Saturday, September 09, 2006

Mao 30 anos depois da morte

Photobucket - Video and Image Hosting
"Chairman Mao's long shadow", Martin Adams, no Asia Times.
"Mon grand-père s'appelle Mao", Abel Segretin, no Libération.
"30 years on, Mao's memory preserved", Diego Montero, no China Daily.
Ler também,
"Mao, 30 anos depois", Exílio de Andarilho.

Tuesday, September 05, 2006

Legitimidade e legitimação na China pós-Maoísta

José Carlos Matias

Texto publicado no jornal Hoje Macau no dia 4 de Setembro de 2006.

Seguindo a definição formulada por Seymour Lipset, a legitimidade de um sistema político deverá ser entendida como a sua capacidade de engendrar e manter a crença de que as instituições políticas vigentes são as mais apropriadas para a sociedade. David Beetham acrescentou uma outra dimensão a este conceito, tendo em conta o processo de legitimação, ao nível da interacção comunicativa numa sociedade. Nesta perspectiva o objectivo passa pela reprodução da legitimidade de um regime num proceso em que a ideologia assume um papel relevante. Sendo óbvio, como referia Max Weber, que diferentes sistemas de dominação implicam lógicas díspares de legitimação, qualquer sistema procura fomentar a sua legitimidade, ou, por outras palavras, justificar-se.
Ao analisarmos o momento de transição por que passa a República Popular da China (RPC) no início deste século – um movimento que começou no final dos anos setenta com a ascenção ao poder de Deng Xiaoping – em termos de legitimidade e legitimação, somos levados a induzir que existe um desfasamento entre uma retórica da via socialista chinesa (o socialismo de mercado com características chinesas) e a realidade de uma sociedade desideologizada, que vai procurando adptar-se ao ritmo das mudanças decorrentes da abertura das portas ao capitalismo.

Verdade, Benevolência e Glória

Para percebermos o significado dos conceitos de legitimidade e legitimação na pós-Maoísta é importante mergulharmos (continuar a ler no Sínico Esclarecido)

Monday, September 04, 2006

Wednesday, August 30, 2006

Golpes d'Ásia I *

China e Vietname: transições e balança de poderes

Os caminhos da China e do Vietname cruzaram-se por várias vezes ao longo do século XX, gerando inimizades, desconfianças e uma guerra: em 1979 quando o Exército Popular de Libertação invadiu o território vietnamita, naquela que foi designada também de “Terceira Guerra da Indochina”.
Na altura faziam-se sentir os efeitos do cisma sino-soviético e da guerra entre o Vietname e o Camboja de Pol Pot. Mais de um quarto de século depois, os caminhos entre Hanói e Pequim cruzam-se de novo, mas agora sob a égide do pragmatismo e da transição de dois países que viveram experiências díspares, mas de algum modo comparáveis, de “socialismo real” para o capitalismo. Enquanto, pouco depois da guerra sino-vietnamita, Pequim começou a abandonar o colectivismo, num processo de desmaoização da sociedade e sobretudo da economia, sob o comando de Deng Xiaoping, Hanói abraçava o início da abertura à economia de mercado em 1986, quando o Partido Comunista do Vietname (PCV) decretou o início do período “doi moi” (Renovação). Contrariamente ao que Gorbatchov fez na URSS, a abertura no Vietname, à semelhança do que aconteceu na China, foi essencialmente económica e não política. Mas as semelhanças do percurso entre os dois vizinhos da Ásia Oriental não se ficam por aqui.
A abertura à economia de mercado trouxe consigo um movimento de melhoria geral das condições de vida da população. Mas, tal como no país vizinho, o desenvolvimento está fazer-se também à custa de expropriações em grande escala que estão a causar ondas de protesto, uma vez que as compensações pela perda de propriedade chegam tarde e são geralmente bastante inferiores ao que tinha sido prometido. Em Julho, quase diariamente dezenas de pessoas juntaram-se em frente da sede do PCV e nos “encontros com o povo” promovidos pelas autoridades. Em Abril, milhares de pessoas de três provícnias meridionais enviaram cartas ao governo em que acusam as autoridades locais de fazer expropriações ilegais.
Tal como a China, também o Vietname é cada vez mais destino de Investimento Directo Estrangeiro, mas o curioso é que uma fatia desse investimento provém justamente de capital chinês. Também ao nível do comércio bilateral, as ligações são cada vez mais significativas: em 2005 as trocas ultrapassaram 8 mil milhões dólares; em 2010 espera-se que atinjam 10 mil milhões. Politicamente é signifiactivo que a primeira visita ao exterior do recém-empossado primeiro-ministro vietanamita, Nong Duc Manh, tenha sido a Pequim. Na sequência dos econtros com os dirigentes chineses - como é habitual – Hanói e Pequim assinaram vários acordos de cooperação.
No entanto, simultaneamente, o Vietname vai fortalecendo o seu relacionamento com Washington, agora que o tempo vai sarando as feridas do passado belicoso. Em Junho, o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, anunciou passos no sentido de reforçar a cooperação militar. Numa altura em que oVietame prepara a entrada na Organização Mundial de Comércio, e num cenário de forte crescimento económico, a China e os EUA competem pela fidelidade de Hanói. Os vietnamitas vertamente que agradecem, uma vez que assim poderão maximizar a sua posição estratégica e tirar proveitos económicos. A sua posição é clara, como disse Ton Nu Thi Ninh, vice-persidente da Comissão Parlamentar dos Negóciso Estrangeiros, ao New York Times: Neither "leaning over" toward Washington”, nor “bow” to Beijing. A administração Bush entretanto vai monitorizando a exopansão da rede económica e coemrcial da China no espaçod a Ásia Oriental, considerado “vital” para a segurança internacional norte-americana. Como escreve Jane perlez, no NYT: The Bush administration, also concerned about Beijing's designs in Asia, is happy to provide a counterweight. The competition between Beijing and Washington for Vietnam's allegiance sometimes seems toe-to-toe.


* Este é o primeiro de uma série de vários textos que planeio escrever sobre a Ásia Oriental, nomeadamente, acerca das relações da China com os países vizinhos.

Diplomacia de Megafone

US warns China against economic nationalismChina would damage its robust economy and hinder the government’s own policy objectives if it embraced economic nationalism, Susan Schwab, the US trade representative, said on Tuesday in Beijing.Ms Schwab also urged China to play a greater role, commensurate with its new economic power, in resuscitating the cause of global trade liberalisation following the collapse of the Doha round.

No FT.

Nota: Não deixa de ser irónica esta retórica de "superioridade moral" norte-americana sobre a liberalização do comércio quando, na prática, os EUA, o Japão e a UE têm sido consdieravelmnente resposnáveis pelos entrave às negociações de Doha.

Friday, August 25, 2006

Tuesday, August 22, 2006

Leituras Pós-Dominicais

1. "Both Japan and China need to break free from history. Yet in April 2005, Prime Minister Wen Jiabao of China demanded that Japan "face up to history squarely," setting the stage for his country's scripted anti-Japanese mob protests".
"Japan-China: Nationalism on the Rise", Brahma Chellaney no International Herald Tribune


2. "Washington is correct in not interfering in the Yasukuni issue. As a senior administration official told reporters before Koizumi's sayonara summit with Bush, "I don't think it's the place of either leader to tell the other one what he can and cannot do domestically."
But Beijing would argue that by not doing anything, Washington is in fact siding more with Tokyo. China could ask the United States how it can support Japan becoming a permanent member of the UN Security Council and embrace its re-emergence when the Japanese have not fully come to grips with their own history?"
"The China Syndrome", Liu Kin-ming no The Standard.

Monday, August 14, 2006

O que é nacional é bom

Ou, a força do "infant-industries argument"
Photobucket - Video and Image Hosting
The Simpsons and Mickey Mouse are to be banned from peak-time TV schedules in China to try to protect the country's homegrown animators, reports say.
BBC News.

