Saturday, October 13, 2007

O Congresso, nas Portas da Paz Celestial



Ao longo dos últimos meses muita tinta correu sobre os jogos de bastidores e as lutas internas entre as facções do Partido, na preparação do XVII Congresso, que tem início já esta semana. Contudo, parte dessa tinta tinha por base a abundante especulação em torno de um partido com uma estrutura ainda muito opaca. Em princípio não deverá haver surpresas. Hu Jintao deverá consolidar o seu poder e influência quer através da inclusão do “conceito científico de desenvolvimento”, quer colocando homens de sua confiança no topo da liderança do PCC.



Nesse sentido, espera-se a ascensão de um, dois ou três líderes da chamada Diwudai (Quinta Geração) ao Comité Permanente do Politburo, onde reside o centro nevrálgico do poder na República Popular da China. Os homens sobre quem os holofotes vão incidir deverão ser Xi Jinping (secretário do PCC em Xangai) e Li Keqiang (líder do partido na província de Liaoning). Contudo, outros nomes poderão entrar para os lugares deixados vagos por Huang Ju (vice-primeiro-ministro falecido em Junho de 2007), Luo Guan, 72 anos, Wu Guanzheng, 69 anos, e Zeng Qinghong, 68 anos; os últimos três deverão abandonar o cargo por terem atingido ou estarem prestes a achegar ao limite de idade – 70 anos -que tem sido norma para cargos no CPP desde o Congresso de 1997.



Há no entanto algumas incógnitas. Para alguns analistas, apesar da idade, não é segura a saída de Zeng Qinhong, considerado simultaneamente parte da cahamada clique de Xangai (era visto como “o homem de Jiang Zemin” no CPP) e como sénior da designada facção dos “princelings” (taizi), ou seja filhos de antigos dirigentes de topo e revolucionários. Outros especulam sobre se Jia Qinglin, presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), se aguentará no CPP, em virtude da sua impopularidade e do facto de a sua esposa poder estar envolvida em escândalos de tráfico e corrupção. Outras fontes indicam que Li Changchun, responsável pela Propaganda, também poderá ter de abandonar o CPP. Os mais fortes candidatos da Diwudai a entrar no topo da estrutura do PCC são os já referidos Li Keqiang e Xi Jinping. Caso se confirme a saída de Zeng, o actual vice-presidente e eventual futuro presidente da CCPPC deverá conseguir colocar np CPP dois homens ainda da Quarta Geração da sua confiança: He Guoqiang, 64 anos, membro do Comité Central e do Politburo e Zhou Yongkang, Ministro da Segurança Pública.



Quer isto dizer que se estivéssemos perante uma bolsa de apostas (o que não seria de estranhar tendo em conta o local onde vivo), tendo em conta o que foi publicado pela imprensa nos últimos dias, a jogada que poderia ser de menor risco poderia ser a seguinte:

Membros do CPP que se devem manter:
Hu Jintao
Wen Jiabao
Wu Bangguo
Jia Qinglin
Li Changchun

Prováveis novos membros:
Li Keqiang
Xi Jinping
He Guoqiang
Zhou Yongkang

Quer este texto dizer que em questão neste Congresso estão apenas questões de lugares, pessoas facções e não visões diferentes sobre o rumo do Partido e do modelo económico e sistema políticod a China? De certo modo sim, mas não apenas. Ou seja, há um consenso alargado sobre o papel fulcral do partido enquanto força de vanguarda e vector que monopoliza o aceso ao poder político. No âmbito económico há certamente, no topo da liderança, diferenças quanto ao ritmo de abertura à economia de mercado, no que diz respeito ao papel do estado na economia e quanto às políticas de correcção das assimetrias geradas pelo capitalismo com características chinesas. Como seria de esperar ficaram as facções mais à “esquerda” e à direita. A chamada Nova Esquerda mantém alguma influência entre os intelectuais que defendem que é preciso inverter a marcha rumo ao capitalismo e fortalecer os direitos dos trabalhadores. Do lado oposto, é feito um trabalho de promoção da abertura à economia de mercado e de reformas institucionais de grande dimensão. Pelo meio ficaram os mais “outspoken” democratas, defensores de um terramoto na estrutura leninista do estado e da transição para uma democracia pluripartidária. Os que em 1989 estavam a ganhar peso no movimento estudantil e nos meios intelectuais – e mesmo no Partido.




