. E quando olhamos para Macau devemos recordar as palavras de João Aguiar:
Um pequeno universo difícil de aprisionar dentro de modelos que não sejam o seu…podemos ignorá-lo, desprezá-lo, mascará-lo, podemos fazer tudo excepto capturá-lo dentro dos limites estreitos da lógica comum. É um dragão, porque a China é terra de dragões. E é feito de fumo porque basta-lhe um momento ou um sopro para que a sua forma se altere e o que ontem foi deixe hoje de ser.(in “O Dragão de Fumo”).
P.S. Numa reflexão vinda das entranhas, Carlos Morais José olha assim para Macau:
Um filme francês dos anos 40 chamava a Macau “L’enfer du Jeu”, retratando uma cidade viciosa, contudo com patine, fascinante. Hoje caminhamos para o inferno do jogo, mas rodeados de plástico, nos prédios e nas almas das pessoas. Um inferno da cópia da cópia, do silicone, do falso, das vidas de preço módico. Acredito nas boas intenções do Chefe do Executivo mas, passados seis anos, é caso para dizer que de boas intenções está Macau cheio. E cada vez mais parecido com um pequeno inferno, onde a vida, a cultura, as pessoas têm cada vez menos consequência.
Vale a pena ler o artigo por inteiro: "Regresso ao inferno", no Hoje Macau.
Nos comentários ao que aconteceu, chamo a atenção para contribuições dos directores dos jornais diários em língua portuguesa:
1. Ao abraçar alegremente o “segundo sistema”, dada a reconhecida falta de cultura política, a sociedade de Macau adoptou, também, as desigualdades e, no extremo, a exclusão que o capitalismo sempre arrasta. Está agora a dar-se conta disso. Ao governo de Macau, habitualmente estigmatizado por suposta falta de legitimidade democrática (ironicamente de sentido contrário), abre-se agora a possibilidade de fazer doutrina na matéria e ser mesmo exemplo internacional.
Rodolfo Ascenso no Ponto Final.
2. A manifestação de cinco mil pessoas, ontem, nas ruas de Macau foi, sem margem para dúvidas, uma bofetada de luva branca na classe política e empresarial de Macau. Estas insistem, a um ritmo quase semanal, em passar atestados públicos de estupidez à população da RAEM. Finalmente, saiu para a rua um movimento social, organizado, capaz de exprimir as suas críticas, reivindicações e exigências sem temer que o fantasma da desestabilização social lhes seja imputado.
João Costeira Varela, Hoje Macau
3. Não sendo possível quantificar o número de manifestantes - todos os exercícios neste sentido são especulativos - nem parecendo ser isso o mais importante - em termos gerais, o número seria sempre reduzido a partir do momento em que a influente Associação Geral dos Operários se desmarcou do acontecimento - a grande vitória é do “segundo sistema” que mais uma vez se cumpriu, com a realização da manifestação.
José Rocha Dinis no Jornal Tribuna de Macau.
Estas são algumas pistas para uma reflexão que assume contornos mais complexos do que pode parecer a priori. A opção pela não-intervenção na economia e pela crença cega nas leis (im)perfeitas do mercado - linhas mestras que guiam o executivo da RAEM - tem os seus efeitos.
Muitos já tinham avisado; agora aconteceu. E duvido que este seja um caso isolado...
Há muitas movimentações que se conjugam no triénio 2006-2009: a "guerra" da sucessão de Edmund Ho, dizem, está em marcha acelerada; as assimetrias sociais agudizam-se; a batalha do jogo entrará numa nova fase.
As peças movimentam-se debaixo da cortina de fumo. E quando olhamos para Macau devemos recordar as palavras de João Aguiar:
Um pequeno universo difícil de aprisionar dentro de modelos que não sejam o seu…podemos ignorá-lo, desprezá-lo, mascará-lo, podemos fazer tudo excepto capturá-lo dentro dos limites estreitos da lógica comum. É um dragão, porque a China é terra de dragões. E é feito de fumo porque basta-lhe um momento ou um sopro para que a sua forma se altere e o que ontem foi deixe hoje de ser.(in “O Dragão de Fumo”).
P.S. Numa reflexão vinda das entranhas, Carlos Morais José olha assim para Macau:
Um filme francês dos anos 40 chamava a Macau “L’enfer du Jeu”, retratando uma cidade viciosa, contudo com patine, fascinante. Hoje caminhamos para o inferno do jogo, mas rodeados de plástico, nos prédios e nas almas das pessoas. Um inferno da cópia da cópia, do silicone, do falso, das vidas de preço módico. Acredito nas boas intenções do Chefe do Executivo mas, passados seis anos, é caso para dizer que de boas intenções está Macau cheio. E cada vez mais parecido com um pequeno inferno, onde a vida, a cultura, as pessoas têm cada vez menos consequência.
Vale a pena ler o artigo por inteiro: "Regresso ao inferno", no Hoje Macau.
Monday, May 01, 2006
Sunday, April 30, 2006
Friday, April 28, 2006
China-EUA: Desafio, Ameaça e Interdependência
A propósito da visita do presidente chinês aos Estados Undios, a última capa da revista “Newsweek” mostra Hu Jintao e George W. Bush na primeira página com o título “The Real Clash of Civilizations”. No interior a publicação explica quais são os grande temas de fractura – direitos humanos, liberdades civis, valor do yuan, desrespeito pelos direitos de propriedade intelectual, as “amizades políticas” com estados párias ou nações que desafiam a hegemonia americana, etc – para concluir que enquanto Washington se tem preocupado ao longo dos últimos anos com o fundamentalismo islâmico, “China poses the most serious challenge to America and its global vision”.
Embora a Newsweek refira challenge e não threat, existe subjacente a este freaseado esse cartão da “Ameaça-China” que dá votos, vende livros e impressiona, mas é redutor e em certa medida perigoso.
Esta self-fulfilling prophecy não é recente e tem vindo a ganhar terreno em Washington quer nos meios políticos, intelectuais mais bélicos, quer nos media. Neste contexto, julgo que é importante e necessário entender o significado da emergência da China num plano mais vasto sem estar amarrado à tese de que a próxima guerra fria está para chegar e que um conflito entre a China e os EUA é inevitável. Esta asserção tem por base uma tendência de uma certa escola realista de entender que sempre que existe um processo de catching up entre um poder hegemónico e o seu principal concorrente, id est, uma transição de poder ou pelo menos uma reorganização da distribuição das capacidades no sistema internacional, a probabilidade de conflito aumenta ou será mesmo quase inevitável.
Historicamente, desde a segunda vaga de industrialização (estamos a falar nomeadamente na Europa Ocidental e nos EUA) o único caso claro em que não houve uma guerra ou conflito foi na transição de poder da Grã Bretanha para os EUA, nas duas primeiras décadas do século XX. Recentemente alguns académicos e analistas consideram que o que se está a passar com a China é uma reminiscência do que aconteceu com o Japão e com a Alemanha no passado.
É certo que os conceitos clássicos realistas de self-helf, interesse nacional, do dilema de segurança, na inexistência de autoridade na estrutura internacional composta por estados não perderam a validade depois do fim da guerra fria. Contudo, poderá ser insuficiente aplicar os óculos realistas clássicos, neorealistas ou realistas-mercantilistas ao que se está a passar no processo China-EUA que antes de mais é, obviamente, dinâmico.
De momento, apesar das diferenças que emergem e que foram referidas no primeiro parágrafo deste texto, o que predomina é a interdependência económica. Não quer isto dizer que não possamos vir a testemunhar uma viragem para um cenário em que na defesa do interesse nacional surjam (como estão a surgir) movimentos proteccionistas que criarão um ambiente propício ao conflito. Tudo depende de vários factores. Do processo de negociações na OMC, da política doméstica de cada país, das dinâmicas nas relações de cada um dos países com outros poderes como a Rússia, a China, a UE, etc, da construção das identidades enquanto poderes no relacionamento de um estado com o outro, da capacidade da China vencer o desafio de manter uma economia cada vez mais aberta e um sistema político centralizado e autoritário, da tentação norte-mericana para o containment da China em vez do engagement, etc.
Embora a Newsweek refira challenge e não threat, existe subjacente a este freaseado esse cartão da “Ameaça-China” que dá votos, vende livros e impressiona, mas é redutor e em certa medida perigoso.
Esta self-fulfilling prophecy não é recente e tem vindo a ganhar terreno em Washington quer nos meios políticos, intelectuais mais bélicos, quer nos media. Neste contexto, julgo que é importante e necessário entender o significado da emergência da China num plano mais vasto sem estar amarrado à tese de que a próxima guerra fria está para chegar e que um conflito entre a China e os EUA é inevitável. Esta asserção tem por base uma tendência de uma certa escola realista de entender que sempre que existe um processo de catching up entre um poder hegemónico e o seu principal concorrente, id est, uma transição de poder ou pelo menos uma reorganização da distribuição das capacidades no sistema internacional, a probabilidade de conflito aumenta ou será mesmo quase inevitável.
Historicamente, desde a segunda vaga de industrialização (estamos a falar nomeadamente na Europa Ocidental e nos EUA) o único caso claro em que não houve uma guerra ou conflito foi na transição de poder da Grã Bretanha para os EUA, nas duas primeiras décadas do século XX. Recentemente alguns académicos e analistas consideram que o que se está a passar com a China é uma reminiscência do que aconteceu com o Japão e com a Alemanha no passado.
É certo que os conceitos clássicos realistas de self-helf, interesse nacional, do dilema de segurança, na inexistência de autoridade na estrutura internacional composta por estados não perderam a validade depois do fim da guerra fria. Contudo, poderá ser insuficiente aplicar os óculos realistas clássicos, neorealistas ou realistas-mercantilistas ao que se está a passar no processo China-EUA que antes de mais é, obviamente, dinâmico.
De momento, apesar das diferenças que emergem e que foram referidas no primeiro parágrafo deste texto, o que predomina é a interdependência económica. Não quer isto dizer que não possamos vir a testemunhar uma viragem para um cenário em que na defesa do interesse nacional surjam (como estão a surgir) movimentos proteccionistas que criarão um ambiente propício ao conflito. Tudo depende de vários factores. Do processo de negociações na OMC, da política doméstica de cada país, das dinâmicas nas relações de cada um dos países com outros poderes como a Rússia, a China, a UE, etc, da construção das identidades enquanto poderes no relacionamento de um estado com o outro, da capacidade da China vencer o desafio de manter uma economia cada vez mais aberta e um sistema político centralizado e autoritário, da tentação norte-mericana para o containment da China em vez do engagement, etc.
Thursday, April 27, 2006
Ler Macau
"Desenvolvimento e desafios", José Isaque Duarte, No Hoje Macau.
"Preparem-se para 2009!", Paul Chan Wai Chi, idem.
"Ver para crer", Janet Ho, no Ponto Final.
"Preparem-se para 2009!", Paul Chan Wai Chi, idem.
"Ver para crer", Janet Ho, no Ponto Final.
Wednesday, April 26, 2006
Tuesday, April 25, 2006
Cravos de Abril à Mesa na China

Haikou, Abril de 2006.
O 25 de ABril representado acidentalmente à mesa de um restaurante em Hainão.
Uma imagem promonitória? Wishful-thinking? Um devaneio? Uma coincidência?
P.S. O 25 de Abril é comemorado em Macau pela comunidade portuguesa que este ano conta com a presençade Adelino Gomes, uma referência no jornalismo que viveu aquele dia ao lado de Salgueiro Maia.
