Saturday, March 26, 2005

Wo men shi hao Li Hai *

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The Standard, 26-03-2005.
Nota: Okinotorishima faz parte do arquipélado Diaoyu, uma zona cuja soberania que é reclamada pela China e pelo Japão.

* Romanização do mandarim da expressão "Nós somos muito poderosos".

2 comments:

Alexandre Gil said...

Aprecio deveras o teu blog pelo facto de conseguires ter uma abordagem "inside" de todo uma região do globo da qual nos chegam meros ecos filtrados.

Gostava de te perguntar a tua opinião (eu sei que é complicado despir a tua capa de "jornalista") relativamente a esta disputa regional semi-adormecida.

A China vai proferindo ameaças (o uso de exercícios militares ao longo da costa tem sido o recurso mais usual) mas em concreto ainda nada ocorreu.

Taiwan lá vai prosseguindo naquele equilíbrio periclitante entre o apelo nacionalista (baseado no escudo protector do amigo americano) e a necessidade da manutenção do actual status-quo.

Achas que a China nos próximos 10 anos pode DE FACTO invadir a ilha?

Grato pela atenção dada a este leitor atento.

Com os melhores cumprimentos,
Alexandre Gil

Ma Tin Long said...

Caro Alexandre,
Desculpa o atraso na resposta, mas só hoje é que reparei no teu comentário. Obrigado por visitares o Sínico.
Sobre a pergunta que fazes, é, como deves imaginar, uma questão muito complexa. Tenho lido várias análises e continuo na dúvida sobre o que é política de megafone e desculpa para um reforço do arsenal militar de parte a parte ou ameaça real. Em princípio diria que a rede de interdependência económica e comercial entre os dois lados levaria a que numa análise racional custo-benefíco, uma guerra fosse altamente improvável. No entanto, já Tucídides avisava há 2500 anos, na "Guerra do Peloponeso, "o que fez a guerra inevitável foi o crescimento do poder de Atenas e o medo que isso causava em Esparta". Serve isto para dizer que a tese da interdependência é tão falível como a do conflito iminente. Além do mais, não podemos negligenciar a importância da política doméstica em Taiwan: se o Presidente Chen Shui Bian, ou a linha pró-independência se mantiver no poder, à priori, o risco aumenta. Caso o Kuomintang volte à presidência, é provável que haja um processo de reaproximação que possa culminar, médio prazo, numa união de dois estados, mediante uma solução do género "Um país, três sistemas" - um para o continente, outro para Macau e Hong Kong e um terceiro para Taiwan. De qualquer modo esta solução parece um pouco fantasiosa, embora já tenha sido levantada por alguns analistas. Depois, não esquecer o papel dos Estados Unidos. Em meu entender convém aos EUA a manutenção do status quo, para que continue um clima de tensão que servirá de desculpa para a manutenção de uma presença militar em torno da China (Coreia do Sul, Japão, Afeganistão, Repúblicas Soviéticas da Ásia Central e permanente ameaça de resposta a uma invasão militar chinesa da Ilha Formosa.
Recentemente lia um artigo muito interessante de Yong Deng, "Escaping the periphery:China's National Identity in World Politics". Apresentando uma perspectiva construtivista (dando primazia à construção e reconstrução das identidades nacionais na relação com o outro nas relações internacionais),Yong realçava como a Taiwan é fundamental para a hipernacionalista identidade chinesa: "Materialmente, os custos das hostilidades e da guerra claramente sobrepõe-se ao que a China poderia ganhar através da integração forçada de Taiwan. A irracionalidade da China só é inteligível nos termos em que percebemos o lugar que Taiwan ocupa na identidade China como um estado soberano hipernacionalista