Leituras Pós-Dominicais

"The Odd Couple: Japan and China, The Politics of History and Identity", Haruko Satoh
The Japan Institute of International Affairs, via Yale Global.

"Viewpoint: China on the verge", William Pesek Jr. , Bloomberg News.

"Os chineses - uma reflexão", Exílio de Andarilho.

Saturday, August 12, 2006

Dos limites do modelo chinês

Será elucidativo ler o mais recente livro de Minxin Pei - China's Trapped Transition: The Limits of Developmental Autocracy. Numa review à obra, Andrew J. Nathan analisa, na "Foreign Affairs", as virtudes e limitações do modelo de desenvolvimento chinês, quer ao nível político quer económico. Minxin Pei considera que o processo de transição política está num impasse e que é pouco claro que veha a evoluir para um modelo democrático do tipo ocidental. Mais: diz que o que está a emergir é um "estado predador", infestado pela corrupção endémica e sistémica que assola com especial profundidade as estruturas lçocais do partido. Em suma Pei diz que Instead of evolving toward a full market economy, China is trapped in partial economic and political reforms.
A perspectiva deste autor deve ser tido em conta uma vez que estamos perante um dos mais conceituados peritos na politica e economica chinesa da actualidade. No entanto, como Nathan refere, há outras perspectivas, que sendo menos dramáticas, poderão acabar por dar uma visão mais abrangente.

Thursday, August 10, 2006

Este

Photobucket - Video and Image Hosting
Chama-se Bopha.

A minha

província/região cresce mais que a tua!
A Xinhua explica tudo:

"An NBS report affirms that China's GDP grew 9.9 percent in 2005. If local government statistics are to be believed, then GDP growth averaged 12.39 percent in 2005.
The gap between the average GDP growth reported by local governments and the figure published by NBS has widened since 2000. This gap was 1.7, 2.0, 2.6 and 2.8 percentage points respectively in 2000, 2001, 2002 and 2003.
As the most important index reflecting regional economic growth, GDP growth is still the goal pursued by local governments and officials.
Since many corporations have branches in different provinces, their output and investment may be counted several times by different regions, leading to an exaggerated GDP figure, the newspaper said.
To avoid overblown figures, the central government is trying to restructure the official achievement evaluation system by introducing the new concept of green GDP, which would calculate environmental and ecological costs along with economic growth."


Ler mais em "Local governments report higher GDP growth than central government", no Diário do Povo.

Wednesday, August 09, 2006

Leituras A gosto (mais uma)

Photobucket - Video and Image Hosting

"The world is frequently taken to be a collection of religions (or of "civilizations" or of "cultures"), ignoring other identities that people have and value, involving class, gender, profession, language, science, morals, and politics. This unique divisiveness is much more confrontational than the universe of plural and diverse classifications that shape the world in which we actually live."

Do Prefácio, p. xvi

Tuesday, August 08, 2006

Friday, August 04, 2006

Wednesday, August 02, 2006

Outros horizontes

Photobucket - Video and Image Hosting
Desde há algum tempo que olho com atenção para o projecto Galileo, o sistema de Navegação e Posicionamento por Satélite da União Europeia, contruído –em construção– como alternativa (competidor) ao norte-americano Global Positioning System (GPS).
Considerei desde logo interessante este projecto por vários motivos: em primeiro lugar pela dimensão desta parceria entre a UE e a Agência Espacial Europeia (ESA); em segundo pelo facto de ter surgido numa altura em que as águas do Atlântico começam a deixar visíveis algumas fissuras; em terceiro, porque sendo uma “dual-use” technology implica questões de natureza política e económica e, simultaneamente, de índole securitário e, maxime, militar.
A importância do Galileo na construção de uma infraestrutura tecnológica, por si só, suscita implicações ao nível da intenção da UE não perder mais tempo numa corrida que continua a perder face aos EUA, ao nível da Investigação e Desenvolvimento e igualmente no que diz respeito à capacidade de dar um novo ímpeto à rede de transportes pan-europeia. Naturalmente que os EUA não viram com bons olhos esta iniciativa europeia. Afinal, por que é que os europeus vão gastar cerca de 3.3 mil milhões de euros num sistema deste género, se têm acesso ao GPS de forma “gratuíta”? Mas o que incomodou ainda mais Washington foi a parceria preferencial firmada entre a UE e a China, no desenvolvimento do Galileo.
Não deixa também de ser inetressante que o Galileo esteja sob a alçada da DG TREN – Directorate General dos Transportes e Energia da Comissão Europeia, ao passo que o GPS, criado nos anos 1970, nasceu e continua ligado ao Departamento de Defesa dos EUA.
Entretanto, a Rússia pretende finalmente tornar operacional na plenitude o seu sistema, o GLONASS e a China mantém no horizonte a criação de um sistema de navegação e posicionamento por satélite próprio.
Para olhar, de vários ângulos, para este tema, nasceu o PROJECTO GALILEO.

Sunday, July 30, 2006

Unrest

Photobucket - Video and Image Hosting
"An unhappy toy story: Unrest in China", no IHT
Mais um exemplo da instabilidade que emerge no "Império do Meio". Ao contrário de outras manifestações, esta não é uma revolta camponesa, mas sim proletária...

A propósito vale a pena perder uns minutos e ler:

Esta entrevista a Hu Dongfang, na New Left Review

e a consultar o China Labour Watch

Saturday, July 29, 2006

Aí está

O novo número da Política Internacional. Uma edição com um forte componente de artigos sobre a China, através do Dossier "China no século XXI" para o qual tive a honra de poder dar o meu contributo.

Friday, July 28, 2006

Sobre a querra Israel-Hezzbollah (com adenda)

A que é travada no terreno e a de palavras que discorre na blogosfera, tenho lido e apreciado, particularmente, estes textos:

Planeta Hezzbollah, Rui Bebiano (Que saudades da Zona Non!), n'A Terceira Noite
"O regresso do reprimido", Miguel Vale d'Almeida
"As lealdades em debate", Bruno Sena Martins-Avatares e um desejo.

E já agora, aproveitando a sugestão do blogue supra-citado, vale a pena ler o que escreve o senhor Garton-Ash.

[Adenda]
Em todo o caso, salvaguardando algumas reservas quanto ao tom, encontro-me próximo do que Vital Mopreira e João Morgado Fernandes têm escrito.

Wednesday, July 26, 2006

Hong Kong democracy: A missão possível?

Photobucket - Video and Image Hosting
Numa altura em que auumentam as movimentações políticas de figuras que pretendem marcar a agenda da democratização, como Anson Chan e Regina Ip, Donald Tsang veio dizer claramente:

"Chief Executive Donald Tsang Yam- kuen, tottering under the full weight of public outrage for dragging his feet over universal suffrage, claims there's "absolutely no problem" with implementing full democracy in Hong Kong." (The Standard)

Mas ainda não avançou com a calendarização. O que significam de facto estas palavras? Manobra para aliviar a pressão, após a visita do ex governador Chris Patten ou será que Pequim tem na manga, de facto, uma data para o sufrágio directo e universal?

Sunday, July 23, 2006

Politics in Hong Kong: O duelo das damas da "democracia"

Photobucket - Video and Image Hosting
Anson Chan

Photobucket - Video and Image Hosting
Regina Ip
Estas poderão ser as senhoras que se seguem. As duas tiveram responsabilidades políticas no passado recente e agora surgem como cartas no baralho político de Hong Kong. Ambas falam de democratização, mas de maneira diferente.
"Ip accuses Anson over her five years of silence"

Wednesday, July 19, 2006

Vale a pena

Ler esta entrevista de Elias Jabbour ao jornal Avante, para perceber que ainda há quem se deixe seduzir pelo "wishful though" da via chinesa para o socialismo. Esta entrevista e o enquadramento que é feito na abertura reflecte também a maneira confusa como o PCP olha para a China. Quanto ao BE, pura e simplesmente teima em não querer perceber limitando-se a apontar o dedo em riste ( com ou sem razão) ao que se está a passar deste lado do mundo. A questão é que além das considerações normativas é importante que haja uma dimensão de análise e um pensamento português sobre este modelo de desenvolvimento. Nesse sentido é relevante também olhar para a história e peceber em que contexto Pequim se está a mover, quer do ponto de vista da Ecomomia Política Internacional, quer ao nível da Segurança Internacional. Frases feitas, sinofobias e eurocentrismos é que não nos levam a lado nenhum.