Thursday, April 20, 2006
Wednesday, April 19, 2006
Monday, April 17, 2006
A viagem de 2006
Ler
1. Elizabeth Economy e Adam Segal: "Our Opportunity with China", no Washington Post.
2. Zhiqun Zhu: "China and the US: Moving beyond talking", no Asia Times.
1. Elizabeth Economy e Adam Segal: "Our Opportunity with China", no Washington Post.
2. Zhiqun Zhu: "China and the US: Moving beyond talking", no Asia Times.
O consenso de 1992 e a viagem de 2006
Hu Jintao fez um apelo para que sejam retomadas as conversações entre os dois lados do estreito tendo por base o consenso de 1992 que parte do princípio inquestionável que existe uma só China. Ao lado de Lien Chan, presidente honorário do Kuomintang, o histórico Partido Nacionalista e maior força política da oposição em Taiwan, o chefe de estado procura enviar um sinal a Washington dois dias antes de partir para os Estados Unidos para a sua primeira visita oficial. Com este gesto, Hu pretende magnânime para com o separatista presidente em Taipé, Chen Shui-Bian - que há algumas semanas anunciou a dissolução do Conselho da Reunificação - e, em simultâneo colocar no centro da agenda política dos encontros em solo norte-americano a questão de Taiwan, com o objectivo de ofuscar o incómodo superavit comercial chinês na relação com os EUA e as pulsões proteccionistas que subjazem e emergem no Congresso, em ano de eleições legislativas. Quer Democratas, quer Republicanos deverão fazer valer o cartão amarelo que querem mostrar à China, usando como argumento a questão do valor do yuan como princípio e fim do aumento do desequilíbrio na balança comercial. Já para não falar do "outsourcing". Ou seja culpar a China dá votos e todos os argumentos servem. Só não dá jeito lembrar que Pequim financia o défice orçamental norte-americano comprando em doses consideráveis títulos da dívida pública dos EUA.
Do lado chinês, o regime tem tentado dar sinais aos EUA de boa vontade em questões sensíveis como o Tibete ou nas relações com o Vaticano. Mas os sinais são contraditórios e enquanto uma mão parece relaxar, a outra funciona como um punho de ferro no controlo da liberdade de imprensa e de expressão. Parafraseando a The Economist:
“In recent months, China has even shown tentative signs of wanting progress in talks with representatives of the Dalai Lama and of the Vatican. Few expect breakthroughs soon. But in a gesture clearly aimed at pleasing Mr Bush, China last month allowed a Tibetan nun who had been imprisoned for 14 years for her outspoken support of the Dalai Lama to go to America for medical treatment. Still, Mr Hu has shown no real willingness to ease his suppression of dissent. Worried that rapid economic and social change could trigger instability, he is tightening controls. Mr Bush recently described China as a “big opportunity for democracy”. On this, Mr Hu will disappoint him” (...)
Nestas questões da China nem as "self-fulfill prophecies", nem o "wishful thinking" são bons conselheiros. Nas relações sino-americanas, Bush acabou por enunciar uma caraterização que, em si, contempla o essencial de um relacionamento que será crucial para este século.
"Very Positive and complex"
Muitos acrescentariam, "and interdependent". E acertadamente, por enquanto.
Do lado chinês, o regime tem tentado dar sinais aos EUA de boa vontade em questões sensíveis como o Tibete ou nas relações com o Vaticano. Mas os sinais são contraditórios e enquanto uma mão parece relaxar, a outra funciona como um punho de ferro no controlo da liberdade de imprensa e de expressão. Parafraseando a The Economist:
“In recent months, China has even shown tentative signs of wanting progress in talks with representatives of the Dalai Lama and of the Vatican. Few expect breakthroughs soon. But in a gesture clearly aimed at pleasing Mr Bush, China last month allowed a Tibetan nun who had been imprisoned for 14 years for her outspoken support of the Dalai Lama to go to America for medical treatment. Still, Mr Hu has shown no real willingness to ease his suppression of dissent. Worried that rapid economic and social change could trigger instability, he is tightening controls. Mr Bush recently described China as a “big opportunity for democracy”. On this, Mr Hu will disappoint him” (...)
Nestas questões da China nem as "self-fulfill prophecies", nem o "wishful thinking" são bons conselheiros. Nas relações sino-americanas, Bush acabou por enunciar uma caraterização que, em si, contempla o essencial de um relacionamento que será crucial para este século.
"Very Positive and complex"
Muitos acrescentariam, "and interdependent". E acertadamente, por enquanto.
Sunday, April 16, 2006
Thursday, April 13, 2006
Budismo, Socialismo de Mercado e Sociedade Harmoniosa

A organização, este ano, na China, em Hangzhou, do Fórum Mundial do Budismo não surge ao acaso e deve ser entendida no contexto da necessidade de Pequim cimentar o conceito de uma “Sociedade Harmoniosa”, que as autoridades têm vindo a defender e a divulgar nos últimos anos, em especial, desde 2003/2004, altura em que a quarta geração assumiu o poder.
Por outro lado, numa altura em que a legitimidade ideológica desvaneceu-se, o regime procura agarrar-se a outras formas de legitimação e de promoção dos valores que não se podem cingir ao princípio Denguista de “enriquecer é glorioso”. A orfandade ideológico está a ser substituída por um certo nacionalismo, ou pelo menos pela propaganda patriótica – basta ver mesmo aqui em Macau, a ênfase que é dada no discurso oficial e nos currículos escolares do “Amor à Pátria, Amor a Macau” ou, na China continental verificar o modo como Pequim tolera ou estimula o nacionalismo anti-japonês, como aconteceu nas manifestações de 2005 contra a revisão dos manuais escolares japoneses.
O Budismo, que entrou na China no início do século I, faz parte da identidade milenar da China, a par do Confucionismo e do Taoismo. Se durante a Revolução Cultural a herança Legalista foi recuperada de forma instrumental em oposição aos ensinamentos de Confúcio, do Taoísmo e do Budismo, actualmente a liderança do Partido e do estado acolhe de braços abertos este grande fórum mundial, salientando os pontos de contacto entre a folosofia e os ensinamentos do Budismo e os objectivos e valores centrais da República Popular. Não é por acaso que Liu Yandong, vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, afirmou:
"Buddhism has made important contribution to world peace and human civilization in the history. The forum will play a positive role in exploring how Buddhism can contribute to building a harmonious world,".
Ou que Qi Xiaofei, vice-presidente da Associação de Cultura Religiosa da China, explicitou:
"Chinese culture values the concept of harmony, which is quite similar to Buddhist doctrines. That's why Buddhism is more popular in China"
E quanto à putativa presença do Dalai Lama?
“In my opinion, if he appears at the forum, he will surely pose a really disharmonious note to the general harmonious tone of the forum” (…) “What we need here and now is dialogue rather than confrontation," he said, claiming that judging from Dailai Lama's activities in the past, he might bring about harm to the "harmony" theme of the forum. According to Qi, Dalai Lama is not only a religious figure, but also a long-time stubborn secessionist who has tried to split his Chinese motherland and break the unity among different ethnic groups (...)
Tuesday, April 11, 2006
Uma inciativa de louvar
Observatório da China.
O Sínico saúda esta iniciativa e todos os investigadores, jovens e experientes, que estão, em Portugal, a desenvolver um trabalho muito importante e muito interessante sobre a política, a economia e a cultura chinesa.
"Um grupo de sete estudiosos e investigadores portugueses, com formação superior em assuntos da China decidiu juntar-se para constituir o Observatório da China. Nos objectivos anunciam querer contribuir para a reflexão, o estudo e a investigação do passado e do presente da China"
Ler mais no Ponto Final.
O Sínico saúda esta iniciativa e todos os investigadores, jovens e experientes, que estão, em Portugal, a desenvolver um trabalho muito importante e muito interessante sobre a política, a economia e a cultura chinesa.
"Um grupo de sete estudiosos e investigadores portugueses, com formação superior em assuntos da China decidiu juntar-se para constituir o Observatório da China. Nos objectivos anunciam querer contribuir para a reflexão, o estudo e a investigação do passado e do presente da China"
Ler mais no Ponto Final.
Monday, April 10, 2006
Breves da economia sínica
- China has responded to a request by the United States and Europe to take part in WTO consultations over auto part tariff rules, the Commerce Ministry said Saturday.
China's commissioner to the World Trade Organization, Sun Zhenyu, has informed the U.S. and EU ambassadors to the body that Beijing has accepted their request to participate in consultations. (Xinhua) - Japan has resumed talks to reach a free trade deal with the 10 members of the Association of Southeast Asian Nations after an eight-month stalemate. Japan will also hold bilateral talks during the three-day meeting with Cambodia, Laos and Myanmar, ASEAN's least developed states, in hopes of finding ways for Tokyo to help bridge the income gap in the regional bloc. (Channel News Asia)
- O consórcio Mel/PBL, que recentemente adquiriu uma subconcessão de jogo em Macau à norte- americana Wynn Resorts lançou hoje o projecto Cidade dos Sonhos, um projecto de jogo, hotelaria e habitação orçado em 1,15 mil milhões de euros. (Lusa)
Sunday, April 09, 2006
Leituras Dominicais
Na imprensa:
What the US could learn from Thailand, Shawn W Crispin no Asia Times.
"The status of Hu's visit: China and U.S. at odds ", Jim Yardley, no New York Times, via I.H.T.
"China and the break-up of the net", BBC.
Na blogosfera
El futuro está en los puertos., Shanghai Express.
Os Ossos, Carlos Morais José no Oriente Crónico.
"Europa, Estado e Liberalismo", Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos.
What the US could learn from Thailand, Shawn W Crispin no Asia Times.
"The status of Hu's visit: China and U.S. at odds ", Jim Yardley, no New York Times, via I.H.T.
"China and the break-up of the net", BBC.
Na blogosfera
El futuro está en los puertos., Shanghai Express.
Os Ossos, Carlos Morais José no Oriente Crónico.
"Europa, Estado e Liberalismo", Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos.
Saturday, April 08, 2006
Ping Pong Diplomacy
Foi há 35 anos quando uma equipa norte-americana de ténis de mesa visitou a China a convite de uma associação chinesa, naquele que foi o primeiro acto de quebra do gelo nas relações sino-americanas desde 1949, o ano em que foi estabelecida a República Popular da China.
No dia 6 de Abril de 1971, os norter-americanos receberam de surpresa o convite, quando participavam num torneio no Japão. Quatro dias depois a delegação dos EUA entrava na China e inaugurava uma nova era nas relações sino-americanas.
No dia 21 de Fevereiro Nixon pisava Pequim para uma visita de uma semana - "the week that changed the world" - em que se encontrou com Mao Zedong.
E pensar que tudo começou com o facto de um jogador norte-americano ter chegado atrasado para apanhar o autocarro da sua selecção, tendo sido convidado a entrar na "camioneta" chinesa.
Mas claro que esta aproximação já estava na cabeça das lideranças em Washington e Pequim. O inimigo agora era comum: A União Soviética.
P.S.1 Os mesmo nove atletas que deram início à nova era estão de volta, 35 anos depois, a uma China que preserva a bandeira, o nome oficial de República Popular, o Partido e símbolos desses tempos idos de 1971.
P.S. 2. Esta efeméride é celebrada duas semanas antes da visita de Hu Jintao a Washington e numa altura em que nunca houve tanta interdependência económica e num dos momentos em que re-emergem nos EUA as vozes sinófobas.
No dia 6 de Abril de 1971, os norter-americanos receberam de surpresa o convite, quando participavam num torneio no Japão. Quatro dias depois a delegação dos EUA entrava na China e inaugurava uma nova era nas relações sino-americanas.
No dia 21 de Fevereiro Nixon pisava Pequim para uma visita de uma semana - "the week that changed the world" - em que se encontrou com Mao Zedong.
E pensar que tudo começou com o facto de um jogador norte-americano ter chegado atrasado para apanhar o autocarro da sua selecção, tendo sido convidado a entrar na "camioneta" chinesa.
Mas claro que esta aproximação já estava na cabeça das lideranças em Washington e Pequim. O inimigo agora era comum: A União Soviética.
P.S.1 Os mesmo nove atletas que deram início à nova era estão de volta, 35 anos depois, a uma China que preserva a bandeira, o nome oficial de República Popular, o Partido e símbolos desses tempos idos de 1971.
P.S. 2. Esta efeméride é celebrada duas semanas antes da visita de Hu Jintao a Washington e numa altura em que nunca houve tanta interdependência económica e num dos momentos em que re-emergem nos EUA as vozes sinófobas.
De facto...
Partilho da estupefacção do Andarilho e, na verdade, parafraseando Paulo Gorjão, há uma certa nebulosidade nos critérios que presidiram á tomada de posição do MNE português face à decisão de Chen Shui-Bian de cancelar as actividades do Conselho da Reunificação. Não que não considere que Lisboa deva ter uma outra voz mais activa na tomada de posições face a assuntos relevantes no panorama internacional, mas fazê-lo dois meses depois de algo ter acontecido e omitir posições sobre outros assuntos no mínimo importantes é no mínimo estranho.
