Monday, March 13, 2006

As faces da história (ainda e sempre)

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Os primeiros portugueses a aventurarem-se no Império do Meio terão sido ‘manipulados’ pelos chineses para se estabelecerem em Macau. É a tese agora apresentada em Lisboa pelo investigador Jin Guo Ping, num debate sobre os primeiros séculos da presença portuguesa na China. Também a polémica sobre a passagem ou não de Camões por Macau ficou a marcar o primeiro Fórum Internacional de Sinologia

João Paulo Meneses no Ponto Final

13 comments:

soler said...

Os historiadores esquecem-se que a sua ciência não vive apenas de documentos e materialidades. Os próprios mitos são fonte. Aliás, sabem distinguir mito de relato histórico em textos anteriores ao século XIX? Se julgam que sim...

AG said...

Lida a reportagem, parece-me que muito estudo, para lá do pau da escola, está carente de ser feito.

Vamos a isso!

Houve um tempo, que em rigor ainda vai permanecendo, onde nos bastavam as conjecturas para discutir, partir, ralhar, lutar e carpir, ora aqui está uma marquise de oportunidades para: desenvolvimento cientifíco, biografias literárias, nouvelle literatura, desemprego qualificado, diplomacia Orientada, putos esclarecidos e prontos a decidir daqui a 40 anos!

ai...caro Matias, que prazer é saber que certas discussões tomam parte nesse airellon de fórmula 3 que concentra a cultura lá para os lados do Aterro velho.

Então e Wenceslau de Moraes? Pura Literatura?

AG said...

Ora bolas!
Esta foi ao poste!
Relida a notícia percebo que o evento está a decorrer na capital do império...agora fiquei sumariamente mais preocupado, triste talvez.

Vitório Rosário Cardoso said...

Amigo Zé Carlos,

Ora uma triste notícia para aqueles que sempre quiseram acreditar que Macau nunca foi nosso (de Portugal)!
Como as histórias da Pátria são lindas.
Depois de uma semana de férias em França, estou de volta.
Vou-te dando boas novas.

Abração e bom empenho para uma melhor compreensão da China,
Vitório

Dulcineia said...

Macau nunca foi de Portugal, claro que não. E ainda bem. Se tivesse sido, provavelmente estaria ainda a tentar amanhar-se numa qualquer complicada guerra intestina (sempre gostei deste termo), o mais certo seria termos tido um golpe de Estado (ou de Executivo, para ser correcta do ponto de vista da teoria política) hoje de manhã, antes da missa das onze, e a população local falaria toda um dialecto mais ou menos inteligível ao expatriado recém-chegado da metrópole (que título tão pomposo para um capital de um império que, como dizia e bem o Vitorino - esse homem de esquerda que canta de boina - nunca existiu, que os portugueses iam de costa em costa e tinham facilidade em se deixarem ir mais longe, motivados por sentimentos pouco imperialistas e nada nacionalistas...).
Macau nunca foi de Portugal e ainda bem. Venham as teorias que vierem. Há várias. Umas de carácter mais histórico, outras assentes em teorias de perspectiva jurídica. Mas o que interessa mesmo é o que fica no fim. E o que fica no fim, meus caros - a provar que Macau nunca foi de Portugal - é o sorriso que sinto na pele, ali na Rua dos Mercadores, o sorriso que me é dado ali no NAPE, no supermercado da Taipa, ao entrar no meu prédio. O sorriso que me é dado a alguém que jamais se poderá confundir com um local, etnicamente falando.
Macau nunca foi de Portugal. E, por isso, é de todos os portugueses que cá queiram estar, com vontade apenas de serem de Macau. E não de o possuirem.

Vitório Rosário Cardoso said...

