Wednesday, April 16, 2008

Uma besta

A CNN já apresentou as desculpas: "CNN apologises to Chinese over host's 'goons and thugs' outburst", Telegraph
O senhor Cafferty. estas são as imagens disponíveis no Youtube para já:

Tuesday, April 15, 2008

民主是个好东西

A democracia é uma coisa boa! Dúvidas?

Ler o muito discutido artigo de Yu Keping: "Democracy is a good thing" (versão traduizida)

Monday, April 14, 2008

Leituras Pós-Dominicais

Na blogosfera:
"Paciência de Chinês", Leocardo no Bairro do Oriente.
"Morrinha", Carlos Morais José no Oriente Crónico.
"O Protesto", as crónicas de Nuno Lima Bastos em formato de blogue.

Elsewhere:

"A new era or a 'made in China' affair?",
Ting-I Tsai no Asia Times.
"What do you want from us?" A Chinese response to Western criticism, no China Elections and Governance.
"Hu’s Southern Expedition: Changing Leadership in Guangdong", Cheng Li no China Leadership Monitor da Hoover Institution.

Friday, April 11, 2008

Pesos, medidas e proporções


1. Na China continental (primeiro sistema) Chen Liangyu, ex secretário do Partido Comunista Chinês em Xangai, foi condenado a 18 anos de prisão.

Chen is accused of being at the center of a high-profile scandal in which more than $400 million in pension funds were improperly invested in real estate and toll road projects that included Shanghai's new Formula One race track. He was accused of lending large amounts from the pension fund and helping businessmen buy stakes in state-owned companies, resulting in huge losses.

"Ex-Party Boss in China Gets 18 Years" , AFP



2. Na Região Administrativa Especial de Macau, (segundo sistema), em Janeiro, Ao Man Long, ex secretário dos transportes e obras públicas foi condenado a 27 anos de prisão.

n a four-month investigation, anti-graft officials said they discovered assets worth about 800 million patacas (US$99.5 million), more than 57 times what Ao and his family could have earned over a seven-year period.

"
Ex-official in Macau guilty of corruption, gets 27 years", China Post





Thursday, April 10, 2008

A dimensão

Geopolítica da questão do Tibete. Pelo economista F. William Engdahl:


"The US-led destabilization in Tibet is part of a strategic shift of great significance. It comes at a time when the US economy and the US dollar, still the world’s reserve currency, are in the worst crisis since the 1930’s. It is significant that the US Administration sends Wall Street banker, former Goldman Sachs chairman, Henry Paulson to Beijing in the midst of its efforts to embarrass Beijing in Tibet. Washington is literally playing with fire. China long ago surpassed Japan as the world’s largest holder of foreign currency reserves, now in the range of $1.5 trillions, most of which are invested in US Treasury debt instruments. Paulson knows well that were Beijing to decide it could bring the dollar to its knees by selling only a small portion of its US debt on the market".

"Risky Geopolitical Game: Washington Plays ‘Tibet Roulette’ with China"

Um texto

Com (muita) cabeça, tronco e membros que enquadra o problema e coloca questões pertinentes, como nos tem habituado o jornalista Francesco Sisci

"(...) the real solution should be trying to achieve good governance, not independence"

"Tibet a defining issue for China", Francesco Sisci no Asia Times.

Sunday, April 06, 2008

Leituras Dominicais

"Ma Ying-jeou and the Future of Cross-Strait Relations", Willy Lam no China Brief da Jamestown Foundation.
"Beijing Olympics and China’s Human Rights ", Liu Xiaobo no site Chinese Human rights Defenders.
"The Yin and Yang of US Debt", Ashok Bardhan e Dwight Jaffee na Yale Global.
"Can Westerners see China as they see themselves?", Manfred Elfstrom no China elections and Governance.

