Tuesday, April 10, 2007

Hermenêutica


Foto: Xinhua

Quando entregou a "carta de nomeação" do cargo de Chefe do Executivo de Hong Kong a Donald Tsang, o primeiro-ministro Wen Jiabao citou uma passagem dos "Anacletos" de Confúcio:
"Benevolence is the responsability he has taken upon himsel: is it not heavy? Only after his death does it end: is it not long?"

Há dois anos quando Tsang foi empossado, pela primeira vez, o mesmo Wen tinha parafraseado outro ensinamento do Mestre:

"A scholar must not be without perspective, for his task is ardous and the road ahead is long"

O exercício da leitura nas entrelinhas, do implícitito, do não-dito está a intrigar os analistas em Hong Kong.

Saturday, April 07, 2007

Friday, April 06, 2007

Meanwhile in Macau...


Esta semana o Chefe do Executivo de Macau anunciou uma série de medidas na Assembleia Legislativa, apanhado de surpresa deputados e muitos observadores e cidadãos. Entre as medidas referidas destaca-se a suspensão doe esquema de aquisição de residência por compra de imóveis e a intenção do executivo de levara a cabo concursos públicos para concessão de terrenos com fins habitacionais. Outra medida sugerida diz respeito à descida idade mínima para concessão de pensão de velhice para os 60 anos.
O jornal Hoje Macau titula "Cedência ou talvez não", na edição de quarta-feira, referindo que as medidas anunciadas eram bandeiras levantadas pelos deputados da "oposição". O Jornal Tribuna de Macau fala de "uma mão cheia de reformas". Fazer leituras políticas em Macau não é tarefa fácil; as dúvidas sobrepõem-se às certezas. As medidas são positivas e podem sinalizar o regresso de Edmund Ho ao leme, depois de dois anos em que pareceu estar mais distante e sem controlo sobre alguns dossiers mais sensíveis.
Todavia seria "wishful thinking" pensar que, em Macau, o grau de intervenção do governo na economia e na sociedade possa aproximar-se de um "estado social". As medidas propostas advêm sobretudo de uma pressão que se tem feito sentir não apenas por parte dos sectores mais críticos (deputados da Associação Novo Macau Democrático ou Pereira Coutinho), mas igualmente dos "tradicionais" (Kai Fong e Operários). Não sendo crível que na RAEM possa ser edificado um "estado providência" - nem a lógica do "Segundo Sistema" o sugere, nem a actual liderança o pretende - seria positivo que emergisse uma rede de "sociedade providência", com a intervenção adequada do executivo para que se alcance a tão propalada "sociedade harmoniosa", no contexto "Um País, Dois Sistemas", num território "governado pelas suas gentes", que funciona como um a"plataforma". E já chega de lugares comuns, até porque este (Macau) sempre foi algo incomum. E específico.

Wednesday, April 04, 2007

Kissinger na China

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1- O Boston Globe (via Reuters) escreve que, para Kissinger, a emergência da China configura um risco de conflito com os Estados Unidos: "China's inevitable rise risks conflict: Kissinger"

2- A Xinhua refere que Kissinger defende que as relações sino-americanas deverão evoluir para um novo patamar de entendimento nas questões inertancionais: "Kissinger: Sino-U.S. ties to shape new int'l understanding"

Sunday, April 01, 2007

Blame China

Não pretendendo ignorar que a China nem sempre joga no comércio internacional com as armas mais justas e correctas, não posso deixar de ficar algo apreensivo com a decisão dos Estados Unidos de impor barreiras alfandegárias.
Na justificação, o secretário do Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, admitiu que "China's economy has developed to the point that we can add another trade remedy tool, such as the countervailing duty law. The China of today is not the China of years ago," .
A nova legislação dirige-se a produtos que sejam na China alvo de subsídios que distorcem o seu valor de mercado nas trocas internacionais. No caso da indústria do papel as tarifas vão variar entre 10 e 20 por cento. Mas o mais significativo prende-se com a possibilidade de as companhias norte-americanas poderem invocar, noutros sectores de actividade, que a existência de indústrias subsidiadas como um motivo suficiente para que novas tarifas sejam criadas.
A argumentação de Washington diz respeito aos facto de a China não ser considerada uma economia de mercado. É interessante verificar que vários países asiáticos e mesmo a Austrália já concederam o estatuto de economia de mercado á China. A União Europeia ainda não o fez - esse é dos espinhos do relacionamento sino-europeu. Contudo como se verificou no caso dos têxteis e dos sapatos os dois lados estão a resolver as disputas comerciais pela via do diálogo. Os EUA não. Existem várias razões para que Washington não o faça. Por um lado, o fenómeno de outsourcing, do fecho de portas de manufacturas que ou se mudam para outros mercados com mão-de-obra mais competitiva (neste caso mais barata), como a China, o Vietname entre outros países, ou pura e simplesmente encerram as actividades. A vitória do Partido Democrata nas eleições para o Senado e Congresso também não ajuda, uma vez que existem fortes tensões proteccionistas entre os democratas, em especial face à China.
Esta medida foi anunciada pelos EUA um dia depois de um alto funcionário do Departamento do Comércio ter dito que a China estava a demorar demasiado tempo a abrir vários sectores do mercado. Podemos estar perante uma mudança na política adoptada por Hank Paulson, secretário do Comércio dos EUA, de uma abordagem negociada e com base no diálogo com Pequim para uma atitude de maior confrontação e de diplomacia económica de megafone.

Saturday, March 31, 2007

Thursday, March 29, 2007

Novas do "País dos Sorrisos"


1. Um cidadão de nacionalidade suiça foi condenado a dez anos de prisão por ter "bricado" com a imagem do Rei em noite de copos, ainda por cima no dia do aniversário de Sua divindade.

2. Já há data anunciada para as eleições na Tailândia.

Tuesday, March 27, 2007

Pequim-Moscovo-Pequim

A propósito da visita de Hu Jintao à Rússia, seguindo a sugestão do Paulo Gorjão vale a pena ler este texto:

"Hu's trip to Russia: Without love, but ...", Yu Bin no Asia Times.

Monday, March 26, 2007

Quinta Geração III



Um sinal:

"XI Jinping, who held leadership positions in Zhejiang and other provinces, was appointed secretary of the Shanghai Municipal Committee of the Communist Party of China over the weekend."

"Xi Jinping appointed Shanghai Party chief", Shanhai Daily.
"A Princeling Takes Control Of Shanghai", Forbes.

Leituras Pós-Dominicais

"North Koreans hungry for a deal", Donald Kirk no Asia Times.
"China's gamblers are prize in Macao's casino war", David Barboza no IHT.
"Reframing China Policy Debate 4: U.S. Engagement and Human Rights in China", ver e ouvir o debate no site do Carnegie Endowment.

Sunday, March 25, 2007

Há meio século

Nascia um projecto único nas relações internacionais. A Comunidade Económica Europeia (CEE), criada e desenvolvida sobretudo numa lógica funcionalista, merece que as velas sejam sopradas, de pulmões cheios, neste dia 25 de Março. Em 50 anos os progressos foram notáveis. A crise institucional e de certo modo de legitimidade é motivo para uma reflexão séria sobre o ritmo da integração (a questão dos passos e das pernas) e acerca do lugar da UE no mundo.E da aqui a 50 anos como sérá?"The Europe of 2057 is a larger place, its borders stretched eastward to encompass Turkey and, probably, Russia. It is a greener place, where wind and sun power have supplanted fossil fuels. It has been the battleground for at least one new war. And the dominant language is English"

A Ler no International Herald Tribune.

Surpresa!!!

"Hong Kong's Tsang Wins Easy Victory", The Guardian.

