O blogue Ladrões de Bicicletas (um dos meus favoritos) faz uma alusão às posições tomadas e análises de Cui Zhiyuan a propósito do cariz socialista da economia de mercado chinesa ser a chave para a História de sucesso inédita do desenvolvimento económico e social dos últimos 30 anos na República Popular da China, desde o lançamento do processo de reformas e abertura (gaige kaifang) pela mão de Deng Xiaoping. Cui Zhiyuan, graduado com Doutoramento pela Universidade de Chicago (é tudo menos um "Chicago Boy") ex Professor no MIT e actual professor na Universidade de Tsinghua, é uma das mais importantes vozes da chamada "nova esquerda" da China (na terminologia de Merle Goldman), também designada por alguns autores como Andrew J. Nathan por corrente neo-conservadora. Não confundir esta "nova esquerda" com a Europeia e claro que a expressão neoconseravdora nada tem a ver com aqueles pavões em Washington que defendem a imposição do modelo demo-liberal à bomba.
Cui, a par de Wang Hui, Pan Wei e Kang Xiaoguang, faz parte de um grupo de intelectuais crítticos do governo central, que são tolerados pelo sistema. Na mira deste grupo estão aspectos como a corrupção, a abertura abrupta à economia de mercado e a fragilidade das políticas sociais.
Cui defende que a China não deve copiar nem seguir modelos institucionais do Ocidente; deve sim adoptar fórmulas próprias segundo a sua experiência. De algum modo, Cui promove uma espécie de excepcionalismo chinês. Cui rejeita quer o modelo económico capitalista europeu ou norte-americano quer os sistemas políticos demo-liberais. Não sendo um "Neo Maoísta", de facto, ele aprova algumas experiências do Maoísmo como as empresas comunais de aldeia. Em traços gerais, defende que o sistema económico da China deve ter por base a empresa pública e colectiva e não a privada. Recusando a transfusão de modelos institucionais do Ocidente para a China, Cui bebe muito das suas posições no Marxismo analítico, na nova teorias evolucionária de Stephen J Gould e no próprio New Deal de Roosevelt. Politicamente aprova as eleições para os comités de aldeia, mas mantém que a melhor via para a China continua a ser a “ditadura democrática”.
Wednesday, July 09, 2008
Economia socialista de mercado - a perspectiva de Cui Zhiyuan
Monday, July 07, 2008
Leituras Dominicais

"China’s leaders and the internet", Li Datong no Open Democracy.
"China's new freedom fighters", Lijia Zhang no The Guardian.
" Will Huang Jin'gao become China's Dreyfus", Peter Ross e Yawei Yu no China elections and Governance.
" Cross-Straits journeys are not just about trade", Xinhua.
Sunday, July 06, 2008
Vídeo Dominical: Patriotismo em Hong kong 11 anos depois do handover
Saturday, July 05, 2008
A ascenção das Grandes Potências
Neste excerto sugiro que prestem atenção especial aos 46s, aos 4m50s aos 6m07s
Friday, July 04, 2008
Para a história
Wednesday, July 02, 2008
Os intelectuais e a verdade: o caso de Hu Xingdou.

Desde o início dos anos 1990 que o Partido Comunista Chinês tem vindo a co-optar de uma forma sofisticada e eficaz uma boa parte da elite intelectual que poderia colocar em causa o monopólio do poder do Partido. Ao contrário do que aocnteceia nos anos 1980, nestas quase duas décadas que passaram sobre o Massacre de Tiananmen não tem havido um movimento de rebeldia significativa face à linha do governo central. Certamente que os enormes progressos económcios e sociais do país contribuíram para esta situação, mas a fraca voz dos dissidentes deve-se também a dois outros factores: os mecanismos de controlo do exercício da liberdade de expressão e um "acomodamento" ao sistema em resultado da significativa melhoria das condições de vida de muitos intelectuais.
O caso de Hu Xingdou - e de outros- é diferente. Professor no Beijing Technology Institute é uma voz dissonante que é tolerada pelo sistema. Num artigo publicado no United Morning Post de Singapura faz um apelo aos intelectuais:
“In the 80s of last century, Chinese intellectuals paid much attention to politics. They went through all kinds of hardships during the “Great Cultural Revolution” period, so they had the desire to speak out. After 90s, most of intellectuals got their vested interests. In order to protect their benefits, most of them chose to tell lies or keep silent, never to say supervising the power or criticizing. At present, more intellectuals are indifferent to the society. They only care about their daily life".
“There are still a few conscientious intellectuals in the society, they are continuously shouting in support with the disadvantaged group, making suggestion and offering advice for the nation. The cruces of China’s further development are to look for the problems, to face squarely to the problems, and to solve the problems according with our national conditions. That we probe into these problems is not to cavil or nit-pick, not ill-intentioned to expose the darkness, not to direct to our government, never to say creating disturbances. We just want to be loyal critics of social problems during the modernization process of our nation. Because only in this way, my true love on my great nation could be reflected; only in this way, the great exploit of modernization could be helped; only in this way, China could be urged onto a healthier way of development".
Hu Xingdou : Chinese Intellectuals Should Tell Truth for The Whole Nation
Monday, June 30, 2008
Leituras Pós-Dominicais
"Xi Jinping and the Party Apparatus", Alice Miller no CLM.
"Universal values in China: a domestic debate", Sean Ding e Jingjing Wu no CEG.
Sunday, June 29, 2008
O urso abraça o dragão?
Texto Publicado no jornal Hoje Macau em 26-06-2008.
Há cerca de um mês o novo presidente da Rússia, Dimitri Medveded, escolheu a China como local da sua primeira visita oficial fora do espaço da antiga União Soviética, após ter estado no Cazaquistão. O sinal diplomático estava dado... Ler o texto na íntergra no Sínico Esclarecido.
Saturday, June 28, 2008
Thursday, June 26, 2008
A ofensiva de Xi no Médio Oriente

É importante prestar atenção ao desempenho do vice-presidente Xi Jinping - benjamim da Quinta Geração, apontado como o mais provável sucessor de Hu Jintao em 2012.
"Five-nation tour by Chinese vice president to strongly promote ties", Xinhua.
Sunday, June 22, 2008
Leituras Dominicais

"Hu Leadership's Third Wave of "Thought Liberation" Sidetracked", Willy Lam no China Brief da Jamestown Foundation.
" Can cross-Strait relations defy realism? ", Sean Ding no CEG.
"China has an 'old friend' in Medvedev", Yu Bin no Asia Times.
Thursday, June 05, 2008
Wednesday, June 04, 2008
Tuesday, June 03, 2008
Entrevista China-União Europeia
Monday, June 02, 2008
Leituras Pós-Dominicais

Medvedev reaches out to China, M K Bhadrakumar no Asia Times.
" Why China doesn't break ", John Lee no CEG.
"Os Tremores e a ética popperiana"/"Numerologia popular", Ana Cristina Alves no Hoje Macau
Saturday, May 31, 2008
Ajudar Sichuan

