Tuesday, June 27, 2006

“A Arte da Guerra” e “O Voo da Águia”

"Dois exércitos estavam a travar uma batalha. O soldado de um dos exércitos chega a correr à beira do capitão e diz 'Vamos perder a batalha, pois para cada um de nós há cinco soldados deles'. O capitão ouviu e respondeu: 'Nós não viemos aqui para os contar, viemos aqui para os vencer."
Poderá ter sido isto que Luís Filipe Scolari disse aos jogadores portugueses no intervalo do jogo com a Holanda. É uma passagem do livro "O Voo da Águia" do escritor brasileiro João Roberto Gretz , o mais recente manual de "Felipão", um trunfo para motivar a selecção das quinas para este Mundial.
Se antes o "sargentão" se socorria dos ensinamentos de "A Arte da Guerra" do general chinês Sun Tzu, agora é Gertz que inspira o seleccionador que somou mais um recorde ao somar o 11º triunfo em fases finais do campeonto do mundo – sete ao serviço do Brasil em 2002, quatro (para já) com Portugal.
E aludindo à citação referida anteriormente, em Nuremberga, mais do que um jogo de futebol, o que aconteceu ao longo dos 96 minutos foi, nomeadamente na Segunda parte, uma batalha em que durante grande parte do desafio o adversário tinha mais "soldados" em campo.
Apesar da ascendência de Gretz sobre Scolari, o treinador Campeão do mundo não esqueceu os ensinamentos de Sun Tzu. Se não vejamos. O mítico e milenar militar chinês não só defendia que " A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque", como, na avaliação dos factores que permitem que se possa prever que sairá vencedor de uma batalha, referia, entre outros aspectos, que é crucial verificar quem é "aquele que sabe quando deve ou não lutar" ; "aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo"; "aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas"; e "aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere". Em todos estes aspectos o "sargentão" e as tropas lusitanas estiveram impecáveis, mas convenhamos que a sorte, a água benta e a Nossa Senhora do Caravaggio, que desviou aquele remate de Cocu para a trave da baliza de Ricardo, também tiveram mão nesta vitória histórica.

Texto publicado no Jornal "Hoje Macau", 27-06-2006.

1 comment:

anonymous said...

Como diria Jean Paul Sartre, "no futebol, tudo se complica com a presença da equipa adversária".
Abraço
Justo.