Caríssima Dulcineia,

Já deu para reparar que lhe movem mais os sentimentos que lhe impregnam do que conteúdo político, está visto.
Existe-lhe uma enorme falta de conhecimento da cultural local de Macau, da génese das suas gentes e do modo político de se gerir os assuntos, tanto do lado português como a do chinês.
Da maneira que fala, cheira-me que não seja de Macau ou que pouco ou nada conhece de Macau.
Vá dizer ao Dr. Henrique de Senna Fernandes que Camões nunca esteve em Macau e logo descobrirá o que ele ter-lhe-á para dizer.
Minha cara, falta-lhe uma lição de portugalidade, recomendo que faça a peregrinação do 13 de Maio e da romagem à Gruta de Camões no dia 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que antigamente era o dia da Raça Portuguesa (do Minho a Timor).
Talvez aprenda qualquer coisa, nem que seja com o declamar dos poemas de Camões em chinês ou escutar as estrofes dedicadas à Dinamene.

Ai falam-me do NAPE, do ZAPE, fale-me não dos novos imigrantes chineses continentais, mas daqueles que são da terra, e logo lhe dirão ou darão uma lição.

Ainda não conhece Macau, só com o tempo é que vamos descobrindo e redescobrindo, eu que aí nasci, ainda tenho muito a aprender, ao contrário de muitos que caem em Macau de pára-quedas, que no primeiro dia, já falam de Macau, no segundo fazem teses e no terceiro dia escrevem livros...

Seja bem vinda a Macau, que é o que sempre digo a todos que não conhecem Macau!

Macau foi português sim senhora.
Foi tanto português que quinze minutos antes da primeira aula, no Colégio Santa Rosa de Lima, nós alunos reuníamos em formatura para rezar três Aves Marias e um Pai Nosso e em coro e uníssono cantávamos o Hino Nacional e em sentido, ou nos dias comemorativos das grandes datas nacionais, como os da fundação ou da restauração homenageávamos os grandes de Portugal.
Julgo que a Dulcineia não seja da minha geração.
Aprendi a honrar Camões ainda em família e em tenra idade e não na escola.

Viva o grande Camões e vate imortal!
Viva o 10 de Junho e
Viva Portugal!

Noel Cardoso said...

Minha cara Sra. Dona Dulcineia. A veemência com que afirma que Macau nunca foi território nacional, é porque tem uma sólida prova para suportar tal afirmação. Díficil, muito díficil que assim seja. É pena só falar de boca. Sabe do que fala? Sabe o que diz? Interrogo-me... Macau, teve o seu estatuto sui generis, após a declaração de Mário Soares nas Nações Unidas em 1976, e que foi completa com a declaração conjunta, do qual emergiu o estranho conceito "território Chinês sob administração Portuguesa". Como é que é possivel um País soberano exercer soberania num país terceiro? Não há que ver a qualificação de Macau no periodo anterior a 1976? Macau era Território Ultramirino, Colónia e posteriormente Província Ultramarina. Há que saber do que fala! A qualificação de Macau era a mesma dos restantes Territórios no Ultramar. Não se pode disfarçar quais factos! Vá ao Leal Senado e leia as incrições feitas no seu interior e à entrada do jardim Lou Lim Ioc! Vai encontrar umas das referidas qualificações.
E já agora, está a menosprezar a capacidade da Comunidade Macaense na utilização da Língua Portuguesa?
PS: Sou Macaense

Ma Tin Long said...

Caro Vitório
Falas da diferença entre chineses de Macau e chineses continentais. Mas, sabes que Macau será cada vez mais composta por chineses continetais e expatriados da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Singapura etc. A memória e o sentimento de pertença, com o passar dos anos tenderá a não ser partilhado pela maioria. É o que poderá acontecer...
Cumprimentos

Dulcineia said...