Em Portugal, a Câmara de Comércio e Industria Luso-Chinesa, a Fundação Jorge Alvares, o ICODEPO (Instituto para a Cooperação e Desenvolvimento Portugal-Oriente), a Liga dos Chineses em Portugal, Liga Multissecular de Amizade Portugal-China, o Observatório da China, e a UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) dinamizam a recolha de fundos para ajudar as vítimas do sismo e a reconstrução das zonas afectadas:
Conta na CGD: NIB nº 0035067500045164930 40.
A (in)sustentável leveza do poder
José Carlos Matias. Texto Publicado no jornal Hoje Macau em 29-05-2008
"Neste jogo de balança de poderes – no sentido realista - e também de re-equilíbrio das percepções – numa perspectiva construtivista – a ofensiva de charme de Pequim enfrenta sérios desafios e limitações."
(ler artigo completo aqui)
Wednesday, May 28, 2008
Histórico

Foto AP
The head of Taiwan's ruling party has met Chinese President Hu Jintao in the highest-level encounter since the two sides split in 1949.
Tudo está a acontecer num ápice. O ambiente entre os dois lados do estreito é cada vez mais caloroso. Hu Jintao já começou a desvendar por onde pode começar a boa-vontade de Pequim: assim que as consultas entre os dois lados recomecem, Pequim admite rever a posição da RPC face à possibilidade de Taiwan particpar nos encontros da Organização Mundial de Saúde, como observador. A Primavera chegou ao estreito (ao que tudo indica para ficar).
"After the two sides resume consultations, (we) can discuss the issue of (Taiwan's) participation in international activities ... including giving priority to discussing the issue of attending WHO activities," Hu said.
Monday, May 26, 2008
O sismo de Sichuan e a transparência (Leituras Pós-Dominicais)
"The openness surrounding this huge tragedy has united the country in giving and sharing, but also in expecting a new level of accountability. Continued openness will enable Beijing to meet that expectation".
Heather Saul em "China's seismic shift toward transparency " , CEG
"Whatever the reason for this revolutionary access to information, it is important to note how enthusiastic the Chinese media and the Chinese people have become in regards to open media reporting".
Jorge Almeida Fernandes no Público, 25-05-2008:
"A 'humilhação olímpica' enfraqueceu a autoridade de Hu, disseram na altura os analistas. A sua resposta à tragédia de Sichuan restaura a sua posição. Se na China não há uma grande pressão pró-democrática, há uma crescente exigência d eliberdade de crítica: a 'transparência'".
Li Datong,"China's soft-power failure", Open Democracy
"The Chinese government needs to understand that in response to the western media, an independent and free Chinese press would be much more credible than a government spokesperson. The truth lies not in one voice, but slowly becomes apparent amidst a diverse range of voices. An understanding of this underlies the effective deployment of soft power"
Jane Macartney, "A seismic shift in China’s relations with West?" no The Times
"In an unprecedented departure for this tightly screened leadership, he invited a small group of foreign journalists – including just a single newspaper correspondent, from The Times – to join him (...) Mr Wen’s embrace of a style of leadership more commonly associated with politicians in democratic countries, worried about their election prospects, is unlikely to be the action of an individual. Chinese leaders do not make such radical shifts from usual practice without a great deal of thought and a meeting of at least some members of the nine-man Politburo Standing Committee that rules China."
Saturday, May 24, 2008
Textos
"China e Japão: Rumo a um novo equilíbrio" - 15/05/2008
"Nacionalismo com características chinesas" - 02/05/2008
"O vigor e os Desafios de Wang Yang" - 17/04/2008
"De Wu para Liu: Em busca da outra metade do céu" - 03/04/2008
"Um novo ciclo em Taipé"- 20/03/2008
"Da Reforma e da Transição"- 06/03/2008
"Além da Cimeira: Um olhar sobre as relações entre a China e a União Europeia"-30/11/2007
"O Congresso e a Diwudai"-25/04/2007
"Legitimidade e legitimação na China pós-Maoísta" - 04/09/2006
Friday, May 23, 2008
Ligações

