Wednesday, May 14, 2008

China-União Europeia

De relação secundária a parceria compreensiva estratégica
José Carlos Matias dos Santos

Imagens, resumo e o texto (paper conference) da Aula aberta no Instituto Português do Oriente, no dia 8 de Maio de 2008.

P.S. Agradeço mais uma vez ao IPOR pelo convite e pelo apoio prestado (nomeadamente a Helena Rodrigues e a Diana Soeiro). A experiência foi muito interessante sobretudo por causa da atitude dos alunos, chineses com um nível avançado de estudo do Português. As questões dos estudantes incidiram sobre a repressão de Tiananmen de 1989 e o impacto da questão do Tibete nas relações entre Bruxelas e Pequim - perguntas directas sobre assuntos considerados “delicados”.

Tuesday, May 13, 2008

A inflação em Macau

Um artigo de leitura obrigatória de Pedro Dá Mesquita:

"A mão visível do Governo", no Hoje Macau.

Choque

Em Sichuan (e não só)
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As nossas preces estão com eles.

Monday, May 12, 2008

Friday, May 09, 2008

Instantes (do quotidiano em Macau)

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Bom Fim-de-semana!

O (in) sustentável charme da diplomacia chinesa

Após o "cerco" a propósito da questão do Tibete e dos Jogos Olímpicos - uma situação agravada pelo discurso nos media oficiais e da porta-voz da diplomacia chinesa que fez lembrar os tempos mais negros da Revolução Cultural - Pequim ganhar espaço de manobra e espaço para fazer ecoar o seu charme diplomático. A vitória de Ma Ying Jeou foi um primeiro passo, que, no entanto, foi ensombrado pelo agravamento da situação em torno do Tibete e da Tocha olímpica. As conversações com representantes do Dalai Lama e a entrada da tocha em território chinês amenizaram a situação. Agora, com esta visita ao Japão, a postura de Hu Jintao visa fazer regressar ao espaço mediático a retórica da China enquanto nação de "Paz e Desenvolvimento" (a tal tese da Emergência Pacífica, que entretanto foi abandonada por causa do peso semântico de emergência). Para Pequim, é essencial que a RPC não surja aos olhos do mundo (especialmente dos países vizinhos) como uma ameaça. Os esforços da diplomacia chinesa anos últimos anos têm sido sobretudo nesse sentido. Contudo, neste jogo de percepções há sempre o choque com a realidade.
Em breve voltaremos a este assunto mais detalhadamente

Wednesday, May 07, 2008

O charme de Hu ou "toma lá mais um panda amigo"



"Hu Jintao and Yasuo Fukuda make friends", Time.
"China's Hu, Japan's Fukuda Agree to Boost Cooperation", Bloomberg.

"Hu also offered to provide a pair of giant pandas to Japan at a dinner with Fukuda, 71, in Tokyo yesterday, Japan's Foreign Ministry said. Hu said the offer was a symbol of friendly ties between the two countries, the ministry said in a faxed statement.
The only panda at Tokyo's Ueno Zoo, Ling Ling, died on April 30. The zoo received its first giant panda from China in 1972, according to its Web site".

Monday, May 05, 2008

Leituras Pós-Dominicais


" Nationalism is both a sanctuary and a grave", China Elections and Governance.
"Beijing Intensifies "People’s War" Against “Splittism” as Nationalism Rears its Head", Willy Lam no China Brief (Jamestown Foundation)
"Os desvios", Carlos Morais José no Hoje Macau.
"A tocha e a internet", Nuno Lima Bastos no JTM (via o Protesto)
"Direito ao Contraditório", Leocardo no Bairro do Oriente.

P.S. O trabalho de Luciana Leitão sobre bloggers em Macau:
"
Se me identificasse ninguém lia”
"
A Internet a seus pés"
"
Um complemento à imprensa"





Saturday, May 03, 2008

Nacionalismo com características chinesas

Texto Publicado no Jornal Hoje Macau em 02-05-2008.

José Carlos Matias

As recentes manifestações de chineses, dentro da República Popular da China (RPC) e no exterior, por onde passou a tocha olímpica, trouxeram à tona de novo a questão do sentimento nacionalista do país que vai acolher em Agosto a maior festa do desporto mundial. Num olhar imediato e superficial somos tentados a concluir que as manifestações são fruto da forma como os media na RPC filtram a informação que tem chegado ao país dos protestos contra a passagem da chama em várias cidades, na maioria com manifestantes a defenderem a causa do governo tibetano no exílio. Contudo essa observação em si – não sendo incorrecta - deixa muito por explicar. Vale a pena começar por olhar para os protestos contra a França e em defesa do boicote da cadeia de supermercados Carrefour no contexto de uma série de erupções nacionalistas que sucederam ao longo dos últimos dez anos.

