Tuesday, March 25, 2008

Caijing



É uma Revista de Economia Finanças publicada em Pequim. "É do melhor (jornalismo) que é possível encontrar na China", afiança Orville Schell, Director da Escola de Jornalismo da Universidade Califórnia em Berkeley. Vale a pena visitar com regularidade.

Chego a esta ligação através de um artigo muito interssante escrito por José Vítor Malheiros sobre a jornalista Hu Shuli - "Hu Shuli empurra a fronteira da liberdade de imprensa", publicado na edição do passado domingo do jornal português Público .

"Vamos até à fronteira e podemos até empurrá-la, mas nunca a atravessamos."Os "empurrões na fronteira" são, por exemplo, as exigências de maior transparência por parte da administração, um dos cavalos-de-batalha que Hu Shuli não desiste de cavalgar, e de maior liberdade de acção para a imprensa.Estas idas "até à fronteira" da liberdade de imprensa, mesmo sem transgressões patentes, não se fazem, porém, sem riscos. Os jornalistas da Caijing são por vezes interrogados pelas autoridades e convidados a fazer uma autocrítica e no site da revista identifica-se a "profundidade da investigação" e a "pura coragem" como as marcas do jornalismo da revista. E ninguém tem dúvidas de que os artigos que são hoje publicados teriam levado os seus autores direitos para a cadeia há alguns anos. Hu Shuli chegou mesmo a ser considerada por uma revista "a mulher mais perigosa da China", devido a uma investigação publicada sobre fundos de investimentos.

Ler artigo na íntegra aqui.

Monday, March 24, 2008

De olho

No dragão. Não, não se trata de um espião da Segunda Circular. É mesmo o blogue jornalista Vera Penêda, em Pequim. A visitar.

Sunday, March 23, 2008

Leituras Dominicais

"Beijing's claims of an "unwavering stand" in support of Tibet are groundless", Howard French no IHT.
"China’s Economic Fluctuations: Implications for its Rural Economy", Albert Keidel.

Previsível

A retórica de Pequim face à questão tibetana. Bloqueando o acesso de jornalistas estrangeiros ao Tibete e reagindo desta maneira, as autoridades chinesas repetem erros do passado.

Vale a pena ler o dossier da Xinhua sobre os acontecimentos de Lhasa.

A narrativa latente nos media internacionais , especialmente no Ocidente, tem os seus juízos normativos bem claros. As atitudes de Pequim reforçam essa percepção. Na batalha mediática a China parte em desvantagem e dá constantes tiros no pé.

Saturday, March 22, 2008

Ma Presidente


Taiwan's opposition candidate Ma Ying-jeou surged to victory over his ruling party rival in a presidential vote dominated by concern over the economy and hopes for better relations with China. With all but a few thousand votes left to count, Ma had a massive 17-point lead over Frank Hsieh of the pro-independence Democratic Progressive Party (DPP).


Um novo ciclo em Taipé

Texto publicado no jornal Hoje Macau em 20-03-2008.

Independentemente de quem vencer as eleições presidenciais em Taiwan no próximo sábado, será aberta uma nova página na história política da ilha a que os portugueses chamaram de Formosa. A estratégia de Chen Shui-bian, na presidência nos últimos oito anos, de provocação, deverá ter um fim, mesmo que vença o candidato menos cotado nas sondagens, Frank Hsieh do Partido Democrático Progressista (PDP), força política de Chen. Esse novo ciclo deverá alterar a relação de Taiwan com a China continental e terá efeitos no papel que Macau e Hong Kong têm desempenhado no tráfego de passageiros e de mercadorias.

A vantagem que o candidato do Kuomintang (KMT), Ma Ying-jeou, tem nos estudos de opinião e sondagens reflecte uma saturação por parte dos taiwaneses com o os escândalos de corrupção dos últimos governos e o estilo agressivo e populista de Chen, que, ao optar pela confrontação com Pequim, alienou as vantagens que Taiwan poderia ter colhido com um reforço das relações económicas com o continente. Ao passo que a maioria dos países mal pode esperar pela oportunidade de beneficiar com o crescimento da China, Taiwan tem sido uma excepção. As dificuldades económicas por que passa Taiwan ditaram a mudança no discurso do PDP e a vantagem do KMT, que em Janeiro assegurou a maioria absoluta nas eleições para o parlamento (lifa yuan).

A economia, acima de tudo

Na verdade, Ma e Hsieh partilham a perspectiva de que é importante colocar em prática políticas amigas do investimento e comércio com a China. A diferença está no tom, nas prioridades e na velocidade da aproximação. Ma Ying-jeou, ex presidente da Câmara de Taipé, tem uma agenda ambiciosa que passa pela criação de um mercado comum no Estreito de Taiwan com livre movimento de capitais e bens, mas não de pessoas. O início desse processo, propõe Ma, será a abertura imediata das ligações directas aéreas, começando com voos charter aos fins-de-semana, para, dentro de um ano, terem início os voos directos regulares com a China continental. O candidato do KMT prometeu abrir Taiwan ao investimento continental em sectores como o imobiliário, à entrada de turistas chineses e ao reconhecimento dos diplomas universitários da China continental. Após um coro de críticas de Hsieh sobre o perigo de uma bolha especulativa no imobiliário com a entrada de investidores chineses, e da perda de empregos, com a mudança de unidades de produção para a China, Ma corrigiu o discurso garantindo que Taiwan não abrirá as portas a produtos agrícolas do continente, à entrada de trabalhadores do outro lado do estreito e aos produtos de má qualidade fabricados na China. Para não afastar o eleitorado do centro e com o objectivo de captar algum eleitorado moderado que tem votado no PDP, Ma inseriu no seu discurso os três nãos: não às conversações sobre a reunificação, não à declaração de independência e não ao uso da força por qualquer um dos lados. Hsieh é mais cauteloso face à aproximação económica com a China, temendo efeitos nefastos, explorando esse receio como arma eleitoral contra Ma. Mas o candidato do PDP, ex primeiro-ministro, também promete criar um enquadramento mais propenso aos investimentos de empresários de Taiwan na China e vice-versa. Hsieh defendeu na campanha ainda a abertura seleccionada de voos charter directos entre os dois lados do estreito e a abertura ao investimento de empresas chinesas na construção de edifícios comerciais e de serviços, mas rejeitando a entrada no sector residencial.

Ainda a questão da identidade

À primeira vista as eleições poderiam ser resumidas à famosa máxima “Its the economy, stupid”, que valeu a vitória a Bill Clinton sobre George H. Bush em 1992. Essa é a linha de argumentação do Kuomintang, mas Hsieh, mesmo distanciando-se do radicalismo pró-independência de Chen Shui-bian, salienta que as questões ligadas à segurança nacional e à identidade de Taiwan ainda prevalecem. Prova disso é a questão do referendo proposto por Chen Shui-bian sobre a entrada da ilha nas Nações Unidas sob a designação de Taiwan, uma consulta popular que será realizada em simultâneo com as eleições presidenciais e um outro referendo da autoria do KMT em que é proposta a participação de Taiwan de forma flexível em organizações internacionais. As duas consultas não deverão ser vinculativas, ou seja não deverão ter mais de 50 por cento de participação eleitoral.