Com os Olhos na China:
O Blogue "Crónicas do Catai" de Jorge Tavares Silva
O "Observatorio de Politica China"
Um olhar sobre os Riscos e o Futuro:
O blogue Futuro Comprometido, de José Sousa
Thursday, May 22, 2008
Ler as transformações políticas na China
Conferência
Monday, May 19, 2008
Luto
Leituras Pós-Dominicais
"Hu’s visit to Japan: new benchmark in Sino-Japan relations", Jens Kolhammar, no CEG.
"Child Labor Ring Exposed in Guangdong", Russel Hsiao, China Brief (Jamestown Foundation)
Saturday, May 17, 2008
China e Japão: Rumo a um novo equilíbrio
José Carlos Matias
“O renascimento da Ásia não pode acontecer sem a cooperação entre a China e o Japão”
Hu Jintao, durante a visita ao Japão, em 8 de Abril de 2008
No Outono da sua vida, o imperador unificador da China, Qin Shi Huang, terá enviado uma delegação ao Monte Penglai, numa ilha imaginária localizada a leste do Mar de Bohai. A missão era encontrar o “elixir da imortalidade”. As centenas de homens e mulheres acabaram por nunca voltar. Terão acabado por ficar numa ilha no arquipélago do Japão. Menos ambicioso, Hu Jintao esteve este mês no Japão apenas à procura de uma “Primavera Quente”. A visita ficou marcada pelos golpes de charme da diplomacia de Pequim. Começou com a entrega (empréstimo) de um par de pandas ao Jardim Zoológico de Tóquio, em substituição de um velho panda (o único) mui querido pelos japoneses que faleceu, e terminou com uma visita em Nara, antiga capital nipónica, onde esteve em Toshodaiji, no templo “construído” pelo monge chinês Ganjin, que viajou para o Japão a convite das autoridades japonesas, no século VIII. Pelo meio, foi emitida uma declaração conjunta em que as duas partes se comprometeram a tecer uma parceria estratégica de benefício mútuo para o século XXI. Os dois líderes – o Presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda – concordaram em dar início a um novo quadro de diálogo institucional com cimeiras de chefes de estado e governo anuais, conversações sobre questões comerciais e económicas e aumento do intercâmbio de jovens. À primeira vista, a visita de Hu foi um sucesso inegável. Mas na realidade há um caminho longo a percorrer. A intenção proclamada em epígrafe encaixa na perfeição num mundo em que reine a Paz e o Desenvolvimento (utilizando a linguagem Denguista), mas nas relações internacionais as equações do interesse nacional e do dilema securitário são constantes.
Da “amizade” à percepção de ameaça
A visita de Hu Jintao revestiu-se de uma carga simbólica a vários níveis. Não só foi a primeira de um chefe de estado chinês ao Japão em dez anos – depois de Jiang Zemin em 1998 - como surgiu numa altura em que as duas partes comemoram os 30 anos sobre a assinatura do Tratado de Paz e Amizade. Ao longo dos anos 1980, as relações foram marcadas por um registo cordial em que as duas partes evitaram fazer referências ao passado – ou seja à ocupação japonesa. Nessa altura em Tóquio vigorava uma geração de líderes que defendia uma abordagem “amigável” com o vizinho. A repressão violenta sobre os estudantes na Praça de Tiananmen despoletou uma nova fase. O Japão criticou duramente a liderança chinesa, ao passo que em Pequim, à falta da raison d’être da construção da sociedade socialista, as garras do nacionalismo chinês cresceram tendo como alvo país vizinho, sobre o qual paira a memória colectiva da invasão e de atrocidades como o Massacre de Nanjing. A retórica da China humilhada foi reforçada num sistema educativo cada vez mais “patriótico”. Do outro lado – numa cadência acção-reacção – altas figuras do estado japonês, como o ex primeiro-ministro Junichiro Koizumi, visitavam o Templo de Yasukuni para prestar homenagem a soldados do exército imperial autores de crimes de guerra.
Em 2006, Shinzo Abe quebrou o gelo com uma visita oficial – a primeira depois de ser empossado primeiro-ministro japonês – a Pequim. No ano passado, Wen Jaibao retribuiu com uma deslocação à capital nipónica.
Japão: entre “civilistas e normalistas”
Como pano de fundo para o relacionamento do Japão com a China está a própria identidade do estado-nação nipónico. Que caminho seguir? Continuar a ser uma nação sobretudo civilista ou rumar rapidamente ao uma “normalização” militar colocando um ponto final à natureza pacifista da constituição pós-II Guerra.
A primeira tendência acredita que o país deve continuar a ter uma natureza de poder civil, ou seja, uma potência económica capaz de ter maior participação nas missões de paz da ONU e na promoção dos direitos humanos, mas nunca de uma forma agressiva. Nesse sentido, um relacionamento amigável com Pequim é positivo na medida em que com a interdependência económica pode advir uma abertura do regime chinês.
Os “normalistas” argumentam que não faz sentido que o Japão seja uma excepção na “anarquia” do sistema internacional, necessitando por isso de se equipar e modernizar militarmente. Ou seja, o Japão deve ser um país “normal” com uma estratégia cimentada numa aliança militar com os EUA, mas com capacidade de defesa autónoma – ser na Ásia Oriental o que o Reino Unido é para Washington na Europa. A China será, nesse sentido, um competidor estratégico do EUA, e uma ameaça ao Japão. Por isso será um país a “conter”. A China, por seu lado, olha para a presença militar norte-americana no Japão de uma forma ambígua: por um lado constitui parte do “encirclement” dos EUA à China; por outro tem prevenido o Japão de ter necessidade de ressurgir como potência militar na região.
Virtudes e limites da inter-dependência
Na economia, os dois vizinhos estão cada vez mais inter-dependentes. Em 2007, a China, incluindo Hong Kong, tornou-se no principal parceiro comercial do Japão, ultrapassando os Estados Unidos; no mesmo ano, o Investimento Directo externo (IDE) japonês acumulado na RPC ascendeu a 60 mil milhões de dólares. Em Tóquio é cada vez mais evidente que a dinâmica japonesa depende do crescimento económico da China. Em declarações à agência Reuters, Koichi Nakano, professor na Tokyo Sophia University, reconhece que “o Japão olha para a China como um parceiro económico muito importante, mas ao mesmo tempo encara com inquietude a possibilidade da RPC destronar o país como a maior potência económica na região”.
Uma questão que tem ocupado a mente de vários analistas é a razão pela qual a interacção económica entre os dois países não tem contribuído para um terreno mais firme ao nível das relações sociais, intelectuais e de segurança comum. Michael Yahuda argumenta que não há confiança nem empatia entre as sociedades civis dos dois lados para dar seguimento à realidade de duas economias que têm beneficiado bastante com a inter-dependência. Isso acontece porque, ocasionalmente, líderes e “fazedores de opiniões” dos dois lados sucumbem facilmente a discursos que envenenam um relacionamento que em concreto tem registado economicamente grandes avanços.
Onde está o elixir?
A cimeira da “Primavera Quente” e as visitas de Shinzo Abe e Wen Jiabao têm mostrado um lado conciliador das lideranças dos dois lados, mas como refere Huang Dahui, especialista em assuntos nipónico da universidade de Remin em Pequim, “as relações oficias estão calorosas, mas na verdade, o maior obstáculo são as populações dos dois países que se olham com desconfiança mútua”. Os problemas históricos e estruturais persistem: a soberania sobre as ilhas Diaoyu, os laços de Tóquio com Taipé, o legado histórico da ocupação japonesa, as disputas sobre a zona económicas exclusivas ou a ambição do Japão de fazer parte como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Mas o que condiciona a resolução negociada destes interesses contraditórios é a percepção estereotipada e a desconfiança. Nesta visita, Hu e Fukuda abriram uma porta que pode vir a revelar-se fundamental para evitar um retrocesso: o início de uma nova era de cimeiras anuais e novos mecanismos de diálogo de alto nível. Essa poderá ser a via rumo a um novo equilíbrio. Não será, no entanto, um elixir da imortalidade (Paz Perpétua).
Friday, May 16, 2008
Parabéns

Uma publicação de referência em Macau. Paulo (Azevedo) valeu (vale, valerá) a pena arriscar!
Wednesday, May 14, 2008
China-União Europeia
José Carlos Matias dos Santos
Imagens, resumo e o texto (paper conference) da Aula aberta no Instituto Português do Oriente, no dia 8 de Maio de 2008.
P.S. Agradeço mais uma vez ao IPOR pelo convite e pelo apoio prestado (nomeadamente a Helena Rodrigues e a Diana Soeiro). A experiência foi muito interessante sobretudo por causa da atitude dos alunos, chineses com um nível avançado de estudo do Português. As questões dos estudantes incidiram sobre a repressão de Tiananmen de 1989 e o impacto da questão do Tibete nas relações entre Bruxelas e Pequim - perguntas directas sobre assuntos considerados “delicados”.
Tuesday, May 13, 2008
Monday, May 12, 2008
Inflação na China

"I am the type of person who fully recognizes suffering; I fear that this year will be the most difficult for the Chinese economy." Wen Jiabao
"China warns about inflation with price rises at near 12-year highs", AFP
Leituras Pós-Dominicais