Sobre a sustentabilidade do Partido Comunista Chinês, recordo aqui as palavras de Willy Lam, investigador do think thank norte-americano Jamestown Foundation, numa entrevista à Rádio Macau em Maio:

“Não vejo nenhuma possibilidade que o Partido Comunista venha a colapsar. Há oposição, mas em geral, enquanto a economia continuara acrescer, penso que o Partido comunista poderá continuar no leme do país. É claro que eles têm um forte aparato de controlo, um forte exército, a polícia do exército, o KGB chinês, por isso o controlo é muito apertado. É muito difícil para a oposição ter apoio. Na China agora não há oposição. Depois do incidente de Tiananmen alguns inetelectuais formaram o Partido Democrático da China subterrâneo, que durou quatro ou cinco anos, mas isso terminou porque os líderes desse partido foram presos. Não há oposição aberta. No entanto, este controlo apertado não impediu a economia de crescer, e o rendimento dos trabalhadores urbanos está a subir. O rendimento dos camponeses também está a subir embora mais lentamente. O rendimento dos trabalhadores urbanos está a crescer depressa. Está a surgir uma classe média que representa já 18 a 19 por cento, pessoas que já têm so seus prórpios apartamentos e carros. As pessoas que tradicionalmente poderiam causar problemas que se poderiam revoltar, os universitários, foram cooptados, fazem agora parte do sistema. estão muito satisfeitos com os seus salários e com o seu estatuto na sociedade. Não quer dizer que essas pessoas gostam do partido, mas permanecem no partido porque ser membro do partido é útil para a evolução na carreira. Por isso penso que o sistema vai continuar assim. Não prevejo nenhuma grande crise no futuro próximo".

P.S. Estarei por lá nos primeios dias.

Thursday, October 04, 2007

Um olhar diferente


Há cerca de um mês que em Macau os lusófonos podem olhar para o mundo peculiar que os rodeia de uma forma diferente. O suplemento em português do jornal Tai Chung Pou conta "estórias" que valem a pena ser lidas.

Wednesday, October 03, 2007

O Paulo Gorjão


Decidiu colocar um ponto final ao Bloguitica. O Sínico compreende, mas lamenta o sucedido e deseja que estejamos apenas perante um parêntesis.

Monday, October 01, 2007

O Primeiro de Outubro em Macau


Foto Lusa
Pela primeira vez o 1 de Outubro, dia em que foi criada a República Popular da China (a propósito, parabéns Sínicos), Macau assistiu a uma manifestação de protesto contra o governo. Entre 2 mil (segundo a polícia) e 6 mil (de acordo com os organizadores) desfilaram pelas ruas do território exibindo várias bandeiras: contra a importação de mão-de-obra, a corrupção, a nova Lei do Trânsito, ao aumento do custo de vida, entre outras causas. Ao contrário do que sucedeu no Primeiro de Maio, não houve confrontos com a polícia. Vários manifestantes foram impiedosos para com o governo de Edmund Ho.

Wednesday, September 19, 2007

Coisas que continuam a acontecer

(Via "China em Reportagem")
British TV journalists assaulted, arrested and threatened in Beijing

"Reporters Without Borders today condemned the treatment meted out to two British journalists Andrew Carter and Aidan Hartley and their Chinese fixer Dean Peng, working for the investigative programme "Unreported World" on British TV's Channel 4.
The two were investigating the fate of petitioners held by the authorities in a western district of the capital, when they were assaulted by staff at an illegal detention centre for petitioners on 14 September 2007. Nanyang officials maltreated them and tried to seize them and break their film camera.
The violence stopped when the police arrived but they immediately arrested the journalists. They were held for six hours, being questioned and threatened with punishment. Agents of the Public Security Bureau told them to sign a document confessing that they had broken Chinese law. When they refused the authorities deprived them of food.Their fixer was held for a total of 16 hours in what he believes was an attempt to harass him into giving up his work with foreign journalists.This latest case demonstrates that regulations for foreign journalists adopted in January 2007 are not being respected".