Monday, July 17, 2006

We came in peace; we are friends III

Vai ser criado um novo jornal económico em língua inglesa a China continental. Este fim-de-semana, a Academia de Ciências Sociais da China anunciou o lançamento da publicação da"China Economist".
A revista, que vai ser publicada de dois em dois meses, tem como objectivo dissipar a visão da China como uma ameaça económica, uma opinião que tem vindo a ganhar terreno nos Estados Unidos e na Europa.

Sunday, July 16, 2006

Hong Kong Democracy

O chefe do executivo de Hong Kong referiu-se pela primeira vez a uma data para a eleição directa e universal do líder do governo.
Donald Tsang afirmou ontem que 2012 seria uma data possível para a intrudução do sufrágio universal. As delcrações foram proferidas durante uma visita a Singapura e surgiram no mesmo dia em que Anson Chan, antiga secertária-chefe de Hong Kong ter dito que Hong Kong não é uma sociedade democrática.
O chefe do governo lançou ainda um recado… “As pessoas não devem continua a usar slogans oportunistas”.

Ler mais em "Hong Kong leader hints at full vote in 2012 - paper", Reuters.

Thursday, July 13, 2006

Chefe, mas muito

O Chefe do Executivo fez duras críticas a uma parte da população que não estará disponível para fazer compromissos.
Segundo a edição de ontem do jornal Va Kio, numa reunião com altas figuras da sociedade de Macau, Edmund Ho admitiu que surgiram novos problemas nos últimos dois anos, mas que algumas pessoas usam métodos da era colonial para ganhar o apoio da população.
O líder do governo frisou que o executivo tem responsabilidades face a compromisos, mas certas figuras também.
Edmund Ho aproveitou para deixar recados, lembrando que o conceito “um país” “dois sistemas” não pode servir de desculpa para pedir ao governo central benefícios nem para ir a Pequim pedir protecção face ao dsenvolvimento regional e à globalização.
Ao mesmo tempo, o chefe do governo disse querer melhor a comunicação com a poulação. Nesse sentido serão criados porta-vozes sectoriais.

Mais detalhes, aqui.

Tuesday, July 11, 2006

Macau (Delta Asia Bank) - North Korea Connection

"Uma mina de ouro chamada Coreia do Norte"
Mais de 9 toneladas de ouro em pouco mais de três anos. Por Macau – ou melhor, pelos cofres do Banco Delta Ásia – passava a totalidade da produção da Coreia do Norte. E até algumas das suas reservas. Os lingotes iam parar a uma empresa alemã de comércio de ouro em Hong Kong e o Delta Ásia extraía da operação importantes lucros

Um trabalho do jornalista Ricardo Pinto, no Ponto Final.

Maria João Rodrigues

Em entrevista:

"O que nós temos que fazer é justamente desenvolver esses novos factores competitivos mas também reformar o modelo social. O que é fundamental é que as pessoas estejam capacitadas para ter acesso ao emprego, mas esse emprego podem ser vários postos de trabalho, várias profissões ao longo da vida, portanto isto quer dizer que a educação e a formação é a grande prioridade, justamente para que as pessoas possam ter essa mobilidade profissional e esse horizonte que os permite estar sempre, de uma maneira ou de outra, no mercado de trabalho"

"A China é o país que tem sido mais visitado por comissários europeus em várias frentes e isso demonstra a vontade da UE em trabalhar com Pequim. Nós sabemos que a China tem problemas profundos de reequilíbrio profissional e portanto a China manifesta interesse e cooperação nessas visitas. Uma das lições da experiência europeia é que a nossa política regional não é só uma política para compensar a falta de rendimento, para compensar as regiões, é uma política para as tornar mais competitivas e mais produtivas".

Ler entrevista completa ao jornal Hoje Macau aqui

Ouvir na Rádio Macau.

Tuesday, July 04, 2006

O Quarto Poder

China has squeaked past Britain by the tiniest of margins to become the world's fourth-largest economy, according to the World Bank's latest calculations.
The World Bank said that by its official measure China produced US$2.263825 trillion in output in 2005, just US$94 million, or 0.004 per cent, more than Britain. China comfortably overtook Britain last year based on each country's gross domestic product converted into US dollars at current exchange rates.
Ler mais aqui

Parabens

Ao Bloguitica, um dos meus blogues favoritos, pelos três anos de existência

Sunday, July 02, 2006

Leituras Dominicais

1. "The lame duck and the greenhorn";
"The challenge of unilateralism"
Henry C. Liu no Asia Times.

2. "A divided electorate on Hong Kong anniversary", The New York Times

Wednesday, June 28, 2006

Tuesday, June 27, 2006

Leituras Dominicais (à terça à noite)

"Hu Jintao and the new China", Francesco Sisci no Asia Times.
"Beijing covers up a crackdown ", Howard French no New York Times.

“A Arte da Guerra” e “O Voo da Águia”

"Dois exércitos estavam a travar uma batalha. O soldado de um dos exércitos chega a correr à beira do capitão e diz 'Vamos perder a batalha, pois para cada um de nós há cinco soldados deles'. O capitão ouviu e respondeu: 'Nós não viemos aqui para os contar, viemos aqui para os vencer."
Poderá ter sido isto que Luís Filipe Scolari disse aos jogadores portugueses no intervalo do jogo com a Holanda. É uma passagem do livro "O Voo da Águia" do escritor brasileiro João Roberto Gretz , o mais recente manual de "Felipão", um trunfo para motivar a selecção das quinas para este Mundial.
Se antes o "sargentão" se socorria dos ensinamentos de "A Arte da Guerra" do general chinês Sun Tzu, agora é Gertz que inspira o seleccionador que somou mais um recorde ao somar o 11º triunfo em fases finais do campeonto do mundo – sete ao serviço do Brasil em 2002, quatro (para já) com Portugal.
E aludindo à citação referida anteriormente, em Nuremberga, mais do que um jogo de futebol, o que aconteceu ao longo dos 96 minutos foi, nomeadamente na Segunda parte, uma batalha em que durante grande parte do desafio o adversário tinha mais "soldados" em campo.
Apesar da ascendência de Gretz sobre Scolari, o treinador Campeão do mundo não esqueceu os ensinamentos de Sun Tzu. Se não vejamos. O mítico e milenar militar chinês não só defendia que " A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque", como, na avaliação dos factores que permitem que se possa prever que sairá vencedor de uma batalha, referia, entre outros aspectos, que é crucial verificar quem é "aquele que sabe quando deve ou não lutar" ; "aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo"; "aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas"; e "aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere". Em todos estes aspectos o "sargentão" e as tropas lusitanas estiveram impecáveis, mas convenhamos que a sorte, a água benta e a Nossa Senhora do Caravaggio, que desviou aquele remate de Cocu para a trave da baliza de Ricardo, também tiveram mão nesta vitória histórica.

Texto publicado no Jornal "Hoje Macau", 27-06-2006.

Thursday, June 22, 2006

EPC e Macau II

1. "Eduardo Prado Coelho diz-se desiludido com Macau. Passou pela Avenida da Amizade, deve ter visto a Doca dos Pescadores de relance, esteve na Universidade, e dormiu num hotel onde encontrou “hordas” de chineses a gritar na recepção. Eduardo Prado Coelho queria, em 2006, encontrar os cenários que Wong Kar-wai descreveu e utilizou de forma sublime no In The Mood For Love, um filme passado na Hong Kong dos anos… sessenta. O romantismo bacoco, barato, para intelectual português ler e concordar cegamente sem conhecimento do meio tem limites. E somos nós, portugueses de Macau, que temos de explicar a esta gente que a hoje RAEM, felizmente, ainda não se limita aos casinos que habitam porta sim, porta não numa avenida de Macau, nem à “lama visual” que é a Doca dos Pescadores".
"Coelho para todo o prado", João Varela no Hoje Macau.