"The Long Term Risks of China's Inflation Problem", Pieter Bottelier no China Brief (Jamestown Foundation)
"China’s Nationalism, and How Not to Deal with It", China Digital Times.
" Lack of public oversight, wealth inequality: worrisome signs in 2008", Zhong Peizhang no China elections and Governance
Friday, May 09, 2008
O (in) sustentável charme da diplomacia chinesa
Após o "cerco" a propósito da questão do Tibete e dos Jogos Olímpicos - uma situação agravada pelo discurso nos media oficiais e da porta-voz da diplomacia chinesa que fez lembrar os tempos mais negros da Revolução Cultural - Pequim ganhar espaço de manobra e espaço para fazer ecoar o seu charme diplomático. A vitória de Ma Ying Jeou foi um primeiro passo, que, no entanto, foi ensombrado pelo agravamento da situação em torno do Tibete e da Tocha olímpica. As conversações com representantes do Dalai Lama e a entrada da tocha em território chinês amenizaram a situação. Agora, com esta visita ao Japão, a postura de Hu Jintao visa fazer regressar ao espaço mediático a retórica da China enquanto nação de "Paz e Desenvolvimento" (a tal tese da Emergência Pacífica, que entretanto foi abandonada por causa do peso semântico de emergência). Para Pequim, é essencial que a RPC não surja aos olhos do mundo (especialmente dos países vizinhos) como uma ameaça. Os esforços da diplomacia chinesa anos últimos anos têm sido sobretudo nesse sentido. Contudo, neste jogo de percepções há sempre o choque com a realidade.
Em breve voltaremos a este assunto mais detalhadamente
Wednesday, May 07, 2008
O charme de Hu ou "toma lá mais um panda amigo"

"Hu Jintao and Yasuo Fukuda make friends", Time.
"China's Hu, Japan's Fukuda Agree to Boost Cooperation", Bloomberg.
"Hu also offered to provide a pair of giant pandas to Japan at a dinner with Fukuda, 71, in Tokyo yesterday, Japan's Foreign Ministry said. Hu said the offer was a symbol of friendly ties between the two countries, the ministry said in a faxed statement.
The only panda at Tokyo's Ueno Zoo, Ling Ling, died on April 30. The zoo received its first giant panda from China in 1972, according to its Web site".
Monday, May 05, 2008
Leituras Pós-Dominicais

" Nationalism is both a sanctuary and a grave", China Elections and Governance.
"Beijing Intensifies "People’s War" Against “Splittism” as Nationalism Rears its Head", Willy Lam no China Brief (Jamestown Foundation)
"Os desvios", Carlos Morais José no Hoje Macau.
"A tocha e a internet", Nuno Lima Bastos no JTM (via o Protesto)
"Direito ao Contraditório", Leocardo no Bairro do Oriente.
P.S. O trabalho de Luciana Leitão sobre bloggers em Macau:
"Se me identificasse ninguém lia”
"A Internet a seus pés"
"Um complemento à imprensa"
Saturday, May 03, 2008
Nacionalismo com características chinesas
José Carlos Matias
As recentes manifestações de chineses, dentro da República Popular da China (RPC) e no exterior, por onde passou a tocha olímpica, trouxeram à tona de novo a questão do sentimento nacionalista do país que vai acolher em Agosto a maior festa do desporto mundial. Num olhar imediato e superficial somos tentados a concluir que as manifestações são fruto da forma como os media na RPC filtram a informação que tem chegado ao país dos protestos contra a passagem da chama em várias cidades, na maioria com manifestantes a defenderem a causa do governo tibetano no exílio. Contudo essa observação em si – não sendo incorrecta - deixa muito por explicar. Vale a pena começar por olhar para os protestos contra a França e em defesa do boicote da cadeia de supermercados Carrefour no contexto de uma série de erupções nacionalistas que sucederam ao longo dos últimos dez anos.
Dois anos depois, as pulsões anti-EUA subiram de novo de tom, na sequência da colisão entre um avião-espião de reconhecimento dos EUA e um caça que chinês. O aparelho norte-americano não estava em águas territoriais chinesas, mas já estava a sobrevoar a Zona económica exclusiva da RPC, pelo que Pequim reagiu de forma enérgica ao incidente. À margem do debate legal sobre se os EUA tinham o direito de utilizar um avião-espião a 80 milhas da costa chinesa, vários protestos eclodiram de novo com milhares de chineses a insurgirem-se nas ruas contra o “imperialismo americano.
Em 2005, o alvo da onda nacionalista foi o Japão, a propósito dos manuais escolares de História nipónicos em que vários crimes de guerra praticados pelo exército imperial japonês durante a ocupação da China são omitidos. De novo o povo saiu à rua. Ao longo dos últimos anos, especialmente nos protestos anti-Japão de 2005 e anti-França nas últimas semanas, as novas tecnologias – internet e Sms – desempenharam um papel muito importante. Esta situação coloca desde logo em causa se os protestos foram orquestrados pelo PCC ou se nasceram de movimentos espontâneos populares, tendo sido – facto consumado – tolerados pelo partido que, numa lógica ainda leninista, procura controlar os movimentos populares e ser a vanguarda dos movimentos de massas.
A proliferação de “China bashers” nos “media” ocidentais, como o ignóbil Jack Cafferty, comentador residente da CNN que chamou de “rufias” aos líderes chineses e classificou de “lixo” os produtos fabricados na China, ajuda ao recrudescimento do nacionalismo chinês mais rasteiro. A tese da “China como ameaça” pode transformar-se numa “self-fulfilling prophecy”. Não se trata de fazer auto-censura face ao que tem que ser dito sobre os atropelos aos direitos humanos na China, seja no Tibete, em Pequim ou Urumqi. Trata-se sim de, ao nível oficial e em declarações públicas, ter uma dose de responsabilidade e de entendimento sobre a história recente da RPC. Na edição de 21 de Abril da revista Newsweek, Fareed Zakaria, num habitual acesso de lucidez, explicou por que é que é importante não alimentar o nacionalismo na China e por que é que a humilhação pública funciona muito pior no regime de Pequim do que a pressão privada (pelos canais diplomáticos apropriados).
Entretanto, vale a pena continuar a acompanhar as pulsões nacionalistas na China, uma vez que tudo indica que seja um movimento com raízes populares, que escapa ao controlo total do PCC e que, por isso, pode transbordar para outras causas que se possam virar contra o governo. Esse é o grande receio em Zhongnanhai (sede do PCC em Pequim). É que as manifestações de fervor patriótico têm sido raros momentos (autorizados pelo regime) de expressão em massa nas ruas de uma sociedade civil provavelmente ansiosa por se fazer ouvir fora dos mecanismos rígidos das estruturas do PCC e do estado.
Thursday, May 01, 2008
Alberto Estima de Oliveira (1934-2008)