Friday, March 23, 2007

Passou despercebida

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A escala de algumas horas que Li Changchun, membro do Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês, fez na segunda-feira em Lisboa. Li encontrou-se com Sócrates. Do que falaram?

"Senior Chinese leader Li Changchun said here Monday that China is ready to advance the all-round strategic partnership with Portugal to a new level.
Li made the remark during a meeting with Portuguese Prime Minister Jose Socrates Monday evening.
Li, a member of the Standing Committee of the Political Bureau of the Chinese Communist Party Central Committee, stopped over in Lisbon Monday on his way to a four-nation visit to Latin America. The trip will lead him to Mexico, Venezuela, Suriname and Peru. He will also visit Samoa, a island nation in the South Pacific.
During his meeting with Socrates, Li said China is ready to join hands with Portugal to substantially enhance practical cooperation in all areas. He said the two countries should respect the concerns of each other and promote their all-round strategic partnership to a new level."


Agência Xinhua.

O que resta?

Rui Bebiano, no seu sempre interessante "A Terceira Noite", pergunta: que resta então, no «Império do Meio», do socialismo e da utopia comunista?

Entre as várias respostas em jeito de pergunta, sublinho estas:

"As coreografias mecanizadas dos desfiles militares e dos espectáculos desportivos? As recepções cerimoniais às delegações dos «partidos irmãos»? Os stands na Festa do Avante?"

Por outro lado devemos perguntar: O que é menos prejudicial para a China e para o mundo? O totalitarismo Maoísta ou o autoritarismo - "socialismo de mercado com características chinesas" - desevolvimentalista da Era de Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao?

É claro que a Quinta modernização está por cumprir. A da democratização. É importante, por outro lado, verificar que existe uma tensão dentro do partido entre os que defendem um avanço mais rápido para a economia de mercado e outros sectores no Partido Comunista que procuram resistir a isso em nome do que resta do socialismo. Wen Jiabao e Hu Jintao procuram fazer uma síntese. E há sinais contraditórios. É a mão de ferro coma luva de veludo. Mas não deixa de ser interessante que a liderança fale e proponha o fim das propinas para o ensino obrigatório nas zonas rurais ou um esquema de saúde pública mais abrangente, além de outras medidas sociais (socialistas? sociais democratas? um neobismarkismo social?).

Wednesday, March 21, 2007

What if...

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Um historiador australiano garante que um navegador português chegou primeiro à Austrália e Nova Zelândia que o famoso capitão britânico James Cook.
Com base num mapa antigo, Peter Trickett afirma aque uma armada de quatro embarcações partiu de Malaca para um missão secreta em 1522 tendo chegado à costa leste da Austrália e à ilha do norte da Nova Zelândia.

No livro "Beyond Capricorn", o historiador escreve que se o exército português não tivesse cometido o erro de tentar invadir sem sucesso Marrocos nos anos 1560, a Austrália poderia ter-se tronado numa colónia portuguesa. Trickett adiantou ainda, em declarações aos jornalistas, que "os australianos falariam agora português e jogariam bem melhor futebol" .


"A 16th century maritime map in a Los Angeles library vault proves that Portuguese adventurers, not British or Dutch, were the first Europeans to discover Australia, says a new book which details the secret discovery of Australia.
The book "Beyond Capricorn" says the map, which accurately marks geographical sites along Australia's east coast in Portuguese, proves that Portuguese seafarer Christopher de Mendonca led a fleet of four ships into Botany Bay in 1522 -- almost 250 years before Britain's Captain James Cook".


"Author: Map proves Portuguese discovered Australia", Reuters via CNN.

"We'd all be speaking Portuguese, I suppose," Trickett said. "And we'd be a lot better at soccer."

Ler também: "Portuguese visited New Zealand '250 years before Cook'", New Zealand Herald.


Macau-Pyongyang

"Ninguém sabe, quer ou pode comentar. Mas entre 1999 e 2002, de acordo com dados oficiais do governo de Macau, o regime de Pyongyang fez passar em trânsito pela RAEM quase 10 toneladas de armas e munições. Os serviços de Alfândega ainda começaram por se mostrar disponíveis para fornecer informações sobre o assunto. Mas, por “ordens superiores”, remeteram-se depois ao silêncio"

"Que armas fez a Coreia do Norte passar por Macau? , Ricardo Pinto no Ponto Final.

Bloggin' in Singapore

"How can Singapore, in its purported aim to become a cutting-edge knowledge-driven economy, afford not to have a vibrant digital news industry? For now, there are no indications as to whether this question is even being addressed in the corridors of power, though it is being vigorously discussed in various Web-based forums"

Alex Au no Asia Times.

Tuesday, March 20, 2007

Boas Vindas

Ao "Within a Sky Full of Earth ", um blog oriental interessante e de bom gosto. A visitar com regularidade.

Sunday, March 18, 2007

Leiruras Dominicais

"The third way for China", Review do livro The China Fantasy de James Mann por Benjamin A Shobert no Asia Times.

"Estado da Nação ", Maria João Belchior no China em Reportagem.

"China's Manchu speakers struggle to save language", David Lague no IHT.

Saturday, March 17, 2007

Beidou: espaço e posicionamento

Texto publicado no jornal Hoje Macau, 16 de Março de 2007.

José Carlos Matias

Nas últimas semanas, o programa espacial chinês voltou à agenda dos meios de comunicação devido à realização do teste anti-satélite que destrui um antigo satélite meteorológico no espaço. Um outro desenvolvimento que recebeu menos atenção reflecte um outro passo dado pela China no âmbito da tecnologia espacial: foi lançado o quarto satélite do sistema de navegação Beidou, depois de quatro anos de inactividade do programa de navegação por satélite da China. Começa assim a desenhar-se um sistema alternativo ao norte-americano GPS e mesmo ao sistema europeu Galileo, do qual a China faz parte enquanto parceiro externo preferencial. À medida que (ler mais no blogue Projecto Galileo)

Thursday, March 15, 2007

O Caso Banco Delta Ásia

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou um relatório arrasador sobre as actividades do Banco Delta Ásia. O Governo de Macau diz que nunca recebeu dos Estados Unidos quaisquer provas do envolvimento do Delta Ásia em actividades ilícitas com o regime norte-coreano.

Breves leituras na imprensa:

"China 'regrets' US ruling on bank ", BBC.
"N. Korea said to tie nuclear accord to freeing of funds", International Herald Tribune.
"China Says U.S. Move on Macau Bank Threatens Talks ", Bloomberg.


"O secretário para a Economia e Finanças do Governo de Macau, Francis Tam, afirmou hoje que os Estados Unidos não apresentaram qualquer prova de comportamentos ilícitos do Banco Delta Ásia.
O banco Delta Ásia é acusado pelos Estados Unidos desde 2005 de ser um dos suportes a alegadas actividades ilegais de e em favor da Coreia do Norte com vista ao financiamento do regime e do seu programa de armamento, nomeadamente o nuclear.
Questionado pelos jornalistas se o Tesouro norte-americano tinha apresentado provas de actividades ilegais do banco, Francis Tam respondeu apenas: "não".


Lusa/Macau

Tuesday, March 13, 2007

Sinais

As relações entre a União Europeia e a China no que diz respeito à cooperação em indústrias estratégicas e de tecnologia sensível podermsofrer algumas alterações. A China já tinha revelado que vai acelerar o desenvolvimento do Beidou - sistema de navegação e posicionamento por satélite, que objectivamente vai emergir como um rival quer do norte-americano GPS, quer do projecto europeu, o Galileo (em que a China está envovida como parceiro preferencial externo). Agora surge a notícia do projecto de construção de aviões comerciais de longo curso, o que irá colocar pressão sobre a concorrência, a norte-americana Boeing e a conturbada europeia Airbus.
Começa a desenhar-se uma relação de forças triangular em termos geo-económicos, especialmente no que diz respeito a indústrias estratégicas que envolvem aplicações militares e civis - aeronáutica e projecção de poder no espaço.