Tuesday, September 18, 2007

Conceito Científico de Desenvolvimento

Hu Jintao vai colocar a sua impressão digital na constituição do Partido Comunista Chinês (PCC) no XVII Congresso que vai decorrer em meados de Outubro. A teoria do “conceito científico de desenvolvimento” vai estar ao lado dos contributos teóricos de Mao Zedong, Deng Xiaoping e Jiang Zemin. É interessante que, ao passo que Jiang apenas conseguiu colocar a sua “Teoria dos Três Representantes” 13 anos depois de ter assumido a liderança do PCC, Hu Jintao consegue fazer o mesmo apenas cinco anos depois de ter assumido o leme do Partido.

"Communist Party of China to amend Party Constitution ", Xinhua

Monday, September 17, 2007

Desinvestimento

Depois de ter vendido as participações que detinha na TV Cabo Macau, Cosmos e Telesat, a PT vendeu a participação que detinha na Directel Macau. Claro que cada caso é um caso. E percebe-se a saída da Tv Cabo Macau. Contudo o facto é que a participação de grandes empresas portuguesas em Macau continua a minguar. A PT está agora apenas representada na CTM. Recorde-se que em 2005 o BCP vendeu o BCM, invocando a venda de "activos não-estratégicos".

Totalmente de acordo

Com o meu amigo Andarilho sobre este artigo de Miguel Sousa Tavares no Expresso.

Sunday, September 16, 2007

A um mês

do XVII Congresso do Partido Comunista Chinês, Wu Zhong indaga sobre as movimentações das várias facções com vista ao Comité Permanente do Politburo.

"Balancing act at the party congress", no Asia Times.

(o)caso


O filme dos acontecimentos, de segunda a sexta-feira, do caso da semana nos jornais em língua portuguesa de Macau (referência apenas para os que têm edição online) :

"Dois pormenores", Hoje Macau
"H. Nolasco diz que Susana Chou já não está ligada ao grupo", Jornal Tribuna de Macau.
"Interesses anda existem", Hoje Macau.
"H. Nolasco e Susana Chou ligados por participação indirecta", Jornal Tribuna de Macau.

“Nunca pagámos um avo”, Hoje Macau.

Wednesday, September 12, 2007

Sensibilidade, Tolerância e Pragmatismo


A boa vontade tomou conta dos corações dos munícipes de Pequim. Depois de uma reacção "a quente" às declarações da ex vereadora lisboeta, para evitar uma crise diplomática de repercussões imprevisíveis, o Governo Municipal colocou este "outdoor" nas principais artérias da metrópole.

Tradução literal do que está escrito no outdoor:

1. Pequim dá as boas vindas às Tias Louras
2. China Airlines é a melhor escolha
3. Desenvolvimento Pacífico, Socialismo com Características Chinesas, Sociedade Harmosiosa

Nota: Qualquer semelhança entre este outdoor e um cartaz "fabricado" por Daniel Oliveira em "o Arrastão" é pura coincidência.

Tuesday, September 11, 2007

Campanha em Pequim



Wang Fu Jing sem Zezinhas!

Está correr um abaixo assinado na Baixa pequinense contra a proliferação de Zezinhas numa zona nobre da cidade. "É uma vergonha", afirmou um vendedor de jornais. "Já não basta este ar insuportável que respiramos, ainda temos de gramar com a multiplicação de pessoas que se assemelham à Lady Grafstein", adiantou, revelando uma surpreendente cultura geral.


Anson Chan na corrida



"Anson Chan, one of Hong Kong's most popular political figures, said Tuesday she plans to run for a recently vacated legislative seat to campaign for full democracy in this Chinese-ruled former British colony.
The 67-year-old Chan was viewed as a key figure in bridging Hong Kong's British and Chinese rule after the change in sovereignty in 1997, but she quit as the territory's No. 2 official — chief secretary for administration — in 2001. In recent years, she has emerged as a prominent democracy advocate".

"Popular former Hong Kong official to run for legislative seat", no IHT

Monday, September 10, 2007

O Sínico saúda

A entrada em cena (regresso) do suplemento em português do jornal "Tai Chung Pou".