Se em, termos económicos existem semelhanças nos programas dos dois candidatos, a perspectiva face à questão da identidade de Taiwan permanece bastante diferente. Para Hsieh a República da China já foi “taiwanizada”, daí que Taiwan seja a República da China e vice-versa. Isto é, ter a nacionalidade da República da China significa ter uma identidade taiwanesa, daí que o futuro da ilha só possa ser decidido pelos 23 milhões de habitantes. Já Ma considera que apenas a República da China é detentora da soberania e não Taiwan, ou seja, a sua perspectiva radica ainda na questão histórica, do legado da guerra civil entre o Partido Comunista Chinês e o Kuomintang. Em todo o caso, a posição de Ma acaba por ser dúbia, sendo pressionado por um lado pela velha guarda nacionalista do KMT e, por outro, pela necessidade de conquistar o eleitorado moderado. Daí que, apesar de defender um desanuviamento do clima nas relações com Pequim e de propor um programa económico ambicioso, Ma Ying-jeou seja mais cauteloso que Lien Chan, candidato presidencial em 2004 que, em 2005, efectuou uma visita histórica à China, garantindo que, durante o seu mandato, não irá ter encontros com Hu Jintao ou iniciar conversações rumo à reunificação. A estratégia de Ma passa por não aparecer aos olhos do eleitorado como o candidato de Pequim, uma vez que a sociedade de Taiwan continua muito dividida face à questão das relações políticas com a China. É por isso que esta semana criticou o que considera ser a “arrogância” de Wen Jiabao sobre a questão de Taiwan e deu a entender que, se a China continuar a reprimir os protestos de tibetanos, a ilha poderá boicotar os Jogos Olímpicos.

À espera do efeito “spill over”

Uma aproximação económica poderá levar inevitavelmente no médio ou longo prazo a uma relação política que rompa com o permanente “deadlock” do status quo. Numa perspectiva neo-funcionalista, a crescente interdependência económica e comercial levará à institucionalização de laços políticos, num efeito de “spillover”, à semelhança do que sucedeu como a integração europeia nos últimos 50 anos (salvaguardando as devidas diferenças). O problema diz respeito à forma como ser irá materializar essa institucionalização e qual será base mínima para o diálogo. Ao que tudo indica, Ma defende que a base de negociação deverá ser o chamado “consenso de 1992”, sobre o princípio de uma China, decorrente do diálogo que teve lugar em Hong Kong entre a Associação para as relações no estreito de Taiwan, entidade da China continental, e a Fundação Para o Intercâmbio no Estreito, instituição de Taiwan. No entanto, a visão de uma China suscita interpretações diferentes dos dois lados do Estreito. Além disso, podendo esse ser o ponto de partida será difícil e moroso o processo de “encaixe” de Taiwan no Princípio Um País, Dois Sistemas. Começar por criar um mecanismo de diálogo com vista à paz e segurança regional, no estreito, seria um primeiro passo que fortaleceria a confiança mútua. Mas neste longo caminho há sempre que contar com a posição de Washington, que certamente receia perder terreno como potência militar regional a favor de uma Pax Sínica.


Wednesday, March 19, 2008

A luva e a mão

Como se temia, dentro da luva de veludo ainda estava a mão de ferro, acompanhada pela habitual censura. Entretanto o "blame game" está em marcha:

"Now the Tibet blame game begins", John Ng, Asia Times.

Monday, March 17, 2008

O Tibete e as duas propagandas

Sendo impossível aos jornalistas estrangeiros (até aos de Hong Kong) reportar o que se está a passar em Lhasa, a internet é praticamente a única via de eyewitnessing.
O site Danwei elabora uma lista de sítios onde são publicados testemunhos e cita Wang Lixion, marido da escritora tibetana Woeser.

"Today, information on Tîbet is duopolized by two different political propaganda machines. One machine is located in Beijing, and the other in Dhåramsala. Since Tibet is to a large extent still under a state of blockade, other individuals or organizations find it very difficult to obtain independent information (especially at the macroscopic level). Like it or not, people who are concerned about Tîbet are getting most of their information from these two propaganda machines.The bad thing is that the information from these two sources is almost surely conflicting with and even completely opposite to each other. Faced with this absurd situation, the solution is to choose your position first and decide which side you want to stand with, and then you treat the information from that side as true and everything from the other side as false". (negrito nosso)

P.S. O China Digital Times actualiza as várias notícias e testemunhos.


Sunday, March 16, 2008

Ainda o Tibete

É importante ler o texto do correspondente da The Economist na China, provavelmente o único jornalista estrangeiro que testemunhou a violência dos últimos dias:

"Your correspondent, the only foreign journalist with official permission to be in Lhasa when the violence erupted, saw crowds hurling chunks of concrete at the numerous small shops run by ethnic Chinese lining the streets of the city’s old Tibetan quarter. They threw them too at those Chinese caught on the streets—a boy on a bicycle, taxis (whose drivers are often Chinese) and even a bus. Most Chinese fled the area as quickly as they could, leaving their shops shuttered. "

"A handful of riot police with shields and helmets (but no guns visible) patrolled in front of the Jokhang as the riots continued around them, while others stood in lines at the perimeter of the riot-torn area. But for many hours they made no attempt to intervene. After nightfall, fire engines supported by two armoured personnel carriers, moved down the streets putting out the blazes. But the police carrying automatic rifles atop the armoured vehicles did not attempt to deploy on the streets. The occasional bang was heard, but it was difficult to tell whether it was shooting or explosions in the fires. "

Este é o melhor contributo que li nestes dias. Limpo da propaganda da Xinhua (agência estatal de notícias da China) e da Radio Free Asia (estação financiada pelo Congresso dos EUA).

de forma surpreendente

Hu Jintao foi eleito para um novo mandato de cinco anos (o segundo e último), pela Assmebleia Popular Nacional.
Comos e esperava Xi jinping sucedeu a Zeng Qinghong na vice-presidenência. e alinha-se para ocupar a pole position para ocupar em 2012 a cadeira de Hu.

Saturday, March 15, 2008

os acontecimentos de Lhasa

Olhares sobre a violência dos últimos dias:
"Fire on the roof of the world", The Economist.
"Tibet regional gov't: Sabotage in Lhasa masterminded by Dalai clique", Xinhua.
"Tibet protests continue after day of violence", Telegraph.
"Tibet Protests Against China Turn Deadly", AP

P.S. Uma outra perspectiva no blogue Chino Chano:

"Viendo las imágenes de los disturbios, me acuerdo de las visiones diferentes que tienen del pueblo tibetano occidentales y chinos. Los primeros tenemos idealizados a los tibetanos como seres tranquilos y espirituales (por eso de que al único al que conocemos es al Dalai Lama). Los chinos, en cambio, consideran a los tibetanos gente con carácter fuerte y algo agresiva. ¿Quién tiene razón? Nadie, sólo son tópicos.El problema del Tíbet es gordo, muy gordo. China quizá va a tener que pensar en la posibilidad de pactar con el Dalai Lama, porque esto se le va de las manos. Pero a cambio, los tibetanos tal vez deberían permitirle a China que pueda pasar este año con tranquilidad y celebrar los JJOO en paz".

A Questão do Tibete e os Jogos Olímpicos

"Como se previa, os antigos senhores do Tibete no exílio, os mesmos que mantiveram o seu povo no analfabetismo e obscurantismo religioso durante séculos, estão bravos. E com eles a colecção dos idiotas do costume, os que vivem de protestar sobre o que desconhecem, só porque é in protestar, desfilar, marchar. Sobretudo quando em questão está uma questão tão distante como o Tibete. E tudo isto se previa, como também prevejo que a China vai passar por momentos difíceis daqui para a frente e durante as Olimpíadas."

