Tuesday, February 28, 2006

Esticar a corda

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Numa altura em que o seu partido, o Partido Democrático Progessista, vem de pesadas derrotas eleitorais e quandoa sua popularidade estava em níveis mínimos desde que ocupa a presidência da Formosa, Chen Shui Bian está apostado em desafiar Pequim ao dissolver o Conselho da Reunificação Nacional. Novamente, "A-Bian" - como gosta de ser chamado - joga uma cartada arriscada de modo a fortalecer o campo pró-independência, que me parece desajustada e contraproducente e que só poderá ser entendida num contexto de fragilidade doméstica e esperando que haja uma forte reacção de Pequim. Trata-se igualmente da resposta de Chen ao namoro entre o Kuomintang e Pequim, patente ao logo do último ano. É nesse sentido que vai análise de George Tsai, investigador do Instituto de Relações Internacionais de Taipé, em declarações ao Washington Post:

"Deep in their hearts, they (China's leaders) are worried and even mad about this provocative behavior" (...)"China has to calculate how to respond to not annoy the (Taiwan) populace and not fall into Chen's trap. Chen wants a strong reaction from China.They are watching what the United States does next, what the opposition parties do next, and then they will decide what to do."

Pequim já deixou claro que Chen é um troublemaker.

E o Nic, o que pensa disto?

7 comments:

Nic said...

Ola', o Nic tem andado por ai por essas bandas mas ja regressou.
A actual situacao de Taiwan, nao e' de modo algum vantagoso para Taiwan, a medio e longo prazo. Uma clarificacao de estatutos e' urgente, independentemente para que lado seja. E isto so se consegue com dialogo e diplomacia entre os dois lados.
Um presidente que passa a vida a posar para as camaras a fingir que cuida de doentes, ceifa o arroz, carrega a palha e varre as ruas, quando na realidade todo o universo sabe que nunca fez tais tarefas, e ao mesmo tempo nao faz o que lhe e' devido, resolver por diplomacia a actual indefinicao e' digno de ser presidente? Ja para nao falar dos casos de corrupcao dos que o rodeiam inclusivamente os negocios facilitados dos membros de familia como por exemplo como quem nao quer a coisa, da propria esposa...
Sim, com um perfil destes a ocupar a lideranca desta ilha nao se vai a lado nenhum... ha' que aguardar ate' 'as proximas eleicoes presidenciais, a partir das quais a resolucao da actual situacao se iniciara'!


ps. isto e' so' o nic a pensar.
:)

Ma Tin Long said...

Obrigado pelo comentário, Nic.
Talvez a nova liderança do Kuomintang traga algod e melhor. Ou estarei enganado?
Abraço

Nic said...

Nao e'preciso ser-se grande analista politico para se ver o esboco que se avizinha a medio prazo. O sr. Ma do KMT vai ganhar as proximas eleicoes presidenciais (dai os golpes deseperados do sr. A Bian). E com este novo presidente, de longe muito mais carismatico que o actual, Taiwan entra numa nova fase, a de reconciliacao e reestablecimento de comunicacao, negociacoes e eventual reconciliacao com a China. Nao me parece que haja outra alternativa do que se trabalhar em direccao a uma uniao.
Nao defendendo o KMT, o DPP falhou em grande em se apresentar como uma alternativa e arrisco a dizer que um Taiwan reconciliado com a China tera' certamente prespectivas futuras mais sustentatveis e podera' desse modo vir a ter um papel mais activo na comunidade internacional. Este cenario so podera' trazer beneficios a Taiwan.
Para terminar, nao acho correcto o que A Bian esta' presentemente a fazer, reacordar e quase promover maquiavelicamente tragedias do passado (como o 2.28) para fomentar odios do presente em relacao 'a China quando ao mesmo tempo se enterra tragedias causadas pelo Japao quando estes sim foram os invasores.

Anonymous said...

"Nao me parece que haja outra alternativa do que se trabalhar em direccao a uma uniao"? O senhor NIC ou está a brincar ou não pesca nada de nada em relação a Taiwan. Já alguma vez foi a Taiwan? Se não foi, vá lá; se já foi, estava a dormir e é melhor lá voltar. Taiwan já deixou de ser a China há muito e a população local não quer pertencer à China.

Nic said...

sr/a anonimo,
nunca fui a taiwan, so vivo ca'!
como disse, sao pontos de vista pessoais.\ e nao me parece que esteja na posicao de falar pelos residentes de taiwan, pois o que disse nao corresponde de modo algum 'a totalidade da populacao da republica da china.

Ma Tin Long said...

"Taiwan já deixou de ser a China há muito e a população local não quer pertencer à China."
De que China estamos a falar? Será que a população local apenas não pretende ser parte da China como é... E se a China se democratizar...? Além do mais, é ou não é verdade que a maioria dos habitantes de Taiwan são chineses?
Julgo que a maioria das pessoas quer a manutenção do satus quo, ou seja, uma indepdnência de facto, mas não de jure. Julgo que se um dia a China quiser ter Taiwan de volta terá que adoptar a fórmula "Um país Três sistemas". Ou uma união de estados. Sei- e percebo - que a fórmual de Hong Kong e Macau não colhe apoios na Formosa.
Pequim está a jogar a carta do Kuomintang - irónia histórica - mostrando que se os taiwaneses elegerem os nacionalistas terão benefícios económicos de grande escala. O Kuomintang agradece, mas sabe que este jogo pode ser perigoso. Chen Shui Bian está perdido, desesperado.
Pessoalmente, julgo que uma reunificação entre os dois lados do estreito no contexto de uma China democrática seria o melhor dos mundos. Até lá - temo que faltará bastante tempo - a manutenção do status quo é o que garante melhor a estabilidade.
Mas eu estou a dizer isto e não vivo lá. Nem pretendo com isto indicar o caminho às pessoas de Taiwan que terão natualmente a palavra e o voto.
Para terminar quero deixar claro que não concordo nem com os devaneios de Chen Shui Bian nem com o facto de as pessoas na ilha Formosa terem sempre as dezenas de mísseis da China continental apontadas.
Sobre a ameaça de um conflito, em meu entender, um confronto não inetressa a ninguém: nem a Pequim, nem a Washington e nem, especialmente, às pessoas de Taiwan. O Bom senso prevalecerá. Ou será um wishful thought da minha parte?

Anonymous said...

"Julgo que a maioria das pessoas quer a manutenção do satus quo, ou seja, uma independência de facto, mas não de jure" - é isso mesmo. Eles querem ser independentes, mas não querem ser arrasados pela tropa do continente. Por isso, preferem deixar tudo como está. É simples, é barato e dá milhões :-)

Sr. NIC, eu já estive em Tainan, onde você vive. E estive em Kaushiung e Taipé. E ouvi muitos formosinos dizerem que não eram chineses, mas taiwaneses. Até em Macau já ouvi isso. E a juventude de Taiwan identifica-se mais com o pop-idol do Japão do que com a China vermelha, pareceu-me. Não acha?