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Sunday, September 28, 2008
Um Novo Salto
Thursday, September 25, 2008
Macau-China
1. O Financial Times e o Asia Times já tinham publicado artigos sobre o fim da era do "céu é o limite" no crescimento do jogo em Macau. Agora é a Xinhua a traçar um cenário bem mais preocupante:
"Macao's gaming revenue growth slowdown arouses fears of mass lay-offs"
Como interpertar este texto - aparentemente apimentado, o que não é hábito - nesta altura, da Xinhua, a agência de notícias estatal chinesa?
Em "Aviso à Navegação", no Hoje Macau, alguns ensaiam respostas.
2. Definitivamente estamos a entrar numa nova fase na RAEM. 2009 vai ser um ano de decisões políticas cruciais e de reajustament0 económico (que já começou). Em ambos os níveis, a incerteza prevalece.
Nuno Lima Bastos escreve sobre os sinais que identifica, no imediato: "Os sinais estão aí!", JTM.
Alexandre Lopes posiciona-se na encruzilhada e aponta os caminhos que Macau tem pela frente:
"A encruzilhada de Macau", Hoje Macau.
É preciso ter paciência. Esperar para procurar então encaixar as peças. É que, apesar de todas as mudanças, isto de interpretar os sinais políticos na China, parafraseando Simon Leys, ainda se assemelha à "A arte de interpretar inscrições inexistentes escritas com tinta invisível numa página em branco".
Hoje

"Shenzhou VII lifts off tonight", China Daily
"China's astronauts brace for historic spacewalk", AFP.
Tuesday, September 23, 2008
A Crise, a ameaça e o novo chefe em Tóquio

1. "Why will Americans fall on their fountain-pens for their bankers? If America is to adopt socialism, why not have socialism for the poor, rather than for the rich? Why should American households that earn $50,000 a year subsidize Goldman Sachs partners who earn $5 million a year?"
Pergunta Spengler em mais uma crónica no Asia Times sobre a crise financeira nos EUA.

2. "The growth of China and the Pacific region, and the United States' political involvement therein, increasingly renders the European Union superfluous. Political and economic growth is concentrated in the Asia-Pacific region, while the EU flounders on the periphery".
Francesco Sisci , editor para Ásia do La Stampa, no Asia Times: "China threat? It's a blessing"

3. A Era pós-Koizumi está complicada. Depois de Abe e Fukuda, entra em cena Taro Aso. Será primeiro ministro durante mais de um ano?
"Japanese ruling party names Taro Aso as new leader", The Guardian.
Thursday, September 18, 2008
O escândalo do leite contaminado na China
"The overriding priority now is to restore confidence in the food-safety regime. The scandal leaves no room for complacency about the need for further urgent reform. The mainland cannot afford a system that is toxic to its next generation. And its poor cannot afford imported milk powder. Decisive action is needed. There is a need for a comprehensive inspection regime, independent of control by the milk companies, to ensure quality at every step from farm to shop. The mainland encourages the development of national brands with a quality-recognition scheme that exempts them from inspections. Milk companies implicated in the scandal which enjoyed this distinction have now, rightly, lost it. Sensibly, the exemptions will no longer apply to food products. Clearly there is a need to subject all to regular testing to maintain standards.
Victims have been promised free medical care. But doctors cannot rule out long-term health effects on infants. Financial support is needed to ensure the free services are available for as long as they are needed. Fair compensation must also be paid to those who have suffered damage to their health, or that of their children, as a result of the contamination. The government should impose a levy on the companies involved in order to cover the costs.
The damage done by this scandal will be long-lasting. Beijing must face up to it and take urgent steps to ensure that it can never occur again".
(negrito meu)
Monday, September 15, 2008
Leituras Pós-Dominicais
"An “Anger-Venting” Mass Incident Catches the Attention of China’s Leadership", Joseph Fewsmith no China Monitor da Hoover Institution.
" Lehman and the end of the era of leverage", Spengler no Asia Times.
Saturday, September 13, 2008
A crise na Geórgia e as relações sino-russas
José Carlos Matias
Texto publicado no jornal Hoje Macau em 10-19-2008
As parcerias estratégicas são testadas em momentos-chave. Por exemplo, o eixo Mosco-Pequim foi posto à prova durante a Cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), no final de Agosto em Dushubane, no Tajiquistão. Poucos dias depois da Rússia ter reconhecido a independência das repúblicas separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia, a OCX esteve reunida, numa momento em que Moscovo estava isolada internacionalmente a propósito do passo inesperado de oficializar o reconhecimento das duas repúblicas que formalmente fazem parte da Geórgia. Os parceiros da Rússia nesta organização inter-governamental, a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da Ásia central – Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Cazaquistão – emitiram uma declaração comum em que é realçado o papel “activo da Rússia na região”, mas salientam também que desejam que a crise sejam resolvida por meios pacíficos e que deve ser tida em conta a integridade territorial das partes envolvidas, não sendo dado assim o aval ao reconhecimento da independência das repúblicas russófilas. A declaração não surpreende, mas ilustrativas do posicionamento da China no plano internacional e a forma como as quatro repúblicas se encaixam entre os vizinhos gigantes.
Continuar a ler no Sínico EsclarecidoTuesday, September 09, 2008
Leituras pós-dominicais (ainda as eleições em hong Kong)
"Final farewell", The Standard.
"Um exemplo para 2009", Hoje Macau
"Hong Kong", Exílio de Andarilho.
Excertos do editorial do South China Morning Post - "Lessons to be learned from election results":
"In general, candidates who tackled livelihood issues and appealed to the working class did well; those perceived to favour business interests did not. The balance of power between the pan-democrats and Democratic Alliance for the Betterment and Progress of Hong Kong has not changed significantly. Both camps now have two fewer seats than after the 2004 election. The democrats, no doubt, breathed a deep sigh of relief. They managed to hold on to 23 seats, enough to have veto power over any constitutional reform package. This was despite widespread belief - even among democrats - that the camp would be hit hard by the calm political climate".
"Hong Kong's prosperity is built on free trade and free enterprise. All over the world, these assets are seen as conducive to democratic development. Sadly, this is not universally accepted here. The democrats need to show they are not anti-business, and the business community should realise the city's future lies with full democracy"
Resultados das Eleições Legislativas em Hong Kong (quadro Wikipedia)