Belgrado, o avião-espião e os manuais japoneses

Em 1999, na operação militar na Sérvia e no Kosovo, a NATO bombardeou, aparentemente por engano, a embaixada chinesa em Belgrado, provocando a morte a três cidadãos chineses. A aliança atlântica pediu desculpas explicando que estava a utilizar um mapa desactualizado quando foi efectuado o ataque, mas muitos chineses não aceitaram esta justificação. Ao longo de vários dias milhares de chineses protestaram de forma agressiva junto à Embaixada dos Estados Unidos em Pequim e em frente de edifícios consulares norte-americanos em várias cidades na China, como forma de expressar a ira face a um acto que consideravam deliberado. As autoridades chinesas toleraram esta onda anti-americana, num gesto que foi visto por alguns analistas como a prova de que o Partido Comunista Chinês (PCC) estava a estimular o sentimento nacionalista entre a população, especialmente os jovens. Muitos manifestantes pediram ao governo central que tivesse uma atitude mais dura para com Washington.

Dois anos depois, as pulsões anti-EUA subiram de novo de tom, na sequência da colisão entre um avião-espião de reconhecimento dos EUA e um caça que chinês. O aparelho norte-americano não estava em águas territoriais chinesas, mas já estava a sobrevoar a Zona económica exclusiva da RPC, pelo que Pequim reagiu de forma enérgica ao incidente. À margem do debate legal sobre se os EUA tinham o direito de utilizar um avião-espião a 80 milhas da costa chinesa, vários protestos eclodiram de novo com milhares de chineses a insurgirem-se nas ruas contra o “imperialismo americano.

Em 2005, o alvo da onda nacionalista foi o Japão, a propósito dos manuais escolares de História nipónicos em que vários crimes de guerra praticados pelo exército imperial japonês durante a ocupação da China são omitidos. De novo o povo saiu à rua. Ao longo dos últimos anos, especialmente nos protestos anti-Japão de 2005 e anti-França nas últimas semanas, as novas tecnologias – internet e Sms – desempenharam um papel muito importante. Esta situação coloca desde logo em causa se os protestos foram orquestrados pelo PCC ou se nasceram de movimentos espontâneos populares, tendo sido – facto consumado – tolerados pelo partido que, numa lógica ainda leninista, procura controlar os movimentos populares e ser a vanguarda dos movimentos de massas.

Um nacionalismo além-PCC

Peter Gries, académico norte-americano e autor de vários artigos e livros sobre o nacionalismo chinês, argumenta que “o PCC está a perder o controlo sobre o discurso nacionalista”, uma vez que o neo-nacionalismo que brotou nos anos 1990 tem um cariz popular forte que pode em última instância ser utilizado para colocar em causa o monopólio do poder detido pelo PCC. Gries assegura que “com a emergência da internet, telemóveis e mensagens de texto SMS, os nacionalistas populares na China estão paulatinamente a ser capazes de agir independentemente do estado”. Claro que as malhas da censura procuram manter a situação sobre controlo, contudo é difícil ao governo central impedir manifestações de nacionalismo e patriotismo (aiguo zhuyi), uma vez existe na “alma chinesa” uma narrativa latente dos 150 anos de humilhação e de vitimização que funciona como um gatilho para estas manifestações sempre que regressa a percepção de que o mundo - normalmente o Ocidente personificados pelos EUA – quer impedir a re-emergência da China como potência económica, comercial e eventualmente militar. Naturalmente que o PCC utiliza e manipula estes sentimentos populares ao inculcar no sistema educativo um patriotismo exacerbado e ao promover alguns destes protestos através de organizações para-partidárias.

Uma espada de dois gumes

Contudo, o PCC saberá certamente que este é um jogo muito perigoso. Na verdade é uma faca de dois gumes. Por um lado, o nacionalismo é conveniente ao PCC especialmente após o descrédito do comunismo enquanto ideologia e depois dos protestos de Tiananmen em 1989. Quer isto dizer que o nacionalismo serve como factor de legitimação de um Partido único que procura refazer o léxico e a semântica do socialismo com características chinesas. No entanto este nacionalismo nem é provavelmente o principal factor de legitimação nem o nacionalismo chinês é análogo ao que na Europa brotou no século XIX, tendo chegado ao poder na sua forma mais reaccionária no século XX. Ren Bingqiang, professor na Universidade de Pequim, defende que uma diferença essencial entre os nacionalismo chinês e ocidental é que e”o nacionalismo no Ocidente cresceu durante as revoluções liberais, aquando da criação dos estados-nação, ao passo que o nacionalismo chinês emergiu como resposta à invasão estrangeira”. Na verdade, o primeiro movimento de massas nacionalista – no sentido moderno – surgiu na altura da chamada Revolução dos Boxers contra a influência ocidental, no limiar do século XX, quando a China Qing era presa fácil para o imperialismo do Ocidente. O complexo de vitimização está latente também porque é explorado pelo PCC em situações de crise. Em todos os casos referidos aqui de erupções populares de nacionalismo – bombardeamento da embaixada chinesa em Belgrado, incidente com o avião espião dos EUA, manuais escolares japoneses e protestos anti-França por causa das posições de Sarkozy de apoio à causa tibetana e das acções violentas contra a chama olímpica em Paris – as manifestações nacionalistas surgiram como reacção a uma percepção de humilhação por parte de países ocidentais ou aliados do Ocidente (como é o caso do Japão).