Tai Chung Pou 23 de Novembro de 2007.
Na primeira pessoa
navegava-se na arrogância das diferenças pela emaranhada teia de ruelas que constituía o centro da pequena cidade quase flutuante. misturavam-se os cheiros das especiarias com o hálito morno dos detritos. fervilhava a vida nos contornos das faces opacas e nas paredes roídas pelo tempo. tudo se movia convulsionando as veias deste pequeno corpo, largos e esquinas de tendas de “min”, pato assado, frutos e vestuário. macau, 10 horas de uma manhã húmida de um julho espesso. caiu a noite absorvendo o dia.
o sono emergia das janelas veladas. no asfalto vivia-se ainda o chiar dos pneus e sob as árvores da praia grande mantinha-se a troca amorosa das carícias, restos das escassas horas do trabalho imposto. o tufão passou ao largo, somente as águas castanhas do delta do rio das pérolas se mostraram impacientes, ondulando em pequenas cristas, balançando as panelas de caldo suspensas nos juncos ancorados.
tudo se passa em termos inconsequentes, sem margens. o lodo e a muralha habitam a noite concretamente. a cidade ilumina-se num carrossel de cores, liquidando o lixo e a miséria. não há espaços. nova vida se inicia nas ruelas e esquinas procurando no prazer a solidão dos neons embriagados. os olhos escondidos na penumbra das fábricas surgem agora na aposta possível no sorriso passivo e terno duma jovem que passa.
esconde-se a cidade na noite curta reduzindo o tempo. macau nasce dos restos da lua multiplicando as células nos ventres tensos, nas mãos hábeis, nos corpos lívidos.
secam-se-me os lábios de falar a noite.
e o poema vem, bardo, das entranhas.
Alberto Estima de Oliveira, in “O Diálogo do Silêncio”
Wednesday, April 30, 2008
A lucidez de Zakaria
No meio da histeria pré-olímpica - com as posições extremadas - Fareed Zakaria fala de algo muito importante em "Don’t Feed China’s Nationalism", na Newsweek.
Monday, April 28, 2008
Leituras Pós-Dominicais

"China Ascendant – Part I", Bertil Lintner, Yale Global.
"China’s Ascendancy to a Space Power", Jin-Dong Yuan , no China brief da Jamestown Foundation.
" Tibet and Olympic coverage: whose image was ruined?", NingSong , China elections and Government.
Friday, April 25, 2008
Pedro Manila

Excerto do Livro "Histórias da Cidade", de Alfredo Gomes Dias (Livros do Oriente 2006), que juntou várias peças documentais da Macau de outras eras colocando em cena pessoas anónimas que construíram o tecido único desta cidade ao longo dos séculos. Um trabalho baseado na Correspondência Oficial Trocada entre as Autoridades de Cantão e os Procuradores do Senado, 8 Volumes.
Wednesday, April 23, 2008
A especificidade de Macau ou "Give me five (or three)"
"O governo de Macau anunciou a disponibilização de cerca de 2.300 milhões de patacas para distribuir por cada titular de residência no território para "atenuar" os efeitos da inflação nos orçamentos familiares. A medida foi anunciada pelo chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, numa intervenção na Assembleia Legislativade Macau.Edmund Ho explicou que a verba será distribuída a quem a solicitar, cabendo 5.000 patacas a cada residente permanente e 3.000 patacas a cada residente não permanente" (Lusa).
Monday, April 21, 2008
2004-2008

Em apenas 4 anos parece ter-se esfumado uma relação especial sino-francesa celebrada em Janeiro de 2004 em Paris, quando a Torre Eiffel foi iluminada de vermelho para homeanagear a China, a prpósito da visita de hu Jintao. Era o tempo de Chirac e da sua visão de um mundo multipolar em que a europa se devia distanciar da dependência dos EUA e fazer pontes com a Rússia e a China. Esse ano - 2004 - foi o ano da China na França. Em 2005 foi o ano da França na China. 2008 é ano de Olímpicos e nacionalismo na China. E de populismo em Paris...
Sunday, April 20, 2008
Visões distorcidas
"Both sides of Olympic protests miss the point", Sunday Morning Post Leader - 20-04-2008
"Protesters in the west believed they were simply making a statement about the central government's human rights record or its policies towards Tibet. They seem to have failed to understand that the torch, with its intricate design and Chinese symbols, has come to represent - in the eyes of most Chinese on the mainland and around the world - their nationhood. Therefore, organised attempts to grasp it from torch-bearers, such as paralympic fencer Jin Jing in Paris, became in the eyes of Chinese people a deliberate affront to their nation's dignity and pride, not just the ruling party in Beijing".
"In a similar way, mainland protesters calling for boycotts aimed at French companies fail to grasp the wider implications. These companies provide jobs for mainland workers, encourage trade and improve relations between countries. They were not responsible for the Olympics protests in the west".
"The mainland protesters are entitled to express their feelings and their pride in hosting the Olympics, so long as they do so peacefully. But patriotic passions are not like tap water that can be easily turned on and off. Having launched an intense media campaign against the Dalai Lama, Tibetan rioters and their supporters in the west, it may not be easy for Beijing to calm the passions which have been aroused.
"The Olympics should be a means to bring nations together, through sport. The world needs more co-operation and dialogue. This is argument enough for each side to seek better understanding of the other - and to allow the Games to proceed peacefully".
(negrito meu)
Já se esperava