Carlos Morais José "O Risco dos Jogos" no Hoje Macau.

O timming para os protestos é cirúrgico: ainda durante a sessão anual da Assembelia Popular Nacional, a poucos dias das eleições em Taiwan e, claro, no ano dos Jogos Olímpicos. A forma provocatória de agir dos manifestantes (queimando carros e destruindo lojas de chineses han) indica que o objectivo é forçar as autoridades chinesas a usarem a força de forma desproporcionada (o que infelizmente acontece demasiadas vezes) com o objectivo de aproveitar o "mommentum" e gerar um indignação das "boas consciências ocidentais". Parafraseando Carlos Morais José no mesmo artigo "a China que se prepare: até e durante os Jogos Olímpicos, os ataques vão ser mais que muitos e eu estou para ver se Pequim conseguirá mesmo dar uma resposta equilibrada.".
Este é um jogo muito perigoso.

Ler também a análise de Shirong Chen na BBC:

"The Chinese government is faced with a dilemma. They certainly do not want any bloodshed just five months before the start of the Olympic Games, and will be keen to avoid any situation reminiscent of what happened in Burma in 2007. On the other hand, they will not want to give the monks and other protesters room to let off steam for fear that this may be interpreted as weakness and trigger further unrest".

Saturday, March 08, 2008

Da Reforma e da Transição

Texto Publicado no jornal Hoje Macau no dia 6 de Março de 2008

“Sem reforma há apenas um caminho - para a perdição”
Deng Xiaoping, em 1992, durante o “tour” pelo sul da China para promoção das reformas económicas

As reformas económicas (gaige kaifang) introduzidas há 30 anos por Deng Xiaoping têm guiado a República Popular da China num período de ritmo de crescimento sem precedentes na História. Ao contrário do que sucedeu na União Soviética nos anos 1980, as reformas na China não foram acompanhadas por uma diminuição do cariz “leninista” do Partido Comunista na gestão e comando do rumo das reformas económicas e no monopólio do poder político. Alguns autores consideram que parte do segredo da China foi não cometer os mesmos erros de Gorbatchov, não só em termos de eficiência da reestruturação económica (perestroika) mas sobretudo na questão da abertura do regime rumo a uma partilha de poder, que no caso soviético, devido a vários factores, resultou no colapso do sistema. Paralelamente a esta observação surge uma outra perspectiva que alerta para os perigos da ausência de uma abertura política para o próprio crescimento sustentado e saudável da economia no futuro. Subjacente a este debate sobre que melhores receitas reformistas servirão a RPC estão visões diferentes, ou mesmo opostas, sobre a evolução do “socialismo de mercado com características chinesas”, numa lógica de transição. Daí que, naturalmente, as reformas de hoje estejam indelevelmente ligadas às transições de amanhã.

A reforma administrativa

A reforma está no topo da agenda da sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), que teve início esta quarta-feira. A reforma administrativa foi erguida pelo primeiro-ministro como prioridade de modo a que o governo central aumente a sua eficiência e possa responder melhor e de forma mais ágil às necessidades do povo - instituições que melhor respondam às necessidades da população são per se factor de legitimidade. A criação de quatro Super Ministérios que centralizem as pastas da energia, indústria, transportes e ambiente deve ser entendida como, segundo Mao Shoulong da Universidade Renmin de Pequim, uma forma de adequar o processo de tomada de decisões a normas internacionais e visam criar um sistema que separa a dimensão executiva das decisões tomadas numa determinada área das actividades das agências regulatórias. O caderno de encargos desta sessão da ANP reflecte o movimento de reforço do poder de Hu Jintao e Wen Jiabao na estrutura do Partido e, em consequência, do Estado. A agenda da reforma administrativa tinha sido desde logo colocada em cima da mesa por Hu em 2002, quando assumiu a liderança do PCC, altura em que iniciou a promoção da “civilização política” (zhengzhi wenming), ou seja reformas e alterações do sistema administrativo e político com vista à melhoria da eficiência de um processo de tomada de decisões “científico”.

“Rule by law”

Neste processo, a promoção do Estado de Direito desempenha um papel muito importante. Contudo, não estamos perante uma promoção do Estado de Direito (rule of law) da separação do poder ou a criação de um regime de pesos e contrapesos. Há, de facto, uma defesa do primado da Lei, mas, seguindo a análise de Willy Lam, a lógica é “rule by law”. Quanto a isto Wen Jiabao deixou claro, em 2004, numa resposta a um jornalista, que “o Partido lidera o povo na formulação da Constituição”. Em todo o caso, nos últimos anos, são visíveis sinais interessantes como o aumento exponencial das litigações e a subida do número de cidadãos que processam os governos locais – o fenómeno de minggaoguan.Paralelamente, têm sido movidas campanhas de combate à corrupção, de criação de mecanismos de responsabilização dos detentores de cargos públicos (accountability) e de disponibilização de mais informações sobre as actividades de cada unidade do Governo Central e das dos governos locais.

Transições: duas visões americanas

Apesar deste esforço e do aparente vigor com que a liderança lida com os problemas de eficiência burocrática e administrativa, subsistem ainda demasiados casos de directivas governamentais não cumpridas. O académico chinês Mixin Pei, residente nos Estados Unidos e investigador do Carnegie Endowment , considera que apesar do estado chinês parecer ser centralizado e omnipresente, “a sua capacidade para implementar as políticas e garantir o cumprimento das directivas é bastante limitada pela sua incoerência, tensões internas e fraquezas várias”. Numa visão pessimista, Pei traça um retrato quasi-catastrófico do aparelho estatal, especialmente a nível local, onde, argumenta, a corrupção é endémica. Para Pei a China está a gerar “estados-mafia” a nível provincial que fogem quase por completo à cadeia de comando de Pequim e que funcionam à margem do incipiente estado de direito chinês. A transição está armadilhada porque o estado se torna num predador; em vez de cumprir o seu papel de alguma redistribuição da riqueza e de modernização da economia, no verdadeiro sentido, ou seja em termos de inovação e competitividade além do factor da mão-de-obra extensiva. Ou seja, este autor não acredita no argumento segundo o qual em regimes autoritários a abertura à economia de mercado gera forças que pressionam as elites a acelerar as reformas políticas rumo à democratização. No pólo oposto encontra-se Bruce Gilley, que está convencido que forças pró-democracia vão emergir dentro do próprio Partido Comunista Chinês. Este académico norte-americano acredita que com a emergência de uma classe média cada vez mais exigente, as facções pró-democracia dentro do PCC vão ter cada vez mais força e o Partido vai perceber que o melhor para o país será partilhar o poder com outros actores e seguir um modelo “ocidentalizado” de democracia.

