Thursday, September 18, 2008

O escândalo do leite contaminado na China

Editorial do South China Morning Post (18-09-2008)

"The overriding priority now is to restore confidence in the food-safety regime. The scandal leaves no room for complacency about the need for further urgent reform. The mainland cannot afford a system that is toxic to its next generation. And its poor cannot afford imported milk powder. Decisive action is needed. There is a need for a comprehensive inspection regime, independent of control by the milk companies, to ensure quality at every step from farm to shop. The mainland encourages the development of national brands with a quality-recognition scheme that exempts them from inspections. Milk companies implicated in the scandal which enjoyed this distinction have now, rightly, lost it. Sensibly, the exemptions will no longer apply to food products. Clearly there is a need to subject all to regular testing to maintain standards.
Victims have been promised free medical care. But doctors cannot rule out long-term health effects on infants. Financial support is needed to ensure the free services are available for as long as they are needed. Fair compensation must also be paid to those who have suffered damage to their health, or that of their children, as a result of the contamination. The government should impose a levy on the companies involved in order to cover the costs.
The damage done by this scandal will be long-lasting. Beijing must face up to it and take urgent steps to ensure that it can never occur again".

(negrito meu)

Saturday, September 13, 2008

A crise na Geórgia e as relações sino-russas

José Carlos Matias

Texto publicado no jornal Hoje Macau em 10-19-2008

As parcerias estratégicas são testadas em momentos-chave. Por exemplo, o eixo Mosco-Pequim foi posto à prova durante a Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), no final de Agosto em Dushubane, no Tajiquistão. Poucos dias depois da Rússia ter reconhecido a independência das repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia, a OCX esteve reunida, numa momento em que Moscovo estava isolada internacionalmente a propósito do passo inesperado de oficializar o reconhecimento das duas repúblicas que formalmente fazem parte da Geórgia. Os parceiros da Rússia nesta organização inter-governamental, a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da Ásia central – Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Cazaquistão – emitiram uma declaração comum em que é realçado o papel “activo da Rússia na região”, mas salientam também que desejam que a crise sejam resolvida por meios pacíficos e que deve ser tida em conta a integridade territorial das partes envolvidas, não sendo dado assim o aval ao reconhecimento da independência das repúblicas russófilas. A declaração não surpreende, mas ilustrativas do posicionamento da China no plano internacional e a forma como as quatro repúblicas se encaixam entre os vizinhos gigantes.

Continuar a ler no Sínico Esclarecido

Tuesday, September 09, 2008

Pela Cozinha "morre" o peixe (Samak)?

"Thai Prime Minister Samak Sundaravej has been ordered to resign after being found guilty of violating the constitution over a TV cookery show".
BBC

Leituras pós-dominicais (ainda as eleições em hong Kong)

"Avisos à navegação", José Rocha Dinis.
"Final farewell", The Standard.
"Um exemplo para 2009", Hoje Macau
"Hong Kong", Exílio de Andarilho.

Excertos do editorial do South China Morning Post - "Lessons to be learned from election results":

"In general, candidates who tackled livelihood issues and appealed to the working class did well; those perceived to favour business interests did not. The balance of power between the pan-democrats and Democratic Alliance for the Betterment and Progress of Hong Kong has not changed significantly. Both camps now have two fewer seats than after the 2004 election. The democrats, no doubt, breathed a deep sigh of relief. They managed to hold on to 23 seats, enough to have veto power over any constitutional reform package. This was despite widespread belief - even among democrats - that the camp would be hit hard by the calm political climate".

"Hong Kong's prosperity is built on free trade and free enterprise. All over the world, these assets are seen as conducive to democratic development. Sadly, this is not universally accepted here. The democrats need to show they are not anti-business, and the business community should realise the city's future lies with full democracy"

Resultados das Eleições Legislativas em Hong Kong (quadro Wikipedia)

election in hong kong
"Clicar" para ver quadro em tamanho maior.