Caro Vitório Cardoso:
Conheço Macau melhor do que julgais. Mas não o conheço na totalidade nem a tal aspiro: sou contra as verdades definitivas, contra as ideias empacotadas, contra os rótulos e contra quem sabe tudo. Quero ir conhecendo sempre, para que não perca o encanto. Conceito que não se aplica só a Macau, mas à vida na generalidade.
Por conhecer alguma coisa de Macau mas sobretudo por cá viver, é que sei que Macau nunca foi dos portugueses. Nem tinha que ser. Macau não é o Santa Rosa de Lima nem o Palácio do Governo, que há já uns bons anos se chama Sede do Executivo. Macau não é a Praia Grande, não estamos na década de 50, quando os chás gordos eram só para alguns, que a maioria bebia-os magros. Macau é muito mais do que o bairro cristão, sempre foi.
Ler, aprender, estudar ciência política, escolher uma perspectiva constitucionalista para abordar a questão - todos nós somos capazes de o fazer.
Sim, os sentimentos. É disso que as pessoas da terra que aclama sua - e com todo o direito, embora insista numa portugalidade que não deve ser obrigatória mas sim sentida, que a terra é de quem cá está e sua nela todos os dias - vivem. Vivem do que sentem.
Quanto à lição de portugalidade, não me falta, disso pode ter a certeza: não são as romarias nem as avés-marias que fazem de alguém português. Mas porque sou curiosa e não gosto de falar do que não sei, já experimentei de quase tudo. Incluindo as avés-marias e as romarias. Sei, portanto, do que falo.
Caro Noel Cardoso:
Não sei porque pergunta se estou "a menosprezar a capacidade da Comunidade Macaense na utilização da Língua Portuguesa".

Vitório Rosário Cardoso said...

Caríssima Dulcineia,

Está a ser redundante e decerto que esteve desatenta na leitura dos meus comentários.

1. O que disse precisamente, foi que apesar de nascido e vivido em Macau, muito ainda tenho a aprender sobre esta terra imensamente complexa, logo critiquei aqueles que chegam a Macau e passados dias julgam que já conhecem tudo.

2. Caríssima Dulcineia, entende ou fala o cantonense? Se não, recomendo que vá estudar, pois querer perceber um lugar sem perceber a língua e automaticamente a sua cultura é difícil, quase impossível e só trará imprecisões, como os estudos de Charles Boxer que se limitava a investigar traduções.

3. O Zé Carlos falou numa realidade importante, a dos que são da terra e o sentimento de pertença, quando falamos das gentes de Macau, falamos dos que sabem exactamente o que quer dizer viver Macau, aquele senhor "velhote de cabelos brancos" que tem uma barraquinha na meia laranja, na Av. da República, sim viu-me crescer, e pergunte-lhe o que é Macau, sim ele vivia do mar, vem de uma família de pescadores, a mais tradicional actividade económica de Macau.
O problema reside aí, já conhecem de certeza a história do Rei Salomão, em que há uma falsa mãe que não se importa de matar o bebé só para dizer que também tem cota parte. Pois bem, pessoas que não têm sentimento de pertença e logo aquelas que conjuntamente têm pouca formação (sem fazer disso norma), é lógico serem mais descuidadas, desinteressadas, e menos dadas à preservação dos seus costumes e tradições, da sua identidade. Em termos económicos é isso que muitos querem destruir, mas que são a vantagem comparativa de Macau face a outras regiões da China. Até o próprio Governo Central entendeu estes pontos, pois não há maior e sábia milenar dos decisores políticos chineses, por serem extremamente pragmáticos, em ver a importância de Macau para as suas pretenções geopolíticas e geoeconómicas, residindo e mantendo as suas especificidades, caso contrário seria mais uma territa dentro da grande China.

3. Ser Português é indubitávelmente ter os valores que compõem esse Povo. É indubitável que é intrínseca à identidade Portuguesa, à sua Portugalidade, os valores Católicos, vejamos as cinco quinas na Bandeira, as cinco chagas de Cristo, e os 30 dinheiros que Cristo foi traído.
Lembremo-nos da nossa história, lembremo-nos da Rainha Santa Isabel, lembremo-nos de Ourique, claro de Fátima, e por aí a diante.