À procura da democracia “madura”

Ora, nada indica que dentro do PCC haja a percepção de um movimento teleológico rumo à democracia liberal parlamentar de tipo europeu e norte-americano. Mesmo muitas das vozes dissidentes têm colocado ênfase num caminho autónomo que deve ser seguido pela China. Em Abril de 1986, Hu Qili, à data membro do Comité Permanente do Politburo, que mais tarde viria a ser purgado na sequência dos protestos de Tiananmen, afirmou que “a reforma económica não pode progredir sem reformas políticas e culturais. Nós não devemos ceder as ideias de liberdade, democracia e direitos humanos ao capitalismo”. É interessante notar também que a maioria dos líderes assumia-se como marxista. A crítica era feita à forma autoritária de interpretação e prática do marxismo pelo regime. Esta é a linha mais relevante nos movimentos de intelectuais que se afirmaram como a consciência crítica “liberal” do regime ao longo dos anos seguintes. Naturalmente que as circunstâncias mudaram, mas convém prestar atenção ao documento “Storming the Fortress”, um relatório elaborado após o XVII Congresso do PCC por elementos da Escola central do Partido em que é defendido que a democracia intra-partidária (conceito caro a Hu Jintao) se alargue vários sectores da sociedade, de forma progressiva, para que, a partir de 2020 a China comece a ser uma “democracia madura e um estado de direito maduro”. Com características chinesas. Entretanto, em termos analíticos, o mais seguro é recordar que para Deng Xiaoping as reformas políticas que interessam eram aquelas que conferem maior eficiência administrativa.

Tuesday, March 04, 2008

Saturday, March 01, 2008

RUC 22 anos


Onde tudo começou... Parabéns a todos. Sempre no Ar! Um beijo para a Menina dos Nossos Ouvidos!

Friday, February 29, 2008

TSF: 20 anos


Os parabéns a uma Rádio por onde tive o orgulho de passar (ainda que por breves quatro meses), e onde muito aprendi.

Thursday, February 28, 2008

Contar

a transformação da China nos últimos anos através do percurso de cinco ex colegas de uma Universidade. É o mote do livro " Chinese Lessons: Five Classmates and the Story of the New China" do jornalista John Pomfret. Na excelente série de entrevistas "Conversations with History" Harry Kreisler fala com o autor:


Sunday, February 24, 2008

Na "wishlist"


O novo livro de Moisés Silva Fernandes. Depois do muito interessante "Macau na Política Externa Chinesa: 1949-1979", o investigador, quedirige o Instituto Confúcio, apresentou esta semana mais uma obra de grande fôlego: "Confluência de Interesses: Macau nas Relações Luso-Chinesas Contemporâneas, 1945-2005".

Leituras Dominicais


"The 17th Party Congress: Informal Politics and Formal Institutions" Joseph Fewsmith, China Leadership Monitor

"Jottings on the Conjunture", Perry Anderson na New Left Review.

"Beijing Olympics: Shadow Over a Coming-Out Party", Paul Mooney na Yale. Global.



Wednesday, February 20, 2008

De novo a Quinta Modernização


No dia 9 de Dezembro de 1978, o activista Wei Jinsheng escreveu no Muro da Democracia (西单民主) que a República Popular da China necessitava urgentemente de colocar em prática a Quinta Modernização. Estávamos em plena efervescência pós-Maoísta, numa altura em que Deng Xiaopeng se apoiava de forma mais ou menos velada nos sectores mais “liberais” do Partido e do movimento estudantil. Foi nesse contexto que surgiu o Muro da Democracia, que durou cerca de um ano em Pequim, com centenas de jovens a escrever naquela parede de Xidan Street o que pensavam num momento de expressão livre de ideias sem precedente na RPC. A quinta Modernização defendida pelos jovens activistas era a democratização do sistema político. Deng delineara que o progresso da China estava dependente de um processo de transformação e modernização em quatro sectores - Agricultura, indústria, Ciência e Tecnologia e Defesa Nacional. Nesse início do período que também ficou conhecido como a “Primavera de Pequim”, Wei escrevia que “não pode haver Quatro modernizações sem democracia”. O certo é que as Quatro Modernizações Prosseguiram a todo o vapor nos seguintes 30 anos, sem que tenha havida mudanças significativas no sistema político “leninista”, baseado no centralismo democrático e no papel de vanguarda e monopólio do poder do Partido. Os activistas do “muro da Democracia” foram reprimidos logo em 1979 quando começara a ir “demasiado longe” e numa altura em que Deng já tinha assegurado o controlo do topo do aparelho do Partido e do Estado – ou seja o “Pequeno Timoneiro” já não necessitava de se apoiar nas forças mais “liberais” que se tornavam uma ameaça para ele, assim que afastou a facção dos radicais fiéis de Mao. O ímpeto democratizador estava lançado. Contudo de que democracia falavam esses activistas? É interessante notar que a maioria dos líderes assumia-se como marxista. A crítica era feita à forma autoritária de interpretação e prática do marxismo pelo regime. Esta é a linha mais relevante nos movimentos de intelectuais que se afirmaram como a consciência crítica “liberal” do regime ao longo dos anos seguintes. No início dos anos 1980 o Beijing Social and Economic Sciences Research Institute e alguns académicos da Academia de Ciências da China surgiram como a base de apoio consultivo de líderes como o ex primeiros ministros e scretários-gerais do PCC Hu Yaobang e Zhao Zhiyang. Uma parte desses intelectuais defenderam teses próximas daquilo Merle Goldman em “From Camarade to Citizen” classifica de Marxistas Humanistas que criticavam duramente o Maoísmo e a chamada ala esquerdista do PCC e defendiam que à abertura económica da era de Deng devia corresponder um movimento de democratização do sistema político, tendo ainda assim o PCC o papel liderante. Já nos anos 1990 – pouco depois da Repressãod e Tiananmen - nos escritos de autores como Hu Jiwei, Yu Guangyuan ou Yuan Hongbin estava a defesa de um fortalecimento do Estado de Direito, liberdade de expressão, papel da opinião pública e do exercício da cidadania no processo de tomada de decisões. Alguns desses autores eram provenientes da Escola Central do Partido Comunista, da Associação de escritores e da Academia de Ciências Sociais da China.

As teses defendidas pelo grupo de intelectuais da Escola do Partido que foram reveladas esta semana na imprensa internacional seguem esta linha. O Presidente Hu Jintao tem salientado a importância da democracia intra partidária, mas blinda o discurso à abertura de fissuras no monopólio do poder exercido pelo Partido e aparece como uma personalidade algo dúbia no campo dos direitos, liberdades e garantias. Este documento – “Stroming the Fortress” – aponta noutro sentido, alargando a democracia intra-partidária gradualmente para vários sectores da sociedade, considerando que isso é inevitável. Julgo que não se pode sobrevalorizar ou ter expectativas de uma transformação de fundo no sistema. As mudanças devem ser graduais e a abordagem dos autores deste documento é, simultaneamente, audaz e moderada. Não deixa de ser importante que o prefácio do estudo seja escrito pelo vice-presidente da Escola Central do PCC e que afinal, ao contrário do que se possa pensar, o PCC não é uma entidade completamente fechada e monolítica. Os autores defendem que uma reforma política gradual pode contribuir para a construção de uma sociedade moderna em 2020; nas décadas seguintes a China poderá emergir como uma “democracia madura e de um estado de direito maduro”. 2020, três anos depois da possível introdução em Hong Kong do sufrágio directo e universal...

Posto isto, algumas questões emergem...

- Como vão reagir as sensibilidades da chamada ala conservadora em termos de evolução do sistema política do PCC?

- A quem interessa a divulgação deste documento nesta altura?

- Será que o grupo de intelectuais em causa vão ser colocados de lado ou mesmo sofrer “represálias” como tem acontecido em várias ocasiões na China quando é discuta a reforma política?