Monday, September 08, 2008

Better than expected

Não se confirma o descalabro no Campo Pró Democracia em Kong Kong, que conseguiu obter 23 dos 60 deputados, menos dois que em 2004. Pelo contrário: as forças da oposição é que até subiram de 18 para 19 entre os membros eleitos directamente. A queda, já esperada, aconteceu entre os eleitores pelos sectores profissionais, no sfrágio indirecto, em que desceu de 7 para 4.
Ou seja, como escrevi na sexta feira, um resultado destes, tendo em conta as expectativas e o clima da campanha eleitoral deverá ser considerado como muito positivo para as hostes da oposição em Hong kong.
Num primeiro olhar há outros aspectos a registar:

1- O DAB, principal partido pró-governo e próximo de Pequim, surge como o partido mais votado.
2- O Partido Liberal - a segunda força política de apoio ao governo - afundou-se.
3- A afluência às urnas foi de apenas 45 por cento dos eleitores inscritos.
4-No Campo da oposição, o partido Cívico reforçou o seu peso (menos que o esperado) , mas o que surpreendeu foram os três deputados conquistados pela Liga dos Sociais Democratas (esquerda anti-governo)

(em actualização)

Com resultados parciais

Parece claro que o DAB vai subir bastante.

Interim results in the Legislative Council geographical constituency election show the DAB the big winner. The party's chairman Tam Yiu chung is leading in New Territories West by a wide margin, ensuring his re-election along with party member Cheung Hok-ming. In New Territories East, party vice chairman Lau Kong wah is also leading.

Eleições em Hong Kong (antes dos resultados)

Enquanto não chegam os resultados, a maioria dos analistas considera que o Campo Pró-Democracia está claramente na defensiva. No sufrágio indirecto é quase certo que vai perder representantes. Mas mais sgnificativa é a perspectiva de perder deputados eleitos pelo sufrágio directo. Manter os 18 membros conquistados há 4 anos será uma vitória para a oposição tendo em conta as expectativas. Isso parece contudo pouco provável, a fazer crer, pelo menos, nas declarações do vice-presidente do Partido Democrata, Sin Chung-kai,à RTHK.

"Democratic Party vice-chairman, Sin Chung-kai, says he is pessimistic about the outcome of this year's election for the pan-democratic camp. He expects the camp can at best secure 20 seats, five less than the current 25 seats in the legislature".

Veremos como amanhece Hong Kong e qual a dimensão da vitória das forças que apoiam o governo. Para o campo pró-democracia, descer de 25 para 20 seria entregar às forças leais ao governo central o controlo de dois terços do Conselho Legislativo. Menos que 20 deputados será um desastre para os partidos e forças políticas da oposição. A questão central tem a ver com os deputados eleitos directamente. Dos 30 nessa situação, o campo pró-democracia conseguiu há quatro anos eleger 18. Para Pequim é importante fazer recuar a oposição para que gradualmente até 2020, altura em que o governo central admite a realização de eleições directas para o parlamento, não haja "perigo" do LegCo ser dominado por movimentos não alinhados com o governo central. É certo que ainda faltam 12 anos, mas o projecto de reorganização e reestruturação do sistema de partidos políticos em Hong Kong está em marcha.

Friday, September 05, 2008

Hong Kong: pesando a balança

Texto publicado no jornal Hoje Macau (que hoje completa sete anos de actividades - Parabéns!)


José Carlos Matias

Há quatro anos, as eleições para o Conselho Legislativo de Hong tiveram um tom algo dramático e com contornos de acto eleitoral que podia ter peso no rumo das reformas administrativas e políticas da região administrativa especial vizinha. Na memória fresca estava ainda grande manifestação que um ano antes tinha colocado nas ruas meio milhão de pessoas contra o Artigo 23 e em protesto pela democratização do sistema político e contra as políticas do impopular Chefe do Executivo Tung Chee Hwa. Volvidos quatro anos, o Artigo 23, que deverá ser regulamentado primeiro deste lado do Delta do Rio das Pérolas, não surge na agenda da campanha eleitoral. Quanto à democratização do sistema político, a decisão de Pequim de abrir as portas à introdução do sufrágio directo e universal em 2017 secou parcialmente a principal mensagem do campo pró-democracia. Resta a impopularidade do chefe do governo. Curiosamente, tal como em 2004, o Chefe do executivo tem a popularidade “pelas ruas da amargura”. Depois de um início em “estado de graça”, este ano, a fortuna de Donald Tsang mudou. Paralelamente ao impacto que a inflação estava a ter no bolso do cidadão médio da RAEHK, rebentou a polémica em torno das nomeações de adjuntos e assessores do governo. A popularidade de “Sir” Donald recuou para os níveis mais baixos desde que substituiu Tung. Simultaneamente, o grau de apoio e confiança face ao governo central aumentou, ao mesmo tempo que milhares rejubilaram com a presença das estrelas chinesas que conquistaram as medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos.