3. Caríssima Dulcineia, sabe que para mim o facto empírico também conta muito, a voz da experiência, os ditados populares, o conselho dos anciãos, tudo isto são quer queira quer não, valores da Direita, valores da tradição, dos usos e costumes, e não baseando-nos somente na racionalidade pura do homem, um erro. Essas gentes é que sim, são um verdadeiro perigo para a humanidade, ao ponto de se julgarem Deus, capazes de tudo, o homem racional e iluminado capaz de explicar tudo e todos.
Vejamos a tragédia do iluminismo francês, em terras, claro francesas, as atrocidades cometidas, o que vale é que alguns beberam do seu próprio veneno, i.e. Robespierre.

Mas como lhe digo, não só contam as minhas experiências como contam as memórias a mim transmitidas, da Família, do colectivo, do nosso Povo. Logo fala-me da Macau dos anos 50, não me fale de cor sff. A minha família por essas alturas, sempre viveu com grande humildade, honradez e felicidade. Da parte da Mãe, sete irmãos, do lado do Pai, eram cinco, dificuldades de certo que foram passadas, e não é isso de certo que se faz não ser patriota, bem pelo contrário.

No 123, os mercados chineses fecharam o comércio à comunidade portuguesa, ao Avô, chamaram-lhe de pastor alemão, a única safa foi a FAMÍLIA, pois sendo a Avó, descendente das gentes de Coloane, filha do regedor da aldeia de Hac-Sá, foram sim os familiares que nos iam fazer as compras, para nos abastecer, gentes de Macau, entende? E não nos esqueçamos que no 123, houve infiltrações da RPC, de agitadores e propagandeadores da Revolução Cultural, e cedo o Presidente Mao, ordenou ao Exército Popular de Libertação que encerrasse a fronteira e impedir que os propagandeadores causassem mais desacatos.
Tudo para dizer, que são os filhos da terra, que sem sombra de dúvidas querem o melhor para a sua terra. Agora têm é o enorme desafio de saber receber todos esses novos visitantes e imigrantes e sensibilizá-los para que façam também de Macau a sua terra e não uma mera plantação, para chegarem a Macau e sacarem da árvore das patacas.

Caríssima, Dulcineia, não venha com mais retórica barata, e infundada, conviva mais e diariamente com as gentes da terra, vá ler um artigo que escrevi no Verão passado sobre os pescadores de Macau e logo lhe dirão o que é fazer parte de Macau e a profunda amizade e admiração que têm os pescadores de Macau para com os Portugueses, ambos lobos do Mar, que já segundo o Almirante Vieira Matias, ex-Chefe do Estado Maior da Armada disse, entre Chineses, tal como nos Portugueses muito e bons navegadores tiveram!

Estudei na Escola Primária Oficial Pedro Nolasco da Silva e também no Colégio Santa Rosa de Lima, creio que são essas riquíssimas vivências que lhe faltam para compreender melhor o espírito de Macau, com amigos e colegas chineses de Macau e outros de Portugal, para não falar nos Filhos da Terra, "Tou Sáng".

Saudações,

P.S.- Zé Carlos, foi um bom ponto esse que referiste, e consiste num dos maiores desafios de Macau saber integrá-los e fazer deles novos filhos da terra, com grande sentimento de pertença. Sem dúvida que deve ser das prioridades do Governo da RAEM. Quem melhor do que a Drª. Florinda Chan, de já de certo ter percebido da importância de se saber integrar pessoas de fora, que afinal de contas sempre foi o papel de Macau ao longo dos 500 anos. Mais uma tradição e mais um costume, a solidariedade! Valores da Direita, Dulcineia?

Vitório Rosário Cardoso said...
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Dulcineia said...

Pff, não vale mesmo a pena...

Vitório Rosário Cardoso said...

Dulcineia,

Estejamos mínimamente preparados para discussões e tenhamos o mínimo de humildade em reconhecer quando não sabemos! E quando não se sabe não é mal nenhum, mal é não querer estudar ou investigar e falar de boca.

Adágio doutrinário

Quem saiba e pense, vence e convence.

Passe bem,