2. "Ainda bem que Eduardo Prado Coelho tem noção de que o defeito é dele, quando diz de Macau e das suas gentes algo próximo do que Maomé diria do toucinho. Quando me surpreendi com o texto (que publicamos na página 9) interroguei-me, antes de mais, se haveria em mim algum defeito que me fizesse gostar (e muito) de viver nesta terra. A resposta foi não, por razões que já exporeiE rapidamente percebi qual o defeito de Prado Coelho: etnocentrismo, um defeito não raro nos europeus, mas que a inteligência do cronista deveria ter sabido evitar. Vir à Ásia e esperar um cheiro a Paris é coisa que não lembraria a um campónio... Vir à China e esperar ruas desertas, então, roça o ridículo. Mas pronto, Prado Coelho não gostou de Macau, está no seu direito e não precisa de voltar".
Precipitação e falta de educação, Rodolfo Ascenso, no Ponto Final.

Wednesday, June 21, 2006

EPC e Macau

Leio com alguma surpresa o texto de Eduardo Prado Coelho sobre Macau - "Desilusão com Macau"(ediçãod e Hoje do Público, sem link). Percebe-se que quem vem a Macau a pensar em econtrar as "belas burguesas" que se pavoneiam nas ruas de Paris, perante o olhar deslumbrado do intelectual paroquiano, possa sair desiludido .
Percebe-se também que quem julga encontrar em Macau o mundo sedutor de In the Mood for Love, magnífico filme de Wong Kar-Wai, uma película que retrata Hong Kong dos anos 60, tenha uma reacção negativa ao que vê.
Agora quando escreve, "Há também as pessoas: as vozes são esganiçadas e contundentes criando uma atmosfera de permanente agressão. As mulheres parecem tábuas de engomar com aquele andar de pastaschocas que define a gravidez avançada. Apesar de mini-saias frequentes, não há nelas (e também neles) a menor sensualidade " o professor EPC demonstra que atingiu o Outono da sua sensibilidade.

Monday, June 19, 2006

We came in peace; we are friends II

"Chinese Premier Wen Jiabao said on Sunday that China's ties with African and Latin American countries in a bid to expand trade and energy cooperation posed no threat to U.S. interests.
Speaking at a news conference in Cairo at the start of a tour of seven African nations, Wen said China's foreign policy was based on mutual benefit, adding that his country would not interfere in internal matters such as human rights".
Ler mais aqui

Thursday, June 15, 2006

Photobucket - Video and Image Hosting
The Standard, 15 de Junho de 2006.

Wednesday, June 14, 2006

Organização de Cooperação de Xangai

n
Photobucket - Video and Image Hosting
O General Loureiro dos Santos alude, na edição de hoje do Público (14 de Junho de 2006, sem link) à importância da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), cuja cimeira decorre esta semana, encarando esta organização que junta a Rússia, a China e as antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central., como a NATO do Leste. Esta análise contradiz o que Pequim tendo vindo a sublinhar repetidamente: "Even when it comes to collaboration in security, SCO does not posture itself against the US or NATO as some people have claimed. It has no imaginary or imagined enemy; real enemies of the organization are terrorism, splittism and extremism as well as poverty, ignorance and backwardness".
Loureiro dos Santos considera ainda que “A sua pretensão é expulsar da Eurásia as inetrferências que lhe são estranhas. O que permitiria erigir uma nova ordem internacional de natureza multipolar, na qual as potências da ilha mundial integrem o círculo que governa o mundo, sobre os escombros da actual ordem internacional unipolar”.
Não desmerecendo a observação de Loureiro dos Santos, considero que será importante entender a OCX à luz da nova Grande Estratégia da China para as relações Internacionais, patente desde o final do século XX e tendo em conta as contradições da aliança sino-russa.
Evan S. Medeiros e M. Taylor Fravel consideram que desde meados dos anos noventa a China deu início a uma série de contactos, acordos parecerias que reflectem uma nova “flexibilidade e sofisticação” no seu comportamento com actor global. Na perspectiva destes autores, a postura chinesa tem sempre como pano de fundo promover os seus interesses económicos, reforçar a sua segurança e limitar a influência dos Estados Unidos na vizinhança da China, em especial na Ásia Central e no Sudeste Asiático. De entre os vários motivos que impelem esta nova abordagem ao contexto internacional, em nosso entender as necessidades de consumo e abastecimento da economia doméstica, em especial a questão do acesso a recursos e fontes energéticos as e a recursos naturais em geral são aspectos que assumem preponderância no relacionamento com a Ásia Central, a América do Sul, o Médio Oriente e África.
Deste modo, a China decidiu encetar um caminho mais amplo e complexo na sua relação com o mundo, baseada numa atitude multifacetada e multidireccional.
Acerca dos objectivos e do futuro da OCX Ariel Cohen deixa no ar questões que me parecem pertinentes, quando analisada a questão numa lógica triangular EUA-Rússia-China, salientando a posição de Moscovo.
"In the future, does Russia want to be a member of the community of democracies or a junior partner in a coalition led by China? Talking about Eurasia, one quickly touches the third rail of the debate between Westernizers and Eurasianists, which has been going on for a century and a half. Do the Russian elites, who are culturally European, want to be politically European as well? The majority of them did a hundred years ago, as well as in the early 1990s. Does Russia want to be politically like Uzbekistan or Pakistan? Or like the U.S. and Canada? Or maybe like Korea, Taiwan, and India? After all, democracy ceased to be a Western invention a long time ago".


Friday, June 09, 2006

Pai do povo tailandês

Photobucket - Video and Image Hosting
Há sessenta anos Bhumibol Adulyadej ascendia ao trono da Tailândia num dos mais longos reinados do mundo.
Muitos tailandeses olham para ele quase como um divindade. Por isso é também o principal cimento da unidade do antigo Reino de Sião.
Asccendeu ao trono aos 18 anos, depois do seu irmão mais velho ter falecido. Mas a coroação só foi concretizada em 1950. Formado na Suiça, raramente interveio na política da Tailândia. A mais recente intervenção aconteceu em Abril, numa altura em que o primeiro ministro Thaksin Shinawatra estava sob forte contestação popular. Na altura, o rei pediu aos juízes do tribunal supremo para deciddirem se as eleições de Abril era válidas. Os juizes declararam nulas as eleições que tinham dado a vitória a Shinawatra, num acto eleitoral boicotado pela oposição.
A edição de hoje do Bangkok Post é o espelho do consenso nacional sobre o Rei. Num editorial, o matutino chama-lhe o pilar da estabilidade, o farol da nação, e alguém que nos faz ter fé na humanidade.

Thursday, June 08, 2006

A Mão de ferro com luva de veludo

A cruzada de Pequim contra a liberdade de acesso à informação teve um novo episódio pouco edificante. O motor de busca google.com foi bloqueado em várias regiões e províncias da China.
De novo, o regime chinês se assemelha à mão de ferro com luva de veludo. Por um lado a economia chinesa abre as portas às influências externas com a abertura das portas de vários sectores ao investimento directo estrangeiro, ao mesmo tempo que os hábitos de consumo dos chineses se vão tornando mais exigentes, numa sociedade em que a classe média vai engordando de ano para ano; por outro o controlo sobre a liberdade de expressão e de acesso à informação. Este exercício acrobático afigura-se cada vez mais como a "quadratura do círculo".

Thursday, June 01, 2006

Dois livros

para um entendimento da política na China

Photobucket - Video and Image Hosting
Uma "Bíblia" da política externa chinesa, um livro editado pelo conceituado sinólogo David Shambaugh.


Photobucket - Video and Image Hosting
Uma obra publicada em Portugal acerca da política interna e os mecanismo de tomada de decisão na China, da autoria de Heitor Romana.