Os comentários de cidadãos na internet, jornais e rádios indicam que existe uma certa saturação com a abundância de ataques pessoais e escassez de debate de ideias. O que mais preocupa os eleitores são as condições de vida e aspectos ligados à saúde, educação, ambiente e segurança, mostra um estudo recente da Universidade de Hong Kong.

Contas por fazer

Que impacto vão ter estes factores nos resultados das legislativas de domingo? Uma coisa é certa: o campo pró-Pequim manterá a maioria no Conselho Legislativo, uma vez que nos lugares eleitos pelo sufrágio indirecto deverão manter uma clara maioria. Estimativas recentes indicam que podem alcançar entre 23 e 25 dos 30 lugares “funcionais” e entre 10 e 13 dos outros 30 que são escolhidos directamente. Entre o também chamado “campo patriótico”, a Aliança Democrática para o Melhoramento de Hong Kong (DAB) espera poder reforçar a sua posição, na sequência dos óptimos resultados registados nas últimas eleições para os Conselhos de Bairro.

Do outro lado, o Partido Cívico poderá ombrear com o Partido Democrata pela hegemonia no campo pró-democracia, uma vez que tem projectado uma imagem de responsabilidade, competência e moderação, que deverá granjear um forte apoio entre sectores profissionais liberais e da classe média. Feitas as contas, o campo pró democracia poderá ser ficar satisfeito se conseguir subir de 18 para 19 deputados no sufrágio directo. Falta saber se consegue manter os sete assentos obtidos em 2004 no sufrágio indirecto.

Contudo, outros cálculos devem ser adicionados a estas contas. Os chamados não-alinhados poderão conseguir um ou dois lugares no Conselho Legislativo, sendo que vários dos grupos de “independentes”, são acusados por forças do “campo pró-democracia” de serem “submarinos” – ou seja, na verdade são próximos das forças pró-Pequim.

Deste lado do Delta

Em Macau, naturalmente, que as eleições vão ser acompanhadas com muita atenção. Contudo, tendo em conta as diferenças entre a cultura política das duas regiões administrativas especiais, não deverá haver óbvias consequências do resultado de domingo. Em todo o caso, se as forças “pró-Pequim” conseguirem fazer recuar empurrar o “campo pró-democracia” e, sobretudo, se a DAB aumentar o número de deputados eleitos directamente, certamente que as chamadas forças “tradicionais” de Macau sentirão que dentro de um ano têm todas as condições para reforçar o seu peso.

Monday, September 01, 2008

Sunday, August 31, 2008

blogstats
De acordo com o Statcounter, neste mês (Agosto de 2008) o Sínico registou pela primeira vez os 2 mil unique visitors e ultrapassou os 3 mil page viewers. A todos muito obrigado!!!
P.S. Nas útimas semanas, tenho notado com muito agrado uma subida considerável dos visitantes do Brasil e mais visitas de África.

Saturday, August 30, 2008

O Grande salto, 50 anos depois

José Carlos Matias

Texto publicado no jornal Hoje Macau em 28-08-2008


“No ano passado a produção de aço foi de 5.3 milhões de toneladas. Consegues duplicar este valor este ano?”
Mao Zedong para o ministro da metalurgia da China, em Junho de 1958


“Está bem”, respondeu o ministro. Estávamos no início do processo de industrialização forçada que ficou conhecido com “O Grande Salto em Frente” (Dàyuèjìn). Em Janeiro de 1958, Mao tinha dado a conhecer o plano de modernização súbita da agricultura e da indústria em simultâneo, com o objectivo da China ombrear e mesmo ultrapassar os níveis de desenvolvimento das nações mais ricas do mundo. Para a história, fica a Grande Fome de 1959-61, período em que terão morrido 30 milhões de pessoas.
O Grande Salto, aceite hoje pela grande maioria dos historiadores e analistas, mesmo entre os neo-maoísta, como um desastre, marcou o fim do período inicial da Revolução em que ainda coexistia um regime de economia mista e um seguimento incondicional do caminho traçado pela União Soviética. Continuar a ler no Sínico Esclarecido

