Tuesday, November 20, 2007

Monday, November 19, 2007

José Silveira Machado


(fotografia retirada do blogue Leocardo)

O Sínico curva-se.

Lusa-Macau:

"O professor Silveira Machado, uma das figuras marcantes da cultura portuguesa em Macau, morreu hoje aos 89 anos no Hospital Conde de São Januário, disse à agência Lusa um amigo do docente. Professor, fundador e jornalista do semanário católito O Clarim, comentador e autor, José Silveira Machado nasceu a 24 de Outubro de 1918 na freguesia e Concelho de Velas, na ilha açoriana de São Jorge. Estava em Macau desde a década de 30 onde chegou para estudar para padre no Seminário de S.José na companhia de outras figuras de Macau como Monsenhor Manuel Teixeira, entretanto também já falecido, e o padre Aureo Castro. Funcionário público desde Janeiro de 1941 na então chamada Repartição da Fazenda do Concelho de Macau, Silveira Machado entra em 1948 para os Serviços de Economia. Em 1974, o professor, como era conhecido em Macau, aposentou-se em Lisboa, regressando a Macau em 1976 para iniciar a carreira de docente na Escola Comercial, Colégio Dom Bosco e no Centro de Formação dos Serviços de Educação. Ao longo da sua carreira como jornalista, colaborou na Voz de Macau, na Revista Renascimento, O Clarim, Comunidade, Boletim Informativo de Macau, e foi correspondente do Diário da Manhã e da revista de Cinema Plateia. Fluente em cantonente, o dialecto chinês que se fala no sul da China, Silveira Machado escreveu diversos livros como "Macau, Sentinela do Passado" (prosa), "Rio das Pérolas" (poemas), "Macau, Mitos e Lendas" (contos), "Duas Instituições Macaenses", "Macau na Memória do Tempo" e "O Outro lado da Vida" (retrato social de Macau). Muito ligado a Macau, à juventude e à comunidade, Silveira Machado nunca descartava, como explicam os amigos, uma boa discussão. Não visitava Portugal há cerca de 17 anos e costumava dizer que se aterrasse em Lisboa, era capaz de se perder em cinco minutos. A sua actividade cívica e em prol do português em Macau valeu-lhe o reconhecimento da classe política, tendo sido condecorado com a Medalha da Ordem do Mérito Civil da Instrução Pública, Medalha de Mérito Desportivo (classe de prata), Medalha de Mérito Cultural, Comenda da Ordem do Mérito e grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução, esta última em Janeiro de 2005 pelo então presidente português Jorge Sampaio. Homem ligado ao desporto, turismo, educação e cultura, a sua morte é considerada uma "enorme perda" pela comunidade em geral. "Fazia amizades facilmente com todos, era disciplinado e um defensor de valores humanistas em resultado da sua formação católica que o marcou para sempre", destacou o padre Albino Pais, director do jornal O Clarim. A sua última obra "O Outro lado da Vida" é um testemunho da sua preocupação com o próximo", disse ainda o prelado."

Saturday, November 17, 2007

Chinese Democracy

Esta semana foi publicado o Livro Branco do Sistema de Partidos Políticos da China. O documento pede uma maior cooperação* entre os Partidos na China (sim, existem vários Partidos na República Popular).

Além do Partido Comunista, na China há outras forças políticas denominadas "Partidos":

- Comité Revolucionário do Kuomintang Chinês
-Liga Democrática da China
- Associação para a Construção Democrática Nacional da China
- Partido dos trabalhadores e Camponeses Chineses
- China Zhi Gong Dang
-Sociedade Jiu San
-Liga de Auto-Governo Democrático de Taiwan

*Sempre sob a liderança do Partido Comunista Chinês.

Na ciência e prática política, normalmente, um partido tem como principal objectivo a conquista do poder. Não é o caso destes Partidos que existem na China. Vários foram criados nos anos 1930 e 1940 sob impulso do próprio PCC que aassim formalmente criou uma frente contra a invasão japonesa, primeiro, e , depois, face ao Kuomintang, durante a Guerra Civil.
Existiu, de facto, entre um denominado Partido Democrático Chinês subterrâneo, que juntava, no final dos anos 1990, alguns antigos lideres do Muro da Democracia (1979) e do Movimento de Tiananmen (1989).

Thursday, November 01, 2007

Monday, October 29, 2007

Xi!


Xi Jinping vai ficar com a chefia do Grupo de Trabalho para os Assuntos de Macau e Hong Kong no PCC, sucedendo assim a Zeng Qinhong, na tarefa de supervisionar politicamente as duas regiões administrativas especiais.
Não deixa de ser muito interessante que a escolha tenha recaído sobre um dos “benjamins” do Comité Permanente do Politburo, especialmente sobre aquele que, segundo vários analistas, está na pole position para dentro de cinco anos suceder a Hu Jintao. Que impacto tem esta escolha nos assuntos de Macau e Hong Kong?
P.S. Na semana passada o South China Morning Post escrevia que seria Jia Qingli o escolhido, alguém que suscita muitas e comprovadas reservas a vários níveis...