"Macau, China, 10 Set (Lusa) - O regresso às aulas em língua veicular portuguesa e uma entrevista com o ex-deputado à Assembleia Legislativa Jorge Fão marcaram hoje o arranque do suplemento em língua portuguesa do diário chinês Tai Chung Pou. Com quatro páginas em formato ‘broadsheet’, o novo suplemento é coordenado pelo jornalista Luís Ortet e conta com uma redacção fixa de três jornalistas e um leque de colaboradores locais, adiantou o editor em declarações à agência Lusa. Nas bancas desde 1933, o Tai Chung Pou é o mais antigo diário de língua chinesa do território de Macau e lança-se agora num suplmento em português que, segundo Luís Ortet, "oferece uma informação complementar da dos jornais em português que se publicam em Macau". "Vamos ter reportagens e análises a temas variados incluindo da própria imprensa chinesa", disse ao salientar que o suplementos pretende também "contribuir para que as pessoas que não dominam o chinês possam saber quais os temas abordados pela imprensa chinesa". Além das entrevistas e análises, Luís Ortet acrescentou também que diariamente será publicado um roteiro televisivo e de cinema de Macau bem como a explicação de um caracter chinês, "dando assim oportunidade aos leitores de aprenderem a reconhecer os caracteres"."

JCS/Lusa

O Sínico aplaude

O regresso ao activo do Andarilho Exilado.

Sunday Evening Post

"Balancing act at the party congress", Wu Zhong no Asia Times.

"China hopes a homegrown regional jetliner can challenge Airbus and
Boeing", Donald Greenlees e Nicola Clark no IHT.

"The Great Leap Backward?", Elizabeth Economy, Foregn Affairs via Yale Global.

Thursday, September 06, 2007

Hu Howard Bush Abe


Este fim-de-semana estão reunidos os Chefes de estado e governo dos países da APEC – Cooperação Económica Ásia-Pacífico. Em Sydney estão representados os líderes do “Pacific Rim” por onde passa cada vez mais a pujança da economia mundial. As atenções estão centradas nos “quatro magníficos” que constituem os pilares de poder económico e militar a APEC: China, EUA, Japão e Austrália. Nas semanas que antecederam a cimeira Shinzo Abe e John Howard referiram-se ao “Arco da Liberdade”, das grandes democracias da zona Ásia-Pacífico, numa alusão que excluía Pequim. O desconforto na diplomacia chinesa não foi escondido. O tal “Arch of FReedom” dizia respeito à cooperação na área da segurança internacional, o que terá causado ainda mais azia em Pequim. Foi neste cenário que decorreu o encontro entre Howard e Hu. Afinal Camberra vai tratar com a China das questões da segurabça em cimeiras bilaterais anuais. A face chinesa foi salvaguardada, mas no país-continente as vozes cépticas quanto a uma aproximação sino-australiana – que tem acontecido sobretudo em termos económicos –estão a subir de tom.

"China, Australia discuss security ", BBC.
"Aust does not understand China, defence expert says", Karen Barlow na ABC.
"China, Australia issue joint statement on climate change, energy", Diário do Povo.

Wednesday, August 29, 2007

China-PLP

1. O comércio bilateral entre a China e os Países de Língua Portuguesa aumentou cerca de 60 por cento no primeiro semestre de 2007 para um total de 13,8 mil milhões de euros. (Lusa)

2.Ontem Adriano Moreira escrevia sobre "A China na África", no Diário de Notícias.

Merkel em Pequim (II)

Diferente de Schroeder.

"Germany's Merkel prods China on rights, women", Claudia Kade no The Guardian.

Tuesday, August 28, 2007

Diz (I)


que é uma espécie de Veneza.

Diz (II)


que é o maior casino do mundo.

Diz (III)


que é o sexto homem mais rico do mundo.

Monday, August 27, 2007

Sunday, August 26, 2007

Eduardo Prado Coelho

Acordei triste. Lia-o desde os tempos do saudoso eixo Calvin-EPC, na última página do também saudoso"Público" dos anos 90. Como muitos outros, pensei dele várias coisas enquanto cronista. Não era fácil ficar indiferente ao que escrevia. Como intelectual da "vida pública" portuguesa era único.

Friday, August 24, 2007

NATO do Oriente?

