
Os parabéns a uma Rádio por onde tive o orgulho de passar (ainda que por breves quatro meses), e onde muito aprendi.
À beira-China plantado. Um blogue de José Carlos Matias. jcmatias80@gmail.com.



No dia 9 de Dezembro de 1978, o activista Wei Jinsheng escreveu no Muro da Democracia (西单民主墙) que a República Popular da China necessitava urgentemente de colocar em prática a Quinta Modernização. Estávamos em plena efervescência pós-Maoísta, numa altura em que Deng Xiaopeng se apoiava de forma mais ou menos velada nos sectores mais “liberais” do Partido e do movimento estudantil. Foi nesse contexto que surgiu o Muro da Democracia, que durou cerca de um ano em Pequim, com centenas de jovens a escrever naquela parede de Xidan Street o que pensavam num momento de expressão livre de ideias sem precedente na RPC. A quinta Modernização defendida pelos jovens activistas era a democratização do sistema político. Deng delineara que o progresso da China estava dependente de um processo de transformação e modernização em quatro sectores - Agricultura, indústria, Ciência e Tecnologia e Defesa Nacional. Nesse início do período que também ficou conhecido como a “Primavera de Pequim”, Wei escrevia que “não pode haver Quatro modernizações sem democracia”. O certo é que as Quatro Modernizações Prosseguiram a todo o vapor nos seguintes 30 anos, sem que tenha havida mudanças significativas no sistema político “leninista”, baseado no centralismo democrático e no papel de vanguarda e monopólio do poder do Partido. Os activistas do “muro da Democracia” foram reprimidos logo em 1979 quando começara a ir “demasiado longe” e numa altura em que Deng já tinha assegurado o controlo do topo do aparelho do Partido e do Estado – ou seja o “Pequeno Timoneiro” já não necessitava de se apoiar nas forças mais “liberais” que se tornavam uma ameaça para ele, assim que afastou a facção dos radicais fiéis de Mao. O ímpeto democratizador estava lançado. Contudo de que democracia falavam esses activistas? É interessante notar que a maioria dos líderes assumia-se como marxista. A crítica era feita à forma autoritária de interpretação e prática do marxismo pelo regime. Esta é a linha mais relevante nos movimentos de intelectuais que se afirmaram como a consciência crítica “liberal” do regime ao longo dos anos seguintes. No início dos anos 1980 o Beijing Social and Economic Sciences Research Institute e alguns académicos da Academia de Ciências da China surgiram como a base de apoio consultivo de líderes como o ex primeiros ministros e scretários-gerais do PCC Hu Yaobang e Zhao Zhiyang. Uma parte desses intelectuais defenderam teses próximas daquilo Merle Goldman em “From Camarade to Citizen” classifica de Marxistas Humanistas que criticavam duramente o Maoísmo e a chamada ala esquerdista do PCC e defendiam que à abertura económica da era de Deng devia corresponder um movimento de democratização do sistema político, tendo ainda assim o PCC o papel liderante. Já nos anos 1990 – pouco depois da Repressãod e Tiananmen - nos escritos de autores como Hu Jiwei, Yu Guangyuan ou Yuan Hongbin estava a defesa de um fortalecimento do Estado de Direito, liberdade de expressão, papel da opinião pública e do exercício da cidadania no processo de tomada de decisões. Alguns desses autores eram provenientes da Escola Central do Partido Comunista, da Associação de escritores e da Academia de Ciências Sociais da China.
As teses defendidas pelo grupo de intelectuais da Escola do Partido que foram reveladas esta semana na imprensa internacional seguem esta linha. O Presidente Hu Jintao tem salientado a importância da democracia intra partidária, mas blinda o discurso à abertura de fissuras no monopólio do poder exercido pelo Partido e aparece como uma personalidade algo dúbia no campo dos direitos, liberdades e garantias. Este documento – “Stroming the Fortress” – aponta noutro sentido, alargando a democracia intra-partidária gradualmente para vários sectores da sociedade, considerando que isso é inevitável. Julgo que não se pode sobrevalorizar ou ter expectativas de uma transformação de fundo no sistema. As mudanças devem ser graduais e a abordagem dos autores deste documento é, simultaneamente, audaz e moderada. Não deixa de ser importante que o prefácio do estudo seja escrito pelo vice-presidente da Escola Central do PCC e que afinal, ao contrário do que se possa pensar, o PCC não é uma entidade completamente fechada e monolítica. Os autores defendem que uma reforma política gradual pode contribuir para a construção de uma sociedade moderna em 2020; nas décadas seguintes a China poderá emergir como uma “democracia madura e de um estado de direito maduro”. 2020, três anos depois da possível introdução em Hong Kong do sufrágio directo e universal...
- Como vão reagir as sensibilidades da chamada ala conservadora em termos de evolução do sistema política do PCC?
- A quem interessa a divulgação deste documento nesta altura?
- Será que o grupo de intelectuais em causa vão ser colocados de lado ou mesmo sofrer “represálias” como tem acontecido em várias ocasiões na China quando é discuta a reforma política?
- A reforma política como agenda prioritária tem sido rejeitada pela liderança Hu Jintao Wen Jiabao. O discurso de Hu no último Congresso do Partido colocava ênfase nas questões sociais e num modelo sustentável de desenvolvimento. É certo que Hu usou durante muitas vezes a palavra democracia, mas sabe-se que não foi no sentido “ocidental”.
Conseguirá a China fazer brotar dentro do sistema uma forma de democracia original num processo bem sucedido sem abalos sísmicos ou o desmoronamento do edifício a meio do caminho?
O que pensam os Benjamins da quinta geração sobre isto?
Será que a Quinta Geração (Xi Jinping e Li Keqiang) que deverá ascender ao poder a partir de de 2012 irá abrir a porta da Quinta Modernização?