Wednesday, May 31, 2006

Timor:um mar de dúvidas (com adenda)

Sou daqueles, entre muitos, que viveram intensamente os dias 1999. Dos que se emocionaram, foram à embaixada indonésia em Madrid, para quem Timor era uma causa, finalmente uma causa que valia a pena, que movimentava a boa vontade dos portugueses. Era importante para quem, como eu, ainda não era nascido nos tempos de Abril. E continua a ser.
E confesso que sou daqueles que também ficaram algo boquiabertos com o que se tem passado nestes dias.
Mas também me lembro, citando Diogo Pires Aurélio, que naqueles meses, “As raras vozes que, na altura, ousaram pedir um pouco mais de informação e menos emoção foram abafadas por um coro de gente entusiasmada com a nobreza da causa timorense e, sobretudo, com a ocasião que esta representava de voltar a sentir por cá uma unidade e um patriotismo como há muito não se via”.
E de facto, tenho a sensação que os media portugueses talvez tenham sido contaminados demasiado com um militantismo (justificado, provavelmente) que extravasou em demasia o domínio do racional, turvando as águas da clarividência. No fundo havia uma certa ideia de anjos - independentistas - versus diabos, as milícias pró-integração na Indonésia.
Tendo lido o que tem sido escrito nestas semanas - na linha das perguntas e dúvidas levantadas por Paulo Gorjão permaneço com algumas questões que me parecem pouco exploradas:

- Porque é que as principais figuras da oposição, da UDT, PD, PSD têm estado silenciosas?
- Porque é que a Igreja tão importante num país fervorosamente religioso não fez, logo no início da onda de violência, um apelo à paz e à acalmia - ou será que fez e eu não dei conta?
- O que levou Xanana Gusmão a demorar tanto tempo a convocar o Conselho de Estado?
- A quem interessa, dentro de Timor, esta intervenção das tropas australianas?
- onde está o povo que votou de forma massiva na Fretilin?
- A exportação de um modelo semi-presidencial à portuguesa mostra-se desajustada á realidade local?
- E a Indonésia?

P.S.
"KERRY O'BRIEN: I have the presidential statement under the presidential seal in front of me right now, both in English and Portuguese, and although he says he's doing this in close collaboration with you and the President of the Parliament, he makes it plain that he's taken responsibility and effective control for national security in East Timor for the next month at least. MARI ALKATIRI: I think that it's a misunderstanding somewhere. I don't think that the President really said it. "
(...)
"KERRY O'BRIEN: You've talked of an attempted coup. By whom? MARI ALKATIRI: Up to now, I've been telling you that I still don't know by whom, but, for sure, not by the President. KERRY O'BRIEN: There is clearly enormous pressure on you to resign over your failure to properly manage the crisis with the East Timorese army. Why are you determined not to respond to that pressure? MARI ALKATIRI: Pressure from some hundred peoples is not pressure for me. I represent more than hundreds of thousands of people in this government. "

East Timor Prime Minister speaks out

Monday, May 29, 2006

Don't be affraid; we came in peace, we are friends.

A ameaça da "Ameaça China" está a preocupar cada vez mais Pequim. Após o Pentágono ter revelado mais um documento em que a China é vista como uma potencial ameaça no longo prazo, o governo central lança uma campanha de sensibilização para que o mundo olhe para o rápido crescimento da economia como uma oportunidade.

Du Ruiqing, ex presidente da Universidade de Estudos Internacionais de Xi'an diz:
"It's high time to make ourselves better understood by people all of the world,"

A questão é que há ganhos absolutos e relativos e os segundos frequentemente têm mais peso, nomeadamente num processo de catching-up e em ciclos eleitorais.

Friday, May 26, 2006

Lenovo and the US Government

Um caso exemplar.

"It was a drama that reached a conclusion late last week when the State Department, responding to fears that its security might be breached by a secretly placed device or hidden software, agreed to keep personal computers made by the Chinese company Lenovo off networks that handle its classified government messages and documents" (IHT)

Imaginemos se o contrário acontecesse. Na China com uma companhia norte-americana...

Wednesday, May 24, 2006

Monday, May 22, 2006

Donald Tsang e Anson Chan: détente à vista?

Photobucket - Video and Image Hosting
Photobucket - Video and Image Hosting
Do que é que falaram Donald Tsang e Anson Chan este fim-de-semana em Macau? A pergunta surge depois de um encontro informal entre o chefe do executivo de Hong Kong e a antiga número dois do governo vizinho. O porta-voz de Donald Tsang garante que não se falou de política, mas em Hong Kong poucos acreditam.
Foi um econtro quase secreto. Este fim-de-semana em Macau estiveram reunidos as duas figuras políticas mais importantes de Hong Kong.. Donald Tsang, o chefe do executivo e Anson Chan, antiga número dois na RAEHK que é vista como potencial concorrente de Tsang na luta pela chefia do governo.
Em declarações ao The Standard, um porta-voz do líder do governo de Hong Kong recusa dar significado político aeste encontro, mas poucos tem dúvidas de que o futuro próximo da antiga colónia britânica este em cima da mesa.
Donald Tsang disse apenas que os dois passaram um bom tem juntos, num a reunião que juntou outros antigos membros do Conselho Executivo de Hong Kong.
Quando os jornalistas perguntaram ao líder do governo se este encontro tinha sido programado por Pequim, este respondeu que não fazia comentários.
O encontro tem sido encarado como um quebrar do gelo na relação entre os dois depois de no ano passado Anson Chan ter saído à rua ao lado dos manifestantes pró-democracia no dia 1 de Julho.
Neste contexto emergem algumas questões:
- Porque é que o governo de Hong Kong supostamente deu a dica aos jornalistas sobre este encontro?
- Foi Pequim que promoveu esta reunião?
- Será que Tsang conseguiu convencer Chan a não concorrer contra ele em 2007, na luta pela chefia do governo de Hong Kong?
-Ou será que apenas estiveram a beber chá, a comer uns pastéis de bacalhau e a visitar o centro histórico de Macau?
Ler mais em "Macau for `good time' not politics", The Standard.

Sunday, May 21, 2006

Leituras Dominicais

"Asia — A Vision for 2015", Matthew Hulbert, The Globalist.
"Google in China: The Big Disconnect", Clive ThompsonThe New York Times, 11 May 2006, via Yale Global.
"China’s Union Push Leaves Wal-Mart With Hard Choice", Mei Fong e Ann Zimmerman
The Wall Street Journal, via Yale Global.

Friday, May 19, 2006

Revolução Cultural: 40 anos IV

"After the bloody Tiananmen crackdown on reformists on June 4, 1989, the Chinese leadership reached a consensus to give "maintaining political and social stability" top priority. This consensus is still valid. Any re-evaluation of Mao will inevitably spark a new round of ideological controversies, which may lead to a split in the leadership, with resultant political and social instability. "
Cultural Revolution? What revolution?By Fong Tak Ho.

Wednesday, May 17, 2006

Tuesday, May 16, 2006

Revolução Cultural: 40 anos II

"Eyewitness: Cultural Revolution ", BBC
"Mao casts long shadow over China ", The Guardian.
"China's leaders ignore Cultural Revolution", China Post.