Thursday, October 25, 2007

Ainda o Congresso

Assentada já alguma poeira, vale a pena ler quem tem olhado com atenção e perspicácia o que se passou no XVII Congresso do Partido Comunista Chinês e as implicações da nova composição da liderança.


"China, where the dull lead the dynamic", Kent Ewing no Asia Times.

"O mundo como vontade e representação", Arnaldo Gonçalves no Jornal tribuna de Macau.

"Hu's steady march on power", Chong Pin Lin no IHT.

Sunday, October 21, 2007

Parece


não haver supresas. O novo Comité Central foi "eleito". Tal como esperavam muitos observadores, Zeng Qinghong, Wu Guanzheng e Luo Gan não fazem parte da lista designada. Quer isso dizer que vão abrir quatro vagas no Comité Permanente do Politburo (tendo em conta que um lugar estava antecipadamente vago, depois da morte, este ano de Huang Ju).
Os mais fortes candidatos continuam a ser: Li Keqiang, Xi Jinping, He Guoqiang e Zhou Yongkang. Amanhã saberemos a composição do comando central político dio Partido, e em consequência do Estado.
A saída de Zeng é particularmente significativa, uma vez que o vice-presdiente da RPC é considerado um rival de Hu (embora recentemente tenha sido feita uma alegada "aliança") e um homem que durante muitos anos foi um dos braços direitos de Jiang Zemin. Esta saída reflecte um reforço do poder de Hu, mas é provável que para a saída de Zeng Qinghontg corresponda à entrada de dois dos seus "homens de mão": He Guoqiang e Zhou Yongkang.

Wednesday, October 17, 2007

Entretanto, no Grande Palácio do Povo


Os cerca de 2200 delegados tem estado a "analisar" e a "discutir" o o relatório/discurso apresentado pelo secretário-geral Hu Jintao na segunda-feira, na abertura do XVII Congresso do Partido Comunista Chinês.

Quanto ao que mais interessa...



P.S: Os dias em Pequim foram mais uma vez didácticos. De regresso ao segundo sistema, volto a ter o "direito" (privilégio, no contexto de toda a China) de ter acesso livre à internet. Esta semana o controlo/censura foi reforçado... Afinal estamos em pleno Congresso do Partido.

Saturday, October 13, 2007

O Congresso, nas Portas da Paz Celestial



Ao longo dos últimos meses muita tinta correu sobre os jogos de bastidores e as lutas internas entre as facções do Partido, na preparação do XVII Congresso, que tem início já esta semana. Contudo, parte dessa tinta tinha por base a abundante especulação em torno de um partido com uma estrutura ainda muito opaca. Em princípio não deverá haver surpresas. Hu Jintao deverá consolidar o seu poder e influência quer através da inclusão do “conceito científico de desenvolvimento”, quer colocando homens de sua confiança no topo da liderança do PCC.



Nesse sentido, espera-se a ascensão de um, dois ou três líderes da chamada Diwudai (Quinta Geração) ao Comité Permanente do Politburo, onde reside o centro nevrálgico do poder na República Popular da China. Os homens sobre quem os holofotes vão incidir deverão ser Xi Jinping (secretário do PCC em Xangai) e Li Keqiang (líder do partido na província de Liaoning). Contudo, outros nomes poderão entrar para os lugares deixados vagos por Huang Ju (vice-primeiro-ministro falecido em Junho de 2007), Luo Guan, 72 anos, Wu Guanzheng, 69 anos, e Zeng Qinghong, 68 anos; os últimos três deverão abandonar o cargo por terem atingido ou estarem prestes a achegar ao limite de idade – 70 anos -que tem sido norma para cargos no CPP desde o Congresso de 1997.



Há no entanto algumas incógnitas. Para alguns analistas, apesar da idade, não é segura a saída de Zeng Qinhong, considerado simultaneamente parte da cahamada clique de Xangai (era visto como “o homem de Jiang Zemin” no CPP) e como sénior da designada facção dos “princelings” (taizi), ou seja filhos de antigos dirigentes de topo e revolucionários. Outros especulam sobre se Jia Qinglin, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), se aguentará no CPP, em virtude da sua impopularidade e do facto de a sua esposa poder estar envolvida em escândalos de tráfico e corrupção. Outras fontes indicam que Li Changchun, responsável pela Propaganda, também poderá ter de abandonar o CPP. Os mais fortes candidatos da Diwudai a entrar no topo da estrutura do PCC são os já referidos Li Keqiang e Xi Jinping. Caso se confirme a saída de Zeng, o actual vice-presidente e eventual futuro presidente da CCPPC deverá conseguir colocar np CPP dois homens ainda da Quarta Geração da sua confiança: He Guoqiang, 64 anos, membro do Comité Central e do Politburo e Zhou Yongkang, Ministro da Segurança Pública.