O recém-eleito primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, afirmou sem rodeios, numa entrevista esta semana à CNN, que apenas morreu uma pessoa no massacre de estudantes em Outubro de 1976. Dados oficiais apontam para 46 mortes, embora sobreviventes garantam que os militares provocaram a morte a mais de 100 estudantes. Samak, líder do Partido People Power - sucessor do Thai Rak Thai do ex primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra - alega nessa entrevista que a repressão era necessária face ao "perigo do comunismo". As declarações do novo chefe de governo de Banguecoque, conotado com a direita populista tailandesa, chocaram muitos tailandeses. Este editorial do Bangkok Post dá conta da indignação:

A Review de Sreeram Chaulia so livro "One mainland, two systems: Rural Democracy in China", da autoria de Baogang He, no Asia Times.
"The naked truth about China's censors", Chris Crook no Asia Times.



O Low-profile de Pequim antes e depois das eleições legislativas de Taiwan deu e provavelmente dará frutos para o Kuomintang e para uma nova era de coexistência entre os dois lados do estreito baseada na manutenção do status quo e na criação de laços económicos que certamente vão trazer enormes benefícios à Ilha que um dia os portugueses chamaram Formosa. Mesmo que o PDP (força política que tema ssumido posições radicais pró-independência) ganhe as eleições presidenciais - o que, a julgar pelos estudos de opinião é improvável - a atitude de confrontação e radicalismo pró-independência de Chen Shui Bian terá os dias contados. O candidato presidencial do PDP Frank Hsieh veio esta semana admitir o diálogo com Pequim para que haja ligações económicas mais fortes entre os dois lados do estreito.
Willy Lam, na última edição do China Brief:
" Beijing has adopted an uncharacteristically low profile in the run-up to and in the aftermath of the LY elections, which suggests that Beijing is treading very carefully on Taiwan's sensitive political landmine. The cabinet-level Taiwan Affairs Office (TAO) issued no statements and the polls received minimal coverage in Chinese media, while the TAO also cancelled a press briefing for unspecified reasons, which was originally scheduled on January 16 (China Times, January 16). The official Xinhua News Agency carried a brief dispatch on the Taiwan ruling party’s “landslide defeat” but refrained from its usual penchant for DPP bashing. The few Beijing-based Taiwan experts who have talked to the Hong Kong, Taiwan and foreign media have interpreted the election results as a defeat for the DPP’s “radical pro-independence line.”

Este blogue foi registado em Maio de 2004, contudo foi a partir de 23 de Janeiro de 2005 que teve início a publicação regular de posts. Não sendo um blogue pessoal, o Sínico reflecte subtilmente alguns estados de alma e, de forma explícita, o campo de interesses do seu autor. Este espaço tem sido, acima de tudo, uma forma de mostrar as janelas que vou abrindo para este lado do mundo. É assim que pretendo que continue a ser no quarto ano de actividades. De forma mais distensa, menos frequente e enquanto houver algo de interessante a partilhar.
Termino esta breve epístola com um agradecimento e um amplexo aos que visitam este remoto canto da blogosfera.
Naturalmente que estamos perante um processo que se torna agora muito mais visível. Mediatismos à parte, 2008 será, de facto, um ano muito importante para a China. Os Jogos Olímpicos vão mostrar ao mundo uma face moderna e esplendorosa da "Nova China". A emergência, garante Pequim, será pacífica, rumo a um "Mundo Harmonioso". O final de 2007 indica, contudo, que, este ano, a pressão da UE e dos EUA vai aumentar face aos défices comerciais e ao valor do yuan, entre outros aspectos. Muitas ONG vão apertar o cerco no que diz respeito aos direitos humanos. 2008 será um ano-teste para o charme do poder chinês. "With great power comes great responsability"; daí que a máxima de Deng Xiaoping - "Nunca tomar a dianteira nas questões internacionais" - esteja cada vez mais fora de prazo.
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Sete décadas depois, as feridas estão por sarar. O Massacre de Nanjing (Nanquim) ocupa na memória da China um lugar de luto, que, em muitos casos, se transforma em ressentimento e ódio face aos japoneses. A forma como em Tóquio se desculpabiliza – entre os sectores mais nacionalistas – a barbárie de Nanjing também impede que as relações sino-japonesas sigam o caminho da reconciliação entre franceses e alemães.
O Sínico presta tributo às centenas de milhar que pereceram nesse 13 de Dezembro de 1937.


“The Democrats’ candidate Anson Chan Fang On-sang emerged as the clear victor with her unequivocal vision of direct election of the chief executive by 2012. And she achieved the result at a time when the economy is booming and the political waters calm, conditions that normally favour the pro-government camp. In an established democracy, Mrs Chan’s share of the popular vote would be accepted as an unambiguous mandate.”
Editorial do South China Morning Post (4-12-2007)
"Hong Kong, o regresso da "voz" da democracia", AG no Exílio de Andarilho.
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Só agora deu por isso. O João André lança-me o desafio de transcrever a quinta frase da página 161 do livro que está em cima da mesa. Et voilá:
"Não podemos deixar de ver esse passado - tão próximo e, contudo, tão remoto - com os olhos demasiadobem informados dequem conhece o fim da história, pelo menos no que diz respeito ao Ocidente, como a conhecíamos há mais de 2000 anos"
"As Origens do totalitarismo", de Hannah Arendt. Passo a corrente ao Tiago Barbosa Ribeiro, à Maria João Belchior e ao AG.




"China, where the dull lead the dynamic", Kent Ewing no Asia Times.
"O mundo como vontade e representação", Arnaldo Gonçalves no Jornal tribuna de Macau.
"Hu's steady march on power", Chong Pin Lin no IHT.