Friday, April 07, 2006
Wednesday, April 05, 2006
Thaksin Out II
Sem honra nem glória chegou ao fim o reinado de Thaksin Shinawatra. E em dois meses, o magnata viu fugir-lhe a Shin Communications – maior empresa tailandesa de telecomunicações que foi vendida à Tamasek de Singapura – e a cadeira de chefe de um governo que liderava desde 2001. Curiosamente, foi o negócio da venda da Shin, controlada pela sua família, que lhe abriu as portas do inferno com manifestações gigantescas contra uma operação que além de alegadamente colocar em causa a soberania do país, estava envolto em nuvens carregadas de inside trading e manobras para fugir aos impostos.
Ironicamente, Thaksin, que criou o partido Thai Rak Thai (tailandeses amam tailandeses), tinha há pouco mais de um ano tido uma landslide victory, renovando e aumentando a maioria parlamentar para 374 assentos dos 500 lugares. No passado fim-de-semana, o mesmo homem obteve 57 por cento numas eleições em que não participaram os maiores partidos da oposição.
Populista, neo-autoritário, market-friendly, crony capitalist. Shinawatra foi um pouco diso tudo e algo mais. Antes de tudo já era o homem mais rico da Tailândia.
What's next?
“Moreover, if it becomes apparent that Thaksin is still pulling the strings behind government, protest leaders have already vowed to return to the streets. "This could be a trap," said PAD leader Sondhi soon after Thaksin's announcement. "We will reserve the right to judge if Thaksin is still pulling the strings from behind the scenes." He said the PAD will wait until April 30 before deciding the next move. And, as such, there are still big clouds over Thailand's political future.”
Shawn W Crispin in “In Thailand, Thaksin falls from grace”
Ironicamente, Thaksin, que criou o partido Thai Rak Thai (tailandeses amam tailandeses), tinha há pouco mais de um ano tido uma landslide victory, renovando e aumentando a maioria parlamentar para 374 assentos dos 500 lugares. No passado fim-de-semana, o mesmo homem obteve 57 por cento numas eleições em que não participaram os maiores partidos da oposição.
Populista, neo-autoritário, market-friendly, crony capitalist. Shinawatra foi um pouco diso tudo e algo mais. Antes de tudo já era o homem mais rico da Tailândia.
What's next?
“Moreover, if it becomes apparent that Thaksin is still pulling the strings behind government, protest leaders have already vowed to return to the streets. "This could be a trap," said PAD leader Sondhi soon after Thaksin's announcement. "We will reserve the right to judge if Thaksin is still pulling the strings from behind the scenes." He said the PAD will wait until April 30 before deciding the next move. And, as such, there are still big clouds over Thailand's political future.”
Shawn W Crispin in “In Thailand, Thaksin falls from grace”
Thaksin Out!

Thailand's embattled Prime Minister Thaksin Shinawatra says he is stepping down, and has urged Thais to re-unite after months of political crisis.
THAKSIN'S POLITICAL CRISIS
23 January: Thaksin sells 49.6% family stake in telecoms company Shin Corp
4 February: 50,000 attend rally in Bangkok demanding Thaksin's resignation; similar rallies continue in the capital
24 February: Thaksin dissolves parliament and calls snap election
27 February: Three main opposition parties say they will boycott the polls
2 April: Thais vote for new government amid opposition boycott
3 April: Thaksin says his Thai Rak Thai party has won more than 50% of vote
4 April: Thaksin says he will step down
"Thai prime minister to step aside" BBC.
Monday, April 03, 2006
Macau em números

Área:..........................................................27.5 km quadrados
População:.................................................488 144
PIB............................................................. 9,54 mil milhões de euros (6.7% crecimento em 2005)
PIB per capita............................................20 047 euros
salário mediano mensal..................................587 euros
salário médio mensal:.....................................602 euros
salário médio mensal
dos trabalhadores no sector do jogo:.........1 161 euros
Fontes: Serviços de Estatísticas Censos de Macau. Conversão: 9.7 patacas por euro.
Sunday, April 02, 2006
Friday, March 31, 2006
China threat
É recorrente olhar para a China como "the next big threat!", especialmente se tivermos em conta o que aconteceu aon longo da história com os poderes emergentes. Paul Kennedy em "The Rise and Fall of Great Powers" ou Jacek Krugler e Douglas Lemke em "Parity and War" analisam que ao longo dos tempos tem havido situações em que o poder hegemónico em queda e a potência emergente entram em conflito. Outros como George Modelski e William R. Thompson estabelecem a correlação entre a evolução da economia global e os poderes políticos em "Leading Sectors and World Powers".
No que diz respeito à China vão aparecendo alguns livros mais sensacionalistas como "The Coming Conflict with China", de Richard Bernstein e Ross H. Munro e artigos de "think tanks" ansiosos por se transformarem em self-fulfilling prophecies. Todas estas contribuições são enriquecedoras, mas naturalmente terão que ser articuladas com outras perspectivas. Neste vastíssimo campo de estudos, sublinho o papel de um dos académicos que mais e melhor olha para a política interna e externa da China: David Shambaugh. Num artigo elucidativo publicado na International Security - "China Engages Asia" - o co-editor de "Chinese Foreign Policy: Theory and Practice" (uma das bíblias dos estudiosos da política externa chinesa) argumenta:
“All Asian Nations and the United States must adjust to the new realities presented by China’s regional ascent. China need not to be feared or opposed, although some states may hedge against the potential for Chinese dominance. China«s interests and regional preferences may well coincide with those of its neighbours and the United States, providing opportunities for collaboration. The nascent tendency of some Asian states to bandwagon with Beijing is likely to become more manifest over time”
Acerca do papel dos modelos teóricos dominantes nas relações internacionais no entendimento do que se passa na Ásia e na relação de vários países asiáticos com a China – sempre tendo como contraponto ou complemento dos EUA, - Shambaugh sabiamente observa:
“Analysts and policymakers therefore need to employ multiple analytic tools and policy instruments to effectively understand and navigate the Asian region in the coming years. Realist theory seems particularly incapable of explaining such a complex and dynamic environment, and it tends to offer oversimplified (and sometimes dangerous) political prescriptions. Nor does liberal institutionalism fully suffice as an analytic paradigm. There are phenomena in Asia today that neither realist nor liberal international relations theory is able to capture, thus requiring deep grounding in area studies to be comprehended".
Ler "China Engages Asia", aqui.
No que diz respeito à China vão aparecendo alguns livros mais sensacionalistas como "The Coming Conflict with China", de Richard Bernstein e Ross H. Munro e artigos de "think tanks" ansiosos por se transformarem em self-fulfilling prophecies. Todas estas contribuições são enriquecedoras, mas naturalmente terão que ser articuladas com outras perspectivas. Neste vastíssimo campo de estudos, sublinho o papel de um dos académicos que mais e melhor olha para a política interna e externa da China: David Shambaugh. Num artigo elucidativo publicado na International Security - "China Engages Asia" - o co-editor de "Chinese Foreign Policy: Theory and Practice" (uma das bíblias dos estudiosos da política externa chinesa) argumenta:
“All Asian Nations and the United States must adjust to the new realities presented by China’s regional ascent. China need not to be feared or opposed, although some states may hedge against the potential for Chinese dominance. China«s interests and regional preferences may well coincide with those of its neighbours and the United States, providing opportunities for collaboration. The nascent tendency of some Asian states to bandwagon with Beijing is likely to become more manifest over time”
Acerca do papel dos modelos teóricos dominantes nas relações internacionais no entendimento do que se passa na Ásia e na relação de vários países asiáticos com a China – sempre tendo como contraponto ou complemento dos EUA, - Shambaugh sabiamente observa:
“Analysts and policymakers therefore need to employ multiple analytic tools and policy instruments to effectively understand and navigate the Asian region in the coming years. Realist theory seems particularly incapable of explaining such a complex and dynamic environment, and it tends to offer oversimplified (and sometimes dangerous) political prescriptions. Nor does liberal institutionalism fully suffice as an analytic paradigm. There are phenomena in Asia today that neither realist nor liberal international relations theory is able to capture, thus requiring deep grounding in area studies to be comprehended".
Ler "China Engages Asia", aqui.
Novas regras para comentários
Estimados leitores,
Em face do que tem acontecido nalgumas caixas de comentários, a partir de hoje apenas quem tiver registo poderá escrever comentários. Quanto à extensão dos comentários, apenas serão admitidos comentários de curta média dimensão - nada de lençóis, nem citações intermináveis. Por outro lado, mensagens que incitam ao ódio ou insultos gratuitos também não terão lugar.
Peço desculpa pelo incómodo, mas certamente que compreendem.
Mais uma vez, muito obrigado por passarem por este blogue que ultimamente anda menos actualizado, por diversos afazeres. Mesmo assim, procurarei manter um ritmo regular de "postagem".
Os melhores cumprimentos,
A Gerência
Em face do que tem acontecido nalgumas caixas de comentários, a partir de hoje apenas quem tiver registo poderá escrever comentários. Quanto à extensão dos comentários, apenas serão admitidos comentários de curta média dimensão - nada de lençóis, nem citações intermináveis. Por outro lado, mensagens que incitam ao ódio ou insultos gratuitos também não terão lugar.
Peço desculpa pelo incómodo, mas certamente que compreendem.
Mais uma vez, muito obrigado por passarem por este blogue que ultimamente anda menos actualizado, por diversos afazeres. Mesmo assim, procurarei manter um ritmo regular de "postagem".
Os melhores cumprimentos,
A Gerência
Wednesday, March 29, 2006
Reequilíbrios II
A edição desta semana da Economist traz um dossier imperdível sobre a China. Eis algumas pistas interessantes:
"China's growth and increasing confidence is also beginning to affect the way is behaves on the world stage. If only tentatively so far, it is beginning to act like a big power. A country that once preferred to stay clear of multilateral diplomacy is now at the center of multilateral efforts to persuade North Korea to abandon its nuclear-weapons programmes."
"Political reform matters. Without it, it is hard to imagine how China could make the kind of stable transition to democracy that Taiwan has achieved; and an unstable China is more likely to pose threat to the world".
"China's growth and increasing confidence is also beginning to affect the way is behaves on the world stage. If only tentatively so far, it is beginning to act like a big power. A country that once preferred to stay clear of multilateral diplomacy is now at the center of multilateral efforts to persuade North Korea to abandon its nuclear-weapons programmes."
"Political reform matters. Without it, it is hard to imagine how China could make the kind of stable transition to democracy that Taiwan has achieved; and an unstable China is more likely to pose threat to the world".
Tuesday, March 28, 2006
Reequilíbrios
Vale a pena prestar mais atenção ao que está escrito no Plano Quinquenal 2006-2010. Um dos aspectos mais importantes tema ver com a mudança de perfil do crescimento económico que a China pretende adoptar. O PIB da República Popular da China deverá deixar de estar apenas ancorado no investimento e nas exportações, para ter uma fatia cada vez mais importante ao nível do consumo interno. Ou seja, a China deixará de ser apenas a fábrica do mundo para passar a ser igualmente um mercado de consumidores, que com a ascenção social proveniente das reformas económicas iniciadas há 25 anos por Deng Xiaping, passarão a ter um poder de compra cada vez mais elevado. Por outro lado, o estado passará a colocar em prática instrumentos de correcção das desigualdades (ainda que de forma limitada), o que terá duas funções primordiais: primeiramente providenciar uma rede de apoio na segurança social e nos cuidados médicos; em segundo lugar, libertar rendimentos para o consumo. E isto terá naturalmente efeitos a nível global: Stephen Roach, economista-cehe da Morgan Stanley destaca três efeitos potenciais deste novo equilíbrio: a baixa de preços de matérias-primas, valorização da moeda chinesa e aparecimento do consumidor chinês.
"a redução do ritmo de crescimento do investimento temperará o impacto da China em muitos mercados de matérias-primas.