"Clicar" para ver quadro em tamanho maior.
Monday, September 08, 2008
Better than expected
Ou seja, como escrevi na sexta feira, um resultado destes, tendo em conta as expectativas e o clima da campanha eleitoral deverá ser considerado como muito positivo para as hostes da oposição em Hong kong.
Num primeiro olhar há outros aspectos a registar:
1- O DAB, principal partido pró-governo e próximo de Pequim, surge como o partido mais votado.
2- O Partido Liberal - a segunda força política de apoio ao governo - afundou-se.
3- A afluência às urnas foi de apenas 45 por cento dos eleitores inscritos.
4-No Campo da oposição, o partido Cívico reforçou o seu peso (menos que o esperado) , mas o que surpreendeu foram os três deputados conquistados pela Liga dos Sociais Democratas (esquerda anti-governo)
(em actualização)
Com resultados parciais
Interim results in the Legislative Council geographical constituency election show the DAB the big winner. The party's chairman Tam Yiu chung is leading in New Territories West by a wide margin, ensuring his re-election along with party member Cheung Hok-ming. In New Territories East, party vice chairman Lau Kong wah is also leading.
Eleições em Hong Kong (antes dos resultados)
"Democratic Party vice-chairman, Sin Chung-kai, says he is pessimistic about the outcome of this year's election for the pan-democratic camp. He expects the camp can at best secure 20 seats, five less than the current 25 seats in the legislature".
Veremos como amanhece Hong Kong e qual a dimensão da vitória das forças que apoiam o governo. Para o campo pró-democracia, descer de 25 para 20 seria entregar às forças leais ao governo central o controlo de dois terços do Conselho Legislativo. Menos que 20 deputados será um desastre para os partidos e forças políticas da oposição. A questão central tem a ver com os deputados eleitos directamente. Dos 30 nessa situação, o campo pró-democracia conseguiu há quatro anos eleger 18. Para Pequim é importante fazer recuar a oposição para que gradualmente até 2020, altura em que o governo central admite a realização de eleições directas para o parlamento, não haja "perigo" do LegCo ser dominado por movimentos não alinhados com o governo central. É certo que ainda faltam 12 anos, mas o projecto de reorganização e reestruturação do sistema de partidos políticos em Hong Kong está em marcha.
Friday, September 05, 2008
Hong Kong: pesando a balança
Texto publicado no jornal Hoje Macau (que hoje completa sete anos de actividades - Parabéns!)

José Carlos Matias
Há quatro anos, as eleições para o Conselho Legislativo de Hong tiveram um tom algo dramático e com contornos de acto eleitoral que podia ter peso no rumo das reformas administrativas e políticas da região administrativa especial vizinha. Na memória fresca estava ainda grande manifestação que um ano antes tinha colocado nas ruas meio milhão de pessoas contra o Artigo 23 e em protesto pela democratização do sistema político e contra as políticas do impopular Chefe do Executivo Tung Chee Hwa. Volvidos quatro anos, o Artigo 23, que deverá ser regulamentado primeiro deste lado do Delta do Rio das Pérolas, não surge na agenda da campanha eleitoral. Quanto à democratização do sistema político, a decisão de Pequim de abrir as portas à introdução do sufrágio directo e universal em 2017 secou parcialmente a principal mensagem do campo pró-democracia. Resta a impopularidade do chefe do governo. Curiosamente, tal como em 2004, o Chefe do executivo tem a popularidade “pelas ruas da amargura”. Depois de um início em “estado de graça”, este ano, a fortuna de Donald Tsang mudou. Paralelamente ao impacto que a inflação estava a ter no bolso do cidadão médio da RAEHK, rebentou a polémica em torno das nomeações de adjuntos e assessores do governo. A popularidade de “Sir” Donald recuou para os níveis mais baixos desde que substituiu Tung. Simultaneamente, o grau de apoio e confiança face ao governo central aumentou, ao mesmo tempo que milhares rejubilaram com a presença das estrelas chinesas que conquistaram as medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos.
Os comentários de cidadãos na internet, jornais e rádios indicam que existe uma certa saturação com a abundância de ataques pessoais e escassez de debate de ideias. O que mais preocupa os eleitores são as condições de vida e aspectos ligados à saúde, educação, ambiente e segurança, mostra um estudo recente da Universidade de Hong Kong.
Contas por fazer
Que impacto vão ter estes factores nos resultados das legislativas de domingo? Uma coisa é certa: o campo pró-Pequim manterá a maioria no Conselho Legislativo, uma vez que nos lugares eleitos pelo sufrágio indirecto deverão manter uma clara maioria. Estimativas recentes indicam que podem alcançar entre 23 e 25 dos 30 lugares “funcionais” e entre 10 e 13 dos outros 30 que são escolhidos directamente. Entre o também chamado “campo patriótico”, a Aliança Democrática para o Melhoramento de Hong Kong (DAB) espera poder reforçar a sua posição, na sequência dos óptimos resultados registados nas últimas eleições para os Conselhos de Bairro.
Do outro lado, o Partido Cívico poderá ombrear com o Partido Democrata pela hegemonia no campo pró-democracia, uma vez que tem projectado uma imagem de responsabilidade, competência e moderação, que deverá granjear um forte apoio entre sectores profissionais liberais e da classe média. Feitas as contas, o campo pró democracia poderá ser ficar satisfeito se conseguir subir de 18 para 19 deputados no sufrágio directo. Falta saber se consegue manter os sete assentos obtidos em 2004 no sufrágio indirecto.
Contudo, outros cálculos devem ser adicionados a estas contas. Os chamados não-alinhados poderão conseguir um ou dois lugares no Conselho Legislativo, sendo que vários dos grupos de “independentes”, são acusados por forças do “campo pró-democracia” de serem “submarinos” – ou seja, na verdade são próximos das forças pró-Pequim.
Deste lado do Delta
Em Macau, naturalmente, que as eleições vão ser acompanhadas com muita atenção. Contudo, tendo em conta as diferenças entre a cultura política das duas regiões administrativas especiais, não deverá haver óbvias consequências do resultado de domingo. Em todo o caso, se as forças “pró-Pequim” conseguirem fazer recuar empurrar o “campo pró-democracia” e, sobretudo, se a DAB aumentar o número de deputados eleitos directamente, certamente que as chamadas forças “tradicionais” de Macau sentirão que dentro de um ano têm todas as condições para reforçar o seu peso.
Monday, September 01, 2008
Leituras Dominicais

"Postcard From South China", Thomas L. Friedman.
"China misfires with divisive people's war", Wu Zhong no Asia Times.
"A Strategic Economic Engagement", Henry Paulson Jr. na Foreign Affairs.
"Shanghaied into Cooperation", Sreeram chaulia no Globalist.
Sunday, August 31, 2008