A ler com atenção:

"China's satellite navigation plans threaten Galileo", Paul Marks na New Scientist.
"China to challenge Boeing and Airbus", Jonathan Watts no The Guardian.

Monday, March 12, 2007

Leituras Pós-Dominicais

Fui alertado por um amigo para este texto de João Carlos Barradas:

"Os safanões da Bolsa de Xangai representam uma preocupação menor para os dirigentes chineses bem mais atormentados pelo esgotamento do modelo de desenvolvimento económico seguido desde os anos 80, como constatou, uma vez mais, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, na abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular."

No Jornal de Negócios

Friday, March 09, 2007

Propriedade

A nova lei da propriedade privada foi apresentada na Assembleia Nacional Popular. A Maria João Belchior chama a atenção para o significado deste passo que já sendo esperado, sabe-se que gera divisões dentro do Partido.
O Diário do Povo publica na íntegra a proposta.
A The Economist escreve:
"Property rights are at the root of both—which is why the dozing NPC delegates may have started a process this month that will one day change their country completely".
Ler também:
"China property law bolsters private rights", Reuters.

Tuesday, March 06, 2007

A Paz Celestial e o Mundo Harmonioso



Ao longo de mais de uma hora Li Zhaoxing falou dos grandes temas da actualidade internacional: Darfur, Médio Oriente, África, Japão, Coreia do Norte, Irão, posição da China no mundo, etc. Depois de atravessar a infindável Praça de Tiananmen - com membros do Exército Popular de Libertação e da Polícia a cada esquina (imagine-se uma praça com esquinas), numa tarde fria, bonita, azul clara, chego a sala que já está abarrotar de jornalistas de todo o mundo.
Li é uma figura "castiça": simpático, expressivo, e com uma ponta de sentido de humor. A conferência de imprensa começa com uma pergunta de um jornalista da Rádio China Internacional, órgão oficial:
"A China tem assumido um papel de cada vez maior relevância nas questões internacionais. Vários países ocidentais criticam a China por negligenciar os assuntos liugados aos direitos humanos nas relações bilaterais que estabelece. Qual é o seu comentário?"

As declarações de Li Zhaoxing na imprensa:

"China urges Japan to confront wartime sexual slavery", Reuters via IHT.
"China urges Iran to cooperate with nuclear agency", AP
"China hopes to see peace in Iraq and Middle East ", Xinhua.

Monday, March 05, 2007

ANP


No interior do Grande Palácio do Povo,o vermelho omipresente esmaga. A banda do Exército Popular de Libertação dá o mote para a entrada em cena os lugares-tenente da Quarta Geração. A sala estremece ao som da "Marcha dos Voluntários", o hino da República Popular da China.
Ao fundo, o primeiro-ministro prepara-se para falar à Assembeleia, ao país e ao mundo. Sociedade harmoniosa, novo campo socialista, desenvolvimento sustentável, protecção do ambiente, combate às desigualdades entre as zonas rurais e os centros urbanos e nova legislação sobre a propriedade privada e acerca dos impostos sobre as empresas vão ser as palavras mais ouvidas. Durante duas horas, Wen Jiabao fala com determinação ao som do virar de folhas dos quase 3000 deputados, em uníssono.
Horas mais tarde vejo na CCTV 9 um debate sobre as experiências democráticas nas aldeias chinesas. De que modo vai emergir a "democracia socialista com características chinesas"? Afinal qual é a relação entre o signo o significado e o significante destas palavras?

O discurso de Wen Jiabao na imprensa:

"China Premier Vows to Support Education ", The Guardian.
"China to expand subsistence allowance system to all rural poor ", Xinhua
"Premier Says China to Focus on the Poor ", CBS News.
"A healthier - and better armed - China", Asia Times

Sunday, March 04, 2007

Breves de Pequim

1. Os gastos da China com a defesa vão aumentar 17 por cento. Este é o valor anunciado para o orçamento que vai ser votado na sessão anual da Assembleia Nacional Popular.

2. Na véspera do início da Assembleia Nacional Popular um deputado chamou a atenção para as injustiças enfrentadas pelos trabalhadores migrantes. Wang Yuancheng defendeu mais direitos sociais e políticos para os migrantes.





minutos antes da cerimónia de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

Thursday, March 01, 2007

De novo em trânsito

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O Sínico estará até 8 de Março perto da Cidade Proibida.

21 anos

Parabéns à melhor rádio do mundo!

O Incidente 228

Foi há 60 anos. No dia 28 de Fevereiro de 1947 as forças do governo do Kuomintang reprimiram uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas que protestavam em Taipé contra o Partido Nacionalista. As dúvidas permanecem quato ao número de mortes. Algumas centenas seguramente, vários milhares indicam alguns relatos. O debate ainda divide Taiwan:

"Hardline academics blame Japan for 228 Incident", Taipei Times
"Chen blasts Chiang over 228 role", Taipei Times.

Tuesday, February 27, 2007

Democracy?

First, the economic development and the social harmony.



Vale a pena ler o que escreveu o primeiro-ministro Wen Jiabao no Diário do Povo.

"Premier says promoting fairness and social justice is a major task", Diário do Povo.
"China needs world peace to continue developing', China Daily.
"Wen: China Democracy 100 Years Off", Time.

1. É ilustrativa a forma diferente como o texto de Wen Jiabao é tratado no Diário do Povo - órgão oficial do Partido Comunista Chinês - e na revista norte-americana Time.

2. A declaração de Wen Jiabao deve ser entendida como um ponto de partida para o discurso que vai efectuar na sessão anual da Assembleia Nacional Popular, na próxima semana, e, no fundo, como um manifesto político-ideológico da Quarta Geração.
É interessante notar que a carga marxista-leninista-com-características-chinesas volta ter mais peso no discurso da liderança da República Popular da China. "A construção do socialismo está ainda na primeira fase", afirma, deixando no ar a ideia (ilusão?) que o capitalismo da RPC - socialismo de mercado com características chinesas -consistirá numa fase transitória de desenvolvimento das forças produtivas.
Trata-se também - arrisco eu - de um discurso mais à la Deng Xiaoping do que tipicamente uma abordagem típica de Jiang Zemin.
No entanto, já avisava Simon Leys, isto de deslindar os discursos dos lideres da RPC assemelha-se à " arte de interpretar inscrições inexistentes escritas com tinta invisível numa página em branco".

3. Existe, nomeadamente no "Ocidente", um consenso segundo o qual mais cedo ou mais tarde os regimes autoritários evoluirão para sistemas de democracia liberal. Essa não é, como se esperaria, a visão da liderança chinesa. Em "China's New Rulers" Andrew Nathan e Ano Bruce Gilley deixam isso bem claro:

"The Chinese leader´s views about the long-term future are not clearly stated in the documents. We know there are some informed Chinese who think China should eventually adopt some form of liberal, constitutional democracy. But reading beteween the lines of the statements of the Fourth Generation leaders, we sense a different view. Some of them want to soften authoritarian rule, make ir more responsive and use the media and some political institutions, such as elections and courts, as tools to discipline the lower bureaucracy. But they think their society is too complex and turbulent to be governable by a truly open, competetive form of democracy. They think Chinese society needs strong guidance both for domestic development and for foreign policy". (pp 262-263)

Monday, February 26, 2007

II Fórum Internacional de Sinologia

Começa hoje, na Delegação Económica e Comercial de Macau em Portugal, Avenida 5 de Outubro, n. 115. Até 1 de Março particpam neste encontro vários especialistas entre eles Óscar Soares Barata, Joaquim Gonçalves Guimarães, Li Xiaoyun , Anne Cheng, He Weifang , Heitor Romana, Dora Martins, Zhang Xiaoming, Luís Filipe Barreto, Moisés Silva Fernandes, Carmen Mendes, entre outros, debatem as migrações internas e externas chinesas, o sistema político chinês, a cultura, a História, Macau, a medicina tradicional chinesa, música, cinema, o sistema judicial, entre outros temas.
De 8 a 11 de Março o Fórum continua no Auditório Municipal de Vila Nova de Gaia.
Em suma, para que estiver desse lado do mundo, a não perder!