Por exemplo, em 2005, a China representou 25 por cento da procura mundial de alumínio e entre 30 a 35 por cento do consumo global de cobre, ferro, aço e carvão.
No caso concreto do petróleo, o esforço chinês de conservação de energia - há uma meta de redução de 20 por cento do conteúdo em energia na produção em cinco anos - pode amplificar as tendências para a baixa nos preços do petróleo dos produtos refinados.
Em segundo lugar, a valorização da moeda favoreceria o consumo e reduziria o excedente comercial, o que aliviaria as tensões proteccionistas anti-chinesas em crescendo no comércio internacional.
Esta evolução beneficiaria Japão, Taiwan e Coreia do Sul, entende Roach.
O terceiro impacto potencial mencionado é o aparecimento do consumidor chinês, que deve ser "a história principal dos próximos três a cinco anos".
A liderança chinesa, realça, admite que este cenário tem riscos, o principal dos quais é o da instabilidade, vista como "o constrangimento principal ás reformas e ao desenvolvimento da China".
Desde 1997, as empresas estatais já reduziram o seu efectivo laboral em 60 milhões de pessoas.
Esta redução massiva de emprego público tem sido compensada com um crescimento económico acelerado.
A questão, agora, é saber se a redução da taxa de crescimento para os 7,5 por cento ao ano nos próximos cinco anos é compatível com a reorganização do sector empresarial público.
Roach admite que sim, uma vez que as reformas das empresas públicas já estão avançadas e que o ritmo de redução de pessoal baixou para dois milhões por ano". (Lusa)
"a redução do ritmo de crescimento do investimento temperará o impacto da China em muitos mercados de matérias-primas.
Por exemplo, em 2005, a China representou 25 por cento da procura mundial de alumínio e entre 30 a 35 por cento do consumo global de cobre, ferro, aço e carvão.
No caso concreto do petróleo, o esforço chinês de conservação de energia - há uma meta de redução de 20 por cento do conteúdo em energia na produção em cinco anos - pode amplificar as tendências para a baixa nos preços do petróleo dos produtos refinados.
Em segundo lugar, a valorização da moeda favoreceria o consumo e reduziria o excedente comercial, o que aliviaria as tensões proteccionistas anti-chinesas em crescendo no comércio internacional.
Esta evolução beneficiaria Japão, Taiwan e Coreia do Sul, entende Roach.
O terceiro impacto potencial mencionado é o aparecimento do consumidor chinês, que deve ser "a história principal dos próximos três a cinco anos".
A liderança chinesa, realça, admite que este cenário tem riscos, o principal dos quais é o da instabilidade, vista como "o constrangimento principal ás reformas e ao desenvolvimento da China".
Desde 1997, as empresas estatais já reduziram o seu efectivo laboral em 60 milhões de pessoas.
Esta redução massiva de emprego público tem sido compensada com um crescimento económico acelerado.
A questão, agora, é saber se a redução da taxa de crescimento para os 7,5 por cento ao ano nos próximos cinco anos é compatível com a reorganização do sector empresarial público.
Roach admite que sim, uma vez que as reformas das empresas públicas já estão avançadas e que o ritmo de redução de pessoal baixou para dois milhões por ano". (Lusa)
Monday, March 27, 2006
Libertem-no

Hao Wu, realizador e blogger chinês, foi detido, sem culpa formada, pelas autoridades, há mais de um mês.
"Hao Wu (Chinese name: 吴皓), a Chinese documentary filmmaker who lived in the U.S. between 1992 and 2004, was detained by the Beijing division of China’s State Security Bureau on the afternoon of Wednesday, Febuary 22, 2006. On that afternoon, Hao had met in Beijing with a congregation of a Christian church not recognized by the Chinese government, as part of the filming of his next documentary."
"The reason for Hao’s detention is unknown. One of the possibilities is that the authorities who detained Hao want to use him and his video footage to prosecute members of China’s underground Churches"
Ler mais em Free Hao Wu.
Sunday, March 26, 2006
Leituras Dominicais
"How to make China even richer", The Economist.
"China gets its pound of Russian flesh", Patrick G Moore no Asia Times.
"The new globalisation guru?" New Statesman.
"Low Costs, Plentiful Talent Make China a Global Magnet for R&D", Kathy Chen, Wall Street Journal via Yale Global.
"China gets its pound of Russian flesh", Patrick G Moore no Asia Times.
"The new globalisation guru?" New Statesman.
"Low Costs, Plentiful Talent Make China a Global Magnet for R&D", Kathy Chen, Wall Street Journal via Yale Global.
Friday, March 24, 2006
Nova Guerra Fria?
Escreve AAA no Observador e no Insurgente, acerca da emergência da China:
"Quais as ilações de tudo isto? A primeira é que o mundo unipolar (no qual apenas os EUA projectam poder) acabou. Naturalmente que os efeitos se sentirão apenas a prazo, mas a realidade é já bastante diferente da que tínhamos na última década do século XX. A segunda Guerra Fria (como lhe chama Robert Kaplan) começou; um novo equilíbrio de forças está a surgir e o mercado das alianças anda ao rubro"
Julgo que é desajustada a expressão utilizada por Kagan, no entanto é nítida a nova dinâmica de alianças na Ásia, muitas vezes cruzadas com várias facetas, daí que subscreva que "o mercado de alianças está ao rubro". Em especial a expressão mercado. A unipolaridade norte-americana é recorrentemente desafiada pela China, não através de acções ou declarações hostis, mas por intermédio do reforço de uma rede de alianças e parcerias de índole económico com o sudeste asiático, a Ásia Central ou a Rússia, já para não falar da estratégia chinesa para a América Latina (que está a levantar os cabelos a Washington). Há um factor determinante, que de resto é óbvio. A necessidade da China diversificar as fontes energéticas. Por outro lado, os países com quem Pequim reforça os laços comerciais sabem que têm muito a ganhar no acesso ao crescente mercado de consumo chinês. A rede de interdependência que está está a ser tecida por Pequim - mais devido a uma necessidade e aos inetresses nacionais do que a uma crença idealista no multilateralismo - terá consequências difíceis de prever.
Numa análise realista poderemos antecipar uma nova distribuição de poder no sistema internacional, em que a China lutará, minime, pela manutenção do status quo, ou, maxime, pela maximização do seu poder (no sentido lato). Contudo muitas questões se entrecruzam nesta análise: é preciso não só olhar para o impacto que a China tem e terá nas relações internacionais, mas também vice-versa. A adesão às instituições multilaterais implica a transformação interna ao nível da accountability do seu sistema financeiro, do estado de direito e da construção de uma identidade inetrsubjectiva, com o aumento da interacção multilateral. Acrescente-se ainda que não podemos ter uma visão fechada sobre os actores nas relações internacionais, olhando apenas par os estados - há que vislumbrar a complexidade das relações estado-mercado-indústria militar-energia.
Um dos hábitos (vícios, para alguns) realistas é olhar constantemente para a história em busca de analogias e constância de comportamentos de um estado emergente num determinado contexto. Avery Goldstein, académico da linha (mas também crítico) de Kenneth Waltz tem escrito sobre a Grande Estratégia da China, colocando ênfase ao comportamento da diplomacia chinesa desde 1996. Para Goldstein, a China de hoje assemelha-se ao que designa de "Neo-Bismarkismo". Tendo eu dúvudas quanto a esta categorização, julgo ser interessante ler a seguinte passagem:
"The real danger, or more troubling possibly, is not that China will abandon its neo-Bismarkian strategy in favour of an ambitious, expansionist crusade, but that unintended consequences in might follow from the strategy's success. Like its nineteenth-century forerunner, the neo-Bismarkian approach entails extensive and intensive linkages among states with competitive and common interests. As long as relations are more cooperative than conflictive, fostering tight interdependence may be attractive. But the risk in this sort of arrangements is that when problems emerge they ripple through the system in unpredictable ways that defy efforts at management"
Avery Goldstein, "An Emerging China's Grand Strategy", in G. John Ikenberry and Michael Mastaduno (ed), International Relations Theory and the Asia Pacific, p.86
"Quais as ilações de tudo isto? A primeira é que o mundo unipolar (no qual apenas os EUA projectam poder) acabou. Naturalmente que os efeitos se sentirão apenas a prazo, mas a realidade é já bastante diferente da que tínhamos na última década do século XX. A segunda Guerra Fria (como lhe chama Robert Kaplan) começou; um novo equilíbrio de forças está a surgir e o mercado das alianças anda ao rubro"
Julgo que é desajustada a expressão utilizada por Kagan, no entanto é nítida a nova dinâmica de alianças na Ásia, muitas vezes cruzadas com várias facetas, daí que subscreva que "o mercado de alianças está ao rubro". Em especial a expressão mercado. A unipolaridade norte-americana é recorrentemente desafiada pela China, não através de acções ou declarações hostis, mas por intermédio do reforço de uma rede de alianças e parcerias de índole económico com o sudeste asiático, a Ásia Central ou a Rússia, já para não falar da estratégia chinesa para a América Latina (que está a levantar os cabelos a Washington). Há um factor determinante, que de resto é óbvio. A necessidade da China diversificar as fontes energéticas. Por outro lado, os países com quem Pequim reforça os laços comerciais sabem que têm muito a ganhar no acesso ao crescente mercado de consumo chinês. A rede de interdependência que está está a ser tecida por Pequim - mais devido a uma necessidade e aos inetresses nacionais do que a uma crença idealista no multilateralismo - terá consequências difíceis de prever.
Numa análise realista poderemos antecipar uma nova distribuição de poder no sistema internacional, em que a China lutará, minime, pela manutenção do status quo, ou, maxime, pela maximização do seu poder (no sentido lato). Contudo muitas questões se entrecruzam nesta análise: é preciso não só olhar para o impacto que a China tem e terá nas relações internacionais, mas também vice-versa. A adesão às instituições multilaterais implica a transformação interna ao nível da accountability do seu sistema financeiro, do estado de direito e da construção de uma identidade inetrsubjectiva, com o aumento da interacção multilateral. Acrescente-se ainda que não podemos ter uma visão fechada sobre os actores nas relações internacionais, olhando apenas par os estados - há que vislumbrar a complexidade das relações estado-mercado-indústria militar-energia.
Um dos hábitos (vícios, para alguns) realistas é olhar constantemente para a história em busca de analogias e constância de comportamentos de um estado emergente num determinado contexto. Avery Goldstein, académico da linha (mas também crítico) de Kenneth Waltz tem escrito sobre a Grande Estratégia da China, colocando ênfase ao comportamento da diplomacia chinesa desde 1996. Para Goldstein, a China de hoje assemelha-se ao que designa de "Neo-Bismarkismo". Tendo eu dúvudas quanto a esta categorização, julgo ser interessante ler a seguinte passagem:
"The real danger, or more troubling possibly, is not that China will abandon its neo-Bismarkian strategy in favour of an ambitious, expansionist crusade, but that unintended consequences in might follow from the strategy's success. Like its nineteenth-century forerunner, the neo-Bismarkian approach entails extensive and intensive linkages among states with competitive and common interests. As long as relations are more cooperative than conflictive, fostering tight interdependence may be attractive. But the risk in this sort of arrangements is that when problems emerge they ripple through the system in unpredictable ways that defy efforts at management"
Avery Goldstein, "An Emerging China's Grand Strategy", in G. John Ikenberry and Michael Mastaduno (ed), International Relations Theory and the Asia Pacific, p.86
Thursday, March 23, 2006
Wednesday, March 22, 2006
Uma sugestão
Para quem está em Portugal.
A ascensão da China: que dilemas?
Universidade do Minho 28 e 29 de Março Auditório A1
Campus de Gualtar Braga
Com a presença de: Ana Cristina Alves, Moisés Silva Fernandes , Cármen Amado Mendes , Franco Algieri, Luís Filipe Lobo-Fernandes, Miguel Santos Neves, Luís Leitão Tomé, Dora Martins, Heitor Romana , entre outros.
Em debate estão assuntos como a Política Interna Chinesa, Geopolítica Chinesa, Política Externa Chinesa, As Relações Luso – Chinesas – Macau, O Impacto da abertura da economia chinesa em Portugal ou O Impacto da abertura da economia chinesa no Ocidente.