Criada em 1996 sob a designação de “Shanghai Five”, a Organização de Cooperação de Xanghai (SCO, na sigla inglesa) surge aos olhos de muitos analistas ocidentais como uma “NATO do Oriente”, em ascensão. Em traços gerais, a SCO funciona cnum sistema de “2 mais 4”, ou seja China e Rússia como potências que se aliam num plano de igualdade de tratamento, juntamente com cinco das antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central: Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão, e Quirguistão.
A SCO foi descrita na Cimeira de São Petersburgo, em 2002, como um instrumento regional de combate “o terrorismo, extremismo e separatismo”. Ao nível do “power politics”, aos olhos dos dirigentes russos e chineses, a SCO aprece como um instrumento estratégico para a partilha da dominação sobre as antigas república soviéticas e os restantes países vizinhos da Ásia Centra. Mesmo considerando que estes três “inimigos” são ameaças comuns aos seis estados membros, a verdade é que a China e a Rússia procuram com esta organização limitar a influência crescente dos Estados Unidos na região que aumentou tremendamente desde a invasão do Afeganistão. Desde então, Washington estabeleceu bases militares no Uzebequistão, no Tajiquistão e Quirguistão (entretanto apenas subsiste a base militar em território quirguíze). Ou seja, a presença norte-americana na região funcionou também como um estímulo a este dinamismo regional. Curiosamente, na região quer os Estados Unidos quer a Rússia e a China convergem no objectivo da “Guerra ao Terrorismo”. No entanto a cumplicidade dos dois últimos é táctica, devido aos problemas no Cáucaso Norte na Rússia e em Xingjiang na China. Por detrás da cortina de fumo do luta anti-terrorista, os grandes poderes colocam as peças no novo xadrez político-económico da Ásia Central, uma zona onde as questões energética assumem um papel fundamental nas estratégia geopolíticas d Rússia, China e Estados Unidos.
Na cimeira realizada este mês em Bishek, este mês, várias mensagens foram interpretadas pelos analistas como recados à postura norte-americana nos assuntos internacionais.
Além das seis nações que fazem parte da SCO, a organização contempla cinco estados observadores: Índia, Paquistão, Mongólia, Irão e Turquemenistão. À semelhança da cimeira da Ásia oriental realizada em 2005 em Kuala Lumpur, os Estados Unidos não foram convidados. Se lá estivesse um alto representante de Washington, em Bishek, teria o “prazer” de estar num encontro em que um dos focos de atenção foi o presidente iraniano Mahmoud Ahmedinejad. Por essa e por outras razões, Washington não encara com bons olhos o processo da SCO. No entendimento de Russell Ong, da School for Oriental and African Studies, em declrações ao site EurasiaNet, "In the long run, countering the US [military presence] is the more important goal [than countering Islamist extremist forces] so getting American forces out would be a gain”.
M K Bhadrakumar, num texto de análise publicado no Asia Times, não tem dúvidas em afirmar que está a nascer uma “NATO do Oriente”, através da SCO:

“the Bishkek summit marks one more step toward the SCO's evolution into a "supra-regional" organization. It has gained observer status at the UN; it is forging links with sister organizations such as the Association of Southeast Asian Nations. That is to say, the SCO is incrementally placing itself on the same political pedestal as, say, the Organization for Security and Cooperation in Europe, and with a military profile somewhat resembling NATO's”

Naturalmente que a Rússia e a China afastam essa possiblidade. Vladimir Putin garantiu, nesta cimeira que

“As for the military component, it is not a military component as such but rather a counter-terrorism component ... I repeat that the military component is not the dominant and most important part of the SCO. Moreover, the SCO is not a closed organization. It is not a bloc organization. We hold military training exercises not only with the SCO member states but also with other countries, including with NATO member countries."

Já no ano passado, o governo chinês tinha supostamente clarificado a questão:

“SCO never aims to confront any party, and its goal has nothing to do with becoming a military organization. SCO is engaged in multi-field cooperation in China and all-sided exchanges in the international arena. Even when it comes to collaboration in security, SCO does not posture itself against the US or NATO as some people have claimed. It has no imaginary or imagined enemy; real enemies of the organization are terrorism, splittism and extremism as well as poverty, ignorance and backwardness”.

O grande jogo da Ásia Central está em marcha. Recursos energéticos, estabilidade transfronteiriça, luta contra o terrorismo, balança de poderes e multipolarismo são as palavras-chave. E a relação triangular China-Rússia-EUA é menos previsível que à vista desarmada. Quanto à União Europeia, enquanto a Moscovo e Pequim lançavam a SCO e os EUA faziam acordos para instalar bases militares na Ásia Central, Bruxelas não mostrava ter uma estratégia clara para esta zona do mundo. Prova disso é que apenas este ano foi realizada a primeira cimeira UE-ÁSIA Central.