De acordo com o Statcounter, neste mês (Agosto de 2008) o Sínico registou pela primeira vez os 2 mil unique visitors e ultrapassou os 3 mil page viewers. A todos muito obrigado!!!
P.S. Nas útimas semanas, tenho notado com muito agrado uma subida considerável dos visitantes do Brasil e mais visitas de África.
Saturday, August 30, 2008
O Grande salto, 50 anos depois
Texto publicado no jornal Hoje Macau em 28-08-2008
“No ano passado a produção de aço foi de 5.3 milhões de toneladas. Consegues duplicar este valor este ano?”
Mao Zedong para o ministro da metalurgia da China, em Junho de 1958
“Está bem”, respondeu o ministro. Estávamos no início do processo de industrialização forçada que ficou conhecido com “O Grande Salto em Frente” (Dàyuèjìn). Em Janeiro de 1958, Mao tinha dado a conhecer o plano de modernização súbita da agricultura e da indústria em simultâneo, com o objectivo da China ombrear e mesmo ultrapassar os níveis de desenvolvimento das nações mais ricas do mundo. Para a história, fica a Grande Fome de 1959-61, período em que terão morrido 30 milhões de pessoas.
O Grande Salto, aceite hoje pela grande maioria dos historiadores e analistas, mesmo entre os neo-maoísta, como um desastre, marcou o fim do período inicial da Revolução em que ainda coexistia um regime de economia mista e um seguimento incondicional do caminho traçado pela União Soviética. Continuar a ler no Sínico Esclarecido
O erro táctico de Moscovo
Apesar dos parceiros de Moscovo terem referido numa declaração oficial que apoiam a “um papel activo” da Rússia na questão da Geórgia, mas salientam também que desejam que a crise sejam resolvida por meios pacíficos e que deve ser tida em conta a integridade territorial das partes envolvidas.
Uma declaração que na verdade não corresponde ao que Dimitri Medveded pretendia. Afinal a China e as quatro antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central não apoiam o reconhecimento da independência da Abecásia e da Ossétia do Sul.
Não é de admirar a oposição de Pequim à atitude de Moscovo. Oficialmente, a China procura não fazer decorações sobre o assunto e permanecer neutral, mas certamente que em Zhongnanhai o apoio ao separatismo não agrada à estratégia chinesa de promoção do respeito pela integridade territorial das nações e de não ingerência nos assuntos internos dos países soberanos. Tanto mais que a RPC tem as suas potenciais Ossétiasdo Sul e Abecásias (Tibete e Xinjiang).
Este posicionamento das quatro antigas repúblicas soviéticas reflecte também uma influência crescente da China sobre este espaço regional que Moscovo considera “naturalmente” a sua esfera de influência.
O Financial Times Deutchland sintetiza bem o que está em jogo:
“"The war itself found little resistance outside the EU and the US. But officially recognizing separatists is like spitting in the soup of governments all over the world. Lots of countries contain minorities who dream of independence. Encouraging them with unilateral diplomatic action isn't a good way to make friends".
Pequim tem promovido o reforço dos laços com Moscovo. Essa é uma pedra de toque da política externa chinesa, mas apoiar a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia seria um abalo forte na retórica de Paz e Desenvolvimento, respeito pela integridade territorial dos estados e resolução dos conflitos por via do diálogo e consulta, Palavras que povoam a retórica da diplomacia chinesa.
Ler também:
"Security Group Refuses to Back Russia’s Actions", NYT.
"'Russia Made a Tactical Error'", Der Spiegel
P.S. Este erro táctico de Moscovo vem no seguimento de um primeiro erro de avaliação do aventureiro Mikheil Saakashvili.
Friday, August 29, 2008
A Crise na Geórgia
"THE WAR IN GEORGIA AND THE ORDERING OF POST-COLD WAR EURASIA"
Wednesday, August 27, 2008
A tensão política em Banguecoque
Sunday, August 24, 2008
O que a China pensa
Leituras Dominicais

"CCP Lauches Personnel reform to stem "Mass incidents", Willy Lam no china Brief.
" Grassroots Democracy and Local Governance in China", CEG.
" Why China's village ballots become selling stocks", CEG
New strategies for 'democratizing; China", James Gomes no Asia Times.
"The Olympics: was China ready?", Li Datong no Open Democracy.
Artigos de Verão
"Novas e Velhas Esquerdas"
"De Pequim a Nova Deli: para além da Chíndia"
"Ameaça: reoputação, percepções e distorções"
"O urso abraça o dragão?"
Thursday, August 21, 2008
Hua Guofeng (1921-2008): O líder breve
Em Tangshan, na província de Hebei, hoje Hua Guafengdeverá estar a ser lembrado de forma especial. Em Agosto de 1976, Hua visitou as vítimas do terramoto que provocou a morte a 250mil pessoas. Nessa altura liderou os esforços de salvamento de forma determinada e com muita humanidade.
Mas certamente que, para o resto do mundo, Hua Guofeng, falecido ontem ao início da tarde, é recordado como o líder breve que passou o testemunho, ainda que a contra-gosto, de Mao para Deng.
Nasceu na província de Shanxi com o nome Su Zhu, mas tal como outros revolucionários comunistas chineses adoptou um nome mais adequado à China pós 1949. Hua Guofeng é a abreviatura de Zhonghua kangri jiuguo xianfengdui", ou seja algo parecido com “Resistência Chinesa de Salvação e Vanguarrda”. Em Outubro, no último Congresso do Partido Comunista, em Pequim, ainda o vi ao longe na sessão de abertura, ao lado de outros seniores do Partido, como delegado especial. Por instantes tentei imaginar o que pensava de tudo aquilo. Afastei-me desse exercício quando me lembrei que a ele não era creditado qualquer rasgo sobre o rumo do socialismo com características chinesas.
Para a História fica como o sucessor sugerido por Mao, que à beira da morte, ter-lhe-á dito: “contigo no poder, fico descansado”. Primeiro em Fevereiro 1976 sucedeu a Zhou Enlai como primeiro-ministro após a morte do homem que chefiava o governo desde 1949; depois em Outubro, após a morte de Mao, Hua foi elevado a Presidente do PCC e a presidente da Comissão Militar Central. Pouco depois de ter assumido o poder, recuperou políticas socialistas anteriores ao Grande Salto em Frente. Após a morte de Mao, o Bando dos quatro, liderado pela esposa de Mao, Jiang Qing, foi detido para alívio de milhões de chineses que tanto sofreram ao longo da longa noite da década da Revolução Cultural. Embora seja conotado com a linha Maoísta do Partido, Hua ficou associado ao fim do poder do Bando dos Quatro e a um período de transição. Foi um líder breve, de transição e com pouco carisma. Na verdade só teve realmente poder entre 1976 e 1978, antes de Deng Xiaoping, que tinha sido reabilitado para vice-primeiro ministro por Hua em 1976 e caído em desgraça de novo pouco depois, conseguir organizar a coligação pró-reformas económicas.
Estando a anos-luz longe do estatuto de Mao e Deng (ou mesmo de Jiang Zemin ou Hu Jintao), Hua não deve ser olhado como um líder medíocre e de importância nula. Como dirigente de transição, foi instrumental no processo de transformação que estava a fermentar. Sendo ultrapassado pelas consequências, permitiu o fim do insano Bando dos quatro e deu espaço de manobra a Deng Xiaoping para voltar a Zhongnanhai. Mas claro que isso não é suficiente para aparecer entre Mao e Deng nos cartazes que celebram os feitos das várias gerações de poder na República Popular da China. Perdeu na luta pelo poder com Deng, mas manteve-se sempre fiel ao Partido. Por isso, ontem a agência xinhua descrevia-o, citando fonte oficial, como “um membro do PCC extraordinário, com uma lealdade testada ao Partido e um combatente Comunista e revolucionário proletário que ocupou cargos importantes no PCC e no governo”. Um líder breve com vida longa e de outros tempos.
Sunday, August 17, 2008
Parabéns