O erro táctico de Moscovo

Na Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, o presidente russo jogou tudo para conseguir o a poio dos restantes chefes de estado desta organização que integra a Rússia, China, Cazaquistão, Uzebequistão, Tajiquistão e Quirguistão.
Apesar dos parceiros de Moscovo terem referido numa declaração oficial que apoiam a “um papel activo” da Rússia na questão da Geórgia, mas salientam também que desejam que a crise sejam resolvida por meios pacíficos e que deve ser tida em conta a integridade territorial das partes envolvidas.
Uma declaração que na verdade não corresponde ao que Dimitri Medveded pretendia. Afinal a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central não apoiam o reconhecimento da independência da Abecásia e da Ossétia do Sul.
Não é de admirar a oposição de Pequim à atitude de Moscovo. Oficialmente, a China procura não fazer decorações sobre o assunto e permanecer neutral, mas certamente que em Zhongnanhai o apoio ao separatismo não agrada à estratégia chinesa de promoção do respeito pela integridade territorial das nações e de não ingerência nos assuntos internos dos países soberanos. Tanto mais que a RPC tem as suas potenciais Ossétiasdo Sul e Abecásias (Tibete e Xinjiang).
Este posicionamento das quatro antigas repúblicas soviéticas reflecte também uma influência crescente da China sobre este espaço regional que Moscovo considera “naturalmente” a sua esfera de influência.
O Financial Times Deutchland sintetiza bem o que está em jogo:

“"The war itself found little resistance outside the EU and the US. But officially recognizing separatists is like spitting in the soup of governments all over the world. Lots of countries contain minorities who dream of independence. Encouraging them with unilateral diplomatic action isn't a good way to make friends".

Pequim tem promovido o reforço dos laços com Moscovo. Essa é uma pedra de toque da política externa chinesa, mas apoiar a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia seria um abalo forte na retórica de Paz e Desenvolvimento, respeito pela integridade territorial dos estados e resolução dos conflitos por via do diálogo e consulta, Palavras que povoam a retórica da diplomacia chinesa.

Ler também:

"Security Group Refuses to Back Russia’s Actions"
, NYT.
"'Russia Made a Tactical Error'", Der Spiegel

P.S. Este erro táctico de Moscovo vem no seguimento de um primeiro erro de avaliação do aventureiro Mikheil Saakashvili.

Wednesday, August 27, 2008

Sunday, August 24, 2008

O que a China pensa

Mark Leonard editou este ano "What does China think". Um livro (na wish list) em que o autor procura desvendar que correntes de pensamento político sobressaem no interior do Partido e nas elites intelectuais do país. Harry Kreisler, do institute of International Studies da Universidade de Berkeley, Califórnia, entrevista Leonard na excelente série de entrevistas "Conversations with History".

Leituras Dominicais



"CCP Lauches Personnel reform to stem "Mass incidents", Willy Lam no china Brief.
" Grassroots Democracy and Local Governance in China", CEG.
" Why China's village ballots become selling stocks", CEG
New strategies for 'democratizing; China", James Gomes no Asia Times.
"The Olympics: was China ready?", Li Datong no Open Democracy.

Artigos de Verão

No Sínico Esclarecido já estão disponíveis os textos que escrevi na coluna quinzenal em Junho, Julho e Agosto no jornal Hoje Macau.

"Novas e Velhas Esquerdas"
"De Pequim a Nova Deli: para além da Chíndia"
"Ameaça: reoputação, percepções e distorções"
"O urso abraça o dragão?"

Thursday, August 21, 2008

Hua Guofeng (1921-2008): O líder breve

Hua Guofeng


Em Tangshan, na província de Hebei, hoje Hua Guafengdeverá estar a ser lembrado de forma especial. Em Agosto de 1976, Hua visitou as vítimas do terramoto que provocou a morte a 250mil pessoas. Nessa altura liderou os esforços de salvamento de forma determinada e com muita humanidade.

Mas certamente que, para o resto do mundo, Hua Guofeng, falecido ontem ao início da tarde, é recordado como o líder breve que passou o testemunho, ainda que a contra-gosto, de Mao para Deng.