Sunday, February 25, 2007

Leituras Pós-Dominicais

"Critiques of the Theory of International Regimes: The Viewpoints of Main Western Schools of thought", Men Honghua , IR China.
"In search of the perfect Malaysian ", Michael Vatikiotis no Asia Times.
"Europe's space wars", Economist.

A Quinta Geração II


Além do já referido Li Keqiang, Li Yuanchao é visto pelos "China watchers" como um dos mais fortes valores da "Quinta Geração". Actualmente é secretário do Partico Comunista na província de Jiangsu e membro do Comité Central. Se conseguir ascender ao Politburo do Comité Central no XVI Congresso, que terá lugar no último semestre deste ano, posicionar-se-á como um dos prováveis sucessores de Hu Jintao.
Willy Lam, no China Brief, escreve que

"Since coming back to serve in his rich native province in 2000, the Beida economics graduate has broken new ground in the sensitive area of administrative and political reform. For example, the party boss has encouraged open competition for candidates applying for posts up to the level of vice-directors of provincial departments. (...) Li has also earned plaudits for relatively enlightened policies on culture and the environment. For example, he raised eyebrows by saying that city planners should discourage the construction of glitzy skyscrapers, which spoil the landscape and lead to wastage of material and energy".

Saturday, February 24, 2007

Retratos

do trabalho (Abrupto glosado) no Mercado Filipino, em Kota Kinabalu, Malásia.









Fevereiro de 2007.

Sunday, February 18, 2007

Pausa e Leituras


Caros leitores,
Durante a próxima semana rumarei para Sul, pelo que o Sínico ficará quase inactivo até 24 de Fevereiro.
Entretanto ficam algumas sugestões de leitura:

"Nationalism, Internationalism and Chinese Foreign Policy", Chen Zhimin no Journal of Contemporary China.
"It may not be golden, but the Pig is here", Kent Ewing , no Asia Times.
"North Korean Nuclear Agreement: Back to the Future?", Shim Jae Hoon, Yale Global.
"America’s China Worries - I, II e III", Joan Johnson-Freese, Yale Global.

Saturday, February 17, 2007

Está à porta


O senhor Porco. Faça o favor de entrar!
Kung Hei Fat Choi
Gong Xi Fa Cai

Feliz Ano Novo Lunar do Porco.

Thursday, February 15, 2007

CFA: A Praga sinófoba


O artigo de opinião “A praga chinesa”, assinado por Clara Ferreira Alves (CFA), é de tal forma ofensivo, demostra um grau de ignorância e de xenofobia que a sua leitura, por si só, bastaria para que tirássemos as devidas conclusões. De qualquer modo, não resisto a transcrever aqui algumas pérolas de uma autora cuja credibilidade, rigor e lucidez de análise estão há muito em processo de erosão acelerada.

“As lojas chinesas são inestéticas, são concorrência desleal e estão a matar o equilíbrio do mercado e das lojas tradicionais portuguesas”.

“Se esta frase parece racista é provavelmente porque ela é racista. Não tenho simpatia pelas condições humanas e de trabalho na China, não me embasbaco com as Avenidas Madison de Pequim, e acho a sociedade chinesa cruel, fechada e desinteressante, remota em relação aos nossos gostos e conceitos. Os chineses são impenetráveis e a sua cultura de massas representa o que de mais «kitsch» a Humanidade consegue fabricar e vender pelo puro prazer do consumo gratuito”

“A população chinesa tem neste momento um problema de falta de homens, simplesmente porque se entreteve, durante décadas, a exterminar as mulheres e a matar o sexo feminino. Tudo, na China, é estranho à sensibilidade europeia, e não é pelo facto de a China ser uma potência emergente que se tornou uma sociedade mais humana ou mais amável.”

“Quem sustenta e apoia estes imigrantes que não sabem falar português e que não são de Macau nem são sobras do império, e lhes diz para vir inundar zonas economicamente deprimidas com quinquilharia ambulante. A China, além de poluir a terra (e toda a gente sabe que já não se consegue respirar em Hong Kong), polui o mundo com o seu modelo de negócio”.

Clara Ferreira Alves, "A Praga Chinesa", Revista Única, Expresso, 9 de Fevereiro de 2007.

Esta perspectiva de CFA ilustra, infelizmente, a visão afunilada e etnocênctrica de alguns "fazedores de opinião". Não me parece que valha a pena falar a CFA da cultura chinesa, das tradições milenares, confucionismo, do processo de desenvovlimento económico e social da China no período pós-Mao Zedong, de como a entrada de produtos mais baratos da China libertou verbas de consumidores europeus para adquirirem bens de valor acrescentado, de como o próprio pequeno comércio chinês está já a gerar postos de trabalho a portugueses em Portugal, da ascenção de uma classe média que representa uma grande oportunidade para a exportação de produtos europeus, do facto de, em 25 anos mais de 300 milhões de pessoas terem saído do estado de pobreza extrema na China, fruto das reformas económicas, da vida cultural e artística vibrante de Xangai, Pequim, Guangzhou, Harbin, etc, ect, ect.

P.S. Ler também Maria João Belchior no China em Reportagem e Carlos Oliveira no Além do Bojador.

P.S. 2 João Vasconcelos Costa também escreve sobre o assunto no Bloco de Notas.



Friday, February 09, 2007

Mensagem descodificada

Sim.

China-EUA em África

Curioso. Enquanto a China prossegue a sua ofensiva económica em África, os Estados Unidos anunciam a criação de um novo comando militar unificado para o continente africano. Os chineses procuram seduzir com o "soft power" do comércio e do investimento, ao passo que Washington acciona novos mecanismos do "hard power" militar.
Afinal quem representa a verdadeira ameaça?

Beidou GPS ganha forma

O lançamento de um quarto satélite de navegação "Beidou" por parte da China indica que Pequim pretende acelerar o processo de criação de um sistema de navegação e posicionamento por satélite próprio, alternativo ao GPS e ao Galileo. Já escrevi por aqui que, em meu entender, a participação da China no Galileo - o projecto europeu alternativo ao norte-americano GPS -tem como objectivo - entre outros -a transferência de tecnologia para que os chineses possam ter um sistema próprio e autónomo.
O blog projecto Galileo continuará a acompanhar este processo.

Thursday, February 08, 2007

A propósito

da visita de Hu Jintao a Moçambique, que teve hoje início, vale a pena ler a carta aberta de Marcelo Mosse ao presidente da República Popular da China:

"Carta Aberta a Hu Jintao", via blog Moçambique para todos.

Ver também,

"Broader prospect of co-op between China, Mozambique ", Xinhua.

Wednesday, February 07, 2007

Parabéns

Ao Fórum Luso-Asiático que completa hoje 10 anos.

Index

1 - Cang Sang by Xiao Jian tells the story of a man in northern Shaanxi from the 1911 Revolution to the Great Leap Forward.

2- Object: The Road to Politics by a People's Congress Member by journalist Zhu Ling tells of the 12-year struggle of activist Yao Lifa to run for a seat in the local legislature.