Saturday, April 05, 2008

De Wu para Liu - Em busca do outro lado do céu

José Carlos Matias

Texto publicado no jornal Hoje Macau em 03-04-2008


Na China, o poder escreve-se sobretudo no masculino. Desde 1949 nenhuma mulher ascendeu ao topo da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC), ou seja ao Comité Permanente do Politburo (CPP). No XVII Congresso apenas uma mulher tem assento no Politburo alargado (25 membros), ao passo que nas funções de topo (primeiro-ministro, vice primeiros ministros e conselheiros de estrado) do governo liderado por Wen Jiabao, que foi eleito na última sessão plenário da Assembleia Popular Nacional (APN), também apenas figura essa mesma mulher, Liu Yandong, que ocupa o cargo de Conselheira de Estado. Entre os 25 dirigentes com o estatuto de ministro, apenas três são ministras. No Comité Central do PCC, órgão que integra 204 dirigentes apenas estão 13 mulheres, ou seja 6.3 por cento desse organismo, um valor proporcionalmente bastante inferior ao universo de filiados no PCC: 22.6 por cento dos membros do Partido são mulheres. Proporções que não condizem com o famoso dito de Mao – As mulheres detém metade do céu”.

O que explica este afastamento de mulheres do topo da liderança na República Popular da China (RPC)? Christina Gilmartin, académica norte-americana especialista em estudos sobre a mulher na China moderna, lembra que antes da ascensão de Wu Yi, apenas três mulheres tiveram assento no Poliburo, todas elas esposas de dirigentes de topo, incluindo a malograda Jiang Qing, quarta esposa de Mao Zedong e figura de proa do “Bando dos Quatro”. Para Gilmartin durante vários anos “as actividades de Jiang Qing surgira aos olhos de muitos chineses como a prova de que as mulheres não devem estar envolvidas ao mais alto nível na política chinesa”. Uma crença com raízes na forma como exerceram o poder a Imperatriz viúva Cixi, no século XIX, ou a famosa Wu Zetian, que, no século VII, assumiu o cargo de Imperador, rompendo com a dinastia Tang e iniciando a brevíssima (Segunda) Dinastia Zhou (embora vários historiadores sublinhem os aspectos benignos da sua governação).

A herança patriarcal

Existem, claro, outros motivos de cariz estrutural e cultural. Numa análise mais ampla, sobre a emancipação da mulher na China, Jinghao Zhou argumenta que na RPC as mulheres nunca serão verdadeiramente livres e emancipadas enquanto não tiverem espaço para se organizarem fora do controlo do Partido, que escolhe a liderança da Federação das Mulheres da China – ACWF na sigla em inglês - maior organização feminina do país, de onde saem quadros dirigentes para o PCC e para o Governo Central.

Admitindo que um sistema mais democrático traria uma maior e melhor representatividade da sociedade nas esferas de poder, isso não iria “per se” ser a panaceia para as desigualdades de género que existem na China, como comprovam vários exemplos de democracias de tipo ocidental. A herança de séculos de feudalismo patriarcal e de uma sociedade que tradicionalmente afastou as mulheres da esfera pública ajuda a explicar a situação. Essa situação é denunciada por Mu Hong da ACWF, para quem “em várias áreas, as pessoas ainda estão afectadas por uma mentalidade feudal”.

No livro recém-lançado – e altamente recomendável – “A Mulher na China”, Ana Cristina Alves salienta que embora a criação da RPC em 1949 tenha contribuído significativamente para a melhoria da situação da mulher no país, foi a partir de Deng Xiaoping que passou a haver um esforço por materializar os dispositivos legais que promovem o papel da mulher na sociedade. No entanto, nota a académica, “desde que passaram a assumir o estatuto de forças produtivas válidas, as mulheres confrontaram-se com inúmeros obstáculos externos, fruto de um sistema tradicionalmente patriarcal” (p.170).

