Monday, March 05, 2007

ANP


No interior do Grande Palácio do Povo,o vermelho omipresente esmaga. A banda do Exército Popular de Libertação dá o mote para a entrada em cena os lugares-tenente da Quarta Geração. A sala estremece ao som da "Marcha dos Voluntários", o hino da República Popular da China.
Ao fundo, o primeiro-ministro prepara-se para falar à Assembeleia, ao país e ao mundo. Sociedade harmoniosa, novo campo socialista, desenvolvimento sustentável, protecção do ambiente, combate às desigualdades entre as zonas rurais e os centros urbanos e nova legislação sobre a propriedade privada e acerca dos impostos sobre as empresas vão ser as palavras mais ouvidas. Durante duas horas, Wen Jiabao fala com determinação ao som do virar de folhas dos quase 3000 deputados, em uníssono.
Horas mais tarde vejo na CCTV 9 um debate sobre as experiências democráticas nas aldeias chinesas. De que modo vai emergir a "democracia socialista com características chinesas"? Afinal qual é a relação entre o signo o significado e o significante destas palavras?

O discurso de Wen Jiabao na imprensa:

"China Premier Vows to Support Education ", The Guardian.
"China to expand subsistence allowance system to all rural poor ", Xinhua
"Premier Says China to Focus on the Poor ", CBS News.
"A healthier - and better armed - China", Asia Times

Sunday, March 04, 2007

Breves de Pequim

1. Os gastos da China com a defesa vão aumentar 17 por cento. Este é o valor anunciado para o orçamento que vai ser votado na sessão anual da Assembleia Nacional Popular.

2. Na véspera do início da Assembleia Nacional Popular um deputado chamou a atenção para as injustiças enfrentadas pelos trabalhadores migrantes. Wang Yuancheng defendeu mais direitos sociais e políticos para os migrantes.





minutos antes da cerimónia de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

Thursday, March 01, 2007

De novo em trânsito

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O Sínico estará até 8 de Março perto da Cidade Proibida.

21 anos

Parabéns à melhor rádio do mundo!

O Incidente 228

Foi há 60 anos. No dia 28 de Fevereiro de 1947 as forças do governo do Kuomintang reprimiram uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas que protestavam em Taipé contra o Partido Nacionalista. As dúvidas permanecem quato ao número de mortes. Algumas centenas seguramente, vários milhares indicam alguns relatos. O debate ainda divide Taiwan:

"Hardline academics blame Japan for 228 Incident", Taipei Times
"Chen blasts Chiang over 228 role", Taipei Times.

Tuesday, February 27, 2007

Democracy?

First, the economic development and the social harmony.



Vale a pena ler o que escreveu o primeiro-ministro Wen Jiabao no Diário do Povo.

"Premier says promoting fairness and social justice is a major task", Diário do Povo.
"China needs world peace to continue developing', China Daily.
"Wen: China Democracy 100 Years Off", Time.

1. É ilustrativa a forma diferente como o texto de Wen Jiabao é tratado no Diário do Povo - órgão oficial do Partido Comunista Chinês - e na revista norte-americana Time.

2. A declaração de Wen Jiabao deve ser entendida como um ponto de partida para o discurso que vai efectuar na sessão anual da Assembleia Nacional Popular, na próxima semana, e, no fundo, como um manifesto político-ideológico da Quarta Geração.
É interessante notar que a carga marxista-leninista-com-características-chinesas volta ter mais peso no discurso da liderança da República Popular da China. "A construção do socialismo está ainda na primeira fase", afirma, deixando no ar a ideia (ilusão?) que o capitalismo da RPC - socialismo de mercado com características chinesas -consistirá numa fase transitória de desenvolvimento das forças produtivas.
Trata-se também - arrisco eu - de um discurso mais à la Deng Xiaoping do que tipicamente uma abordagem típica de Jiang Zemin.
No entanto, já avisava Simon Leys, isto de deslindar os discursos dos lideres da RPC assemelha-se à " arte de interpretar inscrições inexistentes escritas com tinta invisível numa página em branco".