A ascensão da China: que dilemas?
Universidade do Minho 28 e 29 de Março Auditório A1
Campus de Gualtar Braga
Com a presença de: Ana Cristina Alves, Moisés Silva Fernandes , Cármen Amado Mendes , Franco Algieri, Luís Filipe Lobo-Fernandes, Miguel Santos Neves, Luís Leitão Tomé, Dora Martins, Heitor Romana , entre outros.
Em debate estão assuntos como a Política Interna Chinesa, Geopolítica Chinesa, Política Externa Chinesa, As Relações Luso – Chinesas – Macau, O Impacto da abertura da economia chinesa em Portugal ou O Impacto da abertura da economia chinesa no Ocidente.
Tuesday, March 21, 2006
Mário Telò
"Há duas opções: ou a política de contenção do crescimento e isolamento ou diálogo multilateral. A UE escolheu a segunda opção. Os Estados Unidos estão incertos, às vezes escolhem o diálogo multilateral, através da Organização Mundial do Comércio, outras optam pela contenção, na maneira como lidam com a questão de Taiwan, Coreia do Norte, a aliança estranha com o Japão ou através da presença militar no Afeganistão, Iraque. Há uma espécie de cerco feito pelos EUA à China, o que faz com que Pequim sinta insegurança e alguma desconfiança face às verdadeiras intenções de Washington. Já a Europa é bem mais clara nas suas intenções"
"O problema está em opor competitividade a coesão social. Não podemos ter competitividade sem coesão social, porque isso criaria o declínio da Europa. Só a coesão social sem competitividade provocaria o proteccionismo, a Europa Fortaleza a defender-se do mundo exterior, afastada da dinâmica da globalização. E qual é, então, a solução para este problema? A resposta está na Estratégia de Lisboa que procura combinar a inovação tecnológica e a sociedade do conhecimento com a coesão social"
"Seria um paradoxo que o país que inventou a Estratégia de Lisboa fosse aquele que a não conseguia aplicar. Portugal precisa de inovação. Foi capaz de inovar nos anos noventa e nos anos oitenta depois da entrada na Comunidade Europeia"
"a Europa tem poder como Marte. Não é uma entidade civil, é um poder civil. Poder é ter a capacidade de influenciar a decisão dos outros mesmo contra a vontade deles. Isso é poder. A Europa pode fazê-lo através de meios civis como o comércio, cooperação com países em desenvolvimento, ajuda humanitária, mudando o ambiente das relações internacionais. Multilateralismo, exportando multilateralismo para a Mercosur, ASEAN, cooperação regional em África. Esta é a maneira como a Europa exporta esta ideia multilateral de resolução de conflitos por meios pacíficos"
Entrevista publicada no jornal Hoje Macau
"O problema está em opor competitividade a coesão social. Não podemos ter competitividade sem coesão social, porque isso criaria o declínio da Europa. Só a coesão social sem competitividade provocaria o proteccionismo, a Europa Fortaleza a defender-se do mundo exterior, afastada da dinâmica da globalização. E qual é, então, a solução para este problema? A resposta está na Estratégia de Lisboa que procura combinar a inovação tecnológica e a sociedade do conhecimento com a coesão social"
"Seria um paradoxo que o país que inventou a Estratégia de Lisboa fosse aquele que a não conseguia aplicar. Portugal precisa de inovação. Foi capaz de inovar nos anos noventa e nos anos oitenta depois da entrada na Comunidade Europeia"
"a Europa tem poder como Marte. Não é uma entidade civil, é um poder civil. Poder é ter a capacidade de influenciar a decisão dos outros mesmo contra a vontade deles. Isso é poder. A Europa pode fazê-lo através de meios civis como o comércio, cooperação com países em desenvolvimento, ajuda humanitária, mudando o ambiente das relações internacionais. Multilateralismo, exportando multilateralismo para a Mercosur, ASEAN, cooperação regional em África. Esta é a maneira como a Europa exporta esta ideia multilateral de resolução de conflitos por meios pacíficos"
Entrevista publicada no jornal Hoje Macau
Monday, March 20, 2006
Espaço Público
O exercício da cidadania está indelevelmente ligado à noção de espaço público. A ideia remonta, pelo menos, à antiguidade clássica, à noção de “ágora” como espaço inserido na “pólis” onde era exercida a cidadania. Os exemplos que nos vêm á mente são desde logo as estradas, as ruas, os parques ou os jardins.
Numa outra vertente, a escola crítica introduziu o conceito de esfera pública, sede de interacção de um sujeito com o outro, ou a sociedade, algo de importante para a construção da identidade. Habermas fala do “Offenrlichkeit” iluminista, racional, que permitiu a emergência de uma opinião pública e o exercício da cidadania e, consequentemente, de uma certa ideia de democracia. Entretanto, muita coisa mudou, mas o princípio e o conceito continua válido, aplicado às novas realidades.
Por aqui, por vezes. parece que estamos ainda numa era pré-iluminista.
Em Macau vive-se uma situação aparentemente paradoxal. Se, por um lado, as autoridades cerram o punho face à “incivilidade” no espaço público – multas mais pesadas para quem cuspir no chão ou para quem deixar o ar condicionado a pingar para a rua, etc – por outro destroem-se espaços verdes ou decide-se demolir edifícios como a sede da Assembleia Legislativa, num abrir e fechar de olhos, sem vergonha, sem dramas que eles (construtores, operadoras de jogo, de hotéis, etc) precisam de espaço. E o que impressiona (ou talvez não) é a ausência de uma consciência colectiva de preservação do espaço público. Até agora subsistem apenas focos de indignação.
Mas provavelmente para compreender isto convém olhar para trás, como faz Dieter Hassenpflug:
“While the old European city, according to its bourgeois culture, tends to “turn its inside out” by staging public spaces (see the “theatre of facades” of markets and main streets), the old Chinese cities have been introverted (similar to arab cities). Inner courtyard gardens could serve for balancing urban density and hectic pace. However, they provided this only for the small circle of privileged families. Even the use of the city gates, of streets and quarters, were assigned to the different classes in accordance with their rank” (...)
Mas isto não pode ser encarado como uma espécie de path dependence - Percebe-se que algo está a mudar.
E será que os ventos da mudança chegam a este dragão liliputiano à Beira-China plantado? E se chegarem que força terão?
Numa outra vertente, a escola crítica introduziu o conceito de esfera pública, sede de interacção de um sujeito com o outro, ou a sociedade, algo de importante para a construção da identidade. Habermas fala do “Offenrlichkeit” iluminista, racional, que permitiu a emergência de uma opinião pública e o exercício da cidadania e, consequentemente, de uma certa ideia de democracia. Entretanto, muita coisa mudou, mas o princípio e o conceito continua válido, aplicado às novas realidades.
Por aqui, por vezes. parece que estamos ainda numa era pré-iluminista.
Em Macau vive-se uma situação aparentemente paradoxal. Se, por um lado, as autoridades cerram o punho face à “incivilidade” no espaço público – multas mais pesadas para quem cuspir no chão ou para quem deixar o ar condicionado a pingar para a rua, etc – por outro destroem-se espaços verdes ou decide-se demolir edifícios como a sede da Assembleia Legislativa, num abrir e fechar de olhos, sem vergonha, sem dramas que eles (construtores, operadoras de jogo, de hotéis, etc) precisam de espaço. E o que impressiona (ou talvez não) é a ausência de uma consciência colectiva de preservação do espaço público. Até agora subsistem apenas focos de indignação.
Mas provavelmente para compreender isto convém olhar para trás, como faz Dieter Hassenpflug:
“While the old European city, according to its bourgeois culture, tends to “turn its inside out” by staging public spaces (see the “theatre of facades” of markets and main streets), the old Chinese cities have been introverted (similar to arab cities). Inner courtyard gardens could serve for balancing urban density and hectic pace. However, they provided this only for the small circle of privileged families. Even the use of the city gates, of streets and quarters, were assigned to the different classes in accordance with their rank” (...)
Mas isto não pode ser encarado como uma espécie de path dependence - Percebe-se que algo está a mudar.
E será que os ventos da mudança chegam a este dragão liliputiano à Beira-China plantado? E se chegarem que força terão?
Sunday, March 19, 2006
Meanwhile in Hong Kong
Foi criado um novo Partido, chama-se Civic Party e defende que Hong está preparada para o sufrágio directo e universal, hoje, ontem ou anteontem.
"Hong Kong is ready for universal suffrage, for now, yesterday and the day before yesterday. Setting any timetable is even too late"
O ambiente começa aquecer a um ano da "eleição" do próximo chefe do executivo.
"Hong Kong is ready for universal suffrage, for now, yesterday and the day before yesterday. Setting any timetable is even too late"
O ambiente começa aquecer a um ano da "eleição" do próximo chefe do executivo.
Saturday, March 18, 2006
contenção de palavras
Condoleeza Rice quis deixar claro que os Estados Unidos não pretendem prosseguir uma política de contenção do crescimento da China, numa entrevista a uma Rádio Australiana. Percebe-se que Washington evite utilizar uma linguagem de confronto com a China dado que a profundidade da interdependência económica entre os dois países é complexa. Se o discurso é este, a prática diverge um pouco. A Aliança coma Índia e o recente acordo nuclear ou o teor das reuniões que a secretária de estado teve na região, com a Indonésia e a Austrália, a par de afirmações como esta:
(...) all of us in the region, particularly those of us who are long-standing allies, have a joint responsibility and obligation to try [to] produce conditions in which the rise of China will be a positive force in international politics, not a negative force.
são factores que fortalecem o sentimento de “encirclement” que a China sente face a Washington. Por exemplo, alguns analistas consideram que o tipo de aliança trilateral EUA-Japão-Aiustrália poderá evoluir para uma espécie de mini-NATO na região.
Neste contexto, saliento o que Purnendra Jain escreve no Asia Times:
Proliferation of trilateral frameworks with major powers participating in them would have serious consequences on the current security architecture. For example, they would undermine the ARF process and smaller nations in Southeast Asia would have no effective security forum where they could express their concerns and feel confident that their voice would make a difference. No doubt growing worries about terrorism and about nuclear developments in the Korean Peninsula, the Indian subcontinent and the Middle East have placed new demands on regional leaders. However, it is not necessarily politically sensible for a select group of nations to band together and exclude others - a Cold War-type response. A cooperative and inclusive framework rather than exclusion and containment would be a better way forward.
(...) all of us in the region, particularly those of us who are long-standing allies, have a joint responsibility and obligation to try [to] produce conditions in which the rise of China will be a positive force in international politics, not a negative force.
são factores que fortalecem o sentimento de “encirclement” que a China sente face a Washington. Por exemplo, alguns analistas consideram que o tipo de aliança trilateral EUA-Japão-Aiustrália poderá evoluir para uma espécie de mini-NATO na região.
Neste contexto, saliento o que Purnendra Jain escreve no Asia Times:
Proliferation of trilateral frameworks with major powers participating in them would have serious consequences on the current security architecture. For example, they would undermine the ARF process and smaller nations in Southeast Asia would have no effective security forum where they could express their concerns and feel confident that their voice would make a difference. No doubt growing worries about terrorism and about nuclear developments in the Korean Peninsula, the Indian subcontinent and the Middle East have placed new demands on regional leaders. However, it is not necessarily politically sensible for a select group of nations to band together and exclude others - a Cold War-type response. A cooperative and inclusive framework rather than exclusion and containment would be a better way forward.
Wednesday, March 15, 2006
Ideias feitas, refeitas e desfeitas
É comum dizer-se que a China já não é – alguma vez foi?- um país comunista. É também um dado adquirido que a ideologia deu lugar ao pragmatismo económico no “Império do Meio” e que o Partido Comunista Chinês mais não é que uma entidade blindada em que, apesar de coexistirem tendências mais conservadoras e mais “liberalizantes”, é uma entidade quasi-monolítica em que as poucas divergências assentam nas rivalidades na estrutura burocrática.
O problema consiste em caracterizar o regime, nomeadamente com as lentes ocidentais. Pondo de parte a propaganda oficial do “socialismo de mercado com características chinesas”, será que estamos perante um regime social-conficionista? Um modelo neo-autoritário “developmentalist”? Um capitalismo burocrático de estado de fachada socialista com bolsas de economia de mercado completamente desreguladas socialmente?