- A reforma política como agenda prioritária tem sido rejeitada pela liderança Hu Jintao Wen Jiabao. O discurso de Hu no último Congresso do Partido colocava ênfase nas questões sociais e num modelo sustentável de desenvolvimento. É certo que Hu usou durante muitas vezes a palavra democracia, mas sabe-se que não foi no sentido “ocidental”.

Conseguirá a China fazer brotar dentro do sistema uma forma de democracia original num processo bem sucedido sem abalos sísmicos ou o desmoronamento do edifício a meio do caminho?

O que pensam os Benjamins da quinta geração sobre isto?

Será que a Quinta Geração (Xi Jinping e Li Keqiang) que deverá ascender ao poder a partir de de 2012 irá abrir a porta da Quinta Modernização?

Will they deliver?

The report argues: "Citizens' steadily rising democratic consciousness and the grave corruption among party and government officials make it increasing urgent to press ahead with demands for political system reform ... the backwardness of the political system is affecting economic development."

"Elite Chinese thinktank urges political reform and press freedoms", The Guardian

Friday, February 15, 2008

Samak in denial


O recém-eleito primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, afirmou sem rodeios, numa entrevista esta semana à CNN, que apenas morreu uma pessoa no massacre de estudantes em Outubro de 1976. Dados oficiais apontam para 46 mortes, embora sobreviventes garantam que os militares provocaram a morte a mais de 100 estudantes. Samak, líder do Partido People Power - sucessor do Thai Rak Thai do ex primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra - alega nessa entrevista que a repressão era necessária face ao "perigo do comunismo". As declarações do novo chefe de governo de Banguecoque, conotado com a direita populista tailandesa, chocaram muitos tailandeses. Este editorial do Bangkok Post dá conta da indignação:




Wednesday, February 06, 2008

Kung Hei Fat Choi

Gong Xi Fa Cai!
恭喜发财
Feliz Ano Novo Lunar!


Seja Bem-vindo, senhor Rato!

Tuesday, February 05, 2008

Snow-Slow-Patrol


South China Morning Post, 4-2-2008.

Orientes Lusófonos


Um blogue com a janela permanentemente aberta para outros blogues, em português, destes lados do mundo.

Saturday, February 02, 2008

falar ao povo

Descontando as óbvias diferenças, de tempo, espaço e circunstâncias, não deixa de ser curioso olhar para estas duas fotografias:


Maio de 1989 - Zhao Zhiyang fala na Praça de Tiananmen aos estudantes. Ao seu ladoestava Wen Jiabao, na altura um jovem quadro emergente e braço direito do secretário-geral do PCC.


Janeiro de 2008 - Wen Jiabao, primeiro-ministro da República Popular da China, fala ao povo desesperado na Estação de Caminhos de Ferro da cidade de Cantão, devido às tempestades de neve do Inverno mais rigoroso das últimas cinco décadas.

P.S. Esta alusão surge na sequência de mais uma conversa interessante com o meu amigo AG (Exílio de Andarilho).

Wednesday, January 30, 2008

Ao Man Long


Foi condenado a tantos anos de prisão quantos eu tenho de vida.

A ler o trabalho do Hoje Macau:
"TUI implacável"

O editorial de Rodolfo Ascenso no Macau Daily Times:
"
More than just justice"

O editorial de José Rocha Dinis no JTM:
"Ao Serviço da Justiça"





Friday, January 25, 2008

Spring Strait

O Low-profile de Pequim antes e depois das eleições legislativas de Taiwan deu e provavelmente dará frutos para o Kuomintang e para uma nova era de coexistência entre os dois lados do estreito baseada na manutenção do status quo e na criação de laços económicos que certamente vão trazer enormes benefícios à Ilha que um dia os portugueses chamaram Formosa. Mesmo que o PDP (força política que tema ssumido posições radicais pró-independência) ganhe as eleições presidenciais - o que, a julgar pelos estudos de opinião é improvável - a atitude de confrontação e radicalismo pró-independência de Chen Shui Bian terá os dias contados. O candidato presidencial do PDP Frank Hsieh veio esta semana admitir o diálogo com Pequim para que haja ligações económicas mais fortes entre os dois lados do estreito.
Willy Lam, na última edição do China Brief:

" Beijing has adopted an uncharacteristically low profile in the run-up to and in the aftermath of the LY elections, which suggests that Beijing is treading very carefully on Taiwan's sensitive political landmine. The cabinet-level Taiwan Affairs Office (TAO) issued no statements and the polls received minimal coverage in Chinese media, while the TAO also cancelled a press briefing for unspecified reasons, which was originally scheduled on January 16 (China Times, January 16). The official Xinhua News Agency carried a brief dispatch on the Taiwan ruling party’s “landslide defeat” but refrained from its usual penchant for DPP bashing. The few Beijing-based Taiwan experts who have talked to the Hong Kong, Taiwan and foreign media have interpreted the election results as a defeat for the DPP’s “radical pro-independence line.”

Wednesday, January 23, 2008


Este blogue foi registado em Maio de 2004, contudo foi a partir de 23 de Janeiro de 2005 que teve início a publicação regular de posts. Não sendo um blogue pessoal, o Sínico reflecte subtilmente alguns estados de alma e, de forma explícita, o campo de interesses do seu autor. Este espaço tem sido, acima de tudo, uma forma de mostrar as janelas que vou abrindo para este lado do mundo. É assim que pretendo que continue a ser no quarto ano de actividades. De forma mais distensa, menos frequente e enquanto houver algo de interessante a partilhar.

Termino esta breve epístola com um agradecimento e um amplexo aos que visitam este remoto canto da blogosfera.

Friday, January 18, 2008

Thursday, January 17, 2008

Howard de Xangai

Assina dos textos mais interessantes sobre a China publicados na imprensa "ocidental". Vale a pena visitar a página de Howard French, jornalista do New York Times que reside em Xangai.

Wednesday, January 02, 2008

Beidou 2 vs Galileo

Um artigo a ler no South China Morning Post (link para assinantes), num trabalho interessante da jornalista China's plans for its own satellite navigation system have stunned its partners at Europe's Galileo project"

Alguns excertos:

"If China were to push ahead on a global civilian system we would review our relationship because we do not have an interest in helping them into the mass market," said Paul Verhoef, head of the Galileo programme at the EU Commission's headquarters in Brussels.

Steven Tsang Yui-sang, a lecturer in Chinese politics at Oxford University, said: "Galileo is a very powerful back-up system for China's military. The US may destroy Chinese satellites but they will not destroy Galileo.

Ironically, the change to a publicly funded Galileo has pushed the economic benefits to the background in favour of its military use. "In the beginning it was true Galileo was a civilian, commercial undertaking, but after all the delays and with the public funding the security and military rationale has become stronger," said Jose Carlos Matias, a Macau-based expert on China's involvement in Galileo.

