Sunday, February 08, 2009

Há 30 anos...

A República Portuguesa e a República Popular da China estabeleciam relações diplomáticas oficiais. Foi esse o prelúdio para o desenlace da questão de Macau. Os primeiros 20 anos das relações estiveram centrados na transição de administração de Macau; na última década o relacionamento sino-português procurou encaixar-se numa nova realidade. Pela forma como decorreram as negociações sobre Macau e pela forma de estar de Pequim e Lisboa na política externa as relações políticas são bastante positivas. A parceria estratégica firmada em Lisboa aquando da visita de Wen Jiabao, em Dezembro de 2005 procurava abrir a porta a uma nova dinâmica, cuja substância ficou por definir, além dos objectivos de expandir as trocas comerciais, o que tem estado a acontecer. Mas isso não deixa de ser pouco. Ao nível económico falta o resto: investimento cruzado, cooperação e algo de mais substancial em termos de intercâmbio cultural e académico. No futuro, ir-se-á fazer a História desta primeira década pós RAEM. Entretanto, vale a pena ouvir e ler quem tem olhado com atenção para esta relação bilateral:

1. Os 30 anos das relações diplomáticas entre Portugal e a China

11 de Fevereiro, 4.ª feira, às 18h30, no Centro Científico e Cultural de Macau, na Rua da Junqueira, n.º 30, em Lisboa.

- Embaixador João de Deus Ramos

- Prof. Doutor Moisés Silva Fernandes


2. Noutras iniciativas sobre a China e Macau, também em Lisboa, o Observatório da China organzia

2.1 - Ciclo de Conferências: Macau e China

10 de Fevereiro, 18h30

BMRR-Espaço Cidade Universitária

“Pesquisa de resistência duradoura à ferrugem alaranjada do cafeeiro na China”, por Vítor Várzea (Sub.Director e investigador do Centro de Investigação de Ferrugens do Cafeeiro, do Instituto de Investigação Científica e Tropical);
- “A China e a Lusofonia: O Papel do Fórum Macau”, por Rui Pereira (Téc.Sup. do Ministério da Economia e da Inovação)


2.2 De 12 a 14 de Fevereiro o IV Fórum Internacional de Sinologia continua, agora no Porto, na universidade Portucalense., um evento organizado pelo Instituto Portuguuês de Sinologia, Aqui está o programa completo.


Friday, February 06, 2009

Já Começou

O IV Fórum Internacional de Sinologia - uma iniciativa do Instituto Português de Sinologia

Aqui está o programa completo.

Altamente aconselhável, como sempre!

Tuesday, February 03, 2009

Wen Jiabao na Europa - para além do sapato

O primeiro-ministro Wen Jiabao investiu bastante neste périplo europeu. A diplomacia chinesa escolheu a dedo o destino da "tour": Davos, Madrid, Bruxelas e Londres. A ausência de Paris, que tinha sido durante os anos de Chirac o pareiro de primeiro nível da China na Europa, é perfeitamente compreensível face ao "incidente" de Novembro e Dezembro, quando Sarkozy insistiu em encontrar-se com o Dalai Lama, o que levou Pequim a cancelar a Cimeira UE-China, marcada para Lyon. Na altura os dirigentes chineses garantiram que em causa estavam apenas as relações com a França e não com a UE. Esta visita e a forma calorosa e disponível como Wen Jiabao se comportou nos encontros com os dirigentes europeus vem confirmar essa declaração. Não deixa de ser importante, como salienta o sempre atento e informado Stanley Crossick nos e blogue, que Wen Jiabao tenha escolhido a semana do Ano Novo Lunar para visitar a Europa, com destaque para o tempo que passou no Reino Unido; os sinais estão à vista, como refere Crossick:

“This visit is intended to have a lot of symbolic value. I think the Spring Festival time was chosen for good reason.” explained Zhou Hong of the Chinese Academy of Social Sciences. “China wants to show it’s ready for a fresh start after the recent troubles, ready to expand communication and coordination, especially over the financial crisis.”Wen’s diplomats describe his seven-day visit to Europe as a “journey of confidence (...) The atmosphere at the meetings was excellent. Premier Wen was charming. The Chinese delegation was very constructive, determined that the issue of their cancellation of the November summit in Lyons is now behind the two parties and to move on. There was no aggression".

O que há de comum entre Chavez e a RAEM?

O presidente bolivariano Hugo Chavez deu um sinal de forte sintonia e, quiçá, solidariedade com a região Administrativa Especial de Macau, que passou despercebido a quase toda a gente. O homem só descansa quando acabar o segundo sistema!
Começou em 1999 e só quer parar em 2049.

"Hugo Chávez revelou que pretende governar até 2049, quando completa 50 anos na presidência, e que alongará os mandatos presidenciais de 6 para 10 anos, se ganhar o referendo de 15 de Fevereiro sobre a reeleição presidencial".