A diferença de Wu

A nova geração de dirigentes chineses – mais aberta e cosmopolita – e o exemplo da força e capacidade de Wu Yi na actividade pública que exerceu podem ter dado início a um processo de mudança gradual. Aos 69 anos, a ex vice primeira-ministra abandona uma vida política que começou em 1962 quando se inscreveu no PCC. Já na década de 1980 assumiu a chefia da célula do Partido na Companhia Petrolífera Yanshan. Aliás, esta mulher natural da província de Hubei podia ter ficado conhecida como “Oil Lady”, uma vez que trabalhou no sector petrolífero durante 25 anos. Esse percurso foi alterado em 1988 quando ascendeu a vice-presidente da Câmara de Pequim. Nos anos 1990 destacou-se como Ministra do Comércio Externo e da Cooperação Económica Em 2002 e 2003 assumiu um dos cargos de vice primeiro-ministro do Conselho de Estado e entrou para o Politburo do PCC. Em Abril de 2003 assume o controlo da pasta da saúde, por acumulação, na sequência da demissão de Zhang Wenkang na altura do surto da Síndroma Respiratória Aguda. Sem experiência na área da saúde, conseguiu impor novas regras de transparência no campo das doenças infecto-contagiosas e melhorar a imagem da China no plano internacional. Anos antes, quando era vice-ministra do Comércio Externo substituiu, dois dias antes das negociações, o chefe da delegação chinesa nas conversações com os estados unidos sobre os Direitos de Propriedade Intelectual. A forma como conduziu as negociações impressionou a liderança chinesa, tendo sido desde então – 1991 – passou a ser uma presença habitual nas negociações sino-americanas sobre a entrada na Organização Mundial de Comércio e disputas comerciais. “É uma força da natureza”, confessou Henry Paulson, secretário de estado norte-americano do tesouro. É um a “Dama de Ferro” da China, escreveu a imprensa ocidental. Ela preferia que a chamassem de “little woman”, uma mulher que nunca escondeu os seus cabelos brancos, ao contrário dos seus correligionários sexagenários do Politburo. Até na forma como se despediu da política foi diferente. Quebrando a regra entre os dirigentes de topo chineses de não anunciarem a sua saída antes do anúncio oficial dos novos detentores dos cargos, Wu Yi, que foi em 2005 considerada pela revista Forbes como a segunda mulher mais poderosa do mundo, falou publicamente sobre a sua saída da de todos os cargos que ocupava num discurso numa conferência Câmara de Comércio Internacional da China., adiantando que não vai ter qualquer actividade política na reforma. Na mesma ocasião disse “quando eu sair por favor esqueçam-se completamente de mim”. Uma mensagem (de) cifrada que ilustra a forma como esteve na vida pública.

A senhora Liu

Liu Yandong surge agora como sucessora de Wu como a mulher com o cargo mais elevado no Partido e no estado. Contudo, a APN não a elevou a vice-primeira ministra, optando por conduzi-la ao posto de Conselheira de Estado. A sua personalidade difere da de Wu em vários aspectos. Em vez de “Iron Lady”, é mais encarada como “soft lady”, pela forma mais diplomática como exerce a actividade política. O seu percurso está ligado à facção dos quadros que começaram por fazer carreira na liga da Juventude Comunista, grupo ligado ao presidente Hu Jintao – que liderou a LJC nos anos 1980 – e do qual fazem parte Li Keqiang, vice. Primeiro-ministro, e Li Yuanchao, ambos também vistos pelos analistas como “protegés” de Hu. Entre 2002 e 2007 liderou a Frente Unida, entidade do PCC responsável pela conjugação de esforços com os restantes oito partidos autorizados na RPC.

A sua figura agrada bastante aos deputados de Macau e Hong Kong, membros da Conferência Consultiva Política do povo Chinês, órgão de que foi vice-presidente, uma imagem a que não estranho o facto de entender cantonense e ter reputação de competente e trabalhadora.

Nos últimos anos, uma das suas missões foi alargar a base de apoio do PCC a Macau, Hong Kong e Taiwan. A elite das regiões administrativas especiais teve certamente ao longo dos últimos anos oportunidade para cultivar os laços com Liu. Uma atitude a vários níveis útil e inteligente – é que quer no governo central, enquanto conselheira de estado, quer no PCC, como braço direito de Xi Jinping, tem em mãos a pasta de Macau e Hong Kong.


Thursday, April 03, 2008

Bem sei

que é no mínimo irónico que a imprensa estatal chinesa critique os media ocidentais por serem parciais e incorrectos ao mesmo tempo que o estado impede o acesso dos jornalistas ao Tibete e aperta o crivo da censura. Em todo o caso - descontando o lado da inevitável propaganda - não deixa de ser verdade que há vários exemplos de parcialidade e falta de rigor entre os meios de comuniacção ocidentais na forma como têm tratado os acontecimentos de Março no Tibete. A narrativa latente de que falei aqui há duas semanas foi evidente. Separando as águas das várias dimensões do debate, vale a pena ler este texto publicado no China Daily. Nem que seja pelo título sugestivo...

CNN: What's wrong with you?

Hu Jia condenado a 3 anos e meio de prisão


"Culpado" de "incentivar a subversão contra o poder estatal". Um exemplo da "benevolência" pré-Olímpica dos tribunais chineses.

"Jail for Chinese rights activist " BBC News.