Provocada, a alma chinesa reage, com a tolerância do poder, mas este jogo - do nacionalismo - comporta vários perigos...
"Anti-French rallies across China", BBC.
Por isso mesmo, vários intelectuais fizeram um apelo: " Experts say patriotism understandable, but urge people to be rational", Xinhua.
Uma erupção nacionalistanas ruas prolongada por vários dias não é de facto do interesse de Pequim, uma vez que o movimento pode ficar fora de controlo do poder - como chegou quase a estar em 2005 aquando das manifestações anti-Japão. Em todo o caso estes protestos servem de sinal para o Ocidente...
Saturday, April 19, 2008
O vigor e os desafios de Wang Yang
Texto publicado no jornal Hoje Macau em 17-04-2008
José Carlos Matias
Primeiro criticou o conservadorismo das elites locais. Depois clamou por uma emancipação do pensamento. Mais tarde lançou o desafio da criação de uma “zona económica especial de cooperação” com Macau e Hong Kong. A chegada de Wang Yang à liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) de Guangdong agitou as águas do Delta do Rio das Pérolas e colocou muitos agentes económicos a pensar no que realmente quer o delfim que, em Dezembro de 2007, trocou a chefia do Partido no Município de Chongqing pela liderança do PCC na província mais rica do país.
Perante o vigor de Wang, Lau Nai-keung, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês por Hong Kong, perguntava há semanas no South China Morning Post se estamos (referindo-se à região vizinha) preparados para o desafio de Guangdong. Naturalmente que esta questão é extensível à RAEM. O que quer dizer Wang Yang com “emancipação do pensamento” (sixiang jiefang)? Como devem ser entendidas estas declarações pouco ortodoxas face ao habitual “low profile” de secretários provinciais? Antes de mais, quem é Wang Yang?
Um tuanpai especial
Aos 53 anos é uma estrela emergente da Quinta Geração (diwudai) de líderes, sendo o mais jovem membro do Politburo do PCC. Aos 33 anos tornou-se presidente da Câmara Municipal de Tongling, na província de Anhui, antes de ascender a vice-governador provincial. Com pouco mais de 40 anos desempenhou de forma convincente o cargo de vice-ministro da Comissão Nacional da Reforma e Desenvolvimento. Mas o percurso de Wang não pode ser entendido sem ter em conta a sua passagem pelos quadros dirigentes da Liga da Juventude Comunista Chinesa (LJCC), liderada na altura - anos 1980 – pelo actual presidente Hu Jintao. Desde então Wang pertence ao chamado grupo-facção dos tuanpai, quadros da LJCC que ascenderam ao poder ao longo dos últimos anos de uma forma directa ou indirecta pela mão de Hu. Aliás, a actual configuração dos quadros dirigentes de topo do Partido e do Estado em Guangdong ilustra uma mudança da esfera de influência da província cantonense que durante mais de dez anos esteve sob o chapéu da chamada facção de Xangai do ex-presidente Jiang Zemin, quando Li Changchun, primeiro, e Zhang Dejiang, depois, lideraram o PCC em Guangdong. Agora, os três principais cargos são detidos por dirigentes considerados pelos analistas como próximos de Hu: o secretário do Partido Wang Yang, o governador Huang Hua Hua e o secretário do PCC no município de Shenzhen – todos trabalharam com o presidente da RPC na década de 80 na LJCC. Esta nova realidade é relevante no denso universo do balanço de poderes dentro do PCC uma vez que a base de apoio de Hu no início do seu mandato, em 2002, centrava-se sobretudo nas regiões do centro e oeste da China, dado que as zonas costeiras continuaram sob influência de quadros considerados próximos de Jiang Zemin durante alguns anos. No caso de Guangdong, com as recentes remodelações, dez dos dezoito dirigentes de topo da província pertencem à facção dos tuanpai.
“Emancipar o pensamento”
A postura de Wang difere do temperamento típico dos dirigentes chineses. Numa recente reunião do Politburo provincial lançou um feroz ataque às vistas curtas de muitos agentes políticos económicos de Guangdong que apenas pensam em promover o crescimento da economia sem cuidar das dimensões culturais, sociais políticas e ambientais do desenvolvimento.
Ao nível político alguns analistas procuram deslindar se a “emancipação do pensamento” incluirá algum tipo de inovação no sistema de tomada de decisão (governance). A expressão foi usada pela primeira vez por Deng Xiaoping há 30 anos quando pediu aos quadros do PCC para se libertarem dos dogmas do Maoísmo e abraçarem as reformas e abertura à economia de mercado. Agora Wang defende que o principal desafio de Guangdong já não é o crescimento económico “per se”, mas o desenvolvimento político. Cheng Li, o académico chinês, residente nos EUA há vários anos – e coordenador do livro recém-lançado “China's Changing Political Landscape: Prospects for Democracy” – pergunta se “Guangdong, que anteriormente foi uma zona experimental para as reformas económicas, se tornará num palco para as reformas políticas no país”. Os mais optimistas lembram que a proximidade com Hong Kong, onde poderá ser introduzido o sufrágio universal em 2017, é um factor importante no caminho que terá de ser trilhado na província vizinha, onde, de resto, decorrem desde os anos 1980 eleições directas para a liderança de comités de aldeias (village commitees). Em Fevereiro, num fórum para jovens que decorreu em Cantão, Yu Keping, académico autor do famoso artigo de opinião “Democracy is a good thing” foi explícito: “só com garantias democráticas e institucionais é que é possível emancipar o pensamento”. O teste é o encontro com a realidade e não as declarações e os termos pomposos que proliferam no discurso oficial. Ou seja, os actos e não as palavras vão mostrar se esta “entrada de leão” se consubstancia. Na véspera do Ano Novo Chinês, Wang Yang e o governador Huang Hua Hua fizeram circular uma carta na internet em que são pedidas críticas e sugestões aos “net-cidadãos” para que as medidas tomadas possam ir mais ao encontro das necessidades da população. O desafio é transformar esta “boa vontade” em novos mecanismos de auscultação e em que as os cidadãos possam fazer parte do processo de tomada de decisões. Um outro teste será a forma como Wang vai lidar com a liberdade de imprensa. O consulado seu antecessor ficou marcado pela prisão de vários jornalistas, o mais conhecido dos quais o director adjunto do jornal Southern Metropolis, Yu Huafeng, acusado de corrupção e condenado a uma pena de oito anos de cadeia. Por coincidência – ou provavelmente não – em Fevereiro deste ano (pouco depois de Wang ter chegado a Guangdong) o jornalista foi libertado quando apenas tinha cumprido quatro anos da pena.
O desafio Guangdong/Macau/Hong Kong
Se em termos políticos as palavras de Wang dão azo a uma boa dose de ambiguidade, o desafio económico lançado é mais claro: a criação de uma megapólis Hong Kong/Macau/ Zhuhai/Shenzhen/Cantão capaz de rivalizar com Nova Iorque ou Tóquio. O nivelamento por cima foi também evidente quando Wang exortou Shenzhen a ombrear com Singapura. Para a província, o plano anunciado implica uma transformação de uma economia ainda baseada em indústrias de mão-de-obra intensiva num centro mundial de indústrias de capital intensivo e de serviços. Em definitivo Wang ambiciona dar início à Terceira Vaga de modernização económica do Sul da China depois da abertura das zonas económicas especiais no início dos anos 1980 e da “tour” de Deng Xiaoping em 1992. Sendo explícito o desafio, a grande questão é como é que estes objectivos podem ser colocados em prática. De acordo com o jornal pró-Pequim de Hong Kong Wen Wei Po, 23 departamentos e institutos estão envolvidos na elaboração de um estudo de viabilidade da criação de uma zona económica especial de cooperação Hong kong/Macau/Guangdong, que implique a circulação livre de pessoas, bens, mercadorias e capitais. Os desafios são imensos, uma vez que será necessário esbater as disparidades entre três sistemas económicos distintos, num processo que colocará várias questões e desafios ao princípio e à prática “Um País, Dois Sistemas”.
Wednesday, April 16, 2008
Jiang Yu
A liguagem a postura da Porta-voz do MNE da China está no mínimo desajustada e fora de tom e em sentido inverso face à imagem que a China queria projectar até há bem pouco tempo. Porquê?
Uma besta
O senhor Cafferty. estas são as imagens disponíveis no Youtube para já:
Tuesday, April 15, 2008
民主是个好东西
Ler o muito discutido artigo de Yu Keping: "Democracy is a good thing" (versão traduizida)
Monday, April 14, 2008
Leituras Pós-Dominicais
"Paciência de Chinês", Leocardo no Bairro do Oriente.
"Morrinha", Carlos Morais José no Oriente Crónico.
"O Protesto", as crónicas de Nuno Lima Bastos em formato de blogue.
Elsewhere:
"A new era or a 'made in China' affair?", Ting-I Tsai no Asia Times.
"What do you want from us?" A Chinese response to Western criticism, no China Elections and Governance.
"Hu’s Southern Expedition: Changing Leadership in Guangdong", Cheng Li no China Leadership Monitor da Hoover Institution.
Friday, April 11, 2008
Pesos, medidas e proporções