O Jornal Ou Mun, designado em inglês Macau Daily News e em cantonense Ou Mun Iat Pou (Ao Men Ribao, em mandarim) completa 50 anos. Sendo de longe o jornal em língua chinesa mais lido e a publicação claramente mais influente no território, é uma fonte fundamental para entender uma certa forma de olhar para Macau ao longo das últimas cinco décadas, uma vez que está ligado desde a sua fundação às posições de Pequim.
Wednesday, August 13, 2008
Bottom-Up
Saturday, August 09, 2008
Novas e Velhas Esquerdas
José Carlos Matias
我们仍然在仰望星空
Women rengran zai yangwang xingkong*
À primeira vista, o debate ideológico na República Popular da China está moribundo. O Partido Comunista Chinês (PCC) “desincentiva” a expressão pública de vozes dissonantes que atacam ferozmente a linha oficial e imprime o ritmo de manufactura da semântica que mantém viva a perspectiva da construção do “socialismo com características chinesas”. Não deixando de ser assim, ao longo dos últimos 18 anos têm sido publicados artigos e livros na China que destoam da retórica oficial e que colocam em causa a forma como “a economia de mercado socialista” está a ser construída.
As vozes que têm mais eco no exterior são as que defendem posições liberalizadoras quer politica quer economicamente: os “desvios de direita”, na linguagem clássica Maoísta.
Do outro lado do espectro, encontramos intelectuais que apontam o dedo à via capitalista seguida pelo governo central por esta estar a contribuir para a desintegração das redes sociais e a desvirtuar a natureza do estado socialista fundado em 1949. Neste campo, destacam-se duas linhas “esquerdistas”: os Neo-Maoístas e a “Nova Esquerda”. Os primeiros perderam muito do fulgor que os caracterizou na década de 1990, ao passo que os segundos têm emergido como um movimento com alguma influência junto do governo central e da liderança do PCC.
O revivalismo Maoísta
Após a repressão violenta sobre os estudantes na Praça de Tiananmen, foi lançada uma esmagadora “caça às bruxas” junto dos sectores próximos das posições dos ex-secretários gerais do PCC Hu Yaobang e Zhao Zhiyang. Nesse período, no início dos anos 1990, os denominados movimentos Neo-Maoístas ganharam espaço em jornais e revistas e conseguiram mesmo colocar algumas figuras na chefia de ministérios. Este grupo advoga um regresso à fase anterior ao Grande Salto em Frente e à Revolução Cultural. No início dos anos 1990 lançaram campanhas ao estilo Maoísta contra o aburguesamento de sectores do Partido e contra as reformas económicas.
Estas forças continuaram a ter algum espaço em boa medida porque eram patrocinadas por figuras da Velha Guarda como Deng Liqun. O fantasma do colapso da União Soviética foi avivado durante os anos 1990. Nos seus artigos, os autores culpavam a abertura económica pela corrupção, desemprego, despedimentos de empresas estatais entretanto privatizadas e desigualdades sociais. Uma das principais publicações deste movimento, a “Contemporany Ideological Trends” resumia a posição Neo-Maoístas de forma clara: “No passado os colonialistas ocidentais usaram o ópio para nos envenenar, agora a burguesia tenta usar os seus valores para nos transformar”. O espaço para a “extrema-esquerda” diminuiu consideravelmente fruto de acção directa do próprio Deng Xiaoping, primeiro, e de Jiang Zemin, mais tarde. Durante a primeira década do Século XXI ganhou força outra sensibilidade, também à esquerda da linha oficial do PCC, mas com características diferentes.
Uma “Nova Esquerda” com características chinesas
A “Nova Esquerda” chinesa tem vindo a ganhar peso quer junto de professores e estudantes, quer de dirigentes do Governo. O termo “nova” pode enganar e levar a uma analogia com a “Nova Esquerda” europeia filha do Maio de 1968. No caso da China serve para distinguir este grupo de intelectuais da “Velha Esquerda” chinesa de raiz maoísta. Ao contrário destes últimos que se cingem ao marxismo leninismo clássico e ao Maoísmo, as referências da Nova Esquerda abrangem as obras de Immanuel Walerstein e Ferdinand Braudel ou movimentos como a Escola Crítica de Frankfurt e os Estudos Culturais.
O aspecto central das suas teses diz respeito à formulação de uma alternativa chinesa à globalização neoliberal. A “Nova Esquerda” critica ferozmente a forma como a abertura económica foi conduzida, levando a um agravamento das desigualdades sociais e ao alastrar da corrupção. Ao longo dos anos, muitos dirigentes políticos locais usaram arbitrariamente os seus poderes paras e tornarem empresários de sucesso à custa de expropriações ilegais de terras de uso colectivo de comunidades rurais para as entregar de bandeja a empresas do imobiliário. Na verdade, argumenta Wang Hui, o resultado tem sido uma aliança da elite política local corrupta com os interesses económicos e comerciais. Algo seguramente pouco socialista. Contudo, Wang aplaude a primeira fase das reformas económicas lançadas por Deng, entre 1979 e 1985. O problema surgiu, diz, quando começaram a ser destruídas as redes sociais.
A influência em Zhongnanhai
Apesar de todas estas críticas ferozes ao processo de desenvolvimento chinês, os textos da Nova Esquerda chinesa continuaram a ser publicados e a ser promovidos, especialmente através da Revista Dushu, dirigida até há um ano por Wang Hui. Além disso, as posições de Wang Hui, Cui Zhiyuan, Wang Shandong e Zhang Xudong começaram a ter eco nos círculos próximos de Hu Jintao e Wen Jiabao. Numa entrevista ao New York Times, Wang Hui esclarece a sua posição face ao estado e ao Partido: “O PCC ainda é a principal força transformadora da sociedade”. Quanto às políticas do Governo Central algumas apoiam outros não. “Depende do conteúdo das políticas”. Em 2006, Wen Jiabao proclamava a construção do “Novo Campo Socialista”, dirigindo-se às zonas rurais, como uma tarefa histórica crucial para o PCC. No mesmo discurso, o primeiro-ministro salientava a necessidade de encontrar equilíbrio entre crescimento económico e protecção do ambiente.
A declaração de Wen agradou à Nova Esquerda. Outras políticas sociais anunciadas em 2007 e 2008 contribuíram para que alguns analistas considerassem que este grupo esquerdista estava a ganhar cada vez mais peso junto do poder. O facto de Wen Tiejun, considerado próximo da Nova Esquerda, ter estado em sessões de “brainstorming” com Hu Jintao e Wen Jiabao reforçou essa percepção.
O facto de este grupo se opor a uma democratização de tipo ocidental ajuda a explicar o grau de tolerância manifestado pelas autoridades. A Nova Esquerda defende uma democracia socialista com características chinesas, uma expressão vulgarmente usada pela doutrina oficial. Por exemplo, Kang Xiaoguang, professor na Universidade Renmim de Pequim argumenta que a China precisa de construir um estado cooperativo – “Hezuo zhuyi guojia” - para lidar com problemas relacionados com a corrupção e desigualdades de rendimentos e na distribuição de riqueza. Kang defende um sistema organizado em sectores funcionais da sociedade, que pudesse negar à burguesia a posição dominante e manter justiça social.
A atenção aos desvios esquerdistas
Não se deve contudo exagerar no peso que este grupo tem. Tudo depende de até onde vão as críticas e quais são os equilíbrios internos nas altas esferas do poder. Exemplo disso é o facto de em Julho de 2007 Wang Hui e Huang Ping terem sido afastados da direcção da revista Dushu. A justificação dada pela Joint Publisher Co, editora estatal, não convenceu muitos intelectuais e leitores da revista. A editora argumentou que a Dushu estava a ter uma circulação reduzida, quando estava a atingir 100 mil de tiragem, o melhor desempenho em 28 anos de história da publicação. Outra razão dada disse respeito à linguagem da Revista ser demasiado específica. Apesar de aparentemente ser mais “à esquerda” do que Deng ou Jiang, a liderança de Hu e Wen não terá esquecido o que disse Deng Xiaoping em 1993: “A China deve estar vigilante contra os desvios de direita, mas deve sobretudo ser cuidadosa face aos da esquerda”.
*Título do livro da economista He Qingliang, em que a autora critica severamente o modelo de desenvolvimento económico e social da China e o princípio enunciado por Jiang Zemin dos “Três Representantes”. A tradução do título do livro é algo parecido com “Nós ainda estamos a olhar para o céu estrelado”. O livro foi lançado em 2001 e prontamente proibido na República Popular da China.
Friday, August 08, 2008
Breves notas em dia O