A proliferação de “China bashers” nos “media” ocidentais, como o ignóbil Jack Cafferty, comentador residente da CNN que chamou de “rufias” aos líderes chineses e classificou de “lixo” os produtos fabricados na China, ajuda ao recrudescimento do nacionalismo chinês mais rasteiro. A tese da “China como ameaça” pode transformar-se numa “self-fulfilling prophecy”. Não se trata de fazer auto-censura face ao que tem que ser dito sobre os atropelos aos direitos humanos na China, seja no Tibete, em Pequim ou Urumqi. Trata-se sim de, ao nível oficial e em declarações públicas, ter uma dose de responsabilidade e de entendimento sobre a história recente da RPC. Na edição de 21 de Abril da revista Newsweek, Fareed Zakaria, num habitual acesso de lucidez, explicou por que é que é importante não alimentar o nacionalismo na China e por que é que a humilhação pública funciona muito pior no regime de Pequim do que a pressão privada (pelos canais diplomáticos apropriados).

Entretanto, vale a pena continuar a acompanhar as pulsões nacionalistas na China, uma vez que tudo indica que seja um movimento com raízes populares, que escapa ao controlo total do PCC e que, por isso, pode transbordar para outras causas que se possam virar contra o governo. Esse é o grande receio em Zhongnanhai (sede do PCC em Pequim). É que as manifestações de fervor patriótico têm sido raros momentos (autorizados pelo regime) de expressão em massa nas ruas de uma sociedade civil provavelmente ansiosa por se fazer ouvir fora dos mecanismos rígidos das estruturas do PCC e do estado.

A tocha

está a passar por aqui...

Foto AP

Thursday, May 01, 2008

Alberto Estima de Oliveira (1934-2008)


Tai Chung Pou 23 de Novembro de 2007.

Na primeira pessoa

navegava-se na arrogância das diferenças pela emaranhada teia de ruelas que constituía o centro da pequena cidade quase flutuante. misturavam-se os cheiros das especiarias com o hálito morno dos detritos. fervilhava a vida nos contornos das faces opacas e nas paredes roídas pelo tempo. tudo se movia convulsionando as veias deste pequeno corpo, largos e esquinas de tendas de “min”, pato assado, frutos e vestuário. macau, 10 horas de uma manhã húmida de um julho espesso. caiu a noite absorvendo o dia.

o sono emergia das janelas veladas. no asfalto vivia-se ainda o chiar dos pneus e sob as árvores da praia grande mantinha-se a troca amorosa das carícias, restos das escassas horas do trabalho imposto. o tufão passou ao largo, somente as águas castanhas do delta do rio das pérolas se mostraram impacientes, ondulando em pequenas cristas, balançando as panelas de caldo suspensas nos juncos ancorados.

tudo se passa em termos inconsequentes, sem margens. o lodo e a muralha habitam a noite concretamente. a cidade ilumina-se num carrossel de cores, liquidando o lixo e a miséria. não há espaços. nova vida se inicia nas ruelas e esquinas procurando no prazer a solidão dos neons embriagados. os olhos escondidos na penumbra das fábricas surgem agora na aposta possível no sorriso passivo e terno duma jovem que passa.

esconde-se a cidade na noite curta reduzindo o tempo. macau nasce dos restos da lua multiplicando as células nos ventres tensos, nas mãos hábeis, nos corpos lívidos.

secam-se-me os lábios de falar a noite.
e o poema vem, bardo, das entranhas.

Alberto Estima de Oliveira, in “O Diálogo do Silêncio”

Primeiro de Maio em Macau


Cerca de mil pessoas manifestaram-se hoje em Macau na tradicional marcha do 1º de Maio, que este ano decorreu sem incidentes e levou às ruas as reivindicações habituais de mais habitação social e melhores condições laborais.