1. Na China continental (primeiro sistema) Chen Liangyu, ex secretário do Partido Comunista Chinês em Xangai, foi condenado a 18 anos de prisão.
Chen is accused of being at the center of a high-profile scandal in which more than $400 million in pension funds were improperly invested in real estate and toll road projects that included Shanghai's new Formula One race track. He was accused of lending large amounts from the pension fund and helping businessmen buy stakes in state-owned companies, resulting in huge losses.
"Ex-Party Boss in China Gets 18 Years" , AFP
n a four-month investigation, anti-graft officials said they discovered assets worth about 800 million patacas (US$99.5 million), more than 57 times what Ao and his family could have earned over a seven-year period.
"Ex-official in Macau guilty of corruption, gets 27 years", China Post
Thursday, April 10, 2008
A dimensão
"The US-led destabilization in Tibet is part of a strategic shift of great significance. It comes at a time when the US economy and the US dollar, still the world’s reserve currency, are in the worst crisis since the 1930’s. It is significant that the US Administration sends Wall Street banker, former Goldman Sachs chairman, Henry Paulson to Beijing in the midst of its efforts to embarrass Beijing in Tibet. Washington is literally playing with fire. China long ago surpassed Japan as the world’s largest holder of foreign currency reserves, now in the range of $1.5 trillions, most of which are invested in US Treasury debt instruments. Paulson knows well that were Beijing to decide it could bring the dollar to its knees by selling only a small portion of its US debt on the market".
"Risky Geopolitical Game: Washington Plays ‘Tibet Roulette’ with China"
Um texto
"(...) the real solution should be trying to achieve good governance, not independence"
"Tibet a defining issue for China", Francesco Sisci no Asia Times.
Sunday, April 06, 2008
Leituras Dominicais
"Beijing Olympics and China’s Human Rights ", Liu Xiaobo no site Chinese Human rights Defenders.
"The Yin and Yang of US Debt", Ashok Bardhan e Dwight Jaffee na Yale Global.
"Can Westerners see China as they see themselves?", Manfred Elfstrom no China elections and Governance.
Saturday, April 05, 2008
De Wu para Liu - Em busca do outro lado do céu
José Carlos Matias
Texto publicado no jornal Hoje Macau em 03-04-2008
Na China, o poder escreve-se sobretudo no masculino. Desde 1949 nenhuma mulher ascendeu ao topo da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC), ou seja ao Comité Permanente do Politburo (CPP). No XVII Congresso apenas uma mulher tem assento no Politburo alargado (25 membros), ao passo que nas funções de topo (primeiro-ministro, vice primeiros ministros e conselheiros de estrado) do governo liderado por Wen Jiabao, que foi eleito na última sessão plenário da Assembleia Popular Nacional (APN), também apenas figura essa mesma mulher, Liu Yandong, que ocupa o cargo de Conselheira de Estado. Entre os 25 dirigentes com o estatuto de ministro, apenas três são ministras. No Comité Central do PCC, órgão que integra 204 dirigentes apenas estão 13 mulheres, ou seja 6.3 por cento desse organismo, um valor proporcionalmente bastante inferior ao universo de filiados no PCC: 22.6 por cento dos membros do Partido são mulheres. Proporções que não condizem com o famoso dito de Mao – As mulheres detém metade do céu”.
O que explica este afastamento de mulheres do topo da liderança na República Popular da China (RPC)? Christina Gilmartin, académica norte-americana especialista em estudos sobre a mulher na China moderna, lembra que antes da ascensão de Wu Yi, apenas três mulheres tiveram assento no Poliburo, todas elas esposas de dirigentes de topo, incluindo a malograda Jiang Qing, quarta esposa de Mao Zedong e figura de proa do “Bando dos Quatro”. Para Gilmartin durante vários anos “as actividades de Jiang Qing surgira aos olhos de muitos chineses como a prova de que as mulheres não devem estar envolvidas ao mais alto nível na política chinesa”. Uma crença com raízes na forma como exerceram o poder a Imperatriz viúva Cixi, no século XIX, ou a famosa Wu Zetian, que, no século VII, assumiu o cargo de Imperador, rompendo com a dinastia Tang e iniciando a brevíssima (Segunda) Dinastia Zhou (embora vários historiadores sublinhem os aspectos benignos da sua governação).
A herança patriarcal
Existem, claro, outros motivos de cariz estrutural e cultural. Numa análise mais ampla, sobre a emancipação da mulher na China, Jinghao Zhou argumenta que na RPC as mulheres nunca serão verdadeiramente livres e emancipadas enquanto não tiverem espaço para se organizarem fora do controlo do Partido, que escolhe a liderança da Federação das Mulheres da China – ACWF na sigla em inglês - maior organização feminina do país, de onde saem quadros dirigentes para o PCC e para o Governo Central.
Admitindo que um sistema mais democrático traria uma maior e melhor representatividade da sociedade nas esferas de poder, isso não iria “per se” ser a panaceia para as desigualdades de género que existem na China, como comprovam vários exemplos de democracias de tipo ocidental. A herança de séculos de feudalismo patriarcal e de uma sociedade que tradicionalmente afastou as mulheres da esfera pública ajuda a explicar a situação. Essa situação é denunciada por Mu Hong da ACWF, para quem “em várias áreas, as pessoas ainda estão afectadas por uma mentalidade feudal”.
No livro recém-lançado – e altamente recomendável – “A Mulher na China”, Ana Cristina Alves salienta que embora a criação da RPC em 1949 tenha contribuído significativamente para a melhoria da situação da mulher no país, foi a partir de Deng Xiaoping que passou a haver um esforço por materializar os dispositivos legais que promovem o papel da mulher na sociedade. No entanto, nota a académica, “desde que passaram a assumir o estatuto de forças produtivas válidas, as mulheres confrontaram-se com inúmeros obstáculos externos, fruto de um sistema tradicionalmente patriarcal” (p.170).
A diferença de Wu
A nova geração de dirigentes chineses – mais aberta e cosmopolita – e o exemplo da força e capacidade de Wu Yi na actividade pública que exerceu podem ter dado início a um processo de mudança gradual. Aos 69 anos, a ex vice primeira-ministra abandona uma vida política que começou em 1962 quando se inscreveu no PCC. Já na década de 1980 assumiu a chefia da célula do Partido na Companhia Petrolífera Yanshan. Aliás, esta mulher natural da província de Hubei podia ter ficado conhecida como “Oil Lady”, uma vez que trabalhou no sector petrolífero durante 25 anos. Esse percurso foi alterado em 1988 quando ascendeu a vice-presidente da Câmara de Pequim. Nos anos 1990 destacou-se como Ministra do Comércio Externo e da Cooperação Económica Em 2002 e 2003 assumiu um dos cargos de vice primeiro-ministro do Conselho de Estado e entrou para o Politburo do PCC. Em Abril de 2003 assume o controlo da pasta da saúde, por acumulação, na sequência da demissão de Zhang Wenkang na altura do surto da Síndroma Respiratória Aguda. Sem experiência na área da saúde, conseguiu impor novas regras de transparência no campo das doenças infecto-contagiosas e melhorar a imagem da China no plano internacional. Anos antes, quando era vice-ministra do Comércio Externo substituiu, dois dias antes das negociações, o chefe da delegação chinesa nas conversações com os estados unidos sobre os Direitos de Propriedade Intelectual. A forma como conduziu as negociações impressionou a liderança chinesa, tendo sido desde então – 1991 – passou a ser uma presença habitual nas negociações sino-americanas sobre a entrada na Organização Mundial de Comércio e disputas comerciais. “É uma força da natureza”, confessou Henry Paulson, secretário de estado norte-americano do tesouro. É um a “Dama de Ferro” da China, escreveu a imprensa ocidental. Ela preferia que a chamassem de “little woman”, uma mulher que nunca escondeu os seus cabelos brancos, ao contrário dos seus correligionários sexagenários do Politburo. Até na forma como se despediu da política foi diferente. Quebrando a regra entre os dirigentes de topo chineses de não anunciarem a sua saída antes do anúncio oficial dos novos detentores dos cargos, Wu Yi, que foi em 2005 considerada pela revista Forbes como a segunda mulher mais poderosa do mundo, falou publicamente sobre a sua saída da de todos os cargos que ocupava num discurso numa conferência Câmara de Comércio Internacional da China., adiantando que não vai ter qualquer actividade política na reforma. Na mesma ocasião disse “quando eu sair por favor esqueçam-se completamente de mim”. Uma mensagem (de) cifrada que ilustra a forma como esteve na vida pública.
A senhora Liu
Liu Yandong surge agora como sucessora de Wu como a mulher com o cargo mais elevado no Partido e no estado. Contudo, a APN não a elevou a vice-primeira ministra, optando por conduzi-la ao posto de Conselheira de Estado. A sua personalidade difere da de Wu em vários aspectos. Em vez de “Iron Lady”, é mais encarada como “soft lady”, pela forma mais diplomática como exerce a actividade política. O seu percurso está ligado à facção dos quadros que começaram por fazer carreira na liga da Juventude Comunista, grupo ligado ao presidente Hu Jintao – que liderou a LJC nos anos 1980 – e do qual fazem parte Li Keqiang, vice. Primeiro-ministro, e Li Yuanchao, ambos também vistos pelos analistas como “protegés” de Hu. Entre 2002 e 2007 liderou a Frente Unida, entidade do PCC responsável pela conjugação de esforços com os restantes oito partidos autorizados na RPC.
A sua figura agrada bastante aos deputados de Macau e Hong Kong, membros da Conferência Consultiva Política do povo Chinês, órgão de que foi vice-presidente, uma imagem a que não estranho o facto de entender cantonense e ter reputação de competente e trabalhadora.
Nos últimos anos, uma das suas missões foi alargar a base de apoio do PCC a Macau, Hong Kong e Taiwan. A elite das regiões administrativas especiais teve certamente ao longo dos últimos anos oportunidade para cultivar os laços com Liu. Uma atitude a vários níveis útil e inteligente – é que quer no governo central, enquanto conselheira de estado, quer no PCC, como braço direito de Xi Jinping, tem em mãos a pasta de Macau e Hong Kong.
Thursday, April 03, 2008
Bem sei
CNN: What's wrong with you?
Hu Jia condenado a 3 anos e meio de prisão