1.Não há dúvida. Carlos Monjardino é Sínico com C maiúsculo. Basta estar em Macau há algum tempo e ler este excerto de uma entrevista que deu ao Diário Económico para chegar a essa e a outras conclusões.
2. Em Pequim estão 80 chefes de estado e de governo. O presidente de Portugal Aníbal Cavaco Silva invocou razões de agenda para não comparecer. Os restantes países lusófonos fazem-se representar quase todos ao mais alto nível, com a presença dos presidentes do Brasil, Timor-Leste, Moçambique e Angola.
Passe o dramatismo, João Severino bem escreve :
"É inacreditável como os mais altos responsáveis de um país que esteve intimamente ligado durante séculos a outro país, (através da presença em Macau) possam ofender e magoar de tal forma tão significativa a "face" dos governantes chineses, renegando a uma presença simbólica numa cerimónia de abertura. Com uma agravante vergonhosa: a justificação de que não poderiam estar presentes por uma questão de "agenda". Deverá ser a "agenda" de um banho na praia de manhã, uma sardinhada ao almoço, um mergulho na piscina à tarde e uma mariscada ao jantar."
3. 我與奧運的! Que sejam os Jogos da vida deles (atletas). Sitius, altius, fortius!
4. Ao longo dos Jogos Olímpicos, o Sínico estará em câmara lenta.
5. A cerimónia está a ser ...
Tuesday, August 05, 2008
Kishore Mahbubani
Leituras Pós-Dominicais e Pré-Olímpicas

Foto: Andre Kosters
"Time to stop criticising China - we've already come so far", Lijia Zhang no The Observer.
The power of sports: how will the Olympics change Beijing?", Sean Ding no CEG.
"China ready to put best foot forward for Games" China Daily, via CEG.
"For Games, China playing to the gallery", Evan Osnos.
"Beijing revives Mao's “People's Warfare” to ensure trouble free Olympics", Willy Lam.
Friday, August 01, 2008
Cartazes de Propaganda na China II

Celebrar com grande alegria e entusiasmo a publicação da Constituição da República Popular da China.
Pintado por Yu Yunjie. Publicado em 1954
Retirado de "Chinese Propaganda Posters: From the Collection of Michael Wolf", p.85
Wednesday, July 30, 2008
Broken Promise!
"China to censor Web at Olympics", IHT.
Ver também "Descobre-se a pólvora... e vende-se papel ", Maria João Belchior no China em Reportagem.
Monday, July 28, 2008
Leituras Dominicais

"China’s Rumble With Globalization – Part I", Xu Sitao na Yale Global
"China’s Rumble With Globalization – Part II", Jonathan Fenby na
"The power of sports: how will the Olympics change Beijing?", Sean Ding
Sunday, July 27, 2008
De Pequim a Nova Deli: para além da Chíndia
José Carlos Matias
É um lugar-comum enunciar que este vai ser o século da Ásia, num processo liderado pela China e pela Índia. Os dois “gigantes asiáticos”, como se lê amiúde, preparam-se para representar, em meados deste século, metade da riqueza produzida no mundo, dizem os especialistas. Alguns, como o economista e político indiano Jairam Ramesh, falam mesmo no conceito de Chíndia, um mercado bi-nacional que se complementa, juntando a “fábrica” (hardware) ao “escritório” (software). Enquanto slogan, o conceito agrada, mas a realidade mostra à saciedade factores que indiciam potencialidades de competição e divergência de interesses.
Ler artigo na íntegra no Sínico Esclarecido.
Friday, July 25, 2008
Cartazes da propaganda na China I

Prestar atenção à higiene, intensificar o treino desportivo, melhorar a saúde pública.
Nos cartazes da imagem está escrito: É importante associar o desporto e a higiene. Erradicar as quatro pragas (mosquitos, moscas, ratazanas e pulgas) e cuidar da higiene. Plano de Desporto e higiene.
Departamento Popular de propaganda da Higiene de Xangai.
Retirado de "Chinese Propaganda Posters: From the Collection of Michael Wolf", p. 102
Tuesday, July 22, 2008
Guangdong: os avisos de Wen
As declarações de Wen jiabao surgem depois de dados indicarem um abrandamento no ritmo de crescimento da província de Guangdong, que lidera há 30 anos as reformas económicas na China.
"Premier Wen Jiabao has called on Guangdong to speed up economic restructuring and deepen reforms to turn the province into a world-class manufacturing base and a regional centre for modern services.
Mr Wen also acknowledged that the nation's economic development faced many problems and contradictions and called on cadres to keep control of prices and ensure stable economic development" (...) "Mr Wen suggested the province should enhance its international competitive edge, create a fair business environment, have an innovative mind and enhance its co-operation with Hong Kong and Macau"
"Wen urges Guangdong to restructure, deepen reforms" SCMP, 21-07-2008.
Sunday, July 20, 2008
Tuesday, July 15, 2008
Zakaria e o Mundo Pós-Americano
Leituras Pós-Pós-Dominicais

" From Guangdong’s 'liberation of thought' to China’s political reform", Cai Dingjian.
Um texto (traduzido e disponibilizado pelo excelente China Elections and Governance) de um ex membro da Assembleia Popular Nacional. Extenso, completo e ilustrativo sobre o pensam alguns sectores pró-democractização dentro da República Popular da China.
"Examining the Weng’an riot: Does autocracy work?", Sean Din, também no CEG.
"Tilting at China's red windmills", Wu Zhong no Asia Times.
Sunday, July 13, 2008
Sugestão