Revolução Cultural: 40 anos

Photobucket - Video and Image Hosting
Photobucket - Video and Image Hosting


No dia 16 de Maio de 1966, sob a influência de Jiang Qing, mulher de Mao Zedong, o Comité Central do Partido Comunista Chinês dava início à Grande Revolução Cultural Proletária.
O rastilho tinha sido acendido em 1960, quando o historiador Wu Han, então vice-presidente da câmara de Pequim, publicara a primeira versão do texto de uma peça de teatro de cariz histórico em que um alto funcionário era despedido por um imperador currupto.
Cinco anos depois, a esposa de Mao e Yao Wenyuan, que viriam a fazer parte do chamado “Bando dos Quatro”, e que dirigiram várias campanhas da revolução cultural, criticaram de forma feroz a peça de teatro.
Os dois consideraram que o texto era uma crítica a Mao Zedong em defesa de Peng Dehuai, alto dirigente comunista afastado por Mao no final dos anos 50.
A peça de teatro foi o pretexto usado pelo grupo de Mao, que já não era presidente da China, para lançar uma campanha massiva de propaganda contra os chamados direitistas e burgueses que traiam o que o bando dos quatro diziam ser os verdadeiros valores do comunismo, elevando sempre Mao a um nível de culto de uma personalidade, próxima da divindade.
Uma onda de violência, e humilhação varreu a China com os guardas vermelhos, jovens radicais, a atacarem professores, médicos, dirigentes do partido e toso os que era considerados agentes do imperialismo. Não se sabe ao certo quantas pessoas morreram durante este período. Alguns analistas referem que poderão ter sido cerca de 20 milhões. Muitas mais pessoas foram perseguidas e afastadas da administração.
Mais do que uma luta ideológica, a Revolução Cultural foi uma guerra movida por Mao e pela facção ultra esquerdista contra o status quo do Partido e do Estado. A primeira vítima foi o presidente da câmara de Pequim Peng Zhen, que saiu em defesa da Peça de teatro criticada por Jiang Qing. A longa lista inclui entre outros Liu Shaoqi, presidente da República Popular da China até 1968 e Deng Xiaoping, acusados de serem agentes do capitalismo.
O ciclo de destruição e violência durou até 1976, altura em que Mao morreu. Pouco depois o Bando dos Quatro foi detido e responsabilizado pelo caos da Revolução Cultural. No entanto, apesar de Jiang ter revelado que era “o cão de Mao, e quando ele pedia para morder, mordia”, a figura de Mao acabou por ser salvaguardada e seu o retrato permanece na Praça de Tiananmen a contemplar uma outra revolução cultural que invade a nova China: a do consumo, da economia de mercado, da mudança dos hábitos, da prosperidade, das desigualdades, a mesma sobre a qual os olhos do mundo se debruçam e interrogam.
Olhando para o que tem sido escrito sobre este período, não posso deixar de recordar esta passagem de “Cisnes Selvagens”, magnífico livro de Jung Chang, uma filha da China, ela própria ex Guarda Vermelha.

Durante a minicampanha chamada A Nossa Pátria Socialista é o paraíso,houve muita gente que fez abertamente as perguntas que eu tinha feito a mim mesma oito anos antes: Se isto é o paraíso, então como será o inferno?
Jung Chang., Cines Selvagens, Quetzal Editores, Lisboa, 2004 (22ª Edição), p.499.

O Partido Comunista Chinês reconhece que o período entre 1966 e 1976 foi um desastre para o país, mas prefere não abrir as feridas de um período em que muitos dos actuais líderes foram guardas vermelhos. Os jornais de Hong Kong referem que as media da China continental estão proibidos de falar sobre o assunto. E os analistas foram são encorajados a não participarem em seminários sobre a Revolução Cultural. Este manto de silêncio abate-se sobre um período cuja catarse ainda não foi feita. Wang Xiangwei, editor do South China Morning Post argumenta – e bem – que “a liderança chinesa deveria olhar ao espelho o que aconteceu durante o período mais negro da Revolução Cultural, estimular o debate e perceber porque é que isso não deve voltar a acontecer”. Mas, adianta Wang, “é fácil perceber por que é que o presidente Hu Jintao não vai fazer isso brevemente. As autoridades já enfrentam um debate alargadoe intenso sobre a direcçãoe o sentido das refgormas económicas cimn os esquerdistas a atacarem os dirigentes pró-reformas por estarem a desviar-se da doutrina socialista. Os dirigentes estão preocupados que mais debates sobre a Revolução Cultural possam ameaçar a estabilidade política”. (South China Moring Post, 15-05-2006. (sem link directo).

Sunday, May 14, 2006

Friday, May 12, 2006

Se dúvidas houvesse...

O meu amigo Andarilho alerta-me para isto:

"A VI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste - marcada para 17 de Julho, terá apoio financeiro dos chineses. A China ofereceu hoje ao governo guineense 800 mil dólares (615 mil euros) para ajudar a organizar o encontro da CPLP que, este ano, comemora o seu 10º aniversário.
O montante foi entregue pelo embaixador da China em Bissau ao secretário de Estado da Cooperação guineense, Tibna Samba Nawana, numa cerimónia que decorreu na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.

Paralelamente, a China ofereceu também 350 mil dólares (270
mil euros) de ajuda humanitária, destinada aos deslocados no norte da Guiné-Bissau, na sequência do conflito que opôs o Exército guineense a uma ala radical de um movimento independentista de Casamança, sul do Senegal.

Pequim manifestou ainda disponibilidade para apoiar a
reconstrução do hospital regional de Canchungo, 80 quilómetros a norte de Bissau, cujo orçamento é de 2,5 milhões de dólares (1,9 milhões de euros)."
No Expresso online.

P.S. Lembro o que disse Carmen Mendes, há dias, numa entrevista:

Voltaremos a este assunto (de forma recorrente).

Wednesday, May 10, 2006

No Reino de Sião

O Tribunal Constitucional fez "reset" ao processo de eleição da Assembleia Legislativa. Anulou o escrutínio de Abril, que tinha sido boicotado pelos maiores partidos da oposição, e pediu a demissão da Comissão Eleitoral.
Depois de ter saído de cena, o ex primeiro ministro Thaksin Shinawatra pode estar de volta. Mesmo que não concorra nas eleições, será, no mínimo, "the man behind the curtain".

A propósito, Shawn W Crispin escrevia, há um mês, no Asia Times:
"What the US could learn from Thailand

Friday, May 05, 2006

Momentos Zen

Photobucket - Video and Image Hosting
1.Sem papas na língua, como é hábito, Joseph Zen critica o governo central de controlar a Igreja Católica. O bispo, recém-nomeado cardeal, afirma, em entrevista ao jornal "O Clarim" (sem link), que Pequim não está muito contente com o facto do Vaticano o ter designado Cardeal. Adianta mesmo que houve padres e freiras que tiveram instruções para não o felicitarem.
Joseph Zen vai a Roma aindna este mês para se econtrar com o Papa Bento XVI. Nessa reunião será discutido o processo de aproximação com Pequim. Um diálogo dificultado pelas recentes nomeações por parte da Igreja Católica Patriótica de dois Bispos.
Acerca da liberdade religiosa na China, Zen critica fortemente Pequim, dizendo que a Igreja Católica não oficial, a chamada clandestina, que presta obediência ao Papa, corre perigo todos os dias. Mesmo a igreja católica patriótica é muito controlada.
O bispo garante que no continente tanto padres como freiras são constantemente vigiados.
Quanto à política em Hong Kong, Joseph Zen reafirma que vai estar atento à questão do artigo 23. Se a lei anti-subversão voltar a ser apresenetada, os católicos da região vizinha, assegura, descem de novo à rua ao lado dos manifestantes. Isto porque, diz, a implementação do artigo 23 coloca em perigo as liberdade cívicas.
Na análise à situação do outro lado do Delta do Rio das Pérolas, Zen defende que no regime colonial, apesar de não haver democracia, as liberdades eram respeitadas, o que não é de todo verdade depois 1997.