"Culpado" de "incentivar a subversão contra o poder estatal". Um exemplo da "benevolência" pré-Olímpica dos tribunais chineses.
"Jail for Chinese rights activist " BBC News.
Wednesday, April 02, 2008
Leitura absolutamente recomendada

“Isto não é um panfleto feminista”, entrevista publicada no Hoje Macau.
50 mil
Monday, March 31, 2008
Sunday, March 30, 2008
Punk Chinês
Chego aqui através do Zero de Conduta.
Saturday, March 29, 2008
Hard Talk na China
Desta série de entrevistas, a mais impressionante e profunda é esta, ao escritor Liao Yiwu.
Liao Yiwu Pt I
Liao Yiwu Pt II
Liao Yiwu Pt III
Chamo a atenção para a forma como termina a entrevista.
A propósito deste momento Carlos Morais José escreveu no Hoje Macau: "na BBC, a um chinês dissidente perguntavam: “Como viver num país em que há liberdade para ganhar dinheiro, mas não para falar, para escrever, para pensar?”. O entrevistado olhou muito sério o jornalista e respondeu: “a minha liberdade vem do coração e, se me permitir, mostro-lhe”. Dito isto, faz aparecer uma flauta de bambu da qual retira sons alquímicos. Perceberam? Eu também não ou talvez um bocadinho. Mas tenho a certeza de que compreendi".
Thursday, March 27, 2008
O Tibete e os estereotipos
Aí está um texto que subscrevo. Kent Ewing recentra o debate.
"Once again, Chinese and Western leaders have shown us that when things get really tough in China - and the separatist-inspired riots targeting not just the central government but also innocent Han Chinese now living in Tibet and nearby provinces qualify as just that - both parties revert depressingly to form. The Chinese government has attacked the Western media, the Dalai Lama and all those taking part in the protests in language reminiscent of the Cultural Revolution while Western powers, led by Speaker of the US House of Representatives Nancy Pelosi, have used the violence in Tibet as yet another excuse to demonize China's leaders".
Wednesday, March 26, 2008
Tuesday, March 25, 2008
Caijing

É uma Revista de Economia Finanças publicada em Pequim. "É do melhor (jornalismo) que é possível encontrar na China", afiança Orville Schell, Director da Escola de Jornalismo da Universidade Califórnia em Berkeley. Vale a pena visitar com regularidade.
Chego a esta ligação através de um artigo muito interssante escrito por José Vítor Malheiros sobre a jornalista Hu Shuli - "Hu Shuli empurra a fronteira da liberdade de imprensa", publicado na edição do passado domingo do jornal português Público .
"Vamos até à fronteira e podemos até empurrá-la, mas nunca a atravessamos."Os "empurrões na fronteira" são, por exemplo, as exigências de maior transparência por parte da administração, um dos cavalos-de-batalha que Hu Shuli não desiste de cavalgar, e de maior liberdade de acção para a imprensa.Estas idas "até à fronteira" da liberdade de imprensa, mesmo sem transgressões patentes, não se fazem, porém, sem riscos. Os jornalistas da Caijing são por vezes interrogados pelas autoridades e convidados a fazer uma autocrítica e no site da revista identifica-se a "profundidade da investigação" e a "pura coragem" como as marcas do jornalismo da revista. E ninguém tem dúvidas de que os artigos que são hoje publicados teriam levado os seus autores direitos para a cadeia há alguns anos. Hu Shuli chegou mesmo a ser considerada por uma revista "a mulher mais perigosa da China", devido a uma investigação publicada sobre fundos de investimentos.
Ler artigo na íntegra aqui.