O olhar de Arnaldo Gonçalves sobre aspectos jurídicos, políticos e económicos de Macau, Hong Kong, China e União Europeia. Um livro que reflecte o carácter múltiplo do intelectual e do homem. Vale a pena!
Saturday, July 12, 2008
Ameaça: reputação, percepções e distorções
José Carlos Matias
Quem circula por certas livrarias e vê nos escaparates títulos como “O grande bluff chinês”, “The Comming Conflict with China” ou “China Embraces Classical Fascism” pode ser levado a pensar que o “Perigo Amarelo” ameaça a paz mundial e que tempos belicosos se aproximam num horizonte negro. Alguns destes títulos têm apenas como objectivo encher o bolso dos autores e editoras; outros são claramente motivados por estratégias de quem procura incessantemente “the next big threat”. Outros ainda poderão, quiçá, ser escritos pela simples razão de ser essa a perspectiva do autor. Em qualquer um destes casos, os dados disponíveis não apoiam as visões exageradas da Tese da China enquanto Ameaça. Mas afinal por que é que essas narrativas vão fazendo o seu caminho? E por que é que a China é tão sensível face àquilo que se designa da “China Threat Theory”?
Continuar a ler no Sínico Esclarecido.
Wednesday, July 09, 2008
Economia socialista de mercado - a perspectiva de Cui Zhiyuan
O blogue Ladrões de Bicicletas (um dos meus favoritos) faz uma alusão às posições tomadas e análises de Cui Zhiyuan a propósito do cariz socialista da economia de mercado chinesa ser a chave para a História de sucesso inédita do desenvolvimento económico e social dos últimos 30 anos na República Popular da China, desde o lançamento do processo de reformas e abertura (gaige kaifang) pela mão de Deng Xiaoping. Cui Zhiyuan, graduado com Doutoramento pela Universidade de Chicago (é tudo menos um "Chicago Boy") ex Professor no MIT e actual professor na Universidade de Tsinghua, é uma das mais importantes vozes da chamada "nova esquerda" da China (na terminologia de Merle Goldman), também designada por alguns autores como Andrew J. Nathan por corrente neo-conservadora. Não confundir esta "nova esquerda" com a Europeia e claro que a expressão neoconseravdora nada tem a ver com aqueles pavões em Washington que defendem a imposição do modelo demo-liberal à bomba.
Cui, a par de Wang Hui, Pan Wei e Kang Xiaoguang, faz parte de um grupo de intelectuais crítticos do governo central, que são tolerados pelo sistema. Na mira deste grupo estão aspectos como a corrupção, a abertura abrupta à economia de mercado e a fragilidade das políticas sociais.
Cui defende que a China não deve copiar nem seguir modelos institucionais do Ocidente; deve sim adoptar fórmulas próprias segundo a sua experiência. De algum modo, Cui promove uma espécie de excepcionalismo chinês. Cui rejeita quer o modelo económico capitalista europeu ou norte-americano quer os sistemas políticos demo-liberais. Não sendo um "Neo Maoísta", de facto, ele aprova algumas experiências do Maoísmo como as empresas comunais de aldeia. Em traços gerais, defende que o sistema económico da China deve ter por base a empresa pública e colectiva e não a privada. Recusando a transfusão de modelos institucionais do Ocidente para a China, Cui bebe muito das suas posições no Marxismo analítico, na nova teorias evolucionária de Stephen J Gould e no próprio New Deal de Roosevelt. Politicamente aprova as eleições para os comités de aldeia, mas mantém que a melhor via para a China continua a ser a “ditadura democrática”.
Monday, July 07, 2008
Leituras Dominicais

"China’s leaders and the internet", Li Datong no Open Democracy.
"China's new freedom fighters", Lijia Zhang no The Guardian.
" Will Huang Jin'gao become China's Dreyfus", Peter Ross e Yawei Yu no China elections and Governance.
" Cross-Straits journeys are not just about trade", Xinhua.
Sunday, July 06, 2008
Vídeo Dominical: Patriotismo em Hong kong 11 anos depois do handover
Saturday, July 05, 2008
A ascenção das Grandes Potências
Neste excerto sugiro que prestem atenção especial aos 46s, aos 4m50s aos 6m07s
Friday, July 04, 2008
Para a história
Wednesday, July 02, 2008
Os intelectuais e a verdade: o caso de Hu Xingdou.

Desde o início dos anos 1990 que o Partido Comunista Chinês tem vindo a co-optar de uma forma sofisticada e eficaz uma boa parte da elite intelectual que poderia colocar em causa o monopólio do poder do Partido. Ao contrário do que aocnteceia nos anos 1980, nestas quase duas décadas que passaram sobre o Massacre de Tiananmen não tem havido um movimento de rebeldia significativa face à linha do governo central. Certamente que os enormes progressos económcios e sociais do país contribuíram para esta situação, mas a fraca voz dos dissidentes deve-se também a dois outros factores: os mecanismos de controlo do exercício da liberdade de expressão e um "acomodamento" ao sistema em resultado da significativa melhoria das condições de vida de muitos intelectuais.
O caso de Hu Xingdou - e de outros- é diferente. Professor no Beijing Technology Institute é uma voz dissonante que é tolerada pelo sistema. Num artigo publicado no United Morning Post de Singapura faz um apelo aos intelectuais:
“In the 80s of last century, Chinese intellectuals paid much attention to politics. They went through all kinds of hardships during the “Great Cultural Revolution” period, so they had the desire to speak out. After 90s, most of intellectuals got their vested interests. In order to protect their benefits, most of them chose to tell lies or keep silent, never to say supervising the power or criticizing. At present, more intellectuals are indifferent to the society. They only care about their daily life".
“There are still a few conscientious intellectuals in the society, they are continuously shouting in support with the disadvantaged group, making suggestion and offering advice for the nation. The cruces of China’s further development are to look for the problems, to face squarely to the problems, and to solve the problems according with our national conditions. That we probe into these problems is not to cavil or nit-pick, not ill-intentioned to expose the darkness, not to direct to our government, never to say creating disturbances. We just want to be loyal critics of social problems during the modernization process of our nation. Because only in this way, my true love on my great nation could be reflected; only in this way, the great exploit of modernization could be helped; only in this way, China could be urged onto a healthier way of development".
Hu Xingdou : Chinese Intellectuals Should Tell Truth for The Whole Nation
Monday, June 30, 2008
Leituras Pós-Dominicais
"Xi Jinping and the Party Apparatus", Alice Miller no CLM.
"Universal values in China: a domestic debate", Sean Ding e Jingjing Wu no CEG.
Sunday, June 29, 2008
O urso abraça o dragão?
Texto Publicado no jornal Hoje Macau em 26-06-2008.
Há cerca de um mês o novo presidente da Rússia, Dimitri Medveded, escolheu a China como local da sua primeira visita oficial fora do espaço da antiga União Soviética, após ter estado no Cazaquistão. O sinal diplomático estava dado... Ler o texto na íntergra no Sínico Esclarecido.
Saturday, June 28, 2008
Thursday, June 26, 2008
A ofensiva de Xi no Médio Oriente

É importante prestar atenção ao desempenho do vice-presidente Xi Jinping - benjamim da Quinta Geração, apontado como o mais provável sucessor de Hu Jintao em 2012.
"Five-nation tour by Chinese vice president to strongly promote ties", Xinhua.
Sunday, June 22, 2008
Leituras Dominicais