Wednesday, April 30, 2008

A lucidez de Zakaria

"China's attitude toward Tibet is wrong and cruel, but, alas, not that unusual. Other nations, especially developing countries, have taken tough stands against what they perceive as separatist forces. A flourishing democracy like India has often responded to such movements by imposing martial law and suspending political and civil rights. The Turks for many decades crushed all Kurdish pleas for linguistic and ethnic autonomy. The democratically elected Russian government of Boris Yeltsin responded brutally to Chechen demands. Under Yeltsin and his successor, Vladimir Putin, also elected, the Russian Army killed about 75,000 civilians in Chechnya, and leveled its capital. These actions were enthusiastically supported within Russia. It is particularly strange to see countries that launched no boycotts while Chechnya was being destroyed—and indeed welcomed Russia into the G8—now so outraged about the persecution of minorities. (In comparison, estimates are that over the past 20 years, China has jailed several hundred people in Tibet.)"

No meio da histeria pré-olímpica - com as posições extremadas - Fareed Zakaria fala de algo muito importante em "Don’t Feed China’s Nationalism", na Newsweek.

Monday, April 28, 2008

Leituras Pós-Dominicais


"China Ascendant – Part I", Bertil Lintner, Yale Global.
"China’s Ascendancy to a Space Power", Jin-Dong Yuan , no China brief da Jamestown Foundation.
"
Tibet and Olympic coverage: whose image was ruined?", NingSong , China elections and Government.

Friday, April 25, 2008

Pedro Manila


Excerto do Livro "Histórias da Cidade", de Alfredo Gomes Dias (Livros do Oriente 2006), que juntou várias peças documentais da Macau de outras eras colocando em cena pessoas anónimas que construíram o tecido único desta cidade ao longo dos séculos. Um trabalho baseado na Correspondência Oficial Trocada entre as Autoridades de Cantão e os Procuradores do Senado, 8 Volumes.


"China says it will meet Dalai Lama's representative", IHT.

Wednesday, April 23, 2008

A especificidade de Macau ou "Give me five (or three)"

Os residentes (accionistas) recebem um subsídio (dividendo) do governo (Conselho de Administração) da Região Administrativa Especial (Empresa) de Macau:

"O governo de Macau anunciou a disponibilização de cerca de 2.300 milhões de patacas para distribuir por cada titular de residência no território para "atenuar" os efeitos da inflação nos orçamentos familiares. A medida foi anunciada pelo chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, numa intervenção na Assembleia Legislativade Macau.Edmund Ho explicou que a verba será distribuída a quem a solicitar, cabendo 5.000 patacas a cada residente permanente e 3.000 patacas a cada residente não permanente" (Lusa).

Monday, April 21, 2008

2004-2008


Em apenas 4 anos parece ter-se esfumado uma relação especial sino-francesa celebrada em Janeiro de 2004 em Paris, quando a Torre Eiffel foi iluminada de vermelho para homeanagear a China, a prpósito da visita de hu Jintao. Era o tempo de Chirac e da sua visão de um mundo multipolar em que a europa se devia distanciar da dependência dos EUA e fazer pontes com a Rússia e a China. Esse ano - 2004 - foi o ano da China na França. Em 2005 foi o ano da França na China. 2008 é ano de Olímpicos e nacionalismo na China. E de populismo em Paris...

Sunday, April 20, 2008

Visões distorcidas

O editorial de hoje do Sunday Morning Post (versão de domingo do South China Morning Post) sintetiza bem o que está em causa e como as duas partes militantes colocam em risco o que pretende com os Jogos Olímpicos. De seguido transcrevo uma parte do artigo:

"
Both sides of Olympic protests miss the point", Sunday Morning Post Leader - 20-04-2008

"Protesters in the west believed they were simply making a statement about the central government's human rights record or its policies towards Tibet. They seem to have failed to understand that the torch, with its intricate design and Chinese symbols, has come to represent - in the eyes of most Chinese on the mainland and around the world - their nationhood. Therefore, organised attempts to grasp it from torch-bearers, such as paralympic fencer Jin Jing in Paris, became in the eyes of Chinese people a deliberate affront to their nation's dignity and pride, not just the ruling party in Beijing".

"
In a similar way, mainland protesters calling for boycotts aimed at French companies fail to grasp the wider implications. These companies provide jobs for mainland workers, encourage trade and improve relations between countries. They were not responsible for the Olympics protests in the west".

"
The mainland protesters are entitled to express their feelings and their pride in hosting the Olympics, so long as they do so peacefully. But patriotic passions are not like tap water that can be easily turned on and off. Having launched an intense media campaign against the Dalai Lama, Tibetan rioters and their supporters in the west, it may not be easy for Beijing to calm the passions which have been aroused.

"The Olympics should be a means to bring nations together, through sport. The world needs more co-operation and dialogue. This is argument enough for each side to seek better understanding of the other - and to allow the Games to proceed peacefully".


(negrito meu)