Tuesday, January 01, 2008

2008, o ano da China

Várias publicações prevêem que este seja o ano da RPC. O Independent anuncia mesmo que este é o ano em que uma nova potência nasce:

"2008: The year a new superpower is born"


Naturalmente que estamos perante um processo que se torna agora muito mais visível. Mediatismos à parte, 2008 será, de facto, um ano muito importante para a China. Os Jogos Olímpicos vão mostrar ao mundo uma face moderna e esplendorosa da "Nova China". A emergência, garante Pequim, será pacífica, rumo a um "Mundo Harmonioso". O final de 2007 indica, contudo, que, este ano, a pressão da UE e dos EUA vai aumentar face aos défices comerciais e ao valor do yuan, entre outros aspectos. Muitas ONG vão apertar o cerco no que diz respeito aos direitos humanos. 2008 será um ano-teste para o charme do poder chinês. "With great power comes great responsability"; daí que a máxima de Deng Xiaoping - "Nunca tomar a dianteira nas questões internacionais" - esteja cada vez mais fora de prazo.

.

O Sínico deseja a todos um 2008 feliz!

Friday, December 21, 2007

Vou ali (aí)


Feliz Natal e de um Bom Ano Novo, que é como quem diz:
聖誕快樂! (sheng dan kuai le)
新年快樂! (xin nian kuai le)

Thursday, December 13, 2007

70 anos


Sete décadas depois, as feridas estão por sarar. O Massacre de Nanjing (Nanquim) ocupa na memória da China um lugar de luto, que, em muitos casos, se transforma em ressentimento e ódio face aos japoneses. A forma como em Tóquio se desculpabiliza – entre os sectores mais nacionalistas – a barbárie de Nanjing também impede que as relações sino-japonesas sigam o caminho da reconciliação entre franceses e alemães.

O Sínico presta tributo às centenas de milhar que pereceram nesse 13 de Dezembro de 1937.

"China marks 70th anniversary of 'Nanking Massacre", AP.

" 70th anniversary of Nanjing Massacre", Xinhua.

Pequim-Hong Kong-Pequim

"We are writing a critical chapter in Hong Kong's constitutional history," Tsang said, appealing to the public to be "calm, rational, pragmatic and responsible" in how they pursued the goal of universal suffrage. But Tsang's failure to recommend dates for direct elections drew immediate criticism from leading democrats.

Tuesday, December 11, 2007

CINCO

Seguindo o desafio do Daniel, eis alguns entre outros:

A Clock Work Orange de Stanley Kubrik (1971)




La Haine de Mathieu Kassovitz (1995)




Underground de Emir Kusturica (1995)




Fa Yeung Nin Wa - In the Mood for Love, de Wong Kar Wai (2000)





Mou Gaan Dou - Infernal Affairs, de Andrew Lau Wai-Keung (2002)




Passo a corrente ao Bruno Senna Martins, ao Rui Nix e ao João André.

Saturday, December 08, 2007

Leituras Dominicais


1 - "(...) while German Chancellor Angela Merkel reiterated last month her purposes to launch a "new foreign policy" based on human rights rather than commercial interests, Sarkozy's visit marked the strengthening of a Sino-French strategic partnership and economic relations".


Federico Bordonaro, "For Paris, there's no China la rupture", Asia times.

2 -
"Thousands of people in Shenyang, capital of north-eastern China’s Liaoning province, took to the streets over several days last week, surrounding government offices to demand government help in recovering money from a pyramid-style financial scheme to raise ants for the manufacture of an aphrodisiac drug. ",
Via China Digital Times: "Thousands Protest Over Financial Losses From ”Ant Farming” Scam"

Uma breve nota

A propósito das polémicas declarações de Au Kam San na Assembleia Legislativa de Macau, esta semana:

"Intervenção de Au Kam San aqueceu tarde no hemiciclo", JTM
"Leonel e Coutinho juntos em protesto", Hoje Macau .

Mais interessante do que discutir sobre quem supostamente "roubou" mais, é reflectir sobre o que esteve ou está na base dos alegados "saques" (partindo do princípio que antes e depois de 1999 houve atitudes de delapidação do bem público). Ou seja, provavelmente, estamos perante um problema sistémico de deficiências em termos de "pesos e contra-pesos", transparência e (falta de) "accountability", independentemente de quem (portugueses ou chineses) a administrou ou administra este sistema tão peculiar com as suas "especificidades". O registo populista do senhor Au não é nada bom conselheiro para o debate, nem a forma como algumas reacções deviaram a atenção da discussão para o passado.

Wednesday, December 05, 2007

Ainda a Cimeira

A perspectiva de uma das mais conceituadas autoridades nas relações China-UE. David Shambaugh escreveu dias antes da Cimeira o que, na verdade, veio a ser confirmado numa Cimeira marcada por algum azedume:

"The 'China honeymoon' is over", David Shambaugh no IHT.

Tuesday, December 04, 2007

China Frágil - a visão de Susan L. Shirk



"China: Fragile Superpower: How China's Internal Politics Could Derail Its Peaceful Rise"

O tema tem sido recorrente entre os sinólogos norte-americanos. A perspectiva do colapso do sistema chinês guia muitos dos olhares que, do outro lado do Atlântico, analisam a China. Dentro de algumas semanas o "Sínico" partilha as suas impressões sobre este livro que emerge na mesa de cabeceira. Para já fica a apresentação da obra pela própria Susan Shirk, com direito a um debate interessante com o público.

Interpretar a vitória de Anson Chan

“The Democrats’ candidate Anson Chan Fang On-sang emerged as the clear victor with her unequivocal vision of direct election of the chief executive by 2012. And she achieved the result at a time when the economy is booming and the political waters calm, conditions that normally favour the pro-government camp. In an established democracy, Mrs Chan’s share of the popular vote would be accepted as an unambiguous mandate.”

Editorial do South China Morning Post (4-12-2007)

"Hong Kong, o regresso da "voz" da democracia", AG no Exílio de Andarilho.


Monday, December 03, 2007

Domingo eleitoral

a
Num dia em que Putin deverá ter "esmagado" nas legislativas russas e em que Chavéz pode ter tido luz verde para se perpetuar no poder (à hora em que escrevo este post os resultados do referendo ainda não são conhecidos*), "salva-se" a vitória de Anson Chan nas eleições intercalares para um lugar no Conselho Legislativo de Hong Kong. Um triunfo pleno de significado.

"Democracy champion wins HK poll ", BBC.

*Entretanto, ao que tudo indica, o "Não" venceu na Venezuela.

Sunday, December 02, 2007

Saturday, December 01, 2007

Além da Cimeira: Um olhar sobre as relações entre a China e a União Europeia

José Carlos Matias, texto publicado no jornal Hoje Macau (30-11-2007)

Em Setembro de 2004, o académico norte-americano David Shambaugh escrevia, na revista “Current History”, que o relacionamento entre a China e a União Europeia estava a evoluir para um “eixo emergente que, com o tempo, será uma fonte de estabilidade num mundo volátil”. Nessa altura as visitas de alto nível e as cimeiras eram preenchidas por declarações de reforço da cooperação de uma parceria estratégica vista pelos dois lados como um jogo de soma positiva. De forma mais prosaica, o então Presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, recusava o que alguns críticos chamavam de “trade love affair”, garantindo que (...continuar a ler no Sínico Esclarecido)

Wednesday, November 28, 2007

Cimeira China-União Europeia


Foto: Xinhua
Começa hoje. Os desafios são crescentes para esta relação que há 4 anos era caracterizada como um "trade love affair", por alguns. Outros salientavam o "emerging axis" entre as duas partes. Ontem, Zhang Xiaojin, do Centro de Estudos europeus da Universidade de Renmin, dizia ao south China Morning Post que "The honeymoon for Sino-EU relations is over. China and the EU are strategic competitors and it is normal to express views in a straightforward manner" (...) "But China is not ready yet. It may be shocked by such straightforward wxpression by the EU".
As declarações foram proferidas a propósito da desavença entre Peter mandelson e Wu Yi:
"China's Wu `Extremely Unhappy' at Mandelson Speech", Bloomberg.