Talvez um pouco disto tudo e algo mais. Agora, classificá-lo de Neo-Leninista é que não lembra ao...
Behind the glowing headlines are fundamental frailties rooted in the Chinese neo-Leninist state. Unlike Maoism, neo-Leninism blends one-party rule and state control of key sectors of the economy with partial market reforms and an end to self-imposed isolation from the world economy
The neo-Leninist state practices elitism, draws its support from technocrats, the military, and the police, and co-opts new social elites (professionals and private entrepreneurs) and foreign capital—all vilified under Maoism. Neo-Leninism has rendered the ruling Chinese Communist Party more resilient but has also generated self-destructive forces
Minxin Pei, em "The Dark Side of China’s Rise”
O problema consiste em caracterizar o regime, nomeadamente com as lentes ocidentais. Pondo de parte a propaganda oficial do “socialismo de mercado com características chinesas”, será que estamos perante um regime social-conficionista? Um modelo neo-autoritário “developmentalist”? Um capitalismo burocrático de estado de fachada socialista com bolsas de economia de mercado completamente desreguladas socialmente?
Talvez um pouco disto tudo e algo mais. Agora, classificá-lo de Neo-Leninista é que não lembra ao...
Behind the glowing headlines are fundamental frailties rooted in the Chinese neo-Leninist state. Unlike Maoism, neo-Leninism blends one-party rule and state control of key sectors of the economy with partial market reforms and an end to self-imposed isolation from the world economy
The neo-Leninist state practices elitism, draws its support from technocrats, the military, and the police, and co-opts new social elites (professionals and private entrepreneurs) and foreign capital—all vilified under Maoism. Neo-Leninism has rendered the ruling Chinese Communist Party more resilient but has also generated self-destructive forces
Minxin Pei, em "The Dark Side of China’s Rise”
Tuesday, March 14, 2006
"The Dark Side of China’s Rise"
Este artigo, publicado no site da Foreign Policy, tem limitações analíticas e conceptuais, mas não deixa de levantar questões muito imporantes. As respostas soam a algo de alarmista. Anyway, it is worthy to read it attentively.
Monday, March 13, 2006
As faces da história (ainda e sempre)

Os primeiros portugueses a aventurarem-se no Império do Meio terão sido ‘manipulados’ pelos chineses para se estabelecerem em Macau. É a tese agora apresentada em Lisboa pelo investigador Jin Guo Ping, num debate sobre os primeiros séculos da presença portuguesa na China. Também a polémica sobre a passagem ou não de Camões por Macau ficou a marcar o primeiro Fórum Internacional de Sinologia
João Paulo Meneses no Ponto Final
Sunday, March 12, 2006
Leituras Dominicais
"China frets over nuclear 'double standard'", Antoaneta Bezlova no Asia Times.
"China's policy is to preserve death penalty", China Daily.
"China Risks Environmental Collapse, State Official Warns", Washington Post.
"China's policy is to preserve death penalty", China Daily.
"China Risks Environmental Collapse, State Official Warns", Washington Post.
Saturday, March 11, 2006
A saúde como Bem Público Global
Numa altura em que a gripe das aves assusta meio mundo, vale a pena olhar para o passado recente. Tal como o vírus H5N1, também a peneumonia a atípica teve origem no Sul da China.
Há três anos eram evidentes as falhas e as ineficiências do sistema de vigilância de doenças infecciosas na China. Será que foi aprendida a lição?
"Health as a Global Public Good: SARS in China and Global Health Governance " é um pequeno ensaio que procura dar algumas respostas e, acima de tudo, lançar algumas perguntas sobre o que correu mal em 2002 e 2003. O texto, escrito há quase dois anos, é publicado no "Sínico Esclarecido", um blogue-irmão - reactivado - onde coloco textos mais extensos.
Há três anos eram evidentes as falhas e as ineficiências do sistema de vigilância de doenças infecciosas na China. Será que foi aprendida a lição?
"Health as a Global Public Good: SARS in China and Global Health Governance " é um pequeno ensaio que procura dar algumas respostas e, acima de tudo, lançar algumas perguntas sobre o que correu mal em 2002 e 2003. O texto, escrito há quase dois anos, é publicado no "Sínico Esclarecido", um blogue-irmão - reactivado - onde coloco textos mais extensos.
Energy Supply Security Policy EU and China in Central Asia VI
China’s energy supply policies for Central Asia
The Chinese authorities have regarded the important bulk of oil and natural gas in the Caspian region as a way to stabilize and diversify its energy supply. This is as important as China is already the world’s second largest consumer of primary energy, the third largest energy producer and since 1990 a net importer of energy, from 1993 onwards a net importer of oil products and since 1996 of crude oil. In 2003 China accounted for 41 percent of the world’s oil demand. Overall the consumption of oil, gas, coal and nuclear power expanded more than 10 percent in 2003.[1] According to the EIA International Energy Outlook 2002, China is expected to more than double it oil consumption in 2020 (by then China shall reach 46 percent of US consumption in aggregate terms) comparing with the figures in 1999, from 4.3 MMbbl per day to 10.5, at an annual average growth of 4.3 percent. In the case of natural gas the growth is even more dramatic, from 0.9 tcf in 1999 to 6.4 tcf in 2020, at an annual average increase of 10.1 percent. Moreover in 2030 China’s share of imported oil demand will raise from 34 percent in 2001 to 82 percent in 2030. These are the effects of the constant high growth of the Chinese economy since the beginning of the economic reforms of Deng Xiaoping 1978. This means that energy supply security is a serious issue for Beijing as the dependence [2] form overseas supply is expanding. To tackle this challenge China is developing several initiatives to maintain energy supplies, deepening bilateral links with key energy producers. China has been acquiring interest in exploration and production abroad. China National Petroleum Corporation has acquired oil concessions in Kazakhstan, Venezuela, Sudan, Iraq, Iran, and Peru, and Azerbaijan. China National Offshore Oil Company also has purchased an upstream equity stake in the Malacca Strait oilfield in Indonesia. Addressing the Middle East, China and the Gulf Co-operation Council (GCC) signed in Beijing the Framework of Economic, Trade, Investment and Technological Co-operation in order to set up a Free Trade Area. The official press unveils that “impending a free trade area (FTA) negotiations between China and the Gulf countries are expected to diversify China's oil imports and help Gulf nations reduce US dominance in the region.”[3] The proactive policy of China in this field can be seen in the Asia Cooperation Dialogue (ACD), a forum with twenty-two countries from South Asia, Southeast Asia and Northeast Asia, created in 2002. In 2004, the ACD forum was held in Qindao in China where the foreign affairs ministers of both exporters and importers set up the “Qindao initiative” on energy security and energy cooperation, pledging to stockpile strategic reserves, a regional energy transportation network[4]. In Central Asia, besides the regional framework of the SCO to guarantee security, cross border stability and to combat terrorism, fundamentalism, separatism and other cross border crimes, China has its own bilateral links with Central Asian and Caspian nations in order to diversify its oil and gas supply. Kazakhstan is the most important partner of China in this issue. Thus Beijing launched a bridge for a deeper cooperation in 2004, through the signature of a join declaration in which the Chinese President, Hu Jintao, and the President of Kazakhstan, Nursultan Abishevich Nazarbayev, agreed on the strengthening of economic, commercial and political links. In the joint declaration, besides pledges for mutual investment, bilateral exchanges on educational programmes, culture, sports or technological cooperation, the key words are about energy supply security policies and cooperation. Hence, Kazakhstan promises to support Chinese enterprises to take part in the oil and natural gas exploration in the Caspian Sea region, following the agreement signed in 1997 to build a 3000 kilometers long oil and natural gas pipeline from the Caspian Sea to inland China through the Northwest province of Xinjiang Uygur Autonomous Region – from the Caspian Sea Continental shelf, via Atasu (Kazakhstan) to Alataw Pas in Xinjiang. This mammoth project is expected to cost between 2.5 billion and 3 billion US dollars and the purpose is to transmit at least 20 million tons of crude annually.[5] China plans to construct in the mainland two important oil pipelines: from Shanshan in Xijiang to Lanzhou in Gansu Province and from Urumri in Xinjiang to Lanzhou, to transport oil from the rich oil fields of the west – 30 percent of China’s total oil reserves – to the costal areas, where the industrial development and the consumption is higher.
[1]“World Reserves of Oil, Gas in Good Shape” China Daily July 1, 2004
[2] Half of China's imported oil comes from the Middle East, with Saudi Arabia alone accounting for 17 percent in 2003.
[3] “FTA to help diversify China's energy sources”, Xinhua News Agency, 15-07-2004: http://news3.xinhuanet.com/english/2004-07/15/content_1604183.htm
[4] “ACD pledges to ensure energy security”, Xinhua News Agency, 22-06-2004.
[5] “Ancient Silk Road becomes oil route” Xinhua News Agency, 19-05-2004
Recapitulando:
Europe and China in Central Asia:Energy Supply Security
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Oil and Natural Gas in Central Asia
China's Diplomacy towards Central Asia
Excertos adaptados de um ensaio escrito no âmbito doMaster in European Studies do Instituto de Estudos Europeus de Macau.2004.
The Chinese authorities have regarded the important bulk of oil and natural gas in the Caspian region as a way to stabilize and diversify its energy supply. This is as important as China is already the world’s second largest consumer of primary energy, the third largest energy producer and since 1990 a net importer of energy, from 1993 onwards a net importer of oil products and since 1996 of crude oil. In 2003 China accounted for 41 percent of the world’s oil demand. Overall the consumption of oil, gas, coal and nuclear power expanded more than 10 percent in 2003.[1] According to the EIA International Energy Outlook 2002, China is expected to more than double it oil consumption in 2020 (by then China shall reach 46 percent of US consumption in aggregate terms) comparing with the figures in 1999, from 4.3 MMbbl per day to 10.5, at an annual average growth of 4.3 percent. In the case of natural gas the growth is even more dramatic, from 0.9 tcf in 1999 to 6.4 tcf in 2020, at an annual average increase of 10.1 percent. Moreover in 2030 China’s share of imported oil demand will raise from 34 percent in 2001 to 82 percent in 2030. These are the effects of the constant high growth of the Chinese economy since the beginning of the economic reforms of Deng Xiaoping 1978. This means that energy supply security is a serious issue for Beijing as the dependence [2] form overseas supply is expanding. To tackle this challenge China is developing several initiatives to maintain energy supplies, deepening bilateral links with key energy producers. China has been acquiring interest in exploration and production abroad. China National Petroleum Corporation has acquired oil concessions in Kazakhstan, Venezuela, Sudan, Iraq, Iran, and Peru, and Azerbaijan. China National Offshore Oil Company also has purchased an upstream equity stake in the Malacca Strait oilfield in Indonesia. Addressing the Middle East, China and the Gulf Co-operation Council (GCC) signed in Beijing the Framework of Economic, Trade, Investment and Technological Co-operation in order to set up a Free Trade Area. The official press unveils that “impending a free trade area (FTA) negotiations between China and the Gulf countries are expected to diversify China's oil imports and help Gulf nations reduce US dominance in the region.”[3] The proactive policy of China in this field can be seen in the Asia Cooperation Dialogue (ACD), a forum with twenty-two countries from South Asia, Southeast Asia and Northeast Asia, created in 2002. In 2004, the ACD forum was held in Qindao in China where the foreign affairs ministers of both exporters and importers set up the “Qindao initiative” on energy security and energy cooperation, pledging to stockpile strategic reserves, a regional energy transportation network[4]. In Central Asia, besides the regional framework of the SCO to guarantee security, cross border stability and to combat terrorism, fundamentalism, separatism and other cross border crimes, China has its own bilateral links with Central Asian and Caspian nations in order to diversify its oil and gas supply. Kazakhstan is the most important partner of China in this issue. Thus Beijing launched a bridge for a deeper cooperation in 2004, through the signature of a join declaration in which the Chinese President, Hu Jintao, and the President of Kazakhstan, Nursultan Abishevich Nazarbayev, agreed on the strengthening of economic, commercial and political links. In the joint declaration, besides pledges for mutual investment, bilateral exchanges on educational programmes, culture, sports or technological cooperation, the key words are about energy supply security policies and cooperation. Hence, Kazakhstan promises to support Chinese enterprises to take part in the oil and natural gas exploration in the Caspian Sea region, following the agreement signed in 1997 to build a 3000 kilometers long oil and natural gas pipeline from the Caspian Sea to inland China through the Northwest province of Xinjiang Uygur Autonomous Region – from the Caspian Sea Continental shelf, via Atasu (Kazakhstan) to Alataw Pas in Xinjiang. This mammoth project is expected to cost between 2.5 billion and 3 billion US dollars and the purpose is to transmit at least 20 million tons of crude annually.[5] China plans to construct in the mainland two important oil pipelines: from Shanshan in Xijiang to Lanzhou in Gansu Province and from Urumri in Xinjiang to Lanzhou, to transport oil from the rich oil fields of the west – 30 percent of China’s total oil reserves – to the costal areas, where the industrial development and the consumption is higher.