3- Past Stories of Peking Opera Stars by Zhang Yihe is an account of the lives and deaths of seven Peking Opera artists.

4- The Family History of an Ordinary Chinese by Guo Ya describes the experiences of a normal Chinese family during the war of liberation, the Cultural Revolution and other eras.

5- The Other Stories of History: My Days at the Supplement Division of the People's Daily by Yuan Ying is a memoir of time working for the People's Daily.

6- Era of History edited by Kuang Chen is a historic series on major events from the 1950s to the 1980s.

7 - This is How it Goes@sars.com by Hu Fayun tells the story of a woman who fell in love with the internet at the cost of her relationship with a vice-mayor during the Sars outbreak.

8- The Press by Zhu Huaxiang uses fictional characters to tell of the intrigues and behind-the-news stories of China's media industry.

Lista de oito livros na "lista negra" de Pequim, banidos na China continental - South China Morning Post (19-01-2007), via Asia Media. Tentarei encontrá-los deste lado, no segundo sistema.

Tuesday, February 06, 2007

A quinta geração I


Este é Li Keqiang, líder do Partido em Liaoning e considerado o primus inter pares dos "pretegés" de Hu Jintao. Caso o presidente ganhe o braço de ferro sobre o Grupo de Xangai é bastante provável que seja designado para o Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês no Outono deste ano no Congresso do PCC; se assim for, estamos perante um candidato à sucessão. Sobre Li Keqiang, Willy Lam escreve que

"[He] has risen so fast through the hierarchy that party insiders have dubbed him the potential “core of the Fifth-Generation leadership,” a reference to senior cadres now in their late 30s to early 50s".
(...)
"Yet Beijing’s political observers have only given Li a mediocre rating. They point to his six-odd years in Henan, first as vice-party secretary, then as governor and party secretary"
(...)
"t is true that during his tenure the economy of Henan, China’s largest province in terms of population, has improved in lockstep with the rest of the country.
(...)
"Party Secretary Li was also ineffective in deterring grassroots officials from pocketing funds and donations that central authorities and foreign NGOs had given AIDS victims in 2003 and 2004."

Willy Lam, "The Fifth Generation of Chinese Communist Party", China Brief, Volume 6 , Issue 3 (February 01, 2006).



Incrível!

Não é que deixei passar em claro o segundo aniversário do Sínico?! Em jeito de balanço, hoje ultrapassámos os 30 mil page views (17,763 unique visitors). Obrigado a todos os que visitam este canto da blogosfera.

Monday, February 05, 2007

Leituras Pós-Dominicais

"China jumps in", Stephanie Kleine-Ahlbrandt and Andrew Small no IHT.

"CHINA’S DEFENSE WHITE PAPER: WHAT IT DOES (AND DOESN’T) TELL US", Christopher Griffin,e Dan Blumenthal no China Brief da Jamestown Foundation.

"China's Poison for the Planet", Andreas Lorenz e Wieland Wagner no Spiegel Online.

Sócrates na China e em Macau: breves notas

1 - As declarações de Manuel Pinho não foram felizes, mas não me restam dúvidas que houve um empolamento do caso. Para isso contou também o ainda o mais inábil esclarecimento do ministro e as palavras do primeiro-ministro.

2 - Sócrates teve um discurso repetitivo e redondo, mas certinho, sem "gaffes". O balanço da sua prestação é positivo. O governo português fez o número que se esperava: assinou acordos, fez declarações de intenção e teve um discurso de sintonia com Pequim. Agora já se sabe: o executivo apenas é facilitador - os negócios são com as empresas.

3 - A classe empresarial jura que, agora sim, agora é que as empresas portuguesas vão olhar para a China como uma prioridade. Quanto a isto, convém dizer que me pareceu que não havia grande trabalho de casa feito; por outro lado, este discurso já tinha sido ouvido noutras comitivas empresariais que viajaram com Soares, Cavaco Silva e Guterres nos anos noventa ou com Sampaio há dois anos.

4 - Existe uma contradição entre o discurso de aumento do investimento português na China e a eventual vontade da EDP em vendera participação que tem na CEM. Ainda há menos de dois anos o BCP vendeu o BCM, já para não falar da saída da PT da TV Cabo Macau. Embora estejamos perante casos diferentes, o resultado é o mesmo: esvaziamento da presença empresarial portuguesa em Macau, quando a RAEM cresce como cresce...

5 – Dizer à China que “Portugal é uma porta de entrada para a Europa e para África”, como referiu José Sócrates num discuso, no sábado, em Macau, é o mesmo que entregar as chaves de casa a alguém que já lá está dentro. Talvez empresas chinesas abram as portas a companhias portuguesas para investimentos conjuntos na Europa e em África. Boa ideia, não?

6 – Quais questões?

Sócrates dixit: (Portugal e China têm) "relações maduras, desenvolvidas e com confiança mútua, partilhando os mesmos pontos de vista em relação às principais questões mundiais".

Friday, February 02, 2007

Bem Vindo a Macau, Senhor Primeiro-Ministro

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Não se esqueça:
Macau
Um País Dois Sistemas
Macau Governado pelas suas gentes
Transição exemplar
Amizade luso-chinesa secular
Plataforma com os países de língua portuguesa
Porta de entrada
Placa Giratória
Sociedade Harmoniosa

Thursday, February 01, 2007

JoaKim Jong-nan da Silva Barreiros

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"O cônsul-geral de Portugal em Macau negou hoje que Kim Jong-nam, filho mais velho do líder norte-coreano, seja detentor de um p assaporte português emitido em Macau tal como foi avançado pelo diário de Hong K ong South China Morning Post".

(...)

Numa busca efectuada na base de dados do Consulado de Macau não existe nenhum passaporte português emitido tanto em nome do senhor Kim Jong-nam como n os nomes de Pang Xiong e de Kim Chul", referiu o embaixador Pedro Moitinho de Al meida em declarações à agência Lusa, aludindo a outros dois nomes alegadamente u sados pelo filho de Kim Jung-il.
Nesse sentido, o diplomata considera que a existir qualquer documento d e viagem português com referência à emissão no consulado de Macau "só pode ser f also".


Lusa. Macau.

Kim Jong Il Jr, conterrâneo e compatriota

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Coreia Norte: Filho de Kim Jong-il tem passaporte português, vive em Macau

"Lusa, Pequim - Kim Jong-nam, o filho mais velho do líder norte-coreano K im Jong-il, vive em Macau e tem passaporte português, diz hoje a cadeia de telev isão sul-coreana YTN, numa informação que a embaixada norte-coreana em Pequim re cusou comentar.
"Não sabemos nem comentamos", disse à Agência Lusa um funcionário da embaixada d a Coreia do Norte em Pequim. A televisão sul-coreana afirma que Kim Jong-nam regressou no domingo a Macau, vi ndo de Pequim, onde se submeteu a exames médicos. Contactada pela Agência Lusa, a representação de Macau em Pequim afirmou também desconhecer as viagens de Kim Jong-nam, ou se o filho primogénito do ditador nor te-coreano vive no antigo território sobre administração portuguesa.
O jornal "South China Morning Post", de Hong Kong, afirma também que Kim Jong-na m "viaja com passaportes de Portugal e da República Dominicana".
A presença de Kim em Macau estará relacionada, afirma a YTN, com o congelamento de 24 milhões de dólares em várias contas bancárias de Kim Jong-il no Banco Delt a Ásia (BDA) em Macau.
Em Setembro de 2005, os Estados Unidos mandaram suspender todas as transacções n orte-coreanas com este banco de Macau depois de o acusar de distribuir moeda fal sa na Coreia do Norte e de branquear dinheiro.
A cadeia televisiva YTN disse hoje que Kim Jong-nam abriu uma conta bancária em 2005 num banco de Hong Kong, com o nome de Kim Chul, e agora a entidade bancária pediu explicações ao filho do líder norte-coreano.