2. Hoje é dia do Buda.
Photobucket - Video and Image Hosting Photobucket - Video and Image Hosting

Thursday, May 04, 2006

Tuesday, May 02, 2006

Macau: Social Unrest

Ontem Macau assistiu à maior manifestação desde o ano 2000 – e segundo alguns analistas, à maior desde a transferência de administração. Alguns milhares de pessoas (cerca de cinco mil)manifestaram-se contra a importação de mão de obra, num protesto que derivou para cenas de alguma violência, fruto de uma atitude mais agressiva de uma minoria e da resposta das autoridades. Independentemente da causa em questão – havia outras levantadas pelas pessoas como a luta pelo salário mínimo, contra o conluio de interesses e na generalidade por melhores condições laborais – o que releva interesse é o facto de estara acabar a paciência de uma parte da população face a um modelo de desenvolvimento que os deixa para trás. Este protesto deveria fazer pensar o governo da RAEM, entretido com as maravilhas do crescimento do PIB e com os novos investimentos na área do jogo e da hotelaria. É certo que o executivo anunciou na semana passada um pacote de aumento de pensões e prometeu maior rigor no combate à importação ilegal de mão de obra da China continental. Contudo, essas medidas são consideradas paliativos pelos que ontem expressaram o seu desespero. Também se sabe que nestes casos há sempre uma minoria que procura radicalizar o protesto para tirar dividendos políticos. Mas isso não pode servir de esponja para passar sobre um acontecimento inédito na RAEM. Além do mais, mesmo com a ausência da poderosa Associação Geral dos Operários, a mais representativa em termos de associativismo laboral, o protesto chegou às quatro-cinco mil pessoas.
Nos comentários ao que aconteceu, chamo a atenção para contribuições dos directores dos jornais diários em língua portuguesa:

1. Ao abraçar alegremente o “segundo sistema”, dada a reconhecida falta de cultura política, a sociedade de Macau adoptou, também, as desigualdades e, no extremo, a exclusão que o capitalismo sempre arrasta. Está agora a dar-se conta disso. Ao governo de Macau, habitualmente estigmatizado por suposta falta de legitimidade democrática (ironicamente de sentido contrário), abre-se agora a possibilidade de fazer doutrina na matéria e ser mesmo exemplo internacional.
Rodolfo Ascenso no Ponto Final.

2. A manifestação de cinco mil pessoas, ontem, nas ruas de Macau foi, sem margem para dúvidas, uma bofetada de luva branca na classe política e empresarial de Macau. Estas insistem, a um ritmo quase semanal, em passar atestados públicos de estupidez à população da RAEM. Finalmente, saiu para a rua um movimento social, organizado, capaz de exprimir as suas críticas, reivindicações e exigências sem temer que o fantasma da desestabilização social lhes seja imputado.
João Costeira Varela, Hoje Macau

3. Não sendo possível quantificar o número de manifestantes - todos os exercícios neste sentido são especulativos - nem parecendo ser isso o mais importante - em termos gerais, o número seria sempre reduzido a partir do momento em que a influente Associação Geral dos Operários se desmarcou do acontecimento - a grande vitória é do “segundo sistema” que mais uma vez se cumpriu, com a realização da manifestação.
José Rocha Dinis no Jornal Tribuna de Macau.

Estas são algumas pistas para uma reflexão que assume contornos mais complexos do que pode parecer a priori. A opção pela não-intervenção na economia e pela crença cega nas leis (im)perfeitas do mercado - linhas mestras que guiam o executivo da RAEM - tem os seus efeitos.
Muitos já tinham avisado; agora aconteceu. E duvido que este seja um caso isolado...
Há muitas movimentações que se conjugam no triénio 2006-2009: a "guerra" da sucessão de Edmund Ho, dizem, está em marcha acelerada; as assimetrias sociais agudizam-se; a batalha do jogo entrará numa nova fase.
As peças movimentam-se debaixo da cortina de fumo. E quando olhamos para Macau devemos recordar as palavras de João Aguiar:

Um pequeno universo difícil de aprisionar dentro de modelos que não sejam o seu…podemos ignorá-lo, desprezá-lo, mascará-lo, podemos fazer tudo excepto capturá-lo dentro dos limites estreitos da lógica comum. É um dragão, porque a China é terra de dragões. E é feito de fumo porque basta-lhe um momento ou um sopro para que a sua forma se altere e o que ontem foi deixe hoje de ser.(in “O Dragão de Fumo”).

P.S. Numa reflexão vinda das entranhas, Carlos Morais José olha assim para Macau:

Um filme francês dos anos 40 chamava a Macau “L’enfer du Jeu”, retratando uma cidade viciosa, contudo com patine, fascinante. Hoje caminhamos para o inferno do jogo, mas rodeados de plástico, nos prédios e nas almas das pessoas. Um inferno da cópia da cópia, do silicone, do falso, das vidas de preço módico. Acredito nas boas intenções do Chefe do Executivo mas, passados seis anos, é caso para dizer que de boas intenções está Macau cheio. E cada vez mais parecido com um pequeno inferno, onde a vida, a cultura, as pessoas têm cada vez menos consequência.

Vale a pena ler o artigo por inteiro: "Regresso ao inferno", no Hoje Macau.

Friday, April 28, 2006

Nepal Mao

Photobucket - Video and Image Hosting
Gavin Coates, no The Standard, 28-04-2006

China-EUA: Desafio, Ameaça e Interdependência

A propósito da visita do presidente chinês aos Estados Undios, a última capa da revista “Newsweek” mostra Hu Jintao e George W. Bush na primeira página com o título “The Real Clash of Civilizations”. No interior a publicação explica quais são os grande temas de fractura – direitos humanos, liberdades civis, valor do yuan, desrespeito pelos direitos de propriedade intelectual, as “amizades políticas” com estados párias ou nações que desafiam a hegemonia americana, etc – para concluir que enquanto Washington se tem preocupado ao longo dos últimos anos com o fundamentalismo islâmico, “China poses the most serious challenge to America and its global vision”.
Embora a Newsweek refira challenge e não threat, existe subjacente a este freaseado esse cartão da “Ameaça-China” que dá votos, vende livros e impressiona, mas é redutor e em certa medida perigoso.
Esta self-fulfilling prophecy não é recente e tem vindo a ganhar terreno em Washington quer nos meios políticos, intelectuais mais bélicos, quer nos media. Neste contexto, julgo que é importante e necessário entender o significado da emergência da China num plano mais vasto sem estar amarrado à tese de que a próxima guerra fria está para chegar e que um conflito entre a China e os EUA é inevitável. Esta asserção tem por base uma tendência de uma certa escola realista de entender que sempre que existe um processo de catching up entre um poder hegemónico e o seu principal concorrente, id est, uma transição de poder ou pelo menos uma reorganização da distribuição das capacidades no sistema internacional, a probabilidade de conflito aumenta ou será mesmo quase inevitável.
Historicamente, desde a segunda vaga de industrialização (estamos a falar nomeadamente na Europa Ocidental e nos EUA) o único caso claro em que não houve uma guerra ou conflito foi na transição de poder da Grã Bretanha para os EUA, nas duas primeiras décadas do século XX. Recentemente alguns académicos e analistas consideram que o que se está a passar com a China é uma reminiscência do que aconteceu com o Japão e com a Alemanha no passado.
É certo que os conceitos clássicos realistas de self-helf, interesse nacional, do dilema de segurança, na inexistência de autoridade na estrutura internacional composta por estados não perderam a validade depois do fim da guerra fria. Contudo, poderá ser insuficiente aplicar os óculos realistas clássicos, neorealistas ou realistas-mercantilistas ao que se está a passar no processo China-EUA que antes de mais é, obviamente, dinâmico.
De momento, apesar das diferenças que emergem e que foram referidas no primeiro parágrafo deste texto, o que predomina é a interdependência económica. Não quer isto dizer que não possamos vir a testemunhar uma viragem para um cenário em que na defesa do interesse nacional surjam (como estão a surgir) movimentos proteccionistas que criarão um ambiente propício ao conflito. Tudo depende de vários factores. Do processo de negociações na OMC, da política doméstica de cada país, das dinâmicas nas relações de cada um dos países com outros poderes como a Rússia, a China, a UE, etc, da construção das identidades enquanto poderes no relacionamento de um estado com o outro, da capacidade da China vencer o desafio de manter uma economia cada vez mais aberta e um sistema político centralizado e autoritário, da tentação norte-mericana para o containment da China em vez do engagement, etc.

Thursday, April 27, 2006

Ler Macau

"Desenvolvimento e desafios", José Isaque Duarte, No Hoje Macau.
"Preparem-se para 2009!", Paul Chan Wai Chi, idem.
"Ver para crer", Janet Ho, no Ponto Final.