Wednesday, August 22, 2007

Monday, July 30, 2007

De regresso ao Velho Continente


Até 21 de Agosto.

Parabéns Iraque!



"Nos últimos quinze minutos a Arábia Saudita entrou finalmente em jogo, lançando-se em contínuas jogadas de ataque, que no entanto, não chegaram para tirar a alegria aos iraquianos que levantaram a Taça Asiática com toda a justiça, pelo futebol apresentado na final de ontem. Mahmoud Younis, o homem do jogo, correu sem parar, sem rumo pelo relvado do Estádio Nacional Gelora Bung Karno, em Jacarta. As lágrimas, finalmente, eram de alegria. Pela primeira vez o Iraque venceu a Taça Asiática".

Excerto de um texto publicado no Jornal Hoje Macau.

Tuesday, July 24, 2007

Friday, July 20, 2007

Tell us about Macau


Foto: Dado (ou melhor, emprestado)
"It is a bit wild west, frantic about money, frantic about building and screw the rest. It is supremely capitalist.", David Tang, um empesário de Hong Kong em declarações ao The Guardian em "Macau beats Vegas at its own game".

Não bem assim, mas não deixa de o ser...

Monday, July 16, 2007

O Movimento Anti-direitista; 50 anos depois


Faz parte, a par de outras ocasiões da história da República Popular da China como a revolução Cultural ou o Massacre de Tiananmen, da "zona proibída" de discussão pública. Há 50 anos, começava o chamado "Movimento Anti-Direitista", como reacção à rasteira "Campanha das cem Flores". Nos primeiros seis meses 300 mil pessoas tinham sido classificadas como "direitistas" e purgadas.
A discussão está vedada e devidamente censurada, mas há "fugas" na web:

"Anti-Rightist campaign: China's censored history leaks around the Internet (in spite of Sohu)"

Saturday, July 07, 2007

Atrasados

Os parabéns ao Paulo Gorjão pelo quarto aniversário do seu Bloguítica.

Friday, July 06, 2007

Monday, July 02, 2007

Leituras recentes

Desta vez aceito o desafio lançado pelo João André.

"As seitas – Histórias do crime e da política em Macau" de João Guedes.
China's Trapped Transition: The limits od Development Autocracy" de Minxin Pei.
"O Poder e os Idealistas" de Paul Berman.
"Identity and Violence" de Amartya Sen.

Ora, como mandam as regras destes exercícios, passo o desafio-convite ao António Larguesa, ao Bruno Sena Martins e ao José Pimentel Teixeira num hiato Macau-Pequim-Coimbra-Maputo.

Monday, June 25, 2007

Tsang-Tsang-Tsang


A poucos dias do 10º aniversário da transferência de administração de Hong Kong – é já no próximo domingo – foram anunciadas mudanças no executivo de Donald Tsang que vai ser empossado no dia 1 de Julho.
Além da já esperada subida de Henry Tang para o cargo de Secretário-Chefe, número dois do governo, e da passagem de John Tsang (not related to Donald Tsang) para a pasta das finanças, sobressai a nomeação de Tsang Tak-sing, conhecido pelas suas posições firmemente pró-Pequim., para o cargo de secretário para os assuntos internos. Tsang (also not related to Donald Tsang) vai estar a liderar o processo de consulta sobre as alterações ao sistema eleitoral na região administrativa vizinha. Recorde-se que o chefe do executivo e Hong Kong aquando da “campanha eleitoral” de Março tinha prometido empenhar-se em trazer o sufrágio universal para a “Pérola Financeira”. A nomeação de Tsang Tak-sing, dizem alguns analistas, denota uma inclinação do executivo para o lado da balança mais conservador, em especial depois de declarações recentes de Wu Bangguo, presidente da Assembleia Nacional Popular, sobre os limites do segundo sistema no processo de reforma política. No entanto, a História também nos indica que por vezes são os “falcões” que têm peso para fazer as reformas. Wishful Thinking?

Thursday, June 21, 2007

A "Singapura" do Atlântico


Alberto João Jardim diz que quer que a Madeira seja a Singapura do Atlântico. Claro está que teria que ser uma Singapura sem Chineses.
De qualquer modo, assim, de repente, encontro algumas semelhanças entre o "Bokassa" da Madeira e o pai-fundador da cidade-estado, o senhor Lee Kwan Yew. Porque será?

Wednesday, June 13, 2007