Wednesday, January 31, 2007

Significativo


É significativo que Alan Leong tenha conseguido as nomeações suficientes para se apresentar nas eleições para Chefe do Executivo de Hong Kong. Sabe-se que Donald Tsang é o vencedor antecipado por ser o escolhido por Pequim e por ter o apoio provável de cerca de 650 dos 800 membros do Comité Eleitoral que elege o chefe do governo de Hong Kong. Contudo, esta é a primeira vez que existe um candidato alternativo a quem tem o apoio de Pequim, sendo que neste caso é um destacado legislador do Partido Cívico, organização política pro-democracia que tem mostrado grande dinamismo e lucidez.

"Democracy champion to contest Hong Kong leadership", Sydney Morning Herald.

China ausente/presente

Quem chega pela primeira vez à Ásia Oriental, vindo de Portugal, repara que na "metrópole" a atenção que é dirigida aos Extremo Oriente é manifestamente diminuta face ao papel que este lado do mundo ocupa na economia e na política internacional. Esse desinteresse começa, desde logo, na generalidade dos meios de comunicação social. Admito que, por ser jornalista e viver em Macau não entenda que na maioria dos media de Lisboa o que se passa para lá (no meu caso para cá) do Afeganistão pouco interessa. Temos Timor-leste e o epifenómeno de Macau em 1999, mas essas são excepções conjunturais.
Não estou tanto a falar de Macau - embora também note que quando leio a Reuters a The Economist, New York Times veja mais vezes notícias e reportagens sobre Macau que na maioria dos media de Portugal. Refiro-me mais à China, país que tem sido alvo de grande atenção por parte do La Reppublica, El Pais, Agência Efe, Liberation, Le Monde, Guardian, etc, só para falar de alguns jornais de referência europeus.

Esta ausência das questões da China – com a excepção da Agência Lusa que vai produzindo notícias com bastante regularidade de Macau e de Pequim - e do resto da Ásia de Leste (Tailândia, Malásia ou Vietname, etc) nos meios de comunicação social coincide com o nível das relações económicas e comerciais.

Não seria, no entanto, correcto ignorar os passos que têm sido dados nos últimos anos: as trocas comerciais aumentaram, há novos investimentos e iniciativas que poderão ter algum impacto com a criação do Centro de Distribuição do Produtos Portugueses na China, cuja escritura vai ser assinada no próximo sábado em Macau. A criação em Macau, pela China, do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa representa uma oportunidade para tirar proveito de mecanismo de cooperação tripartida Portugal-China-PALOP. Quanto à investida lusitana por esse Rio das Pérolas acima dá a impressão que muito poucas empresas portuguesas terão fôlego para entrar a sério na República Popular. Há no entanto espaços em que as empresas de Portugal poderão entrar, a nível provincial, em projectos específicos; em nichos de mercado que na China representam grandes oportunidades para a escala portuguesa. Até porque o clima político entre Pequim e Lisboa é bastante propício.

Sócrates no China Daily

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"PM wants to showcase 'a modern Portugal", By Li Xing and Qin Jize

"European Union-China relations and Africa are high on the agenda of the meeting today between Premier Wen Jiabao and Jose Socrates, the visiting prime minister of Portugal.
"I am here to reinforce the political ties between Portugal and China and further our strategic partnership in all domains," he said in an exclusive interview with China Daily after he arrived in Beijing yesterday evening, adding that Sino-Portuguese ties are in excellent shape.
He expects to sign cooperative agreements with the Chinese premier on justice, the economy, finance, culture and taxation; and revealed that the two sides have worked out solutions to extradition issues and would sign a pact.
Accompanied by a large business delegation representing a variety of sectors, Socrates said he hoped to present "a modern Portugal" to China, so that more Chinese entrepreneurs would go and invest in his country, and vice versa.
He quoted a Portuguese poet "A part of us goes to the East and part of us is on the East", when talking about the Portuguese understanding of China, before leaving for dinner at the famous Quanjude Peking Roast Duck Restaurant.
Apart from bilateral issues, he will also discuss with Wen preparations for the China-EU summit scheduled for November in Beijing.
"The summit will be a good opportunity for EU countries and China to discuss political and economic issues," which would include "sensitive issues", Socrates said, in answer to a question over the lifting of the EU arms embargo on China.
Socrates emphasized that he would also bring up Africa as an important issue so as to achieve "coordination of our policies" toward the continent.
Portugal is preparing for the EU-Africa Summit to be held in Lisbon later this year, he said, stressing that Portugal's and the EU's relations with African countries are very special and go back in history.
Making his first visit to the Chinese mainland, Socrates said he was eager to see a "modern Macao", which he visited a few months before its handover in 1999. "I've heard Macao is now an example of success, contributing a lot to China's growth," he said.
Analysts say Sino-Portuguese ties have taken a great leap forward since the return of Macao and have been developing rapidly.
"Macao's smooth handover and its continuing prosperity have greatly enhanced Portuguese confidence in the Chinese government and opened a new page in establishing a sound foundation for cordial relations," said Zhao Junjie, senior researcher at the Chinese Academy of Social Sciences.
Zhao said using Macao as a trade platform to link China and Portuguese-speaking countries is a smart strategy as the special administrative region is uniquely qualified to liaise between the two sides.
Zhao said Portugal considers the coastal city with colonial-era buildings and streets a showcase of its culture in the East while on the other hand, China wants to take advantage of Macao's strengths to better integrate with other parts of the world.
According to official figures, two-way trade reached US$1.7 billion last year, 40 percent up from the previous year. China is the third biggest buyer of Portuguese exports outside the EU".
(China Daily 01/31/2007

Monday, January 29, 2007

Enquanto

José Sócrates estiver na China, o presidente Hu Jintao estará atarefado, algures:

South China Morning Post, 29 de Janeiro de 2007

Saturday, January 27, 2007

Lapidar

"Por favor, não se esqueçam: No dia em que a luz do Farol da Guia ficar bloqueada, Macau mergulhará no escuro."

Paul Chan Wai Chi, no Hoje Macau.

Friday, January 26, 2007

As torres, o farol e os sinais de cidadania

O projecto de construção das torrres no sopé do Monte da Guia, em Macau, está a levantar protestos que se começam a fazer ouvir de várias formas:

"Farol, manifestações e You Tube", Island Ian no Hoje Macau
"Amigos da Guia", Leocardo.

Thursday, January 25, 2007


Haikou, Ilha de Hainão. Maio de 2006.

Wednesday, January 24, 2007

Ok, we did it... but

Vale a pena ler na íntegra este breve texto da Xinhua:

China says it opposes arms race in space

" China opposes the weaponization of space and any arms race in space, Chinese Foreign Ministry spokesman Liu Jianchao said here Tuesday in response to questions concerning China's space experiment recently.
"What needs to be stressed is that China has always supported the peaceful use of space," Liu said.
China has never participated and will never participate in any arms race in outer space. This test was not directed at any country and does not pose a threat to any country, he said.
The spokesman also revealed that China has informed some countries including Japan and the United States about the experiment"

.

Monday, January 22, 2007

O teste anti-satélite e o programa espacial da China

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O teste de míssil anti-satélite chinês gerou um coro de protestos face ao perigo de uma nova corrida ao armamento espacial. Na verdade, ao não negar (assumindo por omissão) o ensaio, Pequim deixa uma mensagem ao mundo e em especial aos EUA. É esse o ponto de vista de Joseph Kahn, neste artigo publicado pelo New York Times e International Herald Tribune:"Some analysts suggested that one possible motivation was to prod the Bush administration to negotiate a treaty to ban space weapons. Russia and China have advocated such a treaty, but President Bush rejected those calls when he authorized a policy that seeks to preserve "freedom of action" in space”.Já em 2002, A.V. Lele (1), analista...
(Ler mais no blogue Projecto Galileo)

Leituras Dominicais

"China's missile test: A message for U.S". Joseph Kahn no IHT.
"China begins to define the rules ", M K Bhadrakumar no Asia Times.