Wednesday, April 26, 2006

Tuesday, April 25, 2006

Cravos de Abril à Mesa na China

Image hosting by Photobucket
Haikou, Abril de 2006.
O 25 de ABril representado acidentalmente à mesa de um restaurante em Hainão.
Uma imagem promonitória? Wishful-thinking? Um devaneio? Uma coincidência?

P.S. O 25 de Abril é comemorado em Macau pela comunidade portuguesa que este ano conta com a presençade Adelino Gomes, uma referência no jornalismo que viveu aquele dia ao lado de Salgueiro Maia.

Fórum Boao em três tempos

Image hosting by Photobucket
Image hosting by Photobucket
Image hosting by Photobucket
Boao, Hainão, 22 de Abril de 2006.

Monday, April 17, 2006

A viagem de 2006

Ler
1. Elizabeth Economy e Adam Segal: "Our Opportunity with China", no Washington Post.
2. Zhiqun Zhu: "China and the US: Moving beyond talking", no Asia Times.

O consenso de 1992 e a viagem de 2006

Hu Jintao fez um apelo para que sejam retomadas as conversações entre os dois lados do estreito tendo por base o consenso de 1992 que parte do princípio inquestionável que existe uma só China. Ao lado de Lien Chan, presidente honorário do Kuomintang, o histórico Partido Nacionalista e maior força política da oposição em Taiwan, o chefe de estado procura enviar um sinal a Washington dois dias antes de partir para os Estados Unidos para a sua primeira visita oficial. Com este gesto, Hu pretende magnânime para com o separatista presidente em Taipé, Chen Shui-Bian - que há algumas semanas anunciou a dissolução do Conselho da Reunificação - e, em simultâneo colocar no centro da agenda política dos encontros em solo norte-americano a questão de Taiwan, com o objectivo de ofuscar o incómodo superavit comercial chinês na relação com os EUA e as pulsões proteccionistas que subjazem e emergem no Congresso, em ano de eleições legislativas. Quer Democratas, quer Republicanos deverão fazer valer o cartão amarelo que querem mostrar à China, usando como argumento a questão do valor do yuan como princípio e fim do aumento do desequilíbrio na balança comercial. Já para não falar do "outsourcing". Ou seja culpar a China dá votos e todos os argumentos servem. Só não dá jeito lembrar que Pequim financia o défice orçamental norte-americano comprando em doses consideráveis títulos da dívida pública dos EUA.
Do lado chinês, o regime tem tentado dar sinais aos EUA de boa vontade em questões sensíveis como o Tibete ou nas relações com o Vaticano. Mas os sinais são contraditórios e enquanto uma mão parece relaxar, a outra funciona como um punho de ferro no controlo da liberdade de imprensa e de expressão. Parafraseando a The Economist:

“In recent months, China has even shown tentative signs of wanting progress in talks with representatives of the Dalai Lama and of the Vatican. Few expect breakthroughs soon. But in a gesture clearly aimed at pleasing Mr Bush, China last month allowed a Tibetan nun who had been imprisoned for 14 years for her outspoken support of the Dalai Lama to go to America for medical treatment. Still, Mr Hu has shown no real willingness to ease his suppression of dissent. Worried that rapid economic and social change could trigger instability, he is tightening controls. Mr Bush recently described China as a “big opportunity for democracy”. On this, Mr Hu will disappoint him” (...)

Nestas questões da China nem as "self-fulfill prophecies", nem o "wishful thinking" são bons conselheiros. Nas relações sino-americanas, Bush acabou por enunciar uma caraterização que, em si, contempla o essencial de um relacionamento que será crucial para este século.

"Very Positive and complex"
Muitos acrescentariam, "and interdependent". E acertadamente, por enquanto.

Thursday, April 13, 2006

Budismo, Socialismo de Mercado e Sociedade Harmoniosa

Image hosting by Photobucket
A organização, este ano, na China, em Hangzhou, do Fórum Mundial do Budismo não surge ao acaso e deve ser entendida no contexto da necessidade de Pequim cimentar o conceito de uma “Sociedade Harmoniosa”, que as autoridades têm vindo a defender e a divulgar nos últimos anos, em especial, desde 2003/2004, altura em que a quarta geração assumiu o poder.
Por outro lado, numa altura em que a legitimidade ideológica desvaneceu-se, o regime procura agarrar-se a outras formas de legitimação e de promoção dos valores que não se podem cingir ao princípio Denguista de “enriquecer é glorioso”. A orfandade ideológico está a ser substituída por um certo nacionalismo, ou pelo menos pela propaganda patriótica – basta ver mesmo aqui em Macau, a ênfase que é dada no discurso oficial e nos currículos escolares do “Amor à Pátria, Amor a Macau” ou, na China continental verificar o modo como Pequim tolera ou estimula o nacionalismo anti-japonês, como aconteceu nas manifestações de 2005 contra a revisão dos manuais escolares japoneses.
O Budismo, que entrou na China no início do século I, faz parte da identidade milenar da China, a par do Confucionismo e do Taoismo. Se durante a Revolução Cultural a herança Legalista foi recuperada de forma instrumental em oposição aos ensinamentos de Confúcio, do Taoísmo e do Budismo, actualmente a liderança do Partido e do estado acolhe de braços abertos este grande fórum mundial, salientando os pontos de contacto entre a folosofia e os ensinamentos do Budismo e os objectivos e valores centrais da República Popular. Não é por acaso que Liu Yandong, vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, afirmou:
"Buddhism has made important contribution to world peace and human civilization in the history. The forum will play a positive role in exploring how Buddhism can contribute to building a harmonious world,".

Ou que Qi Xiaofei, vice-presidente da Associação de Cultura Religiosa da China, explicitou:

"Chinese culture values the concept of harmony, which is quite similar to Buddhist doctrines. That's why Buddhism is more popular in China"

E quanto à putativa presença do Dalai Lama?

“In my opinion, if he appears at the forum, he will surely pose a really disharmonious note to the general harmonious tone of the forum” (…) “What we need here and now is dialogue rather than confrontation," he said, claiming that judging from Dailai Lama's activities in the past, he might bring about harm to the "harmony" theme of the forum. According to Qi, Dalai Lama is not only a religious figure, but also a long-time stubborn secessionist who has tried to split his Chinese motherland and break the unity among different ethnic groups (...)

Tuesday, April 11, 2006

Image hosting by Photobucket
Gavin Coates, The Standard, 11-04-2006

Uma inciativa de louvar

Observatório da China.

O Sínico saúda esta iniciativa e todos os investigadores, jovens e experientes, que estão, em Portugal, a desenvolver um trabalho muito importante e muito interessante sobre a política, a economia e a cultura chinesa.

"Um grupo de sete estudiosos e investigadores portugueses, com formação superior em assuntos da China decidiu juntar-se para constituir o Observatório da China. Nos objectivos anunciam querer contribuir para a reflexão, o estudo e a investigação do passado e do presente da China"
Ler mais no Ponto Final.

Monday, April 10, 2006

Breves da economia sínica

  • China has responded to a request by the United States and Europe to take part in WTO consultations over auto part tariff rules, the Commerce Ministry said Saturday.
    China's commissioner to the World Trade Organization, Sun Zhenyu, has informed the U.S. and EU ambassadors to the body that Beijing has accepted their request to participate in consultations
    . (Xinhua)
  • Japan has resumed talks to reach a free trade deal with the 10 members of the Association of Southeast Asian Nations after an eight-month stalemate. Japan will also hold bilateral talks during the three-day meeting with Cambodia, Laos and Myanmar, ASEAN's least developed states, in hopes of finding ways for Tokyo to help bridge the income gap in the regional bloc. (Channel News Asia)
  • O consórcio Mel/PBL, que recentemente adquiriu uma subconcessão de jogo em Macau à norte- americana Wynn Resorts lançou hoje o projecto Cidade dos Sonhos, um projecto de jogo, hotelaria e habitação orçado em 1,15 mil milhões de euros. (Lusa)