3. Existe, nomeadamente no "Ocidente", um consenso segundo o qual mais cedo ou mais tarde os regimes autoritários evoluirão para sistemas de democracia liberal. Essa não é, como se esperaria, a visão da liderança chinesa. Em "China's New Rulers" Andrew Nathan e Ano Bruce Gilley deixam isso bem claro:

"The Chinese leader´s views about the long-term future are not clearly stated in the documents. We know there are some informed Chinese who think China should eventually adopt some form of liberal, constitutional democracy. But reading beteween the lines of the statements of the Fourth Generation leaders, we sense a different view. Some of them want to soften authoritarian rule, make ir more responsive and use the media and some political institutions, such as elections and courts, as tools to discipline the lower bureaucracy. But they think their society is too complex and turbulent to be governable by a truly open, competetive form of democracy. They think Chinese society needs strong guidance both for domestic development and for foreign policy". (pp 262-263)

Monday, February 26, 2007

II Fórum Internacional de Sinologia

Começa hoje, na Delegação Económica e Comercial de Macau em Portugal, Avenida 5 de Outubro, n. 115. Até 1 de Março particpam neste encontro vários especialistas entre eles Óscar Soares Barata, Joaquim Gonçalves Guimarães, Li Xiaoyun , Anne Cheng, He Weifang , Heitor Romana, Dora Martins, Zhang Xiaoming, Luís Filipe Barreto, Moisés Silva Fernandes, Carmen Mendes, entre outros, debatem as migrações internas e externas chinesas, o sistema político chinês, a cultura, a História, Macau, a medicina tradicional chinesa, música, cinema, o sistema judicial, entre outros temas.
De 8 a 11 de Março o Fórum continua no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia.
Em suma, para que estiver desse lado do mundo, a não perder!

Sunday, February 25, 2007

Leituras Pós-Dominicais

"Critiques of the Theory of International Regimes: The Viewpoints of Main Western Schools of thought", Men Honghua , IR China.
"In search of the perfect Malaysian ", Michael Vatikiotis no Asia Times.
"Europe's space wars", Economist.

A Quinta Geração II


Além do já referido Li Keqiang, Li Yuanchao é visto pelos "China watchers" como um dos mais fortes valores da "Quinta Geração". Actualmente é secretário do Partico Comunista na província de Jiangsu e membro do Comité Central. Se conseguir ascender ao Politburo do Comité Central no XVI Congresso, que terá lugar no último semestre deste ano, posicionar-se-á como um dos prováveis sucessores de Hu Jintao.
Willy Lam, no China Brief, escreve que

"Since coming back to serve in his rich native province in 2000, the Beida economics graduate has broken new ground in the sensitive area of administrative and political reform. For example, the party boss has encouraged open competition for candidates applying for posts up to the level of vice-directors of provincial departments. (...) Li has also earned plaudits for relatively enlightened policies on culture and the environment. For example, he raised eyebrows by saying that city planners should discourage the construction of glitzy skyscrapers, which spoil the landscape and lead to wastage of material and energy".

Saturday, February 24, 2007

Retratos

do trabalho (Abrupto glosado) no Mercado Filipino, em Kota Kinabalu, Malásia.









Fevereiro de 2007.

Sunday, February 18, 2007

Pausa e Leituras


Caros leitores,
Durante a próxima semana rumarei para Sul, pelo que o Sínico ficará quase inactivo até 24 de Fevereiro.
Entretanto ficam algumas sugestões de leitura:

"Nationalism, Internationalism and Chinese Foreign Policy", Chen Zhimin no Journal of Contemporary China.
"It may not be golden, but the Pig is here", Kent Ewing , no Asia Times.
"North Korean Nuclear Agreement: Back to the Future?", Shim Jae Hoon, Yale Global.
"America’s China Worries - I, II e III", Joan Johnson-Freese, Yale Global.

Saturday, February 17, 2007

Está à porta


O senhor Porco. Faça o favor de entrar!
Kung Hei Fat Choi
Gong Xi Fa Cai

Feliz Ano Novo Lunar do Porco.