Friday, January 19, 2007

China as a Space Player

"China successfully carried out its first test of an antisatellite weapon last week, signaling its resolve to play a major role in military space activities and bringing expressions of concern from Washington and other capitals, the Bush administration said yesterday."

Flexing muscle, China destroys satellite in test, no IHT.

Thursday, January 18, 2007

Nuno Portas em discurso directo

"Macau está a querer resolver tudo num espaço extremamente pequeno, os casinos, o centro histórico, as novas empresas, tudo. Não há centro histórico que resista a este cerco dos ícones que têm uma expressão completamente oposta"

"Como as pessoas gostam de ver as outras partes da cidade, fazer uma barreira que tape o velho Macau, para quem está na Taipa ou em Zhuhai, é um desastre. Estamos a tapá-lo."

"Os ícones estão a desfazer o espaço público”, Nuno Portas entrevistado por Carlos Picassinos no Hoje Macau.

A visita de Sócrates à China

E o trabalho de casa diplomático?
"Confusão diplomática na visita de Sócrates à China", Diário de Notícias.

P.S. Afinal. Tudo indica que a visita vai mesmo realizar-se de 30 de Janeiro a 4 de Fevereiro. Aguardemos os desenvolvimentos.

Wednesday, January 17, 2007

Tuesday, January 16, 2007

Monday, January 15, 2007

Sinais de desanuviamento

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Desde a entrada em cena de Shinzo Abe como primeiro-ministro do Japão, em substituição de Junichiro Koizumi, as expectativas face ao relacionamento de Tóquio com Pequim elevaram-se. Sendo um nacionalista, Abe parecer ter mais bom senso e - apesar de alguns sinais dúbios - mostra-se publicamente mais empenhado em institucionalizar algo que na prática existe: a interdependência económica e comercial entre os dois países. Este domingo, os chefes de governo de Tóquio, Seul e Pequim posaram para a fotografia, à margem da cimeira da ASEAN. Ficaram bem. Falta ver o que acontece depois dos flashes.

"China, Japan, South Korea vow to enhance political trust", na Xinhua.

Também

Estou por aqui. E em muito boa companhia.

Thursday, January 11, 2007

What If...

"The Chinese leader Hu Jintao has been urged to cede the presidency to a rival-turned-ally, sources said, a step that would sweep aside two decades of established practice and let him focus on extending Communist Party power".

Wednesday, January 10, 2007

TV Cabo Macau: a saída da PT

A venda da participação da Portugal Telecom na TV Cabo Macau a um consórcio que integra o patrão da Kong Seng, uma das principais empresas de "anteneiros" (companhias que fornecem antenas que captam dezenas de canais e a um preço muito mais baixo - sem pagar direitos sobre a transmissão de vários canais - que os que são praticados pela TV Cabo) já era esperada . Em grande medida por causa desta e de outras empresas do mesmo ramo, a TV Cabo Macau nunca saíu do vermelho. O governo de Macau assobiou sempre para o lado quando era pressionado para acabar com a "pirataria" dos anteneiros. A própria Comissão Europeia salientava no último relatório anual sobre a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)que,

"While recognising the continued efforts being made by Macao in upgrading its legislative framework and enforcement structure for the protection of intellectual property rights, the European Commission is concerned about the current situation of TV signal piracy in Macao. It notes that antenna companies have for years been providing pirated TV signals for channels with European and American content without a licence or authorisation from the respective copyright owners.Macau Cable TV has signed a contract with the Macao SAR Government for the exclusive provision of pay TV services, covering worldwide and European channels.The company has filed complaints with the Macao authorities against the antenna companies and for several years has been seeking civil remedies, without much progress. Despite repeated diplomatic efforts by the European Commission and the host countries of right holders, Macao has yet to find solutions to redress the situation. The European Commission urges the Macao SAR Government to take the necessary measures to effectively protect the legitimate signal
provider and copyright owners".

A saída da PT da TV Cabo Macau, em si, não surpreende nem é motivo para grande preocupação para quem considera importante a presença da empresas portuguesas na RAEM. O mesmo não se pode dizer se vier a alienar as participações detem na CTM-Companhia de Telecomunicações de Macau .
Francisco Rui Cádima lembra que ainda há não muito tempo Macau e a China eram considerados mercados importantes para investimentos da PT. Só falta agora a PT imitar o grupo BCP quando vendeu o Banco Comercial de Macau, argumentado que estava a alienar activos não estratégicos.

Monday, January 08, 2007

Ségo, l'étoile de Pékin

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Pequim, 8 de Janeiro de 2008 - A presidente francesa Ségolene Royal está de visita à República Popular da China. Nove meses depois de ter derrotado o candidato da direita, Nicolas Sarkozy, Royal salientou a importância dos laços entre Paris e Pequim e deixou os votos de todo o sucesso para o grande evento que vai ser realizado este ano na capital chinesa: Os Jogos Olímpicos.
Há exactamente um ano, quando era apenas candidata socialista ao Eliseu, Ségolene Royal já tinha demonstrado toda a cordialidade e sintonia com Pequim, numa visita retratada pela imprensa mundial:

"French party 'can help boost ties', China Daily.
"Royal: China Must Respect Human Rights", Times Daily.

Sunday, January 07, 2007

Saturday, January 06, 2007

Aprendendo com o Pequeno Timoneiro

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The four modernizations will bring foreign capital into China, and this will inevitably give rise to private investment. Won't this lead to a miniaturized capitalism?
Deng: In the final analysis, the general principle for our economic development is still that formulated by Chairman Mao, that is, to rely mainly on our own efforts with external assistance subsidiary. No matter to what degree we open up to the outside world and admit foreign capital, its relative magnitude will be small and it can't affect our system of socialist public ownership of the means of production. Absorbing foreign capital and technology and even allowing foreigners to construct plants in China can only play a complementary role to our effort to develop the productive forces in a socialist society. Of course, this will bring some decadent capitalist influences into China. We are aware of this possibility; it's nothing to be afraid of.

Does it mean that not all in capitalism is so bad?
Deng: It depends on how you define capitalism. Any capitalism is superior to feudalism. And we cannot say that everything developed in capitalist countries is of a capitalist nature. For instance, technology, science -- even advanced production management is also a sort of science -- will be useful in any society or country. We intend to acquire advanced technology, science and management skills to serve our socialist production. And these things as such have no class character".

Deng Xiaoping entrevistado por Oriana Fallaci, 21 e 23 de Agosto de 1980.

Thursday, January 04, 2007

Explosões em Banguecoque II

"The unprecedented attacks on Bangkok represent a dangerous turn in the country's already tense political situation and provide powerful new justification for the military-led Council for National Security (CNS) military installed government to maintain martial law, augment its security presence and crack down on political dissent across the country (...) Whoever was responsible, the bombings will no doubt provide powerful new ammunition to CNS elements already skeptical of Surayud's stewardship and will no doubt give rise to new complaints that the former army commander has not done enough to guard against a possible rearguard action among Thaksin's alienated supporters inside the military. "

A leitura de Shawn W Crispin no Asia Times.

Tuesday, January 02, 2007

As explosões em Bangkok

Espera-se um ano instável e potencialmente perigoso, no País dos Sorrisos.
"Supporters of Thaksin suspected in Bangkok attacks ", Seth Mydans no International Herald Tribune.