Tuesday, November 27, 2007

O que diz Hutchinson

!“Conversa de casa de banho”"

José Carlos Matias no "Hoje Macau", 27-11-2007.

"Sinceramente estou farto”, desabafou Anthony Hutchinson, Director de Comunicação do Consulado-Geral dos Estados Unidos em Hong Kong e Macau, já no final da Conferência organizada pelo Fórum Luso-Asiático, ontem ao final da tarde no Auditório do Edifício dos Correios. Hutchison referia-se às “constantes acusações do Campo Pró-Pequim de Hong Kong”, que viu no discurso de Hu Jintao, no XVII Congresso do Partido Comunista Chinês um alerta face à ingerência norte- americana na política interna da região vizinha.
O diplomata contou que por vezes os jornais “ditos patrióticos” escrevem que o Consulado dos EUA interfere nos assuntos internos a favor dos Democratas, uma situação que descreve como falsa. Hutchinson foi mais longe ao dizer que “essa história da mão escondida dos americanos a manipular a política de Hong Kong é conversa típica da Revolução Cultural”. Visivelmente agastado com o assunto, o diplomata chegou mesmo a afirmar que “esse tipo de linguagem devia ter ido pela sanita abaixo juntamente com a última edição dos pensamentos de Mao Zedong”.
Garantindo que a insinuação é falsa, Hutchinson explicou que “o Consulado dos EUA faz o que os consulados chineses fazem em todo o mundo”, ou seja, assegura, “falamos com pessoas de vários campos políticos, do Partido Democrático à Aliança Democrática para o Melhoramento de Hong Kong”.

Separar o “trigo do joio”

Questionado sobre como interpretava as declarações do Presidente Hu Jintao, em que o também secretário-geral do PCC afirmou que Pequim vai ajudar as regiões administrativas especiais no combate a qualquer ingerência externa, o director de comunicação do Consulado norte-americano fez questão de separar o que afirmou Hu de algumas interpretações que foram feitas em Hong Kong. No que diz respeito ao que foi escrito em alguns jornais da região vizinha conotados com o campo Pró-Pequim, após uma pausa, sentenciou: “it’s just toilet wordy”.
Quanto ao discurso de Hu Jintao, realçou que o Presidente chinês foi, como é de seu timbre, “muito cuidadoso nas palavras utilizadas”, salientando que o secretário-geral do PCC também afirmou que “as regiões administrativas especiais devem estar abertas ao exterior”. Num exercício de interpretação, Hutchinson considera que ao referir-se à oposição a interferências estrangeiras, “o Governo Central deixa a mensagem que as mudanças que estão a acontecer em Macau ou Hong Kong devem acontecer de uma maneira que Pequim considere útil e desejável”. Sobre a situação específica de Macau, Hutchinson apenas referiu que “o investimento norte-americano faz parte da estratégia do Governo Central de abertura ao exterior”. Na sua perspectiva, o que se passa nas regiões administrativas especiais é muito importante porque, por um lado, “o sucesso deste modelo é fundamental para resolver a questão de Taiwan, por outro , Macau e Hong Kong sempre foram motores de mudança para a China”.

Taiwan: em defesa do staus quo

No debate com a assistência, que foi reduzida, a questão de Taiwan assumiu um lugar de destaque. Para Hutchinson a posição de Washington face à questão do Estreito “permanece essencialmente a mesma desde os anos 1970, ou seja “a de oposição à declaração unilateral da independência e rejeição de qualquer acção armada unilateral por parte da República Popular da China”. Ou seja, apoio à manutenção do status quo na ilha. Na prática, os EUA têm uma postura “agnóstica, que passa por aceitar como boas soluções quer a reunificação pacífica, quer a separação pacífica”.
O relacionamento entre Washington e Pequim foi caracterizado como “muito forte” e, simultaneamente “difícil e complexo”. Hutchinson chamou a atenção para o nível de interdependência económica existente entre as duas partes e os mecanismos de diálogo que têm sido usados como instrumentos para a cooperação. A questão da Coreia do Norte foi dada como um exemplo de como Washington e Pequim podem ter interesses coincidentes. Contudo, Hutchison admitiu que “os Estados Unidos esperam mais da China no dossier nuclear do Irão e no conflito do Darfur”.
Apesar do discurso optimista e positivo quanto à natureza das relações sino-americanas, o diplomata não escondeu as divergências no campo dos direitos humanos, liberdade de imprensa e estado de direito, nem escamoteou o facto de haver “sectores da sociedade norte-americana com dúvidas face ao que significa de facto a emergência da China e que agenda escondida pode terá Pequim”. Para desfazer os receios e a percepção da China como ameaça “é muito importante reforçar o diálogo”, argumenta. Nos EUA “o governo e os principais agentes económicos consideram que o crescimento da China é algo de positivo para o mundo porque olhamos para o que está a passar como um jogo de soma positiva”, Neste ponto de vista, o maior perigo “é que a China pare com as reformas”.


“Ásia Oriental não pode excluir EUA”

Nos últimos anos a influência diplomática de Washington sobre a Ásia Oriental tem diminuído na mesma proporção que a diplomacia chinesa tem estado muito activa no fortalecimento de laços quer com o Sudeste Asiático, quer com a Ásia Central. Numa região em que Washington tem várias bases militares – Guam Coreia do Sul, Japão ou Filipinas – a China está a reforçar as ligações económicas, comerciais e políticas. Vários analistas têm chamado a atenção para a forma como Pequim está a ocupar um espaço deixado vago por uma Administração Bush demasiado preocupada com o Iraque e Guerra contra o terrorismo. Prova disso tem sido o facto dos EUA estarem ausentes quer da Cimeira da Ásia Oriental quer do Fórum Regional da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASAEN), instâncias cujas cimeiras tiveram lugar na semana passada em Singapura. Perante esta situação, Hutchinson admite que Washington “gostaria de fazer parte dessas cimeiras e desses instrumentos de cooperação regional porque uma organização de promoção da segurança e desenvolvimento na Ásia Oriental deve incluir os Estados Unidos”.

Saturday, November 24, 2007

Vale a pena

ler a transcrição deste debate sobre o XVII Congresso do Partido Comunista Chinês.

"A New Era? What to Make of the 17th Congress of the Chinese Communist Party"

O ponto de vista é - claro - norte-americano.

Friday, November 23, 2007

Page 161

Só agora deu por isso. O João André lança-me o desafio de transcrever a quinta frase da página 161 do livro que está em cima da mesa. Et voilá:

"Não podemos deixar de ver esse passado - tão próximo e, contudo, tão remoto - com os olhos demasiadobem informados dequem conhece o fim da história, pelo menos no que diz respeito ao Ocidente, como a conhecíamos há mais de 2000 anos"

"As Origens do totalitarismo", de Hannah Arendt. Passo a corrente ao Tiago Barbosa Ribeiro, à Maria João Belchior e ao AG.