Nasceu na província de Shanxi com o nome Su Zhu, mas tal como outros revolucionários comunistas chineses adoptou um nome mais adequado à China pós 1949. Hua Guofeng é a abreviatura de Zhonghua kangri jiuguo xianfengdui", ou seja algo parecido com “Resistência Chinesa de Salvação e Vanguarrda”. Em Outubro, no último Congresso do Partido Comunista, em Pequim, ainda o vi ao longe na sessão de abertura, ao lado de outros seniores do Partido, como delegado especial. Por instantes tentei imaginar o que pensava de tudo aquilo. Afastei-me desse exercício quando me lembrei que a ele não era creditado qualquer rasgo sobre o rumo do socialismo com características chinesas.
Para a História fica como o sucessor sugerido por Mao, que à beira da morte, ter-lhe-á dito: “contigo no poder, fico descansado”. Primeiro em Fevereiro 1976 sucedeu a Zhou Enlai como primeiro-ministro após a morte do homem que chefiava o governo desde 1949; depois em Outubro, após a morte de Mao, Hua foi elevado a Presidente do PCC e a presidente da Comissão Militar Central. Pouco depois de ter assumido o poder, recuperou políticas socialistas anteriores ao Grande Salto em Frente. Após a morte de Mao, o Bando dos quatro, liderado pela esposa de Mao, Jiang Qing, foi detido para alívio de milhões de chineses que tanto sofreram ao longo da longa noite da década da Revolução Cultural. Embora seja conotado com a linha Maoísta do Partido, Hua ficou associado ao fim do poder do Bando dos Quatro e a um período de transição. Foi um líder breve, de transição e com pouco carisma. Na verdade só teve realmente poder entre 1976 e 1978, antes de Deng Xiaoping, que tinha sido reabilitado para vice-primeiro ministro por Hua em 1976 e caído em desgraça de novo pouco depois, conseguir organizar a coligação pró-reformas económicas.

A partir de 1978 as políticas passam a ser claramente ditadas pelo “Pequeno Timoneiro”, contra as posições ortodoxas de Hua, que recusava o programa de introdução da economia de mercado na China. Hua procurou elevar o princípio dos “Two whatever” - seguir sejam quais tenham sido as políticas de Mao e e as instruções que Mao deu” - a princípio geral da acção política. Hua queria manter o Maoísmo à tona, quando os ventos mudavam de direcção. Depois de esvaziar Hua de poder efectivo, Deng substituiu-o no cargo de primeiro-ministro por Zhao Ziyiang em 1981. Um ano depois, Hu Yaobang assumiu a liderança do PCC no cargo de Secretário-Geral, quando a figura de presidente do Partido foi extinta. Permaneceu até 1982 como presidente da escola Central do Partido. Apesar do seu afastamento, continuou no Comité Central do PCC até 2002, ano em que completava 81 anos. Foi-lhe permitido ultrapassar o limite criado a partir de Jiang Zemin de 70 anos para que um dirigente continue nos órgãos do Partido e do Estado.

Estando a anos-luz longe do estatuto de Mao e Deng (ou mesmo de Jiang Zemin ou Hu Jintao), Hua não deve ser olhado como um líder medíocre e de importância nula. Como dirigente de transição, foi instrumental no processo de transformação que estava a fermentar. Sendo ultrapassado pelas consequências, permitiu o fim do insano Bando dos quatro e deu espaço de manobra a Deng Xiaoping para voltar a Zhongnanhai. Mas claro que isso não é suficiente para aparecer entre Mao e Deng nos cartazes que celebram os feitos das várias gerações de poder na República Popular da China. Perdeu na luta pelo poder com Deng, mas manteve-se sempre fiel ao Partido. Por isso, ontem a agência xinhua descrevia-o, citando fonte oficial, como “um membro do PCC extraordinário, com uma lealdade testada ao Partido e um combatente Comunista e revolucionário proletário que ocupou cargos importantes no PCC e no governo”. Um líder breve com vida longa e de outros tempos.


Sunday, August 17, 2008

Parabéns

Ou Mun 50 anos
O Jornal Ou Mun, designado em inglês Macau Daily News e em cantonense Ou Mun Iat Pou (Ao Men Ribao, em mandarim) completa 50 anos. Sendo de longe o jornal em língua chinesa mais lido e a publicação claramente mais influente no território, é uma fonte fundamental para entender uma certa forma de olhar para Macau ao longo das últimas cinco décadas, uma vez que está ligado desde a sua fundação às posições de Pequim.