Monday, January 01, 2007

O Sínico Renovado

Estimados e prezados leitores:
Como já deveis ter notado, o Sínico mudou de cara. O processo de reformulação está ainda em marcha, nomeadamente no que diz respeito às ligações que estão colocadas no lado direito da página. Trata-se de um "lifting" e não de uma refundação, pelo que é de esperar que o blog continue a seguir os passos que o seu autor tem dado desde Fevereiro de 2003, altura em que chegou a este lado do mundo.
A todos, desejos revigorantes de um 2007, no mínimo, feliz.

E Já Agora

Um fantástico 2007.
Xin Nian Kuai Le
San Nin Fai Lok

Saturday, December 30, 2006

As facções e o Congresso do Partido em 2007

Por vezes – demasiadas vezes – o Partido Comunista Chinês é visto como uma entidade monolítica em que o debate de ideias é subalternizado pelas disputas de cariz corporativo, num ambiente em que as facções são caracterizadas por grupos de influência regionais (Xangai, Pequim, Cantão,etc).
Não sendo esta observação incorrecta é manifestamente insuficiente. Na análise à vida política interna do PCC encontramos vários obstáculos. Desde logo, a opacidade da estrutura do centralismo democrático. Por outro lado – no meu caso – a falta de conhecimento da língua e dos códigos de língua implícitos e os subtextos que estão associados ao discurso dos dirigentes leva a que o processo interpretativo e indutivo seja mais complexo.
Embora seja referida por vezes a dicotomia ala direita/ala esquerda ou conservadores/reformistas, na verdade esta dialéctica não se aplica adequadamente à dinâmica interna do Partido (o que não quer dizer que não haja sensibilidades mais favoráveis à abertura política e/ou económica e outras menos).
Deste modo é necessário utilizar outro tipo de grelhas de análise. Por exemplo, Heitor Romana no seu muito interessante “República Popular da China: A Sede do Poder Estratégico” divide o posicionamento dentro do Comité Permanente do Politburo do PCC decorrente do 16º Congresso do PCC em dois grupos: sector moderado-tecnocrata e sector moderado-ideológico. No primeiro coloca dirigentes como o primeiro-ministro Wen Jiabao, Li Changchung ou Huang Ju. O segundo engloba o presidente hu Jintao, Zheng Qinhong ou Wu Bangguo. Os moderados-tecnocratas defendem que as reformas económicas – gradual introdução do capitalismo - devem ser controladas e conduzidas pela burocracia tecnocárica do Partido. Já os moderados-ideológicos “procuram controlar o processo [de reformas] assumindo uma posição de consciência ideológica do Partido face à ruptura do novo modelo de economia em relação ao sistema ideológico socialista”(p.150), não sendo contra as reformas –defendendo-as – são mais cautelosos face ao ritmo e à profundidade.
Numa outra perspectiva Cheng Li pergunta “Towards a system of one Party, two factions?”, num artigo publicado no início de Dezembro pela Jamestown Foundation da série China Brief. Grosso modo, Cheng identifica duas grandes coligações com base no percurso dos dirigentes, na origem geográfica e em questões ideológicas: os elitistas e os populistas. Os primeiros são identificados com o chamado “Grupo de Xangai”, tendo em Jiang Zemin e Zen Qinhong os actores primordiais, sendo seguidos por Wu Bangguo ou Huang Ju. Muitos destes dirigentes estudaram fora do país e estão mais ligados às províncias ricas do litoral. Outros são descendentes das famílias de dirigentes históricos; são os denominados “princelings”.
Contrariamente, o presidente Hu Jintao ou o primeiro-ministro Wen Jiabo são oriundos de famílias pouco abastadas e passaram parte significativa das suas carreiras políticas nas “fronteiras do império” e nas zonas menos desenvolvidas do interior e do oeste. Têm um discurso dirigido às zonas rurais, procurando alavancar a posição económica das províncias menos desenvolvidas – uma posição política expressa no último Plano Quinquenal através do conceito de “Novo Campo Socialista”.
As recentes detenções de dirigentes do PCC de Xangai, acusados de corrupção, indicam que a limpeza servirá para fortalecer a posição dos homens de Hu. Mas nada disto é linear. Prova disso foi a nomeação de um homem próximo de Jiang Zemin e do Grupo de Xangai para preparara a sessão plenária do 17º Congresso do PCC, onde será eleito o novo Politburo e o Comité Permanente do Poliburo, o sistema nervoso central do aparelho do Partido-Estado.

Cheng Li em “China’s inner-party democracy: toward a system of one party, two factions?” perspectiva que

“In the elections for the 16th Party Congress in 2002, most members of the elitist coalition appear to have voted for both Hu and Wen, since neither individual lost more than a few votes. One can reasonably predict that during the elections for the 17th Party Congress, both Hu and Wen are unlikely to receive the same categorical support. Members of the elite coalition have already begun to realize the need to constrain the powers of the populist coalition, and China’s politicians will be more familiar with the new “rules of the game” in elite politics. If these assumptions are correct, we may soon witness an even more dynamic and “bipartisan” phase in the development of China’s elite politics”.

Já Lyman Miller em “The Road to the 17th Party Congress"da Hoover Institution observa que

“the congress may elevate Hu Jintao’s implicitly designated successor. If
Hu himself follows the norm of retirement at age 70, his second term as party generalsecretary following the 17th Congress will be his last. Hu benefited from a process ofincremental preparation to succeed Jiang Zemin that began in 1992 and culminated in hisemergence as China’s top party, state, and military leader in the 2002–2004 leadershiptransition. If a course comparable to Hu’s is followed, preparation of Hu’s successorwould perhaps begin with his elevation onto the Politburo Standing Committee at the
17th Congress, followed by his incremental assumption of posts second in command toHu as vice president and, eventually, vice chairman of the CMC. Most of these posts are currently occupied by Zeng Qinghong, who will be 68 by the time of the party congress.The preparation of Hu’s successor may well become entangled in the fate of Zeng Qinghong, an important leader long associated with Jiang Zemin”.


Naturalmente que estas duas visões são oriundas de "think tanks" norte-americanos, carecendo provavelmente de carecem de pontos da China continental. Em todo o caso, serve este texto para lançar um assunto que irá certamente ser o acontecimento político do ano da China em 2007: o 17º Congresso do PCC.

Monday, December 25, 2006

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Leal Senado, Macau, 25 de Dezembro de 2006.

Saturday, December 23, 2006

sheng dan kuai le!

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Bom, feliz, tranquilo, pleno. Natal.

Wednesday, December 20, 2006

Parabéns RAEM

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Há sete anos Portugal dizia adeus ao “último pedaço do Império” -Macau era entregue/regressava à soberania chinesa. Desse dia, tenho recordações muito vagas. Lembro-me de ver a cerimónia na RTP 1, da cena de Rocha Vieira a guardar a bandeira junto ao peito e de considerar normal o que estava a acontecer. Não imaginava, de modo algum, que viesse a viver neste enclave à Beira-China.
Mas mais do que olhar para o modo como decorreu a transição de administração, interessa hoje olhar para o momento por que passa a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), numa altura que se vive a mais grave crise política desde 20 de Dezembro de 1999. Os efeitos da detenção do ex secretário para as obras públicas e transportes, Ao Man Long, ainda estão por ser avaliados. Em qualquer caso, ganha força a ideia que “Nada será igual daqui em diante”. Além de perguntar Quod Vadis, talvez se possa apenas inferir que Macau não sabe para onde vai, só sabe que não vai por aí... A aposta feita, numa gambling-based-driven economy sem um forte rule of law já se sabia que era de alto risco. E há sempre quem lembre: TINA-There Is No Alternative.