[1]“World Reserves of Oil, Gas in Good Shape” China Daily July 1, 2004
[2] Half of China's imported oil comes from the Middle East, with Saudi Arabia alone accounting for 17 percent in 2003.
[3] “FTA to help diversify China's energy sources”, Xinhua News Agency, 15-07-2004: http://news3.xinhuanet.com/english/2004-07/15/content_1604183.htm
[4] “ACD pledges to ensure energy security”, Xinhua News Agency, 22-06-2004.
[5] “Ancient Silk Road becomes oil route” Xinhua News Agency, 19-05-2004
Recapitulando:
Europe and China in Central Asia:Energy Supply Security
Introduction
Energy Supply Security Policy: the New Challenges
The Geopolitics of Central Asia
Oil and Natural Gas in Central Asia
China's Diplomacy towards Central Asia
Excertos adaptados de um ensaio escrito no âmbito doMaster in European Studies do Instituto de Estudos Europeus de Macau.2004.
Thursday, March 09, 2006
Telhados de vidro
China on Thursday lashed out against U.S. criticism of its human rights record, saying racial discrimination and crime were still rife in the United States and prisoners were being abused at U.S.-run detention centers abroad. (...)
Wednesday, March 08, 2006
Liberdade de imprensa em Macau II
A opinião de Carlos Morais José sobre a visão de João Paulo Meneses:
Faz impressão a JPM a sobrevivência dos jornais em Português nesta santinha terra. Também compreendo. Mas isso não lhe dá carta de alforria e impunidade para afirmar que a abundância tem “origens financeiras/mecenáticas”. O que quer dizer com isto? Que lavamos dinheiro nos jornais? Que temos mecenas? Se sim, é favor apresentar provas. Acusar sem provar é um mero atirar de lama, fácil, barato, vergonhoso.
(...)
Depois JPM compara o jornalismo de Macau com o de Singapura. Nada mais ridículo. Tornar-se-ia fastidioso, neste espaço, explicar as condições históricas do desenvolvimento da imprensa nos dois territórios. Nas suas imensas diferenças, a inúmeros níveis. Mas, mesmo sem considerarmos os aspectos históricos (fundamentais para percebermos o que existe nos nossos dias), nunca um jornalista de Macau disse à minha frente que não tem completa liberdade de expressão, de acordo com a sua própria consciência e a linha editorial de cada jornal, que existe em qualquer lugar do mundo.
Faz impressão a JPM a sobrevivência dos jornais em Português nesta santinha terra. Também compreendo. Mas isso não lhe dá carta de alforria e impunidade para afirmar que a abundância tem “origens financeiras/mecenáticas”. O que quer dizer com isto? Que lavamos dinheiro nos jornais? Que temos mecenas? Se sim, é favor apresentar provas. Acusar sem provar é um mero atirar de lama, fácil, barato, vergonhoso.
(...)
Depois JPM compara o jornalismo de Macau com o de Singapura. Nada mais ridículo. Tornar-se-ia fastidioso, neste espaço, explicar as condições históricas do desenvolvimento da imprensa nos dois territórios. Nas suas imensas diferenças, a inúmeros níveis. Mas, mesmo sem considerarmos os aspectos históricos (fundamentais para percebermos o que existe nos nossos dias), nunca um jornalista de Macau disse à minha frente que não tem completa liberdade de expressão, de acordo com a sua própria consciência e a linha editorial de cada jornal, que existe em qualquer lugar do mundo.
Dia Internacional da Mulher
Hoje vale a pena ler ou reler este livro

"Durante oito inesquecíveis anos, a jornalista Xinran apresentou na China um programa de rádio em que muitas mulheres falavam de si próprias e da sua vida. «Palavras na Brisa Nocturna», assim se chamava, rapidamente se tornou no mais famoso programa de rádio chinês. Nele se revelava o que significa ser mulher na China de hoje. Nesta primeira obra impressionante, Xinran revela as muitas formas como foi obrigada a contornar o sistema e dá voz a todas as mulheres chinesas, independentemente do seu estrato social. Este é um livro que começa onde «Cisnes Selvagens» de Jung Chang terminou: a vida das mulheres chinesas depois de Mao."
A propósito da situação da mulher, a Agência Xinhua revela que Noventa milhões de mulheres casadas na China são vítimas de violência doméstica... (Lusa)

"Durante oito inesquecíveis anos, a jornalista Xinran apresentou na China um programa de rádio em que muitas mulheres falavam de si próprias e da sua vida. «Palavras na Brisa Nocturna», assim se chamava, rapidamente se tornou no mais famoso programa de rádio chinês. Nele se revelava o que significa ser mulher na China de hoje. Nesta primeira obra impressionante, Xinran revela as muitas formas como foi obrigada a contornar o sistema e dá voz a todas as mulheres chinesas, independentemente do seu estrato social. Este é um livro que começa onde «Cisnes Selvagens» de Jung Chang terminou: a vida das mulheres chinesas depois de Mao."
A propósito da situação da mulher, a Agência Xinhua revela que Noventa milhões de mulheres casadas na China são vítimas de violência doméstica... (Lusa)
Tuesday, March 07, 2006
Será que
Uma China democrática representaria um perigo para a estabilidade na Ásia?
"An Australian think tank suggests democracy might lead to a hostile, populist Beijing"
No Christian Science Monitor.
P.S. Em O Futuro da Liberdade, Fareed Zakaria salienta que "Num vasto leque de questões, quer se trate da lei e da ordem ou das relações com Taiwan, com o Japão e com os Estados Unidos, o regime de Pequim é menos populista, nacionalista,agressivo e intolerante que o seu próprio povo" (p.82)
"An Australian think tank suggests democracy might lead to a hostile, populist Beijing"
No Christian Science Monitor.
P.S. Em O Futuro da Liberdade, Fareed Zakaria salienta que "Num vasto leque de questões, quer se trate da lei e da ordem ou das relações com Taiwan, com o Japão e com os Estados Unidos, o regime de Pequim é menos populista, nacionalista,agressivo e intolerante que o seu próprio povo" (p.82)
Monday, March 06, 2006
Liberdade de imprensa em Macau
A visão, a partir de Portugal, de João Paulo Meneses:
"A questão é que a imprensa chinesa é hoje mais benevolente do que na década anterior relativamente ao poder (os proprietários e/ou os directores do Ou Mun, Va Kio e Si Man pertencem ou pertenceram a órgãos políticos da RPC, apesar da irreverência do Va Kio) e a portuguesa, tentando manter a sua independência, encontra as dificuldades resultantes da sua dimensão e do acesso à língua do poder –não é fácil escrever sobre o que não se percebe, a não ser quando a mensagem já vem em segunda mão… (e o mesmo se aplica a mim)."
"E o financiamento das publicações é um sinal de que a “singapurização” da comunicação social está em marcha. Dir-se-á que a RAEM limitou-se a prosseguir uma medida iniciada na administração portuguesa (embora devidamente aumentados). Mas não se duvide que a existência de quatro jornais de língua portuguesa (além dos chineses) é um cartão de visita que Edmund Ho pode apresentar quando lhe falarem em liberdade de expressão"
"A questão é que a imprensa chinesa é hoje mais benevolente do que na década anterior relativamente ao poder (os proprietários e/ou os directores do Ou Mun, Va Kio e Si Man pertencem ou pertenceram a órgãos políticos da RPC, apesar da irreverência do Va Kio) e a portuguesa, tentando manter a sua independência, encontra as dificuldades resultantes da sua dimensão e do acesso à língua do poder –não é fácil escrever sobre o que não se percebe, a não ser quando a mensagem já vem em segunda mão… (e o mesmo se aplica a mim)."
"E o financiamento das publicações é um sinal de que a “singapurização” da comunicação social está em marcha. Dir-se-á que a RAEM limitou-se a prosseguir uma medida iniciada na administração portuguesa (embora devidamente aumentados). Mas não se duvide que a existência de quatro jornais de língua portuguesa (além dos chineses) é um cartão de visita que Edmund Ho pode apresentar quando lhe falarem em liberdade de expressão"
Sessão Anual da Assembleia Nacional Popular
A ler com atenção (e paciência) o relatório do governo de Wen Jiabao aos deputados:
"Premier Wen Jiabao's govt work report 2005 "
"Premier Wen Jiabao's govt work report 2005 "
Sunday, March 05, 2006
Leituras Dominicais
- "China and Taiwan pose a new problem", por Gary Schmitt e Daniel Blumenthal (FT, 2.3.2006). via Bloguítica.
- "China, India and the land between", Michael Vatikiotis, no Asia Times.
Forced out of its shell II
Laurence Brahm
South China Morning Post28-02-2006
"Podemos esperar que emirjam duas características. Em primeiro lugar, Pequim vai rapidamente desenvolver (já está a fazê-lo, n.t.) relações próximas com nações produtoras de energia. Em segundo, vai “afundar-se”, embora relutantemente, em esforços multilaterais que evitem crises que possam ser instigadas por poderes mais agressivos.
Uma nova ênfase será criada nos laços com países que tinham sido negligenciados durante a era de Deng e Jiang. Vão ser reforçadas e aproximadas as relações económicas e não só com países da América Latina, Ásia Central e Médio Oriente. O processo já começou: basta reparar nas novas ligações coma Venezuela e a Bolívia devido aos seus recursos em petróleo e gás natural.
A nova estratégia vai inevitavelmente envolver assuntos políticos e sociais na relação da China com as outras regiões, incluindo questões como as reformas económicas e ao nível do desenvolvimento sustentável. Vai envolver-se amais na estabilidade das outras nações para garantir a sua própria segurança. Pode encontrar-se numa posição em que está a financiar a recuperação económica e social ou mesmo a construção de instituições políticas noutros países.
Pequim será forçada a abandonar a sua visão do mundo, centrada numa atitude de ”cabeça na areia”, e tornar-se assertiva na prevenção de conflitos em várias partes do mundo. Pode mesmo tornar-se num agente de resolução de conflitos nalgumas partes do mundo como o Médio Oriente, Sudeste Asiático e Ásia central, para salvaguardar o seu fornecimento de energia.
O Irão é o desafio mais imediato e óbvio. O petróleo constitui uma larga percentagem do comércio entre a China e o Irão que se cifra em 10 mil milhões de dólares. Segundo as novas condições de um acordo, a China ao comprar 10 milhões de toneladas de gás natural nos próximos 25 anos poderá multiplicar por dez o valor actual do comércio bilateral.
Se um certo país está considerar um ataque militar unilateral contra as unidades de produção de energia nuclear do Irão, isso afectará severamente o fornecimento de energia da China. E isto faz com que a China tenha um interesse velado na promoção na pa no Médio Oriente.
Em muitos aspectos é uma posição única para fazer a ponte e o diálogo. A Coreia do Norte é um exemplo real – o primeiro – disto mesmo. Será o Irão próximo teste?"
Traduzido e adaptado por JCM.
South China Morning Post28-02-2006
"Podemos esperar que emirjam duas características. Em primeiro lugar, Pequim vai rapidamente desenvolver (já está a fazê-lo, n.t.) relações próximas com nações produtoras de energia. Em segundo, vai “afundar-se”, embora relutantemente, em esforços multilaterais que evitem crises que possam ser instigadas por poderes mais agressivos.