"Hu Leadership's Third Wave of "Thought Liberation" Sidetracked", Willy Lam no China Brief da Jamestown Foundation.
" Can cross-Strait relations defy realism? ", Sean Ding no CEG.
"China has an 'old friend' in Medvedev", Yu Bin no Asia Times.
Thursday, June 05, 2008
Wednesday, June 04, 2008
Tuesday, June 03, 2008
Entrevista China-União Europeia
Monday, June 02, 2008
Leituras Pós-Dominicais

Medvedev reaches out to China, M K Bhadrakumar no Asia Times.
" Why China doesn't break ", John Lee no CEG.
"Os Tremores e a ética popperiana"/"Numerologia popular", Ana Cristina Alves no Hoje Macau
Saturday, May 31, 2008
Ajudar Sichuan

Em Portugal, a Câmara de Comércio e Industria Luso-Chinesa, a Fundação Jorge Alvares, o ICODEPO (Instituto para a Cooperação e Desenvolvimento Portugal-Oriente), a Liga dos Chineses em Portugal, Liga Multissecular de Amizade Portugal-China, o Observatório da China, e a UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa) dinamizam a recolha de fundos para ajudar as vítimas do sismo e a reconstrução das zonas afectadas:
Conta na CGD: NIB nº 0035067500045164930 40.
A (in)sustentável leveza do poder
José Carlos Matias. Texto Publicado no jornal Hoje Macau em 29-05-2008
"Neste jogo de balança de poderes – no sentido realista - e também de re-equilíbrio das percepções – numa perspectiva construtivista – a ofensiva de charme de Pequim enfrenta sérios desafios e limitações."
(ler artigo completo aqui)
Wednesday, May 28, 2008
Histórico

Foto AP
The head of Taiwan's ruling party has met Chinese President Hu Jintao in the highest-level encounter since the two sides split in 1949.
Tudo está a acontecer num ápice. O ambiente entre os dois lados do estreito é cada vez mais caloroso. Hu Jintao já começou a desvendar por onde pode começar a boa-vontade de Pequim: assim que as consultas entre os dois lados recomecem, Pequim admite rever a posição da RPC face à possibilidade de Taiwan particpar nos encontros da Organização Mundial de Saúde, como observador. A Primavera chegou ao estreito (ao que tudo indica para ficar).
"After the two sides resume consultations, (we) can discuss the issue of (Taiwan's) participation in international activities ... including giving priority to discussing the issue of attending WHO activities," Hu said.
Monday, May 26, 2008
O sismo de Sichuan e a transparência (Leituras Pós-Dominicais)
"The openness surrounding this huge tragedy has united the country in giving and sharing, but also in expecting a new level of accountability. Continued openness will enable Beijing to meet that expectation".
Heather Saul em "China's seismic shift toward transparency " , CEG
"Whatever the reason for this revolutionary access to information, it is important to note how enthusiastic the Chinese media and the Chinese people have become in regards to open media reporting".
Jorge Almeida Fernandes no Público, 25-05-2008:
"A 'humilhação olímpica' enfraqueceu a autoridade de Hu, disseram na altura os analistas. A sua resposta à tragédia de Sichuan restaura a sua posição. Se na China não há uma grande pressão pró-democrática, há uma crescente exigência d eliberdade de crítica: a 'transparência'".
Li Datong,"China's soft-power failure", Open Democracy
"The Chinese government needs to understand that in response to the western media, an independent and free Chinese press would be much more credible than a government spokesperson. The truth lies not in one voice, but slowly becomes apparent amidst a diverse range of voices. An understanding of this underlies the effective deployment of soft power"
Jane Macartney, "A seismic shift in China’s relations with West?" no The Times
"In an unprecedented departure for this tightly screened leadership, he invited a small group of foreign journalists – including just a single newspaper correspondent, from The Times – to join him (...) Mr Wen’s embrace of a style of leadership more commonly associated with politicians in democratic countries, worried about their election prospects, is unlikely to be the action of an individual. Chinese leaders do not make such radical shifts from usual practice without a great deal of thought and a meeting of at least some members of the nine-man Politburo Standing Committee that rules China."
Saturday, May 24, 2008
Textos
"China e Japão: Rumo a um novo equilíbrio" - 15/05/2008
"Nacionalismo com características chinesas" - 02/05/2008
"O vigor e os Desafios de Wang Yang" - 17/04/2008
"De Wu para Liu: Em busca da outra metade do céu" - 03/04/2008
"Um novo ciclo em Taipé"- 20/03/2008
"Da Reforma e da Transição"- 06/03/2008
"Além da Cimeira: Um olhar sobre as relações entre a China e a União Europeia"-30/11/2007
"O Congresso e a Diwudai"-25/04/2007
"Legitimidade e legitimação na China pós-Maoísta" - 04/09/2006
Friday, May 23, 2008
Ligações