Thursday, January 29, 2009

Thomas Friedman

Na sempre interessante série de entrevistas "Talk Asia", a sempre radiante jornalista da CNN Anjali Rao entrevistou, numa tasca, entre o buliço magnetizante de Hong Kong, Thomas Friedman, colunista do New York Times e autor de livros como o famoso "The World is Flat". Eis um excerto:

Friday, January 23, 2009

4 anos de O Sínico

Photobucket

Obrigado aos que por cá têm passado

A todos, um Feliz e Próspero Ano Novo Lunar do Búfalo

Kung Hei Fat Choi

I wish you a Happy Lunar New Year of the Ox

快樂 恭喜發財

Neste quarto aniversário, selecciono alguns dos textos que fui publicando desde 23 de janeiro de 2005:


Emergêcia Pacífica II/ Emergência Pacífica III, 24 de Março de 2005

Em Macau nada Mao, 24 de Maio de 2005.

China e União Europeia I, 14 de Julho de 2005

Eleições: vencedores e derrotados, 27 de Setembro de 2005

Democracia, Socialismo e Pobreza, 24 de Outubro de 2005

Cimeira da OMC II, 14 de Dezembro de 2005

Da liberdade, da expressão e da mudança, 26 de Janeiro de 2006

Questões quinquenais: o mundo rural e as soluções à vista, 19 de Fevereiro de 2006

China-EUA: Desafio, Ameaça e Interdependência, 28 de Abril de 2006

“A Arte da Guerra” e “O Voo da Águia”, 27 de junho de 2006.
Golpes d'Ásia I *, 30 de Agosto de 2006.

Para além do Fórum: A China e os Países de Língua Portuguesa, 21 de Setembro de 2006.

Legitimidade e legitimação na China pós-Maoísta, 5 de Setembro de 2006

As facções e o Congresso do Partido em 2007, 30 de Dezembro de 2006

Sócrates na China e em Macau: breves notas, 5 de Fevereiro de 2007

CFA: A Praga sinófoba, 15 de fevereiro de 2007

O Congresso, nas Portas da Paz Celestial, 13 de Outubro de 2007.

Da Reforma e da Transição, 8 de Março de 2008

O vigor e os desafios de Wang Yang, 19 de Abril de 2008

Ameaça: reputação, percepções e distorções, 12 de Julho de 2008

Breves notas em dia O , 8 de Agosto de 2008

Devolver o "quan" ao povo, 11de Outubro de 2008

Xi por cá: mensagens para memória futura, 11 de Janeiro de 2009

Thursday, January 22, 2009

Cui Zhiyuan em Macau

Cui Zhiyuan

Hoje às 18h30 no auditório do Instituto Inter-Universitário de Macau, Cui Zhiyuan fala sobre "Whither Chimerica", numa conferência que certamente será interessante e importante.
A propósito, recordo aqui o que escrevi aqui sobre Cui e a "Nova Esquerda" na República Popular da China:

"Economia socialista de mercado - a perspectiva de Cui Zhiyuan"
"Novas e Velhas Esquerdas"

Tuesday, January 20, 2009

Obama e a China

No dia em que, no altar de Washington, Obama é empossado como presidente dos EUA - um momento pleno de simbolismo e emoção - vale a pena começara a olhar para qual será a abordagem da nova Administração face a Pequim. Por mais estranho que possa parecer, neste campo, o legado de Bush acaba por ser encarado por vários analistas como relativamente positivo, sobretudo se tivermos em conta o segundo mandato.
No início deste ano, a China tem estado a celebrar com pompa e circunstância os 30 anos das relações oficias bilaterais. As visitas e Jimmy Carter, que iniciou os laços entre Washington e Pequim, e de Henry Kissinger, ex secretário de estado que impulsionou a aproximação entre os dois lados no início dos anos 1970, foram alvo de grande atenção mediática. A mensagem que Pequim quis deixar bem clara à nova administração é: As relações estão provavelmente no nível mais elevado de sempre. Isto apesar dos vários obstáculos que ainda persistem.
Os sinais que existem indicam que vai haver uma continuidade. Os desafios são evidentes e é certo que esta será uma relação cada vez mais complexa. Será também, passe o lugar comum, (já o é) a relação bilateral mais importante deste século.

Para David Lampton, académico e especialista em relações sino-americanas,

"I think both leaderships, going back to Nixon and Mao and up to the current, have really realized that we have both conflicting and overlapping interests, and on balance, that we can get more from cooperation than from a breakdown into conflict,"


Zhu Feng tem uma perspectiva cautelosa, mas moderadamente optimista:

"The US will not rush to embrace China as an ally. The reason is simple. Obama's America will continue to guard against potential "challengers" like China. As long as China keeps growing, there is no hope that Beijing will lose the "competitor" label in Washington. Instead, America will continue hedging against a perceived Chinese threat by increasing its military presence in the Pacific, ramping up military alliances, and refusing to share any dual use nuclear technology. But from an economic and diplomatic viewpoint, overstating the competition between the US and China would only damage Obama's credentials at home and abroad. So both countries will be more inclined to cooperate".

Yuan Peng, Director do Institute of American Studies, do Institute of Contemporary International Relations, analisa o que está em causa no futuro próximo das relações sino-americanas. Yuan destaca os desafios:

"The top risk is Sino-U.S. trade and economic relations. Both countries face economic challenges. Obama will be busy bailing out the market, stimulating domestic employment and improving living standards. In the meantime, the Chinese Government will engage in solving problems like unemployment among recent college graduates and rural workers, revitalizing the economy, maintaining economic growth and increasing domestic demand. Concerns on both sides will inevitably jeopardize bilateral trade and limit the flexibility of their policies".