Wednesday, April 02, 2008

Leitura absolutamente recomendada

A"Mulher na China", da sempre interessante Ana Cristina Alves, lançado em Março em Macau.

“Isto não é um panfleto feminista”, entrevista publicada no Hoje Macau.

50 mil

Pageviewers. 32 mil unique visitors. Esta manhã, segundo o Contador da Bravenet. Obrigado a todos!

Finalmente Online

O artigo de opinião de Nuno Lima Bastos, no JTM: "O novo Buda"

Monday, March 31, 2008

À direita

Novas ligações para blogues, publicações e sítios avulsos interessantes.

Sunday, March 30, 2008

Punk Chinês

A apresentação do documentário Beijing Bubbles sobre a cena Punk Rock na capital:

Chego aqui através do Zero de Conduta.

Saturday, March 29, 2008

Hard Talk na China

Esta semana, o magnífico programa "Hard Talk" esteve na China a entrevistar pessoas que transportam consigo as contradições de um país em transição assimétrica. O jornalista Stephen Sackur, como sempre, imprime um ritmo incisivo e acutilante a uma serie de entrevistas a não perder.
Desta série de entrevistas, a mais impressionante e profunda é esta, ao escritor Liao Yiwu.
Liao Yiwu Pt I
Liao Yiwu Pt II
Liao Yiwu Pt III

Chamo a atenção para a forma como termina a entrevista.

A propósito deste momento Carlos Morais José escreveu no Hoje Macau: "na BBC, a um chinês dissidente perguntavam: “Como viver num país em que há liberdade para ganhar dinheiro, mas não para falar, para escrever, para pensar?”. O entrevistado olhou muito sério o jornalista e respondeu: “a minha liberdade vem do coração e, se me permitir, mostro-lhe”. Dito isto, faz aparecer uma flauta de bambu da qual retira sons alquímicos. Perceberam? Eu também não ou talvez um bocadinho. Mas tenho a certeza de que compreendi".

Thursday, March 27, 2008

O Tibete e os estereotipos

Aí está um texto que subscrevo. Kent Ewing recentra o debate.


"Once again, Chinese and Western leaders have shown us that when things get really tough in China - and the separatist-inspired riots targeting not just the central government but also innocent Han Chinese now living in Tibet and nearby provinces qualify as just that - both parties revert depressingly to form. The Chinese government has attacked the Western media, the Dalai Lama and all those taking part in the protests in language reminiscent of the Cultural Revolution while Western powers, led by Speaker of the US House of Representatives Nancy Pelosi, have used the violence in Tibet as yet another excuse to demonize China's leaders".

"Tibet, China and the West: Back to stereotypes", Kent Ewing no Asia times.

Tuesday, March 25, 2008

Caijing



É uma Revista de Economia Finanças publicada em Pequim. "É do melhor (jornalismo) que é possível encontrar na China", afiança Orville Schell, Director da Escola de Jornalismo da Universidade Califórnia em Berkeley. Vale a pena visitar com regularidade.

Chego a esta ligação através de um artigo muito interssante escrito por José Vítor Malheiros sobre a jornalista Hu Shuli - "Hu Shuli empurra a fronteira da liberdade de imprensa", publicado na edição do passado domingo do jornal português Público .

"Vamos até à fronteira e podemos até empurrá-la, mas nunca a atravessamos."Os "empurrões na fronteira" são, por exemplo, as exigências de maior transparência por parte da administração, um dos cavalos-de-batalha que Hu Shuli não desiste de cavalgar, e de maior liberdade de acção para a imprensa.Estas idas "até à fronteira" da liberdade de imprensa, mesmo sem transgressões patentes, não se fazem, porém, sem riscos. Os jornalistas da Caijing são por vezes interrogados pelas autoridades e convidados a fazer uma autocrítica e no site da revista identifica-se a "profundidade da investigação" e a "pura coragem" como as marcas do jornalismo da revista. E ninguém tem dúvidas de que os artigos que são hoje publicados teriam levado os seus autores direitos para a cadeia há alguns anos. Hu Shuli chegou mesmo a ser considerada por uma revista "a mulher mais perigosa da China", devido a uma investigação publicada sobre fundos de investimentos.

Ler artigo na íntegra aqui.

Monday, March 24, 2008

De olho

No dragão. Não, não se trata de um espião da Segunda Circular. É mesmo o blogue jornalista Vera Penêda, em Pequim. A visitar.