Thursday, February 15, 2007

CFA: A Praga sinófoba


O artigo de opinião “A praga chinesa”, assinado por Clara Ferreira Alves (CFA), é de tal forma ofensivo, demostra um grau de ignorância e de xenofobia que a sua leitura, por si só, bastaria para que tirássemos as devidas conclusões. De qualquer modo, não resisto a transcrever aqui algumas pérolas de uma autora cuja credibilidade, rigor e lucidez de análise estão há muito em processo de erosão acelerada.

“As lojas chinesas são inestéticas, são concorrência desleal e estão a matar o equilíbrio do mercado e das lojas tradicionais portuguesas”.

“Se esta frase parece racista é provavelmente porque ela é racista. Não tenho simpatia pelas condições humanas e de trabalho na China, não me embasbaco com as Avenidas Madison de Pequim, e acho a sociedade chinesa cruel, fechada e desinteressante, remota em relação aos nossos gostos e conceitos. Os chineses são impenetráveis e a sua cultura de massas representa o que de mais «kitsch» a Humanidade consegue fabricar e vender pelo puro prazer do consumo gratuito”

“A população chinesa tem neste momento um problema de falta de homens, simplesmente porque se entreteve, durante décadas, a exterminar as mulheres e a matar o sexo feminino. Tudo, na China, é estranho à sensibilidade europeia, e não é pelo facto de a China ser uma potência emergente que se tornou uma sociedade mais humana ou mais amável.”

“Quem sustenta e apoia estes imigrantes que não sabem falar português e que não são de Macau nem são sobras do império, e lhes diz para vir inundar zonas economicamente deprimidas com quinquilharia ambulante. A China, além de poluir a terra (e toda a gente sabe que já não se consegue respirar em Hong Kong), polui o mundo com o seu modelo de negócio”.

Clara Ferreira Alves, "A Praga Chinesa", Revista Única, Expresso, 9 de Fevereiro de 2007.

Esta perspectiva de CFA ilustra, infelizmente, a visão afunilada e etnocênctrica de alguns "fazedores de opinião". Não me parece que valha a pena falar a CFA da cultura chinesa, das tradições milenares, confucionismo, do processo de desenvovlimento económico e social da China no período pós-Mao Zedong, de como a entrada de produtos mais baratos da China libertou verbas de consumidores europeus para adquirirem bens de valor acrescentado, de como o próprio pequeno comércio chinês está já a gerar postos de trabalho a portugueses em Portugal, da ascenção de uma classe média que representa uma grande oportunidade para a exportação de produtos europeus, do facto de, em 25 anos mais de 300 milhões de pessoas terem saído do estado de pobreza extrema na China, fruto das reformas económicas, da vida cultural e artística vibrante de Xangai, Pequim, Guangzhou, Harbin, etc, ect, ect.

P.S. Ler também Maria João Belchior no China em Reportagem e Carlos Oliveira no Além do Bojador.

P.S. 2 João Vasconcelos Costa também escreve sobre o assunto no Bloco de Notas.



Friday, February 09, 2007

Mensagem descodificada

Sim.

China-EUA em África

Curioso. Enquanto a China prossegue a sua ofensiva económica em África, os Estados Unidos anunciam a criação de um novo comando militar unificado para o continente africano. Os chineses procuram seduzir com o "soft power" do comércio e do investimento, ao passo que Washington acciona novos mecanismos do "hard power" militar.
Afinal quem representa a verdadeira ameaça?

Beidou GPS ganha forma

O lançamento de um quarto satélite de navegação "Beidou" por parte da China indica que Pequim pretende acelerar o processo de criação de um sistema de navegação e posicionamento por satélite próprio, alternativo ao GPS e ao Galileo. Já escrevi por aqui que, em meu entender, a participação da China no Galileo - o projecto europeu alternativo ao norte-americano GPS -tem como objectivo - entre outros -a transferência de tecnologia para que os chineses possam ter um sistema próprio e autónomo.
O blog projecto Galileo continuará a acompanhar este processo.