Com os Olhos na China:
O Blogue "Crónicas do Catai" de Jorge Tavares Silva
O "Observatorio de Politica China"
Um olhar sobre os Riscos e o Futuro:
O blogue Futuro Comprometido, de José Sousa
Thursday, May 22, 2008
Ler as transformações políticas na China
Conferência
Monday, May 19, 2008
Luto
Leituras Pós-Dominicais
"Hu’s visit to Japan: new benchmark in Sino-Japan relations", Jens Kolhammar, no CEG.
"Child Labor Ring Exposed in Guangdong", Russel Hsiao, China Brief (Jamestown Foundation)
Saturday, May 17, 2008
China e Japão: Rumo a um novo equilíbrio
José Carlos Matias
“O renascimento da Ásia não pode acontecer sem a cooperação entre a China e o Japão”
Hu Jintao, durante a visita ao Japão, em 8 de Abril de 2008
No Outono da sua vida, o imperador unificador da China, Qin Shi Huang, terá enviado uma delegação ao Monte Penglai, numa ilha imaginária localizada a leste do Mar de Bohai. A missão era encontrar o “elixir da imortalidade”. As centenas de homens e mulheres acabaram por nunca voltar. Terão acabado por ficar numa ilha no arquipélago do Japão. Menos ambicioso, Hu Jintao esteve este mês no Japão apenas à procura de uma “Primavera Quente”. A visita ficou marcada pelos golpes de charme da diplomacia de Pequim. Começou com a entrega (empréstimo) de um par de pandas ao Jardim Zoológico de Tóquio, em substituição de um velho panda (o único) mui querido pelos japoneses que faleceu, e terminou com uma visita em Nara, antiga capital nipónica, onde esteve em Toshodaiji, no templo “construído” pelo monge chinês Ganjin, que viajou para o Japão a convite das autoridades japonesas, no século VIII. Pelo meio, foi emitida uma declaração conjunta em que as duas partes se comprometeram a tecer uma parceria estratégica de benefício mútuo para o século XXI. Os dois líderes – o Presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda – concordaram em dar início a um novo quadro de diálogo institucional com cimeiras de chefes de estado e governo anuais, conversações sobre questões comerciais e económicas e aumento do intercâmbio de jovens. À primeira vista, a visita de Hu foi um sucesso inegável. Mas na realidade há um caminho longo a percorrer. A intenção proclamada em epígrafe encaixa na perfeição num mundo em que reine a Paz e o Desenvolvimento (utilizando a linguagem Denguista), mas nas relações internacionais as equações do interesse nacional e do dilema securitário são constantes.
Da “amizade” à percepção de ameaça
A visita de Hu Jintao revestiu-se de uma carga simbólica a vários níveis. Não só foi a primeira de um chefe de estado chinês ao Japão em dez anos – depois de Jiang Zemin em 1998 - como surgiu numa altura em que as duas partes comemoram os 30 anos sobre a assinatura do Tratado de Paz e Amizade. Ao longo dos anos 1980, as relações foram marcadas por um registo cordial em que as duas partes evitaram fazer referências ao passado – ou seja à ocupação japonesa. Nessa altura em Tóquio vigorava uma geração de líderes que defendia uma abordagem “amigável” com o vizinho. A repressão violenta sobre os estudantes na Praça de Tiananmen despoletou uma nova fase. O Japão criticou duramente a liderança chinesa, ao passo que em Pequim, à falta da raison d’être da construção da sociedade socialista, as garras do nacionalismo chinês cresceram tendo como alvo país vizinho, sobre o qual paira a memória colectiva da invasão e de atrocidades como o Massacre de Nanjing. A retórica da China humilhada foi reforçada num sistema educativo cada vez mais “patriótico”. Do outro lado – numa cadência acção-reacção – altas figuras do estado japonês, como o ex primeiro-ministro Junichiro Koizumi, visitavam o Templo de Yasukuni para prestar homenagem a soldados do exército imperial autores de crimes de guerra.
Em 2006, Shinzo Abe quebrou o gelo com uma visita oficial – a primeira depois de ser empossado primeiro-ministro japonês – a Pequim. No ano passado, Wen Jaibao retribuiu com uma deslocação à capital nipónica.
Japão: entre “civilistas e normalistas”
Como pano de fundo para o relacionamento do Japão com a China está a própria identidade do estado-nação nipónico. Que caminho seguir? Continuar a ser uma nação sobretudo civilista ou rumar rapidamente ao uma “normalização” militar colocando um ponto final à natureza pacifista da constituição pós-II Guerra.
A primeira tendência acredita que o país deve continuar a ter uma natureza de poder civil, ou seja, uma potência económica capaz de ter maior participação nas missões de paz da ONU e na promoção dos direitos humanos, mas nunca de uma forma agressiva. Nesse sentido, um relacionamento amigável com Pequim é positivo na medida em que com a interdependência económica pode advir uma abertura do regime chinês.
Os “normalistas” argumentam que não faz sentido que o Japão seja uma excepção na “anarquia” do sistema internacional, necessitando por isso de se equipar e modernizar militarmente. Ou seja, o Japão deve ser um país “normal” com uma estratégia cimentada numa aliança militar com os EUA, mas com capacidade de defesa autónoma – ser na Ásia Oriental o que o Reino Unido é para Washington na Europa. A China será, nesse sentido, um competidor estratégico do EUA, e uma ameaça ao Japão. Por isso será um país a “conter”. A China, por seu lado, olha para a presença militar norte-americana no Japão de uma forma ambígua: por um lado constitui parte do “encirclement” dos EUA à China; por outro tem prevenido o Japão de ter necessidade de ressurgir como potência militar na região.
Virtudes e limites da inter-dependência
Na economia, os dois vizinhos estão cada vez mais inter-dependentes. Em 2007, a China, incluindo Hong Kong, tornou-se no principal parceiro comercial do Japão, ultrapassando os Estados Unidos; no mesmo ano, o Investimento Directo externo (IDE) japonês acumulado na RPC ascendeu a 60 mil milhões de dólares. Em Tóquio é cada vez mais evidente que a dinâmica japonesa depende do crescimento económico da China. Em declarações à agência Reuters, Koichi Nakano, professor na Tokyo Sophia University, reconhece que “o Japão olha para a China como um parceiro económico muito importante, mas ao mesmo tempo encara com inquietude a possibilidade da RPC destronar o país como a maior potência económica na região”.
Uma questão que tem ocupado a mente de vários analistas é a razão pela qual a interacção económica entre os dois países não tem contribuído para um terreno mais firme ao nível das relações sociais, intelectuais e de segurança comum. Michael Yahuda argumenta que não há confiança nem empatia entre as sociedades civis dos dois lados para dar seguimento à realidade de duas economias que têm beneficiado bastante com a inter-dependência. Isso acontece porque, ocasionalmente, líderes e “fazedores de opiniões” dos dois lados sucumbem facilmente a discursos que envenenam um relacionamento que em concreto tem registado economicamente grandes avanços.
Onde está o elixir?
A cimeira da “Primavera Quente” e as visitas de Shinzo Abe e Wen Jiabao têm mostrado um lado conciliador das lideranças dos dois lados, mas como refere Huang Dahui, especialista em assuntos nipónico da universidade de Remin em Pequim, “as relações oficias estão calorosas, mas na verdade, o maior obstáculo são as populações dos dois países que se olham com desconfiança mútua”. Os problemas históricos e estruturais persistem: a soberania sobre as ilhas Diaoyu, os laços de Tóquio com Taipé, o legado histórico da ocupação japonesa, as disputas sobre a zona económicas exclusivas ou a ambição do Japão de fazer parte como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Mas o que condiciona a resolução negociada destes interesses contraditórios é a percepção estereotipada e a desconfiança. Nesta visita, Hu e Fukuda abriram uma porta que pode vir a revelar-se fundamental para evitar um retrocesso: o início de uma nova era de cimeiras anuais e novos mecanismos de diálogo de alto nível. Essa poderá ser a via rumo a um novo equilíbrio. Não será, no entanto, um elixir da imortalidade (Paz Perpétua).
Friday, May 16, 2008
Parabéns

Uma publicação de referência em Macau. Paulo (Azevedo) valeu (vale, valerá) a pena arriscar!
Wednesday, May 14, 2008
China-União Europeia
José Carlos Matias dos Santos
Imagens, resumo e o texto (paper conference) da Aula aberta no Instituto Português do Oriente, no dia 8 de Maio de 2008.
P.S. Agradeço mais uma vez ao IPOR pelo convite e pelo apoio prestado (nomeadamente a Helena Rodrigues e a Diana Soeiro). A experiência foi muito interessante sobretudo por causa da atitude dos alunos, chineses com um nível avançado de estudo do Português. As questões dos estudantes incidiram sobre a repressão de Tiananmen de 1989 e o impacto da questão do Tibete nas relações entre Bruxelas e Pequim - perguntas directas sobre assuntos considerados “delicados”.
Tuesday, May 13, 2008
Monday, May 12, 2008
Inflação na China

"I am the type of person who fully recognizes suffering; I fear that this year will be the most difficult for the Chinese economy." Wen Jiabao
"China warns about inflation with price rises at near 12-year highs", AFP
Leituras Pós-Dominicais

"The Long Term Risks of China's Inflation Problem", Pieter Bottelier no China Brief (Jamestown Foundation)
"China’s Nationalism, and How Not to Deal with It", China Digital Times.
" Lack of public oversight, wealth inequality: worrisome signs in 2008", Zhong Peizhang no China elections and Governance