Quer isto dizer que se estivéssemos perante uma bolsa de apostas (o que não seria de estranhar tendo em conta o local onde vivo), tendo em conta o que foi publicado pela imprensa nos últimos dias, a jogada que poderia ser de menor risco poderia ser a seguinte:

Membros do CPP que se devem manter:
Hu Jintao
Wen Jiabao
Wu Bangguo
Jia Qinglin
Li Changchun

Prováveis novos membros:
Li Keqiang
Xi Jinping
He Guoqiang
Zhou Yongkang

Quer este texto dizer que em questão neste Congresso estão apenas questões de lugares, pessoas facções e não visões diferentes sobre o rumo do Partido e do modelo económico e sistema políticod a China? De certo modo sim, mas não apenas. Ou seja, há um consenso alargado sobre o papel fulcral do partido enquanto força de vanguarda e vector que monopoliza o aceso ao poder político. No âmbito económico há certamente, no topo da liderança, diferenças quanto ao ritmo de abertura à economia de mercado, no que diz respeito ao papel do estado na economia e quanto às políticas de correcção das assimetrias geradas pelo capitalismo com características chinesas. Como seria de esperar ficaram as facções mais à “esquerda” e à direita. A chamada Nova Esquerda mantém alguma influência entre os intelectuais que defendem que é preciso inverter a marcha rumo ao capitalismo e fortalecer os direitos dos trabalhadores. Do lado oposto, é feito um trabalho de promoção da abertura à economia de mercado e de reformas institucionais de grande dimensão. Pelo meio ficaram os mais “outspoken” democratas, defensores de um terramoto na estrutura leninista do estado e da transição para uma democracia pluripartidária. Os que em 1989 estavam a ganhar peso no movimento estudantil e nos meios intelectuais – e mesmo no Partido.




Sobre a sustentabilidade do Partido Comunista Chinês, recordo aqui as palavras de Willy Lam, investigador do think thank norte-americano Jamestown Foundation, numa entrevista à Rádio Macau em Maio:

“Não vejo nenhuma possibilidade que o Partido Comunista venha a colapsar. Há oposição, mas em geral, enquanto a economia continuara acrescer, penso que o Partido comunista poderá continuar no leme do país. É claro que eles têm um forte aparato de controlo, um forte exército, a polícia do exército, o KGB chinês, por isso o controlo é muito apertado. É muito difícil para a oposição ter apoio. Na China agora não há oposição. Depois do incidente de Tiananmen alguns inetelectuais formaram o Partido Democrático da China subterrâneo, que durou quatro ou cinco anos, mas isso terminou porque os líderes desse partido foram presos. Não há oposição aberta. No entanto, este controlo apertado não impediu a economia de crescer, e o rendimento dos trabalhadores urbanos está a subir. O rendimento dos camponeses também está a subir embora mais lentamente. O rendimento dos trabalhadores urbanos está a crescer depressa. Está a surgir uma classe média que representa já 18 a 19 por cento, pessoas que já têm so seus prórpios apartamentos e carros. As pessoas que tradicionalmente poderiam causar problemas que se poderiam revoltar, os universitários, foram cooptados, fazem agora parte do sistema. estão muito satisfeitos com os seus salários e com o seu estatuto na sociedade. Não quer dizer que essas pessoas gostam do partido, mas permanecem no partido porque ser membro do partido é útil para a evolução na carreira. Por isso penso que o sistema vai continuar assim. Não prevejo nenhuma grande crise no futuro próximo".

P.S. Estarei por lá nos primeios dias.

Thursday, October 04, 2007

Um olhar diferente


Há cerca de um mês que em Macau os lusófonos podem olhar para o mundo peculiar que os rodeia de uma forma diferente. O suplemento em português do jornal Tai Chung Pou conta "estórias" que valem a pena ser lidas.

Wednesday, October 03, 2007

O Paulo Gorjão


Decidiu colocar um ponto final ao Bloguitica. O Sínico compreende, mas lamenta o sucedido e deseja que estejamos apenas perante um parêntesis.

Monday, October 01, 2007

O Primeiro de Outubro em Macau


Foto Lusa
Pela primeira vez o 1 de Outubro, dia em que foi criada a República Popular da China (a propósito, parabéns Sínicos), Macau assistiu a uma manifestação de protesto contra o governo. Entre 2 mil (segundo a polícia) e 6 mil (de acordo com os organizadores) desfilaram pelas ruas do território exibindo várias bandeiras: contra a importação de mão-de-obra, a corrupção, a nova Lei do Trânsito, ao aumento do custo de vida, entre outras causas. Ao contrário do que sucedeu no Primeiro de Maio, não houve confrontos com a polícia. Vários manifestantes foram impiedosos para com o governo de Edmund Ho.