Uma nova ênfase será criada nos laços com países que tinham sido negligenciados durante a era de Deng e Jiang. Vão ser reforçadas e aproximadas as relações económicas e não só com países da América Latina, Ásia Central e Médio Oriente. O processo já começou: basta reparar nas novas ligações coma Venezuela e a Bolívia devido aos seus recursos em petróleo e gás natural.
A nova estratégia vai inevitavelmente envolver assuntos políticos e sociais na relação da China com as outras regiões, incluindo questões como as reformas económicas e ao nível do desenvolvimento sustentável. Vai envolver-se amais na estabilidade das outras nações para garantir a sua própria segurança. Pode encontrar-se numa posição em que está a financiar a recuperação económica e social ou mesmo a construção de instituições políticas noutros países.
Pequim será forçada a abandonar a sua visão do mundo, centrada numa atitude de ”cabeça na areia”, e tornar-se assertiva na prevenção de conflitos em várias partes do mundo. Pode mesmo tornar-se num agente de resolução de conflitos nalgumas partes do mundo como o Médio Oriente, Sudeste Asiático e Ásia central, para salvaguardar o seu fornecimento de energia.
O Irão é o desafio mais imediato e óbvio. O petróleo constitui uma larga percentagem do comércio entre a China e o Irão que se cifra em 10 mil milhões de dólares. Segundo as novas condições de um acordo, a China ao comprar 10 milhões de toneladas de gás natural nos próximos 25 anos poderá multiplicar por dez o valor actual do comércio bilateral.
Se um certo país está considerar um ataque militar unilateral contra as unidades de produção de energia nuclear do Irão, isso afectará severamente o fornecimento de energia da China. E isto faz com que a China tenha um interesse velado na promoção na pa no Médio Oriente.
Em muitos aspectos é uma posição única para fazer a ponte e o diálogo. A Coreia do Norte é um exemplo real – o primeiro – disto mesmo. Será o Irão próximo teste?"
Traduzido e adaptado por JCM.
Friday, March 03, 2006
Forced out of its shell I
Laurence Brahm
South China Morning Post
28-02-2006
“Na próxima década, a dependência face à importação de energia vai condicionar decisivamente a política externa chinesa. Por seu turno, o fornecimento de energia tornou-se no principal risco e factor de potencial instabilidade na projecção do crescimento e estabilidade da China.
Entre 2001 e 2004, o consumo de energia da China aumentou a uma média de quase dez por cento, chegando a subir 15 por cento, em 2004. No momento em que ainda não são conhecidos dados oficiais relativos a 2005, espera-se que o padrão continue: o consumo anual energético aumenta mais que o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto e o desenvolvimento industrial.
A dependência da China face à importação de energia vai obrigar a China a adoptar uma atitude mais activa no plano internacional, marcada de modo diferente da do passado que seguia o princípio de taoguang yanghui – ou seja manter-se longe dos holofotes e evitar o conflito. Essa política foi iniciada nos anos oitenta por Deng Xiaping, quando a China precisava de tempo e espaço para fortalecer o seu desenvolvimento económico doméstico,
A política externa da China nos anos oitenta e noventa esteve centrada na preocupação em garantir a segurança dos investimentos externos, com Jiang Zemin a manter a política de Deng. A importação de energia não era ainda um problema tão visível.
A invasão do Iraque mudou a situação. A reacção inicial da China de prudência e low-profile, no entanto, parecia continuar a tendência verificada nas duas décadas anteriores.
Pouco depois de assumir a chefia do governo, o primeiro-ministro Wen Jiabao falou insistentemente sobre as Nações Unidas como local apropriado para a resolução de conflitos, mesmo quando os rockets unilaterais (dos EUA n. t.) cruzavam os céus de Bagdade. Muitos observadores diplomáticos especulavam sobre a inabilidade da China em tomar uma posição firme na cena internacional, questionando se esta não seria uma a titude que visava sobretudo fugir às suas responsabilidade para garantir o seu interesse económico. Agora esse mesmo interesse está a mudar o comportamento chinês".
(Continua)
Tradução e adaptação de JCM.
South China Morning Post
28-02-2006
“Na próxima década, a dependência face à importação de energia vai condicionar decisivamente a política externa chinesa. Por seu turno, o fornecimento de energia tornou-se no principal risco e factor de potencial instabilidade na projecção do crescimento e estabilidade da China.
Entre 2001 e 2004, o consumo de energia da China aumentou a uma média de quase dez por cento, chegando a subir 15 por cento, em 2004. No momento em que ainda não são conhecidos dados oficiais relativos a 2005, espera-se que o padrão continue: o consumo anual energético aumenta mais que o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto e o desenvolvimento industrial.
A dependência da China face à importação de energia vai obrigar a China a adoptar uma atitude mais activa no plano internacional, marcada de modo diferente da do passado que seguia o princípio de taoguang yanghui – ou seja manter-se longe dos holofotes e evitar o conflito. Essa política foi iniciada nos anos oitenta por Deng Xiaping, quando a China precisava de tempo e espaço para fortalecer o seu desenvolvimento económico doméstico,
A política externa da China nos anos oitenta e noventa esteve centrada na preocupação em garantir a segurança dos investimentos externos, com Jiang Zemin a manter a política de Deng. A importação de energia não era ainda um problema tão visível.
A invasão do Iraque mudou a situação. A reacção inicial da China de prudência e low-profile, no entanto, parecia continuar a tendência verificada nas duas décadas anteriores.
Pouco depois de assumir a chefia do governo, o primeiro-ministro Wen Jiabao falou insistentemente sobre as Nações Unidas como local apropriado para a resolução de conflitos, mesmo quando os rockets unilaterais (dos EUA n. t.) cruzavam os céus de Bagdade. Muitos observadores diplomáticos especulavam sobre a inabilidade da China em tomar uma posição firme na cena internacional, questionando se esta não seria uma a titude que visava sobretudo fugir às suas responsabilidade para garantir o seu interesse económico. Agora esse mesmo interesse está a mudar o comportamento chinês".
(Continua)
Tradução e adaptação de JCM.
Thursday, March 02, 2006
China-Países Lusófonos
Passo a passo, a China vai desvendando o que pretende para a Cooperação com os países Lusófonos. A segunda reunião ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa trará novidades interessantes, como a criaçãod e um banco de investimentos para os projectos comuns e parcerias entre os países membros. Esta semana ficou a saber-se que o comércio bilateral aumentou consideravelmente no ano passado - o comércio bilateral entre a China e os países lusófonos atingiu em 2005 um máximo histórico de 19,53 mil milhões de euros, um aumento de 26,9 por cento em comparação com 2004. Mas desde o início que se entende que as inciativas são quase sempre unidireccionais (China- Países Lusófonos) e que têm como alvo principal os PALOP. Embora este fórum, sediado em macau, não possa, nem deva, ser um substituto da CPLP, certo é que está a imprimir uma dinâmica que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa nunca conseguiu. O desafio para alguns dos países do Fórum - Portugal, nomeadamente - é marcar a agenda e fazer sentir que é uma peça-chave neste processo. Não estou a falar de palavras de ocasião e de boas intenções. Já sabemos que a China e Portugal têm uma relação especial, uma parceria estratégica, que Lisboa apoia o fim do embargo à venda de armas, etc. Algo de mais concreto. Provavelmente estou a escrever isto sem ter alguns dados na mão. Mas essa é a sensação que fica.
P.S. Nunca nos podemos esquecer que este fórum é uma iniciativa chinesa para os países lusófonos (excepto São Tomé e Príncipe que não tem relações diplomáticas com Pequim) e que estamos perante um mecanismo complementar das relações bilaterais previamente existentes.
[Adenda]
A propósito da (falta de) estratégia de Portugal para o Oriente, ler estas declarações de Vasconcelos Saldanha, ex presidente do IPOR, num artigo publicado no Jornal Tribuna de Macau, de alguém que, não estando isento de responsabilidades, demonstra lucidez nos reparos que faz.
P.S. Nunca nos podemos esquecer que este fórum é uma iniciativa chinesa para os países lusófonos (excepto São Tomé e Príncipe que não tem relações diplomáticas com Pequim) e que estamos perante um mecanismo complementar das relações bilaterais previamente existentes.
[Adenda]
A propósito da (falta de) estratégia de Portugal para o Oriente, ler estas declarações de Vasconcelos Saldanha, ex presidente do IPOR, num artigo publicado no Jornal Tribuna de Macau, de alguém que, não estando isento de responsabilidades, demonstra lucidez nos reparos que faz.
Wednesday, March 01, 2006
80 anos

Viola Chinesa
Ao longo da viola morosa
.Vai adormecendo a parlenda,
Sem que, amadornado, eu atenda
A lengalenga fastidiosa.
Sem que o meu coração se prenda,
Enquanto, nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.
Mas que cicatriz melindrosa
Há nele, que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitação dolorosa?
Ao longo da viola, morosa...
Camilo Pessanha
Coimbra - 7 de Setembro de 1867
Macau-1 de Março de 1926
20 anos

Há duas décadas nascia um sonho. Uma rádio de sonho. A melhor do mundo.
A Rádio Universidade de Coimbra. Uma rádio livre. Onde aprendi muito do que sei e sou hoje. Onde, ao longo de sete anos fiz os grande amigos. Onde despertei para o mundo. Deste lado do mundo – acreditem que me custa imenso não estar convosco nestes dias – envio o amplexo mais vigoroso com saudade a todos os que fizeram e fazem a RUC. Uma fantástica emissão especial e venham mais 20! Sempre no Ar!
José Carlos Matias dos Santos
Tuesday, February 28, 2006
Esticar a corda
www

Numa altura em que o seu partido, o Partido Democrático Progessista, vem de pesadas derrotas eleitorais e quandoa sua popularidade estava em níveis mínimos desde que ocupa a presidência da Formosa, Chen Shui Bian está apostado em desafiar Pequim ao dissolver o Conselho da Reunificação Nacional. Novamente, "A-Bian" - como gosta de ser chamado - joga uma cartada arriscada de modo a fortalecer o campo pró-independência, que me parece desajustada e contraproducente e que só poderá ser entendida num contexto de fragilidade doméstica e esperando que haja uma forte reacção de Pequim. Trata-se igualmente da resposta de Chen ao namoro entre o Kuomintang e Pequim, patente ao logo do último ano. É nesse sentido que vai análise de George Tsai, investigador do Instituto de Relações Internacionais de Taipé, em declarações ao Washington Post:
"Deep in their hearts, they (China's leaders) are worried and even mad about this provocative behavior" (...)"China has to calculate how to respond to not annoy the (Taiwan) populace and not fall into Chen's trap. Chen wants a strong reaction from China.They are watching what the United States does next, what the opposition parties do next, and then they will decide what to do."
Pequim já deixou claro que Chen é um troublemaker.
E o Nic, o que pensa disto?

Numa altura em que o seu partido, o Partido Democrático Progessista, vem de pesadas derrotas eleitorais e quandoa sua popularidade estava em níveis mínimos desde que ocupa a presidência da Formosa, Chen Shui Bian está apostado em desafiar Pequim ao dissolver o Conselho da Reunificação Nacional. Novamente, "A-Bian" - como gosta de ser chamado - joga uma cartada arriscada de modo a fortalecer o campo pró-independência, que me parece desajustada e contraproducente e que só poderá ser entendida num contexto de fragilidade doméstica e esperando que haja uma forte reacção de Pequim. Trata-se igualmente da resposta de Chen ao namoro entre o Kuomintang e Pequim, patente ao logo do último ano. É nesse sentido que vai análise de George Tsai, investigador do Instituto de Relações Internacionais de Taipé, em declarações ao Washington Post:
"Deep in their hearts, they (China's leaders) are worried and even mad about this provocative behavior" (...)"China has to calculate how to respond to not annoy the (Taiwan) populace and not fall into Chen's trap. Chen wants a strong reaction from China.They are watching what the United States does next, what the opposition parties do next, and then they will decide what to do."
Pequim já deixou claro que Chen é um troublemaker.
E o Nic, o que pensa disto?
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