Macau: sinais em trânsito



"Stanley Ho dá murro na mesa", Hoje Macau.
"
Governo invoca interesse público e contesta providência cautelar", JTM.
"Orelhas a arder...", José Rocha Dinis no JTM

Tuesday, November 20, 2007

Monday, November 19, 2007

José Silveira Machado


(fotografia retirada do blogue Leocardo)

O Sínico curva-se.

Lusa-Macau:

"O professor Silveira Machado, uma das figuras marcantes da cultura portuguesa em Macau, morreu hoje aos 89 anos no Hospital Conde de São Januário, disse à agência Lusa um amigo do docente. Professor, fundador e jornalista do semanário católito O Clarim, comentador e autor, José Silveira Machado nasceu a 24 de Outubro de 1918 na freguesia e Concelho de Velas, na ilha açoriana de São Jorge. Estava em Macau desde a década de 30 onde chegou para estudar para padre no Seminário de S.José na companhia de outras figuras de Macau como Monsenhor Manuel Teixeira, entretanto também já falecido, e o padre Aureo Castro. Funcionário público desde Janeiro de 1941 na então chamada Repartição da Fazenda do Concelho de Macau, Silveira Machado entra em 1948 para os Serviços de Economia. Em 1974, o professor, como era conhecido em Macau, aposentou-se em Lisboa, regressando a Macau em 1976 para iniciar a carreira de docente na Escola Comercial, Colégio Dom Bosco e no Centro de Formação dos Serviços de Educação. Ao longo da sua carreira como jornalista, colaborou na Voz de Macau, na Revista Renascimento, O Clarim, Comunidade, Boletim Informativo de Macau, e foi correspondente do Diário da Manhã e da revista de Cinema Plateia. Fluente em cantonente, o dialecto chinês que se fala no sul da China, Silveira Machado escreveu diversos livros como "Macau, Sentinela do Passado" (prosa), "Rio das Pérolas" (poemas), "Macau, Mitos e Lendas" (contos), "Duas Instituições Macaenses", "Macau na Memória do Tempo" e "O Outro lado da Vida" (retrato social de Macau). Muito ligado a Macau, à juventude e à comunidade, Silveira Machado nunca descartava, como explicam os amigos, uma boa discussão. Não visitava Portugal há cerca de 17 anos e costumava dizer que se aterrasse em Lisboa, era capaz de se perder em cinco minutos. A sua actividade cívica e em prol do português em Macau valeu-lhe o reconhecimento da classe política, tendo sido condecorado com a Medalha da Ordem do Mérito Civil da Instrução Pública, Medalha de Mérito Desportivo (classe de prata), Medalha de Mérito Cultural, Comenda da Ordem do Mérito e grau de Grande Oficial da Ordem da Instrução, esta última em Janeiro de 2005 pelo então presidente português Jorge Sampaio. Homem ligado ao desporto, turismo, educação e cultura, a sua morte é considerada uma "enorme perda" pela comunidade em geral. "Fazia amizades facilmente com todos, era disciplinado e um defensor de valores humanistas em resultado da sua formação católica que o marcou para sempre", destacou o padre Albino Pais, director do jornal O Clarim. A sua última obra "O Outro lado da Vida" é um testemunho da sua preocupação com o próximo", disse ainda o prelado."

Saturday, November 17, 2007

Chinese Democracy

Esta semana foi publicado o Livro Branco do Sistema de Partidos Políticos da China. O documento pede uma maior cooperação* entre os Partidos na China (sim, existem vários Partidos na República Popular).

Além do Partido Comunista, na China há outras forças políticas denominadas "Partidos":

- Comité Revolucionário do Kuomintang Chinês
-Liga Democrática da China
- Associação para a Construção Democrática Nacional da China
- Partido dos trabalhadores e Camponeses Chineses
- China Zhi Gong Dang
-Sociedade Jiu San
-Liga de Auto-Governo Democrático de Taiwan

*Sempre sob a liderança do Partido Comunista Chinês.

Na ciência e prática política, normalmente, um partido tem como principal objectivo a conquista do poder. Não é o caso destes Partidos que existem na China. Vários foram criados nos anos 1930 e 1940 sob impulso do próprio PCC que aassim formalmente criou uma frente contra a invasão japonesa, primeiro, e , depois, face ao Kuomintang, durante a Guerra Civil.
Existiu, de facto, entre um denominado Partido Democrático Chinês subterrâneo, que juntava, no final dos anos 1990, alguns antigos lideres do Muro da Democracia (1979) e do Movimento de Tiananmen (1989).

Thursday, November 01, 2007

Monday, October 29, 2007

Xi!


Xi Jinping vai ficar com a chefia do Grupo de Trabalho para os Assuntos de Macau e Hong Kong no PCC, sucedendo assim a Zeng Qinhong, na tarefa de supervisionar politicamente as duas regiões administrativas especiais.
Não deixa de ser muito interessante que a escolha tenha recaído sobre um dos “benjamins” do Comité Permanente do Politburo, especialmente sobre aquele que, segundo vários analistas, está na pole position para dentro de cinco anos suceder a Hu Jintao. Que impacto tem esta escolha nos assuntos de Macau e Hong Kong?
P.S. Na semana passada o South China Morning Post escrevia que seria Jia Qingli o escolhido, alguém que suscita muitas e comprovadas reservas a vários níveis...

Thursday, October 25, 2007

Ainda o Congresso

Assentada já alguma poeira, vale a pena ler quem tem olhado com atenção e perspicácia o que se passou no XVII Congresso do Partido Comunista Chinês e as implicações da nova composição da liderança.


"China, where the dull lead the dynamic", Kent Ewing no Asia Times.

"O mundo como vontade e representação", Arnaldo Gonçalves no Jornal tribuna de Macau.

"Hu's steady march on power", Chong Pin Lin no IHT.

Sunday, October 21, 2007

Parece


não haver supresas. O novo Comité Central foi "eleito". Tal como esperavam muitos observadores, Zeng Qinghong, Wu Guanzheng e Luo Gan não fazem parte da lista designada. Quer isso dizer que vão abrir quatro vagas no Comité Permanente do Politburo (tendo em conta que um lugar estava antecipadamente vago, depois da morte, este ano de Huang Ju).
Os mais fortes candidatos continuam a ser: Li Keqiang, Xi Jinping, He Guoqiang e Zhou Yongkang. Amanhã saberemos a composição do comando central político dio Partido, e em consequência do Estado.
A saída de Zeng é particularmente significativa, uma vez que o vice-presdiente da RPC é considerado um rival de Hu (embora recentemente tenha sido feita uma alegada "aliança") e um homem que durante muitos anos foi um dos braços direitos de Jiang Zemin. Esta saída reflecte um reforço do poder de Hu, mas é provável que para a saída de Zeng Qinghontg corresponda à entrada de dois dos seus "homens de mão": He Guoqiang e Zhou Yongkang.

Wednesday, October 17, 2007

Entretanto, no Grande Palácio do Povo


Os cerca de 2200 delegados tem estado a "analisar" e a "discutir" o o relatório/discurso apresentado pelo secretário-geral Hu Jintao na segunda-feira, na abertura do XVII Congresso do Partido Comunista Chinês.

Quanto ao que mais interessa...



P.S: Os dias em Pequim foram mais uma vez didácticos. De regresso ao segundo sistema, volto a ter o "direito" (privilégio, no contexto de toda a China) de ter acesso livre à internet. Esta semana o controlo/censura foi reforçado... Afinal estamos em pleno Congresso do Partido.